terça-feira, 3 de agosto de 2010

Os Ipês

Grato Marina Cassino de Almeida. Muito lindo o texto.
.
.

Os Ipês




Thoureau, que amava muito a natureza, escreveu que se um homem resolver viver nas matas para gozar o mistério da vida selvagem será considerado pessoa estranha ou talvez louca. Se, ao contrário, se puser a cortar as árvores para transformá-las em dinheiro (muito embora vá deixando a desolação por onde passe), será tido como homem trabalhador e responsável. Lembro-me disso todas as manhãs, pois na minha caminhada para o trabalho passo por um ipê rosa florido. A beleza é tão grande que fico ali parado, olhando sua copa contra o céu azul. E imagino que os outros, encerrados em suas pequenas bolhas metálicas rodantes, em busca de um destino, devem imaginar que não funciono bem.

Gosto dos ipês de forma especial. Questão de afinidade.
Alegram-se em fazer as coisas ao contrário. As outras árvores fazem o que é normal - abrem-se para o amor na primavera, quando o clima é ameno e o verão está prá chegar, com seu calor e chuvas. O ipê faz amor justo quando o inverno chega, e a sua copa florida é uma despudorada e triunfante exaltação do cio.

Conheci os ipês na minha infância, em minas, os pastos queimados pela geada, a poeira subindo das estradas secas e, no meio dos campos, os ipês solitários, colorindo o inverno de alegria. O tempo era diferente, moroso como as vacas que voltam em fim de tarde. As coisas andavam ao ritmo da própria vida, nos seus giros naturais. Mas agora, de repente, esta árvore de outros espaços irrompe no meio do asfalto, interrompe o tempo urbano de semáforos, buzinas e ultrapassagens, e eu tenho de parar ante esta aparição do outro mundo. Como aconteceu com moisés, que pastoreava os rebanhos do sogro, e viu um arbusto pegando fogo, sem se consumir. Ao se aproximar para ver melhor, ouviu uma voz que dizia: "tira as sandálias dos teus pés, pois a terra em que pisas é santa". Acho que não foi sarça ardente. Deve ter sido um ipê florido.

De fato, algo arde, sem queimar, não na árvore, mas na alma. E concluo que o escritor sagrado estava certo. Também eu acho sacrilégio chegar perto e pisar as milhares de flores caídas, tão lindas, agonizantes, tendo já cumprido sua vocação de amor.
Mas sei que o espaço urbano pensa diferente. O que é milagre para alguns é canseira para a vassoura de outros. Melhor o cimento limpo que a copa colorida. Lembro-me de um pé de ipê, indefeso, com sua casca cortada a toda volta. Meses depois, estava morto, seco. Mas não importa.

O ritual de amor no inverno espalhará sementes pela terra e a vida triunfará sobre a morte, o verde arrebentará o asfalto. A despeito de toda a nossa loucura, os ipês continuam fiéis à sua vocação de beleza, e nos esperarão tranqüilos. Ainda haverá de vir um tempo em que os homens e a natureza conviverão em harmonia.

Agora são os ipês rosa. Depois virão os amarelos. Por fim, os brancos.
Cada um dizendo uma coisa diferente. Três partes de uma brincadeira musical, que certamente teria sido composta por vivaldi ou mozart, se tivessem vivido aqui.

Primeiro movimento, "ipê rosa", andante tranqüilo, como o coral de bach que descreve as ovelhas pastando. Ouve-se o som rural do órgão.

Segundo movimento, "ipê amarelo", rondo vivace, em que os metais, cores parecidas com as do ipê, fazem soar a exuberância da vida.

Terceiro movimento, "ipê branco", moderato, em que os violoncelos falam de paz e esperança. Penso que os ipês são uma metáfora do que poderíamos ser. Seria bom se pudéssemos nos abrir para o amor no inverno...
Corra o risco de ser considerado louco: vá visitar os ipês.

E diga-lhes que eles tornam o seu mundo mais belo. Eles nem o ouvirão e não responderão. Estão muito ocupados com o tempo de amar, que é tão curto. Quem sabe acontecerá com você o que aconteceu com moisés, e sentirá que ali resplandece a glória divina...
.

Os dez mandamentos do eleitor consciente

Grato Ana Paula.


Os dez mandamentos do eleitor consciente





O Movimento Nacional Pela Valorização do Voto (MONAV) foi lançado em 1985, na capital paulista com o objetivo de mobilizar a sociedade na luta contra a fraude e a corrupção eleitoral. Os representantes do movimento avaliam que  a partir da conscientização do eleitor sobre a importância do voto, é possível contribuir para o desenvolvimento democrático.

 Abaixo você pode acompanhar as recomendações do Movimento que pontuou os dez mandamentos do eleitor consciente.

