quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Demografia e Previdência Social

Este é um tema que a sociedade não tem o direito de se furtar a intervir cobrando daqueles que por ela foram eleitos.
Este assunto não pode ser considerado “falar de política” para justificar fugas.

Desde o governo Sarney, sendo intensificado no governo FHC, uma enorme quantidade de brasileiros que nunca contribuíram para a previdência passaram a dela se beneficiar.

A tendência no país é uma sociedade longeva mas mantendo o tempo de aposentadoria. Diminui-se assim, a população economicamente produtiva e ativa, portanto, também se diminui o quantitativo dos contribuintes.

O aumento da expectativa de vida trás, consigo, aumento na complexidade e custos da tecnologia em tratamentos de saúde, imaginando-se o custo, com baixo valor de contribuição, para tais tecnologias nos hospitais públicos.

Portanto, haverá mais idosos com mais custos para serem tratados e os recursos que entram na Previdência continuarão no mesmo volume sofrendo o mesmo tipo de contingenciamento e vícios de distribuição.

Para aqueles que gostavam do tema “mudanças organizacionais” sugiro um aprofundamento neste tipo de mudança que já chegou e pouco se escreve sobre ele.



Demografia e Previdência Social


A evolução demográfica criou para a economia brasileira uma situação paradoxal, em que, de um lado, temos uma taxa de crescimento econômico que parece ideal e, de outro ? e a prazo longo ?, isso nos criará problemas que exigem, desde já, coragem para fazer uma reforma da Previdência Social.


O Brasil, do ponto de vista da produtividade da sua população, está numa situação que raramente se verifica: a população em idade de trabalhar é maior do que a de dependentes, e, assim, o País dispõe de uma força de trabalho mais numerosa do que os inativos e pode, com relativa facilidade, atender às necessidades das crianças e idosos.

Esse quadro encontra explicação no fato de que, nos últimos anos, a taxa de natalidade caiu com velocidade maior do que caía a de mortalidade, resultado de dois fatores: a população procurou e obteve melhor padrão de vida, restringindo o número de crianças por casal, e, por outro lado, os progressos da medicina ajudaram a reduzir a mortalidade.

É preciso mencionar outros fatores positivos: os trabalhadores com carteira de trabalho assinada conquistaram, nesses últimos anos, melhor proteção social e a renda do trabalho cresceu com os reajustes do salário mínimo e com a política assistencial dos governos.

Neste quadro, a situação se tornou favorável ao aumento da demanda doméstica, que foi ainda favorecida pela queda relativa de preços, ajudada pela importação. No entanto, é uma situação temporária: dentro de alguns anos o perfil demográfico da população será outro.

A população economicamente ativa tende a diminuir, em consequência da contínua redução da natalidade, e a população idosa deverá aumentar consideravelmente. Isso terá um impacto sobre a Previdência Social: haverá, proporcionalmente, menos gente contribuindo para a seguridade e mais pessoas idosas beneficiárias ? os trabalhadores ativos de hoje. E, em razão dos novos progressos da medicina (que trarão elevação dos custos), a duração da vida aumentará.

É possível que o crescimento da renda aumente o poder aquisitivo. No entanto, sem uma reforma da Previdência, o déficit do INSS será insuportável. É preciso realizar, desde já, uma reforma da seguridade social que aumente a idade da aposentadoria, exija contribuição de todos e que elimine o sistema de aposentadoria integral. A melhora do quadro da economia é uma boa oportunidade para essa reforma.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ENTENDENDO O BRASIL

Amigos, uma contribuição da amiga Lúcia. Um depoimento interessantes que nada mais faz do que refletir nossa idiossincrasia, nossa maneira morena de viver o coletivo social e responsável.
Reitero a sugestão para que leiam um excelente livro que li em cinco dias, de tão bom que ele é: A cabeça do brasileiro do antropólogo Roberto Almeida da Record (http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/1979293/a-cabeca-do-brasileiro/?ID=BB6329C87DA01050C27020981)
ou os comentários que fiz em 
http://jeffersonws.blogspot.com/search/label/livros#uds-search-results

De toda sorte, vale a pena ler o texto abaixo.



ENTENDENDO O BRASIL

Numa tarde de sexta-feira, recebi um telefonema de um amigo me convidando para ir a um churrasco na sua casa. Acontece que na naquela noite eu tinha
que dar aula na faculdade. O problema é que eu queria ir ao churrasco, mas como?
Bem, eu agi como, geralmente, todos nós agimos: fiz de conta que estava cumprindo com a minha obrigação quando, na verdade, satisfiz o meu prazer.


O churrasco começava às oito da noite e a aula às sete e meia. Fui à faculdade, registrei a aula, fiz a chamada e inventei uma aula de leitura na biblioteca, abandonando a turma. Saí para o churrasco querendo acreditar que cumprira meu dever de professor.
No churrasco, fiquei numa mesa com o dono da casa (que é médico), o amigo que estava sendo homenageado (que é policial), um amigo do homenageado (que
é advogado e político) e a sua esposa, que é universitária e estuda no período da noite.


O assunto era um só: a roubalheira dos nossos políticos e a passividade da sociedade (todos nós) mediante a podridão do episódio do mensalão. Todos
estávamos revoltados e propondo soluções para o melhor funcionamento da máquina pública e para o resgate da ética entre a classe política. 


Num dado momento, o telefone do dono da casa tocou e ele se afastou para atender. Retornando, disse com raiva: "Não dá pra trabalhar com certas pessoas". Naquela noite, ele estava de plantão no hospital, mas chegou lá cedo, visitou alguns pacientes e leu "por cima", os prontuários. Depois, foi para casa e deixou como recomendação: "só me liguem em caso de extrema emergência ou se aparecerem pacientes particulares".
Estava aborrecido porque a enfermeira lhe telefonara só porque chegou um sexagenário com suspeita de infarto. Ele "receitou" medicamentos pelo telefone e disse que a enfermeira só devia ligar de novo se acontecesse algo grave.


