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domingo, 25 de dezembro de 2011

Milícias partidárias na favela nacional

O artigo abaixo é um excelente elenco de informações que esclarecem a gênese da atual violência urbana carioca. Também é referencial das mesmas condições nas demais cidades. Procurei sublinhar tópicos para melhor ajudar na compreensão.

Ressalto, todavia, a presença da mídia na equação que, via de regra, procura desqualificar as ações apaziguadoras que jamais  serão a toda hora, suaves e respeitando "direitos" o que há de se prevalecer é a ordem pública, a garantia da Lei e o bem-estar e desenvolvimento da comunidade.

Haverá mais atritos adiante, sem dúvida, todavia há que se manter o pulso, pois o resto do país estão aguardando, com ansiedade, os resultados desse árduo e paulatino trabalho.

Quanto a nós, cidadãos, nos resta ter uma postura responsável de acreditar nas autoridades legalmente instituídas e não se deixar levar por opiniões e factóides que, certamente, serão produzidos.

Finalmente a Segurança Pública no país estão tendo uma solução exemplar e sustentável.

Torço, ainda, que o Sr Beltrame não queira ser político, pois as obrigatórias anuências com questionáveis posições impostas pelo partido -qualquer dos 23 partidos no Brasil- irão desacreditar, em decorrência, no futuro, este belo trabalho.



Milícias partidárias na favela nacional
SANDRA CAVALCANTI
O ESTADÃO

Após meio século de descaso e equivocada visão social, as autoridades da cidade do Rio de Janeiro estão tentando uma solução mais legal e menos populista. Sem ideologias nem objetivos eleitoreiros, elas entenderam, afinal, que é impossível manter comunidades "diferenciadas" dentro de uma área urbana sem ferir a igualdade dos cidadãos. A inclusão social dos moradores das metrópoles depende inteiramente da inclusão legal.

A inclusão legal significa o seguinte: para ser um cidadão urbano legal o cidadão deve morar em imóvel legalmente construído, seja próprio ou alugado; e deve também pagar todos os impostos, taxas e tarifas fixados por lei. Ou seja, todos os serviços dos quais é usuário: de água, de esgotos, de energia, de iluminação pública, de limpeza urbana, de coleta de lixo e de telefone. Exatamente como os demais cidadãos de sua cidade.

Essa sua contribuição lhe permite exigir retribuições: escolas de primeiro e segundo grau, postos de saúde, postos policiais, transporte coletivo oficialmente registrado, atendimentos de emergência, redes de esgotos, Correios, vigilância sanitária, vias de acesso com segurança, enfim, todo um conjunto de benefícios. Nada de favores do poder público! Hoje, na quase totalidade das favelas, quando alguns desses serviços existem, são considerados "bondades" oferecidas pelos que ali exercem o poder paralelo! Cobram o que querem, dão ordens às famílias, apavoram as mães, aliciam os jovens e os corrompem, fabricando bandidos...

A ilegalidade consentida foi piorando muito ao longo dos anos. Chegou ao seu auge na década de 1980, quando o então governador Leonel Brizola entregou as favelas do Rio, como capitanias hereditárias, aos seus associados políticos. Fez mais: proibiu que qualquer autoridade subisse os morros ou entrasse em suas vielas para estabelecer a ordem pública ou dar segurança aos seus moradores.

Vale, pois, perguntar: se a causa verdadeira dessa tragédia criminosa era do conhecimento de todos, por que nunca antes havia sido enfrentada de forma correta? Por que as autoridades do Rio deixaram o poder paralelo chegar até onde chegou?

Por conivência. Por cumplicidade. Por interesses pessoais. Pela importância eleitoral desses redutos de votos dominados. Minas de ouro de lucros obscuros.

Foi a industrialização do País que detonou os movimentos migratórios. Eles estão na origem das primeiras favelas. A partir de 1930 e, principalmente, após 1950, esse processo ocorreu em todas as cidades grandes. E ainda não parou. Nem a nova capital da República escapou. Ao contrário, ela sofre no presente os mais intensos sintomas dessa terrível doença: a maioria da população brasiliense mora nas dezenas de favelas que circundam o equivocado projeto urbanístico de Brasília.

Muitos estudos revelam que, nas favelas, as comunidades se comportam de modo diferente. Instalados ali sem a proteção de autorizações legais, os seus ocupantes acabam perdendo a noção de que existem leis para serem observadas e cumpridas.

Essa situação contamina todos os setores da comunidade. Eles não adquirem o hábito de cumprir o que determinam as leis. Isso não faz parte de seu dia a dia. O Estado, para eles, não existe. O poder, ali, é exercido por quem dispõe de força.

