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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Bolívia, problema real

Para se preparar para entender um contexto como este, há que se considerar que um candidato não iria fazer uma declaração daquelas de forma intempestiva. Há que se considerar, também, uma forte análise e longos debates sobre o tipo de assunto bem como a agenda que ele cumpre, que não lhe é somente de própria alçada.


Quando era Min da Saúde, Serra fez um comentário sobre Xuxa e sua pouca responsabilidade como figura pública. A rede Globo fartou-se de usar a resposta da lora, tipoassim, nadaver, sem tampouco lançar qualquer luz sobre a coerência de sua resposta. O fato é que o Ministro não iria comprometer sua credibilidade em público se o assunto de base não fosse de vulto: Gravidez entre meninas de onze a quatorze anos havia explodido em atendimentos de postos de saúde das periferias de grandes centros onde assistentes sociais informaram que a ícone dos programas infantis estava dando um mal exemplo.

Enfim, Bolívia e Foro de São Paulo são exemplos que, infelizmente, nossa sociedade não está preparada para discutir, se estivesse duvido que se mobilizaria. Não há como o cidadão comum fazer conexões entre causas e efeitos que qualquer mero fenômeno social que hoje enfrentamos em nosso dia a dia.
Quem sabe em 2083 comece a haver alguma mudança.



Bolívia, problema real



SERGIO FAUSTO - O Estado de S.Paulo
A seu modo, José Serra apontou para um problema real ao declarar que o governo da Bolívia faz "corpo mole" no combate ao tráfico de cocaína.
Dados do United Nations Office on Drugs and Crimes, para a Bolívia, mostram que a área plantada com folhas de coca tem aumentado sistematicamente desde 2001, passando de 21 mil hectares naquele ano para 30 mil hectares em 2008, um crescimento de 43%. Para o ano de 2009, a Drug Enforcement Administration (DEA), órgão do governo americano, informa que a área plantada teria alcançado 35 mil hectares. Trata-se de área muito superior aos 12 mil hectares permitidos por uma lei de 1988, mesmo quando acrescida dos 3.200 hectares adicionais autorizados para a região do Chapare, no Departamento de Cochabamba, em 2004. O mesmo órgão das Nações Unidas estima que a capacidade de produção de folha de coca, assim como de cocaína, elevou-se em quase 100%, ou seja, praticamente dobrou entre 2001 e 2008. A tendência antecede a posse de Evo Morales, mas se acelerou depois dela, apesar da erradicação anual de 6 mil hectares de plantações de coca, segundo dados da Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico, órgão do governo boliviano.
O país vizinho responde por cerca de 30% das quase 100 mil toneladas da droga que ingressam no Brasil anualmente.
"Coca, sim; cocaína, não" é o lema da política de Evo Morales em relação ao tema. Se a cocaína merece combate, o cultivo da folha de coca para usos lícitos recebe apoio do governo boliviano. Para tanto se invoca a sua importância cultural (trata-se de tradição dos povos do altiplano, considerada pela nova Constituição um patrimônio cultural da Bolívia) e social (é cultivada por pequenos agricultores). A questão tem também dimensão política. Não apenas por serem os "cocaleros" berço político e base de apoio de Morales, até hoje presidente honorário da federação dos plantadores de coca da região do Chapare, mas também porque a folha funciona como símbolo poderoso. Ela faz o elo entre a tradição anterior à conquista espanhola e o projeto contemporâneo de obtenção da verdadeira independência. É elemento essencial de um discurso político que busca no passado pré-colombiano as origens étnicas que permitiriam a refundação da Bolívia como Estado pluriétnico de maioria indígena. O antagonismo principal não é mais com a Coroa espanhola, mas com os EUA, identificados com a criminalização da folha de coca, no plano internacional, e com as ações de erradicação do seu cultivo nos anos 1990, foco de tensões políticas e sociais em meio às quais Morales se projetou da cena sindical para a cena nacional com liderança política.
Em termos práticos, Morales substituiu a política de erradicação - que reduziu drasticamente a área plantada, sem, contudo, estruturar alternativas economicamente viáveis ao cultivo da folha de coca - por uma política de negociação com associações de "cocaleros", que se revelou permissiva em relação à expansão da área plantada. Ao mesmo tempo, seu governo e seu partido, majoritário agora nas duas Casas do Congresso, movimentam-se para ampliar o limite legal para o cultivo de coca. No final de 2008, alegando que os EUA fomentavam movimentos "separatistas" nos Departamentos com governos de oposição, Morales determinou a expulsão dos agentes da DEA, que colaborava com serviços de inteligência no combate ao narcotráfico. À colaboração preferiu, por razões políticas, o confronto.
O crescimento da área plantada encontra justificativa num pretendido aumento futuro da utilização lícita da folha de coca para produção de manufaturados (licores, chás, sabões, remédios, etc.), não apenas para consumo interno, mas também para exportação (de manufaturados e da folha in natura). Daí a solicitação do governo boliviano para que a ONU distinga claramente a cocaína da folha de coca e seus derivados lícitos. De qualquer forma, a viabilidade da industrialização em larga escala da folha de coca é vista com ceticismo por analistas independentes.
Simpatias políticas à parte, a pergunta que se coloca é se é possível combater o tráfico de cocaína com complacência quanto ao aumento do cultivo da folha de coca em volumes muito superiores à sua absorção para fins lícitos e sem a colaboração da DEA, para a qual a União Europeia, mais bem vista que os EUA na Bolívia, não oferece substituto à altura. A resposta deve considerar a lucratividade do tráfico de drogas e o poder do crime organizado, fatores bem mais reais e concretos do que os desejos de industrializar a Bolívia manufaturando produtos à base de coca.
Trata-se de um problema a que o Brasil não pode ficar indiferente, em vista da facilidade de ingresso da cocaína pela imensa fronteira seca que temos com a Bolívia e dos danos que a cocaína e o crack produzem na sociedade brasileira. Acerta o governo ao firmar acordo que facilita cooperação entre a Polícia Federal e as autoridades bolivianas. Medida importante, mas tímida diante do problema. Decisivo seria dar prioridade ao controle de fronteiras, com a extensão do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), que não cobre a fronteira com a Bolívia. Sem dúvida, mais importante para a segurança do País do que ter aviões-caça de última geração. Por fim, cabe à diplomacia brasileira, em nome do interesse nacional, por meios e modos adequados às relações entre países amigos, pôr em questão a política de Evo Morales para um tema que transcende em muito as fronteiras da Bolívia.
Se a declaração de Serra foi "irresponsável", como buscaram caracterizá-la membros do governo e sua candidata, o que dizer da visita do presidente brasileiro à região do Chapare, em novembro de 2009, às vésperas das eleições gerais bolivianas, quando Lula subiu em palanque de Evo Morales ostentando um colar com folhas de coca?
DIRETOR EXECUTIVO DO IFHC, É MEMBRO DO GACINT-USP. E-MAIL: SFAUSTO40@HOTMAIL.COM
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terça-feira, 1 de junho de 2010

