sábado, 15 de maio de 2021

A HORA MAIS RIDÍCULA

 A HORA MAIS RIDÍCULA

 Percival Puggina 


A Inglaterra, segundo as palavras de Churchill no famoso discurso de 18 de junho de 1939, teve sua “hora mais esplêndida” (finest time) ao entrar, sozinha, na guerra contra a Alemanha nazista. Os Estados Unidos tiveram sua “hora mais escura” (darkest hour) após o ataque terrorista às Torres Gêmeas e caçada a Bin Laden, retratada no filme Zero Dark Thirty (“meia noite e meia”, no jargão militar americano). E o Brasil está vivendo sua hora mais ridícula nessa CPI da Hidroxicloroquina (HCQ).


Pode o vírus voltar para a China com alvará de soltura porque, bem investigadinho em CPI do Senado brasileiro, não lhe cabe culpa alguma. Aqui, nas palavras de senadores membros da comissão, todas as vítimas, sem exceção, foram causadas pelo governo federal. No Brasil, de covid-19, só se morre pela insistência do presidente em apontar um tratamento precoce indicado mundo afora por médicos com atividade clínica, inclusive em automedicação.


“Mas como – perguntará o estrangeiro visitante, que sequer imagina as peculiaridades da política em nosso país – o governo trocou vacina por hidroxicloroquina? Ela é vendida sem receita médica? No Brasil, decisões terapêuticas não são privativas dos médicos?”


Ora, ora, mister, esclareço eu. Aqui há mentiras badaladas e verdades enxotadas. Se você fizer essas perguntas a um militante de esquerda ele o chamará de gado e esperará que você se afaste mugindo. Exibir discernimento resulta ofensivo em certos ambientes e veículos.


Como era absolutamente previsível, com cinco a seis bilhões de pessoas por vacinar e com os cinco países dos grandes laboratórios consumindo mais de 60% da produção em suas próprias populações, o imunizante é um bem escasso, não disponibilizado em ritmo adequado. Ainda assim, o Brasil consegue disputar o quarto lugar em número de doses adquiridas e aplicadas. Não é apenas de postos de trabalho, bens de consumo e matérias-primas que a pandemia gerou escassez. Vacinas também entram nesse cenário, mas o discernimento exigido para percebê-lo excede a capacidade de muitos militantes nas atuais corregedorias da opinião pública e entre os comissários da verdade.


A CPI da hidroxicloroquina já mostrou onde quer chegar. Ninguém precisa ser atirador de elite para identificar o alvo da artilharia inimiga. Ela quer carimbar uma narrativa unilateral, dando-lhe caráter suspostamente oficial. Em nossa hora mais ridícula, um medicamento que não é vendido sem receita médica virou objeto de ódio político e é o eixo em torno do qual giram os trabalhos de uma barulhenta CPI.   


Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.


 


 


 

A função do LUCRO

 Imagine uma família com 10 membros vive isolada do mundo em uma propriedade agrícola à beira de um rio, e ali eles produzem o que necessitam para viver. Admita que cinco membros trabalham na propriedade e os demais não estão em idade de trabalhar. O padrão de vida da família será aquele propiciado pela produção dos cinco que trabalham. Se toda produção for dividida em partes iguais, o padrão de vida de cada um será a produção total dividida por 10.



Essa divisão resulta no que chamamos de produto per capita, produto por habitante ou produto por pessoa, expressões que querem dizer a mesma coisa. Ali a divisão é física, não há mercado, logo, não há sistema de preços nem moeda para intermediar trocas. Vendo por outro ângulo, o padrão de vida depende da produtividade, que é a produção anual dividida pelo número anual de horas trabalhadas. Produtividade é apenas isso: o produto nacional dividido pelas horas trabalhadas por todos para a obtenção desse produto.


Um dia, alguém diz: “sugiro vender 10% de nossa produção para outra comunidade e comprar um trator agrícola, para produzirmos mais por hora trabalhada”. Um economista perguntaria: vocês estão dispostos a consumir 10% menos no ano em que venderem 10% da produção? Para obter o trator (investimento), o consumo terá de ser reduzido, pois a produção total é a mesma e 10% dela terá de ser vendida. Em se tratando de apenas uma família isolada do mundo, a coisa parece óbvia.


Mas, pegue uma nação de 213 milhões de habitantes (número dado pelo IBGE em maio/2021), da qual 106 milhões compõem a população em condições de trabalhar, cujo produto nacional é composto de milhões de itens de produtos, desde um pé de alface até um avião, passando por milhares de tipos de serviços pessoais. Com a divisão do trabalho, os produtos (bens e serviços) são trocados no mercado com a moeda que cada um recebe por sua participação no processo produtivo.


