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sábado, 26 de julho de 2014

O real custo do emprego


SÉRGIO AMAD COSTA
O ESTADÃO 


O custo do emprego no Brasil não é elevado apenas por causa dos conhecidos encargos trabalhistas e previdenciários. A desoneração da folha salarial, com a substituição dos 20% pagos como contribuição previdenciária, está longe de pôr fim ao problema. Há uma série de outros custos para a empresa manter empregos que a tornem mais competitiva. As práticas trabalhistas geram dispêndios que vão muito além dos apresentados pelos encargos tradicionais. E essas ações são muito caras para a companhia, porque a legislação trabalhista é inadequada e não há incentivos fiscais para a gestão de pessoas.

No caso dessa legislação, o custo do emprego se torna muito alto por dois motivos. Um, por causa de leis que não são claras e, não raro, geram processos indevidos. Há muitos custos despendidos pelas companhias em processos trabalhistas que os empregadores têm de enfrentar mesmo tendo cumprido a lei, por causa das mudanças frequentes na legislação. Mesmo eles estando certos, precisam fazer sua defesa. E isso gasta tempo e dinheiro.

O outro motivo decorre da própria inadequação da legislação. Sobre o assunto, poderia citar dezenas de exemplos, mas me atenho aqui a sistemas de recompensas financeiras, que uma empresa, para ser competitiva, precisa ter como política de recursos humanos. Plano de carreira, cargos e salários é um exemplo. A CLT, no artigo 461, aponta a questão do tempo e do mérito para a existência da carreira e da diferenciação salarial entre profissionais no mesmo cargo e na mesma função. Ora, mérito, sim, mas ser obrigado a dar aumento salarial só por causa do tempo de trabalho na empresa contraria as mais modernas práticas de gestão de pessoas.

A questão de como a legislação trata os bônus pagos aos profissionais por metas atingidas é outro exemplo. Bonificar seus profissionais em razão do bom desempenho é lugar-comum nas empresas competitivas nos países economicamente avançados. Mas, no Brasil, as companhias ficam inseguras quanto ao momento em que o bônus deve ou não ser incorporado ao salário. Além disso, em ambas as situações, sobre o bônus recaem os encargos trabalhistas e previdenciários. Portanto, novamente se observa o custo aumentado no emprego por causa de uma legislação inadequada.

Mas uma empresa competitiva precisa, além de contratar o profissional, dar condições para que ele desempenhe bem suas funções. E aí se fazem necessários vários benefícios, alguns deles lacunas deixadas pelo Estado e que a empresa tem de cobrir, sem a existência de qualquer tipo de estímulo fiscal para a sua concessão. Cito três. A companhia cria creche e berçário para as profissionais mães que não têm com quem deixar seus filhos enquanto trabalham. Qual incentivo fiscal a empresa recebe para isso? Nenhum. Apenas mais custo no emprego.

A capacitação dos profissionais é outro exemplo. A firma, ao conceder bolsas de estudo a seus funcionários, tão necessárias para uma empresa ser competitiva, além de não obter incentivo fiscal, em vários casos ela é tributada por isso, como reza a Lei n.º 12.513, de 2011. Finalmente, o terceiro exemplo: quando a empresa concede transporte fretado a seus profissionais, para não ficarem exaustos com a ida e vinda ao trabalho no transporte público ineficiente, o único estímulo fiscal ganho é não ser tributada por essa concessão. Isso tudo são mais custos no emprego, hoje inevitáveis numa empresa que é, ou almeja ser, competitiva.