1º – Valorizar e dignificar o voto, utilizando-o para o engrandecimento do PAÍS, fortalecimento e grandeza da DEMOCRACIA e segurança da FAMÍLIA, para garantia do futuro de nossos filhos e netos.

2º – Não permitir que a corrupção, forjada e manipulada pelo Poder Econômico, faça de seu voto um instrumento ao alcance dos que só estão interessados em satisfazer suas ambições pessoais.

3º – Repudiar candidatos que, fantasiando-se de idealistas e humanitários, prometem mundos e fundos, além de dinheiro, emprego, alimento e remédio, com o intuito de explorar, em todos os sentidos, a boa-fé do eleitor.

4º – Condenar frontalmente os candidatos que, não respeitando a integridade do voto livre e consciente, exploram a miséria, com o objetivo de coagir eleitores a lhes dever favores e a votar por gratidão.

5º – Evitar votos brancos ou nulos  com a desculpa de que nenhum dos candidatos merece ser votado, pois isso representa um julgamento injusto que poderá beneficiar  os piores candidatos em prejuízo dos melhores.

6º – Advertir eleitores menos informados de que o voto secreto lhes garante a liberdade de consciência, que está acima de compromissos ocasionais e espúrios com candidatos corruptores. Votar em eleições livres é assumir compromisso com a própria consciência.

7º – Repelir a ação dos cabos eleitorais que, a troco de dinheiro e outras recompensas, agem como agentes comerciais intermediários, fazendo do voto alheio uma mercadoria lucrativa e relegando o eleitor ingênuo à condição de explorado.

8º  – Desprezar qualquer tipo de propaganda eleitoral que atente contra a lei e a propriedade pública e privada, pois candidato que não respeita a lei  não pode merecer  o respeito e muito menos a confiança de eleitor que pretende valorizar seu voto.

9º – Nunca esquecer que o voto consciente é que contribui para fortalecer o verdadeiro poder democrático, que é o Poder do Povo, representado no Governo e nos Legislativos pelos cidadãos que são eleitos  em eleições livres e soberanas.

10º  – Defender, seja onde for, a valorização do voto, mediante reconhecimento de que todos nós, que possuímos título de eleitor, somos responsáveis pelos atos daqueles que elegemos  e podemos ser responsabilizados pela democracia que temos.   

.

Em Sucupira, nem todos são Odorico

 Ferreirra Gullar

Folha de S Paulo Agosto 02, 2010

Ao contrário dos que fingem que trabalham, Bernardinho trabalha; o técnico é exemplo para nós 

NUM PAÍS onde impera a safadeza -onde se faz que faz, mas não faz, onde se faz comício para assinar contrato de obras que não serão feitas-, país que é, na verdade, a Sucupira de Odorico Paraguaçu, uma personalidade como Bernardinho, técnico da seleção brasileira de vôlei, tem que servir de exemplo.

Ao contrário dos que fingem que fazem, ele faz; ao contrário dos que fingem que trabalham, ele trabalha; ao contrário dos enganadores irresponsáveis, ele é responsável, competente, dedicado inteiramente ao compromisso que assumiu. Um exemplo para todos nós, cidadãos  de Sucupira!

Fora isso, ele é mesmo um exemplo de técnico, um exemplo não só de dedicação, mas também de competência. Seria um absurdo atribuir simplesmente à sorte a quantidade de vitórias que conquistou, culminando agora com o nono título de campeão da Liga Mundial de Vôlei. Até domingo passado, o Brasil empatava com a Itália, de oito a oito. Com a vitória sobre a Rússia, ultrapassou os italianos.

No futebol, acho um exagero quando se atribui tudo ao técnico, se o time ganha e, especialmente, quando perde: se perder várias vezes seguidas, dança. Acho injusto, porque o jogo se decide no campo, não basta o técnico ser bom. Mas, e no vôlei, o jogo não se decide na quadra? Por que então atribuir o êxito ao Bernardinho?

O argumento é procedente: no vôlei, como no futebol, se ganha é jogando bem e não é o técnico que joga por todos ali. Sim, mas há uma diferença, que tem a ver com o tamanho da quadra de vôlei, muito menor que o campo de futebol e onde há menos gente jogando. Daí a influência maior do técnico no resultado de uma partida de vôlei.

É uma teoria, claro. Penso o seguinte: no vôlei, como há menos jogadores num espaço menor, pode o técnico ter mais controle sobre as probabilidades das jogadas, como atuará o adversário, que possibilidades tem de neutralizá-lo etc.

Já no futebol, com tantos jogadores em campo, deslocando-se num espaço enorme e com muito maior liberdade, o grau de probabilidades é muito alto, e, por isso, foge à previsão do técnico. É claro que, tanto num caso como noutro, o talento dos jogadores é decisivo, uma vez que, com maus jogadores, nenhum técnico montará um time vencedor, tanto no futebol quanto no vôlei.

