quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um documentarista se dirige a cientistas - João Moreira Salles


Amigos, preocupo-me em selecionar artigos que agreguem valor não só a carreira das senhoras e dos senhores, como também lhes proporcionar uma perspectiva diferente de nosso desenvolvimento social e econômico.


O artigo abaixo é um presente, um primor para nossa reflexão, principalmente se nos relembrarmos dos  problemas recentes de educação e preparação para o mercado de trabalho que acomete toda a sociedade por igual no território.


O que o artista aponta eu atribuo a reflexos de nossa adesão à revolução cultural de Paris, em 1968 que, principalmente na América Latina, ainda detém muitos adeptos. Neste particular, reenvio um link do jornalista Andrés Oppenheimer que trata do mesmo assunto em âmbito continental: 
O discurso abaixo merece reflexão.

Agredeço este presente à minha amiga Rose, colega de turma de ADM no CEUB BSB.


ENSAIO

Um documentarista se dirige a cientistas


RESUMO Neste ensaio, derivado de uma participação do documentarista João Moreira Salles em simpósio da Academia Brasileira de Ciências, discute-se a hipervalorização das artes e humanidades em detrimento das ciências "duras" e da engenharia, e as consequências do processo para o desenvolvimento tecnológico, científico e cultural do país.

JOÃO MOREIRA SALLES

Agradeço ao professor Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências, o convite que me fez para falar a uma platéia de colegas seus, na crença de que eu pudesse servir de porta-voz das humanidades num encontro de cientistas. Peço desculpas por desapontá-lo.

Sou ligado ao cinema documental e, mais recentemente, ao jornalismo, atividades que, se não são propriamente artísticas, decerto existem na fronteira da criação. Jornalismo não é literatura nem documentário é cinema de ficção. Nosso capital simbólico é muito menor e nosso horizonte de possibilidades é limitado pelos constrangimentos do mundo concreto.

Não podemos voar tanto, e essa é a primeira razão pela qual, com notáveis exceções, o que produzimos é efêmero, sem grande chance de permanência. Não obstante, é fato que minhas afinidades pessoais e profissionais estão muito mais próximas de um livro ou de um filme do que de uma equação diferencial -o que não me impede de achar que há um limite para a quantidade de escritores, cineastas e bacharéis em letras que um país é capaz de sustentar.

Isso deve valer também para sociólogos, cientistas políticos e economistas, mas deixo a suspeita por conta deles. Na minha área, creio que já ultrapassamos o teto há muito tempo, e me pergunto de quem é a responsabilidade. Em 1959, o físico e escritor inglês C.P. Snow deu uma famosa palestra na Universidade de Cambridge sobre a relação entre as ciências e as humanidades. Snow observou que a vida intelectual do Ocidente havia se partido ao meio.

De um lado, o mundo dos cientistas; do outro, a comunidade dos homens de letras, representada por indivíduos comumente chamados de intelectuais, termo que, segundo Snow, fora seqüestrado pelas humanidades e pelas ciências sociais. As características de cada grupo seriam bem peculiares. Enquanto artistas tenderiam ao pessimismo, cientistas seriam otimistas.

Aos artistas, interessaria refletir sobre a precariedade da condição humana e sobre o drama do indivíduo no mundo. O interesse dos cientistas, por sua vez, seria decifrar os segredos do mundo natural e, se possível, fazer as coisas funcionarem. Como frequentemente obtinham sucesso, não viam nenhum despropósito na noção de progresso.

Estava estabelecida a ruptura: de um lado, o desconforto existencial, agravado pela perspectiva da aniquilação nuclear; do outro, a penicilina, o motor a combustão e o raio-X. Na qualidade de cientista e homem de letras, Snow se movia pelos dois mundos, cumprindo um trajeto que se tornava cada vez mais penoso e solitário.

"Eu sentia que transitava entre dois grupos que já não se comunicavam", escreveu. Certa vez, um amigo seu, cidadão emérito das humanidades, foi convidado para um daqueles jantares solenes que as universidades inglesas cultivam com tanto gosto. Sentando-se a uma mesa no Trinity College -onde Newton viveu e onde descobriu as leis da mecânica clássica- e feitas as apresentações formais, o amigo se virou para a direita e tentou entabular conversa com o senhor ao lado.
Recebeu um grunhido como resposta. Sem deixar a peteca cair, virou-se para o lado oposto e repetiu a tentativa com o professor à sua esquerda. Foi acolhido com novos e eloquentes grunhidos.

Acostumado ao breviário mínimo da cortesia -segundo o qual não se ignora solenemente um vizinho de mesa-, o amigo de Snow se desconcertou, sendo então socorrido pelo decano da faculdade, que esclareceu: "Ah, aqueles são os matemáticos.
Nós nunca conversamos com eles". Snow concluiu que a falta de diálogo fazia mais do que partir o mundo em dois. A especialização criava novos subgrupos, gerando células cada vez menores que preferiam conversar apenas entre si.

SÍNTESE E ORDEM Não sei se alguém já voltou a conversar com os matemáticos. Torço para que sim, apesar das evidências em contrário. Seria um desperdício, pois a matemática, para além dos seus usos, é guiada por um componente estético, por um conceito de beleza e de elegância que a maioria das pessoas desconhece.

O que move os grandes matemáticos e os grandes artistas, desconfio, é um sentimento muito semelhante de síntese e ordem. Os dois grupos teriam muito a dizer um ao outro, mas, até onde sei, quase não se falam. (No passado, o poeta Paul Valéry deu conferências para matemáticos e o matemático Henri Poincaré falou para poetas.)

Segundo Snow, com a notável exceção da música, não há muito espaço para as artes na cultura científica: "Discos. Algumas fotografias coloridas. O ouvido, às vezes o olho. Poucos livros, quase nenhuma poesia." Talvez seja exagero, não saberia dizer. Posso falar com mais propriedade sobre a outra parcela do mundo, e concordo quando ele diz que, de maneira geral, as humanidades se atêm a um conceito estreito de cultura, que não inclui a ciência.

