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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Eficiência despenca nas empresas que foram estatizadas por Chávez

A propósito do Estado Forte defendido por Lula e por Dilma, tal perspectiva sob a ótica de nossa idiossincrasia latina dará nisso, sem poder ser diferente.
Até o laureado com o Nobel, Vargas Llosa, defende na A Latina o liberalismo econômico, e ele é um escritor de "esquerda", assim, há que se refletir sobre Estado Forte na economia e na vida social dos cidadãos na América Latina.

Eficiência despenca nas empresas que foram estatizadas por Chávez
Daniel Rittner | De Caracas - Valor Econômico - 18/10/2010

A presença do governo na economia venezuelana aumentou nos últimos quatro anos, mas dados recentes apontam que a maioria das empresas estatizadas pelo presidente Hugo Chávez perdeu eficiência depois de ter saído da gestão privada.

De acordo com estudo feito pela Conindustria, uma das principais entidades empresariais da Venezuela, o ritmo de desapropriações no país se acelerou e afetou 174 companhias em 2010 - somente até o fim de agosto. A lista é encabeçada por empresas da cadeia de petróleo e gás, que atendem a PDVSA, mas abrange ainda a rede de supermercados da francesa Casino, a distribuidora de cereais Monaca e estabelecimentos comerciais na região central de Caracas, que passa por um processo de recuperação urbana. Em todo o ano de 2009, haviam sido desapropriadas 131 empresas.

Para o presidente da Conindustria, Carlos Larrazábal, a falta de garantias legais deixa as companhias de capital venezuelano mais vulneráveis do que as estrangeiras. "O governo indeniza as empresas que têm uma embaixada para acudi-las e defender seus direitos, enquanto nós não temos quem nos defenda."

Informações divulgadas recentemente pelo próprio governo e por sindicatos de trabalhadores mostram o baixo desempenho das estatizadas. A Sidor teve sua produção de aço reduzida em 28% desde que deixou de ser controlada, em 2008, pela argentina Techint. A Venalum, fabricante de alumínio, lucrou US$ 60 milhões no último ano de administração privada. A partir de 2005, só registrou prejuízos. A Bauxilum, que já produziu 5,6 milhões de toneladas de bauxita, deverá processar 3 milhões de toneladas neste ano.

No campo, os dados são mais frustrantes, segundo o Centro de Investigações Econômicas de Caracas (Cieca). Dos 350 mil hectares desapropriados pelo governo no ano passado, foram cultivados 9,4 mil hectares - 97,3% dessas terras teriam continuado improdutivas.

Há casos opostos, porém. A fabricante de cimentos que era controlada pela mexicana Cemex, responsável por cerca de metade de todo o insumo vendido na Venezuela, alcançou produção recorde de 240 mil toneladas em julho. Uma das críticas mais fortes é quanto ao atraso ou à omissão de dados sobre a produção da maioria das empresas, após sua estatização.

Contrariamente às impressões, no entanto, a participação do Estado na economia está nos mesmos patamares de quando Chávez deu início à sua "revolução bolivariana". Tanto em 1999 quanto no primeiro semestre de 2010, segundo estimativas do economista Asdrúbal Oliveros, da consultoria Ecoanalítica, o setor privado representa 57% do PIB da Venezuela. A sensação de que aumentou a presença do governo na economia ocorre porque houve dois ciclos diferentes, argumenta Oliveros.

No primeiro ciclo, de 1999 até 2006, a participação da iniciativa privada subiu de 57% para 65% do PIB. Em seguida, começou a recuar progressivamente para o nível registrado 11 anos atrás. A onda estatizante, que teve início com a desapropriação de terras e a nacionalização dos campos petrolíferos da faixa do Orinoco, ganhou impulso em 2007. Na ocasião, Chávez pagou valores de mercado pela compra das ações da americana Verizon na operadora de telefonia Cantv e da AES na Electricidad de Caracas. Foi expandindo a estatização para o sistema financeiro, com a aquisição do Banco de Venezuela (ex-Santander), e para toda a produção de alimentos.

Eduardo Samán, ex-ministro do Comércio e hoje editor de economia do "Diario Vea", explicou ao Valor que a estratégia adotada pelo governo venezuelano prevê quatro tipos diferentes de estatizações. A primeira abrange setores em que há evidências de desabastecimento, principalmente quando são fortes os indícios de acúmulo indevido de estoques, segundo ele.

Isso ocorreu em produtos como arroz, café e açúcar - ele mesmo comandou, por exemplo, a desapropriação da unidade de processamento de arroz da Cargill e de varejistas. A segunda área, conforme explica o ex-ministro, é a de empresas afetadas por greves ou à beira da falência. O caso da processadora de sardinhas La Gaviota, estatizada em maio de 2009, é exemplar, diz Samán. "Os trabalhadores viveram em greves periódicas durante três anos. A empresa não tinha mais lucro e os herdeiros não tinham mais interesse em mantê-la. Os equipamentos tinham 60 anos de uso. Hoje há produção recorde de sardinha."