Poderia citar mais uma série de exemplos do que uma empresa competitiva faz em termos de gestão de pessoas, mas só observa dispêndios, em vez de incentivos fiscais. Portanto, enquanto o custo do emprego ficar apenas na discussão dos 20% da folha salarial pagos à previdência, o País estará andando para trás nesse quesito. O custo real do emprego vai muito além disso. O buraco é mais embaixo. Ele envolve ainda a caduca legislação trabalhista e a total ausência de estímulos fiscais. Nessas questões urge também agir. Mas quando vamos começar?
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Último pau de arara

A diminuição de pessoas querendo "tentar" a sorte fora do Brasil não se dá por melhoria nas condições de acesso e manutenção de emprego aqui, é que muitos "tentam" com baixa qualificação e lá ficariam perto da indigência, dado o número de nativos desempregados.

Por outro lado o segundo tópico denuncia nossa baixíssima capacidade de formação de mão-de-obra qualificada, dado ao "apagão" que atrai os que, lá fora, tem melhores condições intelectuais e técnicas do que os nossos cidadãos.

Com aumento de cerca de 400% da capacidade de veiculação de dados via telefonia e internet, nos últimos dez anos, e com 234 milhões de, somente, linhas de celular, o que denota um farto acesso à informação e capacitação, como se explica esta lamentável situação de emprego qualificado em nosso país? Será que a culpa é só do governo?



Último pau de arara
ANCELMO GOIS
O GLOBO


Pesquisa de Marcelo Neri, do Ipea, revela que, entre 2009 e 2012, caiu de 15% para 12% o número de brasileiros que sonham em deixar o país. Já na Europa em crise ocorre o contrário. No mesmo período, entre os portugueses subiu de 14% para 27% os que querem ir embora. Na Espanha pulou de 8% para 15%, na Itália de 17% para 26% e na Grécia de 17% para 24%.

Importar mão de obra
Para o presidente do Ipea, em época de pleno emprego “na terra Brasilis, há bela oportunidade de iluminar o chamado apagão de mão de obra qualificada”.
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O grande circo



 Almir Pazzianotto Pinto
Valor Econômico



Advogado, foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST)

A essência do regime democrático reside no voto. É pelo sufrágio secreto e direto, de igual valor para todos, que se concretiza a soberania popular, expressão consagrada no art. 14 da Constituição. Em situações extremas, quando grave crise econômica ou política coloca em xeque as instituições, fazendo-as perder credibilidade, o direito de eleger governantes acaba sucumbindo à revolução popular, ou é abatido por golpe de Estado. No Brasil tivemos a Revolução de 1930, que desaguou na ditadura de Vargas, e o golpe de 1964, desfechado pelas Forças Armadas.

O regime implantado em 1964 estrangulou o estado democrático. Em janeiro de 1985, após 21 anos de ditadura, o candidato do governo, Paulo Maluf, foi derrotado no Colégio Eleitoral por Tancredo Neves, do PMDB, tendo José Sarney como vice. Em 1990, o povo voltou às urnas e deu a vitória a Fernando Collor de Mello. Seguiram-se, na Presidência da República, pelo voto direto, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Para as novas gerações, democracia é conquista recente, em processo de aprendizagem, circunstância que faz o país pagar caro pelo noviciado.

A Constituição de 1988 restaurou as liberdades democráticas. Não nos mostrou, todavia, como exercê-las livres da corrupção e do carreirismo. Basta o julgamento do mensalão, ou acompanhar o horário eleitoral, para ver o estágio em que nos encontramos. Em vez de mensagens consistentes, objetivas, didáticas, que transpirem sinceridade, o que se assiste é uma espécie de grande circo, com momentos de Escolinha do Professor Raimundo. Demagogos e semianalfabetos tentam convencer que se acham aptos a operar milagres. A exigência da Ficha Limpa trouxe enorme progresso. Não bastará, entretanto, para impedir a presença de elevada porcentagem de despreparados, iletrados, e corruptos, fazendo uso de todos os recursos para se elegerem prefeitos e vereadores. É a proliferação bacteriana dos Zé da farmácia, do Chico borracheiro, da Denise massagista, do cabo Júlio, do pastor Ticão, do dr. Carlito, da Zuleika da lotérica, da Shirlady manicure, na disputa de mandato bem remunerado, recheado com mordomias.

