Mostrando postagens com marcador Terceira idade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Terceira idade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Senescência e senioridade profissional


SÉRGIO AMAD COSTA
O Estado de S.Paulo 


O envelhecimento da população brasileira gera preocupação quanto ao futuro do País. Mas, se, por um lado, ele se deve à redução da taxa de natalidade, por outro, também é resultado do aumento da expectativa de vida, em razão das melhorias no campo da saúde. Observa-se, agora, uma maior disposição das pessoas mais velhas a continuarem trabalhando e um reconhecimento, cada vez mais significativo, de empresas que valorizam a senioridade de profissionais que já alcançaram a época da aposentadoria.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, divulgada recentemente, mostra, de fato, o envelhecimento da nossa população. O segmento com 60 anos ou mais, em 2004, era de 9,7% da população total; em 2009, 11,3%; e, em 2011, já representava 12,1%. Como reflexo também do aumento da expectativa de vida, esse envelhecimento é acompanhado por mudanças nos padrões de trabalho.

No início da década de 1990, a expectativa de vida no Brasil era, em média, de 66 anos; em 2005, foi para 71,8 anos; e hoje está, em média, em 73,5 anos. O Brasil ocupa a 87.ª posição no ranking dos países em termos de expectativa de vida, enquanto o Japão lidera com uma média de 82,7 anos. Essa elevação no tempo de vida das pessoas faz com que sejam repensados os atuais conceitos de aposentadoria. O Japão é exemplo disso. Dos 28 milhões de japoneses com 65 anos ou mais, cerca de 6 milhões ainda trabalham, e depoimentos revelam que eles não pensam em parar. As projeções mostram, ainda, que esse número vai aumentar.

O Brasil, embora ainda timidamente, parece estar seguindo esse exemplo do país do sol nascente. Os números traduzem essa disposição de profissionais em idades mais avançadas de continuarem trabalhando. Segundo o IBGE, em 2000, 3,3 milhões de pessoas com mais de 60 anos faziam parte do mercado de trabalho e, em 2010, esse número subiu para 5,4 milhões de pessoas.

Essa mudança positiva no mercado de trabalho é revelada, também, em pesquisas que mostram que empresas no Brasil começaram a valorizar a experiência, contratando um número maior de profissionais mais velhos. Cerca de 20% das companhias - e a tendência é a elevação dessa porcentagem - empregam trabalhadores aposentados, tanto para cargos técnicos quanto para gerência e diretoria. Os principais motivos são a disposição e o amplo conhecimento técnico desses profissionais.

Razões para essa mudança no mundo corporativo são várias. Cito três. A primeira é que essas pessoas com idade mais avançada são profissionais qualificados, com senioridade para agregar à empresa. A segunda razão é que nesta fase da vida as pessoas, em geral, estão resolvidas socialmente. Ou seja, já constituíram família, criaram filhos e agora acabam se concentrando com mais facilidade nos desafios apresentados pelo trabalho. A terceira está nas novas tecnologias utilizadas nas empresas. Hoje, elas possibilitam que as tarefas sejam quase totalmente intelectuais. Muito pouco se exige em termos de esforço físico, facilitando, e muito, o trabalho para os mais velhos.

Estudos científicos demonstram que um dos principais fatores associados ao aumento da longevidade humana e uma vida mais saudável é o envolvimento com o trabalho. Sirvo-me, novamente, do exemplo do Japão. Nagano, uma província no centro do país, conta, proporcionalmente, com o maior número de idosos trabalhando entre todas as prefeituras do Japão e é onde se gasta menos com saúde. Já a cidade de Fukuoka apresenta um número bem pequeno de trabalhadores mais velhos e elevados custos com saúde.

