Amigos, há muitos elementos a serem abordados nesta simples reportagem que passa despercebida pela mídia.
A principal delas que ressalto tem a ver com nosso futuro, o aumento da população islâmica no mundo que, junto ao envelhecimento da população, irá substituir a mão-de-obra nos países desenvolvidos e carros-chefes da economia mundial. Temos, aí, uma enorme mudança, para quem gosta daquele papo de consultoria. Este, mais do que a tecnologia, considero ser um enorme desafio.
O caso do major psiquiatra, aliado ao PHD e o Doutor em Economia que, ambos vestidos de bombas, explodiram locais públicos em Bagdad em 2006. Vejam, portanto, que mesmo com excelentes níveis de educação, o radicalismo prevaleceu.
Sempre digo que o problema do americano é tratar com preocupação de direitos humanos e garantias fundamentais quem não está preparado para tal e com isso sequer se preocupa. Que diriam os parentes dos doze mortos? Fechar Guantanamo foi um erro que o povo americano pagará no futuro, infelizmente.
Observem que tanto oficiais como soldados estão impregnados no tecido social americano e com uma espetacular capacidade e disponibilidade de informação e de alto nível de cidadania, ainda assim recorrem ao radicalismo.
Outro ponto que percebi é que da mesma forma que Clinton esvaziou o orçamento do FBI que não tinha recursos para acompanhar os pilotos terroristas do WTC ainda quando faziam simuladores no coração dos EUA, o mesmo FBI descartou prosseguir em um acompanhamento mais de perto deste major dando pouca atenção às suas correspondências com o imame.
Este tema será recorrente nos próximos anos. Faz parte da idiossincrasia dos países, EUA, palestinos, Iraque, Afeganistão, Paquistão etc.
As demais reportagens que envio ressaltam que o ato não foi aleatóreo, portanto, requer reflexão e análise.
Major que matou 13 em base dos EUA alertou militares de "eventos adversos"
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u650127.shtml
O major Nidal Malik Hasan, que matou 13 pessoas a tiros na base militar de Fort Hood, no Texas, alertou os militares da base há cerca de um ano e meio que, para evitar "eventos adversos", eles deveriam permitir que os soldados muçulmanos fossem liberados de ir ao fronte de batalha como contrários à guerra contra outros muçulmanos no Afeganistão e no Iraque.
Hasan, psiquiatra com treinamento militar e de origem muçulmana, está consciente e começou a falar, segundo afirmou nesta segunda-feira uma porta-voz do hospital militar onde ele está internado. Ele foi atingido por quatro tiros por uma militar durante o ataque contra os colegas de base. Ele foi levado ao hospital em San Antonio, no Texas, em condição estável e conectado a um respirador.
Efe
Major Nidal Malik Hasan alertou militares contra envio de muçulmanos à guerra
Como psiquiatra residente do Centro Médico Militar Walter Reed, afirma o jornal "Washington Post", Hasan deveria fazer uma apresentação sobre uma questão médica de sua escolha como prova final de sua residência.
Em junho de 2007, afirma o jornal, ele falou aos supervisores sobre o Islã, homens-bomba e as dificuldades que um militar muçulmano poderia enfrentar ao lutar contra outros muçulmanos nas duas guerras. O jornal obteve uma cópia da apresentação.
"Está cada vez mais difícil para os muçulmanos em serviço militar justificar ser um militar engajado cada vez mais na luta contra outros muçulmanos", escreveu.
O jornal diz que não está claro se o conteúdo da apresentação foi reportado a contrainteligência oi autoridades para identificar uma possível ameaça interna.
Hasan passou seis anos no Walter Reed. Ele foi transferido para Fort Hood em abril deste ano e deveria deixar o país para o Afeganistão.
O primo do major, Nader Hasan, afirmou anteriormente à rede Fox News que ele estava preocupado com a notícia de que seria enviado em breve para o fronte de batalha. "Nós sabemos há cinco anos que este era provavelmente seu pior pesadelo", afirmou, em referência à sua transferência para o fronte de batalha.
Segundo o coronel aposentado Terry Lee, que disse ter trabalhado com Hasan, ele aguardava que o presidente anunciasse a retirada das tropas e frequentemente brigava com os colegas de base que apoiavam as guerras.
Razões religiosas
Segundo relatos não confirmados de soldados presentes na base, Hasan gritou a expressão árabe "Allahu Akbar", que significa "Deus é grande", antes de abrir fogo contra os colegas.
Os investigadores examinam agora se ele mantinha visões extremistas e se ele tinha contato com pessoas que promoviam discurso de violência contra os americanos.
Segundo reportagem de ontem do "Post", a investigação inclui ainda suposto vínculo com o imame (ministro da religião muçulmana) Anwar al-Aulaqui, que apoia a rede terrorista Al Qaeda.
Ataque
O ataque começou às 13h30 de quinta-feira (5) (17h30 no horário de Brasília) no Centro Soldier Readiness, onde os soldados que estão prestes a serem enviados para o campo de batalha ou que estão voltando da guerra passam por exames médicos. Perto de lá, alguns soldados lideravam uma cerimônia de graduação em um teatro com cerca de 600 pessoas, entre tropas e familiares.
Segundo as agências de notícias, Hasan começou a atirar com duas armas --uma delas semiautomática. Os soldados que estavam no local reagiram e atiraram de volta, atingindo Hasan.
