segunda-feira, 14 de setembro de 2009

CONFLITOS POR ÁGUA DOCE

Amigos, não sou arauto do caos, minha intensão é ajudar-lhes a ver o cenário mundial, principalmente o nosso, por outras perspectivas.
Bem, para mim a mídia continua não esclarecendo nossos embates ideológicos, seja por bases americanas ou deposição de presidentes que, de forma contumaz, é atribuída como golpe.
Há mais coisas entre o céu e a terra do que nos permita compreender nossa vã filosofia. Aproveitando Shakespeare apresento-lhes um tema que, este sim, acredito ser motivo para conflitos bélicos tradicionais no mundo nos próximos vinte e cinco anos.
Vale a pena acompanhar, pois este tema é que nem cometa, aparece e some num piscar de olhos.

CONFLITOS POR ÁGUA DOCE

Gilberto Dupas


Na medida em se torna globalmente mais escassa, a água doce deixa de ser considerada um bem público. De acordo com o poder dos diferentes grupos, ela se torna propriedade cada vez mais privada e menos comum, gerando um grave conflito ecológico distributivo. No caso do Brasil, a complexa e pouco aprofundada polêmica sobre a transposição das águas do Rio São Francisco é um importante ensaio inicial sobre essa questão.

Os severos estragos que a poluição por resíduos químicos e o aquecimento planetário estão fazendo nos estoques mundiais de água doce os colocam como prioridade na discussão estratégica sobre poder - e pode abrir imensas oportunidades para a América do Sul. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), já há mais de 1 bilhão de pessoas no planeta com severa carência de água potável; e vários cenários internacionais consideram que a disputa pelo acesso a ela poderá conduzir a inúmeros conflitos regionais. Uma pesquisa feita pela CIA, pelo Ministério de Defesa britânico e pela PriceWaterhouseCoopers prevê várias possibilidades de futuras guerras por água no Oriente Médio, Ásia e África subsaariana. Na Europa, enquanto bilhões de euros são gastos na despoluição dos seus rios, cresce o mercado de importação desse líquido vital. A água doce não poluída de superfície já não é suficiente para atender à população dos EUA. Mais grave ainda é a situação das águas subterrâneas, envenenadas progressivamente por produtos químicos e bactérias, pela marcha da industrialização. A redução da disponibilidade de água já está gerando pesadas disputas naquele país. Os consumidores consideram-na um bem público essencial à saúde e à vida. Já os fornecedores negam qualquer relação entre acesso à água potável e temas como direitos humanos e questões sociais. Em busca de novas possíveis fontes de água, a atenção dos norte-americanos volta-se para o sul do continente. Alguns especialistas detectam estar-se moldando uma Doutrina Monroe ambiental, segundo a qual os recursos naturais do Hemisfério devem levar em conta as prioridades dos EUA. O México, com situação ainda tranqüila, pode vir a ser o primeiro a ser pressionado.

Esse quadro crítico, no entanto, se inverte na América do Sul, onde a água doce ainda é abundante. Com 12% da população mundial, possuímos 47% das reservas de água globais, e boa parte delas se encontra submersa. Às grandes Bacias do Amazonas, do Orenoco e do Prata, mais inúmeros rios, lagos e estuários, se somam aqüíferos de grande porte, entre os quais o Guarani - o terceiro maior do mundo -, espalhado pelos territórios do Brasil, do Paraguai, do Uruguai e da Argentina. Muitos estudiosos acreditam que quem controlar os recursos ambientais da tríplice fronteira - o que inclui aquele aqüífero - terá a seu dispor matérias-primas essenciais para a manutenção da vida e para a sustentabilidade de processos produtivos geradores de desenvolvimento econômico e social em amplas áreas do Cone Sul.

Quanto à exportação de água, é preciso lembrar que sua forma mais eficaz ocorrerá de maneira crescente por via indireta, por meio de alimentos e produtos industrializados que a utilizem em seu processo produtivo. São necessários 1.650 litros de água para produzir 1 kg de soja, 1.900 para 1 kg de arroz, 3.500 para 1 kg de aves e 15 mil para 1 kg de carne bovina. O mesmo ocorre com produtos industrializados. São 10 litros de água para 1 de gasolina, 95 para 1 kg de aço, 324 para 1 kg de papel e 600 litros para 1 kg de cana-de-açúcar voltada para a produção de etanol. Como se vê, a importação de grãos e matérias-primas é a maneira mais eficiente para os países com déficit hídrico importarem água em larga escala daqueles que a têm. A América do Sul, obviamente, ainda não tem condição de "precificar" a escassez futura de água no mundo, mas precisa zelar vigorosamente pela qualidade de seus estoques e considerar estrategicamente quanto quer comprometer de suas reservas num quadro global de escassez que poderá elevar consideravelmente o preço futuro desses produtos. No caso dos industrializados, a água agrega ainda mais valor em função do maior preço. Se esses fatores não forem adequadamente incluídos nos preços, a divisão internacional do trabalho e da produção poderá impor mais uma vez restrições futuras importantes aos países sul-americanos.

