domingo, 27 de dezembro de 2009

Los desafíos del nuevo presidente hondureño

Estimados amigos, quiero hablar de una forma de mantenerse al día con los estudios que había en la seguridad y defensa.
 Acerca de la situacion de Zelaia en la embajada de Brasil, me di cuenta de que nuestras publicaciones no se han aclarado el ciudadano brasileño, aun cuando la decisión de refugiarse en la embajada Zelaia fue más ideológica, al principio, que obedecer lo que la Corte Suprema de Honduras había decidido .
Me gustaría contactar con usted acerca de las cuestiones relacionadas con la seguridad y la defensa para ayudar a aclarar nuestros compatriotas.
Me gustaría conocer la opinión de nuestro amigo Gutiérrez (LMC 46), si así lo desea, para asistir a estos eventos en este gran país Honduras .
Saludos


http://www.americaeconomia.com/371430-Los-desafios-del-nuevo-presidente-hondureno.note.aspx

sábado, 26 de dezembro de 2009

Asne Seierstad, Afeganistão e o romance necessário


Esse resumo roteiro é bem abrangente acerca do Livreiro de Cabul.
O livro não me chamou muito a atenção enquanto estava no Brasil, mas depois de estudar acerca do Oriente Médio no mestrado que fiz em Washington e ter acompanhando a evolução dos acontecimentos no Iraque, Afeganistão e Paquistão, passei a me interessar.

Sugiro a leitura, por ser agradável, fácil e cheia de expectativas.
Ele é fundamental para se começar a entender a complexidade de sociedades, em pleno século XXI, comparadas às dimensões de igualdade de direito das mulheres, direitos humanos e exclusão social.
Por mais adiantado que o mundo possa estar parecendo com, inclusive internet lida pelas mulheres daqueles países, os comportamentos descritos no livro são verdadeiros e até pujantes, ou seja, acesso à informação e aos avanços do mundo contemporâneo não aprofundizam os ecos das relações humanas.


Insisto no tema pois o Afeganistão será a grande prova de liderança de Obama. Os russos já lá estiveram e forma, a exemplo do Vietnam, derrotados pelo cansaço e desperdício de recursos financeiros.
Mesmo sendo Nobel da Paz, Obama corre o risco de ser desconsiderado no mundo e a liderança americana ruir. O Afeganistão não é um país como outro qualquer. Sua perspectiva é histórica e não se entenderá nem se desenhará saídas para aquela sociedade sob as lentes do humanismo ocidental.
Vale conferir.


  

O Livreiro de Cabul mostra a dor da mulher afegã



Agência Estado

10:07 24/06

A jornalista norueguesa Asne Seierstad não é a primeira mulher - ocidental ou oriental - a denunciar as humilhações sofridas pelas mulheres afegãs, mas seu segundo livro, O Livreiro de Cabul, lançado há três anos lá fora e só agora publicado no Brasil, pela editora Record, fez um barulho bem maior que a média. Já foi traduzido em 30 países, vendeu mais de 2 milhões de exemplares e não deve demorar muito para atingir o patamar de O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini. Mas, ao contrário do escritor afegão, Asne não trilha um caminho lírico para chegar lá. Força de hábito. Filha de um cientista político e de uma feminista, ela é correspondente de guerra. Não esquece disso nem por um minuto.



Aos 36 anos, loira, alta e bonita, Asne enfrentou uma batalha judicial por seu best-seller. O autor do processo contra ela foi justamente o homem que a acolheu de braços abertos em sua casa, em Cabul, há quatro anos, quando decidiu acompanhar durante quatro meses o cotidiano de uma família afegã. Determinada a descrever o que viu, ela decidiu transformar a reportagem num relato literário, mudando os nomes dos personagens reais como forma de preservar o livreiro de Cabul, Shah Mohammed Rais, e sua família. Não adiantou. Rais, chamado de Khan no livro, foi aos tribunais exigir reparação.

Motivos ele tem de sobra. Após a leitura, resta pouco da imagem do livreiro liberal que ela conheceu em 2002, após passar seis semanas no deserto próximo à fronteira do Tajiquistão, nas montanhas do Hindu Kush, em novembro de 2001. Quando o Talibã caiu, Asne Seierstad foi com a Aliança do Norte para Cabul. Lá conheceu o livreiro Shah Mohammed, que, segundo ela, era "um homem elegante e grisalho, dono de uma livraria que tinha as prateleiras abarrotadas de obras literárias em muitos idiomas".

