quinta-feira, 29 de julho de 2010

Populismo e instabilidade criam nó energético na América do Sul

A energia elétrica, regular e sustentável, é a base para o desenvolvimento. Sem ela não se consegue os elementos básicos na educação, formação e preparação para o mercado de trabalho do indivíduo. Resultado, ele emigra de suas regiões, fazem coro nos bolsões marginais das grandes cidades e alimenta o ciclo interminável de insegurança pública e aumentos de gastos do governo para manutenção de meios mínimos de dignidade humana.

Quando a energia é insipiente por causa do populismo e incompetência, temos uma piora ampliada dos problemas acima descritos.


A propósito, muito do que está sendo dito no artigo abaixo já venho adiantando desde que iniciei este blog, aos leitores. Os mais assíduos podem comprovar. Estamos envoltos numa era de populismo em nosso entorno estratégico.


Da mesma forma que ocorreu com os vizinhos, teremos sérias dificuldades de fornecimento de energia para sustentar nosso crescimento.

O artigo abaixo deixa bem claro os óbices desse importante tema. 
Outro tema maiúsculo que requer a atenção e acompanhamento constantes da sociedade.



Populismo e instabilidade criam nó energético na América do Sul





Chance perdida. Calotes, tensões fronteiriças e legislações nebulosas atrasam energética numa das regiões mais ricas do mundo em fontes de gás e petróleo; dos 58 projetos mais importantes elaborados há 10 anos, apenas 11 foram concluídos


João Paulo Charleaux - O Estado de S.Paulo
Uma mistura de disputas seculares por fronteiras, instabilidade econômica e presidentes imprevisíveis está dando um nó de pelo menos US$ 274 bilhões no comércio de energia da América do Sul. O embaraço ameaça frear o desenvolvimento de uma região que poderia não apenas ser autossuficiente, mas aumentar suas exportações de gás, petróleo e biocombustíveis em um século que será marcado pela escassez de energia não-renovável.
Apesar da fartura de suas reservas, os governos sul-americanos vivem perdidos em um roteiro de apagões elétricos, racionamento e crise que afasta investidores estrangeiros e castiga seus próprios consumidores. Nem a riqueza de recursos hídricos e o pioneirismo do biodiesel foram capazes de reverter esse quadro.
O cenário é rico em contradições, como a da Venezuela país superprodutor de energia que, desde fevereiro, apaga as luzes por 4 horas diárias em dias alternados por não ter investido no setor no momento em que o país crescia 6% ao ano.
Ou como o Equador, que também impôs apagões diários a seus cidadãos, entre novembro e janeiro, um mês depois de embargar uma hidrelétrica que era construída pela brasileira Odebrecht e de negar-se a pagar um crédito de US$ 243 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financiava a obra.
A Bolívia do presidente Evo Morales colocou o Exército nas portas da Petrobrás, em maio de 2006 e, quatro meses depois, confiscou as instalações e o fluxo de caixa das refinarias da estatal brasileira.
"Estamos passando por um ciclo de governos que mesclam seus objetivos políticos e ideológicos de curto prazo com as estratégias de energia, que, para funcionar, exigiriam segurança jurídica e estabilidade por períodos muito longos, que transcendam a duração de um ou dois mandatos presidenciais", disse ao Estado Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
Um dos sinais mais evidentes do fracasso da política de integração energética é o resultado da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (Iirsa), criada há dez anos para resolver não apenas os nós energéticos, mas também os entraves nas áreas de transporte e comunicações.
O último relatório do Iirsa revela que dos 58 projetos na área de energia, apenas 11 foram concluídos. O potencial de negócios só para a construção de barragens, linhas de transmissão e gasodutos chega a US$ 70 bilhões, mas, mesmo assim, poucas construtoras se aventuraram em investir no setor.
O nó energético, contudo, não é recente, muito menos restrito aos governo bolivarianos. O Chile ? país que, do fim da ditadura, em 1990, até março deste ano, foi governado por uma coligação de centro-esquerda ocupa a pior posição no ranking energético sul-americano, mesmo tendo enorme potencial hidrelétrico e sendo vizinho da Bolívia, o maior produtor de gás natural da região.
Uma guerra entre os dois países, há 131 anos, fez com que as relações diplomáticas entre La Paz e Santiago fossem cortadas e o gás boliviano tivesse de tomar um desvio de 4.500 quilômetros pela Argentina, até voltar ao Chile. No inverno, quando o consumo de gás aumenta em Buenos Aires, os chilenos têm de recorrer à lenha para se aquecer.
Crise. Depois de o quinto pior terremoto já visto na história ter destruído parte do país, em 27 de fevereiro, os chilenos parecem ter abandonado definitivamente qualquer plano de instalar usinas nucleares em seu território. Portanto, a alternativa ao gás boliviano poderia estar mais ao norte, no Peru, que atualmente consome 6 mil megawatts de energia hidrelétrica, embora tenha um potencial para gerar três vezes mais.
No entanto, uma polêmica desatada em maio pela simples menção da intenção de exportar gás peruano para México e Chile foi suficiente para que o líder nacionalista e virtual candidato à presidência peruana Ollanta Humala dissesse que os peruanos "já estão vivendo uma crise energética". Para ele, Lima "não garantiu um horizonte de segurança energética que atenda sequer os próximos 20 anos". 
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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Boa aparência aumenta chance de vitória de candidatos