Há quem chame também a atenção para eventuais ações norte-americanas na América do Sul. Estudo realizado por John Ackerman, do Air Command and Staff College da US Air Force, diz: "Nós (EUA) deveremos passar progressivamente da guerra contra o terrorismo para o novo conceito de segurança sustentável." E cita, como motivações para intervenções armadas, secas, crises da água e eventos meteorológicos extremos. O Center for Naval Analysis, em relatório recente, asseverou que "a mudança climática é uma realidade e os EUA, bem como o Exército, precisam se preparar para as suas conseqüências". Na mesma perspectiva, o Plano do Exército Argentino 2025 vê "a possibilidade de conflito com outros Estados pela posse de recursos naturais", com destaque para o Aqüífero Guarani, como o problema que mais tem possibilidades de conduzir a conflitos bélico com vizinhos. E afirma que o país "deverá desenvolver organizações militares com capacidade para defender a nação de um inimigo convencional superior", incluindo a organização de resistência civil.

Como vemos, a América do Sul pode ter na escassez da água doce global uma enorme vantagem mundial, ou meter-se em encrencas internas e hemisféricas. Tudo depende de bom senso, visão estratégica e articulação conjunta entre os países da região. Essa é uma oportunidade preciosa, num mundo que caminha para difíceis impasses.

Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP, presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI), é autor de vários livros, entre os quais O Mito do Progresso (Editora Unesp)

Blink Malcolm Gladwell

Amigos, acabei de ler este ótimo livro. O autor experiente repórter novaiorquino consegue prender-nos em uma instigante leitura que fala acerca de insights que, via de regra, não se dá muita atenção mas que representa soluções para problemas complexos.
Há que se considerar, contudo, que ele ressalta que as pessoas que tiveram estes insights tinham ampla experiência no assunto ao qual estavam envolvidos, ou seja, quem não tem muitas experiências jamais terão as famosas grandes sacadas que resolverão problemas que outras pessoas mais experientes ou com mais tempo de casa não tenham visto, atitude muito comum em funcionários mais novos.
Recomendo este livro, fácil e agradável de se ler, para todos os amigos em qualquer posição que estejam ocupando, seja como chefe ou subordinado. Gostei tanto do estilo do autor que já encomendei outros dois: Outliers e turning point que depois de ler também comento.




Immigration a demographic problem

O vídeo fala sobre imigração. É um tema que preocupa o mundo pois a população européia está envelhecendo e a força de trabalho, apesar de se trabalhar até 70 anos em muitos países, as atividades para a faixa de 55 até 70 anos requer menor esforço físico.
Mesmo em ambiente de amplo uso de tecnologias, as atividades braçais e manuais ainda são fundamentais em muitos países.
Outro problema é o sistema de previdência e seguro social para esta população que é muito caro para o Estado e iniciativa privada.
A mobilidade social horizontal é uma realidade e ficou mais intensa com os avanços das tecnologias, transporte, comunicações etc e, em função do custo de mão-de-obra, principalmente em aspectos jurídicos e indenizatórios, muitos países avançados fazem certa vista grossa para atividades braçais de risco sendo, estas, realizadas por imigrantes ilegais ou os querendo adquirir cidadania.
Bem, a equação do aumento de cidadãos de fé islâmica preocupa mas não quer dizer que todos os que professam aquela fé sejam terroristas em potencial.
O que me deixa curioso e me faz acompanhar com atenção é o mix de valores e crenças em ambientes de trabalhos compartilhados por eles e por pessoas que professam o capitalismo.
Vale a pena acompanhar, apesar do vídeo em questão ter um forte apelo para o risco do terrorismo.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sobre moscas, rodopios e mantras


A notícia do hoje é muito animadora, somos quase 50 milhões de computadores em uma população beirando os 200 milhões. É significativo em alguns aspectos importantes: um quarto de uma população de um país de dimensões continentais. Absorve pouco menos que a quantidade da população economicamente ativa de um país como nosso, inobstante a todos os problemas de infra-estruturas que o PAC tenta dirimir.

Imagine essa notícia ao lado do levantamento do IBGE de 2006 dando conta de que temos 95% dos lares com televisores, 95% com rádios, muitas cidades os periódicos custam até 30 centavos de real. Aliado a esse maravilhoso elenco de tecnologia disponível temos 160 milhões de celulares vendidos. É muita fonte e veículos de informação disponível para uma população de um país emergente.

Olhando os números e ambiência podemos nos regojizar pois em termos proporcionais perdemos apenas para o Chile que tem 31,4 computadores para cada 100 habitantes enquanto que nós temos apenas 22 por uma centena. Todavia o “apenas” é mais retumbante, pois se olharmos o perfil topográfico do Chile e sua quantidade de habitantes eles, em função de fatores a seu favor, sem ter uma Amazônia, pantanal e serras no meio de sua extensão dificultando o contato e o escoamento de bens e produtos (os Andes ficam ao leste e as principais cidades à oeste próximas do Oceano Pacífico – com poucos problemas de infra-estrutura, pois uma “carretera” liga a maioria das cidades entre si) o delgado país tinha que se sair bem melhor.

