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quinta-feira, 7 de junho de 2018

Um terço dos trilhos no País está abandonado

Bem, procuro ir um pouco além do "lugar comum" das notícias jogadas pela mídia sem qualquer compromisso com o esclarecimento.
Em um pais perdulário como o nosso que, "cheio de direitos" gera uma ENORME dívida ativa pública, temos os chineses como os maiores detentores, possuidores, dos títulos dessa mesma dívida ativa pública desde que Lula alardeou ter "quitado a dívida externa" quando, na verdade, fez uma quitação transferindo recursos dos principais bancos que ele chamava de "zelites" e pago na forma de emissão daqueles títulos.
Isso fez com que os chineses, na perspectiva de nos achar meros detentores de commodities, passassem a investir pesado em nossa economia extraivista e energética. Como sabem que nosso sistema de transporte e escoamento é predominantemente rodoviário, para baratear os custos das safras, produdos animais e minérios passou a investir na "ajuda" aos nossos governos para investir em ferrovias. Só que já sabem que temos outras prioridades e que nossa dívida ativa pública mais a baixíssima capacidade de poupança interna (o que nos faz absolutamente dependentes de investidores externos) não prioriza investimentos em recuperação e deitamento de novos trilhos e infra-estrutura. O que o governo prioriza sabiamente, e recuperar nossa indústria (cerca de 800 BILHÕES de dólares...só para atualizar...só para atualizar e não criar, o parque fabril brasileiro).
Então o que fazem os chineses, articulam com seus partidos (PT, PDT, PSOL etc - lembrem que DEZOITO...DEZOITO partidos liderados por Romero Jucá foram "convidados" à convenção internacional do Partido Comunista...lembrem...quer dizer, se algum dia prestaram atenção a esse fato...) que (agora inferência minha) mobilizaram como eminências pardas, os "caminhoneiros autônomos" a paralisarem o país....
PRONTO!! Ferrovia ficou bem mais "palatável" àquele eleitor que não consegue saber para que um vereador ou senador existe, quanto mais entender de investimentos em infra-estrutura...






Um terço dos trilhos no País está abandonado
Dos 28 mil km de malha ferroviária no Brasil, 8,6 mil estão abandonados e hoje não são usados pelas empresas, segundo dados da ANTT

         
André Borges, O Estado de S.Paulo -07 Junho 2018


O Brasil deixa de usar quase um terço de seus trilhos ferroviários, além de deixar apodrecer boa parte da pouca estrutura que possui nessa área. Os dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontam que, dos 28.218 quilômetros da malha ferroviária, 8,6 mil km – o equivalente a 31% – estão completamente abandonados. Desse volume inutilizado, 6,5 mil km estão deteriorados, ou seja, são trilhos que não podem ser usados, mesmo que as empresas quisessem.

Os números chamam atenção, especialmente depois que a greve dos caminhoneiros expôs a dependência do País em relação ao transporte rodoviário.


Os dados da ANTT foram reunidos em um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que faz um retrato atual da operação da malha ferroviária brasileira. “É um sistema com deficiências, com destaque para o desempenho insatisfatório das concessionárias, ausência de concorrência no mercado e as dificuldades de interconexão das malhas”, afirma a instituição no trabalho Transporte ferroviário: colocando a competitividade nos trilhos, que será divulgado hoje. O material, que integra uma série de 43 documentos sobre temas estratégicos que a CNI entregará aos candidatos à Presidência da República, detalha propostas para a melhoria do setor ferroviário.


“O governo está em vias de decidir sobre a prorrogação antecipada dos contratos de concessão ferroviária. Essa antecipação é uma oportunidade para corrigir erros cometidos nos ano 90, incluindo novos investimentos nos contratos e incorporando o compartilhamento das malhas”, diz Matheus de Castro, especialista em políticas e indústria da CNI.

Dos 20 mil km de malha que são usados no País, cerca de metade tem uso mais intenso. Cerca de 10 mil km têm baixa utilização. As limitações também estão atreladas ao perfil do que efetivamente é transportado pelos trilhos brasileiros. As commodities agrícolas, por exemplo, são raridades no setor, apesar de a região Centro-Oeste ser a maior produtora de grãos em todo o mundo.


Até 2001, 60% do que circulava pelos vagões de trens no Brasil era minério de ferro. Hoje esse volume chega a 77%, número puxado pela Estrada de Ferro Carajás, na região Norte, e pela Vitória – Minas, no Sudeste, ambas controladas pela mineradora Vale.

“O Brasil fez uma opção rodoviarista na década de 60. A rodovia é um modal eficiente, mas quando se pensa em curtas e médias distâncias. As ferrovias, que demandam mais tempo de maturação e investimento, acabaram ficando para trás”, diz Castro.

Atualmente, as estradas brasileiras respondem por 63% do transporte nacional de cargas em geral, enquanto as ferrovias são responsáveis por apenas 21% desse volume, seguidas pelas hidrovias (13%) e o setor aeroviário e estruturas de dutos (3%).