Apologia ao óbvio, é o que este estudo representa.

Bem, desde o início comento com amigos que o PSDB entrou para perder esta eleição no momento que escolheu Serra ao invés de Aécio Neves, que além de ser jovem e bem apessoado, é neto de um ícone, Tancredo Neves. 


Há muito já sei que o eleitor vai pelas aparências e empatia. Como Serra além de Dilma são anti-empáticos Aécio deixou de levar frouxo. A se seguir foram o prefeito de Nova Iguaçú - RJ e o governador da Paraíba, a título de exemplo. Ressalte-se, contudo, que é minha impressão. 


Ademais, esperar que o eleitor longe dos grandes centros avalie e discuta entre seus próximos a pertinência das propostas de cada candidato é querer demais, convenhamos.

Enfim, é um tema para se refletir.

Lauren Keiper 


Os gerentes e estrategistas de campanha com frequência recebem crédito pela vitória eleitoral de seus candidatos políticos, mas "stylists" e consultores de imagem deveriam ser os elogiados, segundo uma nova pesquisa.
Um estudo feito por cientistas políticos do Instituto Massachusetts de Tecnologia (MIT) revela que a boa aparência aumenta as chances de um candidato em eleições nos Estados Unidos e outros países.
"Os eleitores talvez sejam mais superficiais do que gostaríamos que fossem e que sua superficialidade é algo comum a muitas culturas", disse o professor associado do MIT Gabriel Lenz, co-autor do estudo.
Os pesquisadores pediram a eleitores dos Estados Unidos e Índia que olhassem fotos de 122 pares de candidatos do Brasil e México e escolhessem quais deles seriam os melhores ocupantes de cargos públicos eleitos.
Sem levar em conta a geografia e as filiações políticas, a maioria dos eleitores optou pelo mesmo candidato. Com base no estudo, os pesquisadores puderam prever resultados eleitorais reais em 68% das eleições mexicanas e 75% das eleições brasileiras que estudaram.
"Existem traços fundamentais presentes em rostos que as pessoas empregam para avaliar a competência dos candidatos e quão honestos aparentam ser", disse Lenz. "Os resultados sugerem que essas avaliações fundamentais são bastante universais."
A inclusão de uma foto de cada candidato na cédula eleitoral é prática comum em muitos países. Lenz disse que o estudo mostra como a foto pode influenciar eleitores, sem que eles mesmos tenham consciência do fato.
Os pesquisadores também constataram que a aparência tende a exercer impacto maior nas eleições de governadores - em que os candidatos regularmente veiculam anúncios na televisão - que em eleições parlamentares.
"De modo geral, quanto mais informações os eleitores puderem dispor sobre os candidatos, melhor, e quanto mais informações desse tipo eles tiverem, menores serão as chances de basearem suas escolhas em fatores superficiais, como a aparência física", disse Lenz em entrevista.
Os outros autores do estudo são o professor do MIT Chappell Lawson, o pesquisador Michael Myers e o cientista político Andy Baker, da Universidade do Colorado.
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Cinco lições que Bill Gates aprendeu com seu pai

Muito simples, muito pertinente, muito ético, muito bom!!
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O livro de Bill Gates Sr. parece aquele papo do avô que conta as experiências da vida para tentar colocar algum juízo na sua cabeça.

Sabe aquele papo do avô que conta as experiências da vida para tentar colocar algum juízo na sua cabeça? O livro “Desperte para a vida”, de Bill Gates Sr. (sim, o pai do fundador da Microsoft, é mais ou menos assim. Ele acaba de ser lançado pela editora Best Seller e custa 25 reais.

O selo “Tudo o que Bill Gates aprendeu com seu pai” é um tanto exagerado. Mesmo porque te leva a crer que, após a leitura, você terá fórmulas de sucesso na manga. Mas o relato ao estilo auto-ajuda pode te fazer, bem, acordar para a vida.