A terceira área diz respeito à indústria de base e setores "estratégicos" - o que vai do aço e do alumínio às telecomunicações. Por último, Samán cita a criação de empresas estatais binacionais, como a fabricante de automóveis Venirauto, criada em parceria com o Irã, e a Vtelca, fabricantes de celulares que é fruto de associação com a China.
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sem o norte não há um Mercosul pleno

As últimas notícias sobre o estatismo pleno adotado por Chávez na agricultura parecem não ter sido seriamente consideradas pelo analista.
Insisto que o Mercosul, sem o bolivarianismo prevalente entre os signatários é nossa saída para fortalecermos um bloco competititivo internacionalmente.
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.Sem o norte não há um Mercosul pleno
Paulo-Edgar Almeida Resende - O Estado de S. Paulo - 07/10/2010

A Venezuela tem o terceiro PIB da América do Sul. Seu superávit comercial com o Brasil equivale a cerca de 20% do nosso superávit total, com destaque para as exportações de maior valor agregado e presença de empresas do Brasil em território venezuelano.

Para Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai tornou-se quase inevitável a paráfrase: sem o norte, não há Mercosul pleno. O protocolo de adesão estabelece quatro anos para a Venezuela adotar o acervo normativo vigente, a nomenclatura comum do Mercosul e a Tarifa Externa Comum. No Brasil, a Carta magna postula a formação de comunidade latino-americana de nações. É instigante acompanhar a diplomacia e o empresariado brasileiros. Longe de serem legitimadores da política interna chavista, o que poderia conotar intervencionismo, mas ao mesmo tempo mantêm um tipo de negociação que parece contribuir para contornar radicalizações.

A própria aceitação da postulação venezuelana de fazer parte do Mercosul pode resultar no revigoramento da cláusula democrática: põe limites a eventuais iniciativas restritivas de direitos, que as oposições venezuelanas levantam.

A estabilidade institucional da Venezuela está longe de transcorrer com céu de brigadeiro, o que deixa sempre algum ponto de interrogação. Mas é de se valorizar o bordão que vem de lá, Nuestro norte es el Sur, e o que vai de cá: sem o norte, não há Mercosul pleno.

É COORDENADOR DO NÚCLEO DE ANÁLISE DA CONJUNTURA INTERNACIONAL - PUC DE SÃO PAULO

Chávez suspende importação de máquinas agrícolas

Esta notícia evidencia a diferença entre o Estadista e o Líder partidário.
Carregada de ideologia sobrepondo o pragmatismo nas relações internacionais, nosso atual presidente sempre demonstrou, publica e mundialmente, apoio a tudo o que Chávez faz em seu semi-depauperado país.
A questão reside no fato de que como presidente o mesmo deveria priorizar interesses do Estado e da sociedade brasileira ao invés de ideologia partidária, uma vez que somente o PT e coligados defendem uma coesão com o bolivarianismo.
Em termos mais práticos, o que fazer com a planta produtiva preparada para exportar maquinário agrícola para a Venezuela? Como seria absorvido no mercado interno fortemente segmentado, uma vez que nossa agricultura é competitiva mundialmente? O que fazer com os desempredos setoriais que surgiram com a queda da demanda dos fabricantes empenhados em atender ao caudilho bolivariano? E os financiamentos para tais fins obtidos no BNDES? 
Estas poucas perguntas fazem parte de um elenco enorme de outras que jazem por detrás desta lamentável situação.
Bem, mas estamos bem na foto, aliás, o mais votado é um palhaço...tudaver!!!

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Chávez suspende importação de máquinas agrícolas


Fabricantes brasileiros foram prejudicados com a expropriação da maior revenda especializada em insumos agrícolas da Venezuela

Márcia De Chiara - O Estado de S.Paulo

Os fabricantes brasileiros de máquinas agrícolas começaram a semana com as exportações de seus produtos suspensas para a Venezuela, um dos principais compradores de implementos agrícolas entre os países da latino-americanos. No último domingo, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, expropriou a maior revenda de insumos e equipamentos agrícolas, a Agroisleña, empresa espanhola que está cerca de 50 anos no país.

"Ninguém sabe o que vai ser daqui para a frente. Essa situação é preocupante, pois a Venezuela é um grande importador de máquinas agrícolas brasileiras", afirma Celso Casale, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Ele conta que o governo da Venezuela justificou a intervenção nas cerca de 60 lojas da empresa, alegando os elevados preços cobrados pelos insumos.

Segundo a Abimaq, as exportações de equipamentos agrícolas para Venezuela somaram US$ 65 milhões entre janeiro e agosto deste ano. Em 2009 inteiro, as vendas para o país atingiram US$ 97,7 milhões. Casale explica que, com o real valorizado e a perda de competitividade dos produtos brasileiros no exterior, a Venezuela passou a ser um comprador importante para os implementos agrícolas brasileiros.

"Fomos surpreendidos com essa decisão do presidente Chávez no domingo à tarde", afirma Rubens Dias de Morais, diretor da Jumil, fabricante de implementos agrícolas. Entre colhedora de milho, roçadeira e distribuidor de fertilizantes, a companhia exportou de US$ 10 milhões a US$ 13 milhões para a Venezuela por ano nos últimos cinco anos. "A Venezuela representa cerca de 30% das nossas vendas externas."

