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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um Novo Desenho no Mundo Árabe

Tenho procurado postar artigos esclarecedores acerca da situação no Egito. Agora fomos brindados por um texto bastante ilustrativo e escrito de forma didática pelo meu dileto professor Heck, da ESG.
Vale a pena ler.



Um Novo Desenho no Mundo Árabe

Estamos assistindo a graves manifestações de protestos em todo mundo árabe. Há poucos dias a população ia às ruas para protestar contar o ditador da Tunísia, Zine El-Abidine Bem, após 23 anos de um regime autoritário. Agora, passeatas gigantescas no Egito parecem definir o fim de Hosni Mubarek, há mais de 29 anos no poder. Iêmen e o Reino da Jordânia, também estão diante de tumultos e incertezas .
Uma análise sumária mostra que a realidade sócio econômica dessas nações é muito dura.  Uma forte desigualdade em termos de renda, e de igualdade de oportunidades. Uma reduzida oportunidade de emprego, afetando diretamente cerca de 90% da força trabalhadora mais jovem entre 16 e 24 anos.
Os movimentos seculares chegaram ao poder no pós-guerra, com uma proposta ambiciosa de reformas. Nada fizeram ao longo de mais de 50 anos, a não ser elevar a pobreza, ampliar a corrupção e deixar a economia estagnada, sem nenhuma probabilidade de reverter, a curto prazo, um quadro tão desfavorável.
Na verdade, esse projeto de poder sempre contou com o apoio irrestrito dos Estados Unidos, seja pelo aporte de elevadas somas em dinheiro, seja pelo fornecimento de material militar, na certeza de que a ajuda às ditaduras seculares do Oriente Médio manteria os radicais sob controle. Contudo, os fatos parecem indicar que o quadro sucessório nesses países seguirá uma linha antiamericana, como observa Ghaith al-Omari – Diretor da Força Tarefa Americana na Palestina, ao considerar que: “...os fundamentalistas apresentam-se como única alternativa política”.
Por certo, a questão central, para os líderes ocidentais, mais especialmente para Barak Obama, está no que acontecerá no “dia seguinte”. Quem assumirá o poder?  Uma oposição comprometida com a verdadeira democracia, próxima do que deseja Washington, ou uma oposição radical liderada por fundamentalistas islâmicos.
No Irã, deu no que deu, com a ascensão da tirania religiosa que o aiatolá Khomeini estabeleceu a partir de 1979, em conseqüência de uma revolução espontânea não muito diferente da que ocorre atualmente no Egito e nos demais países do oriente médio. A movimentação política no Líbano sugere um crescimento do grupo extremista do Hezbollah.
Como analisa Ross Douthat, ao comentar a política externa norte americana, em recente artigo para o New York Times: “Nós nos refugiamos nos sistemas de política externa: o internacionalismo liberal ou realpolitik, o neoconservadorismo ou o princípio de não intervenção. Temos teorias e esperamos que os fatos se alinhem a elas. Não se intrometa que ninguém se intrometerá com você. Instituições internacionais manterão a paz. Não, a política de equilíbrio de poder que a manterá....Promovemos a democracia e assistimos à ascensão de islâmicos do Iraque à Palestina. Entramos no Afeganistão e, em seguida, saímos para ver o Talibã assumir. Intervimos no Afeganistão, ficamos, e acabamos presos sem um fim à vista”.
De nossa parte, devemos estar atentos, mantendo a necessária distância e prudência em questões que não nos dizem respeito. A linha de ação recomendada, no campo da política da externa brasileira, não deve ser outra senão a de cooperar para a paz e entendimento entre as nações, sem abandonar a sábia neutralidade. Agir de forma soberana e independente, de modo a evitar os fatos de um passado bem recente que comprometeram a imagem do nosso país.
Vamos pois aguardar o novo desenho do mundo árabe

Rio, 02 de fevereiro de 2011

Profº Gustavo Alberto Trompowsky Heck
Mestre em Segurança e Defesa Hemisférica pela USAL/CID e
Membro do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra  

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos

A Nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos


Publicado Diário de Petrópolis 06-06-2010

Gustavo Heck

O Presidente Barack Obama acaba de divulgar a sua nova estratégia de segurança nacional seguindo determinação constitucional. Como afirmam os assessores e porta-vozes da Casa Branca, a nova proposta se distancia, e muito, da doutrina da guerra preventiva e do unilitaralismo estabelecido por George Bush.
Para Ben Rhodes, vice-conselheiro nacional de segurança de Obama, “nosso foco é uma estratégia que amplie nossas fontes de influência no mundo e nos permita usá-las para fazer frente aos desafios do século XXI”.
De fato, logo na introdução da nova estratégia está colocado que “o peso de um novo século não pode recair somente nos ombros dos Estados Unidos”. Por isso mesmo, Obama fala em buscar uma parceria construtiva para além dos aliados tradicionais, com destaque para as potências emergentes como China, Índia, Rússia, Brasil e África do Sul, com o que seria possível fazer frente ao terrorismo internacional e doméstico e à proliferação nuclear.
 Chega até mesmo a reconhecer, que o G8 deve ceder espaço ao G20, por ser este o grupo mais representativo para a discussão democrática dos impasses e conflitos no mundo atual. A nova doutrina, pelo que é dado a conhecer, enfatiza a diplomacia multilateral em detrimento da força militar.
De certa forma, o conceito de segurança nacional, agora apresentado, é mais amplo que o de Bush, na medida em que incorpora temas de ordem econômica e questões ligadas à educação, mudanças climáticas, energia e ciência, com destaque a redução do déficit do país, algo tido como essencial para por em ordem as contas públicas dos EUA.
Interessante notar que o combate ao terrorismo, segundo o documento em tela, teria início dentro do próprio território norte americano contra os extremistas nascidos ou residentes no país, certamente em razão do recente acontecimento na cidade de Nova Iorque, quando um simpatizante dos movimentos extremistas por pouco não concluiu um atentado de grandes proporções.
Contudo, em que pese à mudança de postura observada, os EUA continuam considerando a rede terrorista Al-Qaeda, a Coréia do Norte e o Irã como os grandes inimigos do Estado, algo que lembraria o famoso “eixo do mal” de George Bush. O próprio assessor presidencial John Brennan, admite que “se levará o combate contra os extremistas ali onde eles tramam seus planos e treinam, no Afeganistão, Paquistão, Iêmen, Somália e além”, embora garanta que a força será usada “de maneira prudente”.
Por outro lado, como está implícito na nova estratégia, os norte americanos não pretendem renunciar da sua supremacia militar, considerada uma das bases de sua estratégia e imprescindível como fator de influência no exterior.
Vamos esperar, e dar tempo ao tempo, na esperança de que possamos observar, mais adiante, uma efetiva mudança de postura da nação americana, onde prevaleça o entendimento, e não o confronto militar para dirimir pendências.
 
   
 Profº Gustavo Alberto Trompowsky Heck
M.Sc em Segurança e Defesa Hemisférica pela USAL/CID, M.Sc em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ, Membro do Corpo Permanente da ESG e,
   Coordenador Acadêmico de Themas
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