Segundo Bob Cone, porta-voz da base, não há indicação de que as armas eram do Exército ou de que este foi um ataque com motivações terroristas. Ele afirmou ainda que o FBI (polícia federal americana) e os especialistas forenses do Exército estão investigando o crime.
Hasan, 39, tratava soldados feridos em guerra ou que se preparavam para ir ao fronte de batalha. Muçulmano nascido nos Estados Unidos e filho de imigrantes palestinos, ele cresceu na Virgínia. Serviu como psiquiatra no Centro Médico Militar Walter Reed em Washington, capital, que trata principalmente militares feridos gravemente.
Fort Hood triggerman:
Muslim, shrink, officer Army major kills 12 soldiers, wounds 31 in mass shooting at Texas military base
http://www.wnd.com/index.php?fa=PAGE.view&pageId=115137
Posted: November 05, 2009
3:31 pm Eastern
HOMELAND INSECURITY
Military jihadists fill 'every branch'
Ultimate 5th column penetration, warns best-selling 'Muslim Mafia'
http://www.wnd.com/index.php?pageId=115218
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Geisy Arruda e a cabeça do brasileiro
Segue primeiro o link da reportagem.
Após a indicação de um excelente livro que considero fundamental para o cidadão brasileiro nos dias de hoje, aqueles que podem fazer a diferença, que sejam parte da parcela economicamente ativa ou intelectualmente ativa, como eu, já que estou aposentado (também sou da economicamente ativa, pois apesar de não estar trabalhando estou sujeito a uma pesadíssima carga tributária superior a 38% a quem atribuo, também, além de nossa idiossincrasia, o perfil explicado no livro que indico veementemente abaixo.
O livro é um trabalho científico, fácil e agradável de ler. Não se espera concordar com tudo, todavia, foi o resultado de pesquisas científicas elaboradas no bojo da Pesquisa Social Brasileira versão 2009 interpretada pelo antropólogo Alberto Almeida.
Li-o, na íntegra, em menos de uma semana.
Recomendo.
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,reitor-da-uniban-revoga-expulsao-de-geisy-arruda,463639,0.shtm
A cabeça do brasileiro de Alberto Almeida, antropólogo. Ed Record
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/1979293/a-cabeca-do-brasileiro/?ID=BD76D3E17D90B09171A300513
Após a indicação de um excelente livro que considero fundamental para o cidadão brasileiro nos dias de hoje, aqueles que podem fazer a diferença, que sejam parte da parcela economicamente ativa ou intelectualmente ativa, como eu, já que estou aposentado (também sou da economicamente ativa, pois apesar de não estar trabalhando estou sujeito a uma pesadíssima carga tributária superior a 38% a quem atribuo, também, além de nossa idiossincrasia, o perfil explicado no livro que indico veementemente abaixo.
O livro é um trabalho científico, fácil e agradável de ler. Não se espera concordar com tudo, todavia, foi o resultado de pesquisas científicas elaboradas no bojo da Pesquisa Social Brasileira versão 2009 interpretada pelo antropólogo Alberto Almeida.
Li-o, na íntegra, em menos de uma semana.
Recomendo.
Reitor da Uniban revoga expulsão de Geisy Arruda
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,reitor-da-uniban-revoga-expulsao-de-geisy-arruda,463639,0.shtm
A cabeça do brasileiro de Alberto Almeida, antropólogo. Ed Record
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/1979293/a-cabeca-do-brasileiro/?ID=BD76D3E17D90B09171A300513
Em breve, o totalitarismo: Reestatizar o Estado
O terceiro texto, também na íntegra, fala de uma das principais ferramentas do controle social: a financeira.
A presença de fundos de pensão e de sindicatos cooptados ao programa de governo atual assemelha-se ao que aconteceu no deflagrar da Segunda Guerra mundial.
O que me espanta é que hoje temos internet, 160 milhões de linhas celulares vendidas em um país de quase duzentos milhões de pessoas e 95% das residências possuem televisão e 98% possuem rádios. Assim, falta de informação ou do acesso à ela, como ocorria de 1935 a 1939 na Itália e Alemanha não é. Adere-se por que se quer.
Vale acompanhar.
estadaodehoje/20091103/not_ imp460214,0.php
É preciso reestatizar o Estado brasileiro, hoje submetido a interesses partidários, sindicais e privados, disse o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, hoje presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de São Paulo. Não se trata de jogo de palavras nem de frase de efeito. Numa entrevista ao jornal Valor de quinta-feira, Fraga expôs com clareza o perigo do uso da máquina estatal pelo grupo no poder e seus associados para nele permanecerem. De modo simples e direto, ele desmontou uma das grandes mistificações dos últimos tempos: a crise mostrou a importância da boa regulação e da supervisão eficiente, mas não de um setor público mais inchado e mais gastador. Não há nisso nenhuma novidade, observou sensatamente o entrevistado. Mas isso não é tudo. No caso do Brasil, a crise confirmou o acerto das políticas do governo anterior mantidas pelo atual. Ele não detalhou a resposta, mas o sentido é evidente: as políticas de metas de inflação, de câmbio flutuante e de superávit fiscal primário deram ao País condições para atravessar a crise internacional com prejuízos mínimos.