Os artistas e boa parte dos cientistas sociais são quase sempre cegos a uma extensa gama do conhecimento. Numa passagem famosa de sua palestra, Snow conta o seguinte: "Já me aconteceu muitas vezes de estar com pessoas que, pelos padrões da cultura tradicional, são consideradas altamente instruídas. Essas pessoas muitas vezes têm prazer em expressar seu espanto diante da ignorância dos cientistas. De vez em quando, resolvo provocar e pergunto se alguma delas saberia dizer qual é a segunda lei da termodinâmica. A resposta é sempre fria -e sempre negativa. No entanto, essa pergunta é basicamente o equivalente científico de 'Você já leu Shakespeare?'.

Hoje, acho que se eu propusesse uma questão ainda mais simples -por exemplo: 'Defina o que você quer dizer quando fala em 'massa' ou 'aceleração'', o equivalente científico de 'Você é alfabetizado?'-, talvez apenas uma em cada dez pessoas altamente instruídas acharia que estávamos falando a mesma língua".

RESPONSABILIDADE Vivendo quase exclusivamente no hemisfério das humanidades, recebo poucas notícias do lado de lá. O que eu teria a dizer sobre ciência fica perto do zero. Por outro lado, como especialista na minha própria ignorância, posso discorrer sobre ela sem embaraços. Com as devidas ressalvas às exceções que devem existir por aí, estendo minha ignorância a todo um grupo de pessoas e me pergunto de quem seria a responsabilidade por sabermos tão pouco sobre as leis que regem o que nos cerca. As respostas são previsíveis. Em parte, a responsabilidade é dos próprios cientistas, que não fazem questão de se comunicar com a comunidade não-científica; em parte é dos governos, que raramente têm uma política eficaz de promoção da ciência nas escolas; e em parte -e essa é a parte que mais me interessa- é nossa, das humanidades, que tomamos as ciências como um objeto estranho, alheio a tudo o que nos diz respeito. A quase totalidade dos personagens de classe média da literatura e do cinema brasileiro contemporâneos pertence ao mundo dos artistas e intelectuais. São jornalistas, escritores (geralmente em crise e com bloqueio), professores (quase sempre de história, filosofia ou letras), antropólogos, viajantes (à deriva), cineastas, atores, gente de TV ou filósofos de botequim. Quando muito, um empresário aqui, um advogado acolá. Para encontrar um engenheiro ou médico, é preciso voltar quase a Machado de Assis. Cientistas são pouquíssimos, se bem que no momento não me lembro de nenhum. (Os filmes de Jorge Duran são uma exceção, mas ele nasceu no Chile.)

É como se, do lado de fora das disciplinas criativas, não houvesse redenção. Em "Cidade de Deus", o menino escapa do ciclo de violência quando recebe uma máquina fotográfica e vira fotógrafo. Não parece ocorrer a ninguém -nem aos personagens, nem ao público- a possibilidade de ele virar biólogo, meteorologista ou mesmo técnico em ciência.
"Cidade de Deus" é uma narrativa realista, e portanto tende a preferir o provável ao possível. Mas não é só isso. Nenhuma daquelas profissões soaria suficientemente cool ao público -seria um anticlímax. Em nome da eficácia narrativa, bem melhor ele virar artista. Eleição para a Academia Brasileira de Letras dá página de jornal.

Já no caso da Academia Brasileira de Ciências, saindo da comunidade científica, é improvável achar alguém que tenha pelo menos noção de onde ela fica, que dirá saber o nome de algum acadêmico.

Há pouco tempo, escrevi o perfil de um jovem matemático carioca, Artur Avila. Boa parte dos meus amigos -alguns deles muito bem informados- não sabia da existência do Impa [Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada], sob vários aspectos a melhor instituição de ensino superior do país (o número de artigos publicados em revistas de circulação internacional de alto padrão científico, por exemplo, põe o Impa de par em par com alguns dos grandes centros americanos de matemática, como Chicago e Princeton).

DESCOLADOS Uma das minhas obsessões é folhear a revista dominical do jornal "O Globo" . Existe ali uma seção na qual eles abordam jovens descolados na saída da praia, de cinemas, lojas e livrarias, para conferir o que andam vestindo. No pé da imagem, informa-se o nome e a profissão da pessoa. Um número recente trazia um designer, uma produtora de moda, um estudante, uma dona de restaurante, um assistente de estilo, outra designer, uma jornalista, uma publicitária, um "dramaturg" (estava assim mesmo), uma estilista, outra estilista e alguém que exercia a misteriosa profissão de "coordenadora de estilo".

Acompanho essas páginas há um bom tempo, e estatisticamente o resultado é assombroso. Conto nos dedos o número de engenheiros, médicos ou biólogos que vi passar por ali. Eles não podem ser tão malvestidos assim. De duas, uma: ou são relativamente poucos, ou a revista prefere destacar as profissões que considera mais charmosas.  As duas alternativas são muito ruins, mas a segunda me incomoda particularmente, pois sei por experiência como é poderosa a atração exercida por algumas profissões com alto cachê simbólico.

Dou aula na PUC-Rio, no departamento de comunicação, que num passado recente oferecia apenas cursos de jornalismo e publicidade. Durante alguns anos, lecionei história do documentário para turmas de futuros jornalistas. Em 2005 foi criada a especialização em cinema -e, hoje, quase todos os meus trinta e poucos alunos são estudam cinema.

PESADELO Existem no Rio quatro universidades que oferecem cursos de cinema; no Brasil, são ao todo 28, segundo o Cadastro da Educação Superior do MEC. No ano passado, a PUC-Rio formou três físicos, dois matemáticos e 27 bacharéis em cinema. 

Existem 128 cursos superiores de moda no Brasil. Em 2008, segundo o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira], o país formou 1.114 físicos, 1.972 matemáticos e 2.066 modistas. Alimento o pesadelo de que, em alguns anos, os aviões não decolarão, mas todos nós seremos muito elegantes.