Para aliviar o clima, perguntei ao amigo que estava sendo homenageado se já havia feito a sua mudança de casa. Ele respondeu que sim e, que isso não tinha lhe custado nada, pois o dono da transportadora lhe havia retribuído "um favor": meses antes, ele tinha "resolvido" uns probleminhas de multas nos seus carros que poderiam lhe custar a habilitação e, até mesmo, a sua empresa!
Aí, a esposa do político liga para uma colega, que também fazia mestrado, para saber se ela tinha respondido à chamada por ela enquanto ela estava no churrasco, pois ela já estava "pendurada nas faltas" nessa disciplina e não poderia ser reprovada. E, feliz, sorriu com a resposta da colega: dera tudo certo.
Em um outro momento, o anfitrião pergunta ao político como iria ficar o caso de uma certa pessoa. E ele respondeu que tudo estava indo bem, o problema era que na secretaria almejada já havia alguém concursado ocupando o cargo que tal pessoa pleiteava. Mas que ele não se preocupasse, pois estavam estudando uma medida legal (?) para transferir o "dito cujo" de função ou de setor para a vaga "do fulano" ser ocupada por ele. "Ele é um que não pode ficar de fora, pois foi comprometido com a gente até o fim", finalizou.


Em meio a tudo isso, não deixávamos de falar das CPI's, da corrupção dos políticos e da cumplicidade da sociedade que, apática, não movia uma palha para mudar nada.
Chegando em casa fui pensar naquela noite e em tudo o que havia presenciado.
De repente, me lembrei do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, que diz:
"nós vivemos num ambiente de lassitude moral que se estende a todas as camadas da sociedade e que esse negócio de dizer que as elites são corruptas, mas que o povo é honesto é conversa fiada. Nós somos um povo de comportamento desonesto de maneira geral, ou pelo menos um comportamento pouco recomendável". O melhor era que eu não precisava fazer qualquer pesquisa para concordar com o escritor. 


A sua afirmação estava magistralmente retratada no meu comportamento e no comportamento dos meus amigos naquela noite e naquele churrasco que eu havia freqüentado.


Para começar, eu, como professor, roubei o povo ao fingir que estava dando aula. E estou surrupiando (roubando) a sociedade quando marco os tão conhecidos seminários só para não dar aulas, com a mentira disfarçada de que os alunos precisam treinar a arte de expressar bem as suas idéias. Isso pelo fato dessa afirmação não ser verdade, mas parte de uma verdade maior. É lógico que os alunos precisam treinar a arte de bem expressar as suas idéias, mas só depois de serem conduzidos pelo professor que, por sinal, é pago para fazer isso. A verdade inteira é que, quase sempre por motivos pessoais, o professor acaba transformando o que seria uma, de várias técnicas de ensino, em sua prática regular de ensino e o resultado é uma enorme massa de estudantes "transfigurados", da noite para o dia, em professores dos professores que deviam ensinar, mas não ensinam.


E o que dizer do dono da festa, o médico que estava "tirando plantão" e que, ganhando o seu salário, reclamou de ser incomodado, apenas porque um senhor de idade estava com suspeita de infarto? Somos tão convictos de que somos bons, que o médico chegou a dizer que, se ao menos o ancião tivesse sido diagnosticado por um profissional, então ele se sentiria na obrigação de ir atendê-lo. Ele só esqueceu de um detalhe: se o plantonista do hospital que, por sinal era ele, estivesse cumprindo o seu plantão, o senhor de 64 anos de idade, casado, pai de seis filhos, aposentado e que trabalhava desde os doze anos de idade e contribuía com a previdência há trinta, talvez tivesse sido atendido por um profissional e não tivesse sofrido um derrame cerebral.
É interessante vermos, também, o caso da universitária, a defensora dos valores morais. E, aqui eu pergunto: que valores seriam esses? O famoso jeitinho brasileiro que, não custa lembrar, só virou instituição nacional porque nós lhe damos vida com as nossas atitudes!


Acredito que mais uma vez o Brasil passa por uma oportunidade de ouro para rever-se como país e sair crescido e melhorado de toda essa crise. O grande problema está nas pessoas. Em mim, em você, nas nossas famílias, colegas, amigos e inimigos, parentes e aderentes. Se quisermos realmente uma nação melhor temos que assumir que nós também somos recebedores do mensalão e que, portanto, cada um de nós também é merecedor de sentar nas cadeiras da CPI.
Recebemos o mensalão quando fazemos coisas como as descritas acima, e também quando copiamos ou compramos CD's piratas, quando pagamos propinas ao
guarda de trânsito para ele não nos aplicar multa, enfim, todos nós, cada um a seu modo e com o seu preço, também é culpado, pessoalmente, por tudo isso
que está acontecendo no nosso país.


É bom não esquecer que nossos políticos não vieram de Marte, mas do nosso meio, corrompidos por nós, corruptos e corruptores. O real motivo para a sociedade assistir apática a toda essa decadência não é apatia, mas cumplicidade.

Pedro Paulo Rodrigues Cardoso de Melo, Psicólogo Clínico, Psicopedagogo e
Professor Universitário de Psicologia e Sociologia

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Actores armados y ciudades fragmentadas



Estimados amigos de LMC 46, les envío un artículo de Foreign Affairs en Español (abril-junio de 2007)  acerca de la seguridad y defensa en nuestros paises.
El tema es estimulante y yo mantengo la búsqueda y estudios hasta hoy, principalmente debido a la incertidumbre que vivimos hoy en nuestros países, especialmente en las grandes ciudades.
Envío para que ustedes puedan tomar ventaja.
Lo siento si el artículo segue en su totalidad, ya que el enlace ya no permite el acceso a través de la web.

Saludos y "saudades" de ustedes.



Actores armados y ciudades fragmentadas
By Dirk Kruijt y Kees Koonings

De Foreign Affairs En Español, Abril-Junio 2007

LÍNEAS DE FALLA DE LA DEMOCRACIA LATINOAMERICANA
En toda América Latina hay dos líneas de falla de la democracia. La democracia reestablecida en los años ochenta coincidió con una década de crisis económica y de programas de ajuste estructural. En el lenguaje de las instituciones de las Naciones Unidas esta década llegó a ser tipificada como "la década perdida para América Latina". En efecto, fueron los años de reestructuración económica y social con grandes consecuencias para las clases medias, la clase obrera urbana, los pobladores de los barrios populares y la población rural. Como consecuencia, en las décadas de 1980 y 1990 se generalizó la pobreza masiva, la informalización de la economía y de la sociedad, y la exclusión social de considerables contingentes de la población. La pobreza, sobre todo una característica del ámbito rural en la primera parte del siglo XX, comenzó a manifestarse en la segunda mitad en las ciudades, y en especial en las grandes metrópolis. La exclusión masiva y probablemente transgeneracional en el ambiente urbano empezó a ser sinónimo de conflictos sociales y radicalización política. Relacionada con la cultura de pobreza y la orientación política de los excluidos existe una profunda desconfianza -- expresada en la variedad de publicaciones de Latinobarómetro -- en las instituciones formales de la democracia, desde el Parlamento, los partidos políticos, el sistema legal y las cortes, hasta los sindicatos de los trabajadores. En otras palabras, una de las principales consecuencias sociales y políticas de la exclusión social es la erosión de la legitimidad de los órdenes civil, político y público. La enorme exclusión urbana tenía también otra consecuencia: los barrios cerrados de los privilegiados (Teresa Caldeira, City of Walls: Crime, Segregation and Citizenship in São Paulo, 2000), donde buscan refugio de sus miedos contra "la sociedad de afuera" y donde las barreras protegen "un estado hostil hacia buena parte de su población, manifestadas en múltiples formas de discriminación" ("Acerca de las problemáticas fronteras de América Latina", en O'Donnell, Hewitt de Alcántara y Escobar, Cruzando fronteras en América Latina, 2003, pp. 14-15).


