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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Encantação da Primavera


Mário Quintana 

Brotam brotinhos na tarde feita
  Só de suspiros:
  O amor é um vírus...
  Apenas o general de bronze continua de bronze!
  O vento desrespeita todos os sinais do tráfego.
  Velhinhos de gravata borboleta
  Sobem e descem como autogiros.
  O guarda de trânsito virou catavento.
  As mulheres são de todas as cores como esses
  manequins expostos nas vitrinas,
  E onde é que estão, me conta, as tuas esperanças
  mortas?!
  Lá vão elas ^Ö tão lindas ^Ö vestidas de verde
  Como Ofélias levadas pelos rios em fora
  Enquanto eu nem me atrevo a olhar para o alto:
  repara se não é
  O Espírito Santo que vem descendo em lento vôo
  E até ele, até Ele, deve estar assim, ^Ö todo irisado
  Como os olhos das crianças, como as maravilhosas
  bolinhas-de-gude!
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Presença

Mário Quintana

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
a folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te! 

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sábado, 4 de setembro de 2010

Viver

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Viver

Mário Quintana
Quem nunca quis morrer
Não sabe o que é viver
Não sabe que viver é abrir uma janela
E pássaros pássaros sairão por ela
E hipocampos fosforescentes
Medusas translúcidas
Radiadas
Estrelas-do-mar... Ah,
Viver é sair de repente
Do fundo do mar
E voar...
e voar...
cada vez para mais alto
Como depois de se morrer! 
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