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Desastres ferroviários


GILLES LAPOUGE
O Estado de S.Paulo


O transporte ferroviário não vai muito bem. Sobretudo no caso dos chamados Trens de Alta Velocidade (TGV), uma maravilhosa invenção francesa que permitiu aos trens atingirem velocidades irreais, de 300 ou 350 quilômetros por hora, e se disseminou pelo mundo inteiro, incluindo Canadá e China. 

Há 15 dias, um TGV descarrilou na estação francesa de Bretigny, na região parisiense. Seis mortos. Horror. Esta semana, um trem de alta velocidade espanhol, que fazia o percurso de Madri a Santiago de Compostela, também descarrilou - 80 mortos. Foi aberto um inquérito para saber as razões do desastre. 

As causas não são conhecidas ainda, mas já se sabe que o descarrilamento ocorreu numa curva muito fechada que deveria ser feita à velocidade máxima de 80 quilômetros por hora. Contudo, o trem estava a 190 quilômetros por hora. Algumas testemunhas afirmam mesmo que ele estava a 260 quilômetros. 

Sem esperar as conclusões do inquérito (que jamais entendemos corretamente), acredito que a culpada é a velocidade, um dos flagelos da Idade Moderna. A velocidade multiplamente assassina, delituosa, que, em vez de levar à prisão, recebe medalhas, louros e recompensas. 

As pessoas podem dizer que tenho saudade do carro puxado por cavalos, das lâmpadas de óleo, dos ritmos lentos da Idade Média, que sou um nostálgico. arcaico. Eu responderei logo, sem me deixar intimidar, que "sim, tenho saudade". Mas, em seguida, acrescentaria algumas nuances. 

Certamente estou satisfeito com os aviões que voam com rapidez, sobretudo porque há menos acidentes com eles. Para mostrar que não sou "retrógrado", critiquei o relatório da Academia de Ciências de Paris que, em 1830, protestou contra os primeiros trens que começavam a transportar passageiros em torno da capital francesa. 

Um comunicado alertava os cidadãos para não subirem naquelas máquinas assustadoras que atingiam velocidade de 40 quilômetros por hora. Depois de estudos profundos, os sábios haviam descoberto que, acima de 30 quilômetros por hora, o corpo humano não conseguiria resistir e seus pulmões explodiriam. 

Apesar dos alertas da Academia de Ciências, os trens avançaram. Contudo, precauções eram adotadas. Antes de soar o apito da partida, o chefe da estação travava com um grande martelo as portas dos vagões (à época de madeira) para não abrirem bruscamente em consequência da rapidez diabólica do trem. 

Como resultado, em 1842, um dos grandes exploradores franceses do Polo Sul, Jules Dumont d'Urville, morreu com sua família num acidente ferroviário. O trem descarrilou e incendiou-se. E, como as portas dos vagões estavam travadas, os passageiros não conseguiram escapar. Assim, em lugar do grande explorador francês foi encontrado um bloco de carvão em brasa e fumegante. 

Portanto, não é a velocidade que deploro, mas o seu abuso. Sua inutilidade. As idiotices cometidas. A velocidade tornou-se uma droga e colocou sua terrível pata sobre a nossa sociedade. Vivemos num imenso cronômetro, o olho fixado na pequena agulha dos segundos, porque um segundo "é dinheiro". No entanto, um segundo também é "morte". 

Assim, o tempo tornou-se o produto mais raro e mais luxuoso do nosso século. Há alguns anos, comprei um pão que me foi fornecido enrolado num saco de papel onde o padeiro colocou os "ingredientes" do produto: farinha, fermento, etc. E acrescentou também: "três horas para a massa repousar". Para mim, esse padeiro era um sábio, um poeta. Um milionário em minutos e segundos. E o pão era delicioso. 

Lembro-me também do trem que tomei, em 1946, quando parti da minha província para Paris, que não conhecia. Era um trem venerável. Foram necessárias 36 horas para ele fazer o percurso de 800 quilômetros entre Marselha e Paris. É verdade que as linhas férreas estavam bastante danificadas pelos bombardeios alemães e americanos.

Entretanto, que viagem voluptuosa. De vez em quando, o trem parava em cidadezinhas do interior. Depois, partia. Os campos se abriam diante da nossa pequena locomotiva arquejante e o sol se inclinava lentamente na montanha. 

O céu mudava de cor e o horizonte desaparecia. A noite era um grande túnel e, do outro lado dele, a aurora exibia suas transparências. Então, penetrávamos suavemente no esplendor das coisas.
TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA.
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terça-feira, 3 de maio de 2011

Será que o Brasil entra nos trilhos?

Desde os tempos do Império, país tenta investir no transporte por trem


Ciente das vantagens que o transporte de cargas e passageiros por ferrovia trouxe a países europeus e aos Estados Unidos, o governo brasileiro editou uma lei que autorizava investidores a explorar a construção e operação de estradas de ferro para interligar as regiões da Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. A perspectiva de baixos lucros e altos custos, porém, despertou pouquíssimo interesse e nada foi feito por quase 30 anos.

