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terça-feira, 30 de junho de 2020

Um futuro sequestrado

Bom dia a todos.


Saneamento Público, Saúde Pública e Educação serão nossa tábua de salvação em meio a um imenso oceano revolto e estamos a quilômetros da ilhota mais próxima, ainda longe do continente da estabilidade. Precisamos, antes, nadar e assegurar nosso fôlego na ilhota.
Essa tríade FUNDAMENTAL continua AMEAÇADA em baixo de nossos narizes. A saúde pública só veio à baila em função da pandemia do COVID 19 só que a mídia novamente conseguiu bombardear o Bolsonaro tirando o foco do caos e da ineficiência de anos de desgoverno do PT e da esquerda a começar pelo Sarney.

FHC tentou melhorar, mérito para ele neste mister, colocando o comunista senador e economista José Serra como Ministro da Saúde que se deparou com um horroroso corporativismo de médicos, hospitais e laboratórios até ter o bom senso, transformado em infelicidade, de fazer "um mero comentário" sobre a responsabilidade social das figuras públicas e o impacto de seus exemplos na sociedade. Falava ele de Xuxa e seus shortinhos dentro da bunda farta e amplamente copiados por meninas a partir de cinco anos. Ele fez esse comentário em função da ENORME quantidade de meninas pré-adolescentes GRÁVIDAS em hospitais públicos nas periferias das grandes cidades.

Foi um mero comentário mas munição suficiente para a Rede Globo (sempre ela) que passando aos serviços das corporações devoradoras do Erário na área de Saúde iniciou uma lenta, sistemática e evidente campanha para derrubar Serra daquele ministério e sua missão saneadora. Ele caiu porque a sociedade, sobretudo a diretamente beneficiada por suas ações, O DEIXOU SÓ!!!

Foco agora na tríade mas na vertente da Educação e, a partir de janeiro de 2019, onde a esquerda, irrefragável e absolutamente capilarizada e profundamente arraigada na estrutura de Educação, em todos os 5 565 municípios, sistematicamente (Abraham Weintraub denunciou mais de 30 mil cargos assomados em todos os níveis da estrutura da educação pública e, de longe, a maior quantidade de novos cargos criados a partir do governo Dilma).
Essa colossal "estrutura do mal" veio DETONANDO todo e qualquer esforço de se sanear a cáustica estrutura que está, e continua, sequestrando o desenvolvimento cultural e intelectual da futura mão de obra laboral da sociedade brasileira. O ministro colombiano foi o primeiro a ser sistematicamente cassado, encurralado nas comissões no Congresso sobre o escandaloso desinteresse da sociedade interessada em preservar a condenação em segunda instância. Ele caiu. Também caiu um "templário" lutando contra o marxismo cultural até ter a infelicidade de ser "mal interpretado" em uma "apologia" ao nazismo (que até hoje me esforço para procurar entender onde ele foi ofensivo em suas palavras). Então, os acólitos de meninas tocando o corpo nu de um homem "obra de arte viva" uma vez mais venceram e, sob a mais serena cagância da sociedade "em busca de um país melhor", um culturalmente diferenciado secretário nacional de cultura foi alijado...e os que tem um quezinho de esclarecimento, prosseguiram em sua luta em favor da segunda instância...
Um timaço sendo, sistematicamente, detonado, mais um negro de destaque é, novamente, bombardeado pela estrutura e não vi ninguém ainda da sociedade esclarecida em campanha para defendê-lo. Duvido que ele prossiga, pois um negro genuíno em uma sociedade onde "negros ao andar nas calçadas "as pessoas atravessam as ruas" para a calçada oposta (segundo a atriz Camila Pitanga) tenta iluminar um novo e bom caminho para o futuro da sociedade e, essa mesma solenemente o ignora e o deixa sozinho na cruel campanha difamatória que já abraçou outros países.
Ele está sozinho, afundará sozinho e irá para o ostracismo sozinho....aquela confusa sociedade que consegue pensar...o deixou sozinho....

Então agora me dirijo aos que, pelo menos em tese, querem um país melhor mas que, continuam hipnotizados em questiúnculas, em factóides, em STFs, Moraes, "fake news" e uma infindável trilha de bobagens sem qualquer futuro...

"Qual é a de vocês?!?!" 
"Qual é a agenda clara e consistente de vocês?!"
Como é que vocês querem que um país melhor saia de toda essa confusão DELIBERADAMENTE alimentadas por postagens inúteis em termos de tentativa de solução em curto e em médio prazos?
Elegendo "conscientemente" 49% de NOVOS na política (260 novos -nunca foram deputados) e cuja expressiva maioria JÁ DETONA a administração de quem quer melhorar o país?!?!

