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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Quando Evangivaldo caminhou sobre as águas


Por Jefferson Santos

Lessons Learned é o nome do jogo. As lições aprendidas, em toda e qualquer atividade do ser humano, não devem ser desqualificadas, muito menos ignoradas.

As lições aprendidas são fundamentais como fecho do processo da aquisição do conhecimento. Há o dado, já a informação é o uso dado em um contexto específico e definido. O conhecimento, por sua vez, é fruto da reflexão crítica deste binário com a experiência que você, e se você for esperto para acreditar e aproveitar, e outros já tiveram.

Os registros em manuais, livros de bordo, livros de manutenção e, na parte gerencial da empresa, as notas e relatórios de toda sorte, servem para o fim de registrar a experiência que alguém teve ao finalizar um voo ou um projeto.

Os manuais, normas e diretrizes via de regra são abrangentes e genéricos. Já as notas, adendos, memorandos e circulares tratam do conteúdo dos anteriores de forma mais amiúde. E aí caracteriza-se, muito bem, a capacidade dos viventes de uma determinada organização avolumarem o patrimônio do "Conhecimento organizacional".

Exemplos práticos são muitos e de toda sorte. Como exemplo tive, como piloto, experiências de seguir manuais e diretrizes elaborados de forma genérica em localidades onde pouco se tinha, naquelas brochuras, para se utilizar, sobretudo em situações críticas.

Cito os cuidados que se tem ao se preparar uma aeronave para pernoite em locais remotos. Os manuais são escritos em países e sociedades mais organizadas o que pressupõe que o elenco de experiências que os autores têm acerca de uma atividade específica é dado a partir do que ele vai encontrar em seu país. Assim, a título de exemplo, cuidados em proteger entrada de motores ou conjunto de trens de pouso contra aninhamentos de cobras ou animais em busca do calor remanescente da estrutura ou do motor da aeronave (o calor demora a se esvair, sobretudo se o corte dos motores é noturno) dificilmente são encontrados em manuais escritos em uma sociedade onde a expressiva maioria dos pátios de estacionamento e guarda de aeronaves tem infraestrutura que não facilita a existência daqueles exemplos. Talvez se nosso país se desenvolver bastante para criar uma fábrica ou montadora de aeronaves na região amazônica ou próximo ao pantanal tais exemplos passem a figurar o elenco de exemplos a serem registrados nos manuais de fábrica. Até lá o mais prudente é se valer do que há escrito por alguém que já passou dificuldades.

Levando as considerações para o lado gerencial em uma empresa, a vantagem de se acudir da experiência de outrem, que teve o cuidado de registrar já dá uma ótima dianteira em relação aos outros colegas se você for chamado para participar de um grupo de trabalho para um projeto inusitado... para os demais, até então. Você, prudente e cuidadoso, já teve o tino de amealhar-se do máximo de informações disponíveis e partir para a reunião de "brainstorming" de um projeto com muito mais informação que os demais.

Outra vantagem do registro das "lições aprendidas" é que evita, ao máximo, o retrabalho. Ademais, o hábito de buscar o máximo de experiências registradas possível dá uma sensação de medo do desconhecido substancialmente diminuído.

Ademais, como tive a oportunidade de pilotar mais de quinze tipos de aeronaves diferentes em minha carreira de piloto e ter participado e chefiado uma considerável quantidade de projetos, nos mais diversos níveis, inclusive em assessoria direta a ministros de Estado, posso lhes garantir que mais da metade do que você tem que usar de conhecimentos e experiência agregada você já a teve ao participar de um projeto, ou pilotando uma aeronave. O que lhe sobra são peculiaridades de um novo equipamento ou projeto, mas a essência e base executiva são, via de regra, muito semelhantes.

Muitas vezes deparei-me com colegas estressados com o advento de novos desafios. Eu brincava perguntando se ele era o "Evangivaldo". Este imaginário personagem adveio de uma antiga foto de um jovem fugindo de um touro enfurecido que, junto ao desesperado fugitivo, pulou um pequeno muro que dava sobre um rio. Alguém teve o tino de tirar uma foto e ficou para a "eternidade" com o título de "E Evangivaldo, como Jesus e Pedro, andou sobre as águas...".

Brincadeiras a parte, as "lições aprendidas" são fabulosos "caminho das pedras" sobre caudalosos rios na vida corporativa.

Então, sugiro que crie o hábito de consultar os "alfarrábios".

Boa sorte, bom voo!!
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domingo, 20 de julho de 2014

Iniciativa e Acabativa

Iniciativa e Acabativa   

Iniciativa é a capacidade que todos nós temos de criar, iniciar projetos e conceber novas idéias. Algumas pessoas têm muita iniciativa e outras têm pouca. 

Acabativa, é um neologismo que significa a capacidade que algumas pessoas possuem de terminar aquilo que iniciaram ou concluir o que outros começaram. É a capacidade de colocar em prática uma idéia e levá-la até o fim. 

Os seres humanos podem ser divididos em três grupos, dependendo do grau de iniciativa e acabativa de cada um: os empreendedores, os iniciativos e os acabativos - sem contar os burocratas.

* Empreendedores são aqueles que têm iniciativa e acabativa. Um seleto grupo que não se contenta em ficar na idéia e vai a campo implantá-la.

* Iniciativos são criativos, têm mil idéias, mas abominam a rotina necessária para colocá-las em prática. São filósofos, cientistas, professores, intelectuais e a maioria dos economistas. São famosas as histórias de economistas que nunca assinaram uma promissória. Acabativa é o ponto fraco desse grupo.

* Acabativos são aqueles que gostam de implantar projetos. Sua atenção vai mais para o detalhe do que para a teoria. Não se preocupam com o imenso tédio da repetição do dia-a-dia e não desanimam com as inúmeras frustrações da implantação. Nesse grupo está a maioria dos executivos, empresários, administradores e engenheiros.

Essa singela classificação explica muitas das contradições do mundo moderno.

Empresários descobrem rapidamente que ficar implantando suas próprias idéias é coisa de empreendedor egoísta. Limita o crescimento. Existem mais pessoas com excelentes idéias do que pessoas capazes de implantá-las. É por isso que empresários ficam ricos e intelectuais, professores - entre os quais me incluo -  morrem pobres.

Se Bill Gates tivesse se restringido a implantar  suas próprias idéias teria parado no Visual Basic. Ele fez fortuna porque foi hábil em implantar as idéias dos outros - dizem as más línguas que até copiou algumas.

Essa classificação explica porque intelectual normalmente odeia empresário, e vice-versa. Há uma enorme injustiça na medida em que os lucros fluem para quem implantou uma idéia, e não para quem a teve. Uma idéia somente no papel é letra morta, inútil para a sociedade como um todo. 

Um dos problemas do Brasil é justamente a eterna predominância, em cargos de ministérios, de professores brilhantes e com iniciativa, mas com pouca ou nenhuma acabativa. Para o Brasil começar a dar certo, precisamos procurar valorizar mais os brasileiros com a capacidade de implantar nossas idéias. Tendemos a encarar o acabativo, o administrador, o executivo, o empresário como sendo parte do problema, quando na realidade eles são parte da solução.

Iniciativo almeja ser famoso, acabativo quer ser útil.


Mas a verdade é que a maioria dos intelectuais e iniciativos não tem o estômago para devotar uma vida inteira para fazer dia após dia, digamos bicicletas. O iniciativo vive mudando, testando, procurando coisas novas, e acaba tendo uma vida muito mais rica, mesmo que seja menos rentável. 

Se você tem iniciativa mas não tem acabativa, faça correndo um curso de administração ou tenha como  sócio um acabativo. Há um ditado chinês, "Quem sabe e não faz, no fundo, não sabe" - muito apropriado para os dias de hoje.

Se você tem acabativa mas não tem iniciativa, faça um curso de criatividade, estude um pouco de teoria. Empresário que se vangloria de nunca ter estudado não serve de modelo. 

Finalmente, se você não tem iniciativa nem tampouco acabativa, só podemos lhe dizer uma coisa: meus pêsames.

Publicado na Revista Veja de 11 de novembro de 1998

sábado, 19 de julho de 2014

A Fábula dos porcos assados

A Fábula dos porcos assados

Certa vez, aconteceu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, acostumados a comer carne crua, experimentaram e acharam deliciosa a carne assada. A partir dai, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque... Até que descobriram um novo método.

Mas o que quero contar é o que aconteceu quando tentaram mudar o SISTEMA para implantar um novo. Fazia tempo que as coisas não iam lá muito bem: as vezes, os animais ficavam queimados demais ou parcialmente crus. O processo preocupava muito a todos, porque se o SISTEMA falhava, as perdas ocasionadas eram muito grandes - milhões eram os que se alimentavam de carne assada e também milhões os que se ocupavam com a tarefa de assa-los. Portanto, o SISTEMA simplesmente não podia falhar. Mas, curiosamente, quanto mais crescia a escala do processo, mais parecia falhar e maiores eram as perdas causadas.