A mistificação distorce amplamente as condições do debate público. Na pregação do intervencionismo crescente, o presidente Lula e seus companheiros atacam os defensores do Estado mínimo. Mas quem são esses defensores? "Não sei", respondeu Armínio Fraga. "Nem o Roberto Campos, no auge do seu liberalismo, defendia isso. Aliás, ele próprio foi o pai do BNDES (...) Essa é uma tentativa de delimitar o debate a partir de uma premissa falsa." A mesma falsidade é evidente na tentativa de reduzir a polêmica em torno da intervenção a um embate entre nacionalistas e entreguistas, patriotas e inimigos da Pátria.
Com a mesma simplicidade, Fraga apontou a politização das decisões e da ação do governo federal no domínio econômico. Os fatos mais notórios têm sido amplamente discutidos: o modelo de exploração do pré-sal, com a presença dominante da Petrobrás, a "postura mais agressiva no mercado de crédito", as tentativas de comandar a política de investimentos da Vale e até de perseguir diretores da empresa. Os bancos públicos estaduais e federais, lembrou o economista, sempre acabaram com problemas gravíssimos quando foram manipulados por interesses políticos.
Mas os sinais preocupantes, observou Fraga, não são recentes. Existiram desde o início do governo Lula. Dois exemplos importantes e frequentemente esquecidos foram apontados na entrevista: "as tentativas de controlar a imprensa (com a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo) e os meios eletrônicos (tentativa de criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual)." Em nenhum momento Armínio Fraga usou a palavra autoritarismo, mas o sentido de sua análise é inequívoco. O problema discutido na entrevista não se reduz à tradicional oposição mais Estado/mais mercado. Os aspectos mais importantes da questão são políticos e imensamente relevantes para o futuro da democracia brasileira.
Fraga tocou no assunto mais abertamente ao mencionar um artigo de um professor de Chicago, Luigi Zingales, a respeito do debate recente sobre a ampliação do papel do Estado. No fundo, disse o entrevistado, a mensagem do artigo é a seguinte: "Existe uma defesa do Estado porque, tipicamente, os interessados conseguem identificar onde vai estar a sua boquinha." A maior parte da população sente aos poucos o custo da mudança, mas não consegue mobilizar-se para reagir. "Essa é a marca de um Estado que a literatura chamava de corporativo, patrimonialista, populista e que, infelizmente, acaba desembocando num Estado hiperdimensionado, pouco eficiente, injusto e corrupto."
A descrição é expressiva, mas a mensagem completa é mais ampla: a hipertrofia do Estado posto a serviço do governo acaba resultando, paradoxalmente, na sujeição do público ao privado, na subordinação do interesse geral ao interesse particular. Daí a proposta de Armínio Fraga de reestatização do Estado. Daí, também, sua defesa da incorporação da enorme renda esperada do pré-sal, dentro de alguns anos, ao Orçamento-Geral da União, "o espaço mais natural e mais democrático" para se decidir como usar o dinheiro do povo. Restaria discutir um detalhe: a qualidade do processo orçamentário brasileiro.
Mas isso seria assunto para outro amplo debate.
A presença de fundos de pensão e de sindicatos cooptados ao programa de governo atual assemelha-se ao que aconteceu no deflagrar da Segunda Guerra mundial.
O que me espanta é que hoje temos internet, 160 milhões de linhas celulares vendidas em um país de quase duzentos milhões de pessoas e 95% das residências possuem televisão e 98% possuem rádios. Assim, falta de informação ou do acesso à ela, como ocorria de 1935 a 1939 na Itália e Alemanha não é. Adere-se por que se quer.
Vale acompanhar.
Reestatizar o Estado
http://www.estadao.com.br/É preciso reestatizar o Estado brasileiro, hoje submetido a interesses partidários, sindicais e privados, disse o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, hoje presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de São Paulo. Não se trata de jogo de palavras nem de frase de efeito. Numa entrevista ao jornal Valor de quinta-feira, Fraga expôs com clareza o perigo do uso da máquina estatal pelo grupo no poder e seus associados para nele permanecerem. De modo simples e direto, ele desmontou uma das grandes mistificações dos últimos tempos: a crise mostrou a importância da boa regulação e da supervisão eficiente, mas não de um setor público mais inchado e mais gastador. Não há nisso nenhuma novidade, observou sensatamente o entrevistado. Mas isso não é tudo. No caso do Brasil, a crise confirmou o acerto das políticas do governo anterior mantidas pelo atual. Ele não detalhou a resposta, mas o sentido é evidente: as políticas de metas de inflação, de câmbio flutuante e de superávit fiscal primário deram ao País condições para atravessar a crise internacional com prejuízos mínimos.
A mistificação distorce amplamente as condições do debate público. Na pregação do intervencionismo crescente, o presidente Lula e seus companheiros atacam os defensores do Estado mínimo. Mas quem são esses defensores? "Não sei", respondeu Armínio Fraga. "Nem o Roberto Campos, no auge do seu liberalismo, defendia isso. Aliás, ele próprio foi o pai do BNDES (...) Essa é uma tentativa de delimitar o debate a partir de uma premissa falsa." A mesma falsidade é evidente na tentativa de reduzir a polêmica em torno da intervenção a um embate entre nacionalistas e entreguistas, patriotas e inimigos da Pátria.
Com a mesma simplicidade, Fraga apontou a politização das decisões e da ação do governo federal no domínio econômico. Os fatos mais notórios têm sido amplamente discutidos: o modelo de exploração do pré-sal, com a presença dominante da Petrobrás, a "postura mais agressiva no mercado de crédito", as tentativas de comandar a política de investimentos da Vale e até de perseguir diretores da empresa. Os bancos públicos estaduais e federais, lembrou o economista, sempre acabaram com problemas gravíssimos quando foram manipulados por interesses políticos.
