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quarta-feira, 28 de março de 2012

O papa, o crocodilo e o regime

YOANI SÁNCHEZ

O Estado de S. Paulo 


Três dias antes de a comitiva papal aterrissar em nossa ilha, chegou um curioso embaixador da defesa do meio ambiente, da paz e a solidariedade. Um belo crocodilo cubano - que tinha sido exportado ilegalmente para a Itália - e foi devolvido, tendo sido acolhido entusiasticamente em nosso Zoológico Nacional. O já famoso réptil foi doado a Bento XVI em janeiro e o papa decidiu devolvê-lo ao meio onde nasceu. Talvez para simbolizar que Cuba ainda poderá recuperar seu lugar em seu hábitat mundial, seu espaço entre as nações democráticas.

Quando o papa chegou a Santiago de Cuba, o animal ainda estava pouco a pouco se habituando à nova dieta e ao inclemente sol tropical. O crocodilo estava de volta, Joseph Ratzinger apenas de passagem.

Os católicos cubanos esperaram 14 longos anos para receber novamente um sucessor de Pedro. A visita de João Paulo II em 1998 deixou uma profunda impressão nos fiéis e conseguiu que as autoridades decretassem desde então o dia 25 de dezembro feriado nacional.

Difícil igualar o impacto causado por aquele papa polonês numa sociedade que tentava acordar da escura noite do "período especial".

Contudo, sabendo que a corrente de afeto deixada por Karol Wojtyla é insuperável, Bento XVI agora quis transcender à sua maneira. No avião que o levava ao México, ele disse que o comunismo já não funciona em Cuba, frase muito mais direta do que qualquer palavra de seu predecessor sobre o sistema cubano. Como disse um simpático cubano num clube desportivo, "este papa parece os jogadores alemães... não jogam com tanta graça e beleza como os brasileiros, mas fazem gols".

Ao longo das últimas semanas, em todas as associações de trabalhadores e de ensino foram realizadas reuniões para convocar todos, operários e estudantes, às missas na Praça Antonio Maceo e na Praça da Revolução. "Ninguém deve faltar", disseram as autoridades.

O governo, querendo passar a imagem de controle, tem feito uma meticulosa "limpeza ideológica" por toda a ilha. Os métodos empregados para isso vão desde prisões domiciliares, corte de linhas telefônicas, ameaças, deportações de uma província para outra e detenção dos dissidentes mais atuantes. A onda repressiva já é conhecida popularmente como "operação voto de silêncio". Até mendigos e pedintes que perambulam pelas ruas de Santiago e Havana foram recolhidos até o fim da visita papal. Tudo tem de se adequar a um roteiro escrito com antecipação e não exatamente nas salas do Vaticano.

Mas os imprevistos não param de surgir. No dia 13, um grupo de 13 pessoas entrou no templo da Virgem da Caridade do Cobre, em Havana, e exigiu que os padres fizessem chegar um documento com demandas ao papa. Dois dias depois, em torno da meia-noite, a hierarquia religiosa autorizou a entrada no local de um comando - não armado - que retirou à força os ocupantes. Embora vários dissidentes tenham se manifestado contrários à ocupação com fins políticos da paróquia, a retirada dos manifestantes recebeu um repúdio avassalador. A ponto de muitas pessoas assegurarem que, com aquele comportamento, foi jogado - e perdido - o futuro papel da alta hierarquia da Igreja em nossa transição. As Damas de Branco por seu lado, pediram ao papa que lhes concedesse ao menos um minuto do seu tempo para apresentarem a outra Cuba que a versão oficial nunca mostrará. Até agora não há nenhum sinal de que Sua Santidade vá recebê-las. Tampouco receberá outros ativistas da sociedade civil.