Naquela família isolada do mundo, os cinco trabalhadores e o trator representam o capital humano e o capital físico. Em um país de milhões, a realidade é muito mais complexa, mas os princípios básicos são similares. Por exemplo, como é construído o capital físico de uma nação capitalista? Os empreendedores contratam pessoas, compram capital físico (fabricado por membros da mesma sociedade), produzem e vendem.


O produto total da nação do ano é dividido em bens e serviços de consumo e bens de capital. Assim como aquela família consumiu 10% menos que o produto total no ano em que vendeu 10% da produção para comprar o trator, uma sociedade consume no ano o produto nacional menos os bens de capital (prédios, máquinas, equipamentos, veículos, ferramentas, residências etc.).


O capital físico se incorpora à estrutura produtiva para aumentar o produto nacional dos anos seguintes. A macroeconomia é um conjunto de teorias, conceitos e cálculos destinados a entender o processo de produzir, distribuir, fazer circular, consumir, poupar, acumular capital e atender às múltiplas e ilimitadas necessidades com os recursos escassos, sob um sistema de trocas (o mercado) e um mecanismo de preços, intermediados por um instrumento de troca: a moeda nacional.


Quem comprará os bens de capital físico e com que dinheiro? São as empresas (com o lucro que elas obtêm) e o governo (com o tributo que retira da sociedade). Parte das horas trabalhadas pela nação é dedicada a produzir de bens de capital e o lucro em geral é usado para as empresas e o governo fazerem investimento. Parte ínfima do lucro é levada para casa pelo empresário para seu consumo, mesmo porque o dono da empresa também tem um salário por seu trabalho (chamado retirada pró-labore).



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Há lucro distribuído ao empresário (no caso de empresas fechadas) ou ao acionista (no caso de empresas de capital aberto, como dividendos). Mas, mesmo esse lucro distribuído vira investimento, por exemplo, em moradias ou outros negócios da família ou ainda reinvestimento em ações da própria empresa (caso dos dividendos dos portadores de ações), portanto, aumento do capital físico da nação.


Voltarei ao tema, mas encerro com uma passagem escrita pelo economista Luigi Einaudi (1874-1961), que foi presidente da Itália de 1948 a 1955: “Quem assumirá a responsabilidade de conservar, renovar e fazer crescer o capital nacional se os altos impostos, os altos salários e a previdência social não deixarem margem de lucro para as empresas? É preciso ser lógico: ou se tenta, como na Rússia, construir um outro sistema, ou é mister resignar-se a aceitar o elemento motor da empresa privada, que é a esperança de lucro proporcional ao investimento realizado”.

José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.


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A administração Biden zomba da sabedoria dos antigos

 A natureza humana se mantém a mesma ao longo do tempo e do espaço. Por isso era usada para prever comportamentos políticos, econômicos e sociais que todos os países entendem.


A oferta de dinheiro controla a inflação. Imprima-o sem aumentar a produtividade ou a oferta de bens e serviços e a moeda perde valor. Ainda assim, os Estados Unidos parecem rejeitar esse truísmo primordial.


Os Estados Unidos têm um débito de mais de US$ 28 trilhões — cerca de 130% do PIB do país. O governo prevê um déficit de US$ 2,3 trilhões em 2021, depois de registrar um déficit recorde de US$ 3,1 trilhões no ano anterior.

A administração Biden ainda quer emprestar mais US$ 2 trilhões em programas sociais e de “infraestrutura”.

Na loucura dos últimos 100 dias, o preço de todas as coisas, da madeira aos alimentos, passando pela gasolina, carros e casas, disparou. Ainda assim, muitas das taxas de juros permanecem abaixo dos 3%.

Os empregos são abundantes; os trabalhadores, não. Surpreende alguém que as transferências do governo desestimulem os desempregados a procurar emprego?

Depois de 13 meses de quarentena, os norte-americanos estão gastando. Mas essa demanda repentina está provocando a escassez de alguns produtos. Os fabricantes temem o papo de Biden sobre aumento de impostos, maior regulamentação e cortes no desenvolvimento de energia.

Os velhos princípios são mesmo obsoletos? Devemos imprimir dinheiro e aumentar o débito do governo? É inteligente manter as taxas de juros próximas de zero, desestimulando o emprego, a produção e a inovação? Esse comportamento perigoso é garantia de inflação, acompanhada pela desastrosa estagflação.


Criminalidade e política externa

Depois que George Floyd foi morto nas mãos da polícia em Minneapolis, algumas cidades norte-americanas diminuíram os gastos com o policiamento. A reação policial foi retardada em vários lugares, talvez também porque os policiais temessem ser demitidos por usarem a força.