É evidente que um país pode ter documentaristas demais e físicos de menos. O Brasil já sofre uma carência de engenheiros. Segundo dados de um relatório do Iedi [Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial] entregue ao ministro da Educação, Fernando Haddad, a taxa de formação de engenheiros no Brasil é inferior à da China, da Índia e da Rússia, países emergentes com os quais competimos.  A Rússia forma 190 mil engenheiros por ano, a Índia, 220 mil e a China, 650 mil, diz o relatório. Nós formamos 47 mil. Os números da China são pouco confiáveis, mas outras comparações eliminam possíveis dúvidas. A Coreia do Sul, por exemplo, com 50 milhões de habitantes, forma 80 mil engenheiros por ano, 26% de todos os formandos. Na China, a crer nas métricas, essa proporção chega a 40%. Em 2006, a taxa por aqui era de apenas 8%. Até o México, país com indicadores sociais semelhantes aos nossos, hoje possui 14% de seus formandos nessa área.

ESTAGNAÇÃO Companhias que integram a "Fortune 500", lista das maiores empresas do mundo, mantêm 98 centros de pesquisa e desenvolvimento na China e outros 63 na Índia. No Brasil aparentemente não é feita esta contagem; se o número existe, consegui-lo é uma proeza, o que só confirma a pouca importância atribuída ao assunto. O relatório do Iedi mostrou que os gastos totais em pesquisa e desenvolvimento como proporção do PIB estão estagnados no país. Há cinco anos não cresce o número de empresas que investem em desenvolvimento.

Em 2009, apesar da crise, a Toyota sozinha registrou mais de mil patentes. A soma de todas as patentes requeridas pelas empresas brasileiras não chegou à metade disso, segundo a Anpei [Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras]. Somos detentores de 0,3% das patentes do planeta. Em termos de inovação, ocupamos o 24º lugar entre as nações. O país prospera à força de consumo, não de investimento ou invenção.
Compramos coisas que foram pensadas lá longe, as quais serão brevemente superadas por outras coisas que também não terão sido pensadas aqui. É um processo estéril. Escritores, cineastas e editores de suplementos dominicais se espantariam em saber que, na China, a proficiência em matemática desfruta de uma forte valorização simbólica.
Na Índia, um jovem programador de software se sente no topo do mundo. Há pouco tempo, o jornalista Thomas Friedman, do "New York Times", publicou uma coluna sobre os 40 finalistas de um concurso promovido pela empresa de processadores Intel, que premia os melhores alunos de matemática e ciências do ensino médio americano.
Cada um deles solucionou um problema científico. Eis o nome dos jovens americanos premiados: Linda Zhou, Alice Wei Zhao, Lori Ying, Angela Yu-Yun Yeung, Kevin Young Xu, Sunanda Sharma, Sarine Gayaneh Shahmirian, Arjun Ranganath Puranik, Raman Venkat Nelakant -assim prossegue a lista, até terminar com Yale Wang Fan, Yuval Yaacov Calev, Levent Alpoge, John Vincenzo Capodilupo e Namrata Anand.

VALORIZAÇÃO PÍFIA Enquanto isso, como lembra o matemático César Camacho, diretor do Impa, várias universidades brasileiras têm vagas abertas para professores de matemática, não preenchidas por falta de candidatos. A valorização das ciências entre nós é pífia. Sempre me espanto com a presença cada vez maior de projetos sociais que levam dança, música, teatro e cinema a lugares onde falta quase tudo.

Nenhuma objeção, mas é o caso de perguntar por que somente a arte teria poderes civilizatórios. Ninguém pensa em levar a esses jovens um telescópio ou um laboratório de química ou biologia? Centenas de estudantes universitários gostariam de participar de iniciativas assim. Com entusiasmo -e um pró-labore-, mostrariam que a ciência também é legal e despertariam talentos. Seria bom também se o nosso sistema educacional fosse mais flexível, com cadeiras de humanidades e iniciação científica no ciclo básico de todos os cursos universitários.

É imprudente tomar uma decisão definitiva aos 18 anos de idade, mas é exatamente o que têm de fazer os alunos ao entrar na universidade -embora, como norma, eles não saibam para o que têm vocação. Uma vez escolhido o escaninho, somem as oportunidades de conhecer outras áreas e eventualmente migrar. Se em algum momento a vocação se manifesta, em geral o aluno e sua família consideram que é tarde. Circunstâncias econômicas ou psicológicas -começar de novo exige determinação férrea- dificultam muito um ajuste de rota. (Sei bem como é, porque foi o meu caso.) É absolutamente certo que, neste momento, alguns milhares de jovens estão prestes a cometer o mesmo equívoco. Muitos se revelarão apenas medianos ou preguiçosos, e é provável que a ciência não tenha como alcançá-los. Sem desmerecer os excelentes alunos de cinema, letras ou sociologia, é impossível negar que, para alguém sem grande talento ou dedicação, será sempre mais fácil ser medíocre num curso de humanas do que num de exatas. Alguns desses jovens sem orientação provavelmente terão inclinação para as ciências e ainda não descobriram. É preciso criar mecanismos que os ajudem a escolher o caminho certo. Infelizmente, as artes e as humanidades, pelo menos por enquanto, não colaboram muito. Ao contrário. Nós disputamos esses jovens e, infelizmente, até aqui estamos ganhando a guerra.
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A nova face do Brasil

Amigos, muito de minhas análises neste espaço tem como base informações do Censo de 2006 e anuários atualizados do IBGE.


Como pesquisador social esta é uma ferramenta fundamental para meu trabalho.  Sugiro, com veemência, que todos os cidadãos consultem o resultado do Censo 2010 no fim do ano, muitas informações servem de bons subsídios para tomadas de decisão.