Contada assim, a história parece referir-se ao passado recente do Brasil, que hoje tem aproximadamente 29 mil quilômetros de estradas férreas em utilização e precisa chegar a 52 mil até 2020 para desobstruir parte dos gargalos que comprometem a competitividade da indústria nacional. Entretanto, ela aconteceu em 1835, no tempo do Império, quando as mercadorias eram transportadas no lombo de mulas, e foi a primeira tentativa frustrada de promover a integração do território nacional a partir do modal ferroviário. Nesta década, 75 anos depois, o setor deve receber uma injeção de R$ 100 bilhões, montante capaz de fazer empresários e analistas acreditarem que, desta vez, a produção nacional finalmente vai andar nos trilhos. O valor é quatro vezes maior do que o aplicado nos últimos dez anos e contabiliza recursos previstos para ser liberados pelos governos federal e estaduais para ampliação da malha férrea urbana e interestadual, de carga e de passageiros, mais aportes que deverão ser feitos pelas concessionárias vencedoras de licitações. Outra parte virá, ainda, de linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Existe a expectativa também de que, pela primeira vez, o transporte de pessoas receba a maior parte dessa vultosa quantia – aproximadamente R$ 75 bilhões –, o que seria considerado um dos principais avanços na política para o setor. Só a ampliação do sistema metroviário de São Paulo, incluindo a construção de novas linhas e melhoramento da rede de trens metropolitanos, deve consumir algo próximo a R$ 6 bilhões até 2014.

Além da capital paulista, o Rio de Janeiro promete investir quase R$ 10 bilhões para melhorar seu sistema de trens e metrô até 2016, um dos compromissos assumidos pelo país para sediar os Jogos Olímpicos. Brasília, Recife, Salvador, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Alagoas e Porto Alegre também têm projetos para aumentar a oferta de transporte ferroviário. “Existe um problema grave de mobilidade em quase todas as cidades, que expõe os passageiros aos mesmos gargalos do transporte de cargas. Praticamente todos os sistemas ferroviários municipais e intermunicipais do Brasil têm planos de expansão”, comenta Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer).

Velocidade máxima

Dentro desse plano de investimentos, um dos projetos mais caros e polêmicos, capitaneado pelo governo federal, diz respeito a uma linha de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, que passa por regiões de alta densidade demográfica como o vale do Paraíba e pode custar R$ 33 bilhões. A ideia acendeu uma discussão inflamada entre especialistas. Os opositores contestam os estudos preliminares, afirmando que a demanda prevista de 32 milhões de passageiros por ano foi superestimada e que os gastos com a obra, grande parte financiados com verbas públicas, serão bem maiores do que os divulgados inicialmente. Além disso, eles alegam que o trajeto não está bem planejado.

Os defensores, por sua vez, dizem que a distância entre as duas principais cidades do país, 430 quilômetros, é ideal para a instalação de trens que podem atingir até 300 quilômetros por hora, amplamente difundidos na Europa e no Japão e cuja tecnologia precisa ser incorporada o mais rapidamente possível pela indústria nacional. Eles afirmam também que a demanda de passageiros crescerá com o tempo e o investimento inicial será recuperado, pois a expectativa de uma receita anual de R$ 2 bilhões seria conservadora.

A polêmica foi tão grande que o governo federal teve de adiar, de 16 de dezembro de 2010 para 29 de abril de 2011, o leilão para ceder à iniciativa privada a construção e operação do trem-bala brasileiro. De acordo com o diretor geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, a decisão foi tomada para atender ao pedido de grupos de investidores, que necessitavam de mais tempo para finalizar estudos de viabilidade. Até a primeira data marcada, apenas um consórcio, coreano, havia manifestado o desejo de participar da licitação. Com o adiamento, acredita Figueiredo, serão mais quatro. “O governo busca a melhor proposta e não poderíamos ficar alheios ao interesse de alguns grupos”, afirma o diretor, sem citar quais são as outras empresas dispostas a entrar na concorrência. Para complicar, a ANTT terá de encontrar uma maneira de driblar a recomendação do Ministério Público Federal do Distrito Federal de que suspenda o leilão porque as avaliações de impacto social e ambiental da obra não estariam satisfatórias.

A União, no entanto, confia tanto no sucesso do empreendimento que está disposta a usar dinheiro público para garantir o início das obras. Em medida provisória editada nos últimos meses de mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o BNDES foi autorizado a emprestar R$ 20 bilhões aos vencedores da licitação, com juros subsidiados, prazo de pagamento de 30 anos e seis meses de carência após o início da operação, previsto para 2016. O texto inclui ainda a diminuição dos juros caso a receita inicial gerada seja menor que a esperada e o ressarcimento do banco pelo Tesouro Nacional se o consórcio não pagar o empréstimo. O governo pretende que um dos maiores clientes do futuro trem seja a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, que tem 80% do tráfego de seus serviços concentrado entre Rio de Janeiro e São Paulo e, por isso, poderia ter um vagão exclusivo para o transporte das mercadorias despachadas diariamente.