En segundo lugar, la manifestación de nuevas formas de violencia, esta vez no asociadas con la existencia de regímenes militares de seguridad nacional, como en los años setenta hasta mediados de los ochenta, sino con la presencia y la actuación de nuevos actores armados. Hay una conexión entre la exclusión social y la ocurrencia de la violencia. En apariencia se nutren mutuamente en territorios urbanos cuando las autoridades del orden y la ley se retiran o sólo están presentes en forma represiva: entrando con unidades especializadas en la lucha urbana, incorporadas en general dentro de las filas de las fuerzas policiacas.
Hacemos hincapié en que muchos problemas por analizar se encuentran básica, aunque no exclusivamente, en el ambiente urbano. No es de asombrarse debido a que tres de cada cuatro de los ciudadanos latinoamericanos vive en ciudades. Más aún, el ambiente urbano es donde se presenta, primero, la mayor concentración de la pobreza nacional y, segundo, la brecha social más grande y más resentida entre el bienestar de las élites e integrantes de las clases medias, y la precariedad de los pobladores de los barrios populares, de las comunas, de las barriadas, de las villas, de las favelas, donde se encuentra el denominador común de la pobreza, la exclusión social, la desigualdad y la marginalización de manera aglomerada en el sentido económico, social y espacial. Más aún, también es el ambiente donde se concentran la inseguridad urbana, la violencia y el miedo de los ciudadanos. La asociación entre pobreza y violencia no proviene solamente de un síndrome del miedo de las élites y los integrantes de las clases medias con respecto a la amenaza que constituirían los pobres. Aquéllos identifican los barrios marginales como la cuna de la violencia social, de la criminalidad, de la venganza. Pero, como lo han demostrado los estudios empíricos de Moser y McIlwaine (2004), también son los pobres los que identifican, y esta vez como las víctimas, la coincidencia de la pobreza y la marginalización con la presencia de actores armados que compitan por la hegemonía sobre el espacio urbano con las autoridades legítimas de la ley y el orden que con frecuencia, por su ausencia o su no actuar, dejan el campo libre a quienes a la fuerza buscan un dominio territorial urbano.


DESBORDE POPULAR Y EROSIÓN DEL ORDEN SOCIAL
La pobreza e informalidad urbana se han hecho sentir en la presencia de enormes contingentes de pobres, principalmente en las grandes aglomeraciones urbanas. En Informal Citizens. Poverty, Informality and Social Exclusion in Latin America introdujimos la noción de una nueva clase transgeneracional de habitantes urbanos pobres a partir de los años ochenta en adelante (Kruijt, Sojo y Grynspan, 2002): los "ciudadanos informales". En un estudio contundente sobre el carácter de la democracia latinoamericana, el PNUD (2004) lanzó la noción de "ciudadanía de baja intensidad". Al comienzo del siglo XXI, América Latina es el continente donde segmentos significativos de la población, en algunos casos constituyendo la mayoría de la población nacional, son a la vez pobres, informales y excluidos. La informalidad tiene también un rostro étnico: etnicidad es un factor de estratificación. Entre los mecanismos de sobrevivencia predominan lazos de etnicidad y de religión, relaciones de familia (reales o simbólicas) y cercanía en términos de lugar de nacimiento o de pertenencia a los barrios populares. La economía y la sociedad informal se hallan excluidas del empleo estable, del ingreso regular, de los sindicatos laborales, de la legislación laboral y del acceso a las instituciones sociales que proveen necesidades básicas, como los servicios de vivienda.


Entre 1980 y 2002 el porcentaje de pobres en América Latina subió de 41 a 44%, de pobres urbanos de 30 a 38% y de pobres rurales de 60 a 62% (CEPAL, 2006). Hay que tomar en cuenta, sin embargo, que el porcentaje pico se dio en el año 1990 con 48% para América Latina, 41% para la pobreza urbana y 65% para la pobreza rural. La relativa reducción de la pobreza se atribuye, sin embargo, no principalmente al mejoramiento de las economías internas sino a los efectos de la migración externa y, por ende, de las remesas familiares en los últimos 15 años. El flujo de remesas a la región representó en 2004 alrededor de 45000 millones de dólares, cifra superior tanto a la inversión extranjera directa como a la asistencia total de los donantes.


Datos de la OIT (2004) demuestran que en la región se ha consolidado el orden social y cultural informalizado. El desempleo ponderado abierto urbano creció entre 1985 y 2003 de 8 a 11%. El empleo generado en el sector informal creció de 43 a 47% entre 1990 y 2003. Estas cifras explican también el proceso de descomposición de clase y la reestructuración del orden social en toda América Latina. En la formalidad y la informalidad se originaron sectores económicos paralelos, jerarquías sociales paralelas y estructuras institucionales paralelas, lo que provocó un orden económico, social, político y cultural mucho más heterogéneo, que gira en tono a la división de la riqueza y la pobreza, de la integración y la exclusión. Surgió una institucionalidad formal e informal con lógica, moralidad y sanciones propias: el orden reglamentado de la economía y sociedad informal a diferencia de la anarquía disfrazada en la pobreza, la informalidad y la exclusión social.