O aumento de lan houses nas cidades até de pequeno porte tem demonstrado que pessoas de baixa renda também se aproveitam desse esforço de inclusão digital. Com esse meio as notícias chegam em curto espaço de tempo ao cidadão e ele tem a capacidade, na via informacional, de escolher e delinear o tipo de notícia e fonte que quer buscar sua informação. Há que se ter, contudo, a curiosidade, o envolvimento, a vontade de entrar no jogo. Bem aí...aí meus amigos, é que a coisa pega.

Voltando aos eventos corriqueiros que nos deixam boquiabertos, perguntamo-nos a causa de tanta desfaçatez no trato de nossos distinos. Como sentem-se tão à vontade em discutir e usar nosso patrimônio excluindo-nos sumariamente sempre com comentários rasos quando não estapafúrdios. O último foi acerca da manutenção dos preços elevados do combustível veicular pois mesmo com o processamento do petróleo do pré-sal não há como se baixar o custo de produção. Apedeutas falando para apedeutas dá nisso. A economia de escala foi para o brejo e ninguém se manifestou. Como sentem-se tão à vontade agindo assim? São inúmeras as estultices que perco a conta. A esse propósito uma clara para francês ouvir é que nossas colunas fixas que suportam e guiam os robôs de prospecção achariam facilmente a caixa-preta do AF 447. Isso numa serenidade demandando óleo de peroba como loção após barba.

Por que, mercê de todos estes avanços em se ter meios de comunicação e de informação disponíveis, continuamos tão alheios? Bem, parece que há movimentos tentando articular uma mudança, mas com a velha oposição, hoje no poder, os cara-pintadas viram simples borrões de maquiagem por pura distração.

A propósito do grande feito digital, remeto-me a algumas observações que faço há anos. Desde que começou o boom de fóruns, egroups sobre assuntos variados (eram em impressionante quantidade quando o PT estava tentando alçar o poder, agora o cenário é totalmente diferente), relembro que minha atenção ia para os números. O número de associados sempre foi muito maior do que os participantes de fato em trocas de opiniões e de conteúdo. Hoje não é diferente, participo de um grupo de administradores on line que possui mais de quatro mil associados e os contumazes participantes on line não passam de quinze. Eventualmente um ou outro se arrisca enviando um currículo ou pedindo um material no padrão “Zé moleza”. Também em grupos de RH e no “VIA something”, este com uma impressionante marca de pouco mais de 800 mil usuários sempre uma respeitável minoria batalha para iniciar uma discussão que venha agregar valor mas o que resta são assuntos padrão abobrinhas. Os usuários preferem ver e ficar na moita, sem se envolverem. Aí se denota nossa idiossincrasia, o que nos diferencia, para menos, em relação aos demais países emergentes. Nós não gostamos de nos envolver, com profundidade, em temas polêmicos ou de benefício de coletividade. O brasileiro gosta de ver e ficar na moita. Se possível usa seu herói, o procurador. Se pudesse ele usava o procurador até para votar, mas não dá.

Lembro que nosso atual líder usava uma máxima na corrida final para sua vitória no primeiro mandato: Farei um governo de consenso, ouvindo todos os setores da sociedade. Será um governo do povo para o povo. Enfim...Eu nunca vi consenso nem em reunião de condomínio em prédio com seis apartamentos onde morei. Nos demais então, nem perto. O principal problema é que os condôminos preferiam faltar às reuniões e os proprietários enviar seus procuradores. É isso. Esse é o mais genuíno exemplo de nossa pouca vontade de viver coletividade, responsabilidades sociais coletivas. Por fim, viver democracia.

Aí começa outro show de tolices sem fim ao se ler sobre as propostas de se regular as campanhas na Internet. O mote é a campanha de Barack Obama. Eu estava fazendo um mestrado em Washington na época. Aliás acompanhei ele desde o início, quando ele era o quinto entre cinco candidatos à indicação do partido democrata. Via as pessoas nas ruas, com chuva ou neve, mas nas ruas e on line, mobilizando-se de fato, usando seu tempo livre, aliás eles têm a cultura de usar o tempo livre em favor de alguma coisa boa para a coletividade. Nós somos muito diferentes deles. Se nós, com 42,9 milhões de computadores tivéssemos a mesma idiossincrasia do povo americano certamente as coisas aqui seriam bem diferentes. O que veremos nos próximos anos sobre uso da Internet nas eleições não terá o mesmo apelo.

Neste mister, ao falar-se de eleições vem-me à memória as últimas propagandas demonstrando um jovem com uma mosca na cabeça, outro dando voltas ao caminhar passando a mensagem de votar bem, escolher bem seu candidato. Aí eu me pergunto: Como é o tal do escolher bem? Baseado em que parâmetros? Como este cidadão bem escolhido poderá fazer diferença em um sistema eleitoral e político viciados que, nem tão cedo, terá alguma modificação. O arquétipo da lisura, bem escolhido, ao ser diplomado ou entra nos eixos ou pega uma proa do esquecimento, virando relator de CPIs pesadas e sem densidade. O eleitor, com o seu jeitão de ficar na moita não irá socorrê-lo e, se bobear, não irá reelegê-lo, pois ele ocupado com os fardos que os mais antigos lhe darão não terá tempo de criar visibilidade e será detonado na próxima eleição. Aí vem a pergunta: Quem é otário o suficiente para comprar esta briga? O bem escolhido irá, certamente, rezar na cartilha viciada.