Em razão das inúmeras deficiências, aumentavam as queixas. Já era um clamor geral a necessidade de reformar profundamente o SISTEMA. Congressos, seminários e conferencias passaram a ser realizados anualmente para buscar uma solução. Mas parece que não acertavam o melhoramento do mecanismo. Assim, no ano seguinte, repetiam-se os congressos, seminários e conferencias.


As causas do fracasso do SISTEMA, segundo os especialistas, eram atribuídas a indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou a inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou ainda as arvores, excessivamente verdes, ou a umidade da terra ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas.

As causas eram, como se vê, difíceis de determinar - na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: maquinário diversificado, indivíduos dedicados exclusivamente a acender o fogo - incendiadores que eram também especializados (incediadores da Zona Norte, da Zona Oeste, etc, incendiadores noturnos e diurnos - com especialização matutina e vespertina - incendiador de verão, de inverno etc). Havia especialista também em ventos - os anemotecnicos. Havia um diretor geral de assamento e alimentação assada, um diretor de técnicas ígneas (com seu Conselho Geral de Assessores), um administrador geral de reflorestamento, uma comissão de treinamento profissional em Porcologia, um instituto superior de cultura e técnicas alimentícias (ISCUTA) e o bureau orientador de reforma igneooperativas.

Havia sido projetada e encontrava-se em plena atividade a formação de bosques e selvas, de acordo com as mais recentes técnicas de implantação - utilizando-se regiões de baixa umidade e onde os ventos não soprariam mais que três horas seguidas.

Eram milhões de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores arvores e sementes, o fogo mais potente etc. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, alem de mecanismos para deixa-los sair apenas no momento oportuno.

Foram formados professores especializados na construção dessas instalações. Pesquisadores trabalhavam para as universidades para que os professores fossem especializados na construção das instalações para porcos. Fundações apoiavam os pesquisadores que trabalhavam para as universidades que preparavam os professores especializados na construção das instalações para porcos etc.

As soluções que os congressos sugeriam eram, por exemplo, aplicar triangularmente o fogo depois de atingida determinada velocidade do vento, soltar os porcos 15 minutos antes que o incêndio médio da floresta atingisse 47 graus e posicionar ventiladores gigantes em direção oposta a do vento, de forma a direcionar o fogo. Não é preciso dizer que os poucos especialistas estavam de acordo entre si, e que cada um embasava suas idéias em dados e pesquisas específicos.

Um dia, um incendiador categoria AB/SODM-VCH (ou seja, um acendedor de bosques especializado em sudoeste diurno, matutino, com bacharelado em verão chuvoso) chamado João Bom-Senso resolveu dizer que o problema era muito fácil de ser resolvido - bastava, primeiramente, matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então numa armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor - e não as chamas - assasse a carne.

Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o diretor geral de assamento mandou chamá-lo ao seu gabinete, e depois de ouvi-lo pacientemente, disse-lhe: "Tudo o que o senhor disse esta muito bem, mas não funciona na pratica. O que o senhor faria, por exemplo, com os anemotecnicos, caso viéssemos a aplicar a sua teoria? Onde seria empregado todo o conhecimento dos acendedores de diversas especialidades?". "Não sei", disse João. "E os especialistas em sementes? Em arvores importadas? E os desenhistas de instalações para porcos, com suas maquinas purificadores automáticas de ar?". "Não sei". "E os anemotecnicos que levaram anos especializando-se no exterior, e cuja formação custou tanto dinheiro ao pais? Vou manda-los limpar porquinhos? E os conferencistas e estudiosos, que ano após ano tem trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles, se a sua solução resolver tudo? Heim?". "Não sei", repetiu João, encabulado. "O senhor percebe, agora, que a sua idéia não vem ao encontro daquilo de que necessitamos? O senhor não vê que se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a solução ha muito tempo atrás? O senhor, com certeza, compreende que eu não posso simplesmente convocar os anemotecnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas! O que o senhor espera que eu faça com os quilômetros e quilômetros de bosques já preparados, cujas arvores não dão frutos e nem tem folhas para dar sombra? Vamos, diga-me?". "Não sei, não, senhor". "Diga-me, nossos três engenheiros em Porcopirotecnia, o senhor não considera que sejam personalidades cientificas do mais extraordinário valor?". "Sim, parece que sim". "Pois então. O simples fato de possuirmos valiosos engenheiros em Porcopirotecnia indica que nosso sistema é muito bom. O que eu faria com indivíduos tão importantes para o pais?" "Não sei". "Viu? O senhor tem que trazer soluções para certos problemas específicos - por exemplo, como melhorar as anemotecnicas atualmente utilizadas, como obter mais rapidamente acendedores de Oeste (nossa maior carência) ou como construir instalações para porcos com mais de sete andares. Temos que melhorar o sistema, e não transforma-lo radicalmente, o senhor, entende? Ao senhor, falta-lhe sensatez!". "Realmente, eu estou perplexo!", respondeu João. "Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por ai que pode resolver tudo. O problema é bem mais serio e complexo do que o senhor imagina. Agora, entre nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua idéia - isso poderia trazer problemas para o senhor no seu cargo. Não por mim, o senhor entende. Eu falo isso para o seu próprio bem, porque eu o compreendo, entendo perfeitamente o seu posicionamento, mas o senhor sabe que pode encontrar outro superior menos compreensivo, não é mesmo?".

João Bom-Senso, coitado, não falou mais um "a". Sem despedir-se, meio atordoado, meio assustado com a sua sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu de fininho e ninguém nunca mais o viu.

Autor desconhecido ou ignorado
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A ARCA DE NOÉ

COMO PERDER DE VISTA UM OBJETIVO

A ARCA DE NOÉ
L’arche de Noé.
Tradução e adapatação: J.B.Xavier

Absalão era um homem que se podia conceituar como justo. Era um estudioso, e quando repetia aos sábios que os lados de um quadrado eram iguais, tornava-se realmente difícil entendê-lo.

Dos seus 60 anos de idade, a maior parte havia dedicado à arte da guerra, na qual eram aplicados conceitos técnico-científicos. Particularmente, era apaixonado pela organização das forças de combate e no uso de armas avançadas, tais como lança de grande alcance, setas orientadas e a última novidade bélica: o lançador de pedras!

Era um verdadeiro líder.
Com o avanço da idade e o correspondente aumento da sabedoria, Absalão também se preocupava com assuntos humanos os quais, porém, o perturbavam um pouco. O Criador já não era reverenciado como no seu tempo; os filósofos eram ridicularizados; havia uma inversão completa na política, acreditava-se mais na energia e estultice dos jovens do que na ponderação e sabedoria dos mais idosos. Um dia andava Absalão pela ravina quando de repente - PUFF! - uma nuvem de fumaça apareceu, acompanhada de uma voz tonitruante:
- ABSALÃO!!!

Absalão prostrou-se. Só podia ser o Criador! E era! Em pessoa!
-ABSALÃO! -voltou a voz- NÃO ESTOU CONTENTE COM OS HOMENS. ELES ESTÃO POLITIZADOS, GUERREIAM ENTRE SI E SÓ DEFENDEM INTERESSES PRÓPRIOS. O TRINÔMIO ADÃO-EVA-COBRA DEU NISSO... FAREI CHOVER POR 40 DIAS E 40 NOITES ATÉ COBRIR A TERRA DE ÁGUA, O QUE SERÁ CONHECIDO COMO DILÚVIO... MAS QUERO QUE UMA NOVA HUMANIDADE NASÇA DE UM HOMEM INTELIGENTE, PRÁTICO E COM OBJETIVOS. VÁ E CONSTRUA UM BARCO PARA VOCÊ E SUA FAMÍLIA E COLOQUE NELE UM CASAL DE CADA SER VIVO. VOCÊ TERÁ 4 MESES PARA ESTE EMPREENDIMENTO. MEU CONTATO COM VOCÊ SERÁ O ARCANJO GABRIEL, QUE COSTUMAM CHAMAR DE MINISTRO DE DEUS. PUFF!!- e a nuvem se foi...

Absalão ergueu-se pálido. O Criador o elegera gerador de uma nova humanidade! todas as suas idéias seriam propagadas para o futuro. Absalão pouco conhecia de barcos ou de navegação mas nem pensaria em discutir a grande oportunidade que o Criador lhe oferecera. Mas precisava resolver um problema técnico-científico: construir um barco enorme! Que objetivo! Absalão provaria que era capaz de salvar a humanidade com a sabedoria dos mais velhos e a energia dos mais jovens.