Mas os sinais preocupantes, observou Fraga, não são recentes. Existiram desde o início do governo Lula. Dois exemplos importantes e frequentemente esquecidos foram apontados na entrevista: "as tentativas de controlar a imprensa (com a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo) e os meios eletrônicos (tentativa de criação da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual)." Em nenhum momento Armínio Fraga usou a palavra autoritarismo, mas o sentido de sua análise é inequívoco. O problema discutido na entrevista não se reduz à tradicional oposição mais Estado/mais mercado. Os aspectos mais importantes da questão são políticos e imensamente relevantes para o futuro da democracia brasileira.
Fraga tocou no assunto mais abertamente ao mencionar um artigo de um professor de Chicago, Luigi Zingales, a respeito do debate recente sobre a ampliação do papel do Estado. No fundo, disse o entrevistado, a mensagem do artigo é a seguinte: "Existe uma defesa do Estado porque, tipicamente, os interessados conseguem identificar onde vai estar a sua boquinha." A maior parte da população sente aos poucos o custo da mudança, mas não consegue mobilizar-se para reagir. "Essa é a marca de um Estado que a literatura chamava de corporativo, patrimonialista, populista e que, infelizmente, acaba desembocando num Estado hiperdimensionado, pouco eficiente, injusto e corrupto."
A descrição é expressiva, mas a mensagem completa é mais ampla: a hipertrofia do Estado posto a serviço do governo acaba resultando, paradoxalmente, na sujeição do público ao privado, na subordinação do interesse geral ao interesse particular. Daí a proposta de Armínio Fraga de reestatização do Estado. Daí, também, sua defesa da incorporação da enorme renda esperada do pré-sal, dentro de alguns anos, ao Orçamento-Geral da União, "o espaço mais natural e mais democrático" para se decidir como usar o dinheiro do povo. Restaria discutir um detalhe: a qualidade do processo orçamentário brasileiro.
Mas isso seria assunto para outro amplo debate.
Em breve, o totalitarismo: Autoritarismo Eleitoral
Fico feliz que tenha sido uma acadêmica da PUC que tenha feito uma tão corajosa e didática exposição do risco democrático ao qual a sociedade, mansa e distraidamente, se deixa envolver assim como foram os cidadãos sob a égide ideológica do facismo e nazismo. Está na História, é só conferir.
Nós, como sociedade, não vivemos a democracia plena.
Vale a pena acompanhar.
Autoritarismo Eleitoral
Nós, como sociedade, não vivemos a democracia plena.
Vale a pena acompanhar.
Autoritarismo Eleitoral
Lourdes Sola
Nos últimos anos vários governos latino-americanos eleitos democraticamente têm recorrido a fórmulas antidemocráticas com o objetivo de controlar a arena política e, assim, minimizar a concorrência eleitoral preexistente. Buscam livrar-se de um dos atributos da democracia eleitoral que lhes garantiram o acesso ao poder. É justamente esse impulso regressivo que chama a atenção como uma das características dos experimentos de "governo popular" em curso na Venezuela, na Bolívia, no Equador e na Nicarágua. Insisto: uma das marcas. Pois esse caráter regressivo se combina com o componente popular, inaugurando uma lógica e uma dinâmica política novas, das quais as noções de "populismo" ou "neopopulismo" não dão conta. Ao cientista social cumpre observar o fenômeno novo sem se esquivar da tarefa de nomeá-lo adequadamente, recorrendo a uma inovação conceitual, se necessário. Pode ser útil para refletir sobre as fórmulas de terapia preventiva mais adequadas.
Esses governos governam sob a égide de duas contradições que convém analisar melhor, pois delas derivam sua força e suas fraquezas. A primeira diz respeito à atitude para com a concorrência eleitoral: por um lado, são levados a jogar o jogo de eleições multipartidárias regulares, minimamente competitivas, para continuarem se legitimando - é que o otimismo democrático que varreu a América Latina desde 1980 e o resto do mundo a partir dos anos 90 fixou a preferência popular por eleições como o principal critério de legitimação para acesso ao Poder Executivo e ao Legislativo; por outro, onde há concorrência e, portanto, oportunidade de contestação, eleva-se o teor de incerteza quanto aos resultados das urnas. A contradição incômoda é resolvida pelo controle da arena eleitoral, que pode assumir várias formas: cerceamento dos direitos políticos e das liberdades civis, restrições aos meios de comunicação de massa e de financiamento quando em mãos oposicionistas, regras eleitorais discriminatórias.
Acabo de listar as características típicas de um novo animal: o autoritarismo eleitoral. É uma variedade de regimes cujo traço distintivo é uma profunda ambiguidade institucional. Têm eleições multipartidárias, socialmente inclusivas, porque baseadas no sufrágio universal, e são minimamente pluralistas, pois a oposição tem direito a concorrer e, embora nunca ganhe, obtém votos e cadeiras no Congresso. O autoritarismo eleitoral, em suma, caracteriza-se por fazer de eleições competitivas um instrumento de poder autoritário, não de democracia. A lista cobre países da antiga União Soviética, inclusive a Rússia; do Oriente Médio e do Norte da África, como Egito, Argélia e Tunísia; alguns do Leste e do Sul da Ásia, como Cingapura, Camboja e Malásia; além de vários da África subsaariana.