Só obedecem a quem pode intimidá-los: ou ao político que lhes arranjou aquele espaço; ou ao traficante que lhes emprestou dinheiro para a laje; ou ao miliciano que, em troca de uma suposta proteção, cobra uma taxa camarada.

Privados de serviços públicos legítimos, esses moradores são obrigados a pagar água, luz, taxa para edificação e "proteção". Um sistema de "impostos" paralelo, que nada perdoa.

Diante desse quadro, é extraordinária a coragem e a correção do modelo que vem sendo posto em prática pelo atual chefe da Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. A operação de resgate da cidadania dos moradores de favelas, embora esteja custando uma fortuna em matéria de recursos públicos, está sendo uma inesperada e gratificante surpresa para nós, cariocas!

Quem sabe, diante de tão magnífico exemplo, os três Poderes, em Brasília, acordem para a realidade e se disponham, também, a realizar uma operação semelhante? Quem sabe eles resolvem trazer o governo de volta ao clima de legalidade? Uma "UPP" no Planalto? Sim. É disso exatamente que estamos precisando. Exigir um comportamento mais decente de todos os que ocupam cargos de comando no governo. Punir todos os que, nas legendas que formam a famosa base de governo, agem como os traficantes apadrinhados, aqui, no Rio, pelo caudilho brizolista, com a garantia da impunidade.

O êxito das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) veio mostrar que é possível dar um choque de ordem nessas áreas apodrecidas. Sem uma operação corajosa a favelização política que ocorre hoje, no Brasil, vai continuar pelo País afora. E quem são os assaltantes que desviam dos cofres públicos o suado dinheiro arrancado dos brasileiros? São líderes de partidos e de sindicatos. Que são até aplaudidos pelos comparsas. Qual a punição? Perdas de ministérios? Aposentadorias? Afastamentos? Tudo para inglês ver... A mesma embromação usada para os favelados: discursos, obras cosméticas, teleféricos caríssimos, passarelas McDonald's-Niemeyer

O alvo das UPPs é simples: o morador da favela deve poder viver legalmente, sob a proteção das leis. Como qualquer outro cidadão, com os mesmos direitos e os mesmos deveres. Pois esse deve ser, também, o alvo para o País. Roubo praticado por companheiros e aliados é crime. É ato ilícito. Vai contra a lei.

Se uma "UPP" em Brasília não for instalada, se as punições não vierem, se a contemporização continuar, se o império da lei vai esperar o início do ano que vem, se aqueles milicianos e traficantes não forem punidos, então teremos alcançado uma façanha impensável: o Brasil será a maior favela do mundo!
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sábado, 25 de junho de 2011

Laranja madura na beira da estrada...

... tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé!



Sandra Cavalcanti
O Estado de S.Paulo

Que saudades do grande Ataulfo Alves! Sou da geração que, graças a Deus, viveu momentos belíssimos da música brasileira de verdade. Período de letras inteligentes, limpas, sábias, solidárias. Sustentando melodias realmente musicais. Período ainda livre das escravaturas eletrônicas, dos metais tonitruantes e dos alto-falantes poderosíssimos... Além disso, eram todas em português. Lembro-me bem de quando ele apresentou esse samba, numa roda entre amigos, tocando ele mesmo o seu violão.

Foi esse samba que me veio à memória quando li a mensagem que a presidente da República, Dilma Rousseff, enviou ao professor Fernando Henrique Cardoso, que está sendo muito festejado pelos seus provectos 80 anos de idade.

Embora tenha vindo para o Rio de Janeiro muito criancinha, gosto de pensar que nasci em Belém. Uma linda cidade onde, até hoje, a língua portuguesa é muito bem cuidada e respeitada. Os paraenses falam bem, escrevem certo e conservam muitas peculiaridades... Uma delas, que sempre achei divertida, é o uso maroto do termo "disque" (diz que...).

Todo paraense, mesmo os transplantados, como eu, tem o hábito de usar essa espécie de ressalva antes de narrar fatos ou dar informações que possam ser dignas de certa desconfiança. Normalmente dizemos assim: "Disque" Fulano deixou a Beltrana por conta da Sicrana... Ou então: "Disque" o prefeito vai pagar os precatórios. Ou ainda pior: "Disque" a situação financeira do País vai melhorar...".

O mais famoso de todos os "disques" ocorreu quando, numa entrevista em Paris, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não sabia de nada sobre o mensalão. Nem ele nem o José Dirceu, nem a Dilma Rousseff, nem o Gilberto Carvalho, enfim, ninguém sabia de nada. Na língua de Belém, a notícia correu assim: "Disque" Lula e o pessoal dele não sabiam de nada! Os deputados que recebiam a boladinha todo mês "disque" achavam que o dinheiro vinha do céu!