Se não ocorrer nenhum encontro com esse setor social, o governo de Raúl Castro procurará apresentar a viagem do papa como um gesto que legitima seu governo. A hierarquia eclesiástica, por seu lado, tentará recuperar um pouco do terreno social e educativo que lhe foi tirado a partir de 1959. Já conseguiu permissão para construir um novo seminário e transmitir as missas mais importantes pela TV nacional.

Para trás ficaram os anos de fanatismo antirreligioso nos quais as pessoas eram expulsas do emprego ou do seu centro de estudos por ter um quadro do Sagrado Coração de Jesus na sala de casa.

Contudo, a Igreja ainda está muito longe de poder ter o espaço público que tem em outros países da América Latina. A visita de Bento XVI pode ser determinante para ela alcançar esse objetivo. Mas somente o conseguirá se o papa transcender o cenário pastoral e estender seu manto protetor sobre a pluralidade que emerge em Cuba, nesta ilha com forma de crocodilo adormecido, sedado.
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terça-feira, 20 de setembro de 2011

O DNA que legitima o poder



YOANI SÁNCHEZ*
O Estado de S.Paulo




Há portas que só se abrem quando murmuramos diante delas um sobrenome, um cargo ou o pedigree histórico de alguém. Salvo-condutos que podem nos livrar de uma porção de problemas, e sempre que vêm avalizados por uma assinatura reforçada por alguma alta patente militar. Durante décadas aqueles que desceram da Sierra Maestra se alçaram ao status de fonte dos direitos na Cuba revolucionária. Os parentes desses antigos guerrilheiros exibem com presunção o vínculo sanguíneo que têm com eles e alardeiam o fato de estarem incluídos na sua árvore genealógica. Ter um parente general ou tenente-coronel ajuda não apenas na hora de evitar os trâmites burocráticos, podendo também reduzir penas de prisão, apagar antecedentes criminais e - é claro - corresponder a substanciais privilégios materiais.

O humor popular criou expressões de todo o tipo para destacar as prerrogativas que acompanham esses rebeldes de outrora. Até a linguagem corporal desenvolveu sua própria maneira de fazer alusão a eles. Basta que, no meio de uma conversa na qual fala-se sobre um jovem que exibe um carro surpreendentemente moderno, alguém diga que teria sido presente do pai dele, tocando então o ombro com os dedos médio e indicador juntos. Essa simples senha adverte que o reluzente veículo chegou ao seu dono porque seu progenitor veste uma farda, tem ramos de oliveira nas dragonas ou medalhas no peito. O nepotismo é tão comum no país que os cubanos nem se surpreendem mais; o favoritismo genético chega a ser uma parte indissociável do próprio sistema. Assim, quem não compartilha do DNA dos "líderes históricos" tem poucas oportunidades.

Numa estrutura de poder que se apoia nesses clãs e famílias, a morte de um dos patriarcas visíveis coloca em risco a posição de todos os seus parentes. Telefonar para pedir um favor a um tio que lutou com Fidel Castro em 1958 não é o mesmo que invocar, post mortem, a memória dele para escapar de algum apuro. As parcelas de poder são reduzidas quando o parente membro da hierarquia deixa de respirar, pois a presença dele é necessária para que a sua linhagem seja mantida na lista de franquias do poder. Os parentes que sobrevivem a eles nunca voltarão a ocupar o lugar em que o morto os havia instalado.

A longevidade torna-se assim imprescindível para que filhos e netos assumam cargos e posições, especialmente do ponto de vista econômico, antes que morra aquele que um dia desembarcou do Granma, atacou o Quartel Moncada ou pegou em armas para combater nas montanhas do leste cubano. Uma morte precoce limita a ascendência de seus descendentes, rebaixando drasticamente a posição deles na hierarquia do poder.

As novas gerações desses clãs se veem então presas entre a ânsia de ocupar seu próprio espaço e a necessidade de manter o chefe da família como verdadeiro estandarte até alcançar a ascensão. O sucessor nunca receberá a mesma consideração da qual o pai desfrutou, pois essa condição decorria da participação num feito do passado, e não do presente. A história torna-se fonte infinita de legitimidade enquanto a juventude é maculada por não ter participado do momento posteriormente considerado como "a consagração".