Ascensão e queda

O Brasil já teve uma quantidade razoável de passageiros e cargas transportada por trens, mas a falta de planejamento de longo prazo e as crises econômicas fizeram o movimento decrescer ao longo dos anos e impediram uma integração eficiente entre regiões do interior e os portos. No final da década de 1950, quando as fronteiras agrícolas eram menores e a produção industrial era um embrião em comparação à atual, o país contava com cerca de 40 mil quilômetros de trilhos, quase 11 mil a mais que atualmente. A primeira ferrovia brasileira foi inaugurada em 1854, construída por Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá, para ligar o Porto de Estrela, na baía da Guanabara, até Raiz da Serra, próximo à cidade de Petrópolis (RJ), onde a família imperial costumava veranear. O transporte de passageiros, na época, era feito por uma locomotiva a vapor chamada de Baronesa, que funcionou por mais de 30 anos.

Exemplo do planejamento falho é o fato de as ferrovias terem crescido para atender, na maioria das vezes, ciclos econômicos curtos e específicos, como o da borracha, no início do século 20. Concluída em 1912, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi construída como forma de compensar a Bolívia pela cessão do território do atual estado do Acre e sua função era levar o látex extraído das seringueiras amazônicas na região norte daquele país até a parte navegável do rio Madeira, pelo qual alcançaria o Amazonas e por fim os terminais portuários. O trecho ferroviário de 366 quilômetros de extensão, entre as cidades rondonianas de Guajará-Mirim e Porto Velho, parecia ser a melhor solução para vencer as cachoeiras e corredeiras intransponíveis no rio Madeira, mas a construção da via, iniciada em 1907, mostrou-se uma tarefa difícil por conta do terreno e do ambiente hostil.

Estima-se que 6 mil operários, entre brasileiros, bolivianos, colombianos, ingleses, italianos, americanos e de outras nacionalidades, morreram durante a obra, vítimas de doenças como malária e febre amarela, de picadas de cobras e ataques de tribos indígenas, fato que valeu à estrada o apelido de Ferrovia do Diabo. Menos de 20 anos após o término da obra, os seringais da Malásia já conseguiam produzir látex com custo muito mais baixo e o comércio com a América do Sul entrou em declínio. Sem outra função a não ser o transporte desse produto, a ferrovia foi abandonada pela Madeira-Mamoré Railway Company e voltou à administração do governo brasileiro, que a manteve em funcionamento por mais 40 anos, mesmo com prejuízos e críticas aos serviços prestados. Sua incrível história, no entanto, fez com que passasse a integrar o Patrimônio Histórico Nacional e já serviu de inspiração a um livro e uma minissérie. Um pequeno trecho próximo à capital de Rondônia está sendo restaurado para a realização de passeios turísticos.

Nas regiões sul e sudeste, o desenvolvimento ferroviário seguiu a mesma lógica, o que proporcionou o surgimento de diversas pequenas estradas de ferro destinadas a escoar a produção agrícola, principalmente café, até os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), no Paraná. Até 1930, o estado de São Paulo contava com 18 ferrovias, metade delas com menos de 100 quilômetros de extensão, destinadas a fazer a ligação com os grandes ramais que levavam até o litoral. Com o fim desse ciclo, os trilhos e equipamentos foram abandonados e boa parte deles permanece sem uso. O desinteresse pelas ferrovias atingiu o auge há 60 anos, quando o governo brasileiro, diante da necessidade urgente de interligar o país para conseguir exportar alimentos e estimular o desenvolvimento da incipiente indústria, passou a investir em rodovias, cuja construção é mais rápida e barata. “O modelo rodoviário mostrou-se adequado para as necessidades daquele momento e funcionou, com erros e acertos. Mas agora é preciso expandir a oferta de transporte para podermos ter competitividade”, avalia Abate, da Abifer.

Nessa mesma época, em 1957, quase todas as estradas de ferro passaram a ser administradas pela Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), estatal criada naquele ano. Ficaram excluídos apenas 5 mil quilômetros aproximadamente das linhas de São Paulo, mas em 1971 eles foram englobados na Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), instituída pelo governo estadual. Nos anos seguintes, as crises econômicas e a falta de investimentos levaram as duas empresas à falência. Com dívidas exorbitantes, a RFFSA foi incluída no Programa Nacional de Desestatização, lançado em 1990, e seus ativos foram leiloados em 1996. A Fepasa também foi vendida, depois de ser incorporada em 1998 à estatal federal, finalmente extinta um ano depois. A operação das ferrovias ficou, então, a cargo de empresas privadas que adquiriram a concessão dos serviços de transporte e se comprometeram a investir na recuperação das linhas.