Grisalho ele continua a ser, mas a impressão de elegância foi sendo substituída, dia após dia, pela constatação de que Shah Mohammed Rais não era muito diferente dos opressores talibãs do qual ele mesmo foi vítima. Primeiro foram os comunistas que queimaram seus livros. Depois, foram pilhados pelos mujahedin para, logo em seguida, serem novamente queimados pelos talibãs. O livreiro foi preso e aproveitou o tempo que passou atrás das grades para estudar a história do Afeganistão. Em 1992, durante os ataques dos muhajedin, ele buscou refúgio no Paquistão e, ao voltar, viu sua livraria destruída, assim como a biblioteca nacional de Cabul. Comprou livros raros por uma bagatela, escondeu mais de 10 mil volumes num sótão e, hoje, vive muito bem, graças à ignorância alheia.

Segundo a escritora norueguesa, o livreiro, formado em engenharia, foi muito "democrático" e educado ao abrir sua casa para que ela lá passasse uma temporada. Asne reconhece que o seu personagem Sultan Khan - para usar o nome-fantasia - está longe de ser o representante fiel do fundamentalista afegão, mas identifica nele quase todos os traços de um chauvinista típico, mantendo suas duas mulheres e cinco filhos sob linha dura.

Escondida sob a burca, a jornalista norueguesa viu mais do que poderiam suportar seus olhos. Viu viúvas - que dependem de ajuda internacional para sobreviver - serem exploradas sexualmente, viu o filho adolescente do livreiro ser obrigado a trabalhar mais de 12 horas e impedido de estudar - por um pai livreiro e culto -, uma adúltera ser sufocada por seus três irmãos e, como se não bastasse, a humilhação da primeira esposa do livreiro depois de um novo casamento do marido com uma garota de 16 anos. Sultan Khan, ou Mohamed Ris, era, enfim, um tirano.

Asne, cansada de usar a burca, livrou-se dela para escrever o livro. Esqueceu a discrição e narrou, por exemplo, o que viu num balneário público freqüentado pela mãe do protagonista. Também aproveitou para contar como os filhos do livreiro abusavam de crianças miseráveis que pediam esmolas nas ruas. O livreiro, naturalmente, não gostou do que leu. Exigiu dela uma indenização por danos morais. Asne não se abalou. Descobriu com o livro que não é uma relativista. Sabe que a cultura afegã é bem diferente da norueguesa, mas diz que "uma mulher é uma mulher, sofre do mesmo jeito, seja no Afeganistão ou na Noruega". Se um homem bate numa mulher na Noruega, argumenta, vai para a prisão. Já no Afeganistão, autonomia e dignidade são duas palavras que não cabem no vocabulário de fundamentalistas quando relacionadas à condição feminina.

Depois de O Livreiro de Cabul, a escritora norueguesa já escreveu outro livro, 101 Dias, em que conta a invasão de Bagdá pelas tropas americanas. Ela foi um dos poucos jornalistas que permaneceram na cidade após o início do bombardeio. A despeito de continuar como correspondente de guerra, Asne está disposta a seguir os passos dos pioneiros do "new journalism". Escolheu como tática um cruzamento híbrido entre jornalismo e literatura. Os leitores, a considerar as vendas de O Livreiro de Cabul, aprovaram.

Amazônia e Nordeste




Amigos, este é um levantamento antigo, também não posso asseverar acerca dos dados, contudo, a situação não mudou em termos de atenção externa, apesar do esforço do presidente atual em levar desenvolvimento àquela região.
Contudo, vale ressaltar que ao longo deste ano o Estado de Roraima continuará a ser objeto de intervenção e de interesses externos.
Há que se acompanhar a região da Serra da Lua Azul no mesmo Estado que teve a Raposa da
Serra do Sol na pauta da mídia sem esclarecimentos necessários ao cidadão brasileiro.


Você consegue entender isso?

Tabela
    Vítimas da  seca
Índios da Amazônia
Quantos?
10 milhões
230 mil
Sujeitos à fome?
Sim
Não
Passam sede?
Sim
Não
Subnutrição
Sim
Não
ONGs estrangeiras ajudando  
Nenhuma
350

Provável explicação:
A Amazônia tem: ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares. 