Mas é impossível ignorar que, numa disputa como esta da Liga Mundial de Vôlei, que o Brasil acaba de vencer, em que todos os times são excelentes e os jogadores, do mais alto nível, por que, então, o Brasil vence sempre? E mais: o time que venceu domingo passado era quase todo de novos jogadores. Se os jogadores mudaram e o time continuou vencendo, temos que reconhecer que o craque maior desse time é mesmo o Bernardinho.

E já que falei em Sucupira e em Odorico Paraguaçu, é quase inevitável perguntar: e se o Bernardinho se candidatasse a prefeito ou governador? Nem pensar!

A análise que fiz, comparando futebol e vôlei, vale muito mais para a política: aqui, não só o campo de atuação é muito maior, o número de "jogadores" também é maior. Neste jogo, ninguém obedece às regras: pelo contrário, está todo mundo a fim de burlá-las. Vence quem "dribla" mais...

E já que falei em Sucupira e Odorico Paraguaçu, falo agora de "Odorico, o Bem-Amado", peça de Dias Gomes, que, depois de enorme sucesso na televisão, chega agora ao cinema. Fui ver o filme dirigido pelo talentoso Guel Arraes e me diverti muito. O Zeca Diabo, de José Wilker, está genial.

E durante o tempo todo me lembrava de meu amigo e parceiro, um de nossos maiores dramaturgos que, morto, não tem recebido as homenagens que merece, embora os personagens que criou tenham se incorporado à nossa vida. Há, no Rio, cidade onde viveu quase toda a sua vida, algum teatro, alguma rua, algum beco, com seu nome?
Não, mas há uma estátua do grande Ibrahim Sued, na avenida Atlântica. E por que a TV Globo, quando se refere a suas novelas e minisséries, não lhe cita o nome? É que a TV Globo as escreveu, virou dramaturga?

Mistérios difíceis de decifrar. E agora o "Bem Amado" se torna filme, mas aparece como sendo "baseado na obra de Dias Gomes". Baseado?! A história é a mesma, os personagens os mesmos, as falas as mesmas, as piadas as mesmas, a trama a mesma, o desfecho o mesmo. Quem é então o autor?
.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Debates políticos: Perguntas estultas e respostas risíveis

Novamente, como dantes, as discussões e perguntas aos candidatos giram em torno de temas que não agregam nenhum valor ao eleitor.

Em um cenário onde temos mais de cinquenta por cento de eleitores na condição de analfabetos funcionais, conforme levantamento do TSE, discutir temas fora da perspectiva dessa considerável massa de eleitores é, sobretudo, um mascaramento quando não um golpe, ainda que inconsciente,. na democracia. Entendendo-se democracia como sendo uma perspectiva mais ampla além, aliás, muito mais além, do que o simples ato de depositar uma escolha nas urnas.

Não é pertinente, a título de exemplo, se perguntar aos candidatos sobre Cesare Battisti, um terrorista italiano que o atual governo concedeu status de refugiado. O presidente, ou a presidente, em uma democracia estável, não pode impor um parecer ao Supremo Tribunal Federal, órgão competente para tal matéria.

Tampouco, sob o mesmo regime, de nada adianta perguntar aos pleiteantes sobre união de pessoas de mesmo sexo,  pois também é uma matéria na qual o eleito não poderá resolver por intermédio de medidas provisórias.
Entendo, assim, que este também é um tipo de alienação da realidade promovido pelos órgãos de imprensa. Os temas fundamentais para o grande gerentão, o executivo das necessidades e vontades da sociedade, são de ordem de infra-estrutura, de segurança e de desenvolvimento que, por sua vez, só ocorre após as priemeiras estarem consolidadas no que se convenciona, nestes últimos tempos, de se chamar "sustentável".

Lamento pelo tempo de que está perdendo frente ás telas de televisão ou de emissoras de rádio. Dá uma impressão boa de que faz-se parte da partida ao ouvir perguntas tendenciosas que levam a respostas genéricas e evasivas. O que se tem a impressão é que os respeitáveis candidatos estão, de forma circunspecta e loquaz, falando para um círculo restrito e fechado e nos tratando como idiotas.

Não me sinto esclarecido, tampouco tendo noção do que o candidato pretende fazer para consolidar uma diretriz com que tipo de base aliada, uma vez que vivemos em democracia. A saída e desligar a televisão e voltar para meu livro.
.

Como ser gestor de sua própria carreira

.Como ser gestor de sua própria carreira

Em seis etapas, consultor lista alguns pontos fundamentais para gerenciar a própria carreira. Veja mais!





