Mostrando postagens com marcador Crise econômica; Grécia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crise econômica; Grécia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sobre a Grécia

O que vale a pena acompanhar na questão grega é a incapacidade de promover desenvolvimento devido a sua reduzidíssima capacidade de produção em todos os segmentos econômicos (devido a seu reduzido espaço e a sua topografia que dificulta a mobilidade). 

Os pendores socialistas em décadas produziram uma ascensão social baseada no consumo e  na dependência de investimentos externos, finitos e com pouca flexibilidade além do turismo. 

No momento que se encara a austeridade externa, dos donos dos dinheiros lá jogados o desequilíbrio social se acentua. Vale acompanhar:



http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/01/1581455-editorial-calcanhar-de-aquiles.shtml
.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Caminho pedregoso




José Paulo Kupfer
O Estado de S. Paulo


Assim como perdem aceleração as estatísticas que indicam a trajetória da economia brasileira, caem, pouco a pouco, as dúvidas sobre a reversão do ritmo de crescimento. Quando se olha para frente, já são mais do que nítidos os sinais de que as pressões inflacionárias ingressaram num período de relativo alívio e o emprego - e não só na indústria - entrou em fase de acomodação. Essas indicações, combinadas, explicam a cautela, quando não o pessimismo, que passou a se repetir nas sondagens conjunturais mais recentes.

Vencido o primeiro terço do último trimestre, poucos ainda acreditam que a política econômica deveria manter ativos os mesmos elementos de restrição da demanda que predominaram no primeiro semestre de 2011. Porém, mesmo entre os que já se convenceram de que o mar, no futuro próximo, não estará para peixe, observa-se a preferência em atribuir quase com exclusividade às turbulências globais o esfriamento da temperatura econômica no País.

Existem, no entanto, variáveis críticas da própria economia doméstica que estão se encarregando de puxar o freio da demanda aqui dentro mesmo. É o caso da taxa de investimento. Tudo indica que a taxa de investimento - o índice que designa a relação entre a formação bruta de capital fixo e o PIB - registrará, em 2011, um recuo diante dos 18,4% de 2010, fechando o ano em 18% do PIB ou até menos. Parte da composição do PIB, no lado da demanda, o investimento contribuirá, portanto, para a redução do ritmo de crescimento em 2011.

As razões para esse resultado, que reforça a incapacidade brasileira de investir mais de 20% do PIB a cada ano, reprisada nas últimas três décadas, dão panos para muitas mangas, mas ficam para outra conversa. O que se pretende ressaltar aqui é que a taxa de investimento avançou abaixo do que seria necessário para manter um crescimento firme em torno de 5% ao ano, mesmo quando o custo de investir era relativamente barato. Mais que isso, pretende-se chamar atenção para o fato preocupante de que o longo período de barateamento dos preços do investimento, iniciado com a abertura comercial dos anos 90, está chegando ao fim.

Nas décadas perdidas de 1980 e 1990, o investimento era baixo, mas o PIB também crescia pouco. Nem quando, nos últimos oito anos, a economia avançou a uma média de 4,3%, as taxas de investimento se elevaram além da média anual de 17,3% do PIB. A explicação para a combinação aparentemente improvável é que, nesse período, o investimento concentrou-se na aquisição de máquinas e equipamentos, relegando a construção civil - que reúne investimentos em construção residencial e os de infraestrutura - a um plano secundário.

Não é difícil observar que esse modelo de investimento a preços mais baixos, baseado na importação de bens de capital, está perto do limite. Não só o processo de liberação comercial, no caso dos bens de capital, chegou aonde dava, como o impulso das importações com base numa taxa de câmbio muito valorizada parece não ter mais tanto futuro. Também não é difícil perceber que a tendência do investimento se desloca para aqueles segmentos antes relegados a segundo plano, em que, nas últimas décadas, o País acumulou déficits.

É sem dúvida desejável, justamente pela necessidade de cobrir esses déficits, alterar a composição do investimento, mudando o foco para as aplicações em infraestrutura, sobretudo energia e transporte, e construção habitacional. Mas não se pode esquecer que essas atividades se caracterizam pelas mais altas relações capital-produto. Além de mais tempo de maturação, são investimentos que exigem mais unidades de capital para cada unidade de produto gerado.

