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sábado, 14 de janeiro de 2012

Pontos persas no campo de batalha invisível

Convém saber qual será o alinhamento do "governo petista", e não Estado Brasileiro, no desenrolar da crise. Relembre-se que o Irã enviou representante na convenção petista que indicou, oficialmente, a candidata Dilma para concorrer à presidência. Este ato e presença teve um porquê e tem uma expectativa.
Espero que a sociedade não terceirize, sem se manifestar, os próximos passos.


Pontos persas no campo de batalha invisível 
GILLES LAPOUGE
O Estado de S.Paulo


Os 27 países do bloco europeu vão decretar um embargo ao petróleo iraniano. A França lidera esse esforço. E gostaria que as empresas petrolíferas europeias parassem rapidamente de se abastecer do óleo bruto iraniano. Grã-Bretanha, Alemanha e mesmo os países escandinavos aderiram à estratégia que Paris qualifica de "a arma absoluta" contra a ameaça nuclear iraniana - ainda que o petróleo do Irã represente somente 5,8% do consumo europeu total do produto.

Essas medidas mais duras contra o Irã têm vários motivos: em primeiro lugar as manobras navais realizadas pelo Irã no Estreito de Ormuz, por onde transita um terço do petróleo mundial. Em seguida, no dia 8, Teerã anunciou que sua usina de enriquecimento de urânio instalada num bunker em Fordo estará operando em breve. Ora, essa usina tem sua originalidade: está oculta numa montanha a uma grande profundidade. O que deixa Estados Unidos e Israel inquietos: uma usina num local como esse com certeza resistirá às bombas mais potentes. Ninguém duvida, também, que aviões que tentarem bombardear a usina serão derrubados, pois a área é protegida por uma defesa antiaérea terrivelmente sofisticada.

Mas o Irã dispõe de outras armas na guerra fria que trava com o Ocidente, armas diferentes, indistintas, imperceptíveis: a espionagem, a guerra secreta, os serviços de informação. Nessa batalha invisível, os iranianos acabam de marcar vários pontos contra os EUA.

Anunciaram no início da semana que um cidadão de nacionalidade americana e iraniana, Amir Mirzai Hekmati, suspeito de trabalhar para a CIA, foi condenado à morte pela "Justiça revolucionária" do Estado islâmico. Um novo desafio para os EUA e sobretudo para o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, que ameaçou Teerã de represálias caso o Estreito de Ormuz seja fechado.

Quem é este Hekmati? Um americano de origem iraniana, nascido no Arizona há 28 anos, ex-fuzileiro naval dos Estados Unidos. De acordo com o jornal Asia Times (de Hong-Kong e geralmente bem informado), Hekmati teria sido infiltrado pela CIA no serviço secreto iraniano.

Chegou ao Irã no fim do verão e manteve contatos com um ministério iraniano. Ele teria proposto passar informações que os iranianos julgaram capitais, mas, ao mesmo tempo, perceberam que ele era um agente dos Estados Unidos. De acordo com o mesmo jornal, a captura era considerada em Teerã uma prova de que o Irã é capaz de frustrar a poderosa rede de espionagem americana.

Outro sucesso dos iranianos nessa guerra de informações secretas: em 4 de dezembro, capturaram um drone americano RQ-170 Sentinel, ultrassecreto. Um triunfo, ainda mais que eles conseguiram assumir o controle do aparelho, forçando-o a pousar. E, de fato, um vídeo gravado em Teerã mostrou o drone sem um arranhão. A CIA denunciou o golpe. Barack Obama exigiu que o aparelho fosse restituído, o que para alguns foi uma atitude desastrada, pois confirmou que o orgulho americano tinha recebido um golpe violento. E é claro que os iranianos rejeitaram de imediato a exigência americana.
 TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
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sábado, 20 de novembro de 2010

Brasil de Lula se alinha à barbárie, de novo

Nossos cidadãos acham que vivem em uma democracia madura. O presidente, por intermédio de suas relações internacionais e diplomatas, evita se opor a o que há de pior no mundo sem a menor preocupação de pedir autorização ao Congresso tampouco que o que os cidadãos que ele representa, pensam.
A omissão da sociedade diante da figura mítica de Lula nos trará sérios problemas no futuro.


Brasil de Lula se alinha à barbárie, de novo
Marcos Guterman
O ESTADO DE SÃO PAULO


A diplomacia brasileira se absteve de apoiar uma resolução da ONU que pede o fim do apedrejamento de condenados no Irã e condena o país por graves violações de direitos humanos. Não foi a primeira vez que o Itamaraty se posicionou dessa maneira, o que reforça a sensação de que se trata de uma política deliberada de ignorar a barbárie iraniana em respeito a interesses geopolíticos.

