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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Pessimismo na Colômbia


O Estado de S. Paulo

Um ano depois do início das negociações de paz entre o governo colombiano e a narcoguerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), prevalece o pessimismo.

Em 18 de outubro de 2012, quando começou oficialmente mais essa tentativa de diálogo, sabia-se que não seria nada fácil de superar os tantos entraves depois de meio século de guerra e de diversas negociações fracassadas. Feridas abertas há tanto tempo não cicatrizam só com discursos e boas intenções. Mas havia alguma esperança de que, enfim, as Farc depusessem suas armas e decidissem aderir à democracia.

Tal expectativa surgiu porque a iniciativa das negociações partira da própria narcoguerrilha, talvez um indicativo de suas dificuldades ante a repressão. Tornar-se um movimento político passou a ser uma alternativa real para as Farc, que hoje são muito mais um bando de traficantes - responsáveis por 60% do comércio de entorpecentes na Colômbia - do que um exército revolucionário.

O balanço do diálogo até aqui é razoável, se o parâmetro forem as desastrosas conversações anteriores. Dos cinco pontos iniciais da agenda levada a Havana, sob mediação de Cuba, Venezuela, Chile e Noruega, houve sucesso em apenas um - o governo comprometeu-se a promover uma ampla reforma agrária, reivindicada pelas Farc desde a sua fundação, em 1964. Embora pareça pouco, tratou-se de um avanço inédito e que parecia indicar genuíno empenho das partes. A paz, enfim, parecia estar ao alcance da mão.

A esperança, contudo, começa a dar lugar à frustração. A discussão empacou já no segundo ponto da agenda - a participação dos integrantes da guerrilha na vida política. Para estruturar-se como partido, as Farc exigiram financiamento público, "condições especiais" de acesso a meios de comunicação e reserva de vagas no Congresso para parlamentares da futura legenda.

Tais demandas, se aceitas, seriam certamente repudiadas pela maioria dos colombianos, que ademais nunca acreditaram na boa-fé dos guerrilheiros nessas negociações. Na mais recente pesquisa de opinião, nada menos que 76% dos entrevistados disseram que as Farc não têm intenções legítimas de alcançar um acordo.

O governo do presidente Juan Manuel Santos acusa as Farc de obstar as negociações ao impor temas alheios à agenda oficial - que, além da questão agrária e da participação política, inclui o fim das hostilidades, o combate ao narcotráfico e os direitos das vítimas do conflito. Segundo o negocia-dor-chefe do governo, Humberto de la Calle, os guerrilheiros queriam discutir também o modelo econômico do país e a reforma do Estado, entre outras questões que não são atinentes a uma negociação de paz.

O impasse se dá também porque o presidente Santos não garantiu anistia a líderes guerrilheiros acusados de terrorismo e porque as Farc não aceitavam a ideia de um referendo para avalizar o eventual acordo de paz - em vez disso, defendiam uma Constituinte. A proposta de referendo afinal foi aprovada na Câmara, o que é uma forma de pressão sobre as Farc, dada a sua imensa rejeição popular.

Diante desse quadro, a guerrilha sugeriu que talvez fosse o caso de retomar as negociações somente depois das eleições do ano que vem - haverá pleito legislativo em março e presidencial em maio, e Santos deve ser candidato a mais um mandato.

O governo rejeita o adiamento - teme-se que, se for suspenso, o diálogo não será mais retomado. No entanto, manter conversações impopulares com a guerrilha pode prejudicar a campanha de Santos. Assim, o presidente terá de optar entre seu futuro político imediato, que o impele a endurecer o diálogo com as Farc, e seu legado à história, isto é, insistir num acordo de paz que parece cada dia mais distante.

Não é uma escolha fácil. Considerando-se que atualmente 67% dos colombianos não acreditam num desfecho positivo das negociações com as Farc, Santos terá de ter bons argumentos para mantê-las, se quiser permanecer no poder.
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sábado, 24 de julho de 2010

Chávez rompe relações com Colômbia e põe região de fronteira em alerta

Mais do mesmo.
Com enormes dificuldades em promover o desenvolvimento se seus cidadão Chavez amplia sua capacidade de controle das Instituições venezuelanas a título da implantação de uma nova forma de conduta social, o neobolivarianismo.

Claro está que com fartos recursos do petróleo, que falta de forma eficiente para sua economia interna, ele coopta artistas e intelectuais de esquerda no mundo inteiro. Claro, também, está que ele está fragmentando o que resta do país.

É um mis en scene este rompimento bem como o desdobramento do esquálido exército. À sua volta tem a selva amazônica e a Guiana que não detém a capacidade de fornecer alimentos e insumos básicos para a economia papel desempenhado há séculos pela Colômbia.

Democraticamente um estúpido chegou ao poder e de lá não sairá. Apesar de estarem sentados sobre uma expressiva reserva de riqueza natural não tem competência de promover desenvolvimento e redução da desigualdade social histórica e como todo ditador latino de antigamente, arruma seus fantasmas externos para  fazer ações diversionárias para iludir os cidadãos venezuelanos, da mesma forma que a Argentina fez durante a guerra das Malvinas que Cristina Kirshner quer reavivar pelos mesmos motivos.