A maior parte dos conselhos apresentados nas 202 páginas não vai muito além do óbvio. Trabalhe duro. Tenha a mente aberta. Aprenda a perder. Esse é o tom dos títulos dos curtos capítulos, inclusive. Mas alguns deles trazem lições bacanas, como essas cinco:


Instigue a curiosidade de uma criança

O pequeno Bill lia muito. Geralmente para ganhar de seus irmãos nas competições de quem lia mais. Em vez de mandar o filho ir dormir logo, quando estava na hora, o papai Gates relaxava um pouco as regras da casa e o deixava lendo mais um pouco. Também não reclamava da quantidade de livros que o filho queria comprar. Após a adolescência, algumas horas de leitura viraram horas à frente do computador, na escola, com seu colega Paul Allen. Parece que valeu a pena.


Compartilhe seus talentos com os outros

A mãe de Bill Gates, Mary, certa vez prestou serviços voluntários juntamente com o presidente da IBM, John Opel. E disse, assim de passagem, que seu filho trabalhava num projeto com a Microsoft. Os talentos de Mary e Bill, portanto, teriam sido muito importantes quando IBM e Microsoft assinaram contrato para tocar o projeto do computador pessoal.


Seja radicalmente generoso

Quando estava aprendendo a dirigir, Bill pai ganhou um carro de sua irmã mais velha. Mas o detalhe é que seu pai não havia deixado a moça tirar a carta, por uma questão simples de machismo. Para ele, mulher não poderia dirigir. O então garoto não esqueceu jamais desse ato de bondade, que passou para seus filhos. Afinal, irmão geralmente faria birra numa hora dessas, não? Hoje, Bill Gates é reconhecidamente um cara generoso.

Passe hábitos adiante

Bill Gates faz bastante trabalho social. E diz que se lembra de quando ficou com seu pai segurando uma placa a favor de uma campanha. A ideia era arrecadar fundos para uma escola. A mãe de Trey, como o pai da Microsoft era chamado por seus pais, também vivia perguntando quanto ele iria doar para o Exército da Salvação no Natal.


Fale abertamente

Ver um presidente americano, no caso Jimmy Carter, dizendo a expressão “pênis descoberto” pode parecer um escândalo para uma sociedade conservadora. Mas pode ser muito útil se o intuito for chocar alguns africanos e fazê-los pensar que, se fizerem sexo sem a devida cobertura peniana, terão problemas sérios de saúde. Logo, falar sem censura, quando for necessário mudar o rumo de alguma coisa, é muito importante, diz o senhor Gates.
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Por que me preocupar com outros assuntos?


Esta foi uma pergunta interessante que me fizeram meses atrás.
Respondi à pessoa que também era empresário:

Por que você deveria se importar com outros assuntos além daquele que lhe dizem respeito diretamente?

Vou lhe dar um exemplo:
Suponha que vc seja empresário do ramo de calçados. (Você pode, também, ser funcionário). Imagine, ainda, que você queira ampliar seu mercado consumidor e  vislumbre  uma boa oportunidade ao saber que o governo está conclamando pequenos empresários para juntar forças junto às empresas que exportam para os países do Mercosul.

Você, para atender tal demanda maior e inesperada nos seus anos entrantes, resolve solicitar empréstimos ao BB para ampliar e melhorar sua empresa para produzir mais. O ramo de calçados pode absorver, até, dezesseis tipos de outras empresas que irão alimentar em insumos de produção, sua capacidade de exportar ou auxiliar outra empresa exportadora.
Você contraiu um respeitável empréstimo e se comprometeu oferecendo demanda das produções dos demais empresários de sua cadeia de produção.

Vem, então, uma decisão da presidente da Argentina "desacordando" alguns compromissos signados nas diversas reuniões e cúpulas do Mercosul. O que vc faria com um eventual prejuízo? E senhor prejuízo, diga-se de passagem.

Esta é a importância do cidadão ter uma boa noção do que ocorre à sua volta, no seu ambiente imediato mais próximo, como também aqueles que, por desdobramento, venha a interferir na sua ambiência.

Amigos, esta é a principal proposta deste blog: Fornecer-lhes notícias, com breves comentários introdutórios, a fim de lhes permitir uma melhor noção, além daquela que a mídia lhes proporciona. Muitos dos temas que lhes ofereço para reflexão podem não lhes dizer respeito de imediato, mas todos têm uma forte conexão com sua cidadania. Interferem, de uma forma ou de outra, discreta ou evidentemente, em nosso dia a dia,  em nossa tentativa de diminuir nossa exclusão, sermos competitivos mundialmente, enfim, estarmos prontos para o desenvolvimento.

Sds
Jefferson

Saneamento e renda

Um artigo bem escrito, um tema necessário.







