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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Estratégia de defesa

Caros amigos, um tema que merece ser acompanhado e defendido pela sociedade. A economia de defesa é a única que consegue produzir e aquecer a economia de forma estável e sustentável. A geração de postos de trabalho de alto valor agregado aquece a economia das pequenas e médias empresas pertencentes à cadeia produtiva da indústria principal.

Essa vertente da economia formal também é a responsável por um maior volume de arrecadação por unidade produzida o que aquece, também, a economia dos municípios principais e circunvizinhos àquele que abriga a indústria de defesa.

É a nossa saída para a redução da desigualdade social por intermédio da geração de postos de trabalho e aumento da arrecadação.

Estratégia de defesa
Carlos Erane de Aguiar
O Globo


O Brasil cresce continuamente e parece ter despertado, mudando antigas convicções e se conscientizando de sua real dimensão dentro do novo cenário geopolítico mundial.

O principal sintoma desse despertar é a criação pelo governo federal da figura da "empresa estratégica de defesa", que pode vir a ser a redenção da indústria brasileira do setor - já foi a 8ª do mundo, na década de 80, e hoje não figura nem entre as 20 primeiras.

As mudanças que integram o escopo do conceito da "empresa estratégica de defesa", anunciadas pelo Ministério da Defesa no Fórum Empresarial de Defesa e Segurança da Firjan, têm caráter corretivo; reparar distorções que ao longo dos últimos anos vêm praticamente inviabilizando a indústria de defesa do país. Hoje, são inúmeras as dificuldades enfrentadas, a começar pela pesada carga tributária, na casa dos 40%, o que nos tira competitividade frente aos nossos concorrentes estrangeiros. Americanos, europeus e israelenses contam com incentivos de toda a ordem em seus países de origem e ainda desembarcam no Brasil isentos de impostos. Não pedimos incentivos, apenas isonomia.

Além de um sistema tributário diferenciado, que colocaria empresas brasileiras e estrangeiras em pé de igualdade, constam da proposta de revitalização da indústria de defesa outros pontos cruciais e que há muito tempo estão na pauta de reivindicações do setor: compra preferencial por parte da União de produtos de defesa das empresas do país (o Compre Brasil), não contingenciamento do orçamento destinado à indústria de defesa (orçamento impositivo e plurianual), dispensa de licitação não apenas para equipamentos de alta complexidade tecnológica, como já acontece, mas para toda a cadeia produtiva na área de defesa e segurança; cláusula de transferência de tecnologia nos contratos firmados com empresas estrangeiras.

Apesar de o lançamento da Estratégia Nacional de Defesa (END), em dezembro de 2008, ter criado uma nova perspectiva sobre o tema defesa nacional, o fato é que os orçamentos destinados ao setor não vêm sendo cumpridos - são sistematicamente contingenciados. Isso prejudica sobremaneira a indústria - que precisa de previsibilidade para atender as encomendas que exigem complexidade técnica diferente de outras áreas da economia - e o desenvolvimento do país.

Somente teremos desenvolvimento tecnológico se houver mais incentivos e proteção às empresas do setor. O conceito de "empresa estratégica de defesa" será um novo marco regulatório para a indústria de defesa e segurança do país, que precisa voltar a ser competitiva.
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domingo, 10 de outubro de 2010

Brasil é palco de disputa para indústrias militares

O Estado de S. Paulo - 09/10/2010

Multinacionais da área de defesa correm para garantir contratos no País, que vai reaparelhar as Forças Armadas
As maiores indústrias militares do mundo se lançam em uma corrida para garantir contratos milionários no Brasil. Com um orçamento para Defesa com valores substanciais, o Brasil se tornou "prioritário" nas estratégias de gigantes como a Airbus, EADS, Rolls Royce ou a Finmeccanica.

Para a Associação Brasileira da Indústria de Defesa (Abimde), os programas de reaparelhamento das Forças Armadas poderiam envolver contratos entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões nas próximas décadas.

"O mercado brasileiro é estratégico para nós", afirmou ao Estado o CEO do segmento militar da Airbus e presidente da Associação Europeia da Indústria Aeroespacial, Domingo Ureña Raso. Um dos setores que a empresa está de olho é na modernização dos tanques do Exército brasileiro. "Estamos esperando a abertura de licitações para apresentar nossas propostas", afirmou. "Não há como ficar fora do mercado brasileiro", disse o executivo, que ontem organizou na cidade de Montreux o encontro com a cúpula do setor militar no mundo.

A realidade é que, enquanto Europa e Estados Unidos anunciam que estão congelando gastos militares diante do déficit público em suas contas, o Brasil se lança em uma modernização de todo seu setor militar. "Esperamos equilibrar nossas contas com exportações", disse Raso.