No episódio dos aloprados, outra vez a mesma coisa: "Disque" Lula e o pessoal dele não sabiam de nada. Em seguida, no primeiro escândalo das chamadas consultorias petistas, os que frequentavam aquela casa chique e lucrativa em Brasília não sabiam de coisa alguma. Só o caseiro Francenildo.

Este, quando perguntado, não usou o "disque". Foi direto e simples ao dizer: o Palocci também vem aqui. Afirmou e confirmou.

Contra ele, outro "disque": "Disque" que o dinheiro na conta do caseiro foi para ele fazer a denúncia! Ficou provado que não era. Então, quem mandou violar o sigilo da conta do rapaz? "Disque" que foi o diretor da Caixa Econômica Federal... Cabeças caíram. Depois apuraram que foi o próprio então ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

Agora, temos outros "disques"na praça... "Disque" que o Palocci ficou muito rico de repente. "Disque" que comprou por R$ 6 milhões um apartamentaço em São Paulo. E mais um baita escritório, lá também. Diante disso, caiu o Palocci, como caiu o Dirceu e como caiu a Erenice Guerra. E a presidente? Sabia de alguma coisa. "Disque" não! No melhor estilo Lula...

Durante os oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso e os oito anos de Lula, os petistas e seus compadres populistas desferiram, o tempo todo, flechas, dardos, balas e obuses contra o plano da recuperação econômica do Brasil. Projeto iniciado no governo de Itamar Franco e levado a extraordinário êxito pelo governo FHC, pela equipe que é, hoje em dia, mundialmente aplaudida e até imitada. Lula não teve coragem de alterar o sucesso, mas tentou roubá-lo. Falou o tempo todo em herança maldita!

O alvo preferido era sempre FHC. Como eram também os tucanos. Era o DEM. Era a "zelite" alfabetizada e com diploma. Eram os loiros de olhos azuis... Eram os produtores rurais bem-sucedidos.

Infelizmente, na área política, o sucesso tucano não se repetiu. E graças aos seus próprios erros o País caiu nas garras do populismo sindical.

Mesmo mantendo espertamente os benefícios do Plano Real e da Lei de Responsabilidade Fiscal, nunca o País caiu nas mãos de um grupo de dirigentes tão incompetentes, tão despreparados e tão gananciosos.

Os índices brasileiros em educação, saúde publica, condições sanitárias, criatividade tecnológica, produção científica e segurança pública nunca estiveram tão baixos. Em todos os setores, os sintomas de perda de velocidade já estão sendo percebidos.

Então, por que as pesquisas de opinião ainda revelam que o povo acredita neles? É o resultado do uso e abuso, intenso, desleal e cruel, de todos os modernos recursos de comunicação. Os gastos com a propaganda foram simplesmente inacreditáveis!

Dizia Abraham Lincoln que é possível iludir a todos por algum tempo, iludir pouca gente o tempo todo, mas é impossível iludir toda gente por todo o tempo.

Esses limites estão chegando. A "herança maldita" do Plano Real, assim como foi definida por Lula, Dirceu, Dilma e seu séquito, passou a ser considerada um maravilhoso presente para o País. E quem não tentou golpes de mão para impedir a posse de seu sucessor passou a ter diploma de estadista.

É isso o que aparece agora, na afetuosa e novelesca carta de parabéns que a presidente da República enviou a Fernando Henrique Cardoso.

Lá, em Belém, o pessoal deu risada quando contaram que "disque" a presidente chamou FHC de querido. Será?

Laranja madura, na beira da estrada, tá bichada, Zé, ou tem maribondo no pé!

PROFESSORA, JORNALISTA, FOI DEPUTADA FEDERAL CONSTITUINTE, FUNDOU E PRESIDIU O BNH NO GOVERNO CASTELO BRANCO E-MAIL: SANDRA_C@IG.COM.BR 
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Deslizes das naturezas

SANDRA CAVALCANTI

O Estado de S.Paulo 

Costumo começar meu dia rezando uma linda oração de São Patrício, padroeiro da brava Irlanda. Ela diz assim: "Meu Deus, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar o que eu puder e sabedoria para perceber a diferença".

Fui educada prestando atenção ao mundo à minha volta: criaturas racionais e criaturas irracionais. Naturezas criadas por Deus: a nossa e a outra. Bem distintas,, aliás. A nossa, a humana, tem consciência de si, capacidade de raciocinar, criar e decidir. Nosso mais precioso dom é a liberdade. A outra natureza não tem nenhuma dessas características. Nossa liberdade de decidir gera responsabilidades. Uma delas não vem sendo levada a sério: a de não estragar a obra do Criador. Respeitar a natureza, vegetal, animal, mineral. Proteger as águas. Defender, e sustentar, tudo o que foi criado para garantir a nossa presença no planeta. É o legado que o Criador confiou aos nossos cuidados.