La economía y la sociedad informales generan, asimismo, brechas demográficas y una desintegración de la estructura de las familias. América Central, cuyas sociedades se ven atormentadas por la pobreza y por los efectos de sus guerras internas, tal vez representa el ejemplo más tajante de tales rupturas. Sarah J. Mahler (en "Las migraciones y la problemática transnacional: tendencias recientes y perspectivas para 2020", en Bodemer y Gamarra (comps.), Centroamérica 2020. Un nuevo modelo de desarrollo regional, 2002) presenta un panorama de los procesos migratorios tanto internos como externos de los países centroamericanos: el desplazamiento interno de los refugiados por la violencia de las guerras civiles y la migración extrarregional, de hecho un éxodo hacia México y Estados Unidos. De los 30 millones de centroamericanos, 1.13 millones viven ahora de forma permanente en Estados Unidos; 40% de ellos proviene de El Salvador. Juan Pablo Pérez Sáinz ("La pobreza urbana en América Central: evidencias e interrogantes de la década de los 90", en Davis, Gacitúa y Sojo (comps.), Desafíos del desarrollo social en Centroamérica, 2004) complementa este esbozo con un análisis más preciso de la dependencia familiar de las remesas, en virtud de la reducción estructural del mercado de trabajo centroamericano, las tasas de desempleo de mujeres y jóvenes, el monto de las familias en quiebra y la desesperación de los familiares que permanecieron en el país mientras los miembros masculinos salieron al exterior por la imposibilidad de adquirir un ingreso en el mercado laboral interno.


Este efecto de la pobreza y la exclusión está provocando un desborde popular, para usar las palabras proféticas del antropólogo peruano Matos Mar. En su ensayo Desborde popular y crisis del estado. El nuevo rostro del Perú en la década de 1980 (1980), predijo la desinstitucionalización de las estructuras sociales tradicionales de la sociedad capitalina y nacional y la emergencia de una sociedad urbana cualitativamente nueva con base en el papel de los pobladores de las barriadas y los migrantes en barrios de invasión. Predijo también el nacimiento tímido de una diversidad de nuevas organizaciones que pretenderían representar a los empresarios informales y los autoempleados, como son las cámaras regionales de los artesanos y los comedores populares en las barriadas de la Lima metropolitana. Todas esas organizaciones tienen en común la relación ambivalente de depender de instituciones profesionales de desarrollo como las fundaciones religiosas y eclesiásticas, las ONG, donantes extranjeros, bancos privados filantrópicos y de la financiación de gobiernos municipales y nacionales. Veinte años más tarde, en una edición actualizada que también toma en cuenta los procesos de las dos décadas intermedias, Matos Mar (2004) analiza el efectivo colapso de instituciones que tradicionalmente funcionaron como sostén del orden democrático: el decaimiento de los partidos políticos, la erosión del status del poder legislativo y del sistema judicial, el ocaso del prestigio de los magistrados y de las autoridades de la ley y el orden, el declive de las otrora poderosas centrales y confederaciones de sindicatos de los trabajadores y el debilitamiento de otras entidades de la sociedad civil como las cámaras de industria y comercio y los colegios profesionales de médicos, abogados, ingenieros, etc. Puede ser que las instituciones paralelas, las jerarquías paralelas y los sectores paralelos que emergieron en el cauce de las líneas divisorias de la pobreza, la informalidad y la exclusión social ya constituyan un orden económico, social y político más o menos duradero aunque heterogéneo.


DEL DESBORDE POPULAR AL DESBORDE DE LA VIOLENCIA: VACÍOS DE GOBIERNO
La ciudadanía informal tiene un rostro violento. A finales de los años setenta, John Walton ("Guadalajara: Creating the divided city", en Cornelius y Kemper (comps.), en Metropolitan Problems and Governmental Responses in Latin America, 1976) introdujo el concepto de "ciudades divididas". Durante los años ochenta las ciudades divididas o fragmentadas fueron analizadas sobre todo en términos de la miseria o la exclusión urbana. Sin embargo, a partir de los años noventa comenzaron a identificarse las profundas divisiones urbanas con la falta de seguridad humana y la falta de la presencia de autoridades protectoras en las partes desatendidas del territorio urbano, donde la pobreza suele coincidir con la violencia. El caso de Rio de Janeiro, por ejemplo, cuyas paupérrimas favelas son sinónimo de áreas de acceso limitado dentro de las fronteras metropolitanas, adquirió una reputación deprimente en el círculo de autores y analistas de la violencia urbana. La publicación de Ventura (2002 [1994]) sobre la cidade partida abrió el camino para una serie de estudios sobre la violencia urbana brasileña. El debate sobre el panorama de la violencia urbana en los territorios metropolitanos de América Latina continuó, más recientemente, en estudios comparados de De Olmo et al. (2000), Rotker, Goldman y Balan (2002), Koonings y Kruijt (2004, 2006) y Moser y McIlwaine (2004).


La violencia, no obstante, no sólo está arraigada en la vida diaria de los pobres urbanos, sino que es, o fue, también una característica de las prolongadas guerras civiles en los países de América Central y la región andina. Actores armados, por una parte procedentes de las instituciones y bandas de ex combatientes -- fuerzas armadas, paramilitares, frentes guerrilleros -- , y por otra pertenecientes a pandillas criminales y bandas juveniles, lograron montar sistemas paralelos de violencia de alcance y postura nacional en países como Colombia, Guatemala y México y, en un sentido acaso más restringido, en Argentina, Brasil, El Salvador y Honduras y Perú.


La proliferación de las miniguerras y de los actores armados (urbanos) involucrados en América Latina se relaciona con el fenómeno de los vacíos locales de gobierno. Estos vacíos se forman a raíz de una prolongada ausencia de las autoridades y representantes legales de la ley y el orden en áreas específicas. En estos vacíos surge una simbiosis osmótica entre el Estado, más precisamente la policía y el sistema legal, la criminalidad común y elementos criminalizados de ex miembros de las fuerzas armadas, la policía, unidades paramilitares y combatientes guerrilleros. Entonces se adaptan la ley y la justicia local al resultado del orden oscilante entre las fuerzas paralelas de grupos locales de poder y autoridades morales, representantes electos de asociaciones de vecinos, pobladores o vecinos, sacerdotes o pastores evangélicos, a veces empresarios exitosos o propietarios de emisoras locales de radio o TV en alianzas fluctuantes.