Por enquanto, o Brasil gasta apenas uma fração dos orçamentos dos países ricos para o setor militar. Mas os volumes estão aumentando. Segundo o último levantamento do Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo (Sipri), o Brasil foi o 30.º maior comprador de armas do planeta entre 2005 e 2009.

Futuro. A perspectiva das empresas é de que as compras continuarão. "O Brasil precisará de equipamentos, seja para defender sua franja costeira, fontes de energia offshore, como também a Amazônia. As necessidades são enormes", afirmou Jaime Perez-Guerra, vice-presidente para Comunicação da Airbus Militar.

Outra empresa que colocou o Brasil como prioridade é a Rolls Royce. A companhia já produz motores para a Embraer, mas quer ampliar sua presença no País. "Em breve vamos anunciar importantes investimentos no Brasil", informou o CEO da Rolls Royce para o setor aéreo, Mark King. "Temos interesse em fornecer equipamentos para o setor de energia, para a exploração de petróleo em alto mar e para cargueiros."

A EADS (European Aeronautic Defence and Space Company) também revela que está em negociações com o Brasil para o setor de satélites. Não há ainda um acordo, mas a empresa estima que o setor de observação terrestre será uma das prioridades do governo brasileiro nos próximos anos.

A Odebrecht e a EADS anunciaram recentemente a criação de uma joint venture com sede em São Paulo. A EADS está ainda envolvida na produção de helicópteros no Brasil, tanto para o uso civil quanto militar.

"Com uma economia que cresce a taxas elevadas como a do Brasil, não há como não considerar o País prioritário", disse o CEO da EADS, Louis Gallois. "Os emergentes estão sendo fundamentais para nós nessa crise."

A sexta maior empresa do setor de defesa no mundo, a Finmeccanica, também aposta no Brasil. "Há um interesse redobrado no Brasil, com a venda de submarinos, fragatas", disse Pier Francesco Guarguaglini, presidente da Finmeccanica. Com mais de 77 mil funcionários, a empresa italiana registrou um faturamento de US$ 25 bilhões em 2009 no mundo.

Mas a empresa ainda quer atuar no setor civil e promete apresentar uma proposta até novembro para concorrer na licitação do trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro. "Temos muito interesse nisso"", disse. Para ele, eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada também deve atrair investimentos na área de defesa.
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terça-feira, 13 de julho de 2010

Modernização das Forças Armadas

Algumas observações importantes.

A primeira é que o autor foi Embaixador do Brasil nos EUA e não colocou isto como assinatura.
A segunda é que ele, como civil, tem uma visão muito cristalina do necessário desenvolvimento da Indústria de Defesa, fruto, até, de sua atuação junto aquele governo como embaixador.

A terceira é o uso dos VANTS para preservação de nossa amozônia e fronteiras, notadamente com a Venezuela e Bolívia, o que pode ser objeto de entraves político e ideológicos.

Por fim, gostaria de ressaltar aos amigos leitores que no mundo não há industria com maior capacidade de geração de emprego, recolhimento de impostos e desenvolvimento agregado do que a indústria de defesa,  nela incluídas a de tecnologia para telecomunicações.
Ressalte-se que Gavião Peixoto, SP e Itajubá, MG tiveram um enorme salto qualitativo de desenvolvimento após a instalação da EMBRAER e HELIBRÁS, respectivamente.

É a indústria de maior capacidade de geração de emprego nos três níveis, primário, secundário e terciário. Quanto mais ela se desenvolve maior é a quantidade de produção científica independente, lembrando-se das notícias que dão conta de que produzimos petróleo mas somos dependentes do exterior para desenvolvimento de plataformas e de muitos segmentos intermediários dessa indústria.





Modernização das Forças Armadas




Rubens Barbosa - O Estado de S.Paulo
No âmbito do Ministério da Defesa está em curso um ambicioso plano de modernização e ampliação da capacidade de ação das Forças Armadas. Além da construção do submarino nuclear e da aquisição de aviões de caça de combate, a compra de veículos aéreos não-tripulados (Vants) ocupa lugar de destaque nessa iniciativa.

Os aviões militares não-tripulados, desenvolvidos pelos EUA como arma de ataque, foram utilizados pela primeira vez na Guerra do Iraque. Seu antepassado mais próximo foi o U-2, tripulado, que durante a guerra fria teve papel de inteligência.

A campanha militar dos EUA contra o Iraque em 2003 foi a primeira guerra da era da informação. A tecnologia para o comando e controle das operações longe do campo de batalha ensejou o aparecimento de armamentos que possibilitaram a tomada de decisões a distância, maior controle sobre as operações bélicas e a redução dos combates armados diretos.

