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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A ciência comprova: ler faz bem para o cérebro.










Talvez a conclusão deste post não surpreenda a maioria dos leitores, mas cientistas comprovaram recentemente o que parecia óbvio: literatura faz bem para o cérebro! Nos Estados Unidos, um grupo de teste foi convidado a ler um capítulo do romance Mansfield Park, de Jane Austen, dentro de uma máquina de ressonância magnética, enquanto pesquisadores da universidade de Stanford analisavam os resultados neurológicos. Para o experimento, era preciso ler o capítulo de duas formas distintas: primeiramente, uma leitura descompromissada; depois, uma leitura para análise crítica da obra. A conclusão do estudo apontou que a leitura de livros pode ser um exercício valioso para o cérebro, já que quando lemos, o sangue flui para diversas áreas associadas à concentração e, no caso de uma leitura mais crítica, também para áreas menos ativas do cérebro. Logo, o estudo concluiu que a forma de leitura afeta o cérebro e através dela podemos treiná-lo para ser cada vez melhor em atividades que exigem compreensão e concentração

. Logo, o estudo conclui que a forma de leitura afeta o cérebro e pode indicar formas de treiná-lo para ser cada vez melhor em atividades que exigem compreensão e concentração.

Estudos semelhantes para avaliar os benefícios da leitura com máquinas de ressonância magnética já haviam sido realizados antes na Europa. Em 2010, o neurocientista Stanislas Dehaene, diretor da Unidade de Neuroimagiologia Cognitiva do Inserm-CEA, na França, usou exames de ressonância magnética para avaliar o cérebro de adultos alfabetizados e analfabetos. Os cientistas descobriram, então, que os cérebros dos adultos que podiam ler eram mais ativos, ainda que, em contrapartida, perdessem parte de sua memória visual, possuindo menos habilidade no reconhecimento facial.

Interessados nos ganhos que um livro pode trazer para nossas vidas fomos atrás e listamos 10 benefícios da leitura. Sinta-se à vontade para acrescentar outros benefícios, comentando este post.

1.  A leitura estimula a memória, expandindo a capacidade de nossa mente.

2. A leitura é combustível inesgotável para a imaginação.

3. A leitura nos dá as palavras, instrumento para expressar nossos sentimentos.

4. A leitura nos aproxima da compreensão de mundo e da auto-compreensão.

5. Ao ler, nos deparamos com aquilo que pensamos: com nossas crenças.

6. É possível experimentar com a leitura, sem de fato experimentar fisicamente.

7. O ato de ler naturalmente leva a escrever e a escutar.

8. Ler eleva a auto-estima.

9. A leitura desconhece a solidão, nos permite estar sempre acompanhados.

10. A leitura constrói sonhos e nos empurra à realização.
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domingo, 5 de setembro de 2010

No reino dos best-sellers

Amigos, segue na íntegra um artigo que faz uma importante radiografia do mercado editorial brasileiro.
Quem sabe se mudar tal tendência não tenhamos mais leitores nacionais?
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No reino dos best-sellers