Tão grave quanto matar, roubar, mentir, praticar crueldades é agredir, devastar e desrespeitar essa outra natureza, da qual dependemos para sobreviver. Nosso planeta, nossas terras, nossos ares, nossas águas, nossos animais, nossos alimentos.

Infelizmente, porém, a natureza humana sucumbe muitas vezes diante de suas próprias fraquezas. Nós mesmos criamos nossas calamidades. Nós mesmos, agredindo a outra natureza, provocamos nela as catástrofes que desabam sobre nós.

O meio ambiente não tem como se defender. Um gato será sempre um gato. Uma trepadeira não muda seu destino. Os rios correm sempre em busca do desaguadouro, não sobem colinas e montanhas. As chuvas formam-se sempre pelo mesmo processo e seguem, inexoravelmente, as regras ditadas pela Terra e pelo Sol. É claro que, em muitos casos, alguns desses clamorosos desastres não dependem da ação dos humanos. Terremotos, maremotos, tsunamis, tufões, tornados, geleiras, icebergs, tudo isso não depende da ação do homem.

Mas o conhecimento das tragédias naturais, bem estudado e bem divulgado, pode ajudar muito na hora de se proteger. Providências podem ser tomadas. Defesas podem ser erguidas. Bens podem ser resguardados. As autoridades devem ter meios para impedir que vilas se instalem em áreas vulcânicas, cidades cresçam perigosamente à beira-mar, estradas sejam erradamente projetadas, favelas se multipliquem no cocuruto ou nas encostas de morros geologicamente inseguros ou às margens de rios, cujos níveis sobem sempre, assustadoramente, nas épocas de chuvas.

Todos os anos, em vários países, no auge da seca, incêndios devastam tudo morro acima e torrentes destroem tudo morro abaixo, na época chuvosa. Em muitos deles há todo um programa de enfrentamento. As providencias já estão todas a postos e as pessoas estão treinadas. Se as pessoas forem previdentes, e se prepararem bem, os sofrimentos serão menores. Em pleno século 21, é inadmissível que nossas grandes metrópoles ainda vivam à mercê de chuvas de verão! É criminosa a leniência das autoridades diante dessas catástrofes anunciadas. As torrentes devastadoras nas serras do Rio de Janeiro estão registradas, fartamente, em livros e documentos, desde os primórdios de nossa colonização. Continuarão a ser problema insolúvel?

Em 1960, quando Carlos Lacerda assumiu o governo do Estado da Guanabara, o Rio sofria com vários problemas até então insolúveis. Ele listou os desafios como suas principais metas. Acabar com a falta d"água que, por quatro décadas, atormentava a vida dos cariocas. Acabar com a fila de pais e mães, madrugada adentro, para matricular os filhos na rede pública de ensino. Acabar com as enchentes, já nas primeiras chuvas de verão. Retirar das áreas de risco a população favelada. Retirar das áreas de mata atlântica as edificações instaladas contra a legislação.

Para isso Lacerda criou a Cohab. Providenciou recursos e poderes para os geólogos da Sursan mapearem as áreas de risco da cidade. Construiu novas redes de esgotos e galerias pluviais. Criou a Comlurb, que até hoje é a mais moderna e ágil empresa de coleta do lixo e limpeza urbana do País.

Cinco anos depois, quando Carlos Lacerda deixou o governo, não faltava mais água em todo o Estado da Guanabara. O sistema do Guandu foi considerado, no livro Guinness de 2009, a "maior obra de engenharia de captação, tratamento e distribuição de água do século 20". Todos os rios e canais estavam limpos e desassoreados. Mais de 25 mil ex-favelados já estavam morando em bairros ótimos, na Vila Aliança, na Vila Kennedy e na Vila Esperança. Os morros, liberados, devidamente reflorestados.

Para azar nosso, administrações que vieram depois conseguiram a façanha de convencer a opinião pública de que é maldade retirar favelados de áreas de risco! Aqui, e fora daqui, os "coronéis urbanos" morrem de medo de perder seus currais eleitorais... Morador ilegal é matéria-prima preciosa para o populismo e a corrupção. Prova disso tivemos, aqui, em 1983. Usando de total arbítrio, contra todas as leis e posturas municipais, Leonel Brizola autorizou construções de alvenaria em todas as favelas. O exemplo correu o País. Traficantes, milícias e cabos eleitorais adoraram. As consequências foram trágicas. Na natureza humana, cidadelas do crime. Na natureza ambiental, a degradação. O solo, agredido, desmorona. Assoreados, os rios se enfurecem. Aterros e lixões deslizam morro abaixo. A culpa é da natureza, dizem as compungidas autoridades, já correndo atrás de verbas. A lama seca. As lágrimas, talvez. As vidas perdidas não voltam. Mas as próximas eleições municipais já começam a ser assunto. A natureza humana vai, de novo, agredir a outra natureza.