O Itamaraty informou que o Brasil se absteve porque é favorável ao diálogo com o Irã e, em sua visão, as resoluções da ONU não ajudam esse entendimento. Com isso, a atual diplomacia brasileira ignora suas obrigações previstas na Carta da ONU. Diz o Artigo 1, parágrafo 3, sobre os propósitos das Nações Unidas:

“Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário, e para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião”.

Isso significa que as manifestações da ONU sobre direitos humanos não são um capricho dos países que os defendem, mas sim um instrumento legítimo de pressão. Para Teerã, a resolução é tão somente resultado da “hostilidade americana” contra o Irã – como se outras dezenas de países, muitos dos quais críticos aos EUA, não tivessem igualmente votado a favor da censura. Essa reação grosseira mostra a indisposição iraniana para mudar seu comportamento.

Nada disso, porém, parece alterar a visão do atual governo brasileiro, cuja estratégia, como já está claro para todos, visa a arregimentar apoio de países marginais para construir um arco ideológico antiamericano – mesmo que, para isso, relativize a questão básica dos direitos humanos, tão duramente conquistados pelas nações civilizadas.
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quarta-feira, 19 de maio de 2010

O feito de Lula em Teerã

Esta foi uma notícia que eu gostei. Como cidadão eu gostei da projeção do Brasil feita pelo Lula, apesar de saber que seus objetivos são o de projeção internacional e o de candidato a  Secretário Geral da ONU.

Mas a impressão que fica é a de que nada se entende neste imbróglio, não é verdade? Isto porque a mídia internacional controla o esclarecimento no conteúdo das notícias principais. Não se preocupam com o famoso "entenda o que acontece no Irã".

De toda sorte a questão tem a ver com o controle do golfo Pérsico para manutenção do escoamento seguro da produção de petróleo daqueles países. Ninguém quer um Irã forte com capacidade de deterrência suficiente para desestabilizar aquela região.

O que me chama a atenção nesta jogada, independentemente de eu gostar ou não, foi a capacidade de se mostrar ao primeiro mundo que alguns do mundo em evolução demonstrou capacidade de articulação em torno de uma agenda que para eles, G8, era consumada.
Um outro ponto importante, neste grande "mis en scene" (na realidade tudo isto é movimento de cena - explicarei minha visão oportunamente) é que a "grande esperança do mundo", o Barack Obama, não consegue dar consecução às suas propostas. Lembro de estar caminhando à beira do Potomac river, em um intervalo de aulas, quando o ouvi em campanha, via rádio, Obama, candidato, dizer que Bush tinha perdido a chance de ser um hábil articulador internacional ao longo dos oito anos de goveno e havia perdido. E agora, José? Ou melhor, Obama?

Este fato também serve para alertar àqueles que, movidos pela fabricada antipatia sobre Bush (ele é uma pessoa que representa uma idiossincrasia comportamental de seu povo, os demais, em sua expressiva maioria, são como ele), achavam que Obama seria o remédio para os males do mundo, por ser jovem, negro, empreendedor, etc etc. Ganhou até um Nobel da Paz só por suas intensões. Diante deste fato a pergunta é: Vão pedir o Nobel de volta?

Claro está que não ofertarão o Nobel para o Lula, depois daquela gafe internacional de dizer que ceder à greve de fome é o equivalente a dar ouvidos a bandidos, dito em Havana, caso ainda a mídia não tenha articulado um "esquecimento" sobre o caso...Bem, os que votarão no novo Secretário da ONU, com certeza, não.

Assim amigos, fiquem tranquilos, não estou sendo paradoxal, há coerência nessa reservada defesa do fato. Apesar de haver interesses à luz da doutrina do Foro de São Paulo por detrás dessa defesa, para nós, ainda que momentaneamente, ajudou em nossa projeção...Como dizia Jô Soares: "Tirante Aureliano que fala...".



O feito de Lula em Teerã



No seu discurso de posse, em 20 de janeiro de 2009, o presidente americano, Barack Obama, estendeu a mão "aos que estiverem dispostos a abrir o punho". Referia-se, naturalmente, ao Irã, com quem os Estados Unidos estão rompidos desde a Revolução Islâmica de 1979 e cujo programa nuclear Washington (e não só) tem certeza de que se destina à produção da bomba atômica. Dezesseis meses depois, o Irã apertou a mão do Brasil e da Turquia. 

Depois de extenuantes negociações que vararam o domingo, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao país, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que viajou às pressas, e os chanceleres das três nações fizeram-se fotografar ontem de mãos alçadas para celebrar um acordo que põe em xeque o esforço americano para aprovar no Conselho de Segurança (CS) da ONU uma quarta rodada de sanções contra o Irã. 