Está muito difícil vislumbrar, tampouco entender, um "norte", uma direção para onde essa massa de pessoas de bem e decentes está andando. As mídias criaram um perfeito "exercito de Brancaleone".

As eleições para os maiores predadores dos orçamentos federal e municipal será em poucos meses. Que DESASTRE dessa vez advirá das urnas?

"Pasárgada!!! Onde te encontras?!"

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Machado de Itararé, Barão de Assis

Um franco esforço em ampliar a zona de conforto intelectual do brasileiro rumo a abraçar a mediocridade.

Machado de Itararé, Barão de Assis 
DEONÍSIO DA SILVA - O GLOBO 

A vida do Bruxo do Cosme Velho, como o chamou Carlos Drummond de Andrade, não foi fácil, mas, se ele vivesse no Brasil de hoje, seria ainda pior

Quando junho vier, antes de outubro chegar, milhões de leitores serão enganados por um falso Machado de Assis.

É que serão distribuídos seiscentos mil exemplares (600.000; você não leu errado!) de uma edição falsificada de “O alienista”, uma história de loucos, isto é, de médico e louco, dos quais todos nós temos um pouco, mas não na dose a ser administrada ao distinto público nas próximas semanas.

Machado de Assis foi o maior escritor brasileiro de todos os tempos. De seu livro roubado e mutilado foi produzida essa montanha de equívocos, com o seu, o meu, o nosso dinheiro, por meio de um recurso fabuloso, a renúncia fiscal, que, entretanto, tem resultado em projetos culturais tão louváveis, bonitos e importantes! Mas que vem se prestando também a algumas falcatruas.

A vida do Bruxo do Cosme Velho, como o chamou Carlos Drummond de Andrade, não foi fácil, mas, se ele vivesse no Brasil de hoje, seria ainda pior. Poucos entendem seus livros nos circuitos escolares, e a razão é muito simples. Basta olhar nossos indicadores de educação no mundo!

Mas o motivo é outro, segundo nos esclarece Patrícia Secco, a autora da “adaptação”.

“De onde menos se espera, daí é que não sai nada”, profetizou o lendário humorista gaúcho Barão de Itararé. “Entendo por que os jovens não gostam de Machado de Assis”, disse Patrícia Secco ao jornalista Chico Felitti. “Os livros dele têm cinco ou seis palavras que não entendem por frase. As construções são muito longas. Eu simplifico isso.”

Escreve o jornalista: “Ela simplifica mesmo: Patrícia lançará em junho uma versão de ‘O alienista’, obra de Machado lançada em 1882, em que as frases estão mais diretas e palavras são trocadas por sinônimos mais comuns (um ‘sagacidade’ virou ‘esperteza’, por exemplo).” (...) “A ideia não é mudar o que ele disse, só tornar mais fácil.”

Machado era órfão de mãe (de pai é uma coisa, de mãe é outra, o abandono é ainda maior!), descendente de negros, pobre, gago, epiléptico, casou com uma solteirona portuguesa que tinha comido a merenda antes do recreio, e não tiveram filhos para não transmitir a ninguém o legado da doença. Mas deixou-nos uma obra imortal!

Mais que gênio, oxigênio de nossas letras, Machado venceu preconceitos de raça, de cor, de dinheiro, de tudo. Mas não passou pela senhora dona Patrícia Secco, em breve “coberta de ouro e prata (600.000 exemplares!)”, mas que “descubra seu rosto”, “queremos ver a sua cara”.

Augusto Meyer disse que “quase toda a obra de Machado de Assis é um pretexto para o improviso de borboleteios maliciosos, digressões e parênteses felizes”.

Araripe Júnior também foi outro que se enganou: “Filho das próprias obras, ele (Machado) não deve o que é, nem o nome que tem, senão ao trabalho e a uma contínua preocupação de cultura literária.”

Astrojildo Pereira enganou-se ainda mais: “Machado de Assis é o mais universal dos nossos escritores; (...) ele é também o mais nacional, o mais brasileiro de todos.”

O francês Roger Bastide, destacando a paisagem carioca que poucos viam em Machado, concluiu: “Escrevi estas páginas de protesto contra os críticos literários que lhe negam essa qualidade: humilde homenagem de um estrangeiro a um mestre da literatura universal.”

Paro por aqui. A senhora dona Patrícia Secco não tem o direito de fazer o que fez. A obra de Machado de Assis não é dela. É patrimônio do povo brasileiro.
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