Morais diz que tem US$ 7 milhões de pedidos até dezembro. Desse total, US$ 1 milhão em produtos já estão sendo fabricados. A intenção do executivo é redirecionar as vendas ao mercado interno e outros países. "Nosso risco é pequeno porque temos produto embarcado com fatura liquidada." De toda forma, o empresário não descarta a possibilidade de reduzir o ritmo de produção e antecipar férias coletivas para ajustar a produção.

Casale, da Abimaq, diz que há cerca dez fabricantes de implementos que exportam para a Venezuela. A Casale, por exemplo, acaba de embarcar US$ 900 mil de equipamentos para a Venezuela porque a venda foi feita por meio de carta de crédito, isto é, o recebimento está garantido. Porém, segundo o empresário,os venezuelanos estão pedindo para os empresários brasileiros não embarcarem mais os equipamentos com medo de perdê-los para o governo.

Procurado pelo Estado, o Ministério do Desenvolvimento disse que não comenta a questão e remeteu ao Ministério das Relações Exteriores, que não retornou o contato da reportagem. 
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Caracas na rota do terror basco

Amigos, este assunto é muito grave, muito.
Vamos ver como nossos representantes de política externa vão se manifestar. Por ocasião das bases americanas na Bolívia tentaram mover uma comoção pública. Vamos ver como desqualificarão esta notícia se a mídia resolver ir mais fundo.
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Caracas na rota do terror basco
Priscila Guilayn - O Globo - 05/10/2010

Membros do ETA confessam ter recebido treinamento militar na Venezuela; Chávez nega

Apesar do recente cessar-fogo e do desejo expresso pelo grupo separatista basco ETA de entrar legalmente na arena política, a Justiça da Espanha não dá trégua à militância: em documentos divulgados ontem, promotores públicos afirmam que dois integrantes do ETA, presos na semana passada, confessaram ter recebido treinamento militar na Venezuela. A revelação foi rechaçada com veemência pela Chancelaria venezuelana.
Mas, além de golpear novamente seu velho inimigo interno, o governo espanhol espera renovar a pressão diplomática internacional para que o presidente Hugo Chávez já acusado de permitir a ação de militantes armados em seu território no passado se explique.
Essas são declarações as quais não se pode dar credibilidade. O governo não está vinculado de maneira alguma com nenhuma organização terrorista ou com o grupo basco ETA assegurou o embaixador venezuelano em Madri, Isaías Rodríguez, à Rádio Nacional da Espanha.
Em Caracas, o Ministério das Relações Exteriores, também negou qualquer envolvimento e atacou a imprensa. Num comunicado, a Chancelaria afirma que as acusações são uma campanha de desprestígio adiantada por alguns meios de comunicação espanhóis.
Os militantes foram detidos no último dia 29 em Guipuzcoa, no País Basco, numa operação que apreendeu 100 quilos de explosivos.
A ação foi determinada pelo juiz Ismael Moreno, que pediu a prisão de Juan Carlos Besance e Xavier Atristain membros da unidade chamada Comando Imanol por porte de armas e explosivos.
A dupla foi treinada na França e na Venezuela no verão de 2008 antes de regressar à Espanha.
Na Venezuela, teriam participado de um curso para decifrar mensagens, além de aprender limpeza e desmontagem de armas e posições de tiro. As investigações apontam José Lorenzo Aiestaran Legorburu, que já está preso, como um dos organizadores do curso.
O outro seria Arturo Cubillas, de 46 anos, que ocupa cargos de responsabilidade no governo de Hugo Chávez desde 2005. Primeiro, foi nomeado diretor do escritório de Administração e Serviços, e atualmente é responsável do departamento de segurança do Instituto Nacional de Terras, ambos subordinados ao Ministério da Agricultura. Sua mulher, a jornalista Goizeder Odriozola, filha de bascos, é diretora do gabinete de relações públicas do mesmo ministério e braço-direito do vice-presidente venezuelano, Elías Jaua.
Cubillas teve sua prisão decretada em março, mas até agora o governo venezuelano se recusa a extraditá-lo. Ele foi processado junto a outros cinco membros do ETA e sete das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pelo juiz espanhol Eloy Velasco, da Audiência Nacional a Suprema Corte do país.
Cubillas foi deportado da Argélia à Venezuela durante o segundo mandato do então presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez (1989-1993) resultado de um acordo político entre Argélia, França, Espanha e Venezuela. Como ele, mais de 40 membros do ETA foram enviados ao país latino-americano durante o mandato do premier espanhol Felipe González (1982-1996).
Atualmente, calcula-se que cerca de 60 etarras vivam na Venezuela, embora a maioria deles não esteja na ativa. Os serviços de inteligência espanhóis, no entanto, denunciam que, nos últimos anos, vem ocorrendo um constante traslado de membros do ETA que estavam no México e na França para a Venezuela.
Para o governo espanhol, a revelação indica ainda que a cooperação entre as polícias francesa e espanhola tem dado resultados no sul da França antigo bastião da ala responsável pelas estratégias do ETA.
Ambos estão vinculados a dois atentados, um frustrado e outro no qual um membro da UPN (partido União do Povo Navarro) foi morto na explosão de uma bomba colocada debaixo de seu carro afirmou o ministro de Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba.
O governo do socialista José Luis Rodríguez Zapatero já havia pedido explicações em março passado a Caracas. O governo Chávez, no entanto, considerou as acusações inaceitáveis e tendenciosas.
Desde dezembro de 2008, Velasco vinha investigando uma denúncia de intercâmbio segundo a qual integrantes das Farc e da Frente de Liberação Bolivariana seriam treinados pelo ETA em cursos sobre manipulação de explosivos na Venezuela.
O governo espanhol deveria atuar de forma enérgica e emitir imediatamente um protesto diplomático com todas as suas consequências.
Não pode mostrar medo nem temor na hora de defender os interesses de nosso país afirmou Jorge Maragas, coordenador de Relações Internacionais do conservador Partido Popular, na oposição.
Até então, as provas de utilização da Venezuela como quartel-general do ETA consistiam em documentos confiscados durante apreensões na França e emails guardados pelo líder das Farc, Raúl Reyes, morto pelo Exército colombiano.
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O cadáver de Bolívar