A responsabilidade pela onda crescente de mediocridades cabe a poderosos dirigentes partidários, cujo objetivo único é a vitória. Legendas foram postas à venda e negociadas como em supermercados. O malabarismo eleitoreiro é patético. Apoios são trocados entre velhos inimigos, à custa da entrega de ministérios, com olhos postos nas pesquisas eleitorais. Aliados em São Paulo e Paraná podem ser inimigos em Minas, Mato Grosso, Pernambuco, segundo as conveniências locais. Igrejas e sindicatos não ficaram à margem do processo, sendo explorados como feudos eleitorais.

Minúsculas legendas, que reúnem nada além de meia dúzia de adeptos, insistem em manter presença sem chances mínimas de eleger um só prefeito ou vereador. Valem-se do dinheiro público para formular soluções desvairadas, combater a livre iniciativa, propor a estatização do sistema financeiro, da saúde, da educação, do transporte. Imaginam converter o Brasil em vasto acampamento de servidores públicos, mantidos pelo tesouro. Inspiram-se no falido modelo cubano, e na ditadura venezuelana, ignorando o elevado grau de rejeição entre o eleitorado.

O povo, conforme anotou Aristides Lobo no episódio da Proclamação da República, assiste a tudo bestializado, atônito, surpreso. A Constituição, no afã de ser exemplo de democracia, escancarou portas a todos os estilos de abusos. Além de sujeito a horário político, o brasileiro é obrigado a votar. À míngua de candidatos que o convençam, escolhe o "menos pior", anula o voto, vota em branco ou vai gozar o feriado e justificar a ausência.

Eleições municipais são a antevéspera de 2014. É por meio delas que os partidos procuram lançar bases locais de apoio para disputas futuras. Prefeitos e vereadores serão porta-vozes de candidatos a deputado estadual, federal, senador, governador, presidente da República. Reside aqui o perigo.

Se quisermos erradicar a corrupção e impedir a presença de tiriricas, devemos começar já, com o bom uso do voto. Se assim não acontecer, dentro de dois anos repetir-se-á o espetáculo circense, com resultados conhecidos.
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Importar mão de obra por contrato temporário

O apagão de mão de obra é um construto paulatino onde a sociedade se omitiu de seu papel junto ao Estado.
O resultado se apresenta em nossa economia.
O artigo abaixo demonstra os problemas causados por nossa incipiente Educação.
Vale a reflexão.


Importar mão de obra por contrato temporário
CLAUDIA SAFATLE
VALOR ECONÔMICO


O aquecimento do mercado de trabalho, apesar do desaquecimento da economia desde o segundo semestre de 2011, preocupa o governo e leva alguns economistas oficiais a cogitar a possibilidade de o país vir a importar mão de obra por meio da criação de um contrato temporário de trabalho. Poderia ser, segundo eles, um contrato com prazo limitado a cinco anos, pelo menos até terminar o ciclo de grandes obras decorrentes dos eventos esportivos. 

Os indicadores de oferta e demanda de trabalhadores qualificados são, de fato, inquietantes. Estima-se que de agora até 2014 as universidades do país formarão cerca de 60 mil engenheiros civis. A demanda por esses profissionais, calculada a partir dos projetos de investimentos projetados para os próximos três anos, é de 350 mil.

Na área da tecnologia da informação (TI), o quadro de escassez se repete. As escolas do país devem formar até 2014 entre 34 mil e 35 mil profissionais de TI. A demanda, conforme diagnosticada pelo governo junto ao setor privado, é de que serão necessários até lá cerca de 80 mil trabalhadores da área. 

Há relatos, que chegam a esses economistas, sobre companhias que estariam contratando guardas para proteger os portões das empresas e, assim, evitar o assédio de concorrentes em busca de mão de obra especializada. 