Chávez rompe relações com Colômbia e põe região de fronteira em alerta

Anúncio foi feito após representante colombiano apresentar na OEA um dossiê contendo vídeos, mapas e fotos que comprovariam que guerrilheiros das Farc estariam escondidos em território venezuelano; diplomatas colombianos têm 72 horas para deixar Caracas



Reuters, Afp e AP - O Estado de S.Paulo
CARACAS
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ontem o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia e determinou "alerta máximo" na fronteira. O anúncio foi feito pouco após o representante colombiano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Alfonso Hoyos, acusar Caracas de esconder guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em seu território.
"Não nos sobra outra alternativa, por dignidade, além de romper totalmente as relações diplomáticas com a Colômbia", afirmou Chávez, em um comunicado na TV ao lado do ex-jogador Diego Armando Maradona, que dirigiu a seleção argentina na Copa do Mundo e é um simpatizante do chavismo.
Chávez acusou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de querer iniciar um conflito armado com a Venezuela. "Uribe é um doente e está cheio de ódio. Eu alerto a comunidade internacional que não aceitaremos nenhum tipo de agressão nem de violação a nossa soberania", afirmou. "Para uma guerra com a Colômbia iríamos chorando, mas iríamos."
Ele declarou também que espera que Juan Manuel Santos, presidente eleito da Colômbia, que assumirá no dia 7, não tenha nada a ver com a "agressão". "Espero que ele tome atitudes racionais sobre o tema porque há uma loucura na Casa de Nariño (sede do governo colombiano)."
Em visita ao México, Santos não quis confusão. "O presidente da Colômbia é Uribe", disse. "A melhor contribuição que posso dar é não me pronunciar."
A crise começou após uma reunião do Conselho Permanente da OEA, ontem, quando Hoyos apresentou supostas provas da presença das Farc na Venezuela: vídeos, mapas e fotos entregues a Bogotá por guerrilheiros desmobilizados. Para Chávez, a única resposta possível era o rompimento. Imediatamente após o anúncio, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, deu 72 horas para que os diplomatas colombianos deixem a Venezuela.
Tensão. O governo colombiano disse que a decisão era um "erro" e lamentou que Chávez não tenha rompido laços com "organizações criminosas", como as Farc. O promotor-geral Guillermo Mendoza anunciou ontem que denunciará à Corte Penal Internacional os funcionários do governo venezuelano que colaboraram com as Farc.
A tensão entre Colômbia e Venezuela intensificou-se em 2004, quando Rodrigo Granda, "chanceler das Farc", foi sequestrado em Caracas e apareceu preso em Bogotá, dias depois. Em 2008, a situação agravou-se após o ataque colombiano a um acampamento das Farc no Equador que matou Raúl Reyes, número 2 da guerrilha. Em 2009, a Venezuela ameaçou ir à guerra, quando Bogotá anunciou acordo militar com os EUA para instalação de bases na Colômbia. Apesar dos atritos, um rompimento total, como o anunciado ontem, ocorreu apenas em 1906.
Críticas dos EUA. Philip Crowley, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, criticou a decisão da Venezuela: "O rompimento não é a forma apropriada para reduzir as tensões entre os dois países."
Uma crise que se repete
2004
Guerrilheiro Rodrigo Granda é sequestrado em Caracas
2008
Força Aérea da Colômbia mata Raúl Reyes no Equador
2009
Anúncio de base dos EUA na Colômbia agrava crise
2010
Denúncia de Uribe faz Chávez cancelar ida à posse de Santos
 
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domingo, 11 de julho de 2010

Indenização pela irresponsabilidade

Só para se relembrar que essa ex-candidata, na época do sequestro, desdenhava das autoridades de segurança colombianas e divulgava, ao mundo, sua capacidade de trazer para mesa de negociações a FARC.

Insistiu em panfletar em áreas controladas pelas FARC onde o exército daquele país não tinha controle e agora quer que o contribuinte colombiano pague por sua irresponsabilidade e desdém.

Para variar, no fundo no fundo, essa turma de oposição sempre busca a compensação financeira.





Ingrid Betancourt pede US$ 6,8 milhões à Colômbia

Ex-candidata quer indenização pelos seis anos que passou em poder das Farc





A política franco-colombiana Ingrid Betancourt processou a Colômbia pelos seis anos que passou como refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) , informou o Ministério da Defesa nesta sexta-feira. Ingrid pede 6,8 milhões de dólares ao Estado pelos danos sofridos, como o estresse emocional e a perda de renda enquanto permaneceu no cativeiro.
Autoridades afirmam, no entanto, que ela não tem razão em culpar o país. Ingrid foi sequestrada pelas Farc durante sua campanha à Presidência em 2002. Autoridades de segurança do governo haviam alertado a candidata contra o perigo de entrar em áreas rurais, que estavam sendo disputadas por tropas e guerrilheiros de esquerda.
Ingrid Betancourt foi resgatada em 2008 pelo Exército Colombiano junto com outros 14 sequestrados. O Ministério da Defesa lembrou que a ex-refém qualificou seu resgate como "perfeito". Ingrid já foi cotada como possível futura presidente da Colômbia, mas passou a maior parte do tempo na Europa desde que foi libertada.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O nosso cenário externo imediato