Aí, os especialistas e pitaqueiros soltam a justificativa que resolve e dá um ponto final na discussão para evitar maiores envolvimentos, pois o paradigma diz que política e religião não se discute (só aqui mesmo!!): Falta Educação. Bobagem!! Isso mais parece um mantra indiano...o problema é Educação. Eu não acredito. O brasileiro é inteligente o suficiente para correr atrás de correções salariais complexas, usar celulares, manusear televisores e rádios digitais, assistir novelas e noticiários, programas vespertinos, votar, discutir futebol e desfiles de escolas de samba dentre uma miríade de atividades que requerem uma boa embocadura intelectual. Mas o paradigma do tadinho sem assistência do Estado, prevalece. O nível e volume de tecnologia de informação disponível que comentei no início requer uma respeitável base de educação e articulação intelectual.

O nosso problema não é falta de educação, é acomodação e omissão juntos. Simples assim.

Brasil é o 7º país com mais computadores: 42,9 milhões

Que bom, aliado a 95% dos lares com televisão, 98% com rádios, jornais nas grandes cidades custando até 30 centavos e com 160 milhões de celulares em uma população próxima a 200 milhões de pessoas não podemos dizer que falta acesso à informação.
Resta saber o que se faz com isso em termos de evoluirmos em cidadania, participarmos mais em termos de atuação objetiva em uma democracia em estado de direito.
o que falta, então, para melhorarmos?




Brasil é o 7º país com mais computadores: 42,9 milhões

16:55 | 11 de Setembro de 2009

Por AE

São Paulo - Levantamento realizado pela consultoria everis, da área de negócios, tecnologia da informação e outsourcing, constatou que o Brasil tem 42,9 milhões de computadores, o que coloca o País em 7º no ranking mundial e em 1º na América Latina. O número corresponde a 3,5% do total global e 45% do total da região. Segundo o estudo, que engloba dados de 50 países, a Ásia é o continente com o maior número de equipamentos, com 504,4 milhões (41%). No final da lista, o continente africano conta com apenas 25,6 milhões de computadores (2,1%).

Segundo a consultoria, no final de 2008 havia 1,231 bilhão de computadores no mundo, e os Estados Unidos eram o país com o maior número de máquinas: 262,5 milhões de unidades, 21,3% do total mundial, enquanto que a América Latina contava com apenas 7,8%.

O estudo revela ainda que, na América Latina, o país que lidera o ranking em número de computadores por habitante é o Chile, com 31,4 para cada 100 pessoas, seguido por Brasil e Uruguai, com 22,1; Argentina, com 20,7; e México, com 19,3. Canadá, Suécia, Holanda e Suíça são os países com mais computadores por pessoa (90 para cada 100 habitantes), enquanto Bolívia, Indonésia, Paquistão, Quênia e Nigéria apresentam apenas 3 computadores para cada 100 pessoas.

http://veja.abril.com.br/agencias/ae/brasil/detail/2009-09-11-526170.shtml



América Latina ainda padece com o cesarismo democrático

Um texto supreendente não só por sua precisa revisão histórica como também, em sua época, antecipa o que ocorre hoje na Colômbia, guardadas as devidas proporções. Aqui não estamos longe disto.

Ressalto, contudo, um dado interessante do Latino Barômetro dando conta, em anos sucessivos, de que em torno de 40% dos cidadãos dos países pesquisados não acreditam na democracia como forma de desenvolvimento. Claro está que suas experiências com governos de esquerda no poder nos últimos vinte anos tem mantido sua dificuldade de ascensão na escala de desenvolvimento humano.

Em suma, o que o artigo muito bem escrito ilumina é nossa eterna busca por um ungido pelas hostes celestiais que ao vencer um pleito venha resolver todos os problemas sociais para os quais nós não temos vontade ou embocadura para fazê-lo.

Vale refletir sobre o assunto.

América Latina ainda padece com o cesarismo democrático

The New York Times - Por Tomas Eloy Martinez

A campanha eleitoral, já concluída, confirmou na Argentina o papel inesgotável do cesarismo nos países que ainda têm instituições frágeis na América Latina. Ou seja, quase todos.

Se tomarmos a definição de Antonio Gramsci, "o cesarismo expressa sempre a solução arbitrária, confiada a uma grande personalidade, de uma situação histórico-política caracterizada por um equilíbrio de forças de perspectivas catastróficas".

Para o marxista italiano, pode haver cesarismos progressistas - Julio César e Napoleão 1º - ou regressivos - Napoleão 3º e Bismarck - mas em todos os casos se trata de uma saída encabeçada por um líder militar, mesmo que não só militar, para uma situação desesperada e excepcional.