O resultado? Em grandes cidades como Nova York e Los Angeles, os homicídios e outros crimes violentos dispararam.

Os governos municipal e estadual acreditam que não se enquadram nas leis básicas da criminalidade que dizem que, quando os criminosos percebem que não serão pegos nem punidos, eles tendem a cometer mais crimes.


O mesmo perigo de se ignorar alguns aspectos imutáveis da natureza humana se aplicam à política externa.

Antagonistas agressivos como Irã, Coreia do Norte, China e Rússia acreditam que a administração Biden vai reduzir os gastos com defesa. E o presidente Joe Biden soa até mais crítico da política externa de Trump do que os inimigos do país. Por que não assumir riscos que antes eram injustificados?

Assim, as tropas russas ultrapassam a fronteira com a Ucrânia. A China aumenta o assédio sobre Taiwan. A Coreia do Norte lança mais mísseis. O Irã ameaça navios norte-americanos no Golfo Pérsico. E, agora, o Hamas dispara foguetes contra Israel.

Aparentemente, a administração Biden não sabia que as ditaduras e teocracias interpretariam sua sinalização de virtude como um sinal de fraqueza a ser explorado, e não magnanimamente retribuído.

O velho ditado do escritor romano Vegécio — "Si vis pacem, para bellum", se você quer paz, prepara-se para a guerra — era deprimente demais para ser levado a sério.

Antigamente, quanto maior o impedimento para se avançar sobre a fronteira de um país — muralhas e leis —, menos improvável era que houvesse imigração ilegal. Neste caso também a administração Biden aparentemente rejeitou os alertas dos antigos.

A interrupção da construção do muro, a promessa de anistia antecipada e a menosprezo à aplicação das leis geraram mais imigração ilegal.

A recusa em chamar o caos na fronteira sul de “crise” não significa que a situação não seja um desastre.

Tensões raciais

A sabedoria antiga também alerta que os humanos preferem criar alianças dentro da própria tribo, definida por raça, etnicidade ou religião. Que o perigo à própria existência é o que leva nações multirraciais a sempre tentarem diminuir as diferenças tribais, dando ênfase a laços comuns como cidadania e interesses transcendentais. De outra forma, um país diverso acaba como o Líbano, Ruanda e a ex-Iugoslávia, onde as lutas tribais resultaram em derramamento de sangue e barbárie.


Ainda assim, durante três meses a administração Biden deu ênfase às diferenças raciais, e não aos nossos aspectos comuns. Ele estereotipa a população branca dos EUA — que não é nada uniforme em termos de classe e etnicidade — como um grupo que goza uniformemente de privilégios e que é sistemicamente racista.

Em meio a esse debate, o perigo é o de que as tensões raciais aumentem, os crimes de ódio disparem, os demagogos racialistas dominem o discurso, a meritocracia desapareça e a solidariedade tribal a substitua. Assim, a antiga ideia responsável pela formação dos Estados Unidos desaparecerá.

Quando um presente arrogante ignora a sabedoria do passado, o futuro previsível se torna assustador.

Victor Davis Hanson é classicista e historiador no Hoover Institution da Stanford University.

© 2021 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês 


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Ninguém quer cancelar os clássicos – exceto a elite acadêmica

 Os porcos devem estar voando, o inferno deve estar congelando e o leão deve estar deitado com o cordeiro. Porque, numa época em que a divisão entre esquerda e direita se transformou num abismo, personagens diferentes como as apresentadoras progressistas do programa “The View” e representantes do Claremont Institute, de direita, se uniram em seu apoio entusiasmado pela educação clássica.




A apresentadora Joy Behar recentemente disse que “é importante que todos aprendemos sobre os gregos, por exemplo, porque eles basicamente nos deram tudo”. A coapresentadora Sara Haines acredita que os clássicos “devem ser a base da educação universitária”. À direita, Spencer Klavan, apresentador do podcast Young Heretics, argumentou que “todos, seja qual for a raça ou a origem, deveriam ler os clássicos. Eles são sua chance de aprender com os melhores sobre como ser humano”.


O catalisador dessas defesas do cânone ocidental foi um texto que coescrevi com o professor Cornel West sobre a decisão da Howard University de acabar com seu departamento de estudos clássicos. A decisão da universidade, claro, me irritou, talvez porque os poderes que buscam extinguir a tradição ocidental têm ganhado força ultimamente.