Estamos próximos a eleições na Venezuela. Para nós pode parecer algo distante, contudo, os resultados que lá se obtiver influenciarão, em muito, nossos destinos a partir do ano que vem. Lá pleiteia-se a capacidade de se haver oposição a governos instituídos via Congresso, de forma regular, sustentável e ética, sobretudo ética.


O que vem se dando lá, com rígido controle dos órgãos de imprensa e de quase todas as demais instituições não permite que o cidadão comum perceba a realidade que lhe cerca: aumento da violência urbana, evasão de pessoas das regiões interioranas do país por falta de investimentos em infra-estrutura (faltam recursos para tal em um país que detém a segunda maior bolsa de petróleo projetada no mundo) e, até, faltam alimentos nas prateleiras de supermercados em muitos pontos do país.

O apoio que a sociedade vier a dar elegendo maioria daquele Congresso para apoiar o atual presidente será um sinalizador do que poderá ocorrer nos demais projetos de poder dos países da A. Latina.
Vale a pena acompanhar.

 O cadáver de Bolívar

Bernardo Ricupero - O Estado de S.Paulo
Nas primeiras horas da passagem do dia 15 para o dia 16 de julho, telespectadores venezuelanos insones foram surpreendidos com a cena em que a ossada de Simón Bolívar era retirada do Panteão Nacional para ser exumada. A televisão estatal transmitiu ao vivo o trabalho de médicos forenses, soldados e funcionários governamentais que retiraram dentes e fios de cabelo do que resta do Libertador. Mais tarde, o presidente Hugo Chávez revelou, em mensagem postada de seu Twitter: "Aquele esqueleto glorioso é certamente Bolívar, já que sentimos sua chama."

O motivo aparente da exumação é verificar se o herói das Américas não morreu, em 1830, de tuberculose, como conta a "História oficial", mas envenenado por arsênico quando se encontrava em Santa Marta, na Colômbia. O suposto envenenamento de Bolívar pode, além do mais, servir a Chávez na sua batalha contra os atuais ocupantes do poder no país vizinho, herdeiros da oligarquia que teria traído o Libertador.

A curiosa exumação do cadáver de Bolívar talvez pudesse ser tomada como prova de que, como queria Comte, "os mortos governam os vivos". Na verdade, é mais um exemplo de como a História costuma ser usada para servir a fins políticos.

 Não deixa, porém, de ser significativo que se mexa no cadáver do Libertador quando se inicia a comemoração dos 200 anos de independência das ex-colônias da Espanha e de Portugal na América. O bicentenário é, além do mais, evidentemente um momento privilegiado para se pensar a experiência das nações latino-americanas.

Já Bolívar percebera algumas das dificuldades que essas novas nações teriam de enfrentar. Argumentou sugestivamente, numa inspiração republicana, que o principal problema do pós-independência se relacionaria com o anterior despotismo espanhol, que teria impedido seus súditos de além-mar de aprenderem a se autogovernar. Pouco antes de morrer, o Libertador deixou-se tomar pelo desespero, aludindo que seu esforço teria sido inútil, já que  "aquele que serve a uma revolução ara o mar".

Passados 200 anos da independência, o tema da revolução, ou melhor, da "refundação" ganha espaço na América Latina. Desde que o coronel Chávez, depois de tomar o poder, convocou uma Assembleia Constituinte para "refundar" a Venezuela, o mesmo caminho foi seguido pelo líder cocaleiro Evo Morales na Bolívia e pelo professor de economia Rafael Correa no Equador.

Mais especificamente, a combinação na Venezuela, na Bolívia e no Equador de uma intensa polarização social com a desmoralização do sistema político anterior conduziu à ruptura. Diante de tal quadro, não é seguro apostar que nesses países a democracia esteja segura, seja pela ação do governo ou da oposição.

Mesmo assim, a ruptura não deixou de assumir significados variados nos três países "refundadores". Para Chávez e seus seguidores, trata-se quase literalmente de refundar a nação de Bolívar, possivelmente recuperando a Gran Colômbia e mesmo seu projeto continental. Já para Morales e Correa, a questão é mais de fundar novamente Bolívia e Equador, fazendo com que, diferentemente da independência, as massas indígenas passem finalmente a ter lugar nas duas nações.