De lá para cá, avanços importantes ocorreram na modernização das ferrovias e no volume transportado. Segundo dados da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), cujas empresas afiliadas detêm a concessão de 28,3 mil quilômetros de vias férreas, desde a privatização foram investidos R$ 23 bilhões no setor e o total de cargas saltou de 256 milhões de toneladas, em 1999, para 460 milhões em 2010. A malha, porém, não foi ampliada, assim como o tipo de mercadorias transportadas. Aproximadamente 80% delas são minério de ferro e carvão mineral, insumos produzidos por grandes conglomerados como Vale, Usiminas e CSN, que controlam as operadoras logísticas. “O primeiro ponto a destacar, na questão do transporte ferroviário, é que, em 14 anos, a iniciativa privada recuperou o que existia e alavancou o investimento. Agora, é preciso aumentar a malha e ajustar o marco regulatório, para que os investidores possam injetar dinheiro, corrigir deficiências e agregar novos produtos ao transporte. Há grandes expectativas para esta década, quando finalmente parece que teremos um planejamento estratégico para a área de transportes”, afirma Rodrigo Vilaça, diretor executivo da ANTF.

Crescimento planejado

Uma das razões para otimismo é o Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), desenvolvido pelo Ministério dos Transportes e elogiado por reunir estratégias de melhoria e crescimento integrado para todos os modais – aéreo, rodoviário, marítimo e ferroviário. De acordo com suas diretrizes, até 2025 as ferrovias deverão ter participação de 35% na matriz nacional de transportes – 10% a mais do que representam atualmente e 5% acima do que é estimado para as rodovias no mesmo ano. O PNLT também serve como base para a aplicação dos investimentos públicos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, que entra em sua segunda fase no mandato da presidente Dilma Rousseff. Para que esses números sejam alcançados de verdade, no entanto, apenas os R$ 43 bilhões prometidos pelo poder público até 2014 para a expansão ferroviária não serão suficientes. De acordo com os especialistas, é preciso resolver outras questões delicadas que não estão ligadas apenas à verba disponível.

As regras para concessão à administração privada das ferrovias que já estão prontas e das que serão construídas são um dos pontos mais importantes nessa discussão. O novo marco regulatório deveria ter sido aprovado no ano passado, mas ainda depende da sanção da presidência da República por conta de tópicos polêmicos e questionamentos das empresas que já operam o sistema. O maior problema está no destino que será dado a boa parte da malha licitada, mas que está subutilizada – segundo a ANTT, menos de metade dos trilhos existentes no país tem a passagem de ao menos um trem por dia.

A proposta do governo é que os trechos com baixa movimentação de carga retornem para a União, sob a administração da estatal Valec – Engenharia, Construções e Ferrovias, e possam ser utilizados por outras empresas que possuam composições próprias mediante o pagamento de taxas menores que as cobradas atualmente pelas companhias que detêm as concessões. Na visão governamental, o acordo existente de concessão não teve sucesso para incentivar o crescimento da malha ferroviária e, por isso, precisa ser alterado.

De acordo com as empresas, a retomada de trechos de ferrovias sem algum tipo de compensação desrespeita os contratos firmados na metade da década de 1990. “Ferrovias não são um negócio para amadores, são projetos que alcançam resultados em médio e longo prazo. Os benefícios serão vistos daqui a seis ou oito anos. Além disso, é preciso que os aeroportos, portos e rodovias estejam mais bem equipados e, de alguma maneira, interligados às ferrovias”, afirma Vilaça.

Outra necessidade urgente que deve ser objeto de projetos ferroviários é o atendimento de importantes setores da economia, ligando polos industriais e áreas agrícolas de grande produção aos centros consumidores das regiões sul e sudeste. Levantamento realizado entre profissionais de diferentes segmentos produtivos pelo Instituto de Logística e Supply Chain, que conta com professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, verificou que a baixa disponibilidade de rotas ferroviárias no Brasil praticamente inviabiliza a distribuição de produtos por esse tipo de transporte.

Estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com empresários de 20 setores diferentes vai na mesma direção e mostra que 65% dos entrevistados passariam a utilizar os trens se houvesse essa opção. Como base de comparação, a Alemanha, país cuja área territorial é 95% menor que a brasileira, possui quase 20 mil quilômetros a mais de trilhos. “Se o Brasil construir as ferrovias, a demanda aparecerá. Para longas distâncias, transporte sobre trilhos é mais versátil, tem menor custo e se torna mais viável para cargas de alto volume e baixo valor agregado”, afirma o coordenador do Ipea, Carlos Campos Neto.

Uma última preocupação diz respeito à segurança e à velocidade do transporte praticado sobre trilhos. Estima-se que, no Brasil, cerca de 200 mil famílias morem dentro da faixa de segurança que deveria existir à margem das ferrovias, que varia de 7 a 12 metros, dependendo das condições do terreno. Essas invasões, na maioria das vezes ignoradas pelos administradores públicos, além de colocar em risco a população, obrigam as locomotivas a diminuir bastante a velocidade, quando não a parar totalmente, aumentando o tempo de viagem. As excessivas passagens de nível – cruzamentos das ferrovias com rodovias – são outro motivo constante de reclamação de quem atua na área.

