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segunda-feira, 13 de maio de 2019

7% para 30% de "cortes na Educação"

Para uma sociedade AVESSA a falar de política e com ojeriza a leitura, fica muito fácil se ludibriada pelo evidente e profuso mal caratismo de nossa mídia.
A explicação abaixo é dada por um CONTUMAZ CRÍTICO de Bolsonaro, contudo vale a pena ler.
***

Sobre o contingenciamento e a regra de ouro - JOÃO LUIZ MAUAD
INSTITUTO LIBERAL

É tanta confusão e tanta dificuldade do governo para explicar o tal contingenciamento, que resolvi tentar eu mesmo.

O contingenciamento é necessário para que a administração se mantenha dentro da chamada “regra de ouro”, que permite ao governo aumentar a dívida pública somente para pagar dívidas antigas ou fazer investimentos – e nunca para pagar despesas de custeio (salários e outras despesas). Essa regra só pode ser quebrada, como deseja o governo, com autorização do Congresso, através da abertura de crédito suplementar, que deve necessariamente ser aprovado até 30 de junho. É o que diz a Constituição:


“Art. 167. São vedados:

III – a realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta;”

O contingenciamento já foi feito diversas vezes em governos anteriores, sem todo esse estardalhaço, pois o desrespeito à “regra de ouro” implica em crime de responsabilidade. Logo, a menos que Bolsonaro quisesse sofrer um processo de impeachment, não tinha outra alternativa, pelo menos enquanto o congresso não aprova o pedido de crédito suplementar, de $ 248 bi.

PS: sobre o tal corte de 30% nas universidades federais, ao contrário do que vem dizendo a imprensa, ele é falso. O corte total é de aproximadamente 7%. De onde vêm os 30%? Esse é o percentual a ser aplicado, mas apenas em cima das verbas discricionárias, não alcançando salários e outras despesas obrigatórias.

João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

A origem do problema das invasões de propriedade no Brasil

João Luiz Mauad


O desabamento do prédio da antiga sede da Polícia Federal, no centro de São Paulo, na madrugada do dia 1º de maio é daqueles episódios ilustrativos da imensa precariedade em que se encontra uma das mais importantes instituições jurídicas que existem em qualquer país civilizado: o direito de propriedade.

O prédio de 24 andares foi invadido, ainda nos anos 90, por um dos vários movimentos que se dizem defender os direitos dos sem teto, mas que, de fato, se especializaram em tirar dinheiro dos pobres coitados que caem nas suas garras.

Estima-se que existam hoje cerca de 70 imóveis invadidos na cidade de São Paulo, todos eles sob a chancela de algum “movimento social”, que cobra aluguéis que variam de R$200,00 a R$500,00.  (Neste programa “Profissão Repórter”, exibido pela Rede Globo, no ano passado, temos uma boa ilustração de como funciona o esquema de invasões e ocupações de imóveis, que conta com a ajuda de organizadores bem treinados, advogados e até artistas.)

Logo após o desabamento, como era natural que ocorresse, apareceram notícias, comentários e análises mostrando o drama das famílias e o papel dos ditos “movimentos sociais” nas invasões.  Conforme ia ficando claro o absurdo por trás dessas ocupações ilegais, começaram a aparecer também os advogados de defesa dos invasores, não só nos tribunais, como na mídia.

Foi o caso de um artigo publicado pela folha de São Paulo, em que o autor se esmera em inocentar os verdadeiros culpados e jogar a responsabilidade integralmente sobre o “Poder Público”. Diz o valente:

“O drama desta terça (1º) não pode ser usado para culpabilizar os movimentos que lutam por moradia digna bem localizada nem para impulsionar uma política de higienização do centro. Ao contrário, deve deflagrar iniciativas governamentais para, em conjunto com os movimentos sérios, formular e implementar uma estratégia de produção massiva de habitação social em áreas bem localizadas.

É essencial diferenciar os movimentos sociais sérios, que contribuem para o enfrentamento do problema, de estelionatários que ocupam prédios apenas para explorar famílias pobres, cobrando aluguéis de espaços sem segurança.

A ocupação de prédios que não cumprem sua função social se iniciou nos anos 1990. Além de organizar famílias que buscavam um abrigo próximo ao trabalho, os movimentos de moradia denunciavam a especulação e pressionavam o poder público por programas de produção de habitação no centro.”

O intuito principal do autor é, obviamente, tentar separar o joio do trigo. Ou melhor, absolver de antemão o famigerado MTST, jogando a responsabilidade pelo descalabro que acontecia do interior daquele edifício nas costas de um movimento “concorrente”.

Mas o que chamou mesmo a atenção deste escriba foi a frase que começa o último parágrafo acima transcrito. Ela diz: “A ocupação de prédios que não cumprem a sua função social se iniciou nos anos 1990”. Eis aí, em poucas palavras, a origem de um problema que vem se agravando, não só nas cidades, como também no campo, desde que foi promulgada a Constituição de 1988.

Qualquer país minimamente civilizado e com alguma intenção de prosperidade concede aos indivíduos garantias inequívocas de que seus direitos de propriedade serão respeitados. Já em Pindorama, resolveram colocar na Constituição Federal uma cláusula que relativiza completamente o direito de propriedade, subordinando-o a uma abstrata “função social”, que ninguém sabe direito o que é, e sobre cuja interpretação os socialistas temporãos tupiniquins têm feito barba, cabelo e bigode, ocasionado uma enorme insegurança jurídica, especialmente aos proprietários de terras e imóveis urbanos.

Invasão de propriedade privada, algo que deveria ser uma mera questão de polícia, tornou-se uma questão política, além de um negócio altamente lucrativo para alguns sedizentes “movimentos sociais”. Um crime comum grave, passível de prisão em flagrante em qualquer lugar onde o direito de propriedade é respeitado, transformou-se, no Brasil, em meio de vida – político e financeiro.  Não à toa, o líder do principal movimento por trás de invasões imobiliárias urbanas no país é hoje, nada mais nada menos, que candidato a presidência da república por um partido de extrema esquerda.

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