Rebuscou a memória.
Conhecia um engenheiro naval chamado Neul, ou seria Neus? Não! Noé! Sim, era este o nome! Noé poderia construir-lhe o barco. Ele, Absalão seria o coordenador do Empreendimento e Noé seria o técnico. Famoso por sua objetividade, logo já conversava com Noé.

- Meu caro, quero encomendar-lhe um barco - e dos grandes!
- Perfeitamente, meu senhor, mas de que tipo e para que espécie de carga e navegação?
- Ora, Noé, isto são detalhes. É um barco para grande carga e águas pesadas. Quero fazer uma longa viagem com a família e levarei tudo.

- Esta bem, senhor, aqui mesmo temos floresta com madeira de densidade de 0.8 g/cm3 em quantidade suficiente. Se a carga é grande, faremos o centro de gravidade baixo e o centro de empuxo alto, de modo a obter grande estabilidade. Acho que com 10 bons carpinteiros que consigo arranjar na aldeia e um mês de trabalho duro, estaremos com o barco pronto.

- Perdão, Noé, não queria interrompê-lo, mas como pode ter certeza desta dencidade da madeira? Sabe se os homens são realmente competentes? Se trabalharão com eficiência? 
- Senhor, a unidade a que me referi chama-se densidade, e os homens são carpinteiros, já meus velhos conhecidos...
- Não, não, Noé, disse Absalão com um sorriso de condescendência, este Empreendimento é grande e a coordenação é minha. Serei o presidente e você será o técnico. Combinado?
- Combinado, senhor, o barco é seu e quem manda é o senhor, replicou Noé, dando de ombros. Levantou-se para cumprimentar Absalão e retirou-se. 

Absalão ficou pensando: "Puxa, não havia pensado nisso! São precisos carpinteiros para cortar as árvores e construir o barco! É preciso selecionar bem estes homens, pois o Empreendimento não pode falhar. Ah! Já sei! Meu auxiliar na Cruzada Santa das Três Pedras fez uma ótima seleção de lanceiros. Roboão é o seu nome. Hoje está selecionando beterrabas para uma indústria, mas virá trabalhar comigo por um salário um pouco maior.

* * *

- Mas, chefe, se o técnico disse 10 carpinteiros precisaremos de no mínimo 15! O senhor sabe, faltas, doenças, férias, turn over... e para selecionar bem 15 homens temos que explorar um universo de pelo menos 150 a 200 candidatos. Levarei algum tempo para isso e precisarei de auxiliares.

- Confio em você, Roboão. Já fez um bom trabalho para mim e tem grande experiência com Pessoal. Realmente achei Noé muito simplista. Convide quem você achar melhor para realizar o recrutamento e seleção dos homens para a tarefa. Mantenha-me informado. 
- Certo, chefe, sairei em campo imediatamente. Obrigado pela confiança.

Nesta noite Absalão dormiu satisfeito. Em menos de 24 horas após receber a missão do Senhor já tinha o técnico e o especialista em pessoal. Dormiu embalado pela algazarra que ainda faziam os 20 membros de sua família na festa de inauguração do Empreendimento.

O segundo dia amanheceu tranqüilo e claro. O Presidente foi acordado por Roboão com boas notícias:
- Chefe, já tenho cinco homens anunciando no povoado - é a fase de recrutamento. De acordo com o mercado estamos oferecendo cinco dinheiros.
- Mas, Roboão, não será pouco? Minha mulher ganha 9 dinheiros cosendo para fora...
- Deixe comigo, chefe. No recrutamento da última batalha pagamos 8 dinheiros para valentes combatentes, e economizamos um bom bocado. Estes são apenas carpinteiros que não podem ser comparados aos combatentes ou à sua senhora. Temos assim 5 recrutadores e 10 examinadores para a fase de seleção menos de 10% dos candidatos esperados! 
- E quanto ganharão?
- O salário desta equipe varia de 8 a 12 dinheiros pois são especialistas. Chefe, um probleminha a mais: Não quero responsabilidade com o numerário e não sou bom de contas. O trabalho com o pessoal já é o bastante. Não acha melhor termos um homem para a gerência do Empreendimento?
- Bem lembrado, Roboão, mas não conheço nenhum e deve ser um homem de confiança.
- Chefe, se me permite, quero lembrar-lhe o Judas, que se ocupava do dinheiro das forças de combate.
- Não. Não. Roboão. Esse negócio de dinheiro com pessoal das armas não dá certo. Pensemos em outro! Deve ser um especialista na coisa, você me compreende?
- Então, chefe, poderemos fazer uma seleção entre candidatos. Sairei em campo.

O Empreendimento crescia de vento em pôpa. As equipe de recrutamento e seleção já estavam em plena operação. As finanças já tinham um responsável. Mas, onde colocar esse pessoal? Absalão partiu com seu habitual dinamismo e logo adquiriu uma grande cabana, já com divisórias e tapetes, e contratou imediatamente o pessoal da zeladoria e segurança. Eram todos velhos conhecidos das forças de combate.
Iniciou-se assim, a operação em grande escala. 

-Senhor Presidente - falou timidamente a graciosa telefonista, está aqui o Dr. Noé com alguns desenhos e... 
- Minha filha, já lhe disse para não interromper. Diga ao Noé que passe depois do almoço. 

Absalão continuou a entrevista com o futuro gerente do material, Jacob, seu velho conhecido de carreira.
- Pois é, amigo Jacob, preciso cercar-me de gente de confiança, para o sucesso do Empreendimento. Material é uma área delicada e não tolerarei desvio de estoque!

- Certo, chefe! sabe que pode confiar em mim! Nunca sumiu uma flecha ou lança no meu tempo, mas o armazenamento de madeira exige um almoxarifado adequado. Para o controle vou precisar de alguns arquivos, armários, fichas, prateleiras e pessoal de apoio.

-Justo, Jacob! Encomende as prateleiras na carpintaria do povoado e fale com Roboão para o recrutamento do pessoal necessário.
Neste momento entrou Cloé, a secretária executiva do Presidente.
- Senhor Presidente, acaba de chegar um relatório da Segurança, indicando certos nomes que não devem ser contratados...Há suspeitas de que alguns não são muito confiáveis...
- Ótimo trabalho de Primus. Jamais lhe faltou a intuição! Precisamos estar alertas!
- Ah! outra coisa, senhor Presidente. o Dr. Noé telefonou novamente. Parece aflito para a aprovação de alguns desenhos.
-Ora, esse Noé! Sempre querendo me confundir com idéias de madeira, centros de fluxo...ele sabe que sozinho não posso me responsabilizar pela aprovação desses desenhos. Diga-lhe que nomearei um grupo de traba-lho do barco, o GT-Bar, para dar-me um parecer. O homem é bom de projetos, mas nada entende de custos ou de administração por objetivos. Teremos tudo nos eixos tão logo chegue meu chefe de administração. Ele vai colocar ordem e método nessa turma: Quero ver produção!

Quinze dias se passaram e o organograma proposto já se encontrava na mesa do Presidente: Uma Diretoria das Coisas (DC), uma dos Investimentos (DI) e uma de Barco (DB). O DB já havia montado um laboratório especializado para a medida da densidade da madeira, análise de fungos e cupins, e já estavam instalados os equipamentos para medir a elasticidade e flexibilidade.

Em apenas quinze dias a Administração havia elaborado as provas de seleção para arquivista e desenho naval, provas de seleção para selecionadores de pessoal de Seleção e Recrutamento, pessoal de apoio, etc...

Roboão, como um cumprimento ao chefe, havia mandado comprar uma charrete último tipo, de seis rodas e boléia separada, acompanhada de charreteiro, naturalmente. Houve um pequeno atrito com Jacob, (chefe do material), mas como eram companheiros de batalhas, o incidente foi esquecido e contornada a auditoria.
Naquela noite, o Presidente estava cansado, mas não esquivou-se de receber Noé em sua residência.

- Sr. Presidente, desculpe-me interromper seu descanso, mas o projeto já esta pronto e as pessoas do GT-Bar ainda não foram nomeadas. O material já está especificado, mas o laboratório ainda não emitiu o laudo de aprovação da madeira e não conseguiu os carpinteiros para o corte. Se o senhor pudesse me autorizar a trazer os carpinteiros conhecidos do povoado...

- Não se preocupe, Noé. Falarei amanhã com o DB e apressarei a contratação do pessoal. Você sabe, apesar de Presidente, não posso mudar as regras da Organização autorizando diretamente seus carpinteiros. Da chefia vem o exemplo do cumprimento às normas. Não se preocupe que o Empreendimento está nas mãos de profissionais - os melhores! Boa noite, Noé.