O nordeste não tem tanta riqueza, por isso lá não há ONGs estrangeiras ajudando os famintos. 

Tente entender:

Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as minas terrestres. 

Agora uma pergunta: Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito?

É uma reflexão interessante. 

De dientro hasta fuera; De dentro para fora; From inside to outside, a russian painting

Espetacular!!! 

Entre neste site russo e você verá uma mulher desenhada de dentro para fora... 



Just Outstanding
A russian artist drawning a woman from inside to outside.


Espetacular
Una obra de un artista ruso. Una chica preformada de dientro hasta fuera .
 

http://fcmx.net/vec/v.php?i=003702

Trendsmap

Amigos, este trendsmap é um mapa google que dá idéia de como é o uso do twitter no mundo em tempo real.
Os assuntos falados neste microblog também, junto ao volume, permitem muitas reflexões.
Observei o Brasil, agora, meia-noite horário sem ser o de verão aqui no Recife e vi a concentração, no Brasil, do uso na mesma hora, no Rio e em São Paulo.
Considere-se no Brasil, a concentração dos 160 milhões de celulares. Claro está que, estatisticamente, se o sinal fosse bom, o país inteiro deveria estar coberto com pelo menos alguns usando o twitter no celular, o mesmo se dando em computadores.
Observem o uso de tecnologia nos países mais desenvolvidos e cheguem as suas próprias conclusões

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Os dados do US EIA e a balela de sermos o quarto maior emissor de CO2 no mundo.

A John Hopkins University é americana (Ora, direis!!) e junto com o US Energy Information Administration, agência que, apesar de governamental, é independente, apresenta um gráfico internacional sobre emissão de CO2 por toneladas de todos os países do mundo.


Eu morei, dois anos, próximo à unidade de pesquisa em medicina daquela Universidade e conversando com alguns alunos e funcionários e vi o quanto são sérios e independentes, inobstante ao fato de serem americanos e receberem, também, fundos governamentais.
Enfim, o link abaixo leva ao tópico que, ao ser acessado baixa uma planilha excel.
Vereis, por si sós, que o propalado quarto lugar nosso em emissão é pura balela.
Vale conferir.

http://www.eia.doe.gov/iea/carbon.html


Basic (Formerly Published) Tables in New Units - Metric Tons of Carbon Dioxide
H.1co2 World Carbon Dioxide Emissions from the Consumption and Flaring of Fossil Fuels (Million Metric Tons of Carbon Dioxide), 1980-2006


Carregando o elefante.



Um livro muito agradável de se ler.
Os argumentos são coerentes e baseados em pesquisas.
Os autores demonstram conhecer os principais problemas brasileiros, ainda que não seja com a profundidade acadêmica, uma vez que são muitos e requerem abordagens múltiplas e colegiadas.
Ainda assim vale muito a pena ler este livro.
São 212 páginas de leitura rápida, estimulante e, até, com bom nível de entretenimento.
As soluções que eles apresentam, contudo, acho difíceis de serem implantadas em até médio prazo em função de nossa idiossincrasia e cultura política, entretanto serve como um excelente referencial para se conhecer ou se atualizar.
Se fosse nos meus tempos de estudantes diria que foi um ano inteiro de OSPB (Organização Social e Política Brasileira) que tive em apenas uma competente e breve aula na forma de livro.
 O link http://carregandooelefante.blogspot.com/  
apresenta o livro na íntegra e permite que ele seja baixado na forma de PDF.
Uma agradabilíssima surpresa.
Vale a pena, repito.

Não se nasce professor

Amigos, um dos mais singelos e belos libelos que já li em tempos.
Sugiro a leitura com calma e, se possível, repassar para seus amigos.
Têm-se a impressão de ser uma realidade somente brasileiros, observo, contudo, que o autor é português falando a partir de uma sociedade milenar que já ingressou na Comunidade Européia em pleno século XXI. Com base nesse ponto de observação vale refletir acerca da realidade educacional que nos envolve.
Fiz questão de postar este lindo artigo a fim de mantê-lo próximo para me estimular muitas vezes.