Os experimentos latino-americanos de autoritarismo eleitoral são uma espécie singular desse gênero porque resultam de uma dinâmica política regressiva - ao contrário dos demais, que em sua grande maioria nunca experimentaram instituições representativas e/ou sistemas de contrapesos entre Poderes. Estes têm matrizes autoritárias e são experimentos de liberalização política embrionários.
Uma segunda contradição, remete ao controle da arena política, graças à instrumentalização da participação popular. Por um lado, o recurso a eleições competitivas implica o reconhecimento institucional de um princípio de cepa liberal: a "vontade do povo soberano". Por outro, implica conceder ao eleitor e às oposições os recursos institucionais - e os valores - que os capacitam a contestar as eleições e o próprio regime. Com isso a coalizão dominante corre riscos de se deslegitimar, vendo-se obrigada a optar entre duas alternativas indigestas: arrochar o controle da arena política ou ceder mais espaço às oposições.
Essa caracterização vale para o gênero, mas a espécie dominante na nossa região se distingue pelo fato de que os governos relevantes têm (ou tiveram) raízes populares. É essa condição que lhes serve de incentivo para erigir a parcela majoritária do eleitorado em "vontade do povo soberano". Daí o impulso revisionista (das Constituições) e a vocação para legitimar-se por meio de plebiscitos. O problema é que, em condições mínimas de concorrência eleitoral e de liberdade de informação, periga que a "vontade do povo soberano" se revele volátil e, além disso, se apresente dividida. Por isso o controle da arena política passa necessariamente pelas restrições à liberdade de imprensa e pela tendência ao monopólio da informação. Deve-se isso a dois conjuntos de problemas, inerentes à democracia de massa e que a liberdade de imprensa contribui para atenuar - a par de instituições que obrigam os governantes a prestar contas. O primeiro é que a operação ideológica pela qual a vontade do eleitorado é convertida em "vontade do povo soberano" passa ao largo do xis da questão: quanto o eleitorado e a opinião pública sabem ou podem saber dos assuntos de interesse público? Mas há um segundo problema que se torna agudo nos países periféricos. Nas democracias de massa há uma enorme defasagem entre a democratização das informações, às quais a população tem acesso via rádio, TV, jornais, internet, e a capacidade que a população tem de elaborar as informações. No curto prazo, é à imprensa que cabe reduzir o espaço dessa defasagem, sempre e quando apresenta e divulga as formas possíveis e alternativas de elaboração da mesma informação por diferentes atores políticos. Nessas circunstâncias exerce um papel pedagógico.
A fórmula complementar para minimizar a defasagem, no longo prazo, é apostar na educação de qualidade.
Lourdes Sola, professora da USP, ex-presidente da Associação Internacional de Ciência Política, é diretora do Global Development Network, da International Institute for Democracy e do Conselho Internacional de Ciências Sociais
Esses governos governam sob a égide de duas contradições que convém analisar melhor, pois delas derivam sua força e suas fraquezas. A primeira diz respeito à atitude para com a concorrência eleitoral: por um lado, são levados a jogar o jogo de eleições multipartidárias regulares, minimamente competitivas, para continuarem se legitimando - é que o otimismo democrático que varreu a América Latina desde 1980 e o resto do mundo a partir dos anos 90 fixou a preferência popular por eleições como o principal critério de legitimação para acesso ao Poder Executivo e ao Legislativo; por outro, onde há concorrência e, portanto, oportunidade de contestação, eleva-se o teor de incerteza quanto aos resultados das urnas. A contradição incômoda é resolvida pelo controle da arena eleitoral, que pode assumir várias formas: cerceamento dos direitos políticos e das liberdades civis, restrições aos meios de comunicação de massa e de financiamento quando em mãos oposicionistas, regras eleitorais discriminatórias.
Acabo de listar as características típicas de um novo animal: o autoritarismo eleitoral. É uma variedade de regimes cujo traço distintivo é uma profunda ambiguidade institucional. Têm eleições multipartidárias, socialmente inclusivas, porque baseadas no sufrágio universal, e são minimamente pluralistas, pois a oposição tem direito a concorrer e, embora nunca ganhe, obtém votos e cadeiras no Congresso. O autoritarismo eleitoral, em suma, caracteriza-se por fazer de eleições competitivas um instrumento de poder autoritário, não de democracia. A lista cobre países da antiga União Soviética, inclusive a Rússia; do Oriente Médio e do Norte da África, como Egito, Argélia e Tunísia; alguns do Leste e do Sul da Ásia, como Cingapura, Camboja e Malásia; além de vários da África subsaariana.
Os experimentos latino-americanos de autoritarismo eleitoral são uma espécie singular desse gênero porque resultam de uma dinâmica política regressiva - ao contrário dos demais, que em sua grande maioria nunca experimentaram instituições representativas e/ou sistemas de contrapesos entre Poderes. Estes têm matrizes autoritárias e são experimentos de liberalização política embrionários.
Uma segunda contradição, remete ao controle da arena política, graças à instrumentalização da participação popular. Por um lado, o recurso a eleições competitivas implica o reconhecimento institucional de um princípio de cepa liberal: a "vontade do povo soberano". Por outro, implica conceder ao eleitor e às oposições os recursos institucionais - e os valores - que os capacitam a contestar as eleições e o próprio regime. Com isso a coalizão dominante corre riscos de se deslegitimar, vendo-se obrigada a optar entre duas alternativas indigestas: arrochar o controle da arena política ou ceder mais espaço às oposições.