Outro indicador de que o mercado de trabalho no país continuará aquecido é a expectativa de que até 2016 as microempresas devem abrir cerca de 30 milhões de vagas. 

Pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 69% das empresas de construção civil apontam para dificuldades em encontrar profissionais de maior qualificação.

"Hoje o salário de um engenheiro civil no Brasil é da ordem de R$ 16 mil. Na Espanha, um engenheiro pode ser contratado pelo equivalente a R$ 9 mil", disse uma fonte do governo, que argumenta: "Temos uma transição a fazer" e uma solução possível seria aproveitar a alta do desemprego decorrente da crise na zona do euro para institucionalizar, de forma negociada com os sindicatos, o contrato temporário. 

Além dos efeitos que a carência de profissionais especializados pode produzir sobre o crescimento e a inflação, a preocupação se estende também para a queda da produtividade, na medida das substituições de mão de obra qualificada por semiqualificada. 

Muito se discutem as razões do aumento da oferta de emprego para níveis de quase pleno emprego ao mesmo tempo que a economia teve uma forte desaceleração. No ano passado, a taxa de desemprego foi de 4,7%, recorde de baixa. 

Estudos feitos pelo Credit Suisse indicam queda expressiva da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) necessária para manter a estabilidade do mercado de trabalho. Era de 3,3% em 2003 e baixou para a casa dos 2% em 2011. Os economistas do banco projetam crescimento de apenas 2,5% do produto em 2012 e de 4,0% em 2013 e argumentam que essa performance é compatível com a continuidade da queda do desemprego e aumento da renda.

Isso decorreu, segundo o mesmo estudo, das mudanças demográficas que o país vem atravessando, como o envelhecimento da força de trabalho e menor percentual de jovens na população economicamente ativa (PEA). O mesmo fenômeno já havia ocorrido na crise de 2008/2009. Mesmo com a contração de 0,3% do PIB em 2009, o desemprego cresceu somente 0,2 ponto percentual em relação a 2008. 

O economista-chefe do banco Itaú, Ilan Goldfajn, também chamou a atenção para o que pode estar ocorrendo no mercado de trabalho, em artigo recente. A absorção de trabalhadores de menor qualificação pode estar reduzindo a produtividade média da economia, as mudanças demográficas reduziram o crescimento da PEA, ou, ainda, os empresários estariam apostando numa rápida recuperação do crescimento - tal como ocorreu na crise de 2008/2009, e evitando os custos das demissões agora para ter que voltar a contratar mais à frente. O mais provável é que seja uma combinação desse conjunto de fatores.

A preocupação de técnicos do governo com o mercado de trabalho é mais do que justificável, pelos riscos inflacionários e limitações que traz ao crescimento sustentado. 

Há anos se fala da baixa escolaridade dos jovens brasileiros e das péssimas condições da educação no país. Os anos de baixo crescimento econômico mascararam o problema, adiando soluções que inevitavelmente passam pela educação. Sem demérito para os últimos governos que até tentaram melhorar a qualidade do ensino público, o fato é que as soluções não são simples, o país ficou para trás e agora colhe o preço da negligência.
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Trabalho, competitividade e escolhas do País

E se reduzíssemos a carga tributária sobre o empregado ocupado? E se os sindicatos cedessem para o governo arrecadar menos? E se todas as contribuições sobre os salários fossem revistas? E se a Reforma Tributária saísse do papel e avançasse? 


Um excelente motivo para a sociedade se conscientizar e, também, brigar por melhor qualidade de ensino fundamental, técnico e de terceiro grau.


Vale a pena ler a análise do especialista abaixo e procurar entender parte de nossos entraves a geração de postos de trabalho bem como a ameaça do crescimento dos países asiáticos onde concentram-se, hoje em dia, a maior quantidade de mão-de-obra no mundo.


Nossa, há tanta coisa importante acontecendo e a sociedade ficando alheia...