Daí que a figura - chame-se cesarismo, bonapartismo, bismarckismo - seja tão familiar na América Latina, onde, desde as revoluções de independência, a maior parte das nações castigadas por sucessivas crises políticas e cenários de transição conheceu mais ditadores do que soluções institucionais.

Essas terras foram férteis em autocratas de grande popularidade que, nos tempos modernos, foram expandindo e consolidando seu poder por meio do controle da corrupção, da polícia e da capacidade de repartir os recursos do Estado como os convêm.

Não há símbolo maior de cesarismo democrático do que o regime do venezuelano Juan Vicente Gómez. Um de seus ministros, Laureano Vallenilla Lanz, estabeleceu a validade do termo em um livro de 1919.

Gómez inspirou a criação do personagem ditador do sexto romance de Gabriel García Marquez, "O Outono do Patriarca", e é a encarnação do homem forte das terras pobres preferida de artistas plásticos como Fernando Botero e Pedro León Zapata.

Quando cheguei à Venezuela em 1975, a figura de Gómez continuava ocupando o centro da imaginação nacional e agora, que encontrou em Hugo Chávez seu melhor discípulo, quase não passa uma semana sem que a oposição invoque o termo.

Gómez cresceu ao lado de seu predecessor, Cipriano Castro, que iniciou o século 20 enfrentando uma poderosa ameaça internacional ao não conseguir pagar a dívida contraída com empresas estrangeiras expropriadas.

Embarcações de bandeira inglesa, italiana e alemã bloquearam o porto de La Guaira em 1902 e a Venezuela conseguiu escapar da asfixia quando invocou a Doutrina Drago, que determina a ilegalidade da cobrança violenta de dívidas por parte das grandes potências em detrimento da soberania, estabilidade e dignidade dos Estados frágeis.

Ao se transformar em defensor do nacionalismo, Gómez pôde dar o salto à vice-presidência. Quando Cipriano Castro teve que se submeter a uma cirurgia delicada na Alemanha, ele o traiu com um golpe e se instalou na chefia do governo durante 27 anos. Ali, no trono patriarcal, morreu em 1935.

Seu ideólogo, Vallenilla Lanz, um sociólogo positivista, tentou argumentar que povos como o venezuelano não estavam capacitados para respirar uma atmosfera republicana; só "o gendarme necessário" - como definiu seu modelo de César - poderia tirá-los da miséria e da anomia.

Ele definiu que "o caudilho constitui a única força de conservação social" e que "o ditador eleito ou hereditário, de olhar vigilante", é uma necessidade vital "em quase todas essas nações da América espanhola, condenadas por causas complexas a uma vida turbulenta."

Como porta-voz eficaz da ideologia oficial, Vallenilla Lanz não se refere a Gómez em seu ensaio de maneira direta. Ampara-se, em vez disso, na figura tutelar de Simón Bolívar, que propôs a presidência vitalícia. Escreve que Bolívar "nunca cultivou a mais tênue esperança" de que "aquelas constituições de papel" pudessem estabelecer a ordem.

Seus críticos, como o exilado Rómulo Betancourt, do Partido Revolucionário Venezuelano - depois presidente constitucional - o chamou de "Maquiavel tropical coberto de papel higiênico". Longe de se ofender, Vallenilla Lanz agradeceu a comparação com o autor de "O Príncipe".

Chávez não é o único herdeiro da ideia de um César avalizado periodicamente por eleições livres. Decidido a concentrar ferreamente todo o poder apenas em suas mãos, já está há dez anos no governo, o mesmo tempo que Carlos Menem.

Figuras como Alberto Fujimori ou Álvaro Uribe, por mais diferentes que sejam, viram na perpetuação presidencial o veículo para modelar seus países de acordo com seus desejos. Sem falar em Fidel Castro, que não conseguiu encontrar um sucessor que não levasse seu sangue. Se por um lado o Brasil conseguiu superar, com os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, a herança do autoritarismo populista de Getulio Vargas, na Argentina o exemplo de Perón impregna demais o partido que ele fundou e que já se confunde com o próprio Estado.

Contribuem, e muito, as torpezas de uma oposição que mostra menos interesse na construção da democracia do que no assalto aos privilégios conferidos pela coisa pública, assim como parece ter menos convicção para reintegrar os marginalizados ao mundo da cidadania do que para trocar um líder que assine os Decretos de Necessidade e Urgência por outro que faça o mesmo.

Néstor Kirchner, assim como Gómez, tentou prolongar seus planos de hegemonia alternando-se com seus parentes no governo, tal como fez ao decidir a candidatura da atual presidente, sua mulher. Agora sai a defender o modelo, agitando o fantasma de um conflito de interesses entre grupos e classes que só uma figura providencial, o César, poderia conter.

"Tenham claro", declarou o atual candidato e presidente do justicialismo antes das eleições de domingo passado, "que... não se trata de uma eleição a mais. Ou é a volta ao passado para tratar de impor projetos que não têm nada a ver com o povo, ou é a consolidação de um projeto nacional e popular que devolva a justiça social".