O mundo organizacional carece de talentos. Partindo dessa máxima, necessário se faz que o colaborador adote definitivamente o papel de gestor de sua carreira, assumindo a responsabilidade de conduzir de forma estruturada e consciente seu plano de carreira, etapa por etapa. Esta necessidade foi potencializada no Brasil a partir de 1990, ano que nos inserimos de forma mais efetiva no “mundo globalizado”.
As empresas tiveram que rever a gestão de pessoas, processos e clientes, em contrapartida, os indivíduos foram conduzidos – ou estimulados – a repensar a estratégia conducente para melhor gerir suas competências. Entretanto, ainda é possível identificar pessoas que resistem ou mesmo não se percebem como responsáveis por este processo, atribuindo à empresa ou aos gestores a responsabilidade por suas carreiras.

Charles Handy (2001) afirma que a verdadeira revolução social é a mudança de uma vida amplamente organizada para nós, para um mundo no qual somos todos forçados a estar no comando de nosso próprio destino. Na mesma direção, Dutra (2004) traz uma reflexão sobre a dificuldade que as pessoas têm em pensar na própria carreira e assumir a autogestão do desenvolvimento. Abaixo listo seis etapas que considero importantes no momento de organizar a carreira. Confira!


Etapa 1 - Autoanálise

É um mergulho em si mesmo. É o autoconhecimento proposto por Sócrates no “conhece a ti mesmo”. Os itens que podem nos guiar nesta autoanálise são: competências, valores, crenças, talentos, medos, âncoras de carreiras (Edgar Schein), perfil psicológico e sonhos. Neste percurso, uma dica que pode potencializar sua construção é focar nos pontos fortes e talentos, e minimizar ou neutralizar os pontos fracos. 
Alguns focam nos pontos fracos e estes raramente se transformam em pontos fortes (Buckingham & Clifton 2008). Esta etapa é importantíssima, pois pelo autoconhecimento é possível identificar carreiras e papéis que têm aderência maior com a forma de ser de cada um. Uma segunda dica é: se você está com dificuldade de caminhar e encontrar respostas, não se furte de procurar um conselheiro, coach, mentor, amigo, gestor etc.

Etapa 2 - Oportunidades e ameaças 
Que acontecimentos ou situações são oportunidades ou ameaças para a carreira escolhida? Um risco desta etapa é focar o olhar apenas para os acontecimentos mais próximos (cidade, empresa, departamento, área, “mesa de trabalho”, por exemplo). Uma dica é: amplie seu círculo de relacionamentos. Conversar somente com os colegas de trabalho que sentam “ao lado” pode empobrecer esta análise. Aproveite as competências – visão sistêmica e visão estratégica – nesta etapa.
Etapa 3 - Objetivos e metas 
Fazer escolhas, focar e “pagar o preço” são as regras básicas. É importante fugir das iscas: remuneração, status, pressão de amigos e familiares. É relevante considerar as etapas anteriores na definição desta. Pode parecer óbvio, entretanto é possível encontrar com frequência pessoas que odeiam o que fazem e subsistem nesta situação, e o pior é quando são promovidas neste local. É  elevado o grau de sucesso quando alguém tem paixão pelo que faz.
Etapa 4 - Formulação das estratégias 
Considerando a competitividade, uma dica é: seja criativo na construção de suas estratégias de carreira. Veja a realidade por outros olhos. É sempre bom lembrar que: “Estratégia sem ação é ser Sonhador. Ação sem estratégia é ser esforçado. Ação + estratégia é ser Realizador”. O comum é encontrar muita gente esforçada, que trabalha até domingo e obtém resultados pequenos ou frustrantes.
Etapa 5 - Implementação 
Em face dos desafios, contradições e exigências do mundo corporativo, as atitudes potencializam o sucesso que o indivíduo alcançará na carreira. Algumas das atitudes indispensáveis são: disciplina, persistência, resiliência, flexibilidade, entusiasmo, dinamismo, humildade, ética. Procurar culpados e parar ou “estacionar” na busca dos objetivos é o que mais facilmente se encontra no mundo corporativo. 
Etapa 6 - Controle
O controle é o velocímetro que sinaliza ou monitora o quanto se está próximo ou distante dos objetivos traçados para sua carreira, é também o elemento permissível para adaptações necessárias. 
Parafraseando Nelson Mandela, devemos ser “senhores do nosso destino e capitão de nossas almas”.  Somos responsáveis pela realização de nossos sonhos e felicidade.     

Cláudio Queiroz (Professor de pós e MBA da FAAP, FGV e FIA. Autor do livro: As Competências das Pessoas. Potencializando seus Talentos. Editora DVS, 3º edição.)
.