Ainda que os economistas se engalfinhem na definição das condições para a realização dos investimentos, é intuitivo que incertezas sobre as perspectivas de crescimento econômico dificultam, quando não inviabilizam, as decisões de investir. Torna-se crítico, portanto, dotar a política econômica de elementos capazes de romper a armadilha que vincula baixo crescimento a baixo investimento - e vice-versa. Muito mais quando tendem a aumentar as doses requeridas de capital por investimento.

Logo se vê que, sem abrir espaços a cortes nas taxas de juros, compensando a necessidade de maiores quantidades de capital com menores custos do dinheiro, bem como sem adotar programas de desoneração fiscal atrelados a estratégias empresariais pró-investimento, o caminho do crescimento continuará pedregoso. E, claro, propício a muitos tropeços.
.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A Grécia é a ponta do iceberg

Nosso presidente vem defendendo um Estado forte e uma carga tributária elevada. Da mesma forma a CEPAL também assim define e expressa no documento que encerra o encontro multinacional. 


A questão está na insolvência que alguns países que não possuem a riqueza que nós temos que não tiveram de onde extrair meios, insumos e recursos minerais para colocar à venda no mercado internacional e atrair investimentos.


Convém, contudo, acompanhar que o Estado assistencialista é a maior causa da insolvência grega, só que este particular não vem sendo devidamente iluminado.






Em entrevista exclusiva a EXAME, o economista Nouriel Roubini descreve aquilo que considera o "castelo de cartas" das finanças globais




A popularidade do economista americano de origem turca Nouriel Roubini costuma oscilar na razão inversa da situação econômica mundial. Em momentos de euforia, o professor da Universidade de New York tende a ser visto como um chato de plantão, aquele cri-cri que busca problemas onde os outros veem soluções. Não à toa, ficou conhecido como Dr. Apocalipse. Mas, quando as crises previstas por ele se materializam, acontece o contrário. Sua fama atingiu o apogeu em 2008, durante o pânico causado pela quebra do banco americano Lehman Brothers. Roubini, que havia previsto o colapso, tornou-se uma espécie de economista popstar. Agora, em meio à crise que lançou o euro em incerteza, as palavras de Roubini, um velho crítico da união monetária europeia, voltam a ganhar peso. Para ele, a endividada Grécia é apenas a ponta do iceberg - e os problemas que abalam o país podem ser encontrados também em potências como Estados Unidos, Japão e Reino Unido. Segundo ele, as finanças governamentais são um castelo de cartas prestes a desabar. Uma boa notícia: o Dr. Apocalipse alimenta um cauteloso otimismo em relação à economia brasileira. Roubini viaja ao Brasil para participar da segunda edição do EXAME Fórum, no dia 31 de maio, com o tema "Brasil - A construção da quinta maior economia do mundo". Antes de embarcar, deu a seguinte entrevista a EXAME.
EXAME - No dia 10 de maio, as bolsas dispararam com o anúncio do plano de resgate europeu. Logo depois, o pessimismo voltou a toda. Qual é o problema com a Europa?
Nouriel Roubini - Dinheiro não é o bastante para resolver o problema europeu. Os países do sul da Europa estão endividados demais. A solução proposta no pacote é levá-los a um longo período de cortes draconianos e recessão. Isso só vai deixá-los ainda mais longe de atingir as metas de redução da dívida. A Grécia sairá dessa temporada recessiva com uma dívida ainda maior. Os problemas são muito sérios, e resolvê- los da maneira proposta pela União Europeia me parece ser uma missão impossível, além de politicamente inviável. Por isso os mercados reagiram mal: se nem 1 trilhão de dólares resolvem um problema, é sinal de que o imbróglio é realmente muito complicado.
EXAME - Mas havia uma saída melhor?
Nouriel Roubini - Países como a Grécia vão acabar tendo de reestruturar sua dívida ou mesmo deixar a zona do euro. Eles deveriam fazer isso logo, reconhecer que não há como pagá-la. Isso pode ser feito de maneira ordenada, como o Uruguai fez em 2003. Minha expectativa é que, em seis ou 12 meses, eles vão acabar percebendo que é impossível seguir no caminho atual. Os eleitores alemães também entenderão que não faz sentido gastar 140 bilhões de dólares para prevenir o que não é possível prevenir. Quanto mais organizado for esse processo, melhor. A Argentina empurrou o problema até que se viu forçada a dar o calote de maneira caótica em 2001, e foi um desastre. Minha sugestão é que se resolva isso logo para que o resultado seja mais à uruguaia, menos à argentina.