Esse jogo de tudo ou nada já foi explorado por Carlos Menem em 2003.

É, de alguma maneira, o jogo bonapartista, uma das formas do cesarismo. Depois das revoluções de 1848, Luis Bonaparte foi eleito - o primeiro voto universal na Europa - presidente da Segunda República Francesa. Suas constantes convocatórias e referendos desnaturalizaram a representatividade republicana e cimentaram sua popularidade.

Em 2 de dezembro de 1851, esmagou a crescente oposição monárquica ao convocar um plebiscito com a pergunta: "Querem ser governados por Bonaparte? Sim ou não?" Um ano mais tarde, depois da reforma constitucional, transformou-se em imperador autoritário.

A presidente Cristina Fernández conhece bem a história de Napoleão 3º, pois citou a obra de Karl Marx sobre seu golpe de Estado, "O 18 Brumário de Luis Bonaparte", evocando a famosa frase segundo a qual, quando a história se repete, primeiro o faz como tragédia e depois como farsa.

A influência do estilo cesarista de seu marido, para quem discordar equivale a trair, ameaça a estabilidade institucional tanto quanto a falta de ideias da oposição.

Em seu púlpito partidário, o ex-presidente Kirchner não vislumbrou outros futuros além do caos ou a continuidade do modelo imposto pela vontade do César. Nada se empobreceu tanto na Argentina como a imaginação de seus políticos.

Tomás Eloy Martínez

Analista político e escritor, o argentino Tomás Eloy Martínez é autor de livros como "Vôo da Rainha" e "O Cantor de Tango"

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nos arquivos da diplomacia: brasileiros apáticos

Recebi esta oportuna reportagem de uma grande amiga e tomei a liberdade de sublinhar alguns pontos para comentá-los.

Chamo a atenção para o fato de ser a França, e não os EUA que produziu estes comentários. A França país tido como fomentadora de ideais democráticos.

Outro ponto digno de nota é que hoje em dia, mercê de nossa fenomenal capacidade de acesso à informação, os últimos acontecimentos demonstram que temos tipo de apatia similar àquela comentada no artigo em meados da década de 60 do século passado.

Observa-se, também, que no período aludido nosso PIB e volume de investimentos foi o maior registrado...até então.

“...São homens que podem, por vezes, se mostrar desajeitados, patrioteiros, mesmo despóticos, mas que são honestos, competentes e coerentes, e constituem talvez o governo menos ruim que o Brasil já teve desde há muito tempo".”

Com relação à previsão sobre nossos vizinhos eles já anteviram o que se verifica hoje, à exceção da Guiana, todos os governos atuais são de partidos de esquerda naquela época ou deles originados.

Nossa idiossincrasia de não querer assumir compromissos coletivos com regimes democráticos já se denotava em foros internacionais.

O artigo ilumina a baixa densidade de notórios políticos nossos sob o ponto de vista dos representantes do país da grande revolução e títere das liberdades. Os últimos acontecimentos demonstram que tal qualidade não melhorou, mesmo com um amplo espectro de cidadãos podendo ir às urnas para escolher.

O que me chama a atenção é que desde aquela época tivemos um espetacular acesso à informação e ainda não obtivemos a consciência coletiva de ver sociedade como ente de demandas coletivas. Nossa Constituição é pródiga em proteger liberdades individuais em detrimento de obrigações coletivas.

Não acredito ser este o caminho que nos projetará como economia emergente consistente mercê de nossa enorme cama king size de casal, o nosso berço esplêndido: pré-sal, serra da raposa do sol etc etc.

Nos arquivos da diplomacia: brasileiros apáticos

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3960875-EI6782,00-Nos+arquivos+da+diplomacia+brasileiros+apaticos.html

Neste 7 de setembro, o presidente francês Nicolas Sarkozy será o convidado de honra do colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no desfile patriótico da data nacional, em Brasília. Brasil e França vivem atualmente um período excepcional de apreço recíproco, de "parceria estratégica" e de "Aliança para a Mudança", com assinaturas de acordos militares bilionários e discursos de política internacional unificados.

Nos bastidores da real politk, no entanto, nem sempre o clima foi de lua-de-mel.

Em 7 de abril de 1965, um ano após o golpe militar que destituiu o presidente João Goulart, o embaixador da França no Brasil, Pierre Sebilleau, manifestava um certo alívio em seu relatório enviado ao Ministério da Relações Exteriores, em Paris: "Não há o mínimo temor de uma revolta espontânea do povo o mais apático, o mais resignado à miséria que existe no mundo". Funcionário atentivo e aplicado, o diplomata não economizava adjetivos à população nativa: "Na realidade, a massa de brasileiros, indolente e indiferente por natureza, bem ou mal se acomoda a esse regime, autoritário sem dúvida, mas que revela uma grande preocupação com as formas legais, e que obteve certos resultados num dos únicos domínios que entusiasmam o popular: a luta contra a corrupção".