Trabalho, competitividade e escolhas do País
JOSÉ PASTORE
O ESTADÃO

Segundo dados publicados no Estadão de 23/12/2011 e referentes a 2010, o custo do fator trabalho na indústria brasileira é um dos mais baixos entre os 34 países normalmente estudados pelo Ministério do Trabalho dos Estados Unidos. No Brasil, o salário/hora médio do setor manufatureiro ficou em torno de US$ 10. Nos Estados Unidos, foi mais de US$ 34; na Holanda, US$ 40; na Alemanha, US$ 44; e na Noruega, US$ 57 (todos com encargos).

Nessa comparação, a indústria brasileira estaria em condições de competir no campo do trabalho com larga margem. Ocorre, porém, que os países que mais nos incomodam (tirando do Brasil milhões de bons empregos)não são esses, e, sim, os que têm custos trabalhistas inferiores, em especial do Leste Europeu, da Ásia e da América Central. O salário médio industrial da Estônia, que tem alto nível de educação e de produtividade, é menor que o brasileiro-US$9,47 por hora; na Hungria é de US$ 8,40; em Taiwan, US$ 8,36; na Polônia, US$ 8,01; no México, US$ 6,23; nas Filipinas, US$ 1,90; e na China, US$ 1,36 (Bureau of Labor Statistics, International comparisons of hourly compensation costs in manufacturing, Washington, 2011).

O Brasil compete pouco com os países de alta sofisticação tecnológica e elevada produtividade do trabalho como é o caso da Alemanha, Suíça, Bélgica, Dinamarca,Suécia,Japão,Inglaterra e outros. A concorrência é acirrada com as nações emergentes.

O Brasil ocupou o segundo lugar entre os países que tiveram maior aumento de salário entre 2009 e 2010, superado apenas pela Argentina. O custo do trabalho foi afetado também por um rápido aumento dos benefícios negociados, dos pisos salariais e das despesas criadas por intervenções do Estado, como é o caso do aumento do seguro de acidentes, das cobranças de contribuições sociais sobre verbas indenizatórias, das incertezas dos nexos causais nas doenças profissionais, das licenças ampliadas, do novo aviso prévio, da insegurança do trabalho a distância e terceirizado e várias outras.

É verdade que persiste entre nós um forte dualismo: uma parcela imensa da força de trabalho ganha pouco e trabalha na informalidade. Mas, no campo industrial, essa parcela é pequena e cadente. Ali, os profissionais especializados usufruem salários e benefícios que vão muito além da média de US$ 10.

Para o setor industrial o Brasil deixou de ser competitivo no campo do trabalho. Em certa medida isso vale também para o setor agrícola e o de serviços quando se trata de profissionais qualificados e que dominam as tecnologias modernas.

Os últimos dados sobre os Estados Unidos revelam que o setor privado vem reduzindo salários de admissão não só por força da crise, mas também para atrair de volta uma parte dos empregos que foram para a Ásia.

Ao longo de 2010 foram muitas as novas contratações por US$ 12 a US$ 19 por hora, ante US$ 21 a US$ 32 dos empregados mais antigos. Isso ocorre até na indústria automobilística, que sempre foi o paraíso dos altos salários. Os americanos entenderam ser melhor perder alguns dólares nos salários para reter vários milhões de empregos. Esse foi o tema de uma série de artigos bem documentados do The New York Times e que recebeu o sugestivo título de Working for less.

A continuar no ritmo atual, o custo do trabalho no Brasil vai se aproximar do dos Estados Unidos, podendo até ultrapassar, quando se levar em conta o diferencial de produtividade. Muitos já dizem que, em vários setores, o custo unitário do trabalho está mais alto no Brasil do que na América. Estamos diante de um quadro em que a "generosidade" das leis, das ações sindicais e das sentenças judiciais se transforma rapidamente em prejudicial perversidade. Este é um tempo de escolha. Não devemos desprezar as lições dos países em crise.
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Por que nossas firmas não inovam?