Noé afastou-se sem entender muito bem. Havia sido contratado para fazer um barco. Agora estava às voltas com normas, instruções, exames de seleção...Balançou a cabeça. As coisas deviam ser complicadas mesmo. Mas o Presidente era um homem capaz senão não seria Presidente! Partiu otimista para sua cabana. Se o Presidente disse, é porque tudo vai indo muito bem.
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Vigésimo quinto dia.
Manhã linda. Cloé anuncia a chegada de Roboão.
- Entre logo, meu velho. Sente-se. Aceita um leite de cabra?
- Sim, chefe. Obrigado. Por falar nisso, segundo a lei, mandei distribuir leite de cabra pela manhã e a tarde, a todos. Já está até codificado o material para o computador. Fizemos pequenas despesas para chegar a esses resultados: Tivemos que adquirir 200 cabras, alugar um pasto e contratar 5 pastores. Jóia, chefe! Dá 40 cabras por pastor, e só ganham 10 dinheiros!
- Você é um bicho na administração do pessoal, Roboão. Falarei ao seu Diretor para propor sua promoção na próxima vez. Como vai sua avaliação?
- Realmente não sei, chefe, É confidencial...
- Darei um jeito para que seja boa. Afinal, já temos 500 pessoas no efetivo, e todas passaram por você. E você ainda conseguiu comprimir o quadro, que era de 800 pessoas! Quanto economizamos, em média?
- Nessas 300 pessoas, cerca de 4000 dinheiros, chefe - respondeu Roboão com um sorriso de falsa modéstia, e pensou consigo mesmo: " Quem sabe? talvez fosse aumentado para 30 dinheiros!"
- Roboão, não quero incomodá-lo e nem por sombra desfazer o belíssimo trabalho de sua equipe, mas Noé me disse que ainda não foram contratados os carpinteiros para o corte...
- Ora, chefe! Noé é um sonhador! Só pensa nos seus desenhos. Já lhe expliquei a complexidade da contratação. Por exemplo: aumentamos a oferta de salário para 6 dinheiros, porém todos os candidatos foram reprovados no primeiro psicotécnico. Não adianta contratar pessoal sem aptidão psicoprofissional para o corte da madeira. Também não adianta aumentar ainda mais a oferta de salário. Não podemos elevar demais nossos custos... E depois, se não passaram neste teste simples, imagine nos outros... 
- Realmente você tem razão. Noé desconhece os rudimentos de Administração. Toque como você achar melhor. Se o contratei, é porque tenho total confiança em seu trabalho.


* * * 


Quadragésimo dia.
Finalmente, a primeira reunião da Diretoria. Era o momento solene das grades decisões de cúpula do Empreendimento. Todos com sua melhores túnicas sentaram-se à Plenária com suas pastas de executivos. O Presidente, satisfeito, relatava que o Empreendimento era o orgulho do povoado. Havia muito trabalho e emprego para todos.

Aproveitando o clima de satisfação, o DC informou que havia feito convênio com a Escola de Carpintaria, pois a mão-de-obra necessária estava aquém do desejável. Além disso havia criado o Departamento de Recursos Humanos, com a missão de retreinar os carpinteiros em técnicas de construção naval, além de apoiar todos os demais departamentos, capacitando, de quebra, datilógrafas, secretárias e auxiliares administrativas. Criara também o Departamento de Segurança e Higiene do Trabalho, por força de lei. O ambulatório já atendia 20 pessoas por dia! Todos se olharam admiradíssimos pelas inovações revolucionárias, e tão logo o Presidente emitiu o primeiro elogio, todos parabenizaram o DC por suas brilhantes idéias.

Cloé aproveitou para informar que os preços dos cabeleireiros do povoado haviam subido demais depois do início do Empreendimento, e que inclusive o clube local estava criando problemas na admissão de novos associados. Todos esperaram o Presidente se manifestar, e quando ele delegou ao Relações Públicas a missão de conversar com os cabeleireiros e com o Clube para conter esses abusos, a Reunião Plenária quase foi interrompida pelo burburinho causado pelas reações de indignação de todos os presentes devido à falta de cidadania dos dirigentes do povoado. Quando a calma foi restabelecida, o DB ponderou timidamente que faltava pessoal para desenho, e que a eficiência dos carpinteiros era baixa. Havia só um - disse ele - que conseguira cortar três árvores, duas das quais, bichadas, segundo o relatório do Controle de Qualidade. Noé estava tentando suprir a falta desenhando em folhas de bananeira e cortando as árvores à noite, depois do expediente. A proposta era então aumentar o salário de Noé para 15 dinheiros.

O DC explodiu, seguido de perto pelo DI:
- Esses sabichões! pensam que sabem tudo! Atrapalham a organização, trabalham mal e ainda querem aumento! Sr. Presidente, sou de opinião que devemos aumentar a equipe de recrutamento e apertar nos exames de seleção! Nossa equipe técnica deixa muito a desejar!
- Perdão - retrucou o DB - o laboratório funciona! vejam como detectou as árvores bichadas. Acontece que não temos o apoio necessário. o senhor desvia recursos para a área de Operação do barco, recrutando timoneiros, veleiros etc...
- Mas e lógico! - interveio o Presidente - Temos que agir com antecedência no treinamento. Afinal, treinar é investir no futuro!

O DB achava correta essa linha de pensamento do Presidente, desde que o treinamento fosse direcionado para as prioridades. Mas achou melhor não comentar nada. Todos conheciam muito bem o temperamento do Presidente e sabiam que, quando contrariado, seus modos brandos desapareciam completamente. Muitos já havia sido demitidos - comentava-se - nesses acessos de cólera.


* * *


Octogésimo dia.
Absalão passeava na ravina. Estava orgulhoso. Era Presidente de um Empreendimento que contava com 1200 pessoas. As vêzes Noé e suas preocupações lhe vinham à cabeça. Mas eram todas infundadas. Noé não passava de um tecnocrata pessimista. Felizmente havia o Diretor de Barco para despachar com ele - um aborrecimento a menos! Subitamente... PUFF !! - uma nuvem de fumaça.

O ministro do Senhor - exclamou Absalão prostrando-se.
- ABSALÃO, PONHA GENTE DE MAIS PESO NO TOPO, CASO CONTRÁRIO O EMPREENDIMENTO AFUNDARÁ ! PUFF !!
Absalão correu a cabana de Noé.
- Noé, Noé! ponha um convés no alto do mastro! vou colocar as pessoas mais pesadas em cima!
- Mas Presidente, isto é impossível! Sempre o convés é embaixo e o mastro aponta para cima! Se aumentarmos a massa em cima, o centro de gravidade ficará muito alto e o barco emborcará...
- Não estou falando do suprimento de comida, droga! O ministro de Deus mandou colocar as pessoas mais pesadas em cima e isso que vou fazer!

Noé não retrucou. O Presidente estava nervoso. Talvez Cloé - que acumulava as funções de gerente de treinamento e dominava as técnicas de persuasão - pudesse fazê-lo ver mais claro.

Noé correu à secretaria Geral, mas lá encontrou o Comandante de Operação do Barco, que esperava há mais de uma hora. Com ele estavam o subcomandante nível 3, o imediato, o pré-imediato, dois assistentes e três assessores.

- Noé - disse o comandante - o seu projeto não anda! Como vou treinar meus homens sem barco? Vim pedir a autorização do Presidente para adquirir um simulador de barco, caso contrário não me responsabilizo! O DI diz que a curva de aproveitamento de meus treinandos não bate com a curva histórica do manual de navegação. E com essa mania de se meter no departamento dos outros, ele acaba tumultuando. Preciso de mais instrutores! Já reparou quantas pessoas de apoio tem o Departamento de Apoio? 

Noé balançou a cabeça e retirou-se vagarosamente. Realmente o que ele conseguira ? uma meia dúzia de desenhos em folhas de bananeira. Isto em 80 dias! Ele havia prometido ao Presidente que faria o barco em 30 dias! Estava acabrunhado e sentia-se incompetente. O que estaria errado consigo? Já lhe haviam dito que com o tempo tudo estaria bem, que não se precipitasse, que não deveria andar mais depressa que a Organização. Mas - lembrava-se - havia sido contratado exatamente por seu espírito prático e descomplicado! 

O Presidente entrou furioso, desabafando em Cloé.
- Veja! só faltam 40 dias e a Divisão de Importação diz que há crise de transporte e a madeira só chegará no prazo médio de 10 dias! O pessoal de PO mais o de O&M e o CPD fez tudo para diminuir o caminho por onde deverá vir a madeira. 
- Noé ligou há pouco e disse que há uma empresa, a P.E.R.T.O., especializada em transporte rápido, senhor...
- Noé, Noé! Não estou mais agüentando esse sujeitinho que tem sempre solução para tudo! Para ele parece tudo muito fácil, como se não houvesse uma estrutura por trás do Empreendimento! Se não faltasse tão pouco tempo, eu o substituiria imediatamente! Ele só tem atrapalhado, retardado e confundido os executivos que tocam a obra!