Não se nasce professor  
João Ruivo| 2009-03-30



Um professor molda-se numa educação inicial e condiciona-se numa aprendizagem permanente, ao longo da vida. Nunca o é, mesmo quando se atreve a julgar que controla o quotidiano.
Ser professor é uma lenta e metódica metamorfose. É um movimento perpétuo entre a lagarta e o casulo. É um vai - vem contínuo entre o saber e o desaprender. É a adaptação permanente à mudança: dos saberes, das metodologias, das culturas, das tecnologias... Ninguém nasce professor e a sua eficácia não é uma questão de sorte ou acaso. Aqui, como em tudo o resto na vida, a sorte, ou acaso, dão muito, mesmo muito trabalho.

Há um clique, um momento, uma circunstância, e muitas vezes até um imprevisto em que se escolhe ser professor. Aparentemente porque se gosta. Há quem lhe chame um chamamento interior. Outros dizem que é porque ninguém é atraído ao engano, porque se sabe bem o que essa profissão significa, já que desde tenra idade todos a conhecem por dentro.

Porém, e a partir desse singular instante, desse acordar para o futuro, tudo está por fazer. Porque se trata duma profissão artesanal: faz-se dos gestos das mãos e dos recados do coração, com recurso à uma profana mistela de tradição e de inovação.

Não se nasce professor. Um professor molda-se numa educação inicial e condiciona-se numa aprendizagem permanente, ao longo da vida. Nunca o é, mesmo quando se atreve a julgar que controla o quotidiano. Professor é erosão e reconstrução. É avanço e recuo. É acusação e vítima. É conquistador e sitiado. É lugar santo e profanado.

Ninguém nasce professor e, quem o quiser ser, é bom que saiba da gratificante e complexa tarefa que o aguarda no virar de cada esquina do seu percurso profissional.

Os decisores políticos sabem tudo isto muito bem. Melhor que muitos professores. Mas preferem fingir que o ignoram. Fica mais barato e sustenta-lhes o discurso da soberba e da desconstrução da profissão docente. Uma classe desmotivada, sem alvo e sem estratégia, é fácil de docilizar e de submeter às baixas políticas constrangidas às exigências orçamentais.

É por isso que vivemos uma conjuntura política, económica, social e até cultural que não motiva a escolha da profissão docente.

Os professores entregues a si próprios, sem acompanhamento nem adequada e suficiente formação complementar sentem sobre os seus ombros o peso da enorme responsabilidade que lhes é imputada pelo Estado e pelas famílias. Vítimas de uma angustiante solidão profissional, cativos dentro das quatro paredes da sala de aula onde trabalham, quantas vezes em condições desmoralizadoras, os docentes atingem perigosos estádios de desencanto, de desilusão e desmotivação profissional.

Por isso urge mudar os políticos e as políticas para que a profissão de professor reencontre os estímulos, incentivos, e até razões para que os docentes se envolvam num processo de motivação e evolução qualitativa das suas capacidades pessoais e profissionais.

A ausência de um código deontológico que ajude a consolidar a cultura profissional dos docentes também não permite que se atenuem os resultados negativos de todas as pressões externas e motiva mesmo o aparecimento de sensações de insegurança e de receio permanentes. Hoje, alguns professores trabalham em condições tão desanimadoras que não conseguem enfrentar com autonomia e liberdade as contradições que todos os dias encontram dentro das suas escolas.

Proclama-se uma escola inclusiva numa sociedade que não acolhe os excluídos. Pretende-se promover uma escola para todos numa sociedade em que o bem-estar e a cultura só estão ao alcance de alguns; em que a escola não consegue integrar os filhos das famílias vitimadas por políticas de incúria. Políticas essas que acentuam o desemprego, o trabalho infantil, a iliteracia, a delinquência, a violência doméstica e coagem muitos pais a verem a escola obrigatória como um obstáculo à incorporação dos filhos no mundo do trabalho, já que esta não lhes é apresentada como uma solução meritocrática, porque as políticas e os políticos se revelaram incapazes de tomar medidas que evitassem as clivagens entre os que tudo têm e os que pouco ou nada possuem.

Arvora-se uma escola em que os valores transmissíveis não encontram acolhimento em inúmeros lares, porque são constituídos por famílias disfuncionais. Uma escola onde se exige o cumprimento de currículos obsoletos e onde a máquina burocrática da administração escolar obriga a incontáveis horas de reuniões em órgãos, departamentos, comissões, sessões de atendimento...