Mas a ruptura pode também assumir tons de direita, como ocorreu na Colômbia, no México e no Chile. No primeiro caso, o cansaço com o narcoterrorismo abriu caminho para que Álvaro Uribe pusesse fim à alternância secular no poder entre conservadores e liberais. Por sua vez, o desgaste lento do que um dia pareceu ser a "ditadura perfeita" do PRI preparou o terreno para que o marcadamente católico e nortista PAN chegasse ao governo mexicano. Por fim, mesmo a Concertación por la Democracia, que parecia ser um exemplo de "aprendizado democrático" ao juntar democratas-cristãos e socialistas, acabou se exaurindo depois de 20 anos de poder no Chile.

Por outro lado, nem todos os governos latino-americanos desejam realizar a ruptura. No caso da Argentina e do Peru, Cristina Kirchner e Alan García veem-se, ao contrário, como continuadores da tradição de Perón e de Haya de la Torre. E há também os governos de esquerda que agem a partir das instituições existentes, como ocorre no Brasil e no Uruguai. Muitos situados à esquerda do PT e da Frente Ampla criticam seus governos justamente por se terem ajustado exageradamente à antiga ordem.

Talvez se pudesse argumentar, usando a linguagem de Antonio Gramsci, que estes últimos são países com características mais "ocidentais", ao passo que Venezuela, Bolívia e Equador apresentariam certos elementos "orientais". Em poucas palavras, nos países "refundadores" a ruptura seria ainda uma possibilidade, enquanto no Brasil e no Uruguai seria difícil fugir de algum compromisso.

Mesmo assim, pode-se destacar uma semelhança básica nessas duas experiências: o fato inédito de governos de esquerda se manterem no poder na América Latina. O principal motivo para que isso ocorra é o fim da guerra fria. Isto é, se a União Soviética já não existe, também os EUA não têm mais motivos para impedir que governos de esquerda apareçam na região de sua maior influência.

Assim, governos que reivindicam representar as maiorias das populações de seus países acabaram se espalhando pela América Latina. Tal situação contrasta com nossas independências, movimentos que foram basicamente iniciativas da elite criolla. O peruano José Carlos Mariátegui chegou a caracterizar a independência latino-americana como uma revolução inconclusa. Inconclusa precisamente porque foi incapaz de incorporar as massas populares.

Paradoxalmente, é a nova situação que possibilita a Chávez fazer uso do cadáver de Bolívar. Ou seja, apesar do efeito cômico de tal esforço, a referência à independência ainda faz sentido entre nós.

PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA POLÍTICA DA USP E PESQUISADOR DO CEDEC

domingo, 22 de agosto de 2010

O arrocho de Chávez

Uma radiografia do que o neobolivarianismo pode produzir de objetivo, uma vez que é incapaz de reduzir a desigualdade social na Venezuela.

Também é um retrato do comportamento totalitário de Estado para o qual nós, brasileiros, estamos migrando no ano que vem de forma bastante cordata quando não omissa.

Aqui o Programa Nacional de Direitos Humanos, versão 3, deixou e continua deixando claro isto nos seus assentamentos doutrinários. Utilizaram-se da tática do "boi de piranha" para que, com a ajuda da própria mídia, focassem a essência do plano como se fora uma vendeta para militares octogenários que atuaram na repressão, quando na realidade seus objetivos são mais amplos.

A propósito do que ocorre na reunião do Foro de São Paulo, esta semana em Buenos Aires, esse controle da mídia faz parte do elenco doutrinário que os signatários daquele Foro pretendem, paulatinamente, implantar nos países onde presidem.
Espero que nossa sociedade não cochile tanto a partir do ano que vem.
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O arrocho de Chávez