Es interesante puntualizar que, en este contexto de violencia inherente y de miniguerras por el control sobre pequeños territorios (urbanos) cuyos teatros tienen un alto grado de volatibilidad, las fuerzas armadas no desempeñan un papel preponderante. En los países del Cono Sur y en cierto modo también en los países andinos y centroamericanos, como ya décadas antes en México, los militares se retiraron de la arena pública para reformular sus objetivos institucionales en la dirección de fuerzas armadas profesionales. Las instituciones armadas dejaron prudentemente la confrontación pública con actores violentos no estatales a las fuerzas especiales de policía, entrenadas en el combate de contraagresión urbana. No obstante, mientras que las manifestaciones de esa nueva violencia gradualmente asumen rasgos permanentes, la anomalía de esta situación comienza a indicar el fenómeno del Estado ausente (por lo menos parcialmente) en materia de seguridad y la justicia.


Otro rasgo es la proliferación de la vigilancia privada: policía privada, guardianes privados nocturnos en los barrios de clase media e incluso en los distritos populares, serenazgos particulares, escuadrones especiales de protección, fuerzas inconfundibles de protección del sistema bancario y financiero, fuerzas de justicia privada, comandos paramilitares, escuadrones de la muerte. Originalmente asociadas con guerras civiles prolongadas en países como Colombia y Guatemala, estas asociaciones privadas de orden y protección se expandieron en toda América Latina y en algunos estados del Caribe, como Jamaica.


En tercer lugar, podemos mencionar los nuevos actores armados en las favelas, villas, barriadas o comunas de miseria donde la autoridad local de facto es el traficante o el drug lord, quien da órdenes para los ajusticiamientos pero también funciona como proveedor financiero de las ONG en su territorio. Durante una entrevista con Deusimar da Costa (28 de agosto de 2003), presidenta de la Federaçao Municipal das Asociações de Favelas do Rio de Janeiro, resaltó con mucha franqueza que la coexistencia pacífica con los traficantes locales era un asunto común y corriente. "Ellos también son vecinos", dijo la señora, "y su presencia no nos molesta. Ellos tienen el poder de intervenir y, a pesar de todo, son vecinos. Mantenemos, podría decirse, una vida simbiótica. No estamos inclinados a llamar a la policía en cada momento". No se trata de pequeños bolsones o territorios olvidados dentro de las aglomeraciones urbanas, sino de jurisdicciones de facto de considerable tamaño y proporción, tal vez conformando 25% del contorno urbano en metrópolis como Rio de Janeiro y São Paulo, Buenos Aires, Bogotá y Medellín, México y Guadalajara, y otras ciudades importantes. Los traficantes, en su mayoría jóvenes o adultos jóvenes, son los nuevos dueños urbanos de la violencia. Actúan en sus barrios también como los nuevos representantes de la ley paralela, no por justicia sino por ajusticiamiento. A veces cobran también impuestos paralelos y demuestran cierta benevolencia hacia el desarrollo local paralelo, ofreciendo financiar a las ONG locales en las favelas y villas marginadas. En algunos casos también negocian explícitamente con los líderes religiosos locales, quienes aprendieron a convivir en relaciones de coexistencia pragmática. El mismo fenómeno se presenta en el Gran Buenos Aires. Los traficantes en las villas argentinas, las favelas brasileñas, los tugurios colombianos y las zonas guatemaltecas han reproducido escenarios de guerra o guerrilla nacional en los territorios urbanos infestados.


Algunos miles de niños y adolescentes funcionan como soldados de la droga en las guerras urbanas en Rio de Janeiro. Alba Zaluar ("Perverse Integration: Drug Trafficking and Youth in the Favelas of Rio de Janeiro", Journal of International Affairs, 2000) tipificó, con mucha razón, la relación entre bandas juveniles y el comercio de drogas en las favelas de esa ciudad como una integración perversa de la economía clandestina y la violencia urbana. En este contexto también hay que analizar el nuevo papel de las bandas juveniles criminales (maras) en América Central.


En El Salvador, Honduras, Guatemala y, en menor grado, en Nicaragua las maras son oficialmente consideradas como la principal amenaza de la seguridad nacional. Miles de jóvenes de entre 12 y 30 años de edad pertenecen a una de las maras o pandillas juveniles, cuya presencia nacional es macabra por ser responsables de 20% (Guatemala) y 45% (El Salvador y Honduras) de los homicidios por año en 2003 (Peter Peetz, "Zentralamerikas Jugendbanden. 'Maras' in Honduras, El Salvador und Guatemala", Brennpunkt Lateinamerika. Politk-Wirtschaft-Gesellschaft, 2004). La economía marera centroamericana depende del control territorial y acceso al transporte y comercio local de drogas. La escala de operaciones en términos de la violencia percibida es tan grande que los parlamentos salvadoreño y hondureño aprobaron leyes especiales antimaras que permiten comandos especiales compuestos por miembros de las fuerzas policiales y civil-militares. En 2004 los presidentes de Guatemala, Nicaragua, El Salvador y Honduras firmaron un acuerdo para concertar esfuerzos a fin de combatir la violencia criminal juvenil en estos países. En abril de 2005 los jefes de estado mayor de las instituciones armadas de estos tres países solicitaron al jefe del Comando Sur estadounidense, general Bantz Craddock, asistencia técnica y financiera para crear una fuerza especial combinada del ejército y la policía para combatir el tráfico de droga y a las maras. El hecho hace alusión a la confrontación en Colombia, durante la década de los noventa, entre los cárteles de la droga, el gobierno nacional y las fuerzas especiales estadounidenses.


CONCLUSIÓN
La exclusión social y los fenómenos asociados, como la pobreza, la discriminación y la informalidad, conforman un contexto fértil para que puedan brotar los gérmenes de la violencia y el terror en los segmentos pobres, marginados, separadas de las metrópolis y las grandes conglomeraciones urbanas. Cuando la exclusión social, como en el caso de América Latina, se profundiza o se consolida en ciudades divididas, de manera espacial, de manera social, de manera cultural; cuando la ausencia de los actores legítimos de la ley y del orden se manifiesta en forma crónica, se abre el camino para los actores armados privados e informales que ocuparán el lugar de la policía y la justicia, transformando los barrios pobres y marginados en ámbitos de desintegración, dominación por parte de criminales, terror y miedo. Hay una tendencia para la consolidación de este fenómeno, considerando que la juventud de estos barrios, favelas, barriadas o comunas de miseria se va acostumbrando desde su niñez a la "normalidad" de la violencia, al ser "catequizada" por la violencia domestica habitual, por la violencia omnipresente en la calle y por la actuación represiva incesante de la policía que, cuando está presente, está presente con pistola o ametralladora en mano. Entonces, políticas públicas que pretenden combatir la exclusión social y "pacificar" la relación cívico-policial aparentan ser si no una solución, por lo menos un freno a este proceso de deterioro. Combatir la exclusión social, fortalecer el tejido social local, equilibrar bien las tareas represivas y preventivas de la policía nacional y local, fortalecer los gobiernos municipales y locales y, sobre todo, ganar y mantener la confianza de las organizaciones populares locales parecen ser los ingredientes del cóctel de buen gobierno en asuntos de seguridad cívica. Uno de los ejes centrales es la confianza mutua entre las fuerzas del orden y la población local, y la participación voluntaria en comités de seguridad local.