PROFESSORA, JORNALISTA, FOI DEPUTADA FEDERAL CONSTITUINTE, FUNDOU E PRESIDIU O BNH NO GOVERNO CASTELO BRANCO
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sábado, 8 de janeiro de 2011

A Mega Sena da Virada



SANDRA CAVALCANTI 
O Estado de S.Paulo 

O brasileiro adora uma "fezinha". No bicho, na Loto, na Sena, na Loteca, no bingo, enfim, gosta de tudo em que entre sorte ou azar. A maior banca de jogatina é sempre dos governos. As loterias são a sua especialidade.

O pior é que também na política esse espírito se manifesta. Os rateios são feitos, as cartas são distribuídas, as apostas são altas. O negócio é ter sorte. Torcer para ganhar.

O nosso sistema eleitoral, por exemplo, é uma roleta. Graças ao voto proporcional, que a classe política brasileira insiste em manter, a composição do Congresso Nacional acaba sendo uma divertida rodada. O eleitor escolhe um número e acaba dando outro! Todo jogo é assim. Surpresas, espantos, prêmios para uns, prejuízos certos para os outros.

A Mega Sena da virada do ano, por exemplo, foi uma verdadeira loucura. Pagou o maior prêmio de todos os tempos. Nunca antes se viu uma bolada tão apetitosa! Mais apetitosa do que essa, só na montagem do grupo para comandar o País. Nunca se viu coisa parecida.

O insigne presidente que saiu jamais deixou de fazer suas apostas durante os oito anos em que comandou a banca. A insigne presidente que entrou só agora vai poder revelar sua capacidade de se sentar à mesa do jogo. Quanto aos demais associados do grande cassino do Planalto, sabemos da história de alguns. Muitos dos insignes ficantes são bem conhecidos. E muitos dos insignes chegantes já são velhos habitués das mesas do pôquer brasiliense.

Na verdade, só a insigne presidente entrante, já a postos para receber as cartas, tem um rosto desconhecido. A atitude fria, absolutamente sem transparência, nessa presença inaugural na mesa, não permite deduzir nada.

De uma coisa, porém, estou certa: nunca houve até hoje uma sena como esta! O povo compareceu com milhões de apostadores. Quem vai ganhar, o povo ou a banca?

Resposta difícil. Aliás, as dificuldades já começaram com a dúvida idiota surgida por conta do título da ocupante do Planalto: vai ser presidente ou presidenta? Segundo informam os bajuladores mais próximos, parece que a própria prefere ser chamada de presidenta. Será que assim ela fica mais contenta? Vai ser mais competenta? E, sem dúvida, mais eficienta?

Não sei. Em todo caso, esse estrago inicial contra a última flor do Lácio, inculta e bela, não me surpreende, após os oito anos da inacreditável e dinamitadora gramática do insigne presidente que saiu - se é que saiu...

A vitória do povo só acontecerá se o prêmio desta outra sena da virada trouxer benefícios reais para os apostadores.

O presidente que saiu deixou imensos problemas para a presidente que entrou. Primeiro, ela terá de encaminhar, com coragem e energia, as reformas fundamentais que seu patrono prometeu e não fez.

A mais importante de todas será a que devolver aos eleitores brasileiros o direito de ver suas vontades representadas de forma real. Hoje em dia somos obrigados a eleger, mas não temos nem o poder nem os meios para deseleger!

A segunda reforma, não menos importante, mas talvez mais urgente, recai sobre o sistema tributário. Não dá mais para continuarmos sendo um país sem democracia na área dos impostos. Somos um povo contribuinte, mas não temos um governo retribuinte!

Na área da educação tudo tem de ser revisto. O Estado precisa entender que o povo brasileiro dispensa ser tutelado, como se todas as famílias e as pessoas não tivessem capacidade de dirigir a sua vida, com total liberdade de escolha. A responsabilidade de educar, o direito de educar, isso cabe às famílias e à sociedade. Ao Estado cabe garantir e oferecer os instrumentos, os meios e os recursos. Para isso pagamos altíssimos impostos.

Chega de paternalismo. Chega de maternalismo. Chega de monitoramento político e ideológico. Chega de infantilização. Chega de impor opiniões e comportamentos. Somos uma democracia e queremos ser livres. Não queremos continuar como uma carneirada, tangida por pastores que não escolhemos.