Amigos, por alguma razão a preocupação com as bases americanas em território colombiano está sendo mantida na mídia em doses homeopáticas. Ainda não consegui entender a matriz da linha editorial e quando decifrar lhes comento.
Gostaria de lhes dizer que, aos poucos, estou analisando notícias que venham a possibilitar a análise de um cenário maior.
Há fatores intervenientes que dizem respeito à dificuldade de alguns países em saldar dívidas com investidores dentre eles, inclusive, a Venezuela que está sentada sobre um berço de petróleo mas com sérios problemas de desenvolvimento.
A crise está evidenciando o problema das remessas de imigrantes de todos os países do hemisfério ocidental a partir dos EUA. Em alguns casos como o da Nicarágua e Honduras, países pobres em riquezas naturais, esses remessas de dólares para parentes representam, até, 30% do PIB. Vocês têm idéia do que é ter um terço da riqueza de um país dependente de dinheiro vindo de familiares?
Outro problema que se evidenciou depois do caso de Honduras são as Maras e Pandilhas, guangues de rua perigosíssimas que dominam, principalmente, as regiões de difícil acesso dos países da América Central, principalmente Nicarágua, EL Salvador e Honduras. Visitei os dois últimos e tive contato com o flagelo que é essa realidade que faz nosso crime organizado parecer coisa de criança.
Bem, oportunamente falarei mais sobre esses tópicos.
Abraços
Jefferson

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Novamente sobre as bases americanas na Colômbia

A pretensa reunião entre Obama e Lula (Lula convida Obama para discutir acordo com a Colômbia http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/lula-convida-obama-discutir-acordo-colombia-493506.shtml) para tratar de instalações americanas em território colombiano demonstra uma sucessão de balões de ensaio da mídia em busca de sensacionalismo em cima de uma agenda entre dois países soberanos.

Observa-se que somente países com supostos envolvimentos com narcotraficantes e terroristas é que estão buscando a mídia para expressar suas preocupações. Ainda não li nem ouvi nada vindo do Peru, Argentina, Suriname, Uruguai ou mesmo o Paraguai. Apenas países que estavam com seus dignitários supostamente envolvidos nos arquivos resgatados pelas FFAA colombianas na incursão em território equatoriano ano passado.

O povo americano elegeu um democrata para governá-los sobre uma agenda de acabar com o intervencionismo em países alheios, notadamente Iraque e Afeganistão. Obama vem procurando ser reticente em sua postura sobre o Hezbolah em Israel. Assim a instalação de mais uma base em território colombiano, tendo autorização do Congresso Americano com maioria democrata é um ótimo motivo para se refletir acerca da validade dos motivos.

Essa questão de intervencionismo ou estímulo a uma corrida armamentista é pura bobagem. Se Obama quisesse causar algum dano a qualquer país, tanto na América Central como na América do Sul bastaria apresentar uma proposta de lei ao Congresso limitando as remessas de dólares americanos para aqueles países por parte de imigrantes para seus parentes. Quebraria a economia de muitos deles.

Esse tema requer mais atenção e análise mais séria. Aos poucos, como ele sempre virá à baila, procurarei comentar um pouco mais.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Sobre bases americanas na Colômbia

Há outras maneiras de se enxergar a instalação de bases americanas na Colômbia.
Em primeiro lugar é uma decisão soberana entre dois países livres e, nossa mídia e também, pelo que ela noticia, nossa diplomacia e chefe do Executivo insistem em dar declarações contra. Da mesma forma outros países vizinhos seguem tais atitudes.

A mídia, perdendo mais uma excelente oportunidade de esclarecer a sociedade, entra na onda da questão ideológica iluminando uma preocupação com intervenções políticas no estilo antigo.

Há que se recordar que o presidente americano é uma figura que, de acordo com todos recentemente, é uma pessoa preocupada com movimentos sociais, democracias, liberdades individuais etc etc. Por quê, então, estaria ele insistindo na instalação das bases.

Há, ainda, que se recordar que as bases já existentes promoveram todo o apoio tecnológico necessário para a invasão relâmpago das FFAA da Colômbia em território Equatoriano para dizimar um grupo das FARCS e resgatar um laptop, entregue à Interpol, sob vigilância da ONU, onde se registrava envolvimento de várias autoridades com o narcotráfico, como contribuintes ou recipiendários de dinheiro e tecnologia daquele grupo terrorista.

Relembrando-se, também, que terrorismo nada mais é do que business, onde se arrecada milhões de dólares no mundo, é uma fonte de recursos líquido, sem comprovação e arrecadação para várias campanhas eleitorais vitoriosas que, sabidamente, são muito caras para serem bancadas com contribuições de cidadãos ou empresas em países que nem a categoria de emergentes chegaram.

Há que se refletir sob esta perspectiva e, com o tempo, ter-se algumas surpresas.

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