Agora nos encontramos diante de provas de que a biologia está deixando sem líderes muitos destes grupos do poder. Poucos dias atrás, a morte de Julio Casas Regueiro, ministro das Forças Armadas, confirmava a fragilidade de um governo cuja idade já ultrapassa os limites da aposentadoria. Especula-se que ele pode ser substituído por outro dos líderes históricos, e fala-se nos nomes do general Leopoldo Cintra Frías, de Álvaro López Miera, membro do Politburo, e do atual vice-ministro Joaquín Quintas Solá. Os mais pessimistas incluem nesta lista também o próprio filho de Raúl Castro, o coronel Alejandro Castro Espín.

Com a morte de Casas Regueiro, todo um clã e uma família perdem posições, mas fica também demonstrado o fracasso da sucessão entre as gerações. Com 75 anos e à frente do ministério desde 2008, havia há meses rumores sobre seu estado de saúde. O momento em que Raúl o nomeou como substituto à frente do Minfar foi precedido por fortes especulações segundo as quais a camada jovem sem vínculos genéticos teria finalmente sua vez no comando do país.

Figuras como Carlos Lage e Felipe Pérez Roque se apresentavam como a troca da guarda política daqueles que havia quase meio século seguravam o timão do país. Ainda assim, em vez de apostar na renovação, a cúpula cubana preferiu nomear figuras mais velhas e mais "garantidas". Meses depois, ambos seriam defenestrados, e com eles se perderia o breve sopro de diversidade sanguínea que percorreu as esferas mais altas do poder. As declarações de Fidel Castro contra ambos puseram fim às suas carreiras políticas. Tanto o chanceler quanto o vice-presidente do conselho de Estado tinham se convertido - de acordo com o severo comandante-chefe - em "viciados no mel do poder".

Agora, quando raramente se passa um mês sem que seja publicado um obituário ilustre nos jornais oficiais, seguimos nos perguntando se as linhagens continuarão a definir o rumo político do país; se os poderosos sobrenomes de hoje cederão espaço a outros mais novos ou se tentarão transmitir hereditariamente o poder aos seus descendentes, conservando-o como um negócio em família.


TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL


*É JORNALISTA CUBANA E AUTORA DO BLOG GENERACIÓN Y. EM 2008, RECEBEU O PRÊMIO ORTEGA Y GASSET DE JORNALISMO

domingo, 17 de julho de 2011

Quatro rodas, mil problemas


YOANI SÁNCHEZ
O Estado de S.Paulo

A céu aberto, o Lada seguiu, engolindo poeira, com portas e para-choques já corroídos pela ferrugem. O carro havia sido fabricado nos anos 60, na longínqua região do Volga central, e chegou a Cuba graças ao Conselho para Assistência Econômica Mútua (Comecom) e o "intercâmbio justo" entre os povos.

Sua proprietária o conseguiu por meio de um sistema de méritos, quando ela disputou o benefício em intermináveis assembleias com os demais trabalhadores de seu hospital. A briga foi dura, pois vários médicos haviam participado de missões em vários países africanos, mas a lista dos sacrifícios que ela acumulara era muito maior.

Tinha até um diploma de reconhecimento firmado pelo líder máximo. E foi assim que ela conseguiu o carro: diante dos olhares felizes de alguns e invejosos de muitos. O veículo converteu-se rapidamente no seu bem mais precioso. Conduzi-lo pelas ruas era uma demonstração de seu sucesso social e de sua fidelidade ideológica incondicional.

Depois de algumas décadas, muitos dos felizes proprietários começaram a ver como sua criatura de rodas se deteriorava. O mercado de automóveis não foi liberado durante todo esse tempo, fazendo com que eles continuassem como os afortunados que desfrutavam de um privilégio remoto.