Esta é a autêntica escola pública em que trabalha a maioria dos nossos (excelentes) professores. A escola em que também é preciso (ainda se lembram?) que os docentes tenham tempo para ensinar e os alunos encontrem momentos para aprender. Aprender, aprender sempre, porque essa é a seiva de que se faz um professor.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Entrevista com o cientista político dinamarquês Bjorn Lomborg

Temos carência em 8 milhões de residências. Precisamos, para gerar mais desenvolvimento,  criar 11.000 km de ferrovias, somente de ferrovias sem contar rodovias. Há que se considerar o impacto ambiental que nosso necessário desenvolvimento trará. Ao mesmo tempo, apresenta-se um compromisso de quase 40% de redução de emissões de CO2. Isto ou é achar que todos os que lerão são apedeutas ou estão felizes em jogar a credibilidade do governo na sarjeta, o que não estará muito longe disso.


Esta reportagem mostra um quê de coerência nos últimos dias.
A propósito, como não expandimos nossa malha energética, sendo uma boa parte devido ao meio-ambiente, e ao mesmo tempo reduziu-se o IPI da linha branca e ampliou-se o crédito para aquisição desta linha e os eletrodomésticos, teremos apagão neste verão. É líquido e certo, antes de ser ideológico.

Vale a pena ler a reportagem da VEJA que postei.




Podemos fazer melhor

O principal representante dos céticos diz que o combate ao aquecimento global tem de se basear em tecnologia, e não em mudanças no consumo