EXAME - O euro perdeu quase 15% de seu valor em relação ao dólar em 2010, e muitos preveem que as duas moedas caminham em direção à paridade. Ainda há esperança de que o euro venha a ser uma alternativa como moeda de reserva mundial?
Nouriel Roubini - A verdade é que o euro sai ferido dessa crise, que ainda nem acabou. Até os alemães estão nervosos com a moeda única. E a ideia de ter o euro como moeda de reserva mundial está em sério risco. Uma moeda de reserva não pode estar sujeita a riscos de liquidez ou de crédito como os vistos nas últimas semanas, com países- membros à beira do calote. O euro deixou de ser um porto seguro. Os investidores perceberam que, da maneira como a União Europeia está organizada hoje, o euro não tem condições de ser uma moeda de reserva.
EXAME - O senhor escreveu recentemente que a dinâmica da dívida mundial lembra o esquema Ponzi, do fraudador americano Bernard Madoff. Por quê?
Nouriel Roubini - Essa crise começou com um acúmulo de dívida no setor privado, uma bolha imobiliária em países como Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, e levou ao colapso do sistema financeiro. Governos dos países ricos socializaram os prejuízos resgatando bancos e empresas quebradas e, para amenizar a recessão, começaram a gastar dinheiro público. O resultado disso tudo foi a multiplicação de governos insolventes. Agora, países mais fortes e instituições como o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia estão repetindo o roteiro anterior e resgatando as nações com problemas. Mas a pergunta que fica é: quem vai resgatar a União Europeia e o FMI? Esse é um castelo de cartas.
EXAME - Quem olha os números do Orçamento americano percebe uma desconfortável semelhança com a Grécia. Na próxima década, estimase que os Estados Unidos terão um déficit de 9 trilhões de dólares, um recorde. A situação é sustentável?
Nouriel Roubini - A Grécia é apenas a ponta do iceberg. A situação americana não é sustentável e, pior, temos problemas semelhantes no Reino Unido, em outros países europeus e no Japão. Os países encrencados têm três opções. A primeira é dar um calote. A segunda é ligar suas gráficas e imprimir dinheiro, criando inflação. A terceira é cortar gastos, aumentar impostos e colocar a casa em ordem. O problema é que os políticos, notadamente os americanos, não parecem reconhecer o problema. Os democratas são contra cortes de gastos; os republicanos são contra qualquer aumento de impostos. E é preciso ir além, reformar a seguridade social e o Medicare (plano de saúde federal para idosos), por exemplo. Se não conseguirmos fazer isso, os Estados Unidos podem virar uma Grécia.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Preço a pagar

Amigos estou insistindo em alguns temas que estão aparecendo de forma fortuita na mídia de maior alcance. Quando aparece em "lead" ele tem o tempero do economês. Tenho tido dificuldades até de ler os editoriais da Economist e do Wall Street Journal pois até lá o economês é pesado, com as habituais gírias "inteligentes" e altamente segregacionistas até para o leitor americano e britânico.

Valho-me, portanto, de alguns jornalistas brasileiros que utilizam equipes de jornalistas especializados para poder esmiuçar os problemas, desta vez, da UE e da recente crise da Grécia que, em função de similaridade com o nosso fabuloso mundo de funcionários públicos, colocou aquele país na bancarrota.

Gostaria de relembrar que a Alemanha depois do altamente socialista e populista Schoroeder, escolheram uma engenheira e financista como presidente que está debastando todos os perfis de benefícios constitucionais daquele país. Da mesma forma a França vem acompanhando, ainda que com mais timidez, os mesmos movimentos pois os cidadãos da ativa estão evitando o esgotamento econômico.

É um assunto a ser acompanhado por todos.