No balanço do primeiro ano do governo do general Castello Branco (1964-1967), Pierre Sabilleau é fiel a seu pensamento: "Sua 'Revolução' não é um caso de princípios imortais e grandes ideais. Ela é pragmática, e seus dirigentes atuais, civis e militares, não são teóricos. São homens que podem, por vezes, se mostrar desajeitados, patrioteiros, mesmo despóticos, mas que são honestos, competentes e coerentes, e constituem talvez o governo menos ruim que o Brasil já teve desde há muito tempo".

Mesmo satisfeito com a ascensão ao poder do "democrata conservador" Castello Branco, o embaixador francês exprimia à matriz sua inquietude com a ameaça comunista nos trópicos: "A América do Sul inteira está exposta à certos perigos de subversão. O Brasil pode, um dia, ser ameaçado na sua integridade pela desproporção crescente entre o Sul rico, moderno, europeu, industrializado, e o miserável Nordeste, onde o risco do castrismo não é desprezível".

A carta do embaixador é apenas um dos mais de sete mil preciosos e curiosos documentos oficiais franceses do período 1960-66 manuseados atentamente pela pesquisadora brasileira Luciana Uchôa, autora do trabalho de relações internacionais na Universidade Sorbonne, em Paris, intitulado "A atitude da França em relação ao novo regime instaurado pelo golpe de Estado militar no Brasil de 31 de março de 1964".

É sabido que, na época, o Brasil ocupava uma posição periférica nas estratégias da política exterior francesa. O objetivo do minucioso estudo da brasileira foi o de demonstrar como, em tempos de Guerra Fria, a "esquerdização" nos governos Jânio Quadros (de janeiro a agosto de 1961) e João Goulart (1961-1964) foi hostilizada pelas autoridades francesas, posteriormente benevolentes com os militares golpistas. O trabalho prioriza a influência da questão ideólogica nas reações do governo francês às turbulências verificadas no Brasil, que terminaram por arejar as relações entre os dois países. Antes do golpe, os franceses condenavam a posição "independente" e "nacionalista" do governo brasileiro. Depois, elogiaram o retorno a um estado de ordem e de cooperação. Além da pesquisa documental, Luciana ouviu diplomatas em missão no Brasil na época e um ex-agente secreto francês que tinha a tarefa de informar Paris sobre o avanço comunista no país.

O trabalho ressuscita instigantes documentos adormercidos nos arquivos do Ministério das Relações Exteriores francês. Num deles, datado de 14 de junho de 1962, o então embaixador francês, Jacques Baeyens, queixa-se da imprensa brasileira, que "sempre evoca os direitos do Brasil sem nunca fazer a menor alusão a suas obrigações". Na mesma carta, o embaixador prossegue sua ladainha: "A maioria dos meus interlocutores fala perfeitamente nosso idioma e se mostra cortês, mas sente-se cada vez mais neles uma vontade de exprimir sua independência face ao estrangeiro, ignorando promessas e compromissos".

Os diplomatas franceses não poupavam comentários sobre politicos e personalidades brasileiras. Em novembro de 1962, Leonel Brizola é rotulado como "homem de esquerda, demagógico", mas a quem "não se deve perder de vista, se os acontecimentos lhe oferecerem uma chance de aceder à postos mais elevados".

Às vésperas de uma viagem à Paris, em 1961, o "embaixador itinerante" e diretor do Diário de Noticias, João Dantas, é desqualificado num relatório francês como "homem nada brilhante", que "desconhece os problemas que evoca". Tancredro Neves é descrito como um "pequeno homem calvo, de aspecto definhado e maneiras doces": "Diz-se que, diante de uma assembléia parlamentar ele consegue se animar. No entanto, é mais apreciado por senadores e deputados por sua afabilidade do que pela energia".

Distante da soturna linguagem acadêmica, o estudo de Luciana Uchôa é de agradável e informativa leitura. Hoje, a adjetivação utilizada pelos diplomatas franceses em relação ao Brasil, em seus relatórios secretos, certamente não é a mesma de tempos passados. Mas, para saber um pouco mais dos meandros da nova "parceria estratégica" de Brasil e França, somente daqui a 30 anos, prazo oficial de liberação para consulta dos arquivos diplomáticos franceses.

Fernando Eichenberg, jornalista, vive há doze anos em Paris, de onde colabora para diversos veículos jornalísticos brasileiros, e é autor do livro "Entre Aspas - diálogos contemporâneos",

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Metáforas futebolísticas e cidadania.

O cenário parece se repetir. Talvez tenha semelhança com campeonatos de futebol para se manter próximo ao pensamento dominante.

Receio, com minha pretensão em filosofar usando metáforas futebolísticas, em errar feio, contudo o detalhe é que a semelhança é irresistível. No futebol vemos constantemente interesses de clubes estrangeiros desbastando nosso elenco de profissionais nos clubes brasileiros. Os melhores jogadores são vendidos com avidez por dirigentes, sem consulta às respectivas torcidas. Via de regra e, na melhor das hipóteses, tais vendas tem como motivo corrigir problemas financeiros tendo como causa, dentre outros fatores, má gestão de ativos e passivos.