Somente carros ainda mais velhos, de marcas como Chevrolet, Cadillac ou Plymouth podiam ser comprados e vendidos legalmente dentro da improvisada estrutura do intercâmbio popular. No entanto, os carros produzidos na Europa Oriental estavam condenados a permanecer nas mãos dos ilustres trabalhadores agraciados com eles.

Uma contradição era incrível: apenas a propriedade dos carros comprados antes de 1959, sob o capitalismo, era respeitada, enquanto que os carros distribuídos sob a égide do socialismo não podiam ser transferidos.

Se o proprietário saía do país por mais de 11 meses, o carro era confiscado em nome de uma justiça social que nunca foi tão justa ou equitativa. O sorriso altaneiro sumiu do rosto de quem dirigia aqueles carros de comprovada resistência e design lamentável.

Então, aquele absurdo sistema de meritocracia acabou, ao menos na sua forma mais pura. Para adquirir os carros Toyota, Mitsubishi e Peugeot que começavam a ser importados, era preciso ter cacife político e dólares no bolso.

Com base nessa nova premissa, quem conseguia comprar carros eram músicos famosos, esportistas, membros da Marinha e artistas que vendiam suas obras no exterior. Durante muitos anos, o documento de autorização para compra de um desses veículos precisava ser assinado por Carlos Lage, vice-presidente do Conselho de Estado.

Até hoje, o processo para obter a autorização é tão complicado que pode demorar de cinco a dez anos, entre o pedido inicial e a compra. E esses reluzentes automóveis também não podem ser cedidos ou vendidos para uma outra pessoa.

Todo esse controle sobre o comércio de carros tem por finalidade impedir que as diferenças sociais se tornem tão visíveis. Da mesma maneira, o mercado imobiliário e de outros símbolos de status também foi congelado. A igualdade foi definida por decreto e não pela existência de uma proposta socialista.

A abertura de revendedoras onde não seria preciso mostrar a insígnia da fidelidade ideológica ou a bendita carta assinada por um alto funcionário era uma ideia que ofendia os orientadores do igualitarismo tosco. Foram justamente esses burocratas - que já possuíam seus carros - que criaram mais de 40 limitações legais para impedir que os outros pudessem adquirir seus veículos. A imobilidade tornou-se a norma de vida e o automóvel, um objeto inacessível.

Quando parecia que esse assunto já chegara às raias do absurdo, realizou-se o 6.º Congresso do Partido Comunista de Cuba. Entre as medidas aprovadas, foi anunciado o fim desse disparate. A abertura do mercado de compra e venda de automóveis começa a vigorar, de acordo com o conselho de ministros, antes do fim de 2011.

Finalmente, os veículos obtidos com base no ultrapassado sistema de mérito laboral poderão ser transferidos para outra pessoa. Com isso, chegaremos ao fim do último bastião de um período em que o importante não era o dinheiro que uma pessoa tinha, mas a ideologia que professava. A oferta e a demanda acabarão se impondo à chamada "distribuição racionada" e os orgulhosos proprietários de antigamente respiram aliviados ao olhar para seus carros Lada e Moskovich.

Finalmente, poderão transformar o fruto das suas virtudes políticas em dinheiro vivo. Trocarão aquele prêmio dado há décadas por uma moeda que pode ser convertida, por esse outro capital que nega tudo aquilo que um dia eles idealizaram.

TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO


É JORNALISTA CUBANA E AUTORA DO BLOG GENERACIÓN Y. EM 2008, RECEBEU O PRÊMIO ORTEGA Y GASSET DE JORNALISMO.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tão longe do Cairo

YOANI SÁNCHEZ 
O Estado de S.Paulo

A cena durou alguns segundos na tela, um clarão fugaz que nos gravou na retina a imagem de milhares de pessoas protestando nas ruas do Cairo. A situação era descrita pela voz empostada de um locutor cubano, que sustentava que a crise do capitalismo havia feito explodir o inconformismo no Egito e as diferenças sociais estavam afundando o governo.