.A publicação, pelo jornal El Nacional de Caracas, de uma foto de 12 cadáveres empilhados no necrotério da capital - para denunciar a omissão do governo de Hugo Chávez diante da escalada da violência criminal na Venezuela - resultou esta semana na imposição explícita da censura a toda a imprensa do país, depois limitada a dois jornais de Caracas. É o mais grave ato repressivo do gênero desde os tempos do ditador Marcos Pérez Jiménez, nos anos 1950. Com uma peculiaridade: a mordaça valerá de início por um mês. Isso porque haverá eleições parlamentares na Venezuela em 26 de setembro, e a questão da segurança aflige como nenhuma outra o eleitorado da nação vizinha.
Não é para menos. Sob Chávez, a criminalidade alcançou níveis atualmente sem paralelo na América do Sul. Embora o governo tenha cessado de divulgar estatísticas sobre o assunto - na fútil tentativa de ocultar da população o que ela sabe por experiência própria na sua vida cotidiana -, cálculos extraoficiais revelam que em 2009 o número de homicídios no país superou 16 mil, com 50 mil feridos. Em julho último, 465 pessoas (ou 15 a cada dia) foram assassinadas, apenas em Caracas. Estima-se que o arsenal em poder da bandidagem soma 6 milhões de armas. Na Venezuela, o crime compensa: 91% dos atos de violência armada permanecem impunes.
Na República Bolivariana, o regime controla de tal modo o Judiciário que pode contar com a instituição para dar um verniz de legitimidade aos seus movimentos liberticidas. Assim foi no caso do oposicionista El Nacional. (Ou no caso do Tal Cual, outro jornal que se opõe ao caudilho, que reproduziu a foto do necrotério repleto.) Tão logo Chávez investiu contra o matutino, acusando-o de ter divulgado uma imagem "pornográfica", numa "manipulação politiqueira do tema da violência", o Tribunal para a Proteção da Criança e do Adolescente vedou a publicação de textos e fotos relativos, entre outras coisas, a "incidentes sangrentos e grotescos, armas, mensagens de terror, atos de agressão física e batalhas".
A reação do El Nacional foi vigorosa. Sob a manchete Proíbem publicar imagens e notícias sobre a violência, o diário carimbou a palavra "censurado" nos espaços em branco reservados para duas fotos. Uma legenda resumia a tragédia venezuelana: Se aqui houvesse uma foto, vocês veriam um pai chorando por um filho que morreu. O proprietário e editor-chefe do jornal considerou a censura uma arbitrariedade que viola a Constituição. "Foi uma decisão política", disse ainda, aludindo à campanha eleitoral em curso no país e ao problema que mais afeta a popularidade de Chávez. "A decisão judicial peca por amplitude e imprecisão", comentou a organização de defesa da imprensa Repórteres sem Fronteiras.
As incursões do autocrata contra a liberdade de informar nada têm de novo. Em 2007, o governo se recusou a renovar a concessão da rede RCTV, que acabou fechada. Tiveram o mesmo destino 40 emissoras de rádio. O caso talvez mais escabroso é a perseguição movida à TV Globovisión, cujo dono, Guillermo Zuloaga, fugiu do país depois de ter sido preso em março. Chávez anunciou que pretende adquirir o controle acionário da emissora. "Mas nunca vimos uma atitude como esta", ressalta o professor Marcelino Bisbal, da Universidade Católica Andrés Bello, de Caracas. Provavelmente porque parece haver um elo entre a indiferença do governo à violência urbana e os subterrâneos do poder chavista.
Há pouco, a CNN levou ao ar o documentário espanhol Los Guardianes de Chávez sobre os grupos paramilitares como Los Colectivos, La Piedrita e Los Carapaicas, que formam uma espécie de força pretoriana do caudilho que intimida, quando não aterroriza, a oposição ao chefe. Um número indeterminado, porém não desprezível, de seus integrantes mantém relações com organizações criminosas ou fazem parte eles mesmos das quadrilhas. Outra tropa de choque são as milícias camponesas apoiadas e armadas pelo autocrata. Como era de prever, ele atribuiu as denúncias a uma tentativa golpista. "Este tema da violência, do crime", investiu, "converteu-se num fator antirrevolucionário de peso." Na realidade, é um pretexto para o arrocho. Mais um. 
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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Com petróleo e pouco gás

Esta notícia serve para se perceber o teatro que Chavez apresenta com suas bravatas.


Também serve para se aquilatar o nível de incompetência da gestão de um país produtor de petróleo mas com insumos básicos sendo importados dos vizinhos, dentre eles o gás, essencial para aquela economia neo-bolivariana.


Colômbia garante gás à Venezuela

BOGOTÁ (AFP) - O governo colombiano garantiu, este sábado, o abastecimento de gás para a Venezuela e anunciou "medidas" para reativar a economia na região de fronteira, afetada pela crise diplomática e pela restrição do comércio binacional.
O ministro colombiano da Fazenda, Oscar Zuluaga, disse à rádio Caracol que o presidente Álvaro Uribe deu instruções para vender aos venezuelanos "todo produto e serviço de que precisem", inclusive o gás natural, através do gasoduto binacional 'Antonio Ricaurte'.
Este gasoduto, inaugurado em 12 de outubro de 2007, transporta diariamente entre 200 e 300 milhões de pés cúbicos de gás natural do campo colombiano de Ballenas (nordeste) para a Venezuela.
A estatal colombiana Ecopetrol e a privada americana Chevron exploram conjuntamente o gás em Ballenas.
Por outro lado, Uribe anunciou um "conjunto de medidas" para reativar a economia no departamento (estado) colombiano de Norte de Santander, e outras regiões fronteiriças afetadas pela crise com a Venezuela.
Entre estas medidas, o presidente citou uma "macro rodada" de negócios, a ser celebrada em 5 e 6 de agosto próximos em Cúcuta (nordeste), capital de Norte de Santander, à qual convocou "todos os colombianos para que comprem nesta cidade e ajudem a salvar o emprego dos nossos compatriotas na fronteira".
Uribe não deu detalhes das outras medidas, mas disse que entrarão em vigor em breve.
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Comida podre na Venezuela

O populismo na história da humanidade aporta este tipo de problema: os que estão no poder chegam com pouco preparo para gerir uma economia nacional, via de regra em países emergentes, complexa.

Para se manter no poder arma-se uma estrutura de pessoas nos diversos escalões públicos da nova gestão que tenham capacidade de chegar junto ao povo mas que, não necessariamente, tenham intelecto e preparo para gerir projetos complexos de grande monta.

A corrupção, o favorecimento, o nepotismo, o loteamento dos cargos públicos e de empresas públicas são os passos seguintes que levam a cenários semelhantes aos que são evidenciados neste discurso.

Relembre-se que Lula ao defender este governante disse que a Venezuela era uma economia forte e nossa nação só teria a ganhar com a adesão chavista ao Mercosul.

Sabia-se que tal premissa era falsa, o que ocorre agora são ecos de problemas inciados anos antes.