.A. P. Quartim de Moraes - O Estado de S.Paulo
As listas de livros de ficção mais vendidos no Brasil revelam claramente que a indústria editorial brasileira, no segmento sintomaticamente denominado trade (livros de interesse geral comercializados no varejo), está totalmente atrelada à norte-americana. Muito especialmente na ficção, o livro que não passa, primeiro, pelos best-sellers do jornal The New York Times tem escassas possibilidades de entusiasmar as nossas casas publicadoras. Esse desinteresse - fenômeno de natureza originariamente comercial, fruto também da globalização da economia - condena ao estiolamento a literatura brasileira. Não tem como evoluir uma literatura que não é publicada.
No ranking semanal de ficção divulgado no suplemento Sabático deste jornal em 28 de agosto, dos oito autores dos dez, digamos, romances mais procurados nas livrarias, cinco são americanos (Rick Riordan e Nicholas Sparks, com dois títulos cada, e ainda P. C. Cast, Dan Brown e Lauren Kate). Os outros três são a chilena Isabel Allende e o canadense William P. Young, não por coincidência, ambos radicados nos Estados Unidos, e, last but not least, um brasileiro, o novato Eduardo Spohr, autor de A Batalha do Apocalipse: da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo. A lista da revista semanal Veja é semelhante, à exceção da substituição de Lauren Kate por Paulo Coelho. Questão de critério, já que, na relação do Sabático, O Aleph figura entre as obras não ficcionais. Mas também não faz a menor diferença...
Para publicar um best-seller da lista do New York Times uma editora brasileira precisa investir pesado. Os direitos de publicação dessas obras são geralmente adquiridos em leilões cujos lances costumam superar os US$ 100 mil. E ainda há o custo da tradução, mais o da impressão de uma tiragem inicial de, no mínimo, 15 mil ou 20 mil exemplares necessários para atingir o ponto de equilíbrio. Soma-se a isso o dinheiro gasto na divulgação midiática e comercial. Quando dá certo, é uma beleza! Mas a experiência de prejuízos acumulados com advances não recuperados demonstra dramaticamente que o oráculo supremo das nossas casas publicadoras - as listas do New York Times ou da Amazon - está longe de garantir sucesso de vendas no Brasil.
O negócio do livro nunca foi, em época alguma, em nenhuma parte, campeão de lucros. Mas sempre cumpriu de alguma maneira sua função civilizadora. No entanto, desde que meia dúzia de grandes corporações multinacionais passou a dominar, nos últimos 30 anos, o negócio da comunicação no planeta, absorvendo nos conglomerados as mais importantes editoras europeias e norte-americanas, os conteúdos literários passaram a ser nivelados por baixo, partindo do princípio tolo de que para aumentar o número de consumidores de livros é necessário publicar obras "ao alcance" da maioria.
Bem, esse é o mundo em que vivemos, e ninguém está querendo defender a elitização dos conteúdos literários, a produção exclusiva de biscoito fino para um público selecionado. Cada vez mais, aqui e em todo o mundo, essa é uma tarefa que tem recaído sobre os ombros das pequenas editoras independentes, das casas publicadoras universitárias, daquelas mantidas por instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos.
Mas, quando nos deparamos com a presença dominante e quase exclusiva de autores estrangeiros nas listas de romances mais vendidos no País, somos levados a uma de duas conclusões: o nosso big business editorial está negligenciando os autores nacionais ou estes estão desaparecendo/trabalhando mal. Pode-se descartar a segunda hipótese sem medo de errar. Qualquer editor conhece muito bem a enorme quantidade, e a qualidade que daí se pode extrair, de originais oferecidos por miríades de autores inéditos e também, em número igualmente surpreendente, por excelentes escritores que encontram as portas fechadas para seus novos livros apenas porque ainda não conseguiram produzir um best-seller.
Há editores e livreiros que alegam, como que se desculpando, que "o nosso leitor realmente não gosta de histórias brasileiras". Não fica muito claro, mas esse argumento parece significar que o consumidor de livros no Brasil constitui uma elite intelectual que, como tal, tem um gosto apurado demais para o "produto nacional". Daí a tendência natural de oferecer ao distinto público o "produto importado". Muito chique. Mas alguém explique, por favor: a ficção que frequenta as listas do New York Times é, no geral, de feitio a agradar a alguém de "gosto apurado"? É melhor admitir logo que o que importa mesmo é a grana.
A verdade é que literatura brasileira vende pouco porque as grandes editoras, que ditam os rumos do mercado, não estão dispostas hoje, salvo as honrosas as exceções de praxe - e, mesmo assim, vamos com calma! -, a botar dinheiro nela. Ninguém parece atentar para o fato de que conteúdos genuinamente brasileiros vendem, e muito bem, no mundo inteiro, quando se trata de teledramaturgia, porque as nossas emissoras de televisão há 50 anos investem pesado nas novelas e acabaram criando um padrão internacional de excelência.
No mundo do livro, também se investe muito, em caríssimos títulos estrangeiros - grande parte, apenas lixo - que chegam comercialmente credenciados apenas por altos índices de vendas lá fora. Então, se o segredo é o dinheiro, por que não botá-lo com a mesma generosidade na criação literária brasileira? E apoiar a produção literária nacional não significa apenas editar eventualmente uma obra com tiragem de 2 mil exemplares e abandoná-la à própria sorte.
Os publishers brasileiros precisam olhar para o futuro e pensar também na responsabilidade social e cultural que o seu negócio implica.
JORNALISTA, É EDITOR ASSOCIADO DA GLOBAL EDITORA. E-MAIL: APQUARTIM@DUALTEC.COM.BR .
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sábado, 1 de maio de 2010