A nova face do Brasil




Num país onde a mudança tem sido uma constante há pelo menos 7 décadas, é apenas normal que os resultados de cada recenseamento sejam aguardados com mais interesse que os anteriores, de 10 anos atrás. Ainda assim, a expectativa em torno do que revelará o 12.º Censo Demográfico da história nacional, iniciado domingo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parece mais justificada desta vez.

A explicação está na aceleração e amplitude das transformações vividas pela população neste primeiro decênio do século 21. Uma combinação excepcional de estabilidade macroeconômica com aquecimento da demanda global e a implantação de ambiciosas políticas sociais permitiram a dezenas de milhões de brasileiros migrar de classe de renda, o que se refletiu no seu padrão de gastos, hábitos de consumo, atitudes e condições de vida em geral. Para não retroceder ainda além no tempo, o Brasil mudou mais e para melhor entre 2000 e 2010 do que entre 1991 e 2000. 


Para captar essa metamorfose e os seus efeitos para a fisionomia do País, também o IBGE está mais apetrechado do que antes. Ampliou-se de tal modo o escopo dos questionários do Censo - com um mínimo de 37 itens a serem cobertos e um máximo de 108, quando for o caso -, que o chamado retrato do Brasil promete ser uma mina de informações. Sempre algo fica de fora, ou porque o custo adicional não compensaria a inclusão (o Censo custará cerca de R$ 1,7 bilhão) ou porque oneraria além do razoável a paciência do entrevistado. Talvez até se possa dizer que o que o IBGE deixará de perguntar não vale a pena saber.


Este ano, nos 58 milhões de domicílios que os 192 mil recenseadores pretendem visitar em 5.565 municípios - além dos emigrantes a serem contados no exterior - os respondentes dirão, pela primeira vez, se têm renda derivada de programas sociais, se entre os moradores há cônjuges do mesmo sexo, se falam línguas indígenas, se têm motocicletas, quanto tempo gastam para ir até o lugar de trabalho ou de estudo, se têm  certidão de nascimento, se vivem em habitações coletivas, como penitenciárias, entre outras coisas. O levantamento incluirá ainda dados sobre o entorno das moradias (calçamento, iluminação pública, esgoto a céu aberto e depósitos de lixo).
O Censo, como se sabe, é a principal fonte de informações dos governos para a definição de políticas públicas, além de balizar a distribuição do Fundo de Participação dos Municípios e orientar a representação parlamentar dos Estados e municípios. As forças sociais sabem que a sua capacidade de influir nas leis e programas de seu interesse depende da sua expressão demográfica e condições correlatas captadas pelo recenseamento. Uma de suas funções, lembra o ex-presidente do IBGE Simon Schwartzman, é "classificar pessoas de diferentes maneiras, gerando expectativas de direitos".

Exatamente por isso, pelo menos desde o Censo passado grupos étnicos lançam campanhas para que os entrevistados "assumam" o que seria a sua presumível identidade. Os movimentos racialistas incentivam as pessoas a se declararem negras (em vez de pardas, por exemplo). Em 2000, negros e pardos somavam 47% da população. O IBGE oferece 3 outras opções de "cor ou raça": branca, amarela e indígena. O formato do Censo, por sinal, resulta de uma negociação aberta, com a conciliação de demandas diversas a se somarem aos itens clássicos - idade, sexo, estado civil, religião, níveis de educação e saúde, emprego e condições do domicílio.






Alguns resultados não surpreenderão. É o caso de tendências demográficas consolidadas, como a redução da mortalidade infantil e da fecundidade (número de filhos por mulher), o aumento da expectativa de vida e da proporção de idosos numa população que cresce à razão de 1,5% ao ano e que acaba de ultrapassar a marca de 190 milhões. "O Censo prepara o País para a próxima década", resume o presidente do IBGE, Eduardo Nunes. Os brasileiros só têm a ganhar acolhendo os recenseadores e respondendo com a verdade ao que indagarem. 

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A REVOLUÇÃO SILENCIOSA

Um tema maiúsculo, um alerta necessário.


A REVOLUÇÃO SILENCIOSA
 *Diego Casagrande, jornalista - Porto Alegre/RS*


Não espere tanques, fuzis e estado de sítio.
Não espere campos de concentração e emissoras de rádio, tevês e as redações ocupadas pelos agentes da supressão das liberdades.
Não espere tanques nas ruas.
Não espere os oficiais do regime com uniformes verdes e estrelinha vermelha circulando nas cidades.
Não espere nada diferente do que estamos vendo há pelo menos duas décadas.
Não espere porque você não vai encontrar, ao menos por enquanto.

A revolução comunista no Brasil já começou e não tem a face historicamente conhecida. Ela é bem diferente. É hoje silenciosa e sorrateira.
Sua meta é o subdesenvolvimento. Sua meta é que não possamos decolar.
Age na degradação dos princípios e do pensar das pessoas.
Corrói a valoração do trabalho honesto, da pesquisa e da ordem.

Para seus líderes, sociedade onde é preciso ser ordeiro não é democrática.
Para seus pregadores, país onde há mais deveres do que direitos não serve.
Tem que ser o contrário para que mais parasitas se nutram do Estado e de suas indenizações.

Essa revolução impede as pessoas de sonharem com uma vida econômica melhor, porque quem cresce na vida, quem começa a ter mais, deixa de ser "humano" e passa a ser um capitalista safado e explorador dos outros.

Ter é incompatível com o ser. Esse é o princípio que estamos presenciando.
Todos têm de acreditar nesses valores deturpados que só impedem a evolução das pessoas e, por conseqüência, o despertar de um país e de um povo que deveriam estar lá na frente.

Vai ser triste ver o uso político-ideológico que as escolas brasileiras farão das disciplinas de filosofia e sociologia, tornadas obrigatórias no ensino médio a partir do ano que vem.

A decisão é do ministério da Educação, onde não são poucos os adoradores do regime cubano mantidos com dinheiro público. Quando a norma entrar em vigor, será uma farra para aqueles que sonham com uma sociedade cada vez menos livre, mais estatizada e onde o moderno é circular com a camiseta de um idiota totalitário como Che Guevara.