Poderíamos ter um Senado mais comprometido com o patrimônio e destinos da sociedade e não um dependente de aprovação de projetos individuais que serviram de barganha para que os votos necessários a adesão venezuelana ao bloco ocorresse.

É típico da falta de uma oposição séria e honeste e, sobretudo, bem articulada, como também é falta de uma séria, quando mais do que necessária, governança social sobre o Executivo e o Congresso.

Bem, vem mais problema por aí ano que vem, é só esperar.




Comida apodrece em portos da Venezuela, enquanto os consumidores enfrentam uma crise de abastecimento, com escassez de produtos no mercado e preços em alta. O governo joga a culpa da inflação nos fantasmas de sempre especuladores interessados em desestabilizar o regime do presidente Hugo Chávez. Mas os carregamentos abandonados e em deterioração foram importados pela PDVAL, uma subsidiária da Petróleos de Venezuela, a estatal convertida num dos principais instrumentos de intervenção na economia do País. Segundo admitiu o governo na semana passada, 30 mil toneladas de alimentos estavam se estragando em contêineres no Porto Cabello. De acordo com a imprensa oposicionista, o total passa de 75 mil toneladas, em vários portos.
O desperdício dessa comida é apenas mais um desastre imposto ao povo da Venezuela pelo estilo de governo bolivariano, uma mistura de autoritarismo, incompetência e corrupção. O crescente autoritarismo tem sido acompanhado de intervenção cada vez mais ampla em setores da economia venezuelana. O resultado tem sido invariavelmente catastrófico. Uma rede varejista foi montada para distribuir alimentos. Essas lojas deveriam levar aos consumidores a comida importada pela PDVAL, mas o sistema tem falhado de ponta a ponta. Os produtos não chegam, as prateleiras ficam vazias e o público enfrenta dificuldades cada vez mais sérias para se abastecer. De janeiro a maio o custo da alimentação subiu 21%, segundo o Banco Central.
A inflação da comida é mais um componente de uma situação muito difícil para a maior parte da população, já afetada pela falta de água, pela escassez de energia elétrica, pelas deficiências do investimento público e por uma situação econômica em deterioração cada vez mais sensível. Há anos o governo desperdiça o dinheiro do petróleo em ações destinadas a consolidar um regime cada vez mais centralizador e repressivo, em vez de aproveitá-lo para modernizar a economia, diversificar a produção e fortalecer o próprio setor petrolífero.
A desapropriação e redistribuição de terras foi um fracasso. Isso não surpreende. Há uma distância enorme entre a tolice retórica a respeito da "soberania alimentar" e a criação de condições favoráveis à produção e ao abastecimento. Em todos os outros setores a intervenção oficial produziu resultados igualmente ruins.
O governo reage à sucessão de fracassos com novas ações contra a oposição, contra a liberdade de informação e de opinião e contra o setor privado. Uma de suas últimas façanhas foi mandar prender o presidente da TV Globovisión. O empresário, dono também de uma distribuidora de carros, foi acusado de esconder automóveis para especular com os preços. O ridículo da acusação e a pobreza da justificativa de mais essa violência só não escandalizam os defensores do autoritarismo e da censura  entre os quais se destaca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse é o padrão Chávez. A cada novo desastre provocado por sua ambição de controlar toda a vida venezuelana, ele reage distribuindo acusações e praticando mais alguma arbitrariedade. Já impôs ao Congresso domínio suficiente para não encontrar oposição séria entre os parlamentares. Domesticou boa parte do Judiciário, mandando prender quem se atreve a assinar uma sentença contrária a seus interesses políticos. Dispõe de milícias para promover arruaças e intimidar quem tenta manter alguma independência de opinião. Inabilita profissionais, especialmente jornalistas e advogados, quando se tornam incômodos.
As condições de abastecimento só não são piores na Venezuela porque ainda há algumas empresas privadas no setor. Mas o número diminui rapidamente. Na semana passada o governo anunciou a imposição de seu controle a mais 18 empresas do setor. O alvo principal de Chávez, agora, é a maior empresa privada do setor de comidas e bebidas, a Polar, já prejudicada pelo confisco de produtos. A desapropriação de mais uma grande empresa será uma nova oportunidade para a expansão da incompetência e da corrupção. 
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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Economia venezuelana, em recessão, terá 'retomada' (Chávez)

Sendo muito comum entre governos de alinhamento ideológico de esquerda não lograrem êxito em suas administrações, a Venezuela é um pitoresco país que há anos vem sentando em cima de uma das mais cobiçadas riquezas.

O que impede a Venezuela de crescer, inobstante a expressiva quantidade de petróleo tem a ver com um conjunto comum nos países da América Latina e Central: demografia, geografia, topografia, climatologia, idiossincrasia e, sobretudo, fraqueza das instituições e omissão dos cidadãos a uma séria governança dos bens e destinos da sociedade.

Nós, da mesma forma que a Venezuela e, como se mostra agora, a Grécia, poderemos incorrer no mesmo erro. Nota-se que, apesar dos avanços mostrados pelo governo, nosso índice de produção intelectual e tecnológica é muito baixo, o que nos torna menos competitivos e dependentes de investimentos externos eternamente. Neste mister, a escassez de mão-de-obra especializada e nosso alto índice de analfabetismo funcional servem de um poderoso arrasto para nosso avanço. Como o governo vem rifando nossas riquezas ao longo dos últimos anos, logo logo não teremos tantas para poder fazer frente aos desafios que advirão.