Na área da saúde, por favor, pensem antes de tudo na parte sanitária. Não repitam os erros dos nossos geniais arquitetos, que foram capazes de construir uma nova capital sem rede de esgotos! É vergonhosa a estatística brasileira nessa matéria. Sempre a história de que faltam recursos. A hanseníase ainda está por aí. A tuberculose continua matando. A dengue é um pavor. E a gastroenterite, a leishmaniose, o tifo, enfim. Para onde foram os impostos destinados à saúde? Só para postos de emergências? Só para hospitais? A prioridade, na saúde, é a prevenção. O nome já diz tudo: tem de chegar antes.

Na área administrativa, a mais importante de todas as providências será a proposta de adoção da escala metropolitana de governo. Sem ela a gestão das grandes concentrações urbanas ficará impossível. A escala metropolitana de governo já foi implantada no mundo civilizado há mais de um século! O atraso do Brasil é inacreditável. Em várias partes do planeta a escala metropolitana começa a ser substituída pela escala megalopolitana! As metrópoles expandiram-se tanto que já se misturam, como já se verifica no Vale do Paraíba. Só a Região Metropolitana de São Paulo engloba 39 prefeituras! Tudo desarticulado. Tudo desentrosado. Tudo desperdiçado. Planos e projetos desencontrados, superpostos, conflitantes e competitivos! A mesma coisa no Rio, no Recife, em Belém, em Belo Horizonte, em Salvador, em Porto Alegre... só para citar essas!

Será que a ganhadora da sena política vai enxergar tudo isso? Não sei. Ninguém consegue saber o que essa loteria reserva para nós.

PROFESSORA, JORNALISTA, FOI DEPUTADA FEDERAL CONSTITUINTE, FUNDOU E PRESIDIU O BNH DO GOVERNO CASTELO BRANCO

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Política, economia e credibilidade

Postei este antido artigo em função de sua atualidade.
A credibilidade é uma moeda cara aos governantes.
Além de bem escrito o texto convida a uma importante reflexão.
Vale a pena a leitura.

Sandra Cavalcanti
Nós, seres humanos racionais, vivemos de acreditar! Crédito é a palavra-chave de todas as nossas formas de convivência. Todo o processo de educação da criatura humana se desenvolve no terreno da credibilidade. Mesmo quando ainda não adquirimos a capacidade de raciocinar, nós somos movidos pela capacidade de acreditar.

A criança acredita naquele rosto lindo que se debruça sobre ela a cada instante, desde que ela chega ao mundo, trazendo-lhe conforto, segurança, carinho, alimento e, de forma quase imperceptível, muitas informações. Vai crescendo e vai acreditando... Depois acredita na professora, acredita nos livros, acredita nas histórias que lhe vão sendo contadas. Na verdade, todos nós passamos a vida acreditando.

O pior que pode acontecer ao ser humano é a perda da capacidade de acreditar no outro ou a incapacidade de ser objeto da credibilidade desse outro.

O crédito está associado, indissoluvelmente, ao exercício da veracidade. O que mata o crédito é a falsidade, a mentira, a ganância, a esperteza . Sempre que, nas suas mais diferentes atividades, a criatura humana se afasta deste comportamento, as conseqüências são impiedosas.

Faz tempo que aqui, no Brasil, a atividade política se vem distanciando dos valores éticos. Faz tempo que, para legisladores e executivos públicos, o que importa é chegar ao poder, sem nenhuma vinculação com fundamentos morais. Ninguém precisa acreditar na palavra de ninguém. Nem o candidato nem o eleitor. Se as palavras vierem bem formuladas, espertas, manipuladas, cheias de slogans persuasivos, carregadas de promessas coloridas e até perfumadas, elas conseguem ludibriar os incautos e alcançam seus objetivos.

Estamos quase chegando ao fim de tediosa e longa temporada de campanha municipal, que obedece ao figurino perverso do voto proporcional, imposto ao eleitorado brasileiro. Além dos conchavos, dos arranjos, das alianças espúrias e sem sentido, tivemos de suportar os programas de rádio e de TV, definidos como propaganda eleitoral (supostamente) gratuita.

Foi um doloroso espetáculo de malandragem, ausência total de senso de ridículo, completa ignorância sobre os limites e as atribuições legais da administração municipal, acrescidos de amplo desconhecimento dos seus verdadeiros problemas. Prefiro não fazer comentários sobre o exotismo e a palhaçada dos nomes e apelidos dos concorrentes, alguns deles verdadeiramente dignos de platéias de circo.

Houve honrosas exceções. Alguns candidatos evidenciaram, de forma clara, que suas declarações sobre o respeito e a dedicação ao bem comum não eram simples palavrório. Eles revelaram grande valor e atuação muito digna na vida pública. Por isso mesmo, foram premiados com excelentes resultados, tanto para prefeituras quanto para Câmaras Municipais.