A república digital das letras


Tenho um e-reader da Sony comprado em 2006 onde baixava artigos em PDF e work para trabalhar minha tese de mestrado. Usava-o, como todos os demais, no metro, ônibus e filas de super-mercados. Também tinha um palmtop que usava para as mesmas funções. Ainda uso os textos em txt baixados para meu blackberry. Contudo, sou um contumaz defensor do livro, em papel. Todos os três equipamentos que uso desde 2006 não me dão o mesmo prazer de folhear, anotar observações a lápis, discutir uma colocação, também a lápis, que o autor coloca e ficar indo e voltando nas referência bibliográficas, notas de pé-de-página, gráficos, mapas etc.

Eu não acredito, em curto prazo, que os ereaders irão prevalecer em nosso mercado. É uma questão de idiossincrasia e não de modismo.



A república digital das letras

O passado e o futuro do livro – e do ideal iluminista de torná-lo acessível a todos – são examinados em ensaios pelo diretor da biblioteca de Harvard


Desculpe se o que estou dizendo parece cheio de santimônia", diz o historiador americano Robert Darnton, 71 anos, depois de uma apaixonada defesa da atualidade do livro em papel. Ao longo de sua entrevista a VEJA (veja o quadro abaixo), Darnton esboçou várias desculpas do mesmo teor: seu tom estaria muito sentencioso, ou até mesmo pio, como o de um pregador religioso. É compreensível. Darnton é uma autoridade na história do livro, autor de O Iluminismo como Negócio e Edição e Sedição, entre outros estudos fundamentais sobre o mercado livreiro na França do século XVIII – e sua relação com o explosivo contexto político que culminaria na Revolução de 1789. O objeto de seus estudos propicia o tom elevado: veículo de vários textos sagrados, o livro é também o centro de um certo culto laico, celebrado em bibliotecas como a da Universidade Harvard, da qual Darnton é diretor. Mas o historiador não se vale dessas metáforas religiosas: nos termos do Iluminismo do século XVIII, ele prefere falar na República das Letras – um país desprovido de fronteiras, no qual todos, leitores e autores, poderiam discutir e trocar ideias sem censura ou restrições. A internet, com sua capacidade inaudita de divulgar textos e imagens, tem, sem dúvida, o potencial de expandir essa república virtual – e Darnton examina essas possibilidades ao mesmo tempo com entusiasmo e ponderação em A Questão dos Livros(tradução de Daniel Pellizzari; Companhia das Letras; 232 páginas; 42,50 reais), coletânea de ensaios recém-lançada no Brasil.

"Este é um livro sobre livros, uma apologia descarada em favor da palavra impressa e seu passado, presente e futuro", anuncia a introdução da obra. Consumado rato de arquivos (em um dos ensaios, ele relata a experiência de ler, na íntegra, o arquivo de 50 000 cartas referentes aos negócios de uma editora franco-suíça do século XVIII), Darnton é amante do papel, do prazer visual e tátil que se extrai do contato com um livro (em particular, com obras antigas e raras). Ele aposta na sobrevivência do códice, o formato de livro que surgiu em torno do século III – com páginas que são viradas, e não desenroladas, como nos rolos de pergaminho que até então conservavam a palavra escrita – e alcançou um público leitor cada vez maior a partir da invenção da imprensa, na década de 1450. Será simplista, argumenta ele, imaginar que uma nova tecnologia vai substituir completamente e de imediato formas mais antigas. A televisão não acabou com o rádio, e nem o YouTube acabou com a TV. O livro em papel, portanto, deverá conviver muito tempo com leitores eletrônicos como o Kindle e o iPad.