A constatação que faço é simples.

Hoje, mesmo sem essa malfadada determinação governamental - que é óbvio faz parte da revolução silenciosa - as crianças brasileiras já sofrem um bombardeio ideológico diário.
Elas vêm sendo submetidas ao lixo pedagógico do socialismo, do mofo, do atraso, que vê no coletivismo econômico a saída para todos os males.

E pouco importa que este modelo não tenha produzido uma única nação onde suas práticas melhoraram a vida da maioria da população. Ao contrário, ele sempre descamba para o genocídio ou a pobreza absoluta para quase todos.

No Brasil, são as escolas os principais agentes do serviço sujo.

São elas as donas da lavagem cerebral da revolução silenciosa.

Há exceções, é claro, que se perdem na bruma dos simpatizantes vermelhos.

Perdi a conta de quantas vezes já denunciei nos espaços que ocupo no rádio, tevê e internet, escolas caras de Porto Alegre recebendo freis betos e mantendo professores que ensinam às cabecinhas em formação que o bandido não é o que invade e destrói a produção, e sim o invadido, um facínora que "tem" e é "dono" de algo, enquanto outros nada têm. Como se houvesse relação de causa e efeito.

Recebi de Bagé, interior do Rio Grande do Sul, o livro "Geografia", obrigatório na 5ª série do primeiro grau no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Os autores são Antonio Aparecido e Hugo Montenegro.

O Auxiliadora é uma escola tradicional na região, que fica em frente à praça central da cidade e onde muita gente boa se esforça para manter os filhos buscando uma educação de qualidade.

Através desse livro, as crianças aprendem que propriedades grandes são de "alguns" e que assentamentos e pequenas propriedades familiares "são de todos".

Aprendem que "trabalhar livre, sem patrão" é "benefício de toda a comunidade".

Aprendem que assentamentos são "uma forma de organização mais solidária... do que nas grandes propriedades rurais".

E também aprendem a ler um enorme texto de... adivinhe quem? João Pedro Stédile, o líder do criminoso MST que há pouco tempo sugeriu o assassinato dos produtores rurais brasileiros.
O mesmo líder que incentiva a invasão, destruição e o roubo do que aos outros pertence. Ele relata como funciona o movimento e se embriaga em palavras ao descrever que "meninos e meninas, a nova geração de assentados... formam filas na frente da escola, cantam o hino do Movimento dos Sem-Terra e assistem ao hasteamento da bandeira do MST".

Essa é A revolução silenciosa a que me refiro, que faz um texto lixo dentro de um livro lixo parar na mesa de crianças, cujas consciências em formação deveriam ser respeitadas.

Nada mais totalitário.

Nada mais antidemocrático.

Serviria direitinho em uma escola de inspiração nazi-fascista.

Tristes são as conseqüências.

Um grupo de pais está indignado com a escola, mas não consegue se organizar minimamente para protestar e tirar essa porcaria travestida de livro didático do currículo do colégio.

Alguns até reclamam, mas muitos que se tocaram da podridão travestida de ensino têm vergonha de serem vistos como diferentes. Eles não são minoria, eles não estão errados, mas sentem-se assim.

A revolução silenciosa avança e o guarda de quarteirão é o medo do que possam pensar deles.

O antídoto para A revolução silenciosa?

Botar a boca no trombone, alertar, denunciar, fazer pensar, incomodar os agentes da Stazi silenciosa. 

Não há silêncio que resista ao barulho.

"EM OUTUBRO LEMBRE-SE: URNA NÃO É LIXEIRA" - "VOTO NÃO TEM PREÇO, TEM CONSEQÜÊNCIA"

"O MAIOR CASTIGO PARA AQUELES QUE NÃO SE INTERESSAM POR POLÍTICA É QUE SERÃO GOVERNADOS PELOS QUE SE INTERESSAM" (Arnold Toynbee)
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Crise na América Latina

Caros amigos, até agora devem ter percebido que faço questão de postar apenas assuntos que tenham densidade. Neste mister, nossa mídia não vem acompanhando de perto o que se desenrola em nosso entorno estratégico, notadamente nos países que seguem do noroeste ao sudoeste. A exceção do Peru e da Colômbia, todos os fronteiriços são signatários do FSP, instituição que já vem sendo, paulatinamente, descortinada pelo noticiário mais especializado.

Insisto que a falta de postura de estadista dificultará, sobremaneira, nosso desenvolvimento como bloco econômico e estável. Acredito, até, que toda esta movimentação nada mais é, no fundo, do que nos manter como esteio de investimentos chineses de longo prazo, pois aquela segunda economia mundial vem investindo, sistematicamente, em empresas de extração, tecnologia e de agricultura.  Acredito, até, que esta sistemática implicância com o imperialismo americano nada mais é do que tentar, em longo prazo, diminuir a área de influência americana na CEPAL, ou seja, quanto mais "independentes"  dos investimentos americanos na área , mais nos tornamos dos oriundos da China. Quanto mais nos afastamos da unidade e do desenvolvimento em bloco, mais dependentes de investimentos de capital chinês nós ficamos.