Ele apenas mencionou que um ciclo de quase 30 anos estava desmoronando em apenas uma semana, justo lá, um país onde a história se mede com números de quatro cifras. A alusão entre nós à prolongada permanência no poder de Hosni Mubarak foi - como observa o cancioneiro popular - o mesmo que "falar de corda em casa de enforcado", insinuar que em nosso próprio quintal um autoritarismo de cinco décadas também excedeu sua data de validade. Talvez para evitarmos essa comparação, os meios de comunicação estatais se mostraram cautelosos com as notícias que chegavam do Norte da África. Eles nos administram a colheradas a narração dos fatos, sem insistir em todos os motivos que empurraram o povo a colocar limite ao mandato personalista de um octogenário. Apesar do sigilo jornalístico, outros fragmentos do ocorrido chegaram até nós pelas redes alternativas de informação.

A prudência oficial não pôde evitar que nos surpreendêssemos com a vista aérea da Praça Tahrir que vibrava ao ritmo da espontaneidade, quando por estes lados há muito anos que não se vê essa fraqueza na sóbria e cinzenta Praça da Revolução. Era inevitável que, ao observar a multidão manifestando-se com cartazes, terminássemos fazendo a pergunta que aquele locutor queria afastar de nossas mentes: Por que não ocorre algo assim em Cuba? Se nosso governo é de data mais antiga e o colapso econômico se converteu em elemento inseparável de nossos dias, o que impede que empreendamos o caminho do protesto civil, da pressão pacífica nas ruas?

O Egito veio sacudir-nos em nossa mansidão e o arrojo de outros nos defrontou com nossa apatia, nesta nação onde o tempo se mede em efemérides "revolucionárias".

A teoria de povos valentes e povos covardes é, no mínimo, simplista. Não há uma genética da rebeldia e tampouco se pode prever em que momento o inconformismo atinge seu ponto de ebulição. Esta ilha nutriu desde 1959 as especulações, os baralhos de ler a sorte e até as quadras rimadas de analistas, cartomantes e profetas. Ante esses augúrios de um futuro que nunca chega, milhões de cubanos resumiram sua atitude cívica a um vocábulo moroso: esperar.

Eles acalentam a ilusão da solução rápida, de deitar-se um dia num Estado sem direitos e acordar no outro numa Cuba democrática. Mas lançar-se nas praças não, pois esse asfalto retinto das avenidas pertence - e assim nos dizem desde pequenos - a Fidel Castro e ao Partido Comunista. Nos fizeram acreditar que protestar em público contra as demissões em massa, o alto custo de vida ou para exigir a renúncia de um gabinete são gestos que outros empreendem, ações que somente são possíveis fora de nossas fronteiras nacionais. No interesse de impedir que uma multidão tome as calçadas e grite em uníssono "fora presidente!", eles ativam os mecanismos ocultos de controle, os recursos do medo. A engrenagem da vigilância que não conhece crise econômica nem cortes paira constantemente sobre nós.

Neste momento, ela está indecisa, ajustando seus agentes, seus carros, suas leis, para evitar o contágio que pode vir do Leste. Pois embora o Cairo fique muito longe, há demasiadas analogias entre os cubanos e aqueles rostos que vimos reunidos na marcha de um milhão. Eles gritavam contra Mubarak, mas do lado de cá da tela muitos sentimos que eles nos intimavam, que nos faziam sentir vergonha de nossa inércia. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

É JORNALISTA CUBANA E AUTORA DO BLOG GENERACIÓN Y. EM 2008, RECEBEU O PRÊMIO ORTEGA Y GASSET DE JORNALISMO. ESTREIA HOJE COMO COLUNISTA DO "ESTADO"

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