Os formatos eletrônicos, porém, configuram um desafio para os bibliotecários, que terão de desenvolver novos métodos e protocolos para conservar o conhecimento em forma digital. "Os arquivos digitais são compostos de números binários, que se corrompem e degradam. E a tecnologia avança rapidamente. Muitos formatos de arquivo se tornam obsoletos e difíceis de acessar em um prazo de poucos anos", alerta Darnton. Outro grande esforço exigido das bibliotecas – o de tornar seus acervos acessíveis on-line – esbarra em problemas não só tecnológicos, mas também legais. A Questão dos Livros faz um exame crítico do ambicioso projeto do Google para digitalizar as obras de algumas das maiores bibliotecas universitárias do mundo, inclusive a de Harvard. O Google Book Search foi contestado por associações americanas de autores e editores, que reclamavam o respeito aos direitos autorais das obras digitalizadas que ainda não se encontram em domínio público. O entrave foi contornado, em 2008, por um acordo entre o Google e essas associações – o qual, no entanto, ainda depende de aprovação judicial. Darnton observa que o acordo, por sua extensão, tornaria o Google Book Search imune à concorrência. O próprio Departamento de Justiça americano já contestou a iniciativa, por seu caráter monopolista.
O Google Book Search é o tópico mais "momentoso" de A Questão dos Livros. Mas a coletânea não se esgota aí: é rica em digressões saborosas sobre as diferentes edições de Shakespeare ou as leituras de Thomas Jefferson. Darnton é, sobretudo, um historiador, um homem que oferece perspectivas amplas para seus temas. E seu assunto central exige isso mesmo: não há objeto mais amplo do que o livro.

Uma missão civilizadora

O historiador Robert Darnton falou a VEJA sobre o papel das bibliotecas 

e a polêmica iniciativa de digitalização de livros do Google.


O senhor afirma que a biblioteca é o centro da vida universitária. Faz sentido falar nesses termos quando os estudantes hoje contam com a internet, que não tem um "centro"? 
Não devemos pensar nas bibliotecas como meros depósitos de livros, ou como museus em que exemplares raros são expostos em cúpulas de vidro. A biblioteca é um centro de organização do conhecimento – o que se torna ainda mais importante em um universo confuso e sem forma como a internet. Sei que isso pode soar sentencioso, mas acredito nessa missão central das bibliotecas.


E a biblioteca de bairro ou de cidade pequena ainda cumpre a mesma função para o leitor comum? 
Sim, e está incorporando novas funções. Faço parte do conselho da Biblioteca Pública de Nova York, que, além de seu conhecido prédio central na Quinta Avenida, administra várias unidades de bairro. A visitação delas aumentou depois da crise econômica. Os trabalhadores que perderam o emprego e não têm computador em casa vão lá para buscar empregos on-line.


O senhor é um crítico do Google Book Search, projeto que pretende digitalizar o acervo de grandes bibliotecas – inclusive a de Harvard – e oferecer acesso aos livros na internet. Por quê? 
O Google tem feito um trabalho maravilhoso de digitalização do acervo dessas bibliotecas. Mas, como toda empresa privada, tem por objetivo dar lucro a seus acionistas. Os objetivos das bibliotecas são distintos – entre eles, oferecer conhecimento público. Esse conhecimento não pode ser detido por uma empresa só. O acordo sobre direitos autorais do Google configura uma situação de monopólio.


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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Kindle