Vale a pena acompanhar tudo que é publicado sobre nossa vizinhança tão arisca. Nossa sociedade tem que começar a gostar de conversar este tema.
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Le Monde, Marie Delcas 




O Equador rompeu suas relações diplomáticas com a Colômbia em 2008. A Venezuela expulsou o embaixador colombiano de Caracas. A morte do líder guerrilheiro Raúl Reyes, assassinado pelo exército colombiano em território equatoriano, graças às informações fornecidas pelos americanos, causou uma crise diplomática sem precedentes. A maior parte dos observadores duvida que a crise possa descambar para um confronto militar. Segundo uma pesquisa, 61% dos colombianos acreditam que um conflito armado com a Venezuela seja possível.
Bogotá tentou acalmar a situação anunciando que não enviaria reforços para as fronteiras. “Nós temos a capacidade de mobilizar nossas tropas, mas não vemos nenhuma necessidade de fazê-lo”, declarou o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. As operações do exército colombiano, lembrou, são dirigidas contra a guerrilha, e não contra os países vizinhos.
No dia anterior, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, havia ordenado o desdobramento de dez batalhões e da força aérea até a fronteira com a Colômbia. Seu colega equatoriano, Rafael Correa, também decidiu reforçar os efetivos militares fronteriços. No meio tempo, as acusações vinham de todos os lados, e não eram do tipo a tranquilizar as tensões. Os documentos encontrados no laptop do número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, extrema esquerda) confirmaram as ligações entre a guerrilha e os governos vizinhos. O diretor da polícia colombiana, o general Oscar Naranjo, indicou que as Farc teriam recebido US$ 300 milhões (R$ 525 milhões) do governo venezuelano, sem especificar a data nem as razões do pagamento.
“O computador de Raúl Reyes se tornou uma fábrica de mentiras”, respondeu o ministro venezuelano das Relações Exteriores, Nicolas Maduro. Algumas horas mais tarde, seu colega do ministério do Interior, Ramón Rodriguez Chacin, afirmava que o general Naranjo estava envolvido no tráfico de drogas, lembrando que o irmão do militar colombiano estava preso na Alemanha.
Entretanto, em Quito o ministro equatoriano da Segurança, Gustavo Larrea, confirmou ter encontrado pessoalmente Raúl Reyes, como Bogotá havia acusado na véspera. Mas Larrea desmentiu a existência de um acordo político com a guerrilha. O encontro teria ocorrido somente por “fins humanitários”. O presidente Correa acrescentou que esses contatos eram conhecidos de Bogotá (que desmentiu). Segundo ele, eles teriam permitido libertar doze reféns das mãos das Farc, entre os quais Ingrid Betancourt e os três cidadãos americanos, se o exército colombiano não houvesse interferido. “A mão dos belicistas autoritários estragou tudo”, segundo o presidente equatoriano.
As mensagens citadas pelo chefe da polícia colombiana, cuja autenticidade foi contestada por Quito, revelaram a existência de uma negociação a respeito de reféns sob o poder da guerrilha. Além disso, o general Naranjo afirmou que as Farc teriam comprado 50 quilos de urânio. Bogotá afirmou que denunciaria o apoio dado às Farc por seus vizinhos junto à ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA). A guerrilha está na lista das organizações terroristas dos Estados Unidos e da União Europeia.
A Colômbia parecia isolada no cenário internacional. Diversos governos latino-americanos – entre os quais o Brasil, o Chile e a Argentina – condenaram o ataque colombiano no Equador e exigiram que Bogotá se desculpasse. Quito, entretanto, recusou as desculpas do ministro colombiano das Relações Exteriores, Fernando Araújo. Somente Washington deu seu apoio ao presidente Álvaro Uribe, seu aliado. A Casa Branca pediu que a Colômbia e o Equador agissem com moderação e se “espantou” com a conduta de Chávez.
Em Caracas, a oposição venezuelana criticou a “irresponsabilidade guerreira” do presidente Chávez. O general Raúl Baduel, seu ex-ministro da Defesa, afirmou que o exército venezuelano não seguiria o chefe do Estado em uma aventura bélica. “Hugo Chávez poderá acabar como Marlbrough, indo para a guerra sozinho”, declarou. “Na condição de ministro da Defesa, posso afirmar a responsabilidade com a qual o exército colombiano garantia sua coordenação com a Venezuela”, disse. “A Venezuela não foi agredida, nem ameaçada. Não temos inimigos”. Segundo o general Baduel, que por muito tempo foi próximo do presidente venezuelano, Chávez está tentando desviar a atenção, uma vez que há uma série de dificuldades internas e que sua popularidade vem caindo.
Na Colômbia, pelo contrário, o momento é de uma união sagrada. “O presidente Hugo Chávez conseguiu um feito incrível: até a esquerda está apoiando o presidente Álvaro Uribe”, observa um diplomata europeu em Bogotá. Ao mesmo tempo em que critica a incursão do exército em território equatoriano, a oposição colombiana considera “desproporcional” a reação da Venezuela, e inadmissíveis os insultos proferidos por Chávez a respeito do presidente Uribe.
A maioria dos observadores acredita que o risco de uma derrapagem bélica continua limitado, especialmente em razão da interdependência comercial dos três países andinos envolvidos. O comércio entre a Colômbia e o Equador chega a US$ 2 bilhões. Entre a Colômbia e a Venezuela, a US$ 6 bilhões. A Colômbia é uma grande fornecedora de eletricidade para o Equador e de alimentos para a Venezuela, que há meses vem enfrentando uma grave escassez e dificilmente pode considerar ficar sem produtos colombianos. Entretanto, segundo a imprensa de Bogotá, a fila dos caminhões colombianos presos nos postos fronteiriços com a Venezuela já se estendia desde a noite de segunda-feira.
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Concursos para políticos

Uma visão clara, pragmática e pertinente.