O apoio político partidário, fisiologismo e todo um alfabeto colocado em prática nos últimos anos passam despercebidos da mídia e mantém nosso nível de inovação e de geração de empregos muito baixo, além das históricas dificuldades estruturais e conjunturais.


A saída para nosso desenvolvimento, redução de desigualdade social e de violência, a título de exemplo passa, necessariamente, pela geração de emprego. Essa por sua vez, dar-se-á em empresas com níveis de competitividade suficientes para encararem as economias que estão ocupando espaço no mundo com produtos de maior valor agregado.


Esse é um tema maiúsculo que não vejo ser debatido na mídia. Precisamos conhecer soluções para eles.


Por que nossas firmas não inovam?
Naercio Menezes FilhoValor Econômico


Um dos principais meios para aumentar o crescimento econômico de forma consistente ao longo de vários anos é por meio do crescimento da produtividade. Quando a produtividade cresce, o país produz mais com o mesmo nível de capital e trabalho, e assim sua renda per capita cresce mais rapidamente. Um dos principais problemas do Brasil nas últimas décadas tem sido o baixo crescimento da produtividade, que decorre, em grande parte, da baixa taxa de inovações das firmas brasileiras, apesar da existência de uma série de incentivos. Por que as firmas brasileiras resistem tanto a inovar?

O nosso problema com a produtividade vem de longa data. Pesquisas indicam que a produtividade agregada da economia brasileira vem caminhando a passos lentos desde meados da década de 70. Mais recentemente, entre 1995 e 2005, enquanto a produtividade no mundo avançava a uma taxa de 1% ao ano (mesma dos Estados Unidos) e 1,5% na China, no Brasil ela declinava 0,3% ao ano. Entre 2005 e 2008, o crescimento anual médio da produtividade foi de 4,1% na China e 2,3% na Índia, enquanto no Brasil ela declinou 0,8%. Há algo de errado por aqui.

Existência de fortes barreiras à competição faz com que empresas ineficientes operem na economia

Com relação às inovações, os dados da Pesquisa de Inovação Tecnológica do IBGE (Pintec) mostram que a parcela de firmas inovadoras na indústria cresceu apenas 6,5 pontos percentuais nos últimos 10 anos, passando de 32% no período entre 1998 e 2000 para 38% entre 2006 a 2008. Pior ainda, a porcentagem de empresas do setor industrial que investem em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para gerar novas ideias e produtos, passou de 10% em 2000 para apenas 4,2% em 2008.

O mais surpreendente é que nós temos no Brasil um conjunto de leis que se destinam especificamente a financiar a inovação. Tanto a Finep como o BNDES tem vários programas para fomentar a inovação, subsidiando atividades de P&D, inclusive com recursos não reembolsáveis (a fundo perdido). Além disso, o governo federal tem introduzido várias leis nos últimos anos para tentar aumentar as inovações, sem nenhum efeito substantivo. Afinal, por que as empresas brasileiras resistem tanto a inovar?

Parece que no Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, não é necessário inovar para sobreviver e crescer. Existem no Brasil fortes barreiras à competição, que fazem com que empresas ineficientes operem em todos os setores da economia. A falta de competição advém da dificuldade de abrir novas firmas e de obtenção de crédito barato para expansão das pequenas empresas existentes. Essas dificuldades são agravadas pelas políticas de favorecimento às grandes empresas, predominante no atual governo. O país protege e subsidia setores que precisariam de mais competição. O recente aumento do IPI para os veículos importados é um exemplo claro de política econômica equivocada nessa linha. Para as empresas que poderiam inovar, é muito mais fácil (e menos arriscado) gastar recursos para obter favores do governo (lobby) do que investir em P&D.