Depois que ideólogos racialistas tiraram Homero do currículo de uma escola de Massachusetts, os professores celebraram e um deles chegou a dizer que estava “orgulhoso” da censura. Todo um movimento de professores que agem sob a hashtag #disrupttexts tenta substituir o cânone ocidental por livros mais contemporâneos que seguem o padrão atual da política em constante mutação. Em Princeton, Dan-el Padilla Peralta, um reconhecido historiador sobre o Império Romano, chegou a dizer sobre seu campo de estudo que ele é “meio vampiro, meio canibal”, afirmando: “Espero que esse campo de estudo acabe e acabe o mais rápido possível”.


O fervor piromaníaco e quixotescamente cheio de auto-ódio da turba que defende o cancelamento dos clássicos está totalmente dissociado da cultura popular e da opinião da elite. Não se trata, aqui, da direita proteger os clássicos de ataques da esquerda ou de alguém que, educado numa escola privada ou em casa, se opõe aos que frequentam escolas públicas tradicionais. Os únicos que parecem desejar a morte dos grandes livros são uma elite acadêmica marginal e alunos radicais.


Pessoas com todos os tipos de opinião política, de origem educacional variada, de todas as profissões e de todos os lugares do país amam cânone ocidental. Elas se emocionam pelo heroísmo da “Eneida”, de Virgílio, ficam aterrorizados com o “Inferno” de Dante. Elas se deixaram envolver por movimentos históricos grandiosos em “Guerra e Paz”, de Tolstói, e sofreram as agonias do amor nos volumes épicos de Proust. Elas chegaram ao poder na república romana com os textos de Políbio e no império com as palavras de Lívio. E viram os pilares caírem nas páginas do bispo africano Santo Agostinho e do historiador Edward Gibbon.


Essas não são histórias nem a sabedoria de um único povo em determinada época. São a tradição comum de todas as pessoas que optam por adotá-la. Elas estão acessíveis a todos que querem estudar e lê-las com a mente aberta — e elas podem mudar vidas.


Há alguns anos, quando eu lecionava numa escola pública de Maryland, me pediram para lecionar no período noturno para um grupo de alunos do ensino médio que tinham reprovado em inglês. No primeiro dia, eles reviram os olhinhos enquanto abríamos os velhos livros didáticos de sempre, com passagens fragmentadas, atividades sem sentido e histórias bobas.



Por isso, na noite seguinte eu me livrei do livro didático. Em vez de usá-lo, comprei cópias de coletâneas de contos de Flannery O’Connor e fizemos um acordo: nada de lição de casa, nada de provas, nada de testes e principalmente nada de livros didáticos. Todas as noites, líamos em voz alta, reunidos num círculo, e conversávamos sobre o que tínhamos lido. Ao fazemos isso, eles recuperaram o interesse e ficaram obcecados pelas histórias de O’Connor.


Ao longo de toda a vida, esses alunos receberam uma educação sem substância e tiveram de se submeter a leituras sem sentido, num sistema criado para treinar peças de uma roda dentada, e não para pessoas decentes e dotadas de alma. Eles queriam mais do que treinamento técnico e o chamado “pensamento crítico”. Eles queriam estudar religião e filosofia, moral e ética, amor e guerra, o bem e o mal. Eles não queriam ser adestrados como crianças. Queriam aprender como seres humanos.


O cânone ocidental em si não é capaz de unir nem dar vida a grupos divididos de pessoas. Mas grandes livros sempre inspiraram e formaram as almas capazes de fazer isso. Sempre haverá diferenças políticas e culturais entre nós, mas está cada vez mais claro que nos unimos em torno da ideia de que os textos clássicos precisam orientar nossa educação.

Jeremy Tate é fundador e CEO da Classic Learning Test.

© 2021 National Review. Publicado com permissão. Original em inglês




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O inebriante populismo vacinal

 Nesta semana, o Food and Drug Administration (FDA) – o equivalente americano da brasileira Anvisa – liberou a aplicação da vacina produzida pela Pfizer-BioNTech em adolescentes de doze a quinze anos, reduzindo a faixa etária para aplicação do imunizante que até então era de dezesseis anos. A liberação se deu na segunda-feira e na quarta-feira já estava lá a garotada tomando a primeira dose da vacina. Uma extravagância em um país que, até o momento, aplicou mais de 265 milhões de doses – e já tem 36% de sua população completamente imunizada e outros 10% que já tomaram pelo menos a primeira dose. Para os pais que veem seus filhos adolescentes imunizados com a melhor vacina disponível no mercado, em tempo recorde e sem filas é a mais completa tradução de tranquilidade.


Tal qual naquela máxima entre políticos brasileiros que saneamento não garante voto, nos Estados Unidos quase ninguém dá a mínima para saber, entender ou reconhecer como chegamos tão rapidamente às vacinas e porque a população americana está sendo imunizada de forma tão acelerada. A Operação Warp Speed, que injetou bilhões de dólares em pesquisa científica e permitiu às farmacêuticas um ganho de tempo brutal na produção de imunizantes beneficiando não só os americanos, mas todo mundo, virou o cano de esgoto debaixo da terra que deságua em uma estação de tratamento que ninguém presta atenção.