Deveríamos começar a eliminar preconceitos em relação aos mais velhos. São necessárias mudanças de ordem cultural. E isso pode ser feito mediante campanhas educacionais, estimulando um número maior de empresas a abrir espaço para que pessoas com idades mais avançadas continuem trabalhando. É bom para os mais velhos, é bom para as companhias, é bom para a economia e é bom para o País.
.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Imposição demográfica

O artigo trata do impacto da terceira idade na sociedade e no mercado.
É um problema maiúsculo que comporta-se como uma bomba de retardo.
Apesar disso não vejo, com a freqüência necessária, abordagem adequada na mídia.
Convém falar-se mais sobre este grave problema que não figura nos debates dos presidenciáveis.

Imposição demográfica
O Globo - 13/09/2010
.
 O assunto é incandescente em qualquer lugar do mundo, por envolver a subsistência da população idosa e a forma de custeio dos sistemas de seguridade. Mais polêmico fica o tema quando se considera que a demografia é fator essencial em qualquer regime previdenciário, e ela não é estática: se a expectativa de vida da população aumenta ou diminui, o impacto atuarial nas contas do sistema é imediato. Mesmo que o resultado só venha a se materializar a médio e longo prazos.

Aperfeiçoamentos, portanto, precisam ser feitos com grande antecedência, para evitar intervenções de emergência, sempre traumáticas do ponto de vista social e político. O exemplo mais recente de trauma é o estouro das contas públicas gregas, no qual aposentadorias tiveram de ser reduzidas por absoluta falta de recursos nos cofres do Tesouro de Atenas.

Embora a crise fiscal daquele país como a de outras economias europeias tenha sido mais ampla, não se resumindo à questão previdenciária, ela serve de alerta para a dimensão a que podem chegar hecatombes ocorridas nas contas públicas, por falta de prudência, por excesso de generosidade nas despesas.

Pode-se querer enxergar por ângulos menos preocupantes os números da previdência brasileira. Se, por exemplo, em vez de se destacar os estimados R$ 50 bilhões de déficit do INSS, previstos para este ano, quisermos ressaltar que a previdência urbana sem contar os benefícios pagos no campo a quem jamais contribuiu para o sistema é superavitária, não estaremos falseando a realidade.

Porém, colocaremos o foco apenas num aspecto do regime previdenciário, quando, para efeito das contas públicas, e do contribuinte, o que importa são os bilhões necessários para fechar as contas integrais do INSS. E mais: R$ 46 bilhões, comparáveis ao saldo negativo do INSS, serão necessários este ano para fechar o rombo da previdência do funcionalismo público. Com uma perversidade: nela estão 900 mil inativos, com benefícios iguais aos seus últimos salários na ativa; no INSS, 24 milhões, com aposentadorias bem menores. A demografia brasileira como a de todos os países força o estabelecimento de uma idade mínima para a aposentadoria; e que seja móvel, em função da expectativa média de vida, em ascensão no Brasil.

Como as pessoas vivem mais e continuam a se aposentar cedo, não há como conter a explosão dos déficits.

Não é por alguma perversidade que dirigentes europeus se desgastam num ciclo de revisão de sistemas de seguridade.

A Alemanha há algum tempo reformou algumas bases do seu estado do bem-estar, e assim conseguiu reter empresas que ameaçavam migrar para a Europa Central e China, em busca de custos mais baixos, e por isso tem dado invejável demonstração de fôlego na recuperação de sua economia.

As estatísticas são irrefutáveis: há 10 anos, havia 14 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, e 51 milhões de jovens de até 14 anos. Quer dizer, um enorme contingente entraria no mercado de trabalho, parte indo contribuir para sustentar os benefícios pagos pelo INSS. Mas, em 2050, os jovens serão 28 milhões; já os idosos, 64 milhões. Mantido o sistema atual, a conta previdenciária, que já não fecha, virará um buraco negro a tragar toda a receita tributária. Mesmo que haja bolsões no Brasil urbano em que o recolhimento ao INSS cubra as despesas. Esses oásis de equilíbrio entre receitas e despesas, se existirem, não farão qualquer diferença.
.

GEOMAPS


celulares

ClustMaps