Mas no geral, infelizmente e quase o tempo todo, as programações mostraram que, para os candidatos ao exercício de mandatos, a credibilidade importava muito pouco! Ela foi lançada às favas. A maioria só estava em busca de popularidade!

Esse é o grande drama de nossa vida política. A busca de popularidade! A confusão perigosa entre popularidade e credibilidade.

O líder político que busca ter crédito real junto ao povo, que se baseia na capacidade de falar a verdade, esse tipo de líder foi substituído pelos que são capazes de oferecer avassaladoras promessas, tentadoras e irrealizáveis.

Lamentavelmente, porém, o êxito deles decorre de uma dura realidade. As promessas que fazem encontram eco e terreno fértil nos sentimentos de ganância e esperteza de boa parte do eleitorado.

Todo mundo sabe que ninguém cai em conto-do-vigário por inocência... Todos nós conhecemos muitos desses episódios. A esperteza do malandro só dá certo porque conta com a ganância do otário...

Temos um exemplo dramático no terremoto bancário que está abalando a economia americana, a mais poderosa do mundo. A explicação é dramática: deram-se mal os gananciosos de ambos os lados. Vendedores e clientes.

Este catastrófico episódio nos convida, desde já, a uma reflexão sobre o que está acontecendo nestes dias, pelo mundo afora. E, também, a uma tomada de posição firme, para fazer frente às dificuldades que, certamente, chegarão até nós.

Só espíritos acanhados e muito despreparados podem supor que nós vamos passar por esta tormenta sem sofrimentos e sustos. Os tempos serão difíceis.

Os prefeitos que acabam de se eleger, e os que ainda vão disputar o segundo turno, devem se preparar, com competência e decisão, para governar seus municípios com veracidade, com correção, sem mentiras e sem falsas promessas.

A mentira tem perna curta. Mente na segunda-feira e derrapa na quarta. A promessa falsa acarreta prejuízos. Promete na terça e paga o pato na quinta. A ganância gera a miséria. Ganha muito dinheiro na quarta e na sexta está falido.

O crédito, tanto em política quanto em economia, exige o exercício da verdade. Popularidade é uma coisa. Credibilidade é outra. O falso líder é como biruta de aeroporto. Dá uma informação aqui, outra ali. Muda de opinião ao sabor dos ventos. Não merece crédito.

Infelizmente, o sistema eleitoral adotado por nós favorece o aparecimento desses farsantes, sem objetivos programáticos, em sua maioria, e especializados em ocupar máquinas administrativas. Não são líderes de verdade. São chefes populistas. Não buscam crédito. Querem popularidade...

Enquanto, pois, aqui, no Brasil, a popularidade continuar sendo muito mais importante do que a credibilidade, teremos de agüentar as incompetências, as travessuras financeiras, as iniciativas alopradas, os shows dos chefes altamente populares e a docilidade das manadas!

Alguma luz no fim do túnel? Não sei. Tenho medo. 

É capaz de ser um trem na contramão... 


Sandra Cavalcanti, professora, jornalista, foi deputada federal constituinte, secretária de Serviços Sociais no governo Carlos Lacerda, fundou e presidiu o BNH no governo Castelo Branco E-mail: sandra_c@ig.com.br

domingo, 15 de agosto de 2010

Ontem e hoje sombrios

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.Ontem e hoje sombrios


Sandra Cavalcanti




Em 14 de de abril de 1930, aos 36 anos, Vladimir Maiakóvski, o maior poeta russo da era contemporânea, deu um fim trágico à sua atormentada vida. Matou-se porque perdeu toda a esperança e se viu diante de uma estrada sem
saída.

Sua obra é absolutamente revolucionária, como revolucionárias eram as suas idéias. Mas o poeta, dizia ele, por mais revolucionário que seja, não pode perder a alma!

Ele acreditou piamente na Revolução Russa e pensou que um mundo melhor surgiria de toda aquela brusca e violenta transformação. Aos poucos, porém, foi percebendo que seus líderes haviam perdido a alma.

A brutalidade crescia. A impunidade era a regra. O desrespeito às criaturas era a norma geral. Toda e qualquer reação resultava em mais iniq üidades, em mais violência. Um stalinismo brutal assolou a pátria russa. Uma onda avassaladora de horror e impotência tomou conta de seu espírito, embora ainda tentasse protestar. Mas foi em vão. Rendeu-se e saiu de cena.

Em 1936, escreveu Eduardo Alves da Costa o poema 'No caminho com Maiakóvski', que resume sua desoladora tragédia.

"... Na primeira noite eles se aproximam/ e roubam uma flor/ de nosso jardim./ E não dizemos nada./ Na segunda noite, já não se escondem:/ pisam as flores,/ matam nosso cão,/ e não dizemos nada./ Até que um dia,/ o mais frágil deles/ entra sozinho em nossa casa,/ rouba-nos a luz e,/ conhecendo nosso medo,/ arranca-nos a voz da garganta./ E já não podemos dizer nada.”