Cloé conhecia bem o Presidente, e sabia que um copo de leite quente o acalmaria.
- Quero uma reunião de emergência com os diretores. Vou despedir o Setor de Carpintaria e contratar outro. Se não fosse o Roboão e sua equipe de recrutamento, não sei o que seria... - Senhor... - disse Cloé timidamente - faltam 40 dias para o quê?
- Para o Dilúvio, minha filha, para o Dilúvio!

Absalão rabiscou algumas linhas num papel.
- Passe este Telex:
"DE: ABSALÃO
PARA: SENHOR
SOLICITO PRORROGAÇÃO PRAZO RESTANTE 40 DIAS: DIFICULDADES INTRANSPONÍVEIS. CRISE INTERNACIONAL DE MADEIRA. PROSTRAÇÕES. ABSALÃO.
O ruído monótono da teleimpressora deixava Absalão ainda mais nervoso, mas a resposta veio finalmente:
PARA: ABSALÃO
CONCEDIDO PRAZO CINCO DIAS IMPRORROGÁVEIS. ELEVAÇÃO DE ÁGUAS EM ANDAMENTO.
Absalão desesperou-se e partiu para a reunião. Pelo telefone interno, Cloé iniciou a telefofoca do Dilúvio.


* * * 




Octogésimo segundo .
Primus adentra o gabinete do Presidente.
- Chefe, tenho aqui um relatório dizendo que há desvio de cipós de amarração do almoxarifado. A listagem do computador não bate com a auditoria.
- Que inferno! Coloque sua equipe em campo! Jacob está fora de suspeita por ser meu amigo. Verifique o pessoal da Carpintaria. Mande um memorando ao Roboão para aumentar a equipe de segurança. Cloé! ponha o Roboão na linha!
- Roboão, aqui é o Presidente! Já recrutou os carpinteiros?
- Infelizmente não passam nos testes, chefe. Até afrouxamos as provas, mas o reconhecimento de tipos genéticos de cupins reprova todo mundo! É por isso que a madeira do estoque está bichada, segundo relatório do Departamento do Material.
- Presidente - interrompeu Cloé - é urgente! Há dois pastores na ante-sala dizendo que há crise de leite nas cabras, e não haverá distribuição aos funcionários por uma semana. O Suprimento não estocou capim para a época de seca...Qual a sua decisão?



* * * 


Centésimo dia. 
Reunião da Diretoria.
- Sr. Presidente - falou o DI - dentro de uma semana vencem nossos empréstimos internacionais com os povoados vizinhos e o Caixa não é suficiente. Nosso Empreendimento economicamente vai bem, mas financeiramente estamos à beira de uma crise. Sugiro uma redução do pessoal.
- Toda vez que se fala em redução de pessoal, todos olham para mim! - desabafou o Comandante de Operações - Sem meus homens não há Operação do Barco, que nem sairá do porto. E meu simulador ainda nem foi aprovado!
- Sr. Presidente - tentou timidamente o DB - acho que o Comandante tem razão: Não prometemos ao Ministro que o barco estaria logo pronto?
- Mas como, sem material?! - gritou o DC - Por acaso posso fabricar madeira? Seu laboratório não acha boa madeira local e há crise de transporte! Os carpinteiros são incompetentes! E esse tal de Noé? Que fez ele até agora? E ganha 10 dinheiros!
- Senhores - falou gravemente o Presidente, enquanto todos o olhavam esperançosos - a situação do Empreendimento é razoável, mas temos que tomar uma atitude mais séria quanto ao projeto do barco.
- Presidente, não quero interrompê-lo, mas em nossos arquivos não existiam as normas do Empreendimento. Isso é falta grave, e sou obrigado a demitir Noé. Gostaria que o senhor providenciasse, através do Roboão.


Noé ficou realmente furioso com a notificação. Nem exigiu a fração do 13o salário a que tinha direito. Estava disposto a sair daquela terra e o caminho mais fácil era pelo rio. Partiu para a floresta e reuniu cinco amigos.
- Companheiros, vamos cortar essas árvores bichadas mesmo, construir um barco e sair daqui!
- Mas Noé, não somos carpinteiros nem sabemos construir barcos...
- Não importa. Ensinarei a cortar a madeira, e tenho os desenhos. Seremos uma equipe motivada com o objetivo de construir um barco e partir para uma vida melhor em outras terras! levaremos uns bichos a bordo para comermos no caminho. Só falta meter mãos à obra!
A madeira começou a ser cortada. Lascas voavam para todos os lados. As partes mais bichadas eram isoladas e deixadas de lado. Mosquitos voavam ao tombar as árvores. Em poucos dias o casco do barco começava a tomar forma.


* * * 


Centésimo vigésimo quinto dia.
O Presidente acordou preocupado. A madeira tinha chegado. mas só havia três carpinteiros. Sua charrete tomou o caminho mais rápido para o escritório, para fugir ao mau tempo. O céu estava carregado. Nuvens negras pairavam no horizonte, anunciando tempestade. Foi direto ao Telex, mas Cloé só chegava às 9 horas. Correu ao CPD .

- Que há por aqui? O expediente ainda não começou? Quem é você? 
- Sou uma digitadora senhor. O pessoal não gostou muito do Plano de Reclassificação de Cargos e salários, e eu acho que se a nova Política de Promoções for mesmo implantada, não vai sobrar ninguém!
Absalão voltou ao escritório. No caminho encontrou Primus muito aflito que lhe disse ter ouvido um zum-zum acerca de um tal Plúvio, que poderia ser um terrorista, por seus modos muito estranhos de agir, mas que sua equipe já estava providenciando o seu afastamento.
Absalão ficou branco e voltou ao telex.
- Rápido, Cloé, rápido!
DE: ABSALÃO
PARA: SENHOR
DIFICULDADES COM PROJETISTA ATRASARAM EMPREENDIMENTO SOLICITO PRORROGAÇÃO DO PRAZO.

A resposta veio imediata.

DO: SENHOR
PARA: ABSALÃO
PRORROGAÇÃO NEGADA. ELEVAÇÃO DAS ÁGUAS EM ANDAMENTO. 
Absalão ia praguejar quando um relâmpago violentíssimo seguido de um trovão ensurdecedor estourou nos céus. Vários vidros se partiram, e começou a chover. Absalão correu para fora, seguido de Jacob. Chovia torrencialmente.
- Veja, chefe - gritou Jacob - há um barco descendo o rio! Olhe a prôa...Não dá para ler direito...
Absalão colocou as mãos em concha sobre os olhos e leu:

ARCA...DE...NOÉ...

segunda-feira, 14 de julho de 2014

OS 12 MAIORES ATRIBUTOS DA LIDERANÇA

OS 12 MAIORES ATRIBUTOS DA LIDERANÇA

Luiz Almeida Marins Filho, Ph.D.
Anthropos Consulting

"Liderança" é um tema que vem sendo discutido desde os mais remotos tempos pelo homem. Ser líder, formar líderes, parece ser um desafio constante do homem e das organizações. Aqui vão alguns resultados de pesquisa feitas na Europa com mais de 500 executivos de todos os tipos de industria. Essa pesquisa é muito interessante. Ela mostra coisas simples, objetivas e fornece conselhos úteis para todos nós que desejamos vencer, alcançar o sucesso pessoal e profissional.
Espero que a leitura atenta destas descobertas e seus comentários possam trazer benefícios reais aos leitores.
DISPOSIÇÃO PARA TENTAR O QUE NÃO FOI TENTADO ANTES

Nenhum empregado deseja ser guiado por um administrador a 
quem falte coragem e autoconfiança. É o estilo de liderança positiva aquele eu ousa nas tarefas e se vale de oportunidade não tentadas anteriormente.
Um Gerente de Vendas bem sucedido irá às ruas e venderá junto com seus vendedores quando o mercado está difícil ou quando o pessoal de vendas encontrar-se sob extrema pressão. Tal gerente sabe que se arrisca a tornar-se impopular. Contudo, ao liderar pelo exemplo, manterá a motivação da equipe.

AUTO MOTIVAÇÃO

O Gerente que não consegue se auto-motivar não tem a menor chance de ser capaz de motivar os outros.

UMA PERCEPÇÃO AGUDA DO QUE É JUSTO

Esta é uma grande qualidade de um líder eficaz e a fim de ter o respeito da equipe, o gerente deve ser sensível ao que é direito e justo. O estilo de liderança segundo o qual todos são tratados de forma justa e igual sempre cria uma sensação de segurança. Isso é extremamente construtivo e um grande fator de nivelamento.