A farsa e a realidade

A atual mídia tem um tanto de culpa em manter o cidadão alienado frente aos debates atuais.
Um presidente deve se ocupara da gestão do país em consonância com as demais instituições. O presidente não manda, ele atende às perspectivas da sociedade que lhe são dirigidas por intermédio de bases eleitorais dos congressistas e demais políticos de cada país. Isto em uma democracia madura que sabe que seu papel vai muito além do simples ato de se votar.

Continuaremos a patinar na tentativa de deixarmos de ser os eternos "país em desenvolvimento com grande potencial para o futuro". Nossos principais índices tais como educação, saneamento, acesso à saúde pública de qualidade continuam pífios, apesar do atual presidente ter prometido expressivas mudanças nesse cenário oito anos atrás.


A apresentação dos dados atuais, maquiados com excelência pelos marqueteiros nada mais são do que análises acuradamente científicas do que o eleitorado brasileiro quer ver, ao invés de aceitar. Isso ressalta que ainda estamos longe do amadurecimento democrático. 


Uma análise lúcida e coerente. Ele era comunista declarado e foi um dos primeiros a apoiar o atual governo no primeiro mandato. Vejam o que ele desnuda em seu manifesto.


De toda sorte, o artigo está bem escrito.



A farsa e a realidade 

Roberto Freire

BRASIL ECONÔMICO

Em seu primeiro mandato, logo após ser eleito, o atual governo, carente de um efetivo projeto de mudanças e de reformas estruturantes, adotou o "Fome Zero" como saída pela tangente de nossas dificuldades históricas, ao mesmo tempo que encontrava nessa jogada pirotécnica uma forma de mobilização da sociedade, sem alterar em nada seus fundamentos.

Hoje ninguém fala mais de "Fome Zero", muito menos do "Projeto do Primeiro Emprego", que durante muito tempo foi apresentado como capaz de enfrentar o desemprego crônico da juventude, até se descobrir que o segredo para superarmos esse desafio estava relacionado a uma educação de qualidade, que não é possível se resolver no quadro de políticas de governo, e sim de Estado.

O atual governo sofisticou seu repertório de criar um país de faz de conta, no qual atuava em benefício dos pobres, combatia a especulação financeira e enfrentava os gargalos do que se convencionou "custo Brasil", até a farsa ser desmontada pelos números aferidos por órgãos internacionais sobre nossa real condição econômica e social.

Assim, ficamos sabendo que depois de quase oito anos de governo, e de uma massiva campanha para nos convencer que este governo é o dos pobres, os dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no que respeita o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aponta nosso país em nono lugar dos mais desiguais da América Latina!

Quando comparamos a desigualdade da renda entre o trabalho e o capital é que podemos perceber que quase nada mudou em nosso país.

Na contramão do que aponta o governo e seus "novos horizontes". Como revelado por agencias da ONU, os juros, aluguéis e lucros foram os itens da renda brasileira que mais cresceram desde a última década, superando o rendimento dos trabalhadores, cristalizando a política de manutenção do status quão, ou do conservadorismo funcional que este governo representa.

O governo propala que transfere renda para os pobres, via Bolsa Família, que atende pouco mais de 12 milhões de famílias, algo em torno de R$ 13,1 bilhões.

Mas o que o governo não alardeia é que transferiu para os mais ricos, rentistas e bancos, na forma de juros pelos títulos públicos, no ano passado, algo em torno de R$ 380 bilhões!

Se nos detivermos nas reais condições de vida da esmagadora maioria de nosso povo, seja por meio das moradias atendidas com o saneamento básico, ou na qualidade do ensino público oferecido pelo Estado, ou no atendimento da saúde pública, perceberemos que o real significado da grandiloquente propaganda governamental que afirma ser o "Brasil um país de todos", na verdade é mais de uns que de outros.

A verdade é que os números recentes de nossa economia e de nossa trágica condição social estão muito longe da farsa edulcorada pela propaganda que move este governo.

O crescente endividamento das famílias, nosso perigoso déficit em conta corrente, o intermitente custo-Brasil estrangulando nossa capacidade competitiva é o verdadeiro legado que nos deixará o atual governo.




Roberto Freire é presidente do PPS
.

domingo, 1 de agosto de 2010

O PROBLEMA DA AGONIA TEÓRICA



O texto do escritor baiano é simples contudo mostra algo normal, apesar e paradoxal em pleno século do domínio da informação. Um cidadão da zona sul carioca totalmente alienado da realidade a sua volta. 



Como sempre, Ubaldo é sempre bom de se ler.