Nestes tristes tempos, muitos estão vivendo as angústias desabafadas neste poema. Também acreditaram em líderes milagrosos, tiveram esperanças em dias mais serenos, esperaram p or oportunidades melhores e sonharam com paz e alegria. Nunca imaginaram que, em seu lugar, viriam a impunidade, a violência, o rancor e a cobiça. Os que chegaram ao poder, sem nenhuma noção de servir ao povo, logo revelaram a sua verdadeira face.

O País está vivendo uma fase de completo e total desrespeito às leis. A Lei Maior, aquela que o País aprovou por meio de seus representantes, não existe. Para uns, todas as leniências. Para outros, todos as violências.

Nas grandes cidades, dois governos, duas autoridades: a tradicional e a dos marginais. No campo, ausência de direitos e deveres. Uma malta de desocupados, chefiados por líderes atrevidos e até debochados, está conseguindo levar o desassossego e a insegurança aos milhões de trabalhadores rurais que ali se esforçam para sobreviver. Isso já vem acontecendo há muito tempo e não há sinal de que alguma autoridade pretenda submetê- los às penas da lei. Ao contrário. Eles gozam de imenso prestígio junto ao presidente, que não se acanha em lhes dar cobertura e agir com a maior cumplicidade.
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A ausência das autoridades tem sido o grande estímulo para que esses grupos, e outros que vão surgindo, venham conseguindo, num crescendo de audácia e desrespeito, levar o pânico aos que vivem do trabalho no campo. A mesma audácia impune garante também a expansão das quadrilhas de narcotraficantes em todo o País. A cada dia que passa eles chegam mais perto de nós. Se examinarmos com atenção os acontecimentos destes últimos dois anos, dá para entender o nosso medo.

Quando explodiu o caso do Waldomiro Diniz, as autoridades estavam na obrigação de investigar tudo e dar uma punição exemplar. O que se viu? Uma porção de manobras para encobrir os fatos e manter os esquemas intocáveis. E qual foi a reação do povo? Nenhuma.

Roubaram uma flor de nosso jardim, a flor da decência, da dignidade, da ética, e nós não dissemos nada!

Quando, da noite para o dia, dezenas de deputados largaram suas legendas e se bandearam para as hostes do governo, era preciso explicar tão misteriosa adesão. O que se viu? Uma descarada e desafiadora alegria no alto comando do País! E qual foi a reação do povo? Nenhuma.

Eles nem se esconderam. Pisaram em nossas flores, mataram o cão que nos podia defender. E nós não dissemos nada!

Quando um parlamentar, que integrava a tal maioria, veio denunciar o uso de recursos públicos, desviados de forma indecente, com a conivência dos altos ocupantes do governo, provando que a direção do PT e do governo sabiam de tudo e de tudo se haviam aproveitado, qual foi a reação do povo? Nenhuma.

Eles nem se importaram com o fato de terem sido descobertos. O mais frágil deles entrou em nossa vida, roubou a luz de nossas esperanças e, conhecendo o nosso medo, ainda se deu ao luxo de arrancar a nossa voz da garganta.

Será que vamos aceitar? Não vamos dizer nada? Será que o povo brasileiro perdeu de vez a sua capacidade de se indignar? A sua capacidade de discernir? A sua capacidade de punir?

Acho que não. Torço para que isso não esteja acontecendo. Sinto, por onde ando e por onde vou, que lá no mar alto uma onda de nojo está crescendo, avolumando-se, preparando-se para chegar e afogar esses aventureiros. Não se trata, simplesmente, de uma questão eleitoral. Não se cuida apenas de ganhar uma eleição. O importante é não perder a alma. O direito de sonhar. A vontade de viver melhor.

Colocar este momento como uma simples luta entre governo e oposição é muito pouco. E derrotá-los, simplesmente, também é muito pouco, diante do crime que eles praticaram contr a as esperanças de um povo de boa-fé.

O que vai hoje na alma das pessoas é o corajoso sentimento de que é preciso vencer o pavor e o pânico diante da audácia dessa gente, não permitindo que eles nos calem para sempre. Se não forem enfrentados, se não forem punidos, se seus métodos e processos não forem repudiados, nosso futuro terá sido roubado. Nossa voz terá sido arrancada de nossa garganta.


E já não poderemos dizer nada.


Você pode impedir isso com seu voto.






Sandra Cavalcanti, professora, foi deputada federal constituinte, secretária de Serviços Sociais no governo Lacerda, fundadora e presidente do BNH  E-mail: sandra_c@ig. com.br  Doc.210-2010
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