PLANOS DEFINIDOS

O líder motivado sempre tem objetivos claros e definidos e planejou a realização de seus objetivos. Ele planeja o trabalho e depois trabalha o seu plano coma participação de seus subordinados.

PERSEVERANÇA NAS DECISÕES

O gerente que vacila no processo decisório mostra que não está certo de si mesmo, ao passo que um líder eficaz decide depois de ter feito suficientes considerações preliminares sobre o problema. Ele considera mesmo a possibilidade de a decisão que está sendo tomada vir a se revelar errada.

Muitas pessoas que tomam decisões erram algumas vezes. Entretanto, isto não diminui o respeito que os seguidores têm por elas. Sejamos realistas: um gerente pode tomar decisões certas, mas um líder eficaz decide e mostra sua convicção e crença na decisão ao manter-se fiel a ela, sabendo, no entanto, reconhecer quando erra. Assim, seu pessoal tem força para sustentar aquela decisão junto com o gerente.

O HÁBITO DE FAZER MAIS DO QUE AQUILO PELO QUAL SE É PAGO

Um dos ônus da liderança é a disposição para fazer mais do que é exigido do pessoal. O gerente que chega antes dos empregados e que deixa o serviço depois deles é um exemplo deste atributo de liderança.

UMA PERSONALIDADE POSITIVA

As pessoas respeitam tal qualidade. Ela inspira confiança e também constrói e mantém uma equipe com entusiasmo.

EMPATIA

O líder de sucesso deve possuir a capacidade de colocar-se no lugar de seu pessoal, de ser capaz de ver o mundo pelo lado das outras pessoas. Ele não precisa concordar com essa visão, mas deve ser capaz de entender como as pessoas se sentem e compreender seus pontos de vista.

DOMÍNIO DOS DETALHES

O líder bem sucedido entende e executa cada detalhe do seu trabalho e, é evidente, dispõe de conhecimento e habilidade para dominar as responsabilidades inerentes à sua posição.

DISPOSIÇÃO PARA ASSUMIR PLENA RESPONSABILIDADE

Outros ônus da liderança é assumir responsabilidade pelos erros de seus seguidores. Caso um subalterno cometa um erro, talvez por incompetência, o líder deve considerar que foi ele quem falhou. Se o líder tentar mudar a direção dessa responsabilidade, não continuará liderando e dará insegurança a seus seguidores. O clichê do líder é: "A

responsabilidade é minha".

DUPLICAÇÃO

O líder de sucesso está sempre procurando maneiras de espelhar suas habilidades em outras pessoas. Dessa forma ele faz os outros evoluírem e é capaz de "estar em muitos lugares diferentes ao mesmo tempo".

Talvez este seja um dos maiores atributos de um líder: ser capaz de desenvolver outros lideres. Pode-se julgar um líder pelo número de pessoas em que ele refletiu os seus talentos e fez evoluir.

    UMA PROFUNDA CRENÇA EM SEUS PRINCÍPIOS

A expressão "A menos que batalhemos por alguma causa, nos deixaremos levar por qualquer causa" resume bem a importância de ter-se uma causa pela qual valha a pena viver e trabalhar. Nada cuja aquisição tenha valor é muito fácil. O líder de sucesso tem a determinação de atingir objetivos não importando os obstáculos que surjam pelo caminho. Ele acredita no que está fazendo com a determinação de batalhar por sua realização.

Minha sugestão é a de que você leia uma, duas ou três vezes cada um desses atributos e medite cada um deles à luz de sua própria realidade como um profissional que tem a função de gerenciar, comandar, liderar pessoas. Detenha-se sobre cada um dos atributos e dê a você mesmo uma nota de zero a 10 em cada um deles, fazendo um propósito de auto–aperfeiçoamento. Repita essa auto-avaliação semanalmente.

sábado, 23 de novembro de 2013

Produtividade: dá para conciliar trabalho e estudos?



Existem métodos de planejamento que ajudam a lidar com o volume de tarefas e auxiliam você a manter o equilíbrio


Por Christian Barbosa


A maioria das pessoas tem o primeiro contato com a real necessidade de administrar o tempo e suas atividades, de maneira mais efetiva e rigorosa, ao conquistar o primeiro emprego e, ao mesmo tempo, iniciar em um curso de graduação – alguns alunos lidam com isso ainda no ensino médio. É nessa fase que o número de tarefas aumenta e que muitos alunos pensam em desistir do primeiro estágio, para dedicarem tempo somente aos estudos. Não é fácil, mas é possível ter tempo para trabalho e estudos, e abdicar do trabalho pode não ser uma boa alternativa logo de começo.

Primeiro porque, ao terminar o curso, vai ser mais difícil achar vaga para profissionais que não tiveram nenhuma experiência de estágio ou qualquer tipo de vivência prévia. Segundo, quem deixa de trabalhar, acaba tendo a tendência de abusar de atividades circunstanciais (afinal, você não estuda todos os dias, não é verdade?) como as redes sociais, passeios com a mãe, baladas fora de hora, etc. E terceiro: não adianta deixar para depois, mais cedo ou mais tarde você terá de aprender a se organizar e ser mais produtivo em menos tempo, do contrário, esqueça a ideia de ser um profissional de resultados no mercado de trabalho.

Sabendo disso, não enlouqueça! Existem métodos de planejamento que ajudam a lidar com o volume de tarefas e auxiliam você a manter o equilíbrio. Veja cinco passes básicos para que trabalho e estudos entrem em harmonia:

1- Escreva suas atividades: não deixe nada na cabeça, registre o que tem para fazer em uma agenda, caderno, celular ou um software de planejamento. Se você não anota, fica impossível de planejar e logo de arrumar tempo! A dica é ter apenas um lugar para registrar, ou você vai se perder! Registre tudo, da vida, escola, trabalhos, TCC e outras atividades que precisam ser realizadas no trabalho;

2- Trace seu planejamento: com todas as atividades em mãos (tente conseguir o máximo que puder de um semestre), passe para o seu método de anotações todas as tarefas, distribuindo-as com a antecedência de ao menos três dias do termino do prazo. Isso lhe dará mais mobilidade no dia a dia, fazendo com que cumpra tudo no prazo e ainda ganhe um tempo para descansar ou adiantar novas tarefas;

3- Cuidado com as urgências: atividades urgentes são aquelas que não estavam programadas para acontecerem, e o tempo para realizá-las está curto, ou já acabou. São as atividades que chegam em cima da hora, que não podem ser previstas, mas que geralmente causam estresse. Para evitá-las, reserve de 30 minutos a 1 hora do seu dia para esses imprevistos. Não esqueça de colocar tempo nas suas anotações!

4- Evite as atividades circunstanciais: sabe aquela atividade que, se você não tivesse perdido seu tempo com ela, não faria a menor diferença? Essas são as tarefas circunstanciais, aquelas que nos fazem perder tempo a toa, como navegar por horas na internet sem propósito. Lute contra elas! Dica: a noite, ao chegar em casa, vá direto para o banho e comece a se preparar para o próximo dia. Evite deitar no sofá para assistir TV – com o cansaço e a preguiça, certamente você passará horas em frente a TV e irá dormir mais tarde do que realmente precisa, sem ter produzido nada neste período, nem ter descansado;

5- Foco! Mas nenhuma dessas dicas pode ser realmente eficaz se você não tiver definido de maneira clara quais são os seus objetivos (ex. conquistar determina vaga dentro da empresa, ou terminar no menor tempo possível o curso, para iniciar outro). Além disso, é de extrema importância que você esteja 100% focado em conquistar esses objetivos, o que significa que, algumas vezes, a preguiça pode até aparecer, mas você terá de ser mais forte e seguir com o seu planejamento.

Preparado para iniciar sua vida profissional e acadêmica de uma maneira mais produtiva? Foco nos estudos e objetivo claro no trabalho, essas são as peças chaves para conciliar ambas as atividades de maneira equilibrada e sem estresse.
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domingo, 21 de julho de 2013

O equilibrista bêbado


     
Executivos precisam atuar em diversas frentes e balancear diferentes demandas: alguns desempenham seu papel como embriagados

Girar pratos constitui um tradicional ato circense, no qual um malabarista mantém um grande número de pratos girando sobre varetas. Frequentemente, o ato é combinado com acrobacias e sequências humorísticas. Consta que o recorde mundial pertence a David Spathaky (nome artístico: The Great Davido), que girou 108 pratos simultaneamente. O notável fato foi registrado pela tevê em Bangcoc, em 1996.