Essa caracterização vale para o gênero, mas a espécie dominante na nossa região se distingue pelo fato de que os governos relevantes têm (ou tiveram) raízes populares. É essa condição que lhes serve de incentivo para erigir a parcela majoritária do eleitorado em "vontade do povo soberano". Daí o impulso revisionista (das Constituições) e a vocação para legitimar-se por meio de plebiscitos. O problema é que, em condições mínimas de concorrência eleitoral e de liberdade de informação, periga que a "vontade do povo soberano" se revele volátil e, além disso, se apresente dividida. Por isso o controle da arena política passa necessariamente pelas restrições à liberdade de imprensa e pela tendência ao monopólio da informação. Deve-se isso a dois conjuntos de problemas, inerentes à democracia de massa e que a liberdade de imprensa contribui para atenuar - a par de instituições que obrigam os governantes a prestar contas. O primeiro é que a operação ideológica pela qual a vontade do eleitorado é convertida em "vontade do povo soberano" passa ao largo do xis da questão: quanto o eleitorado e a opinião pública sabem ou podem saber dos assuntos de interesse público? Mas há um segundo problema que se torna agudo nos países periféricos. Nas democracias de massa há uma enorme defasagem entre a democratização das informações, às quais a população tem acesso via rádio, TV, jornais, internet, e a capacidade que a população tem de elaborar as informações. No curto prazo, é à imprensa que cabe reduzir o espaço dessa defasagem, sempre e quando apresenta e divulga as formas possíveis e alternativas de elaboração da mesma informação por diferentes atores políticos. Nessas circunstâncias exerce um papel pedagógico.
A fórmula complementar para minimizar a defasagem, no longo prazo, é apostar na educação de qualidade.
Lourdes Sola, professora da USP, ex-presidente da Associação Internacional de Ciência Política, é diretora do Global Development Network, da International Institute for Democracy e do Conselho Internacional de Ciências Sociais
Em breve, o totalitarismo: Para onde vamos?
Talvez se fôssemos melhores em História, com professores competentes que, apesar de ganhando pouco fossem dedicados à profissão e não à ideologia e ao sindicalismo, tivéssemos mais cidadãos prestando atenção ao que agora vivemos.
O texto abaixo segue na íntegra. É o primeiro de uma série que estou identificando como gênese do totalitarismo.
O curioso é que assemelha-se, em muito, às bases do partido nacional facista, que teve como líder Benito Mussolini, que ganhou, via eleições, maioria no parlamento italiano.
Também, na mesma linha, assemelha-se ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães que teve como líder para ganhar amplamente as eleições Adolf Hitler.
Os trabalhadores e sindicatos foram as peças chaves para aquelas vitórias e deu no que todos já sabemos.
O que me espanta é que hoje temos internet, 160 milhões de linhas celulares vendidas em um país de quase duzentos milhões de pessoas e 95% das residências possuem televisão e 98% possuem rádios. Assim, falta de informação ou do acesso à ela, como ocorria de 1935 a 1939 na Itália e Alemanha não é. Adere-se por que se quer.
Vale acompanhar.
Para onde vamos?
Fernando Henrique Cardoso
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091101/not_imp459542,0.php
A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio "talvez" porque alguns estão de tal modo inebriados com "o maior espetáculo da Terra", de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?
Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.
É possível escolher ao acaso os exemplos de "pequenos assassinatos". Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois, se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista", deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso...) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?
Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do "autoritarismo popular" vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os "projetos de impacto" (alguns dos quais viraram "esqueletos", quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: "Brasil, ame-o ou deixe-o." Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: "Minha Casa, Minha Vida"; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.
Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo "Brasil potência". Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU - contra a letra expressa da Constituição - vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: "L"État c"est moi." Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o "nosso pré-sal". Está bem, tudo muito lógico.
Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no "dedaço" que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são "estrelas novas". Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.
Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas - com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou "privatizadas". Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.
Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República
O texto abaixo segue na íntegra. É o primeiro de uma série que estou identificando como gênese do totalitarismo.
O curioso é que assemelha-se, em muito, às bases do partido nacional facista, que teve como líder Benito Mussolini, que ganhou, via eleições, maioria no parlamento italiano.
Também, na mesma linha, assemelha-se ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães que teve como líder para ganhar amplamente as eleições Adolf Hitler.
Os trabalhadores e sindicatos foram as peças chaves para aquelas vitórias e deu no que todos já sabemos.
O que me espanta é que hoje temos internet, 160 milhões de linhas celulares vendidas em um país de quase duzentos milhões de pessoas e 95% das residências possuem televisão e 98% possuem rádios. Assim, falta de informação ou do acesso à ela, como ocorria de 1935 a 1939 na Itália e Alemanha não é. Adere-se por que se quer.
Vale acompanhar.
Para onde vamos?
Fernando Henrique Cardoso
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091101/not_imp459542,0.php
A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio "talvez" porque alguns estão de tal modo inebriados com "o maior espetáculo da Terra", de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?
Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.
É possível escolher ao acaso os exemplos de "pequenos assassinatos". Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois, se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista", deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso...) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?
Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do "autoritarismo popular" vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os "projetos de impacto" (alguns dos quais viraram "esqueletos", quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: "Brasil, ame-o ou deixe-o." Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: "Minha Casa, Minha Vida"; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.
Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo "Brasil potência". Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU - contra a letra expressa da Constituição - vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: "L"État c"est moi." Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o "nosso pré-sal". Está bem, tudo muito lógico.
Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no "dedaço" que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são "estrelas novas". Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.
Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas - com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou "privatizadas". Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.
Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
O Parque Dona Lindú
Brigadeiro é um doce muito gostoso, todos sabem, contudo poucos sabem a origem do nome. É uma homenagem a um homem público muito altruísta. Este homem público marchou, ao lado de outros revolucionários, em direção ao Forte Copacabana, no episódio histórico denominado os Dezoito do Forte. Sobreviveu e chegou a se candidatar à presidência da República.
Há, para não ser injusto: Não tem, de fato, bambus, mas já há algumas plantinhas e grama rasteira em volta.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Os Objetivos do Milênio
Os Objetivos do Milênio
27 de fevereiro de 2009
Líderes de 191 nações se reuniram na Cúpula do Milênio, realizada em Nova York, em 2000, para oficializar um pacto que estabelece oito metas para tornar o mundo mais justo até 2015. O acordo ficou conhecido como Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Desde então, agências bilaterais e multilaterais têm sido cobradas para ajudar os países pobres e em desenvolvimento. As metas são:
1 - Erradicar a extrema pobreza e a fome
O número de pessoas em países em desenvolvimento vivendo com menos de um dólar ao dia caiu para 980 milhões em 2004, contra 1,25 bilhão em 1990. A proporção foi reduzida, mas os benefícios do crescimento econômico foram desiguais entre os países e entre regiões dentro destes países. As maiores desigualdades estão na América Latina, Caribe e África Subsaariana. Se o ritmo de progresso atual continuar, o primeiro objetivo não será cumprido: em 2015 ainda haverá 30 milhões de crianças abaixo do peso no sul da Ásia e na África.
O número de pessoas em países em desenvolvimento vivendo com menos de um dólar ao dia caiu para 980 milhões em 2004, contra 1,25 bilhão em 1990. A proporção foi reduzida, mas os benefícios do crescimento econômico foram desiguais entre os países e entre regiões dentro destes países. As maiores desigualdades estão na América Latina, Caribe e África Subsaariana. Se o ritmo de progresso atual continuar, o primeiro objetivo não será cumprido: em 2015 ainda haverá 30 milhões de crianças abaixo do peso no sul da Ásia e na África.
2 - Atingir o ensino básico universal
Houve progressos no aumento do número de crianças frequentando as escolas nos países em desenvolvimento. As matrículas no ensino básico cresceram de 80% em 1991 para 88% em 2005. Mesmo assim, mais de 100 milhões de crianças em idade escolar continuam fora da escola. A maioria são meninas que vivem no sul da Ásia e na África Subsaariana. Na América Latina e no Caribe, segundo o Unicef, crianças fora da escola somam 4,1 milhões.
Houve progressos no aumento do número de crianças frequentando as escolas nos países em desenvolvimento. As matrículas no ensino básico cresceram de 80% em 1991 para 88% em 2005. Mesmo assim, mais de 100 milhões de crianças em idade escolar continuam fora da escola. A maioria são meninas que vivem no sul da Ásia e na África Subsaariana. Na América Latina e no Caribe, segundo o Unicef, crianças fora da escola somam 4,1 milhões.
3 - Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres
A desigualdade de gênero começa cedo e deixa as mulheres em desvantagem para o resto da vida. Nestes últimos sete anos, a participação feminina em trabalhos remunerados não-agrícolas cresceu pouco. Os maiores ganhos foram no sul e no oeste da Ásia e na Oceânia. No norte da África a melhora foi insignificante: um em cinco trabalhadores nestas regiões é do sexo feminino e a proporção não muda há 15 anos.
A desigualdade de gênero começa cedo e deixa as mulheres em desvantagem para o resto da vida. Nestes últimos sete anos, a participação feminina em trabalhos remunerados não-agrícolas cresceu pouco. Os maiores ganhos foram no sul e no oeste da Ásia e na Oceânia. No norte da África a melhora foi insignificante: um em cinco trabalhadores nestas regiões é do sexo feminino e a proporção não muda há 15 anos.
4 - Reduzir a mortalidade infantil
As taxas de mortalidade de bebês e crianças até cinco anos caíram em todo o mundo, mas o progresso foi desigual. Quase 11 milhões de crianças ao redor do mundo ainda morrem todos os anos antes de completar cinco anos. A maioria por doenças evitáveis ou tratáveis: doenças respiratórias, diarréia, sarampo e malária. A mortalidade infantil é maior em países que têm serviços básicos de saúde precários.
As taxas de mortalidade de bebês e crianças até cinco anos caíram em todo o mundo, mas o progresso foi desigual. Quase 11 milhões de crianças ao redor do mundo ainda morrem todos os anos antes de completar cinco anos. A maioria por doenças evitáveis ou tratáveis: doenças respiratórias, diarréia, sarampo e malária. A mortalidade infantil é maior em países que têm serviços básicos de saúde precários.
5 - Melhorar a saúde maternal
Complicações na gravidez ou no parto matam mais de meio milhão de mulheres por ano e cerca de 10 milhões ficam com sequelas. Uma em cada 16 mulheres morre durante o parto na África Subsaariana. O risco é de uma para cada 3.800 em países industrializados. Existem sinais de progresso mesmo em áreas mais críticas, com mais mulheres em idade reprodutiva ganhando acesso a cuidados pré-natais e pós-natais prestados por profissionais de saúde. Os maiores progressos verificados são em países de renda média, como o Brasil.