Este aparelho se propõe a substituir o livro por livros eletrônicos.
Estava morando em Washington quando a primeira versão foi lançada. Como era cliente assíduo da Amazon.com, recebi a oferta de comprá-lo a US$ 199.00. Bem barato.
Esperei, contudo, ver as pessoas nas ruas para ver se o aparelho pegava. Meus referenciais de pesquisa eram o metro, os cafés e aeroportos. O americano jovem tem a mania de querer aderir logo a uma moda, para dizer que está “fit in”, está por dentro, inserido na moda e no contexto..
Bem, não vi quase ninguém usando nos primeiros meses. Vi alguns quando viajei para Nova Iorque.
Após dois meses recebi a oferta, por ser cliente da Borders, de adquirir o Sony Reader. Também esperei muito até ver uma única pessoa no metrô a quem após puxar uma breve conversa bajulativa, pedi para ver o produto. Após uma breve relutância a moça me cedeu. Devolvi logo ante a cara de ansiedade que ela tinha.
Para testar a teoria dos consultores organizacionais de mudanças, aqueles que vêem mudanças a toda hora e em todo o lugar, perguntei a gerentes da Barnes and Nobles e Borders se eles sabiam de alguma estratégia de marketing para competir com o Kindle e Ereader. Dos dez que perguntei em estados diferentes durante minhas viagens eles disseram que o americano comum sente prazer em andar entre prateleiras de lojas e bibliotecas e ser visto com um livro na mão. Eles não acreditavam que os livros eletrônicos iriam competir com os impressos. Também perguntei em supermercados e farmácias, de grandes cadeias, sobre estratégias para substituir os bolsilivros (pockets books). Da mesma forma disseram-me que eles eram imbatíveis.
Pedi, então, para dar um voltinha, um teste drive, no Kindle de uma vizinha, que após tentativas frustradas de encontrar alguém (a propaganda dizia ser um fenômeno mundial de vendas) ela me orientou a fazer um download. Aí vi que não era para o Brasil, pois dependia de conexões de alta velocidade, o que o americano tem com fartura em quase todo e qualquer ponto do país além de se deixar registrado um creditcard para se pagar, de imediato, o livro para, então, se fazer o download. Como escolhera o Diplomacy, do Kissinger, um tarugo de quase mil páginas, até lá o livro demorou para baixar.
Ante a esta experiência achei que para servir no Brasil deveria me contentar do o Ereader da Sony, que tenho até hoje, pois ele permite se ler Word e PDF, o que faço com freqüência. Bem, aí, como tenho meus hábitos de leitura diria os inconvenientes de um livro eletrônico: Para mim, também, folhear um livro antes de ler é fundamental, parece que é um namoro, uma degustação. Também, durante a leitura, gosto de discutir com o autor e marcar trechos com comentários na lateral, com lápis e usar um marcador para consultas futuras. Também gosto de ler as notas de rodapé e de fim de página e, por vezes, marco o livro com três dedos, um para a página que leio, outro para as notas de fim de página e um terceiro, eventualmente, para se manter um gráfico, um mapa, tabelas ou fotos para se complementar o entendimento da leitura. Nada disso dá para fazer bem nem no Kindle ou no Ereader.
Como leio em torno de quinze livros por anos, além das revistas, gosto de empilhar as obras que li em uma estante por puro prazer de dizer para mim mesmo o quanto progredi culturalmente em um ano. Para isto, também, os ereaders não se prestam nem proporcionam este prazer.
Em um país que tirou o 47º lugar, entre 54 países pesquisados, inobstante a cara sorridente de nosso imortal Paulo Coelho, dizendo ser o último livro que o brasileiro comprará eu diria: Não vai colar. Se não conseguimos estimular a leitura de livros nem em bibliotecas ou sebos, achar que o brasileiro vai desembolsar mil pilas para ter um livro eletrônico é não contar com a nosso idiossincrasia nem com nossa peculiar infra-estrutura na hora de se elaborar uma estratégia.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Sobre os meninos-lobo.

Em um texto muito bem escrito pelo economista especializado em Educação, Cláudio Moura e Castro (http://veja.abril.com.br/080709/meninos-lobo-p-024.shtml), uma sutil, porém pertinente, crítica à pouca leitura comum em nossa sociedade remete à reflexão acerca da pobreza de vocabulário que tenho observado recentemente.
Atribuo, ainda que de uma forma insipiente, que este fenômeno é causado por muitos fatores, quando destaco o hábito de se assistir, em demasia, televisão e acesso à internet em detrimento de leitura de bons livros ou de revistas e jornais de qualidade.
Essa questão vem sendo discutida há anos e parece não ter tido uma melhoria significativa ao ponto do especialista apontar o fato de 50% dos brasileiros, em amostragem estatística, ser analfabetos funcionais.
Se buscarmos ascender o país e a sociedade ao primeiro mundo, se quisermos estar à frente dentre os demais países que compõem os BRIC está na hora de considerarmos uma cobrança maior do Estado e da sociedade civil organizada, dentre estes, universidades, escola e veículos de comunicação.
Fala-se, demais, que falta educação no país, todavia já temos mais de dezesseis anos de gestões públicas que criticavam, historicamente, tal erro e parecem não saber como solucioná-lo. Os contumazes atiradores de pedras hoje, como donos do telhado parecem não encontrar uma boa saída para este histórico problema.
A propósito do uso exarcebado da internet de forma pouco adequada, sugiro a leitura de um bom livro, polêmico, mas com ótimas colocações que nos obrigam a refletir, denominado “ O culto do amador” de Andrew Keen, Ed Zahar.
Nesse particular concordo com ele quando exclama que a sociedade teve acesso a um enorme volume de informações mas não consegue fazer um adequado uso dela.

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