As reações das vacinas vão pouco além das dores no corpo – que para quem já teve dengue fica fácil de entender – e febre. A popularidade do presidente Joe Biden está igual a um foguete. E aqui mora o perigo do populismo vacinal.


Não vejo problema algum em um país que patrocinou o desenvolvimento das vacinas e pagou por elas priorizar sua população. Como dizia Donald Trump. America First! Mas olhando apenas para dentro, Washington dá sinais de que ainda não entendeu que não existe mais liderança natural.


Liderança e influência estão em disputa. E as respostas em relação à pandemia não são diferentes. Em um mundo convulsionado, o que deveria ser inspiração muito facilmente pode se tornar motivo de indignação. Enquanto os Estados Unidos vacinam crianças, idosos morrem em países aliados como Índia e Brasil. A culpa dessas mortes é dos americanos? Claro que não. É dever dos americanos vacinarem essas pessoas? Claro que não. Mas seria minimamente inteligente não focar tanto na política doméstica e olhar para além das urnas e das próprias fronteiras.


Todos os dias, os inimigos dos Estado Unidos reforçam a tese de que os americanos são os egoístas que estão drenando de forma iníqua as vacinas. Yan Wanming, o embaixador brigão que a China plantou no Brasil, não perde a oportunidade para lançar pílulas com a teoria de que os americanos são os egoístas. E realmente está fácil para China emplacar a propaganda de seu altruísmo.


Na Índia não tem sido diferente. As engrenagens de propaganda de Pequim estão azeitadas para convencer os indianos de que os Estados Unidos não são amigos fiéis. É a tal da “diplomacia da vacina”, que também pode ser chamada de “diplomacia da chantagem”. Em que a China tem preferido vender doses de vacinas para consolidar seus interesses estratégicos, forçar decisões em seu favor e avançar casas em um tabuleiro que os seus rivais, os Estados Unidos, perdem a cada movimento uma peça.


Enquanto celebra o sucesso da vacinação, os americanos da Costa Leste estiveram prestes a ter dias venezuelanos por causa da possibilidade real de um colapso do sistema de fornecimento de combustível. Hackers sequestraram os sistemas da empresa que controla os dutos de distribuição de gasolina. Embora um exército de caminhões tanque tenha sido acionado para suprir parte do problema, não existe frota capaz atender à demanda da região mais populosa dos Estados Unidos. A correria aos postos de combustíveis formou filas enormes. O pânico frente ao risco de desabastecimento é muito comum entre os americanos. Mas, no caso dos combustíveis, a ameaça era absolutamente real.


As autoridades americanas conseguiram identificar a origem do ataque. Veio da Rússia. Como por lá Estado e máfias formam um ente híbrido, não se sabe exatamente se o ataque é uma ação de bandidos, do governo ou de ambos. Algo que seria curioso saber, mas que a utilidade é nula. A Rússia moveu uma campanha maciça de desinformação no referendo do Brexit e no da Cataluña. Putin sabotou as campanhas de 2016 e de 2020 nos Estados Unidos. Mas e daí?


O governo russo também foi flagrado fazendo estripulias contra vacinas ocidentais na Europa, para minar a certificação e comprometer a confiabilidade em favor de seu produto nacional, a Sputnik-V. Mas e daí?

Nada.


China e Rússia sabem que podem fazer o que fazem e sair impunes. Alguém realmente acredita que os Estados Unidos, Reino Unido, por exemplo, reagiriam belicamente aos crimes de Pequim e Moscou. Evidentemente que não.


Influência e liderança não são mais naturais. Estão em disputa, como já foi dito aqui. Seja ela disputada por chantagem, comércio, armadilha de dívida e mentiras. A reação passa por estratégias nada convencionais que já deixaram a velha tática das sanções enferrujadas no tempo.


A Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ, conforme a sigla em inglês) divulgou um relatório mostrando como a China está literalmente comprando a imprensa em algumas partes do mundo. Uma pena que a IFJ não olhou para o Brasil.


O alistamento de meios de comunicação, acadêmicos, parlamentares e influenciadores pavimenta o caminho das malversações de Estados que não se veem impedidos de se comportar como máfias.


A América se encanta com a sua imagem diante do espelho e parece ter se esquecido de cuidar dela sobre a perspectiva de quem a vê. China e Rússia estão trabalhando muito bem para fazer dos Estados Unidos um conjunto de coisas feias.