O outro fator que limita as inovações é a baixa qualificação da nossa mão de obra. [...]  Países como a Finlândia e Coreia do Sul têm sistemas educacionais de alto nível e, portanto, facilidade para lançar novos produtos e desenvolver novas ideias. Portanto, têm uma alta taxa de patentes. Por outro lado, países como o Brasil, Argentina, Colômbia e Peru estão na situação oposta.

Em suma, apesar das perspectivas sombrias pela frente, os Estados Unidos tiveram um crescimento de produtividade invejável nas últimas décadas, com lançamento constante de novos produtos, cujo maior ícone foi Steve Jobs. Enquanto isso, por aqui proliferam políticas anticompetitivas, com favorecimento a grupos específicos e empresas gastando recursos com lobby para entrarem no clube. Tudo isto é agravado por uma deficiência crônica de mão de obra qualificada. Por isso as empresas brasileiras não inovam.

Naercio Menezes Filho, professor titular - Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, é professor associado da FEA-USP
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Importação de mão de obra é recorde


Amigos, de fato é uma solução muito inteligente para se lidar com um grave problema estrutural,  contudo eu não consigo deixar de ficar indignado com isto.

Reconheço, até, que nossos governantes vem tentando solucionar o problema da educação, contudo  em função até de cartorialismos, feudos, fisiologismos,  sindicalismos e outros nocivos "ismos"  nossa educação não vem acompanhando nossa demanda.

Claro está que gosta-se da solução pragmática: se não há no mercado, busca-se onde se existe, mas a pergunta é: após a esquerda estar no poder há mais de vinte anos este panorama persiste?

Pagar mais para o filho do vizinho porque eu não tive competência de educar meu filho???
É pesado e difícil de engolir. Será que nossos sindicalizados e fisiológicos profissionais do ensino não se sensibilizam com isto?

Importação de mão de obra é recorde

Luciano Máximo, Francisco Góes e Vera Saavedra Durão, de São Paulo e do Rio
Valor Econômico

O objetivo é que o imigrante transfira conhecimento ao trabalhador local e retorne a seu país de origem
As concessões de visto de trabalho a estrangeiros no Brasil crescem a uma taxa média anual de 17%. Atraídos pelo bom momento da economia, por altos salários e oportunidades em áreas onde há evidente carência de mão de obra qualificada, quase 180 mil profissionais dos cinco continentes aportaram no país nos últimos cinco anos, de acordo com levantamentos produzidos pela Coordenação Geral de Imigração (CGI) do Ministério do Trabalho. 

Das 11.530 autorizações de trabalho concedidas no primeiro trimestre deste ano - um volume recorde para o período -, 60% foram direcionadas a estrangeiros com diploma universitário, mestrado, doutorado e até PHD.mão de obra é importada principalmente para atuar em setores que vêm recebendo grandes volumes de investimento e demandam alto nível de conhecimento técnico, como petróleo e gás, energia e indústria. Além disso, 80% dos vistos eram vinculados a funções técnicas ou a projetos de transferência de tecnologia. 

O norueguês Lennart Nordby, 48 anos, passou a morar, a partir deste ano, parte do tempo no seu país e parte no Brasil. Ele comanda uma tripulação de 15 homens, dez brasileiros e cinco noruegueses em uma embarcação offshore que opera no apoio às plataformas de petróleo. O boliviano Daniel Colque, que viveu cinco anos ilegalmente no Brasil e agora espera a documentação que vai torná-lo um imigrante legal, representa o outro lado da mão de obra estrangeira no país, a barata e não especializada. A maioria desse segundo grupo de trabalhadores, porém, ainda está fora das estatísticas do Ministério do Trabalho.

Titular da Coordenação Geral de Imigração, Paulo Sérgio de Almeida explica que a maior parte das autorizações para trabalho no país é emitida em caráter temporário, por dois anos, com direito a renovação. O objetivo é que o imigrante transfira conhecimento ao trabalhador local e retorne a seu país de origem.
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