El mencionado informe del PNUD (2004) señala que en la actualidad la mayoría de la población latinoamericana preferiría un gobierno de previsto tinte autoritario que lograra encontrar una solución para la pobreza masiva. Eso contribuye a la formulación de la pregunta sobre el carácter de la estabilidad del orden político que implica la existencia generalizada de una ciudadanía de segunda clase. La pobreza dentro de un contexto de violencia parece ser el mecanismo estándar de integración de los marginados urbanos. Segmentos considerables de la población de América Latina sobreviven en la economía y sociedad informal donde diariamente se comparte la pobreza y la violencia. Muchos de los actores armados de esta nueva violencia son reclutados entre las filas de los informales y los excluidos. Este fenómeno de la exclusión-con-violencia compartida por las masas de los pobres urbanos contribuye a la destrucción de los fundamentos morales del orden democrático y los perímetros de la ciudadanía. La violencia crónica, incluso dentro de los límites de los enclaves territoriales restringidos, contribuye a la erosión de la legitimidad del orden político. Es paradójico que varios gobiernos latinoamericanos, como los líderes populares y las autoridades religiosas en su contexto local, hayan aceptado una coexistencia pacífica de facto con los actores no estatales de la violencia, mientras que ellos en privado constituyen una amenaza para las autoridades políticas de nivel nacional. La pregunta clave es, por supuesto, cuánto tiempo más puede garantizarse la estabilidad del orden económico, social y político en América Latina en este precario equilibrio entre niveles "aceptables" de exclusión y niveles "aceptables" de violencia.



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Muçulmanos na Europa

Repasso na íntegra esta reportagem pois é uma entrevista muito esclarecedora apesar de ser a visão de um dos lados do fenômeno.
Se alguém quiser se preparar para as tais mudanças organizacionais deverá, necessariamente, procurar entender este fenômeno cultural muito forte.
Há um excelente livro, antigo, de Samuel Huntgton, chamado O Choque das Civilizações que trata do assunto, sempre muito atual.
Vale a pena acompanhar o tema, pois ele crescerá em vulto nos próximos anos.


Integração dos muçulmanos na Europa deveria ser discutida abertamente, diz especialista



Mathieu von Rohr
Os muçulmanos não estão se integrando tão bem quanto muitos europeus gostariam de acreditar. O jornalista político norte-americano Christopher Caldwell, autor de um livro recente sobre o Islã na Europa, argumenta que tabus e ilusões evitam uma discussão honesta do assunto.
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Spiegel Online: Sr. Caldwell, a Suíça recentemente proibiu os minaretes num referendo. Qual foi seu primeiro pensamento quando ouviu as notícias?
Caldwell: 
A coisa mais surpreendente sobre isso foi o hiato entre a rejeição clara em relação à proibição nas pesquisas de opinião pública e a aprovação clara dada na votação propriamente dita. Isso significa que existe uma discussão oficial sobre o Islã e uma discussão subterrânea. Isso deveria preocupar os europeus.

Spiegel Online: Você está sugerindo que não haja uma discussão aberta sobre o Islã na Europa?
Caldwell: 
Acho que essas coisas estão sendo discutidas muito mais abertamente do que há alguns anos. Na Holanda e na Dinamarca existe um debate controverso. Acho que muitos dinamarqueses e holandeses não se orgulham de fato da forma como seus partidos populistas estão discutindo o tema da imigração, mas em geral é bem melhor quando as coisas são discutidas abertamente.

Spiegel Online: Onde, em sua opinião, não é possível falar abertamente sobre isso?
Caldwell: 
Em países como a França, há leis contra todos os tipos de discurso. Isso tem um efeito muito paralisante. Muitas pessoas têm medo das consequências negativas se elas disserem como de fato se sentem. Às vezes até para as pesquisas, como mostra o exemplo suíço.

Spiegel Online: Em seu livro, "Reflexões Sobre a Revolução na Europa", você revela um olhar cético sobre a relação da Europa com seus imigrantes muçulmanos. Em sua visão, os imigrantes muçulmanos representam uma ameaça para o continente?
Caldwell: 
Não falo exatamente de uma ameaça. Esta é uma distinção muito importante. O debate até agora foi marcado por dois extremos. De um lado, você tem o extremo apocalíptico, as pessoas que dizem que o Islã está "tomando" a Europa. Do outro, há pessoas que acreditam que não há problema algum, exceto o racismo. Acho que ambas as posições estão erradas, e tenho tentado estabelecer um novo tom.

Spiegel Online: Entretanto, ao ler o seu livro, fica-se com a impressão de que você acha que a Europa terá problemas para integrar seus imigrantes muçulmanos.
Caldwell: 
O Islã apresenta dificuldades que outros grupos de imigrantes não apresentam. Parte disso é o crescimento do Islã político no mundo nos últimos 50 anos. Uma grande minoria de muçulmanos europeus sentem solidariedade com a comunidade muçulmana internacional, e ao mesmo tempo sentem que o Ocidente está em guerra com este mundo. Isso torna a transição para uma identidade europeia mais difícil. Mas acho que os problemas no nível cultural são mais importantes.

Spiegel Online: Como por exemplo?
Caldwell: 
Muitas pessoas excessivamente otimistas esperam que os muçulmanos desistam de sua religião ou a modifiquem com o tempo. Eles irão mudar de certa forma, mas não sabemos exatamente como. E as atitudes em torno da religião fornecem muito potencial para o conflito - as atitudes quanto às mulheres, quanto às relações familiares, a liberdade sexual ou os direitos dos homossexuais.

Spiegel Online: A porcentagem de muçulmanos na população europeia é muito baixa. O total é de cerca de 5%.
Caldwell: 
Certo. A população da Europa Ocidental é de cerca de 400 milhões, e há cerca de 20 milhões de muçulmanos. Entretanto, a população (de muçulmanos) continua a crescer.