Girar pratos é também uma conhecida metáfora para o trabalho gerencial. Muitos executivos, quando perguntados sobre sua rotina, respondem com a frase “continuo tentando manter os pratos no ar”. A expressão, aplicada ao mundo corporativo, tem vários significados. Primeiro, traduz o lado performático da atividade executiva: gerenciar é manter a plateia atenta e alegre. Segundo, chama atenção para a necessidade de dar conta de diferentes frentes de trabalho: o preço do sucesso é a eterna vigilância. Terceiro, lembra que há sempre o risco de ocorrer um desastre: a qualquer momento, um prato pode escapar da vareta e espatifar-se no chão.

Colin Price, diretor da consultoria McKinsey & Company em Londres, fez eco ao senso comum: publicou, há alguns meses, um artigo na revista da empresa (McKinsey Quarterly), sugerindo que liderança tornou-se, de fato, a arte de girar pratos. O consultor refere-se aos paradoxos característicos da vida nas organizações e à necessidade de os executivos buscarem posições de equilíbrio, nem sempre triviais.

Sua principal premissa é que a forma racional para buscar melhores resultados nas organizações, com foco em questões financeiras e operacionais, com metas, pode não ser a maneira mais efetiva. Não deixa de parecer irônico, dado sua empresa ter construído um impressionante portfólio de clientes com a venda justamente desse tipo de abordagem. Price parece ter descoberto que, embora gostemos de ver as empresas como manifestações da racionalidade, a realidade frequentemente nos mostra que ações e decisões corporativas são comumente marcadas pela imprevisibilidade e pela excentricidade do comportamento humano.

A sugestão de Price é abraçar a condição paradoxal da vida corporativa e buscar situações de equilíbrio. Assim como os malabaristas tentam manter seus pratos no ar, os executivos devem tentar direcionar esforços para incentivar os comportamentos capazes de alinhar as organizações com as suas maiores prioridades.

O consultor identifica grandes paradoxos da vida corporativa. Dois deles merecem destaque. O primeiro envolve mudanças e estabilidade. Toda empresa que deseja sobreviver precisa manter-se no passo de mudança de seu ambiente. Frequentemente, isso implica realizar alterações na estratégia, reformar estruturas, renovar quadros e acelerar o desenvolvimento e o lançamento de produtos. No entanto, o excesso de mudanças causa estresse e gera resistência. De fato, muitas empresas têm sofrido com instabilidades desnecessárias e autoimpingidas. Sofrem os clientes, os funcionários e os acionistas. Mais sensato é procurar o equilíbrio entre mudança e estabilidade, com respeito aos limites das pessoas e dos processos.

O segundo paradoxo envolve controle e autonomia. Toda organização necessita de normas e processos. Algumas empresas, entretanto, por incapacidade gerencial, operam em um vácuo de regras. Tornam-se erráticas e caóticas, tomando decisões ao sabor do momento. Por outro lado, o excesso de controle condena os funcionários à condição de meros executores, inibem a criatividade e a capacidade de iniciativa. Como as bandas de jazz, as empresas precisam de regras básicas para operar, de forma que cada profissional possa, no momento correto, improvisar e criar.

A mensagem de Price tem méritos. De fato, para enfrentar os desafios do dia a dia, os executivos devem aceitar a natureza paradoxal da vida nas empresas e reconhecer que sua atividade é permeada por contradições. Infelizmente, muitos parecem agir como equilibristas bêbados. Sobra-lhes desinibição e falta-lhes consciência. Se trabalhassem “sóbrios”, talvez fossem capazes de reconhecer a real natureza de sua tarefa e manter todos os prato no ar.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Habilidades imprescindíveis para o profissional




20 habilidades imprescindíveis a qualquer profissional

Portal RH
Leila Navarro


Todos querem trabalhar numa excelente corporação. Todos querem estar nas "Melhores Empresas Para Se Trabalhar". O que nem todos captam, é que quem faz esta ou aquela empresa ser uma organização bem quista por todos, são as pessoas. Clique em "Mais Informações" e saiba mais sobre o assunto.
São os funcionários, os capitais humanos que faz com que uma empresa cresça e se multiplique em seu nicho mercadológico. Logo, o que faz uma empresa ser melhor para se trabalhar é a própria pessoa que nela atua.
Várias pessoas têm conversado comigo, seja após minhas palestras, seja quando me contratam para ministrá-las, e me perguntam quais habilidades esses profissionais devem ter para fazer de qualquer organização, uma empresa melhor. Como estou sempre observando o ambiente onde me encontro, para identificar tendências e analisar como é o comportamento das pessoas, pude perceber quais são as necessidades das organizações, e quais são os profissionais que estão um passo a frente dos demais. 

Procurei sintetizar o que observei para poder compartilhar com você um pouco dessas habilidades, que, creio, são imprescindíveis. Noto que essas habilidades fazem parte das pessoas que possuem um perfil empreendedor. Nas minhas palestras, costumo dizer que, se eu fizesse parte dos Recursos Humanos de uma empresa, somente contrataria uma pessoa que tivesse brilho nos olhos, uma "cara de orgasmo", ou seja, que fosse cheia de vitalidade, de energia, que não vê a hora de arregaçar as mangas e começar a fazer aquilo que ela tem de melhor, porque ela tem consciência do que pode agregar e o que pode fazer de diferente em seu ambiente profissional.

Além desse brilho único no olhar e da consciência da relevância que ela tem no que faz, eu destaco ainda outras habilidades:

1) Integridade e coerência. Revela a capacidade que o profissional tem de se relacionar. Faz com que as outras pessoas se comprometam e cooperem com ele. Para isso é preciso confiança dentro de uma organização, bem como potencializar alguns pontos do profissional: analisar as situações em que houve um descomprometimento com alguma tarefa; informar aos outros quando não irá poder cumprir com uma tarefa, para não perder sua credibilidade; aplicar os feedbacks em suas ações; reconhecer seus erros perante os demais; fazer um planejamento, como um fluxograma, dos compromissos adquiridos que devem ser cumpridos.

2) Flexibilidade. É a atitude para lidar com os imprevistos e contornar os momentos de crise. Para isso, tem que se “treinar” a improvisação. Mas como? Há alguns pontos que ajudam esse treinamento: reduzir o tempo que se emprega planejando uma tarefa; sempre que puder troque um trabalho que exige minuciosidade e morosidade por ações; trabalhe com equipes que contenham uma diversidade de pessoas, que vai te ajudar a aceitar que não existem verdades absolutas; crie o costume de pedir a opinião para toda sua equipe, e observe os vários pontos-de-vista para resolver um determinado problema; marque num papel os motivos que o levaram a determinar certa decisão, e se você os mantém ou não quando a situação muda de rumo.

3) Autoconfiança e autoconhecimento. Essas habilidades são importantes para você assumir riscos e ter segurança, são ótimas para o espírito empresarial, visando ser um líder e empreendedor. Para isso saia da sua zona de conforto e comece a ter uma visão mais ampla de até onde você pode chegar; marque num papel seus objetivos, circule os que já alcançou e sempre determine novos; fuja das pessoas muito protetoras e de superiores que não delegam tarefas, limitando sua capacidade; para melhorar seu autoconhecimento tente enxergar como as pessoas ao seu redor o vêem, ou procure um especialista no assunto, como um terapeuta, para melhorar suas capacidades pessoais.

4) Intuição. Deixar guiar-se pela sua intuição pode ajudar a livrar-se de um problema rapidamente, quando há escassez de tempo, e ajuda a melhorar sua capacidade de criação. Para isso é preciso aprender a pensar intuitivamente, como um “efeito helicóptero”, que significa ver as coisas de cima com uma certa distância; tente resolver um problema que pode até ser óbvio para os outros, e encontre mais de uma solução; quando tiver que explicar situações complexas, crie o hábito de simplificar as informações, identificando o ponto-chave para aqueles que concordam com a sua argumentação.

5) Capacidade crítica. Habilidade para analisar criticamente toda tarefa que lhe é delegada. Como se todo projeto ou trabalho seja feito com todos os prós e contras. Segundo os especialistas essa é uma das habilidades mais difíceis de se desenvolver, porém há algumas maneiras de exercitá-la: tente utilizar o lado mais racional do cérebro, evitando tomar decisões baseadas nas emoções; melhore sua capacidade de enxergar a realidade, analisando separadamente cada uma das partes que condicionam a solução de um problema, e peça a ajuda de outras pessoas para descobrir novos fatores que você não havia percebido; crie o hábito de marcar num papel qual o motivo lógico (racional) que o levou a chegar a determinada conclusão; discipline sua mente para criar todas as argumentações possíveis para defender suas idéias, sem se esquecer os detalhes como datas e investimentos.

6) Iniciativa. Serve para tornar as idéias boas em prática. É agir com velocidade e inovação. Para potencializar essa habilidade: ofereça ajuda para resolver situações difíceis e imprevisíveis; se tem tendência a evitar os riscos, passe a considerar os erros cometidos no passado como novas oportunidades para aprender; desenvolva atividades que estão coligadas à iniciativa como delegar tarefas, análise de custo-benefício; clarifique suas prioridades para colocá-las em prática.