Os programas de defesa para pesquisa e desenvolvimento de veículos não-tripulados, não só aéreos, mas também terrestres, avançaram significativamente nos últimos 15 a 20 anos, tanto no âmbito militar quanto no civil. Na aviação civil os pilotos estão sendo substituídos por computadores. O Airbus e o Boeing 777 podem voar entre São Paulo e Nova York sem interferência humana.

Esses veículos não-tripulados de combate aéreo são a primeira evidência concreta das futuras guerras eletrônicas e robotizadas. Alguns analistas militares norte-americanos pensam que os contratos para a construção da próxima geração de caças de combate serão talvez os últimos para equipamentos tripulados de ataque. A eventual compra de caças pelo Brasil também deverá ser a última no gênero.

Se o programa de construção de veículos não-tripulados, aéreos e terrestres, for bem-sucedido, poderemos pensar em guerras sem soldados, com lançamento de mísseis de submarinos automatizados e divisões de veículos terrestres não-tripulados atacando velozmente o território inimigo. Os veículos de defesa não-tripulados trarão consequências táticas, éticas e políticas, que se tornarão mais evidentes à medida que a tecnologia se desenvolver. Em termos de estratégia militar, trata-se de uma revolução no conceito tradicional de guerra.

As perspectivas que tais avanços tecnológicos oferecem aos militares e às lideranças civis são ilimitadas, ao maximizar os resultados estratégicos, minimizar a exposição de vidas humanas, aumentar o poder militar e reduzir os custos de construção e de manutenção.

Como seria de esperar, a introdução dos Vants enfrenta resistência em várias frentes nos EUA. A eventual marginalização dos pilotos está encontrando oposição de parte da Força Aérea. Estrategistas do Ministério da Defesa defendem a ideia de que sempre haverá necessidade das forças terrestres para ocupação do território. As empresas da indústria de defesa, por temerem que seus contratos sejam seriamente afetados, também se opõem. É a inovação chocando-se com a cultura institucional.

Segundo os especialistas, esses progressos tecnológicos levarão de 15 a 20 anos para entrar em operação plena. Enquanto isso, o que fazer no curto prazo com os equipamentos existentes e como, tática e estrategicamente, melhor aproveitá-los?

A ampliação do uso militar dos Vants pelos EUA no Afeganistão e no Paquistão na tentativa de capturar Osama bin Laden e combater o Taleban e as tribos que lhe dão suporte aumentou a eficiência no combate ao terrorismo, mas gerou o chamado efeito colateral, com o crescimento do número de vítimas civis e alto custo perante a opinião pública. A utilização por Israel desses veículos no combate aos palestinos resultou na eliminação dos principais líderes do Hamas, com forte desgaste, ante a morte de mulheres e crianças.

Em termos de avanços tecnológicos de veículos não-tripulados, Israel está tão desenvolvido quanto os EUA, como se viu recentemente na apresentação de um Vant com as dimensões de um avião de transporte, ampliando as facilidades e vantagens estratégicas sobre os aparelhos de tamanho reduzido.

A primeira utilização para fins humanitários do modelo mais avançado dos Vatns dos EUA, o Predador, ocorreu recentemente no Haiti, depois do terremoto que destruiu grande parte do país.
No Brasil, a ideia é utilizar esses Vants para patrulhar os 12 mil km da fronteira da Amazônia e monitorar as zonas marítimas do pré-sal, que se estendem de Santa Catarina ao Espírito Santo. O equipamento poderá fornecer informações sobre movimentos suspeitos de crimes transfronteiriços e eventuais ações suspeitas próximas às plataformas de exploração de petróleo. Sem dúvida, a capacidade de defesa do Brasil ganhará enorme avanço estratégico.

O plano de modernização da estrutura burocrática e operacional das Forças Armadas para responder aos novos desafios estratégicos que o Brasil terá de enfrentar nos próximos anos deveria receber o apoio político e orçamentário de que necessita. A Estratégia Nacional de Defesa e a legislação sobre o plano de modernização fundamentam tais mudanças. Por sua importância para os interesses permanente do País, ambos deveriam ser vistos como projetos de Estado, e não apenas de uma administração prestes a se encerrar.

Levando em conta a extensão do território nacional e nossa crescente projeção externa, o emprego de submarino nuclear, a aquisição de caças de combate, a utilização dos Vants e, não menos importante, a aplicação da tecnologia de informação na área militar exigirão, no médio prazo, a redefinição dos delineamentos estratégicos das Forças Armadas em bases mais amplas e ambiciosas.

Para as novas gerações de oficiais superiores é esse o grande desafio.
CONSULTOR DE NEGÓCIOS, ÉPRESIDENTE DO CONSELHO DECOMÉRCIO EXTERIOR DA FIESP
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