JOÃO UBALDO RIBEIRO 





O Estado de S.Paulo - 25/07/10



Normalmente, a banca de Salvatore não está muito movimentada, na hora em que chego para pegar os jornais e, logo depois, o pão na padaria. São mais ou menos cinco e meia e o dia parece amanhecer de mau humor, um friozinho penetrante emperrando juntas e fazendo Salvatore imprecar em calabrês. Na calçada da padaria, um grupo de moças e rapazes, provavelmente saído de uma festa, toma o café da manhã em algazarra, sob os olhares invejosos dos coroas. Claro que também invejoso, percebo que um casal me acena

aceno de volta, sorrio para o grupo. Que beleza, só se tem 20 anos uma vez, penso, antecipando uma volta à casa imerso em filosofias de velho. Mas sacudo a cabeça para espantar bobagens e entro na banca, onde uma sacola já me espera, com os jornais de sempre.
- Frio, hein? ? digo eu, esfregando os braços.
Só então percebo um senhor à minha frente, me encarando com ar sério, embora afável.
- Está na época ? disse ele, antes de eu lhe dar o bom-dia que tencionara.
- Como?
- Eu disse "está na época". O senhor disse que está frio, eu estou dizendo que está na época, não podemos nos queixar. Quando é inverno, faz frio. Às vezes mais, às vezes menos, mas sempre faz.
Concordei com ele, eu falava só por falar. Mas ele não deu a conversa por encerrada. Ou muito se enganava ou eu era o escritor, não era, o que escreve em jornal? Muito prazer, muito prazer, mas não vá escrever nenhum artigo contra o inverno!
- É que os jornais reclamam de tudo e, na minha opinião, isso não é correto , acrescentou.  O senhor vê esse caso da Receita Federal? A imprensa toda está reclamando.
- Mas tem de reclamar mesmo, isso é uma coisa muito grave.
- Não sei qual é a gravidade, é perfeitamente normal. Se dá para saber se o indivíduo tem rabo preso na Receita, por que não saber? Se interessa, se pode ajudar a ganhar eleição? É para essas coisas que o sujeito luta para chegar ao governo. Ia estar no governo pra que, pra ficar na mesma situação que quem não está? Onde é que isso entra na cabeça de alguém?
- Mas aí há uma confusão, uma coisa é o Estado, outra coisa é o governo. O Estado é distinto dos homens que o conduzem, Estado é uma coisa, governo é outra. O Estado não é de quem ocupa o governo.
- Na teoria. Na prática, o senhor sabe que é. Fica aí essa teoria muito bonita e cheia de termos complicados, mas a nossa realidade não é essa. Na minha opinião, muitos dos problemas que vivem preocupando as pessoas não existem, é tudo criação dessas teorias que a imprensa e os intelectuais adotam.
- Mas que o Estado é diferente do governo não é uma teoria, está na Constituição.
- Então, Teoria. A Constituição também é muito teórica, é por isso que em grande parte não é respeitada.
- Eu não concordo, mas, em todo caso, a Constituição prevê que os ocupantes do poder sejam renovados.
- Isso é outra coisa, isso é da democracia, de que ninguém pode reclamar de sã consciência, porque todos acabam tendo sua oportunidade e quem não se faz na política democrática é porque não quer ou então é burro e não tem competência. A não ser casos extremos, como os comunistas, que só querem pra eles e mais pra ninguém.
- Eu não estou entendendo, o senhor acha que a pessoa deve entrar na política para roubar?
- Para roubar eu considero uma expressão muito forte. Não vou dizer roubar, mas se fazer. Se fazer é perfeitamente normal. Anormal seria o sujeito entrar para uma carreira sem querer se fazer, um cara desses ou é santo ou tem que ser internado. Quando o sujeito resolve entrar, ele sabe e todo mundo sabe que é pra se fazer. Tanto assim que todos se fazem. E todo mundo já sabe que é para isso, está todo mundo acostumado, não há nada de mal, qualquer um pode chegar lá. Não é somente se elegendo, não, é conseguindo uma boa colocação, aproveitando bem o voto, sabendo mexer os pauzinhos, tem pra todo mundo e quem se queixa é porque não soube pegar o seu.
- Eu não posso concordar com o senhor. Nem todo mundo que entra em política entra para se fazer.
- Me aponte um. O senhor é capaz até de citar uma porção, mas isso é o que eles têm no papel, não de verdade. Até mais gordos todos ficam, é natural.
- Eu acho que essa visão que o senhor tem é muito negativa, não se pode pensar desse jeito.
-Claro que se pode, é só deixar dessa agonia teórica. Tudo bem que exista a teoria, eu compreendo, faz parte, o intelectual e o jornalista têm que procurar em que se ocupar. Eu só não compreendo é essa agonia teórica interferindo na normalidade das coisas. Agora mesmo eu li aí um crítico dizendo que nós não faturamos a Copa de 2010, mas vamos superfaturar a de 2014. Pra mim, isso não é razão de crítica é a realidade da oportunidade de quem se preparou para prosperar. Está certíssimo, só está errado na teoria. Eu acho que vocês da imprensa deviam se mirar no presidente, que não tem nenhuma dessas agonias teóricas. E quem é que está por cima da carne-seca, ele ou vocês? 
.