7) Compreensão. Refere-se a compreensão e domínio da cultura da organização, otimizando o relacionamento de todos aqueles que trabalham, para ter um bom relacionamento com colegas, clientes e fornecedores. Para isso analise sua organização internamente, averigüe seu funcionamento e saiba dos obstáculos que possa vir a enfrentar; quando te anunciam um caminho, tente descobrir como as outras pessoas da organização reagirão em relação a esta nova meta.

8) Competitividade. Ter metas claras, não deter-se em chegar ao objetivo comum. Preocupar-se em realizar um excelente trabalho, ir além dos objetivos determinados por seus superiores, ter tendência a inovar e desfrutar coisas que antes não conseguia. Todos esses fatores referem-se a uma competitividade sadia, um passo para o sucesso. Esta habilidade está intimamente ligada às suas emoções e motivações pessoais. Questionar sobre seus objetivos e metas; sobre aquilo que realmente gosta de fazer e evitar rotinas de trabalho, sempre inovando, é um modo de potencializar essa habilidade.

9) Visão no cliente. Descobrir os desejos ocultos do outro, investir tempo sobre as necessidades das outras pessoas e clientes, enfim, detectar aquilo que satisfaz o cliente. Para potencializar essa habilidade: controle suas emoções e tenha flexibilidade para relacionar-se com os diversos tipos de pessoas; quando tem que lidar com clientes que não são muito claros naquilo que desejam, aprenda a questioná-los, para detectar sua real necessidade e desejos; tente manter-se sempre disponível para o cliente; seja simpático; desenvolva um histórico de pedidos de todos os seus clientes, para que quando eles entrarem em contato, você possa otimizar a comunicação.

10) Compreensão interpessoal e empatia. Ter sensibilidade para lidar com todos, satisfazer aos demais, tornar-se o líder do grupo graças a sua empatia. Esta é a habilidade chave, principalmente para aqueles que lidam diretamente com o atendimento ao cliente e profissionais na área de prestação de serviços, pois cabe a esses profissionais identificar com empatia aquilo que seus clientes realmente necessitam. Na verdade, a empatia se desenvolve com a prática, primeiro conscientemente (tomando notas do que o outro diz, escutando dúvidas e necessidades), e depois convertendo isso num hábito diário.

11) Capacidade de liderança. É a capacidade natural dos outros seguirem a você. Se você tem facilidade em motivar seus colegas de trabalho, e eles sempre pedem a sua opinião para tomar decisões importantes, você já tem essa capacidade dentro de si. Fazer com que os superiores também te sigam é uma boa proposta. Para pontecializar ainda mais essa capacidade, dedique uma parte do seu tempo para escutar os demais da equipe, conhecer os problemas pelos quais estão passando e deixar claro que eles podem confiar em você para alcançarem suas metas; tente ganhar o respeito dos demais por meio de suas atitudes, trabalhando com coerência e dando sempre o bom exemplo.

12) Persuasão. Influenciar e persuadir os demais para alcançar os objetivos propostos é uma habilidade muito poderosa. Alguns têm um inexplicável magnetismo com os outros membros da equipe, para que eles dêem o melhor de si. Mas, para conseguir ganhar mais capacidade de persuasão, há algumas dicas: melhore sua capacidade de comunicação e a maneira de por no papel o planejamento das metas; seja coerente em tudo o que diz ou faz, pois é a segurança de sua credibilidade, e assim poderá fazer com que os outros te sigam. Apenas não confunda essa poderosa habilidade de persuadir com a de manipular as pessoas, pois nesse caso essa capacidade deixa de trazer benefícios profissionais para você.

13) Relacionamentos/Pessoas. Manter relações de longo prazo com os colegas de trabalho fora do ambiente profissional; dominar as habilidades interpessoais importantes, como escutar os outros; trabalhar orientando-se nas pessoas e não nas tarefas. Essas e outras atitudes pertencem a uma habilidade muito valiosa e bem requisitada no meio corporativo pelas grandes empresas: a capacidade de relacionamento interpessoal. Para aprimorar essa habilidade: compartilhe com os demais seus assuntos pessoais; escolha pessoas que mais têm afinidade contigo, e estabeleça uma relação de confiança dentro e fora do ambiente de trabalho; trate cada um de forma personalizada; amplie sua rede de relacionamentos, entrando em contato com pessoas novas em reuniões, por exemplo.

14) Coaching. A palavra coach em português significa treinador, mentor. Quem tem a habilidade de “coaching” é aquela pessoa capaz de observar o trabalho em equipe e identificar quais os indivíduos são mais adequados para executar determinada tarefa; consegue abranger as necessidades pessoais de cada um com as necessidades da empresa como um todo e se preocupa para que toda equipe se desenvolva e cresça profissionalmente. Para aprimorar sua capacidade de coach, é preciso primeiramente se espelhar em um outro coach, que te ajude a identificar suas próprias fortalezas, e fazer com que você desenvolva-se profissionalmente, cada vez mais.

15) Trabalho em equipe. Se sentir bem em estar colaborando com todas as pessoas, em que elas também lhe digam o que deve fazer; escutar e respeitar as opiniões alheias diversas das suas; preferir trabalhar em conjunto para alcançar um objetivo comum a trabalhar sozinho para almejar por metas individuais. Essas são atitudes daqueles que possuem essa brilhante capacidade de trabalhar em equipe. Aprender a aceitar críticas; aprender a delegar tarefas; pedir opiniões para os demais e eliminar as barreiras formais em situações rotineiras são formas de você pontecializar mais essa habilidade.

16) Visão do negócio. Para aqueles que se preocupam em estar sempre atualizados; têm a própria opinião sobre em qual lugar está sua organização e para onde ela irá caminhar e é capaz de prever as conseqüências das suas decisões antes que elas virem um problema. Essas são as características de quem já possui essa habilidade, de aguçar seu faro para um todo. Para pontecializar ou começar a treiná-la: desenvolva seu lado e sua curiosidade intelectual, acostumando-se a ler livros, revistas e jornais periódicos; dedique uma parte do seu tempo para planejar, analisar e estabelecer prioridades na sua área de atuação; para prever possíveis conseqüências no futuro, passe a analisar a realidade do mercado em longo prazo, contrastando dados do passado com dados do presente.

17) Autocontrole das emoções. Controlar as situações difíceis e ter capacidade para suportar com naturalidade as situações de máximo estresse. Essas são algumas das características das pessoas que possuem essa habilidade. Para otimizar o controle das suas emoções, ou começar a ter essa habilidade: tome as decisões importantes em momentos de lucidez e não quando você estiver de mal-humor; aprenda a frear as reações negativas, contar até 10 já começa a resolver, ou peça para que alguém te ajude a se controlar; pare para respirar se necessário; potencialize sua habilidade interpessoal com os demais, assim você entenderá os pontos-de-vista dos outros, o que lhe ajudará a compreender melhor suas reações negativas em alguns momentos.

18) Comunicação e negociação. Aqueles que têm a capacidade para iniciar conversas com todos os tipos de pessoas e que, quando explicam assuntos complexos aos demais, conseguem fazer com que eles captem a mensagem logo em seguida. Essas são características das pessoas que possuem a habilidade da comunicação e negociação em evidência. Para otimizar ainda mais essa habilidade: use o feedback para descobrir quais são os obstáculos que te limitam quando se comunica com os demais; para evitar mal-entendidos, use sempre expressões como “ajude-me a...”, assim você consegue negociar e delegar tarefas aos demais.

19) Agilidade para tomar decisões. Não deixe que uma análise excessiva dos fatos faça com que você não tome decisões, te paralise. Essa habilidade se encaixa perfeitamente nas áreas em que se exijam resultados imediatos e decisões estratégicas, sem perder tempo em longas reuniões. Para otimizar: sempre analise todas as informações possíveis antes de tomar uma decisão, evite agir sob pressão; crie o hábito de anotar como você resolve os problemas mais complexos, assim quando tiver que tomar uma decisão difícil, já saberá como resolvê-los.

20) Aprendizado e desenvolvimento pessoal. Aqueles que estão dispostos a iniciar novas tarefas e buscar novos enfoques ou novos modos de fazer as coisas; sentem-se mais motivados com o desenvolvimento pessoal do que com as recompensas materiais que possam vir a ter. Essas são algumas das características que essa habilidade influi. Para otimizar ainda mais ou desenvolver essa habilidade: tente melhorar sua autocrítica com os feedbacks, pois, com eles os outros lhe informam o que está indo bem e mal com você. Se você for capaz de assumir suas críticas e erros será capaz de desenvolver qualquer aprendizado.
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