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sábado, 31 de julho de 2010

MÍRIAM LEITÃO Um tanto minério

Um bom recorrido histórico sobre nosso comércio exterior.

O que esta reportagem ressalta é nossa pouca capacidade de exportar produtos de alto valor agregado que, via de regra, emprega-se mais mão-de-obra mais qualificada. Em outras palavras, após tantos investimentos propalados ainda, em pleno séc XXI, ainda somos fortes em exportar produtos agrícolas e riquezas minerais, ou seja, em termos de comércio globalizado ainda somos incipientes em termos de nação desenvolvida.
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O Globo - 30/07/2010

Em 2010, pela primeira vez um único produto vai superar a marca de US$ 20 bilhões nas nossas exportações: o minério de ferro. O preço subiu mais de 100% este ano. Com isso, o minério representará 12% de nossa balança comercial. Em mais de 30 anos, será também a primeira vez que as matérias-primas vão superar os manufaturados. Minério de ferro, petróleo e soja são 30% do que exportamos.

A alta do preço vai provocar um salto ornamental.

Do ano passado para este, as exportações de minério de ferro vão sair de US$ 13,2 bilhões para US$ 24 bilhões, segundo estimativas da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Uma alta de 81%. No segundo trimestre, o minério dobrou de valor. O terceiro trimestre já começou com novo aumento de 35%. A AEB revisou o superávit da balança comercial de 2010: de US$ 12,2 bilhões para US$ 15,04 bilhões.

A alta tem vários efeitos.

Nem todos bons. O Brasil acaba voltando à primeira metade do século passado quando um produto se agigantou nas contas de comércio.

Naquela época, o café. O aumento no preço é resultado da demanda chinesa.

Em processo acelerado de urbanização, com fortes investimentos em infraestrutura, a China tornouse altamente dependente da importação de minério de ferro porque não tem mineral de boa qualidade. Diante da demanda, as três maiores mineradoras do mundo, Vale, BHP Bilinton e Rio Tinto, impuseram um novo sistema de reajustes às siderúrgicas, que agora acontecem de três em três meses. Até 2009, era uma vez por ano. No mercado, já se fala em reajustes mensais e até em negociações em bolsa, como acontece com outros minerais, como cobre e alumínio.

— A tendência é que o produto seja negociado em bolsa, com a criação de um preço de referência e um prêmio para o minério que tiver maior qualidade, como é o caso do produto de Carajás — explicou o economista da Link Investimentos Leonardo Alves.

O perfil de nossas exportações está mudando, com o aumento da participação dos produtos básicos (vejam no gráfico).

Em 1998, a exportação de matérias-primas representava 25% de tudo que o Brasil vendia; em 2010, a projeção é de que seja 43%.

Já a participação dos manufaturados caiu de 57% para 40%. Dos dez produtos que devem ser os mais vendidos este ano, nove são commodities. Dos 20, 13 são matérias-primas.

E olha que o Ministério do Desenvolvimento considera como produtos manufaturados itens como madeira compensada; suco de laranja não congelado; café solúvel; açúcar refinado: — Só no Brasil esses produtos são considerados manufaturados.

Em qualquer país desenvolvido, seriam produtos básicos ou semimanufaturados.

É um erro que nos acompanha desde o regime militar — explicou José Augusto de Castro, vicepresidente da AEB.

A entidade acha que isso é um problema. Não pelas boas vendas de commodities, mas porque teme a ausência de acordos bilaterais que abram mercado para produtos de maior valor agregado. A AEB alerta que o Brasil não reduziu seus custos de produção e lembra que o volume vendido não aumentou, apenas o preço. Qualquer mudança no instável mercado de commodities e a nossa balança será afetada.

“Registre-se que a elevação de preço não gera emprego, ao contrário de quantidade, principalmente quando se refere a produtos manufaturados”, escreveu a AEB em relatório.

A Abracex (Associação Brasileira de Comércio Exterior) lamenta o foco das exportações em matériasprimas.

Em análise intitulada “Onde está a política industrial?”, o presidente da entidade, Roberto Segatto, lista um longo dever de casa que ainda precisa ser feito: melhoria da infraestrutura aeroportuária e rodoviária; financiamento à micro e pequenas empresas; redução de carga tributária.

É da vocação do Brasil ser grande produtor de commodities, seja metálicas, seja agrícolas. Não é exportação de segunda categoria.

Mas o melhor seria se o país estivesse removendo os gargalos da infraestrutura, incentivando a inovação tecnológica e ampliando a diversidade das exportações.

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Índia tem 100 milhões a mais vivendo abaixo da linha de pobreza


Aqui vemos uma enorme chance de gerarmos um consistente comércio bilateral com um dos países do BRIC.

Agricultura é nossa força e será nossa destinação até termos condições de desenvolver nossa infra-estrutura e consolidarmos nossa vertente industrial.

Temos, contudo, que lutar contra nossos inimigos íntimos que invadem propriedades que são "ilhas de excelência" em nome de uma 'ideologia" que no fundo quer apenas manter-se sob a guarda governamental...e não de política de Estado.

TEmos, ao mesmo tempo, condições de ajudar a atender tal demanda e ao mesmo tempo gerar postos de trabalho uma vez que a Agricultura é o segmento que mais absorve mão-de-obra menos qualificada.
Vale a pena acompanhar este tema.






NOVA DÉLHI (Reuters) - A Índia tem atualmente mais 100 milhões de indianos vivendo abaixo da linha na pobreza do que em 2004, de acordo com estimativas oficiais anunciadas neste domingo.
O país conta agora com 410 milhões de pessoas vivendo abaixo dessa linha determinada pela ONU --gente que vive com uma renda de 1,25 dólar por dia.
A taxa de pobreza cresceu e atinge 37,2 por cento da população, contra 27,5 por cento de 2004, uma mudança que vai exigir que o governo gaste mais dinheiro com os pobres.
A nova avaliação chega semanas depois que Sonia Ghandi, líder do partido do Congresso, que governa o país, pediu ao governo para modificar uma Lei de Segurança Alimentar para incluir mais mulheres, crianças e pessoas necessitadas.
"A Comissão de Planejamento aceitou o relatório sobre a pobreza", disse Abhijit Sem, membro da Comissão de Planejamento, à Reuters, referindo-se ao novo relatório de dados da pobreza, apresentado por uma comissão do governo, em dezembro.
A Índia calcula a parcela da sua população que vive abaixo da linha da pobreza verificando se as famílias podem pagar uma refeição completa que inclui o mínimo das necessidades de nutrição por dia.
Não ficou totalmente claro quanto o governo federal precisará gastar na população pobre, já que isso vai depender da Lei de Segurança Alimentar, que será apresentada ao governo depois que as mudanças necessárias forem feitas, dizem as autoridades.
A Comissão de Planejamento da Índia vai se reunir com os secretários de alimentação e gastos, na próxima semana, para avaliar os aspectos financeiros do orçamento, dizem os funcionários do governo.
Acredita-se que um terço dos pobres do mundo se encontram na Índia, vivendo com menos de 2 dólares por dia, menos do que em muitas partes da África Subsaariana, dizem os especialistas.
O governo indiano gasta apenas 1 por cento do seu PIB em instalações de saúde pública, forçando milhões de pessoas a lutar para conseguir remédios, segundo o relatório que a Oxfam e outras 62 agências publicaram no ano passado.
Enquanto a economia da Índia está se recuperando de uma recessão global, milhões de pobres na Índia rural têm dificuldades em sobreviver com uma inflação no preço da comida de 17 por cento.
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