De tudo ficaram três coisas

Fernando Sabino
De tudo ficaram três coisas:
  
  a certeza de que estamos sempre começando,
  A certeza de que é preciso continuar,
  A certeza  de que seremos interrompidos antes de terminar.
  
  Portanto devemos:
  
  fazer da interrupção um caminho novo,
  da queda um passo novo de dança,
  do medo, uma escada,
  do sonho, uma ponte e
  da procura, um encontro.
.

SOMOS TODOS SIMPLESMENTE BRASILEIROS

Um tema necessário visto com maturidade e sabedoria...o que vem faltando em nossos governantes e políticos.


O país vem gerando oportunidades de inclusão ao mesmo tempo que, ao custo de impostos pagos e demais riquezas geradoras de dinheiro imediato, vem beneficiando minorias que, no fundo, querem apenas ganhar dinheiro do governo sem que para isto, tenham se preparado para alcançar o novo patamar no qual se encontram.

Nosso país, bem como todos os demais da América Latina, é complexo e de difícil integração física entre seus viventes, onde os Andes, Pantanal e Amazônia formam barreiras naturais para integração. O que é necessário a ser feito, ou seja, a penetração do Estado como novos bandeirantes, não consegue pois ambientalistas e ONG estrangeiras conseguem cooptar simpatizantes de exclusões sociais fomentadas, como esta agora comentada, aliciam brasileiros e aproveitadores estrangeiros que querem "preservar" a amazônia dos brasileiros, ou seja, pertencem ao brasileiros mas estes não podem dela usufruir para seu desenvolvimento.

Bem, são as doutrinas do anarquista Gramci acontecendo em nosso arcabouço jurídico de maneira sutil. Estes meus amigos, são "os novos invasores", estes tentam nos colocar contra EUA e outros países mais desenvolvidos, dizendo que eles é que são a verdadeira ameaça a paz e integridade de nossos povos.

Analisando o que vemos abaixo e o que vem ocorrendo em nosso país, você concordaria com o que eles dizem?


SOMOS TODOS SIMPLESMENTE BRASILEIROS


MARIO CESAR FLORES 

O Estado de S.Paulo - 31/07/10

É justo proteger comunidades indígenas primitivas e isoladas, assegurando-lhes condições de vida pautadas por suas culturas ancestrais - comunidades que, sem atropelo, serão gradual e naturalmente assimiladas, como sempre aconteceu quando culturas de níveis distintos se põem em contato. Entretanto, em se tratando de índios aculturados - cocar e pintura para a TV... -, que se valem do apoio social público, embora mal atendidos, como grande parte do povo brasileiro, inseridos na moldura da civilização, usufruindo suas vantagens, sofrendo suas atribulações e até cometendo seus delitos (a exemplo da venda clandestina de madeira), é, no mínimo, discutível a prática de nossa penitência pela História, cuja lógica, se estendida ao mundo, subverteria radicalmente a ordem global construída ao longo de séculos.


A solução para esses índios não é a demarcação de áreas imensas, de que já não precisam. É a correta integração cidadã do índio ser humano brasileiro, em áreas adequadas à socioeconomia de cada comunidade, asseguradas as condições (inclusive espaço, se for o caso) para a prática da cultura ancestral espontaneamente mantida - portanto, não orquestrada para a TV. Os critérios demarcatórios hoje usados fariam sentido se o número de índios, o nomadismo e a vida de radical dependência da natureza ainda fossem os anteriores à inserção na civilização. Nas circunstâncias atuais eles precisam mais de políticas social e econômica eficazes e menos de política fundiária antropoideológica. Os índios beneficiários da polêmica demarcação Raposa-Serra do Sol (Roraima) usam seu imenso território ao estilo primitivo de seus ancestrais? Ou vivem atrelados à socioeconomia regional, ao apoio social e até ao financiamento público? Nesta última hipótese, há sentido na extensão definida por parâmetros não mais existentes?


As reivindicações desproporcionais às necessidades não exigidas pela vida selvagem e nômade, de populações indígenas maiores do que as atuais, são autenticamente indígenas? Os defensores das reservas-vastidões arriscariam perguntar a preferência dos índios, entre a vida do passado, dispersos e isolados em grandes extensões, e a integração na civilização, é claro que econômica e socialmente apoiada? Sobre essa dicotomia, uma observação animadora: os soldados do Exército na Amazônia são em grande número de etnias indígenas, familiarizados com as peculiaridades da região, dedicados e eficientes. Resposta de comandante de batalhão do interior da Amazônia, perguntado sobre os problemas indígenas locais: "Isso é coisa de São Paulo e Brasília, aqui índio quer é ver TV no quartel e ser cuidado pelo meu serviço médico..."