Preço a pagar



"O ponto que merece todos os olhares é simples: para ser grande, como a UE quer, é preciso pagar um preço alto, tão alto quanto o tamanho do sonho"




Ninguém duvida, já há muito tempo, que a União Europeia é provavelmente o maior projeto político da atual geração – ou que o euro, a moeda comum a dezesseis dos países que fazem parte dela, é o seu projeto econômico mais ambicioso. Nada parecido foi tentado antes, nem depois da formação do grupo, a partir de 1960. A ideia matriz de tudo isso, como vem sendo dito há cinquenta anos, é que a união faz a força; melhor ser forte como parte de um conjunto do que ser apenas mais ou menos por conta própria. No embalo desse princípio, construiu-se um bloco multinacional que hoje reúne 27 países, tem 500 milhões de habitantes e se tornou uma potência mundial indiscutível, com um PIB próximo aos 12 trilhões de euros. Em troca, abriu-se mão de passaportes nacionais, de muita soberania para os governos e até de uma moeda própria para a maioria dos países-membros – e, sobretudo, foi distribuído um convite permanente para que as ações individuais de um ou de alguns sócios criem problemas para todos. O temporal financeiro que a UE vem vivendo neste mês de maio, e que ela pretende superar fornecendo o equivalente a até 1 trilhão de dólares em créditos para socorrer a economia de membros aflitos, mostrou que será preciso bem mais que uma Grécia, onde a crise começou, ou mesmo uma Espanha, para quebrar a união e destruir a sua moeda comum. Mostrou definitivamente, também, que projetos dessa grandiosidade são assim mesmo: a partir de certo ponto, tornam-se difíceis de desmanchar, mas também dão um extraordinário trabalho para ficar de pé.
Os responsáveis pela UE devem saber disso. Mas, até cederem na convicção de que não se deve premiar a delinquência, como falaram em seus discursos em público, e resolverem se unir na ajuda aos principais devedores, como acabaram fazendo para evitar um primeiro calote de países que têm o euro como moeda nacional, gastaram bom tempo numa caça aos culpados tão neurastênica quanto improdutiva. Muito se lamentou a "falta de liderança" dentro da comunidade, algo que seria uma das principais razões do tumulto – numa sociedade com 27 governos, ninguém decide, nem é capaz de convencer os outros a decidir. Foram culpados, é óbvio, os "especuladores internacionais", embora não se tenha identificado de maneira satisfatória, desta vez, quem seriam eles. A certa altura, denunciaram-se com ira santa as agências de rating sediadas nos Estados Unidos, que dão notas a países e empresas segundo a capacidade que têm de pagar suas dívidas, dentro de critérios que permanecem um perfeito mistério. Ao rebaixarem subitamente a avaliação da Grécia, elas estariam, segundo seus acusadores, "causando a crise", pois espalham o pânico nos mercados e fecham as torneiras de empréstimos para quem já está em dificuldade – ou tornam muito mais caro o dinheiro que pode sair delas. Curiosamente, não se questionou por que as notas da Grécia estavam entre as melhores do mundo até as vésperas de se saber que sua contabilidade oficial era uma piada. O problema das agências era ficarem dizendo que um país à beira da bancarrota mantinha plena capacidade de pagar o que devia – e não a sua decisão de mudarem a nota, quando perceberam o desastre. Na confusão, falou-se em "controles públicos" sobre as empresas de rating e até numa "agência europeia" para fazer o trabalho de avaliação. Nada se disse, depois, sobre como seria possível fazer a primeira coisa, e qual o propósito da segunda. Só dar notas altas a países da Europa?
A maior parte da pancadaria, naturalmente, caiu em cima dos próprios gregos. Foram acusados de gastar demais, endividar-se, falsificar números, mentir para as autoridades centrais da UE e não fazer nenhum esforço que gerasse, dentro de casa, o dinheiro necessário para pagar suas despesas. Por que os gregos podem se aposentar aos 53 anos? Por que têm 14º salário? Por que os bem conectados não pagam imposto de renda? Por que não vendem umas ilhas para pagar o que devem? De novo, aí, é indignação depois da porta arrombada. Todo mundo sabia que a economia da Grécia não produzia riqueza suficiente para pagar isso tudo, e mais uma Olimpíada, um novo metrô em Atenas, um aeroporto de última geração. Mas, enquanto a casa não caiu, preferiu-se olhar para o outro lado.
.

GEOMAPS


celulares

ClustMaps