Carga pesada

O principal projeto para assegurar a expansão necessária é a conclusão da Ferrovia Norte-Sul, responsável por ligar Açailândia (MA) a Panorama (SP), em um trecho de mais de 2 mil quilômetros. Essa via é chamada pelos técnicos do governo de “espinha dorsal do transporte ferroviário brasileiro”, porque facilitará conexões com outras estradas que levam até os portos e atenderá regiões produtoras de grãos do centro-oeste e zonas industriais do nordeste e do sudeste. A ferrovia começou a ser construída em 1987 e já tem uma pequena parte concluída, 215 quilômetros, que são utilizados pela Vale para levar minério até a Estrada de Ferro Carajás, a qual alcança o Porto de Itaqui, no Maranhão. Outros trechos, que representam 70% do restante do trajeto, estão em obras, mas a entrega teve de ser adiada por problemas causados pela troca das empresas contratadas pelo governo para a construção. A expectativa é que toda a Norte-Sul esteja concluída até 2012, a um custo estimado de aproximadamente R$ 7 bilhões.

Para o setor do agronegócio, uma das ferrovias mais importantes é a chamada linha Leste-Oeste, cujo objetivo será conectar o porto baiano de Ilhéus ao interior do Tocantins. Com aproximadamente 1,5 mil quilômetros e previsão de custo de R$ 6 bilhões, essa ferrovia estará ligada ao eixo Norte-Sul e, segundo a Valec, estimulará o desenvolvimento da produção agrícola do oeste da Bahia. É inegável, porém, que também atenderá outros interesses empresariais, pois permitirá um escoamento mais rápido do minério produzido na região de Caetité, no interior do estado.

A Ferrovia Transnordestina, com conclusão prevista para 2012 e custo estimado em R$ 5,4 bilhões, é um projeto encabeçado pela CSN e vai ligar os portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, ao Piauí. Sua implantação ajudará, de acordo com o governo, a aumentar a competitividade da produção agrícola na região.

O Ferroanel de São Paulo, obra que estava prevista na primeira fase do PAC, mas não tem prazo para sair do papel por causa de disputas políticas, é outro projeto considerado essencial para aprimorar o escoamento da produção. O projeto, orçado em R$ 2 bilhões, previa a interligação das principais ferrovias do estado, aproveitando parte do trajeto do rodoanel, via que possibilita aos caminhões alcançar diferentes rodovias sem passar pelo trânsito caótico da capital. O Ferroanel permitiria uma distribuição mais eficiente da carga sem a necessidade de utilizar os trilhos ocupados pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos para o transporte de passageiros.

Apesar dessas vantagens, o destino de boa parte das mercadorias movimentadas pelo Ferroanel acabaria sendo o porto do Rio de Janeiro e não o de Santos, como deseja o governo estadual. Mais do que isso, não ficou claro como as empresas concessionárias que exploram as linhas paulistas seriam remuneradas e o projeto, então, foi paralisado – uma prova de que, mesmo com verbas disponíveis, estudos atualizados e a necessidade clara de expandir o transporte sobre trilhos, o apoio político ainda se move à velocidade de uma maria-fumaça e pode colocar em risco o tão esperado crescimento do setor ferroviário no país.
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quarta-feira, 30 de junho de 2010

As ferrovias da China

É o motivo básico sobre o qual a China se categoriza para ser a segunda economia mundial.

Sugiro uma leitura na íntegra considerando o território da China que possui um índice menor do que 20% de terras baixo-plano, as demais são cadeias de montanhas, desertos (de terra ou gelo) e charcos onde aglomeram-se 1,4 bilhões de pessoas.

O texto tangencia assuntos já abordados neste blog (cujo principal objetivo é lhes proporcionar grandes e necessários temas para leitura e reflexão) onde abriga artigos que mostram a fragilidade de nossa malha viária (rodo, ferro e aquaviárias) para um país que busca ser quinta economia no mundo onde mais de 60% de sua população vive aglomerada em torno de grandes centros causando os problemas já conhecidos que finalizam em violência urbana e inseguridade social.

É uma decisão de sociedade, de Estadista que conta com uma idiossincrasia social de pessoas de cultura milenar que pensam no desenvolvimento coletivo.

A propósito, este avanço não seria possível se movimentos sociais de ambientalistas estivessem prevalecendo nas decisões de Estado. Se assim fora eles ainda seriam colônia da Inglaterra.