Complicações na gravidez ou no parto matam mais de meio milhão de mulheres por ano e cerca de 10 milhões ficam com sequelas. Uma em cada 16 mulheres morre durante o parto na África Subsaariana. O risco é de uma para cada 3.800 em países industrializados. Existem sinais de progresso mesmo em áreas mais críticas, com mais mulheres em idade reprodutiva ganhando acesso a cuidados pré-natais e pós-natais prestados por profissionais de saúde. Os maiores progressos verificados são em países de renda média, como o Brasil.
6 - Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças
Todos os dias 6.800 pessoas são infectadas pelo vírus HIV e 5.700 morrem em conseqüência da Aids - a maioria por falta de prevenção e tratamento. O número de novas infeccções vem diminuindo, mas o número de pessoas que vivem com a doença continua a aumentar junto com o aumento da população mundial e da maior expectativa de vida dos soropositivos. Houve avanços importantes e o monitoramento progrediu. Mesmo assim, só 28% do número estimado de pessoas que necessitam de tratamento o recebem. A malária mata um milhão de pessoas por ano, principalmente na África. Dois milhões morrem de tuberculose por ano em todo o mundo.
Todos os dias 6.800 pessoas são infectadas pelo vírus HIV e 5.700 morrem em conseqüência da Aids - a maioria por falta de prevenção e tratamento. O número de novas infeccções vem diminuindo, mas o número de pessoas que vivem com a doença continua a aumentar junto com o aumento da população mundial e da maior expectativa de vida dos soropositivos. Houve avanços importantes e o monitoramento progrediu. Mesmo assim, só 28% do número estimado de pessoas que necessitam de tratamento o recebem. A malária mata um milhão de pessoas por ano, principalmente na África. Dois milhões morrem de tuberculose por ano em todo o mundo.
7 - Garantir a sustentabilidade ambiental
A proporção de áreas protegidas em todo o mundo tem aumentado sistematicamente. A soma das áreas protegidas na terra e no mar já é de 20 milhões de km² (dados de 2006). O A meta de reduzir em 50% o número de pessoas sem acesso à água potável deve ser cumprida, mas a de melhorar condições em favelas e bairros pobres está progredindo lentamente.
A proporção de áreas protegidas em todo o mundo tem aumentado sistematicamente. A soma das áreas protegidas na terra e no mar já é de 20 milhões de km² (dados de 2006). O A meta de reduzir em 50% o número de pessoas sem acesso à água potável deve ser cumprida, mas a de melhorar condições em favelas e bairros pobres está progredindo lentamente.
8 - Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento
Os países pobres pagam a cada dia o equivalente a 100 milhões de dólares em serviço da dívida para os países ricos. Parcerias para resolver o problema da dívida, para ampliar ajuda humanitária, tornar o comércio internacional mais justo, baratear o preço de remédios, ampliar mercado de trabalho para jovens e democratizar o uso da internet, são algumas das metas.
Os países pobres pagam a cada dia o equivalente a 100 milhões de dólares em serviço da dívida para os países ricos. Parcerias para resolver o problema da dívida, para ampliar ajuda humanitária, tornar o comércio internacional mais justo, baratear o preço de remédios, ampliar mercado de trabalho para jovens e democratizar o uso da internet, são algumas das metas.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Kseniya Simonova Talento Ucraniano
Kseniya Simonova é uma garota ucraniana, que acaba
de ganhar o concurso Talentos da Ucrânia.
A jovem utiliza uma grande caixa iluminada, música
dramática, a imaginação e sua habilidade de 'pintar'
com areia para interpretar a invasão e ocupação do
seu país de 1941-1945.
Ela conta uma história completa apenas movimentando
a areia na mesa, usando somente suas mãos para
criar estas imagens.
Ukraine's Got Talent * Sand Animation
de ganhar o concurso Talentos da Ucrânia.
A jovem utiliza uma grande caixa iluminada, música
dramática, a imaginação e sua habilidade de 'pintar'
com areia para interpretar a invasão e ocupação do
seu país de 1941-1945.
Ela conta uma história completa apenas movimentando
a areia na mesa, usando somente suas mãos para
criar estas imagens.
Ukraine's Got Talent * Sand Animation
O mundo em mudança
Um vídeo interessante sobre mudanças:
http://d.yimg.com/kq/groups/9770058/1350085540/name/INFORMAÇÕES-DE-QUE-PRECISAMOS.wmv
http://d.yimg.com/kq/groups/9770058/1350085540/name/INFORMAÇÕES-DE-QUE-PRECISAMOS.wmv
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Chávez falha em fornecer energia elétrica para população
Um retrato de como se pode ser rico e pobre ao mesmo tempo.
Integração e interiorização de desenvolvimento são as chaves mas ele não conseguirá promover tais mudanças.
E falta pouco para ser nosso sócio problemático.
Vale a pena acompanhar a "involução" desse país nos dois próximos anos.
Historicamente tais líderes procuram um bom motivo para alavancagem de popularidade instantânea, a exemplo das Invasão das Ilhas Malvinas na Argentina.
Considero que antevendo isto os EUA já ampliam sua presença na Colômbia. Sobram Guiana e Brasil para que ele se arvore para procurar subir sua popularidade e evitar um colapso social.
Advinhem quem acabará pagando a conta?
Será o próximo(a) presidente e nós contribuintes.
Para reflexão.
Sds
Jefferson
Chávez falha em fornecer energia elétrica para população
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