Biden está corretíssimo em correr para que os Estados Unidos voltem aos eixos. Mas pode estar errando a mão pelos encantos da popularidade. George W. Bush e Barack Obama viraram as costas para a América Latina abrindo as portas para a China. Donald Trump passou quatro anos fissurado na Venezuela. Biden chegou e parece repetir os erros.


Peço perdão aos leitores que chegaram até aqui. Mas é preciso destacar. Esta coluna não reforça a lorota chinesa de que os Estados Unidos são egoístas, enquanto o Partido Comunista são os abnegados amigos do mundo. Mas a administração Biden está cometendo um erro (e sinceramente não apostaria que Trump faria diferente). Vacinar crianças não fará a economia americana decolar mais rapidamente que limitando doses apenas para pessoas acima de dezesseis anos.


Ampliar o acesso às vacinas para base da enorme pirâmide demográfica americana tem impacto fora. Atrasa a chegada de vacinas em locais como a Índia e o Brasil. E isto não tem nada a ver com egoísmo. É política mesmo. É política ruim.



Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/leonardo-coutinho/o-inebriante-populismo-vacinal/ 

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O vírus inocente

 

Os primeiros dias de CPI não surpreenderam. Os senadores da comissão agiram como era esperado. E os depoentes também. Não saíram novidades nem revelações. Tivemos o já ouvido, o já visto, o já sabido. Como no senado da Roma antiga, tivemos os questores e também Catilinas, a repetir, como Catão, delenda Bolsonaro, delenda Bolsonaro. Não disfarçaram isenção e deixaram claro o objetivo, conhecido por gregos e troianos, de tentar enfraquecer o presidente, para evitar reeleição.


A CPI se instalou por ordem de um ministro do Supremo - o que, certamente, não teria acontecido se o presidente do Senado fosse Jarbas Passarinho ou Antônio Carlos Magalhães. O presidente Rodrigo Pacheco aceitou dois requerimentos: o primeiro, do senador Randolfe Rodrigues(Rede/AP), com 31 assinaturas, e o segundo do senador Eduardo Girão(Podemos/CE), com 45 assinaturas. Randolfe, das 31 assinaturas, tornou-se vice-presidente da comissão, e é influente na condução dos trabalhos, tanto que seu objetivo, de investigar o presidente, prevalece sobre o do senador de 45 assinaturas, de investigar o destino dos bilhões liberados pelo governo federal aos estados e municípios.


Ou seja, a CPI investiga o provedor dos recursos e não os executores dos gastos. Como o senador Girão citou em seu requerimento, o fato de a Polícia Federal conduzir 61 investigações sobre fraudes diversas com dinheiro federal, não motivou até agora os inquisidores da comissão. Mesmo porque há dois pais de governadores - um deles o próprio relator - e um ex-governador com a família investigada em desvios da saúde - o próprio presidente da comissão.


Não entendi porque as lideranças partidárias que indicaram os integrantes da CPI foram tão ousados em desafiar a memória popular. Hoje em dia, com as redes sociais, o debate e a troca de informações é imediato e envolve milhões. A CPI ainda não se deu conta do desgaste. Vai se expor por 90 dias. A audiência já está caindo, o desinteresse aumenta a cada sessão espetaculosa. Por enquanto, uma inquisição pouco santa vai condenando Bolsonaro e a cloroquina. O articulista gaúcho Percival Puggina previu esta semana que a CPI vai inocentar o vírus.



Educação 5.0 é real e acontece agora

Educação 5.0 é real e acontece agora, mas o que muda no processo de aprendizagem?Tecnologia, gamificação, entretenimento e a adaptação do aprendizado para a realidade e o ritmo de cada aluno estão entre os principais diferenciais desse novo momento da sociedade mundial.  


Ao longo do século 20 e início do 21, o mundo passou por intensas mudanças nas relações de trabalho, nos formatos educacionais e, de uma forma geral, na vida em comunidade. Evoluímos da era industrial para a da informação em um curto espaço de tempo, mas já vivemos uma nova realidade: a Super Smart Society ou Sociedade 5.0. Mas o que isso significa na prática?

De acordo com o professor, engenheiro e Head of Active Learning da Beetools, José Motta Filho, a Sociedade 5.0 é “inundada por inteligência artificial, nuvem de dados, hiperconexões e formatos híbridos para que um ser humano se aproprie de novos conhecimentos”. A diferença está justamente nesse ponto, em como ocorre o processo de aprendizagem e o crescimento pessoal dos indivíduos.

“Até pouco tempo, a escola trabalhava para aproximar o aluno da tecnologia. Na Educação 5.0, o foco está nas pessoas e os esforços concentrados em tornar o aluno protagonista, não mais o professor ou as ferramentas tecnológicas. Dessa forma, contribuímos para o desenvolvimento tanto das hard quanto das soft skills”, completa a Head of Academic da Beetools, Adriana Masson.