Centroamérica y Caribe peligran convertirse en una narco-región

Amigos este tema ha sido estudiado por nosotros, en el CID, sabemos que su origen es la gran desigualdad de desarrollo social en las sociedades emergentes y con poca capacidad para la integración en el mercado mundial.


Eventos con México, Nicaragua, Honduras, Bolivia, Venezuela y Paraguay se ha ido consolidando durante varios años sin un movimiento constante de las sociedades.




Lamento que en su momento el señor Insulza ha dejado de provocar un cambio de alinear el asunto Bolivariana Zelaya de Honduras. Un importante movimiento podría haber comenzado ya.





Centroamérica y Caribe peligran convertirse en una narco-región


JOAQUÍN VILLALOBOS

La casi guerra civil desatada en la capital de Jamaica , con más de 70 muertos y una semana de combates, es una muestra del peligro que corre Centroamérica y el Caribe debido a la fuerza del narcotráfico en toda la región. Al igual que en Jamaica, donde ahora fracasa el operativo militar para capturar al poderoso capo Dudus, en Guatemala han fracasado grandes operaciones para capturar a los cabecillas del principal cartel guatemalteco, denominado los Lorenzana, cuando miles de pobladores han salido armados a defender a sus "benefactores", frustrando las operaciones montadas por la DEA.