Spiegel Online: Mas em que extensão ela está de fato crescendo? Você baseia este argumento numa taxa de crescimento mais alta, mas vários estudos sugerem que nas segundas e terceiras gerações, os imigrantes terão taxas de crescimento próximas da média nacional.
Caldwell: 
Isso é verdade. Há duas coisas que farão com que a população descendente de imigrantes na Europa aumente nos próximos anos. Uma é que os imigrantes continuam chegando e a outra é que as taxas de natalidade, apesar de estarem caindo, continuam mais altas. Mas o problema real não é o tamanho da população imigrante. É que sua cultura precisa ser acomodada dentro da Europa de uma forma que exige que a Europa mude suas estruturas. Durante os últimos 20 anos, a sociedade convencional acomodou os imigrantes apenas em relação a alguns assuntos. Às vezes esses assuntos são pequenos, como salas de oração ou espaços de trabalho. E às vezes são importantes, como exemplificado por uma decisão de um tribunal de Lille, na França, que em 2008 anulou o casamento de uma mulher muçulmana porque ela não era virgem.

Spiegel Online: E isso mudará o caráter da Europa?
Caldwell: 
Como eu digo no meu livro: quando uma cultura insegura, maleável e relativista se encontra com outra que é ancorada, confiante e fortalecida por doutrinas compartilhadas, em geral é a primeira que se modifica para se adaptar à última.

Spiegel: Você acha que a cultura convencional europeia é fraca porque é secular?
Caldwell: 
O Islã é a segunda maior religião da Europa. Mas isso é verdade apenas se você pensar estatisticamente. Se você pensar culturalmente e espiritualmente, ela parece a primeira religião da Europa. Há muito mais artigos nas primeiras páginas dos jornais sobre o que o Islã diz sobre isso e sobre o que o Alcorão fala sobre aquilo do que existem artigos sobre a teologia cristã. Há inúmeros debates entre muçulmanos e não muçulmanos sobre o que o Alcorão diz sobre os assassinatos por honra e o lenço de cabeça. O que o cristianismo diz não importante tanto para ninguém.

Spiegel Online: Isso é um motivo para lastimar?
Caldwell: 
Não quero oferecer nenhum conselho para a Europa. Mas me espanta o fato de que muitos europeus veem as dificuldades de uma sociedade multicultural do ponto de vista de uma Europa esclarecida em oposição a um Islã bárbaro. É um erro olhar de cima para a religiosidade dos muçulmanos. Há uma riqueza na forma religiosa de olhar o mundo que falta aos europeus. Esta também é uma das razões que acho que a presença de tão poucos muçulmanos deixa muitos europeus tão nervosos.

Spiegel Online: Como você vê a situação na Alemanha?
Caldwell: 
A Alemanha é um caso muito especial sob vários aspectos. Provavelmente não há nenhum outro país na Europa onde a comunidade muçulmana seja tão forte e homogênea. Gosto muito da Alemanha turca e ela me lembra muito dos Estados Unidos chineses. Há pessoas muito bem sucedidas, mas há um nível de integração muito baixo.

Spiegel Online: Há intelectuais como Bassam Tibi e o controverso Tariq Ramadan que estão incentivando um Euro Islã e dizem que os muçulmanos não têm problemas em adotar os valores europeus.
Caldwell: 
O Islã definitivamente tomará um caminho europeu. Foi exatamente isso o que aconteceu com o Islã em todos os lugares a que chegou. E os muçulmanos com certeza podem ser bons europeus. Mas os europeus não muçulmanos também serão os juízes disso. O referendo suíço mostra que os muçulmanos chegaram a uma forma de serem europeus e acreditam que eles encontraram os europeus na metade do caminho. Mas isso não significa que os europeus não muçulmanos sentem o mesmo.

Spiegel Online: Você deixou uma grande questão sem resposta em seu livro: qual é a solução?
Caldwell: 
Eu não tenho uma resposta, e com frequência sou criticado por isso. Mas oferecer uma resposta não é o meu propósito. Só explicar o conflito já é um grande desafio, uma vez que ele sempre foi obstruído na Europa pelos tabus e ilusões.

Spiegel Online: Em que medida suas visões são moldadas pelo fato de você ser um norte-americano?
Caldwell: 
Como um estrangeiro, tenho a vantagem de ver paralelos entre os países europeus, bem como diferenças. Venho de um país que tem experiência com uma sociedade multiétnica, e a história dos Estados Unidos tem algumas lições para a Europa. Só porque a comunidade muçulmana europeia é pequena não significa que não tenha influência ou que possa ser ignorada ou que os problemas em torno dela sejam triviais e vão desaparecer. Os negros representam tradicionalmente cerca de apenas 10% da população dos EUA. Mas temos uma história horrível de conflito racial que abalou nosso país por séculos.

Spiegel Online: Os EUA são mais bem sucedidos no que diz respeito a interagir com imigrantes?
Caldwell: 
No momento, sim. Acho que a primeira razão é a crueldade da economia norte-americana. Ou você se torna parte dela ou volta para casa. Há mais estrangeiros trabalhando, e é no trabalho que acontece boa parte da integração. E como a maior parte dos imigrantes trabalha, você nunca ouve, como na Europa, que os imigrantes não querem trabalhar. Nenhum norte-americano sonharia em dizer isso.

Spiegel Online: Por que você acha que acontece isso?
Caldwell: 
Não há um Estado de bem-estar social na mesma escala que existe na Europa, e acho que os Estados de bem-estar social são ruins para a imigração em larga escala. Numa sociedade etnicamente diversa, as pessoas não têm tanta familiaridade umas com as outras, e não estão tão dispostas a pagar impostos por benefícios sociais. Dois terços dos imãs da França recebem benefícios. Não há nada de errado em ser um imã. Mas não acho que os franceses ficam muito felizes em pagar o que na prática é um subsídio estatal para a religião dessa forma.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Uma linda msg de Ano Novo

Uma linda mensagem de Ano Novo.
Presente da amiga Conceição do HARF.




O nível que uma sociedade rica pode chegar.

Amigos, a Venezuela é um país que precisa ser acompanhado de perto.
É nosso parceiro no Mercosul.
É um país em franco declínio de desenvolvimento econômico e social, apesar de estarem sentados em cima de um infinito manancial de petróleo que está sendo gerido de forma ineficiente.
O estado caótico no qual aquela sociedade está inserida merece nossa atenção...