A startup de educação com sede em Curitiba (PR) nasceu com o propósito de revolucionar o ensino de inglês por meio da educomunicação, com estratégias de gamificação, inteligência artificial e realidade virtual em salas de aulas invertidas. “Usamos metodologias ativas para estimular a criatividade, tornar o aprendizado divertido e fomentar a evolução do aluno do jeito e no tempo dele”, explica Adriana.

Desafios

Diferente do que muita gente pensa, essa mudança de perspectiva se iniciou bem antes da chegada do novo coronavírus. “Sabemos que a pandemia trouxe dores e ganhos no cenário educacional, mas a curva de aprendizagem para o ensino remoto já estava sendo desenhada. Aquelas instituições que já possuíam um DNA inovador, sentiram de forma mais amena os efeitos do fechamento das escolas”, indica Motta.

Em sua avaliação, o grande desafio da Educação 5.0 está na difusão e na implementação em larga escala, não só no ensino privado, mas também no setor público brasileiro. “Nesse campo, tenho duas sugestões: o investimento em formação de professores para uma educação de vanguarda e o investimento em infraestrutura nos ambientes da educação básica e do ensino superior no nosso país”.

Em outras palavras, os professores precisam ser qualificados para trabalhar no presente tendo um olhar para o futuro. “É ter consciência que aquilo que nos trouxe até aqui não é o que nos levará adiante em termos educacionais”, ressalta Motta. Internet e dispositivos diversos conectados já não são considerados luxo, mas ingredientes básicos de inclusão, pertencimento e conexão com o mundo do trabalho.

Outro desafio importante está no convencimento sobre a efetividade da gamificação, da educação pelo entretenimento e da ausência de provas. “Os pais estão acostumados com a educação presencial e convencional, e tem dificuldade em entender que não trabalhamos com punição e que essa é a melhor opção para o crescimento educacional e pessoal do seu filho”, explica Adriana.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/conteudo-publicitario/beetools/educacao-5-0-e-real-e-acontece-agora-mas-o-que-muda-no-processo-de-aprendizagem/ 

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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Conflito em Israel: A noite de maior escalada em 12 anos

 



A TEIMOSIA DE RESISTIR

 “É nessa viscosidade intelectual que temos de viver e lutar se quisermos praticar a teimosia de resistir, de defender os valores fundamentais.”  Gustavo Corção, em Disparates e contradições do tempo.



A primeira e principal lição foi sendo ministrada aos poucos. Era difícil, mas não impossível. Tratava-se de fazer a sociedade ingerir, enrolada como em rocambole, a ideia de que a criminalidade deriva das injustiças do modelo social e econômico. Aceita essa premissa, era imperioso levar consequentes proposições ao campo do Direito. Claro, seria perverso tratar com rigor ditas vítimas da exclusão social. Aliás, permutar as palavras “pobre” e “pobreza” por "exclusão" e "excluído" foi estratagema vital para completar o rocambole no Direito Penal.


A situação exposta acima representa uma versão rasteira da velha luta de classes marxista. Uma luta de classes por outros meios, numa brilhante concepção revolucionária porque realiza a proeza de se travar fora da lei com a proteção dela. Graças a isso, a punição é a aposta de menor risco desses beligerantes. Graças a isso, no Brasil, o crime compensa. Por isso, também, só os muito ingênuos acreditarão que um partido, um coletivo burocrático ou institucional que assim pense pretenda, seriamente, combater a criminalidade. Preste atenção, afine os ouvidos e perceberá as manobras e o escandaloso silêncio dos nossos congressistas e do aparelho de Estado sobre esse tema. Ou não?


Portanto, olhando-se o tecido social, chega-se à conclusão de que o grande excluído é o brasileiro honesto, quer seja pobre ou não. O outro, o que enveredou para as muitas ramificações do mundo do crime, leva vida de facilidades sabendo que tem a parceria implícita dos que hegemonizam a política nacional. Nada disso estaria acontecendo sem tal nexo.


Viveríamos uma realidade superior se o Direito "achado nas ruas", que inspira ideologicamente a atuação de tantos magistrados, fizesse essa coleta nas esquinas, mas ouvindo os cidadãos, os trabalhadores, os pais de família, em vez de sintonizar a voz dos becos onde a criminalidade entra em sintonia com a ideologia.


O leitor sabe do que estou tratando aqui. Ele reconhece que, como escrevi há alguns anos, a tomada do Brasil pelos maus brasileiros seguia inevitável curso. Perderíamos a guerra. O crime iria vencer. Estávamos na fase de requisição dos despojos que deveriam ser entregues aos vencedores.