A natureza básica dessas observações se aplica, em menor dimensão, à questão quilombola, também ela com sabor de penitência (pela escravidão), que reemerge no século 21 o conceito de raça, enaltecido para justificar o colonialismo europeu na África. Com os índios e quilombolas - e paralelamente, sem conotação territorial, com o sistema de cotas nas universidades, recurso do Estado que abdicou do ensino fundamental e médio de qualidade - estamos criando distinções incoerentes com a miscigenação brasileira. Estamos inserindo um complicador na unidade nacional, já atribulada pela diversidade regional: a admissão de duas cidadanias, a cidadania brasileira e a cidadania-raça, negra ou índia, aplicada a índios e negros nascidos no Brasil, que deixam de ser simplesmente cidadãos brasileiros negros ou de etnias indígenas. A precedência entre a cidadania brasileira e a cidadania-raça, dependente do interesse conjuntural: ser índio ou o vago afrodescendente quando conveniente, ou ser brasileiro negro ou índio quando interessam os direitos da cidadania brasileira. É razoável a demarcação para índios vistos sob a perspectiva da cidadania-raça e, simultaneamente, Bolsa-Família e Pronaf para as mesmas pessoas, agora brasileiros índios?

À semelhança dos impérios do passado, não convém a um país grande e complexo a existência de critérios geradores de sentimentos raciais (ou religiosos...) indutores do solapamento da identidade nacional. Estamos "racializando" o País, criando condições potencialmente estimuladoras desse solapamento, gerando uma divisão em que, dependendo da conveniência, poderá prevalecer a pátria Brasil ou o indigenismo e a negritude. O Estado brasileiro vai acabar tendo de conciliar um "império republicano" de três cidadanias: a eurodescendente, a afrodescendente e a indígena. Em contenciosos que ponham em confronto a ideia nacional e a subnacional, qual prevalecerá? É um paradoxo procurar a união supranacional de base política e econômica (Mercosul, Unasul...) e simultaneamente facilitar a cisão subnacional de base racial!

Tolerâncias dessa natureza têm (no mundo e em todos os tempos) estimulado tensões e até secessões ou, ao menos, pretensões à autonomia singular. A adesão sem ressalvas à Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas (ONU) implicará risco de ser a unidade nacional tumultuada pela concepção desagregadora do nacionalismo étnico - que tumultuou a Europa na primeira metade do século 20 e ainda a perturba, talvez com o apoio da ONU e/ou de alguma versão século 21 da concepção do presidente Wilson de um século atrás, favorável à autodeterminação fundamentada no conceito da "nação" étnica e cultural.

Não será surpreendente se, algum dia, uma ONG vier a sugerir plebiscito sobre o status político-administrativo desejado por comunidade indígena travestida de "nação indígena" - já aventada, ainda que até agora sem repercussão significativa, na área Raposa-Serra do Sol -, obviamente restrito à comunidade: o "resto" do Brasil não opinaria. Plebiscito que, se pretendido para o País Basco, Tibete, Xinjiang e Curdistão, seria repelido decisivamente por Espanha, China, Turquia, Irã e Iraque.


ALMIRANTE DE ESQUADRA (REFORMADO)
.

sábado, 31 de julho de 2010

Mandamentos Para Uma Vida Feliz

Coma somente se tiver fome...
Durma somente se tiver sono...
Abrace muito...
Beije mais ainda e ria, já que a vida é de graça...
Peça!
Sempre haverá alguém que lhe dará o que você está precisando...
Despeça-se do que já passou. Quem vive de passado é museu...
Pare de se preocupar...
Perdoe-se por suas burrices e fracassos...
Lembre-se de orar para agradecer. Você já recebeu mais do que suficiente para crescer e ser feliz...
Não perca tempo em discussões inúteis.
Ao invés de brigar cante uma canção...
Cuide de si mesmo como se estivesse cuidando do seu melhor amigo...
Expresse a sua individualidade...
Faça alguma coisa que sempre desejou fazer, mas que tinha vergonha...
Cometa novos erros...
Simplifique sua vida...
Deixe bagunçado...
Acredite no amor...
Grandes amizades não se perdem em pequenas disputas.Se se perderem, é porque não eram nem amizades,muito menos grande...
Saiba que muitas vezes a felicidade de quem está do seu lado depende da sua felicidade...
Siga os mandamentos e...
SEJA SEMPRE MUITO FELIZ!!!
Colaboração de Mª Suzana M. C. Almeida
.

GEOMAPS


celulares

ClustMaps