Na Venezuela, nem mesmo a morte é garantia de paz


http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2010/01/02/ult574u9878.jhtm


Este link fala de um problema internacional que está prestes à acontecer que também merece nossa atenção.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u673363.shtml


Estarei, oportunamente, postando mais sobre este tema.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

1706 visitantes em 2009. Muito obrigado!!

Caros amigos, inicio o ano agradecendo a gentileza de vcs por me darem apoio para a divulgação de minhas idéias, visões da sociedade e repassando notícias que entendo serem importantes para todos nós.


Iniciei, de forma despretensiosa, em 06 de julho de 2009 este blog. Seria, para mim, um espaço onde poderia escrever sem me preocupar em mais nada além de escrever meus pensamentos e visões, conforme já disse.
A partir do momento que me sugeriram divulgar o interesse de vcs impulsionaram o despretensioso trabalho.


Encerrei o ano com 1706 visitas de acordo com a seguinte distribuição de acesssos  no mundo (ainda que em números assaz tímidos - que maravilha esta internet!!):



Visitors 1706

Brazil (BR)340
Portugal (PT)35
United States (US)20
Hungary (HU)1
United Kingdom (GB)1
Norway (NO)1
Switzerland (CH)1
Spain (ES)1
Guatemala (GT)1
Pakistan (PK)1
Peru (PE)1
Ecuador (EC) 1
Italy (IT)1


Este ano promete. Teremos campanhas em âmbito nacional, projetos de grande monta tendo sua conclusão e pontos de controle definidos e um bom número de eventos sociais dignos de observação e comentários.
Estarei aqui para ver, comentar e dividir.

Excelente década para todos.
Grato

Voltar a caber em jeans é melhor que sexo

Achei pertinente postar este tipo de msg para ajudar a entender o europeu dos novos tempos.
Para nós, administradores, este tipo de notícia "perdida" no meio de tantas tem muito valor estratégico em termos de marketing.



Para um terço de britânicas, voltar a caber em jeans é melhor que sexo

Uma pesquisa realizada na Grã-Bretanha mostra que 29,1% das mulheres do país acreditam que voltar a caber em uma calça jeans velha lhes daria mais prazer do que sexo.
Na sondagem online organizada por uma marca multinacional de cereais, as 2,2 mil entrevistadas eram convidadas a comparar a sensação de comprovar uma perda de peso com a calça velha e outras situações compensadoras da vida.
Getty
Mulheres usam calça como uma grande ferramenta de motivação para emagrecer
Outros 28,9% acharam que seria melhor do que ganhar uma promoção, enquanto apenas 11,1% disseram que seria melhor do que ser pedida em casamento.
A pesquisa mostrou ainda que 30% das mulheres fantasiam mais sobre emagrecer e voltar a caber em uma calça antiga do que sonham com galãs de Hollywood como Brad Pitt e George Clooney.
A maioria das entrevistadas revelou guardar no fundo do armário uma calça jeans velha com a qual sonham em voltar a vestir.
"As mulheres se ligam profundamente naquela peça que as deixam bonitas e confortáveis", afirmou uma porta-voz da marca de cereais.
"Elas usam essa calça como referência e como uma grande ferramenta de motivação para emagrecer, sem se importar com a idade do jeans."
http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/bbc/2010/01/01/para-um-terco-de-britanicas-voltar-a-caber-em-jeans-e-melhor-que-sexo.jhtm

Gentilezas diárias


Recebi do grande amigo Sérgio Gama e lhes repasso.


Gentilezas diárias
 A vida é repleta de pequenas gentilezas, tão sutis quanto marcantes no nosso cotidiano.
O jardim florido oferece um colorido para a paisagem, o sol empresta suas cores para o céu antes de se pôr, a borboleta ensina suavidade e leveza para quem acompanha seu voo.
A gentileza tem essa característica: sutil, mas marcante, silenciosa e ao mesmo tempo eloquente, discreta e contundente.
O portador da gentileza o faz pelo prazer de colorir a vida do próximo com suavidade, para perfumar o caminho alheio com brisa suave que refresca a alma.
A gentileza tem o poder de roubar sorrisos, quebrar cenhos carregados ou aliviar o peso de ombros cansados pelas fainas diárias.
E ela se faz silenciosa, algumas vezes tímida, inesperada na maioria das vezes, surpreendendo quem a recebe.
A gentileza não se pede, muito menos se exige... É presente de almas nobres, presenteando outras almas, pelo simples prazer de fazer o dia do outro um pouco mais leve.
Você já experimentou o prazer de ser gentil? Experimente oferecer o seu bom dia a quem encontrar no ponto de ônibus, no elevador ou no caixa do supermercado.
Mas não o faça com as palavras saindo da boca quase que por obrigação. Deseje de sua alma, com olhos iluminados e o sorriso de quem deseja realmente um dia bom, para quem compartilha alguns minutos de sua vida.
A gentileza é capaz de retribuir com nobreza quando alguém fura a fila no supermercado ou no banco, com a sabedoria de que alguns breves minutos não farão diferença na sua vida.
Esquecemos que alguns segundos no trânsito, oferecendo a passagem para outro carro, ou permitindo ao pedestre terminar de atravessar a rua não nos fará diferença, mas facilitará muito a vida do outro.
E algumas vezes, dentro do lar, a convivência nos faz esquecer que ser gentil tempera as relações e adoça o caminhar.
E nada disso somos obrigados a fazer, mas quando fazemos, toda a diferença se faz sentir...
A gentileza se faz presente quando conseguimos esquecer de nós mesmos por um instante para lembrar do próximo. Quando abrimos mão de nós em favor do outro, por um pequeno momento, a gentileza encontra oportunidade de agir.
Ninguém focado em si mesmo, mergulhado no seu egoísmo, encontra oportunidade de ser gentil. Porque, para ser gentil, é fundamental olhar para o próximo, se colocar no lugar do próximo, e se sensibilizar com a possibilidade de amenizar a vida do nosso próximo.
Se não é seu hábito, exercite a capacidade de olhar para o próximo com o olhar da gentileza. Ofereça à vida esses pequenos presentes, espalhando aqui e acolá a suavidade de ser gentil.
E quando você menos esperar, irá descobrir que semear flores ao caminhar, irá fazer você, mais cedo ou mais tarde, caminhar por estradas floridas e perfumadas pela gentileza que a própria vida irá lhe oferecer.

THIS YEAR I WILL...

A very simple and pleasant as well site
Have a try..

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