Para entrar no pleito eleitoral, político deveria prestar concurso

Grace Barros


Nos modelos e formas de governo existentes, teoricamente o que o povo assume maior poder de decisão é a República Presidencialista Democrática. Longe de ser elitista, mas como administrar bem o país e ser democrático concedendo do direito de voto a cidadãos sem senso crítico, capacidade de análise e baixo grau de instrução? 
No Brasil, 21% (IBGE, 2008) da população é analfabeta e 50% não tem nem 7 anos de estudo. Grande parte dos brasileiros afirma não gostar de política, não se interessam pelo assunto e parecem não ter discernimento sobre o quanto o fato de exercer o direito da votação pode afetar o futuro da sua cidade, estado ou país. 
Enquanto bilhões em verba são desviados para incisivas propagandas eleitorais, sendo parte disso provindo dos cofres públicos e arrecadações do bolso do povo, continuam assumindo os cargos políticos os mais influentes, os mais ricos e os mais corruptos, enquanto deveríamos destinar os vagos para os mais competentes, mais lúcidos e eficazes. 
O povo facilmente é influenciado e troca seus cliques na urna eletrônica por medíocres cestas básicas, bolsa-família ou um “bico” temporário”. Enquanto medidas de políticas públicas para sanar a fome, o desemprego e aumentar a renda familiar deveriam ser uma constante prioridade da ação governamental, e não simplesmente para se elegerem. 
Até mesmo candidatos com passado criminal recheado, alguns tão pouco instruídos, e tão pouco preocupados com a evolução econômica, social e educacional do nosso país, conseguem se eleger. Na verdade estão preocupados com a evolução econômica de seus familiares, iludidos com enriquecimento rápido e sujo provindo da deturpação de leis e da corrupção. 
Enquanto nós possuímos as maiores riquezas naturais, temos um dos maiores territórios, trabalhadores batalhadores e potencial para ser a maior economia do mundo, nós vamos sobrevivendo a duras penas em algumas regiões e crescendo de maneira discreta em dígitos arrastados numa visão econômica global, sendo ultrapassados por países como a China, que não apresentam nem metade do nosso potencial econômico. 
 Se visualizarmos o Brasil como uma grande empresa, concluímos que temos atuação em grande expansão geográfica, poder de mercado, matérias-primas excepcionais, tecnologia o suficiente para gerar bons frutos (apesar de precisar de mais para explorar todo o seu potencial), mão-de-obra esforçada, capital para investimentos....E o que falta? Muitos acreditam que falta ADMINISTRAÇÃO, BONS GESTORES e a qualificação dessa mão-de-obra guerreira desde da educação de base. Raciocinando ainda com essa visão empresarial do Brasil, o processo mais democrático e justo para seleção e recrutamento de profissionais qualificados para uma instituição governamental, em cargos tão fundamentais para o futuro do país, seria o concurso público. 
Não é democracia, gerontocracia ou aristocracia, a nossa filosofia de governo devia ser a meritocracia, com concursos só para candidatos com 3° grau completo e sem ficha criminal. Com mandato quadrienais, haveria eleições a cada 2 anos para mudar a metade do congresso. Antes das eleições a cada 4 anos, uma votação entre os políticos para eleger os maiores cargos como vice-presidente, presidente e ministros, pois entre eles todo mundo sabe quem é quem. 
Assim, quem quiser estuda e se candidata, quem merecer fica! Porque para vestir a tão honrada camisa política desse riquíssimo país, tinha que merecer!

Grace Barros
Professora de Ed. Física
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Gerente de marketing de rede FLP
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O caderninho pela última vez

Antes de mais nada postei porque é o João Ubaldo. O segundo motivo é que sua leitura é leve, cativante e agrega conhecimento. O terceiro motivo é um sutil e elegante alerta aos famigerados neologismos e seus indefectíveis veículos de comunicação de dificultam, sobremaneira, a educação formal.

Ressalto neste particular que eu não sou presunçoso, sou fruto da baixada fluminense e achava que falar como locutor e repetir o que jogadores de futebol falavam era o "chick" o que me valeu sérios problemas de Português do velho e saudoso Pedro II seção Engenho Novo. Minha sorte é que lá estudei Latim...acreditem, eu Vera e Rosana, minhas amigas habituées de minhas msgs, estudamos Latim...e francês. Como foi bom para minha vida e carreira...enfim, segue o sutil alerta desse imortal da Academia.

By the way...sobrevivi ao "a nível de..." :-))
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JOÃO UBALDO RIBEIRO

O Globo
Sei que não tenho o direito de abusar da paciência de vocês com as caturrices que anoto no meu caderninho, tanto assim que resolvi livrar-me dele, convertendoo num caderno de receitas culinárias, muito mais útil. Mas não resisto a comentar algumas anotações que me são particularmente caras, sempre na esperança de encontrar quem se solidarize, não é possível que eu seja o único chato a se incomodar com essas coisas.

Ninguém, falando, diz “no outro dia eu vi você na praia”; diz “outro dia eu vi você na praia”. No entanto, quando se escreve, ou se fala com a relativa formalidade dos noticiários de TV, essa e outras locuções adverbiais, como “este ano”, “este mês” ou “outra hora”, hoje ganham a preposição “em”, no caso redundante e mal usada, de uma forma que, se persistir, gerará muitas ambiguidades indesejáveis. Nas outras línguas (e todas as línguas ocidentais, com exceção do basco, são parentas e ligadas de mil formas) isso não acontece. Em inglês, por exemplo, não se diz “in this year”, diz-se “this year”, assim como, no mesmo caso, não se usa “dans” em francês.

Mas o sujeito diz, com propriedade, que este ano vai passar as férias em Búzios e, no entanto, quando escreve ou fala formalmente, resolve que o certo é “neste ano”. Daqui a pouco se escreve “numa vez eu vi um cometa”, em lugar de “uma vez”. Ou “num dia eu visitei Paris”, não se sabendo aí se a visita foi numa certa data ou durou apenas um dia. Se a frase fosse “um dia eu visitei Paris”, não haveria ambiguidade.

De forma análoga, há quem escreva “toda vez que” e “do mesmo jeito que” com uma preposição antes do “que”, por uma questão “lógica”. Mas são locuções consagradas e a lógica da língua amiúde é mais embaixo.

E por que tanto “você”, meu Deus do céu? Tem também gente, inclusive comentaristas, cuja fala é um enxame sufocante de “vocês”, praga que vem piorando muito. “Você adiantar os volantes a esta altura é temerário”, diz o falante.