Como em campeonatos, outros eventos que causam impacto na sociedade se repetem incessantemente. Assim, problemas com gestão da coisa pública ressurgem sob denúncias que passam a ocupar a atenção dos meios de comunicação que, por sua vez, entopem nossos lares e ouvidos dando-nos a impressão de que nada mais de importante ocorre em nosso país.

Nesse particular já começo a desconfiar que seja uma estratégia bem elaborada para se tentar articular outros impactos que seriam, sozinhos na mídia, extremamente impopulares exemplificando-se com a tentativa de retorno de um novo tipo de CPMF. Neste particular, fico curioso em saber como é que se consegue zerar a dívida externa e ao mesmo tempo emprestar dinheiro ao FMI e ficar-se desesperado com a aprovação de uma alíquota que teria outra destinação e que, ainda assim, movimentam-se bilhões de reais.

Enquanto éramos direcionados a assistir mais um embate no Congresso Nacional deixamos de entender, com mais profundidade, o fisiologismo predominante na Receita Federal, articulações para retorno de mecanismo de arrecadação semelhante à CPMF, isenção fiscal e patrimonial para a Igreja, imposição de “layouts” em farmácias, novos critérios para avaliação de propriedades produtivas e decisões em até noventa dias sobre o futuro do pré-sal.
Como uma venda de craques de futebol para um time fora do país, estes eventos, aqui citados aleatoriamente, guardam ingredientes semelhantes: há fortes interesses estrangeiros envolvidos, em menor ou maior grau; servirão para cobrir déficits de caixa ou para investimentos e, fundamentalmente, não têm participação da torcida ou consulta popular. Cabe, neste particular, relembrar que durante a campanha havia uma máxima dando conta de que este seria um governo de consenso, onde a participação popular faria parte da proposta de gestão da coisa pública, dos destinos do país. Vê-se, contudo, que a proposta de gestão marxista prevalece: O Estado pensa e decide pelo povo. Como provedor ele se aproveita da falta de mobilização popular e não só decide como, paulatinamente, vai fechando todas as portas para a presença do cidadão nas casas deliberativas. Não obstante, o povo sente-se feliz e com um “quê” de consciente, incluído.

Voltando à metáfora futebolística, com a venda do craque o time que liberou chega a se desarticular. Mesmo sendo algo corriqueiro desestabiliza o grupo que, de alguma forma, permanece convivendo com competições internas entre os profissionais remanescentes que ficam ansiosos por adquirir visibilidade para serem os próximos contemplados com um visto no passaporte.

Sem conseguir perceber o contexto maior o torcedor, que paga sua mensalidade e ingressos, busca um culpado e fica feliz e ansioso por ver um técnico demitido na vã esperança de que o rendimento do time venha a melhorar.

Diante do atual, e quase dantesco, cenário a sociedade, sentindo-se feliz e incluída, seja economicamente, digitalmente, futibolisticamente, sambisticamente etc, anseia por “un grand finale” do imbróglio. Como no futebol, onde passivamente aguarda-se o próximo ano e os próximos campeonatos, a sociedade espera “quatro” anos – com ou sem mosca no ouvido, dando ou não voltas enquanto caminha – na esperança de que um eleito, ungido pelas hostes celestiais, resolva sozinho o... “isto que está aí”. Afinal, parece que simplesmente votar é o grande e único compromisso com a democracia.

domingo, 6 de setembro de 2009

Feliz dia da Pátria

Amigos, já que é 7 de setembro, segue um presentão que recebi de uma grande amiga.
Feliz dia da Pátria
Jefferson


Opiniões sobre o Irã


A reportagem, se é que ocorreu da forma divulgada, demonstra em curto espaço de tempo contradições inocentes de nosso dignitário. Ele não deve se esquecer que quando fala, de uma forma ou de outra representa o povo brasileiro, assim, se quiser fazer proselitismo pelo menos deveria ser mais cuidadoso.

Ele insiste que com o Irã falta diálogo dos países do Ocidente esquecendo-se do como aquela sociedade se isolou, voluntariamente, dos demais países após a derrubada do Chá Reza Pahlevi.

O evento também serve para alertar o quanto George Bush, queira-se ou não, estava certo quando denominou aquele país como pertencente ao eixo do mal, pois junto ao Afeganistão e Paquistão os terroristas estão ampliando suas capacidades de ataques para além daquelas fronteiras. Contudo, entender-se que terrorismo hoje em dia pouco representa ideologias e mais business estará longe da compreensão do cidadão ocidental normal.

Por fim no último parágrafo, sempre de acordo com o relatado pela mídia, nosso presidente declara que deve-se deixar de se intrometer nos assuntos internos do Irã. Por que, então que ele está se intrometendo no acordo entre Colômbia e EUA sobre as bases americanas no país vizinho?

Acredito que ele queira demonstrar ser um estadista com visão de mundo, capaz de opinar com segurança acerca de temas coletivos. Ele está correndo sério risco de demonstrar não conhecer esta seara.

Enfim...a reportagem segue no link abaixo:

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,lula-rejeita-sancoes-ao-ira-e-pede-conversa-com-o-pais-islamico,430466,0.htm

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