O cientista político dinamarquês Bjorn Lomborg, de 44 anos, não tem carro. Usa bicicleta ou metrô para se deslocar em Copenhague. Lomborg é um dos mais respeitados entre os pesquisadores céticos em relação aos efeitos catastróficos do aquecimento global. Seus livros e artigos provocam a ira de ambientalistas, mas seus argumentos afiados também são ouvidos com atenção pelos cientistas. Sua descrença se dá em torno da histeria criada acerca do assunto e do que se pretende fazer para solucionar o problema da elevação da temperatura. "Não sou um crítico da ciência que prova o aquecimento. Sou um crítico da política de combate ao aquecimento." Ele concedeu a seguinte entrevista a VEJA na sede da COP15, em Copenhague.
Qual foi o estrago do "climagate", o escândalo do vazamento de e-mails em que cientistas confessam a manipulação de dados para reforçar a tese do aquecimento global? 
O que está claro é que havia uma inclinação evidente para não compartilhar dados com pesquisadores cujos trabalhos não reforçariam a teoria do aquecimento global. Possivelmente, os dados foram mascarados, o que não significa exatamente uma falsificação.
Sim, mas mascarar dados não é suficiente para invalidar toda a pesquisa? 
Não. É um erro achar que esse escândalo invalida todo o trabalho que os cientistas do clima produziram nas duas últimas décadas. O aquecimento global está aí. É um desafio.
Então, o senhor aconselha a esquecer o episódio e continuar levando seus autores a sério? 
Não é isso. O escândalo não pode ser considerado apenas uma tempestade em copo d’água. O que eles fizeram é muito sério e perturbador. Tem implicações muito maiores. Esses cientistas formam uma máfia que se apossou da questão do clima. Tive muitos problemas com essa máfia do clima. Quando estava escrevendo meu livro, tentei me corresponder com alguns daqueles pesquisadores que detinham dados pelos quais eu tinha interesse. Recebi de volta algumas mensagens em cujo campo de destinatário eu fui incluído por engano. Foram mensagens reveladoras. Elas diziam: "Esse homem é perigoso. Não forneçam nenhum dado a ele. Devemos ter cuidado em não deixar que nossas informações apareçam em pesquisas públicas".
Por que o senhor é cético em relação às previsões sobre o aquecimento global? 
Discordo da forma como as discussões sobre esse tema são colocadas. Existe a tendência de considerar sempre o pior cenário – o que aconteceria nos próximos 100 anos se o nível dos mares se elevar e ninguém fizer nada. Isso é irreal, porque é óbvio que as pessoas vão mudar, vão construir defesas contra a elevação dos mares. No entanto, isso é só uma parte do que tenho dito. Sou cético em relação a algumas previsões, sim. Mas sou cético principalmente em relação às políticas de combate ao aquecimento global. O problema principal não é a ciência. Precisamos dos cientistas. A questão é que tipo de política seguir. E isso é um aspecto econômico, porque implica uma decisão de gastar bilhões de dólares de fundos sociais. Em outras palavras, não sou um cético da ciência do clima, mas um cético da política do clima. Basicamente, digo que não estamos adotando as melhores políticas porque não estamos pensando onde gastar o dinheiro para produzir os maiores benefícios.
O relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU) diz que a humanidade é "provavelmente" responsável pelo aquecimento. O que significa esse "provavelmente"? 
Os cientistas estão dizendo que têm 90% de certeza. Que há fortes evidências de que somos responsáveis em pelo menos 50% pela elevação da temperatura. É  partir daí que temos de elaborar as políticas. Se a maior parte dos cientistas diz que algo provavelmente vai acontecer, temos de agir de acordo com essa informação. O que não significa que não se deva garantir financiamento às pessoas que trabalham para descobrir erros nessa proposição. Deveríamos gastar dinheiro com as pesquisas dos céticos justamente para aperfeiçoar a informação que tem dominado os debates.
Com que cenários é razoável trabalhar quando se fala da elevação do nível dos oceanos? 
Quando perguntamos aos cientistas do IPCC qual seria o resultado mais provável do aquecimento sobre o mar, eles disseram que o nível das águas subiria entre 18 e 59 centímetros. Esse é o parâmetro mais aceitável. Não faz sentido trabalhar com cenários de até 6 metros, como quer o Al Gore, ex-vice-presidente americano. Porque é tão improvável que isso aconteça quanto que não haja elevação alguma. As pessoas que fazem projeções catastróficas acreditam que fazer mais alarde estimula a população a agir. Mas vale lembrar: análises e argumentos baseados no pior dos piores cenários induzem ao pânico, e o pânico não é a melhor forma de fazer um bom julgamento. Esse foi o mesmo argumento que George W. Bush usou quando invadiu o Iraque. Ele disse que estava absolutamente certo sobre a localização das armas de destruição em massa, e o resultado foi o que se viu. Por isso prefiro trabalhar com os impactos mais prováveis.
Quais são esses impactos? 
Costumamos esquecer que a maioria dos lugares ricos no mundo conseguirá lidar com o aquecimento global. Sabemos disso porque é o que os holandeses vêm fazendo desde o século XVII. A Holanda tem 60% de sua população vivendo abaixo do nível do mar. O principal aeroporto de Amsterdã fica 3 metros e meio abaixo do nível do mar. É simplesmente uma questão de tecnologia. Ninguém que vai à Holanda fica pensando: "Ai, meu Deus, estou abaixo do nível do mar". Não que isso não seja problemático ou custoso. Mas é um custo que chega a 0,5% ou no máximo 1% do PIB. Então, é bom enfatizar, o Rio de Janeiro nunca vai submergir, tampouco Nova York. Nos últimos 150 anos, o nível do mar subiu 30 centímetros. Pergunte a uma pessoa muito idosa quais as coisas mais importantes que aconteceram no século XX. Ela vai mencionar as guerras mundiais, ou talvez a revolução tecnológica. Sua resposta não vai ser que o nível do mar subiu.


Fala-se muito do impacto causado pela forma como as pessoas desperdiçam produtos e energia. Como o senhor faz no seu dia a dia? 