CARACAS (AFP) - A economia da Venezuela, em recessão desde 2009, terá "uma retomada" nos próximos três anos, disse neste domingo o presidente venezuelano Hugo Chávez.
"A retomada vem agora. Assustem-se, porque vai ser espantoso para vocês (opositores). Vamos ver a retomada econômica, o desenvolvimento de 2010, 2011 e 2012", disse Chávez durante seu programa dominical "Alô, Presidente".
O Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela caiu 5,8% no primeiro trimestre de 2010, segundo dados do Banco Central (BCV), o que representa o quarto período de queda consecutiva da economia venezuelana e o recrudescimento da recessão no país.
Esta semana, Chávez minimizou a queda econômica, que, a seu ver, significa "o velório do capitalismo" e o crescimento do "modelo econômico socialista".
Chávez insistiu neste domingo que é preciso modificar os métodos tradicionais para medir inflação e crescimento, alegando que os atuais não levam em conta o impacto dos planos do governo nas zonas populares.
"É necessário que elaboremos outros métodos (...) É uma revolução e não se pôde ou não se quis elaborar um método adaptado à realidade venezuelana", questionou o mandatário.
A inflação na Venezuela chegou a 5,2% em abril e acumula 11,3% neste ano. Em 2009, a variação dos preços fechou em 25,1%, a mais alta da América do Sul.
O governo venezuelano prevê um crescimento de 0,5% do PIB em 2010.
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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Rússia poderá vender US$5 bi em armas à Venezuela

Amigos, vou arriscar: É balão de ensaio da mídia internacional.
Putin falou em " pode" e inclui "linha de crédito" isto pode durar anos e não se consubstanciar antes que os EUA ou a ONU venham a manobrar para que, de forma discreta, tal venda não ocorra  em sua completude.

Um detalhe importante: A Venezuela pode até comprar, mas tem demonstrado uma enorme dificuldade em promover melhorias em sua malha energética e de infra-estrutura ao longo do país. É um país, neste sentido, mal das pernas. Não satisfazendo estes requisitos não se consegue operar tal aparato bélico próximo às fronteiras.

Isso era muito comum  na época da Guerra Fria e chama-se "deterrência" .

Resta saber se nosso presidente, a exemplo do que ele tentou fazer em Washington, irá pedir garantias a Chavez de que não se está inciando uma corrida armamentista e que os demais países não venham a temer invasão da Venezuela.



MOSCOU (Reuters) - As vendas de armamentos russos para a Venezuela poderão chegar a um total de 5 bilhões de dólares, disse o primeiro-ministro Vladimir Putin nesta segunda-feira, depois de retornar de uma visita à nação sul-americana.
Putin encontrou-se na sexta-feira com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em Caracas, para discutir uma cooperação nos setores de petróleo, defesa e energia nuclear, mas nenhum novo acordo para venda de armas foi firmado.
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Chávez diz que o aumento de seu arsenal tem como objetivo conter um planejado crescimento militar norte-americano na Colômbia, principal aliado dos EUA na região e vizinha da Venezuela.

"Nossa delegação acaba de voltar da Venezuela e o volume total de pedidos pode superar os 5 bilhões de dólares", disse Putin, segundo agências de notícias russas, numa reunião com empresários do setor bélico.
Putin afirmou que o valor inclui uma linha de crédito de 2,2 bilhões de dólares para a compra de armas russas concedida pelo governo de Moscou a Chávez durante visita do presidente venezuelano em setembro.
Com esse montante serão adquiridos tanques T-72 e um avançado sistema anti-aéreo S-300, segundo a agência de notícias RIA. As reportagens não continham mais detalhes.
Nos últimos anos a Venezuela comprou mais de 4 bilhões de dólares em armas da Rússia, desde caças de combate Sukhoi até fuzis Kalashnikov.
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Chávez deseja reforçar as Forças Armadas da Venezuela com mísseis, tanques e submarinos russos. Ele afirma que precisa se defender do que chama o imperialismo dos EUA na América Latina.
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Chávez falha em fornecer energia elétrica para população


Um retrato de como se pode ser rico e pobre ao mesmo tempo.
Integração e interiorização de desenvolvimento são as chaves mas ele não conseguirá promover tais mudanças.
E falta pouco para ser nosso sócio problemático.
Vale a pena acompanhar a "involução" desse país nos dois próximos anos.
Historicamente tais líderes procuram um bom motivo para alavancagem de popularidade instantânea, a exemplo das Invasão das Ilhas Malvinas na Argentina.
Considero que antevendo isto os EUA já ampliam sua presença na Colômbia. Sobram Guiana e Brasil para que ele se arvore para procurar subir sua popularidade e evitar um colapso social.
Advinhem quem acabará pagando a conta?
Será o próximo(a) presidente e nós contribuintes.
Para reflexão.
Sds
Jefferson


Chávez falha em fornecer energia elétrica para população

Crise no fornecimento de água e eletricidade está prejudicando a popularidade do líder venezuelano

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