Ou não! Ou não! Corção tinha razão e foi nessa viscosidade intelectual que tivemos de viver e lutar contra o mal que se espalhou pelo país. Foi isso que nos mobilizou em 2018 para uma vitória que logo se revelou insuficiente porque a máquina do poder reage ferozmente e há um longo caminho até a vitória final. Em seu andar, o peregrino da história descobre que nossas instituições agem implacavelmente contra a ordem democrática das urnas. Também elas são bandidas e se homiziam nos morros do poder desde o qual legislam em causa própria e sentenciam como lhes convêm.


Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

Pessoa de bem - Por Luíz Ernesto Lacombe

Fui um repórter dedicado majoritariamente a pautas de polícia, no início da minha carreira, na longínqua década de 1980. Os traficantes, do jeito que os conhecemos hoje, surgiram nessa época. Dominaram territórios, e nunca mais tivemos paz. Acompanhei muitas operações policiais em favelas do Rio de Janeiro. Morro do Borel, da Pedreira, Rocinha, Dona Marta, favela do Rato Molhado... A imprensa ainda não usava coletes à prova de tiro, capacetes, não havia carro de reportagem blindado. E ainda seguíamos, repórter, cinegrafista e operador de VT, atados entre n
ós por cabos, o do microfone, o da câmera... Os policiais avançavam. Estampidos, estilhaços, pólvora, o deslocamento de ar concentrado, breve e intenso. Sob tiros, os policiais avançavam.

Nunca confundi bandidos com mocinhos. Nunca achei que um fosse outro. Bandidos não são “vítimas da sociedade”. E, infelizmente, muitos não têm escapatória, para eles não há esperança de regeneração, de recuperação. É porque há um ponto em que não dá mesmo para voltar, em que o mal se instala, gruda na pele, invade, toma os órgãos, principalmente os vitais. Espírito fraco, índole ruim, o olhar de quem olha e não vê, de quem não tem emoção, só frieza, cinismo, maldade... É de desprezo que se alimentam os traficantes, desprezo pelos outros e até por eles próprios. A vida no impulso de um gatilho.

Nunca confundi bandidos com mocinhos. Nunca achei que um fosse outro. Bandidos não são “vítimas da sociedade”

É muito clara a situação numa favela. A estrutura de labirintos formados pelas construções improvisadas é um esconderijo quase perfeito, com muitas rotas de fuga. Um espaço sequestrado, com toda a sua gente de bem. São milhões de reféns de traficantes por todo o país. No Rio, essa situação se consolidou quando Leonel Brizola foi governador. Ele proibiu as operações policiais em favelas, o uso de algemas. Bandido deveria ser chamado de ‘’senhor”. O tráfico de drogas criou seus feudos, seus castelos, se fortaleceu. A população de bem como escudo, a população de bem amedrontada e oprimida. A ela resta dizer que a culpa é sempre da polícia, ou que não sabe de nada, que nada viu.

Em junho do ano passado, o STF resolveu também proibir as operações policiais nas comunidades do Rio durante o combate à Covid, numa “política de segurança pública”, além de tudo, sem amparo na lei. O tráfico agradeceu, ganhou ainda mais força. Tirar a polícia das favelas é um absurdo. O combate à criminalidade deve se dar em várias frentes, no trabalho de inteligência, no policiamento ostensivo, nas operações policiais... Não dá para aceitar que nas favelas prevaleçam as leis dos traficantes.

A operação no Jacarezinho na semana passada teve autorização judicial. As investigações e o planejamento da ação demoraram quase um ano. Se houve excessos, se houve erros, que isso seja apurado. O que não dá é para demonizar a polícia. O que não podemos é chamar de vítimas aqueles que sufocam trabalhadores, aqueles que reinam pelo terror. Não são “justiceiros sociais”, são opressores cruéis. Massacram as pessoas de bem, agridem, humilham, praticam extorsão, invadem casas, aliciam menores.

Nas forças de segurança temos heróis que cumprem seu dever legal. Suas vidas têm sacrifícios e riscos que pouca gente poderia suportar. Não saem de casa pensando em matar, saem de casa, em sua grande maioria, numa entrega absoluta, pensando em proteger e salvar vidas. Imagino o quanto a inversão de valores pode provocar neles uma dor imensa, mais do que a que porventura já sentem...

Penso em todas as pessoas que vivem em áreas conflagradas, dominadas por gente muito ruim, e penso nas forças de segurança. Neste momento, em especial na família do policial André Leonardo Frias porque, sim, toda vida importa, mas a da pessoa de bem importa mais.



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