Há muita confusão em torno desse debate sobre consumo ético, como se a questão toda se resumisse ao que a pessoa faz. É uma visão torta porque, no fim das contas, o que nós fazemos está profundamente regulado pela forma como a sociedade funciona. Posso pegar um ônibus em vez de um carro na Dinamarca (eu nunca tive carro). Mas não poderia fazer isso nos Estados Unidos. Por isso, acho que reduzir tudo à ideia de que você deve fazer algo sobre seu consumo não é o melhor caminho. Para dar uma noção de proporção, se todos no mundo ocidental trocassem suas lâmpadas atuais por um modelo mais econômico, ao final de um ano as emissões se reduziriam apenas o equivalente à quantidade de CO2 que a China joga na atmosfera em um dia. Acho inútil adotar o argumento de que não se deve agir desta ou daquela maneira porque é imoral. Resumindo: organizações verdes querem mudar a natureza humana, dizendo que não se deve querer ter ou gastar mais. É muito difícil mudar a natureza humana. Prefiro mudar a tecnologia. Assim, poderemos fazer o que quisermos, mesmo emitindo CO2.
As empresas estão fazendo sua parte? 
A maioria das coisas que se veem por aí é marketing. É o chamado banho verde. Estão fazendo economia de energia como sempre fizeram, desde o início do século XIX, de quando datam as estatísticas. Todas as empresas, em todos os lugares, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, vêm reduzindo o desperdício de energia. Ou usando cada vez menos energia para cada dólar que produzem. O que é uma das maneiras de manter a liderança no mundo dos negócios. Cada vez que conseguem essa redução, anunciam que estão economizando CO2. Mas é óbvio que o que estão economizando são dólares. Não há nada de errado nisso. Só não devemos achar que elas estão salvando o planeta.
Por que o crescimento populacional não é levado em consideração nas discussões sobre clima?
Se fosse possível limitar substancialmente o crescimento da população mundial, provavelmente as emissões não aumentariam tanto. Mas você só consegue alterar essa variável dramaticamente num regime autoritário como o da China, onde o governo determina que os casais só podem ter um filho. Não acho que se vá reduzir a taxa de natalidade com informação. As pesquisas mostram que as pessoas agem de forma muito racional sobre o número de filhos que têm. Para os pobres, crianças são fonte de renda. Para os ricos, representam despesa. Então você pode interferir no tamanho da prole tornando as pessoas mais ricas. Independentemente disso, é preciso lembrar que a principal razão para os nascimentos até 2050 não é que muitas pessoas têm muitos filhos, mas porque há muitos jovens que ainda não têm filhos e querem ter. Até lá teremos provavelmente mais 2,5 bilhões de pessoas. Há muito pouco que se possa fazer sobre isso.
Se o senhor tivesse filhos, estaria preocupado com o futuro?
Tenho primos que têm filhos, e alguns dos meus melhores amigos também têm. Claro que desejo que eles tenham uma vida boa. E eles terão. Vão ficar bem, serão ricos. Porque todos os filhos geneticamente gerados que conheço são brancos. Não é com eles que temos de ficar mais preocupados. É com os outros três quartos das pessoas deste planeta, a quem não sou intimamente ligado, que não são brancas, são pobres e vivem hoje uma situação difícil. O paradoxo é que a ONU espera que todos enriqueçam. Os filhos dos meus primos estarão entre quatro e oito vezes mais ricos no fim do século. As pessoas nos países em desenvolvimento estarão 35 vezes mais ricas. A média das pessoas em Bangladesh não será pobre em 2100, mas classe média alta. Ou seja, estamos pensando em ajudar pessoas que serão ricas daqui a 100 anos, mas deixando de ajudar as pessoas pobres que estão aqui agora, hoje. Esse é, para mim, o grande dilema ético: nós nos importarmos tanto com os ricos do futuro e tão pouco com os pobres do presente.
O senhor pode dar um exemplo? 
O caso dos países insulares é claro. Se você olhar para Tuvalu, que tem 12 000 habitantes e pode desaparecer, verá que as pessoas de lá não vão sumir. Elas terão de se mudar, o que será triste. Mas é curioso lembrar que a cada sete horas e meia um número equivalente de pessoas morre no mundo em decorrência de doenças infecciosas facilmente curáveis. São cerca de 15 milhões de pessoas que morrem desta maneira todo ano no mundo. As pessoas de Tuvalu terão apenas de se mudar. Para mim, é muito curioso que estejamos gastando tanto dinheiro para ajudar as pessoas de Tuvalu e fazendo tão pouco pelas 12 000 que morreram nas últimas sete horas e meia. Fala-se muito em aquecimento global. Mas as pessoas de verdade têm problemas mais urgentes. A maioria das pessoas nos países em desenvolvimento, ou três quartos da população mundial, quer saber como vão sobreviver até a semana que vem.
O que se pode esperar das decisões tomadas na conferência? 
Quando 120 líderes se reúnem, eles não podem não fazer um acordo, em torno de números que soam agradáveis. O problema é que não conseguiremos cumpri-lo. Faremos um lindo documento, todos vão brindar com champanhe, depois vão para casa, e nada vai acontecer. Vem sendo assim nos últimos dezoito anos. Não cumprimos o que foi acertado no Rio de Janeiro em 1992. Em Kioto, houve um compromisso legalmente assumido, no qual se prometeu cortar ainda mais, e ainda nada foi feito. Acreditar que Copenhague será diferente me parece uma fantasia política.

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