En menos de una década, todos los países han visto crecer la violencia resultado de pandillas dedicadas al narcomenudeo y dispararse la corrupción en las instituciones de seguridad por la penetración del crimen organizado. La pacifica Trinidad pasó de siete homicidios por 100.000 habitantes a más de 30. Guatemala, Honduras y El Salvador viven una guerra olvidada que los ha convertido en la región más violenta del planeta. Si en México asusta ver decapitados, en Guatemala y El Salvador las maras juegan al fútbol con las cabezas de sus víctimas.
Centroamérica y el Caribe reúnen condiciones óptimas para convertirse en una narcorregión que podría incluir varios Estados fallidos, una violencia endémica brutal y emigraciones más masivas que las actuales. La región tiene muchos espacios con ausencia o debilidad del Estado. Esos espacios están ubicados en rutas geográficamente estratégicas para mover droga desde Colombia y Venezuela; son ideales para bodegas, laboratorios o bases logísticas, y están habitados por poca población pobre, fácilmente ganable por los delincuentes. Se ha formado en esos lugares un entramado de rutas múltiples que incluyen, entre otros, el Petén guatemalteco, la costa del Pacífico entre Nicaragua y El Salvador, la costa atlántica de Honduras y Nicaragua, las fronteras de Belice y Guatemala con México y la conexión por el Atlántico de toda Centroamérica con Jamaica, República Dominicana, Haití, Trinidad y todas las islas caribeñas, que, además, tienen mucho turismo y por lo tanto consumo de drogas.
Exportación a Europa y EE UU
La región combina la rentabilidad de ruta para exportar a gran escala a Europa y EE UU y de plaza para vender al menudeo en el camino. Esta combinación genera en el terreno una fatal mezcla delictiva; por un lado, crimen organizado movido por la codicia, y por otro, miseria organizada en pandillas juveniles urbanas dedicadas al narcomenudeo y las extorsiones. Aunque converjan, son dos fenómenos de distinta naturaleza, uno se come al Estado vía corrupción y el otro a la sociedad vía la violencia, la descomposición social y la degradación moral.
Los medios han puesto toda la atención sobre la violencia en México; sin embargo, el problema principal está en el Caribe y Centroamérica. Casi por razones aritméticas, México terminará poniendo en control la violencia, aunque tendrá que aceptar un saldo marginal de ésta. El poder dañino del comercio de drogas es directamente proporcional al tamaño de la economía de los países. Para Europa y Estados Unidos, las drogas son un problema marginal, porque la economía ilegal de la droga no puede competir con sus economías legales. La economía legal genera una correlación social, una disponibilidad de recursos del Estado y unos poderes fácticos formales que impiden o reducen fuerza al desarrollo de poderes fácticos criminales.
Sobre la economía de la droga hay desde buenas especulaciones hasta fantasías mediáticas que colocan a Pablo Escobar y el Chapo Guzmán entre los hombres más ricos del mundo, o que imaginan unos capos ilustrados invirtiendo para el futuro, cuando en realidad no viven más de 40 años. La evidencia muestra, por ello, que sus inversiones son en cash, en tiempo presente y limitadas a autos, joyas, mujeres y bienes raíces en sus localidades.
En el 2008 ingresaron a México 14.000 millones de dólares en cash, de los cuales 4.000 corresponden a turismo. Si suponemos que los 10.000 millones restantes corresponden a las drogas y los comparamos con el trillón de dólares del PIB de México, concluimos que para este la droga es marginal, aun sin restar el dinero que se va a Sudamérica. Sin duda para México es más marginal que para Colombia, pero menos que para EE UU. Esto implica que México no puede aplicar la tolerancia estadounidense, pero sí permite prever que saldrá más rápido y mejor que Colombia de la violencia. La eficacia de la estrategia es, en estos dos casos, un asunto de consensos políticos y aprendizaje, porque ambos Estados tienen con qué defenderse.
Pero cuando especulamos con los montos de la economía de la droga y su impacto sobre los micro-Estados del Caribe y Centroamérica, resulta obvio que estos no pueden resolver solos el problema y que la inseguridad los terminará volviendo inviables. En cualquiera de esos países, el narcodinero es suficiente para construir poderes fácticos que dominen territorios y población y coopten o sustituyan al Estado. Allí cualquier capo con unos cientos de millones puede comprar o poner de rodillas a policías, jueces, empresarios, periodistas, generales, y hasta presidentes.
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