Muitos não concordarão, mas dou razão ao que, acidentalmente, a Dilma Roussef falou quando disse que "O meio-ambiente é a maior ameaça ao desenvolvimento." Primeiro temos que desenvolver, diminuir a desigualdade social para, então, nos darmos ao luxo de conduzir a sociedade para preocupações com meio-ambiente, pois em função de nossa baixa capacidade de educação e formação, a expressiva quantidade de postos de trabalho necessários, infelizmente, impactam o meio-ambiente, de uma forma ou de outra. Entre as araras azuis e os mico-leões dourados e a criança no meio-fio limpando pára-brisas sou mais este último e que se lasquem os primeiros. Curto e grosso.

Esse tipo de projeto e de assunto, meus amigos, deveria ser assunto de mesa de jantar de todo e qualquer brasileiro. Sem infra-estrutura não há geração de emprego, sem geração de emprego não há diminuição da desigualdade social e sem esta diminuição a violência urbana e rural não dimunuirão, simples assim.





No ano que vem, quando entrar em funcionamento a linha de alta velocidade Pequim-Xangai, que cobrirá os 1.318 km que separam as duas principais cidades da China em quatro horas, contra as dez atuais, o país terá dado um passo de gigante para se transformar em uma das primeiras potências do mundo em transporte ferroviário veloz. O trem se somará assim a outros setores em que Pequim quer ocupar um lugar de liderança, como o aeronáutico e o automobilístico.


Os planos chineses de investimento em alta velocidade são vertiginosos. Em 2008, por ocasião dos Jogos Olímpicos, o país inaugurou sua primeira linha de longa distância, que vence em 30 minutos os 117 km que separam Pequim da cidade portuária de Tianjin. Desde então, entraram em funcionamento outras duas: Wuhan-Guangzhou (1.068 km) e Xian-Zhengzhou (505 km).


Para 2012, a China prevê que sua rede ferroviária chegue a 110 mil km, contra os 86 mil atuais. Deles, 13 mil serão de alta velocidade - contra 6.500 hoje -, mais que qualquer outro país do mundo. O trajeto entre Pequim e Hong Kong ficará reduzido a oito horas, em vez das 23 atuais. Para 2020 as redes se estenderão por 120 mil e 50 mil quilômetros, respectivamente.


Contar com boas infraestruturas - como rodovias, aeroportos e ferrovias - foi uma das prioridades do governo desde que lançou o processo de abertura e reforma em 1978. "É muito importante para desenvolver a economia. Quando se melhora o transporte, podem-se utilizar os recursos de forma mais eficiente e fabricar com menores custos. Além disso, é importante para atrair investimentos", afirma Lu Huapu, diretor do Instituto de Comunicações da Universidade Qinghua, em Pequim.


A China distingue dois tipos de alta velocidade: linhas destinadas a trens que circulam a 350 quilômetros por hora e linhas para comboios que rodam a 200-250 km/h. As segundas são compartilhadas com trens regionais de carga. Desde 2004 também tem a primeira linha comercial de levitação magnética, que liga o aeroporto de Pudong com a cidade de Xangai (30 km) em pouco mais de sete minutos.


A alta velocidade chinesa é um coquetel de desenvolvimentos próprios e tecnologia estrangeira: alemã (Siemens), francesa (Alstom) e japonesa (Shinkansen), entre outros. Graças a essa prática, os engenheiros chineses estão desenvolvendo um novo trem-bala para o trajeto Pequim-Xangai, capaz de alcançar 420 km/h, o que permitirá garantir velocidades de 380 km/h.


A China busca movimentar rapidamente grandes massas de pessoas, produtos e matérias-primas para responder às necessidades de seus 1,3 bilhão de habitantes e sua economia. A rede ferroviária sofre sérios congestionamentos há anos. "Queremos evitar que o principal meio de transporte seja o rodoviário", afirma Lu. Prevê-se que o mercado chinês de equipamentos ferroviários se multiplique por cinco, de uma média de US$ 10 bilhões anuais (período 2004-2008) para US$ 50 bilhões ao ano entre 2009 e 2013.


Os planos de Pequim não se limitam ao mercado interno, mas cruzam as fronteiras e se estendem pela geografia asiática, ao longo de três rotas, até a Europa, com quem Pequim quer estar ligada por trens velozes até 2025, segundo revelaram recentemente acadêmicos chineses. "Se o sistema for concluído, será mais fácil conseguir recursos naturais, especialmente petróleo e gás, em Mianmar, Irã e Rússia", disse Wang Mengshu, membro da Academia Chinesa de Engenharia, na imprensa oficial.



Os projetos chineses estão mudando o panorama mundial da alta velocidade, até agora nas mãos de companhias ocidentais e japonesas. Empresas chinesas estão construindo linhas velozes na Turquia e na Venezuela. E outros países, como EUA, Rússia e Brasil, demonstraram interesse pela oferta asiática.



A China South Locomotive and Rolling Stock (CSR), o maior fabricante do setor, se associou à alemã Siemens para licitar uma linha de alta velocidade na Arábia Saudita, enquanto o Ministério de Ferrovias assinou em novembro passado um acordo com a General Electric pelo qual a companhia americana participará da expansão ferroviária do país mais populoso do mundo, em troca de cooperar com empresas chinesas nas licitações americanas de alta velocidade. A CSR pretende que as exportações passem de 5% do faturamento que representaram em 2009 para 20% antes de cinco anos.