Os Estados Unidos e os seus aliados europeus defendem a adoção das novas punições pela recusa iraniana a abrir as suas atividades nucleares à plena fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e por manter apesar da proibição do Conselho de Segurança o seu programa de enriquecimento de urânio a índices mais altos do que os necessários para emprego civil. Nada disso, nem o temido programa, muda com o acordo que tem um escopo muito limitado ?, mas o quadro mudou de figura.

Em outubro passado, negociadores iranianos acertaram com o Grupo de Viena (Estados Unidos, França, Rússia e a AIEA) um esquema pelo qual Teerã entregaria à Rússia cerca de dois terços dos seus estoques de urânio enriquecido a 3,5%, ou 1.200 quilos. Os russos o enriqueceriam a 20% e os franceses, em seguida, acondicionariam o material para ser usado em reator de pesquisa, com finalidades medicinais. A troca levaria um ano um dos motivos invocados no começo do ano pelo Irã para desistir do negócio.

O país tem um histórico de aceitar propostas apenas para ganhar tempo e confundir os interlocutores. Nesse caso, porém, Teerã parecia recear que a França não cumpriria o trato. Eis por que Ahmadinejad exigiu que a troca fosse simultânea, condição inaceitável para o Ocidente. Afinal, o objetivo da operação era reduzir os volumes de material físsil em poder do Irã, retardando, portanto, o seu suposto projeto militar atômico.

A partir daí, os Estados Unidos se concentraram em persuadir os membros recalcitrantes do Conselho de Segurança, a começar da Rússia e China, de que as sanções haviam se tornado a única saída. Detentor de um lugar temporário no principal colegiado da ONU, o Brasil tomou a polêmica decisão de se opor enfaticamente aos castigos enquanto não se esgotassem as iniciativas diplomáticas. No papel de mediador de que se investiu, o presidente Lula chegou a se comportar como advogado de Ahmadinejad.

Se o futuro não o desmentir, a tenacidade de Lula vingou. Sob a acusação de servir aos iranianos para ludibriar a comunidade internacional em nome de irrealistas ambições de liderança global, na contramão das posições dos Estados Unidos, o governo brasileiro, com a crucial participação da Turquia, reviveu o arranjo do Grupo de Viena. O Irã depositará no vizinho país, no prazo de um mês, 1,2 tonelada de urânio levemente enriquecido. Em até 1 ano, receberá da Rússia e da França 120 quilos de urânio a 20%. Ou a Turquia devolverá o material sob a sua guarda.

"Foi uma resposta de que é possível, com diálogo, a gente construir a paz", exultou Lula. Washington, no entanto, alega que, de outubro para cá, os estoques iranianos declarados cresceram. O que então representava dois terços do urânio a ser embarcado equivale atualmente a pouco mais da metade. Mas esse não é o ponto mais importante da questão. O fato é que o Irã continuará enriquecendo urânio sem as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica, em circunstâncias que indicam a intenção de fazer a bomba. 

A vitória que Lula está comemorando é a certeza de que, com esse acordo, os Estados Unidos não conseguirão, no Conselho de Segurança, os 9 votos em 15 de que necessitam para aprovar as sanções. 
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domingo, 6 de setembro de 2009

Opiniões sobre o Irã


A reportagem, se é que ocorreu da forma divulgada, demonstra em curto espaço de tempo contradições inocentes de nosso dignitário. Ele não deve se esquecer que quando fala, de uma forma ou de outra representa o povo brasileiro, assim, se quiser fazer proselitismo pelo menos deveria ser mais cuidadoso.

Ele insiste que com o Irã falta diálogo dos países do Ocidente esquecendo-se do como aquela sociedade se isolou, voluntariamente, dos demais países após a derrubada do Chá Reza Pahlevi.

O evento também serve para alertar o quanto George Bush, queira-se ou não, estava certo quando denominou aquele país como pertencente ao eixo do mal, pois junto ao Afeganistão e Paquistão os terroristas estão ampliando suas capacidades de ataques para além daquelas fronteiras. Contudo, entender-se que terrorismo hoje em dia pouco representa ideologias e mais business estará longe da compreensão do cidadão ocidental normal.

Por fim no último parágrafo, sempre de acordo com o relatado pela mídia, nosso presidente declara que deve-se deixar de se intrometer nos assuntos internos do Irã. Por que, então que ele está se intrometendo no acordo entre Colômbia e EUA sobre as bases americanas no país vizinho?

Acredito que ele queira demonstrar ser um estadista com visão de mundo, capaz de opinar com segurança acerca de temas coletivos. Ele está correndo sério risco de demonstrar não conhecer esta seara.

Enfim...a reportagem segue no link abaixo:

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,lula-rejeita-sancoes-ao-ira-e-pede-conversa-com-o-pais-islamico,430466,0.htm

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