“Para você segurar o placar, você precisa tentar manter o mesmo nível de marcação que você tinha no primeiro tempo.” Os primeiros dois “vocês” aí podiam ser simplesmente suprimidos e os restantes substituídos por uma maneira de falar menos neandertalesca, que, além de ser feia e revelar pobreza de expressão, faz a língua lembrar a que Tarzan usava para se comunicar precariamente com a Jane, no tempo do “me Tarzan”. Construção típica: “Você ingerir frutas que você não lavou bem traz riscos para a saúde. A fruta, ela pode estar sendo uma via de contaminação e você lavar faz a diferença.” Botei (modernamente, coloquei) essa “diferença” aí de propósito. Antigamente, as coisas faziam diferença. Podiam até fazer certa diferença, alguma diferença ou muita diferença. Mas a diferença não era determinada pelo artigo definido, como hoje, suspeito eu que por influência do inglês, já que muitos jornalistas e resenhistas literários leem bem mais em inglês que em português. “Ser cumprimentado por um bom trabalho faz diferença”, dizia-se antigamente.

Agora é “faz a diferença”.

A ausência do artigo definido, da mesma forma que em inglês, persiste na negativa “não faz diferença” (“makes no difference”), mas daqui a pouco é bem possível que se comece a dizer “isso para mim não faz a diferença”. Ou, para ficar mais de acordo com o inglês, “não faz uma diferença” (“does not make a difference”). Não duvido nada e assim, vamos prosseguir incorporando (o que, no ver de alguns, pode ser uma boa e não discuto) o gênio de outra língua à nossa, na forma mais radical de colonização que pode existir, a do idioma. Ubicumque lingua romana, ibi Roma — onde quer que esteja a língua romana, aí estará Roma, é isso mesmo.

No departamento do adeus-adeus, ao qual já se degredou o quase finado “cujo”, devemos também apontar “jovial”.

Antigamente — e ainda nos dicionários — jovial era alegre, comunicativo, afável. Hoje não é mais. Ou, por outra, não precisa ser, porque virou juvenil e parece que não tem volta.

Outro dia li numa revista que não sei quem se traja jovialmente e fiquei imaginando que essa pessoa se veste em meio a grande efusão e se cumprimentando ao espelho o tempo todo. E uma saudação jovial, é de supor-se, passa a ser algo como “valeu”, ou qualquer das palavrasocirc;nibus hoje em uso pela juventude. Num caminho parecido, o venerando adjetivo “difícil”, conosco desde os albores da língua, está sendo demitido, porque agora nada mais é difícil, é complicado.

O pessoal que pretende falar como se escreve também continua ativo e sua mais conspícua manifestação é ainda o “umaum” com que vários narradores esportivos anunciam um marcador igualado em um gol. Já ouvi também “umotel”, entendi “um motel” e, no decorrer da reportagem, vi que era um hotel. Um olho será um molho e um achado será um machado.

Esse pessoal é perigoso e, se a moda prosperar, ficará impossível falar português no futuro sem um bom preparo físico, para fazer todos os gestos tornados indispensáveis ao bom entendimento.

Acaba-se o espaço, sobram notas, nada a fazer. Bem, só mais estas duas, que tirei de uma revista e vejo muito por aí: “broxura” sexual é com x e “benfeito” é particípio passado do verbo “benfazer”, não quer dizer “bem-feito”. Pronto, acho que o caderninho, ele acabou.

Comunicado à praça: Segundo me contaram, eu integro diversas redes sociais na internet, como o Twitter e o Facebook.

Para mim foi surpresa, porque nunca ingressei em nenhuma dessas redes e nem sei como elas funcionam.

Mas já me garantiram que tem gente se fazendo passar por mim. Devo, portanto, enfatizar que não sou eu e lembrar que não posso responsabilizar-me pelo que me atribuam falsamente.
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Urnas: um suplício de Sísifo

Entra eleição, vai eleição e o cenário é o mesmo: Pessoas deploráveis, sob nosso ponto de vista ético, sendo reeleitos  para cargos importantes.

Teremos este ano, com um record de 135 milhões de eleitores, dentre eles 52% de analfabetos funcionais (levantamento do TSE, ressalte-se) que estarão hipnotizados na escolha de um presidente entre dois polarizados. Dentre esta plêiade de "capazes para escolher alguém que dirija" nossos destinos, estão pessoas que dão 80% de concordância à atual gestão. Detalhe, dentre estes demais também estão os residentes em casas que perfazem um total de mais de ciquenta por cento de moradias sem saneamento básico adequado (levantamento do IPEA). 

Vejam no link abaixo, quem eles escolherão para ....retornar. Isto mesmo amigos...retornar.

É o suplício de Sísifo, um "ixperto" que nem nós, criativos, serelepes, "humanos", conscientes, etc etc (dentre um fenomenal elenco de neologismos que nos colocam entre os mais "conscientes" cidadãos da América Latina, mas que no fundo tal esperteza tem um preço).

Sísifo achou que enganaria a todos, até a Zeus (estamos falando de figuras mitológicas gregas). A suprema divindade o castigou a rolar a rocha morro acima para depois despencá-la morro abaixo em moto-contínuo (Hi!!, este termo me lembrou os poemas de vanguarda que tive nos livros forçando uma "abertura política" nos idos de 72 para dar um "quê" de educação revolucionária, sintonizada com a revolução cultural e de costumes de 1968 em Paris, donde nós, apedeutas latinos, fomos os "únicos" (que o Ubaldo não leia!!) após comprar a idéia, forçar sua existência até os anos atuais.). 

Enfim, este esforço revolucionário na educação está produzindo este cenário, estes cidadãos incapazes de olhar para o futuro, recolocar o país nos trilhos, enfim, pensar em coletividade e viver democracia plena.

Desta sorte, amigos, deixando as divagações, o link abaixo lhes conduz a uma notícia que representa a fina flor de nossa idiossincrasia. Representa o nosso "eleitor consciente" de interior, objetivo, pragmático, que quer ter seu problema imediato resolvido. Enfim...haja moscas nos ouvidos este ano.


Oito dos dez deputados mais faltosos de 2010 vão disputar as eleições em outubro 
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