Os investimentos em infraestrutura foram reforçados com o plano de estímulo no valor de 4 bilhões de iuanes (478 mil euros) aprovado em novembro de 2008 para enfrentar a crise econômica global.


Mas as ambições velocistas de Pequim têm seus críticos. Alguns especialistas duvidam de sua rentabilidade e sustentabilidade. A influente revista chinesa "Caijing" qualificou o esforço como o novo salto para a frente, referência à catastrófica industrialização promovida por Mao Tse ung entre 1958 e 1960. A publicação aponta a dívida gerada pelas ferrovias. A isso somam-se as críticas de muitos passageiros pelo alto preço das passagens. "Isto é um grande desafio. A política de preços ainda está em discussão", afirma Lu.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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quinta-feira, 25 de março de 2010

A volta do trem

A tônica tem a ver com infra-estrutura imprescindível para nosso desenvolvimento social e econômico.

O desenvolvimento, a geração de postos de trabalho, a diminuição da violência urbana e o combate à exclusão social passam, necessariamente, pelo desenvolvimento e ampliação das malhas viárias, em especial neste momento de esgotamento do modal rodoviário, a ferroviária.

O escoamento de pessoas, bens e serviços são mais eficientes usando-se o modal ferroviário, notadamente considerando-se aspectos de impactos ambientais.

Houve um momento na História, tendo-se como um dos objetivos o de se dar vazão ao refugo do petróleo produzido, na forma de asfalto, que o modal rodoviário teve maior prevalência. Também pesou nesta ocasião, a topografia muito acidentada de nossas regiões próximas ao litoral, o que inviabilizava o investimento maior em máquinas de forte tração.

O argumento da maior integração entre as cidades e seus vilarejos satélites ajudou, por fim, na escolha e priorização das rodovias, além de ser um maior captador de mão-de-obra de ocupação momentânea.

Agora temos o sufocamento das vias de acesso notadamente próximas aos centros urbanos, assim, creio que a escolha do modal ferroviário ajudará, em muito, na correção dos problemas existentes de trânsito, enchentes, distribuição de energia elétrica, inclusão social e diminuição da violência urbana.

Apesar da reportagem focar mais a região sudeste, vale a pena acompanhar este tema.


A volta do trem


Três décadas depois de terem sido eliminados do cenário brasileiro, os trens interurbanos de passageiros voltam a merecer a atenção das autoridades e, se alguns dos planos já anunciados saírem do papel, eles estarão em operação dentro de poucos anos. Não se trata de mero saudosismo. Como em vários outros países, também aqui o transporte ferroviário de passageiros pode ter um importante papel no alívio dos congestionamentos em vias urbanas e nas rodovias e também na desconcentração das atividades econômicas e da população, o que acabará resultando na melhora da qualidade de vida nas grandes cidades.

[A propósito de haver projetos para ampliação de cidades próximas a capital paulistana]
"Acabariam os congestionamentos nas estradas", prevê, com muito otimismo, o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos, Aílton Brasiliense. Para ele, é importante que um país classificado entre as principais economias do mundo, como o Brasil, tenha opções eficientes de transporte por avião, por rodovia e por ferrovia.

O transporte ferroviário interurbano de passageiros teve grande importância no País. Quatro dezenas de pequenas e grandes empresas operaram redes que chegaram a transportar 100 milhões de passageiros em 1960, sem contar o transporte urbano e o suburbano. Por falta de interesse das autoridades e pelos estímulos oferecidos pelo transporte rodoviário, o trem de passageiros ficou praticamente limitado ao transporte urbano (em São Paulo, com o Metrô e a CPTM).

Trens de passageiros de longa distância continuam em operação em países de dimensões continentais, como EUA, Canadá, Rússia, Índia e China, mas, no resto do mundo, o transporte de passageiros por ferrovia passou por transformações, sobretudo, a partir do momento em que empresas privadas passaram a operá-lo. Há, atualmente, uma forte predominância de ligações de média distância.

As ligações ferroviárias chamadas de regionais, com até 200 km de extensão, têm grande demanda e, em geral, não envolvem grandes investimentos na infraestrutura básica e nos sistemas de controle e segurança operacional, pois, em geral, utilizam redes preexistentes. Os maiores investimentos costumam ser nos próprios trens, que devem oferecer aos usuários conforto, segurança e confiabilidade suficientes para fazê-los abandonar ônibus ou automóveis e escolher o trem.

[...] No plano federal, o Ministério dos Transportes iniciou estudos de viabilidade econômico-financeira de dezenas de ligações ferroviárias, inclusive no Estado de São Paulo, com o objetivo de selecionar 15 nas quais concentraria recursos, parte dos quais financiados pelo BNDES. O governo federal tem também o plano de construção do trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro, com extensão até Campinas. 
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