Apesar do avanço do saneamento básico nos últimos anos, estima-se que 114 milhões de brasileiros ainda não dispõem de sistema de coleta de esgotos. Doenças decorrentes da falta de saneamento básico, como diarreia, estão entre as principais causas das mortes de crianças no País. Só isso já seria mais do que suficiente para levar os governos brasileiros a investir bem mais do que vêm investindo em saneamento básico, para o País atingir com mais rapidez a meta de universalização, isto é, o atendimento de toda a população com esse serviço.
Mas, além dos prejuízos à saúde da população, a falta de saneamento básico tem também efeitos econômicos nocivos que justificariam até financeiramente a aceleração dos programas de extensão das redes de água e dos sistemas de coleta e tratamento de esgotos. É o que mostra a pesquisa Benefícios econômicos da expansão do saneamento brasileiro elaborada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo e pelo Instituto Trata Brasil, uma organização criada para mostrar a urgência da universalização do saneamento básico.
Com base em estatísticas conhecidas e em comparações de dados de regiões onde os serviços de saneamento básico já atingem quase toda a população e daquelas em que a maioria dos habitantes carece desses serviços, o estudo conclui que a falta de água tratada e de redes públicas de coleta de esgoto reduz a produtividade do trabalhador e, assim, reduz sua renda média. Além disso, a falta de saneamento impõe custos adicionais ao sistema nacional de saúde, impede a valorização do principal bem de muitas famílias de baixa renda (que é sua moradia) e condena à estagnação regiões com alto potencial para o turismo e que poderiam gerar muito mais emprego e renda.
É fato notório que a falta de coleta de esgotos provoca doenças infecciosas que levam ao afastamento das pessoas doentes do trabalho. As pessoas infectadas que permanecem trabalhando têm desempenho inferior ao de seus companheiros, ou seja, têm menor produtividade, pois estão com a saúde abalada. Essa deficiência tem um custo econômico que pode ser avaliado de diversas formas. Segundo a FGV, o prejuízo das empresas com as horas pagas, mas não trabalhadas - por afastamento do trabalhador para tratamento de doenças infecciosas em geral provocadas por más condições de saneamento nos locais onde vive -, pode chegar a R$ 547 milhões por ano.
Trabalhadores que vivem em cidades nas quais os serviços de saneamento atendem a praticamente toda a população ganham, em média, 13,3% mais do que os que vivem em locais sem coleta de esgoto. Tendo esse diferencial como base e levando em conta a renda média dos brasileiros e o número de trabalhadores que não dispõem de serviços adequados de saneamento básico, a FGV calculou que, se o País alcançasse a universalização desses serviços, a massa salarial, de R$ 1,1 trilhão, poderia aumentar R$ 41,5 bilhões.
Eis aí um programa de renda democrático e apolítico, que não escolhe pessoas ou famílias beneficiadas, pois não exige inscrição prévia em órgãos públicos. Curiosamente, o ganho de renda "é praticamente o custo da universalização do sistema de coleta e tratamento de esgoto no Brasil, estimado em R$ 49,8 bilhões", observam os autores do estudo.
E o programa teria ainda outros benefícios para as finanças públicas, entre eles a redução dos gastos com internações hospitalares em razão de infecções intestinais causadas por más condições de saneamento. Do ponto de vista social, reduziria em 65% o índice de mortalidade entre os pacientes internados com infecções gastrointestinais, o que significa que 1.277 vidas seriam salvas anualmente.
Para as famílias de baixa renda que hoje vivem em más condições de higiene, a universalização do saneamento básico poderia significar a valorização de até 18% de sua moradia, que é seu principal ativo econômico. Para as regiões com potencial turístico reprimido por falta de saneamento básico, a universalização traria investimentos, empregos e mais renda. 
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Romper o círculo da pobreza

O tema abaixo é de fundamental importância que conheçamos com profundidade.
Considerando-se a América Latina, como um todo, ressalta o estudo a "captura do Estado" por grupos ideologicamente estruturados que impedem qualquer tentativa de melhoria e redução das desigualdades.

Ressalta, também, o estudo a fraqueza de nossas instituições. Amigos, isto só acontece porque somos latinos, católicos e patrimonialistas. Fomos educados a aguardar a solução vinda do Estado e da Igreja. Não nos educamos a elaborar, autonomamente, propostas para viabilizar nossa redução de desigualdade e permitir nosso crescimento. Se dá, contudo, pela anuância silenciosa das sociedades latinas que sempre esperam um salvador.

Redução de desigualdade é um tema que permeia todos os demais, ao mesmo tempo que radiografa nossa estrutura social e política. A título de exemplo, mesmo sentado em cima de um mar de petróleo a Venezuela não consegue diminuir sua desigualdade. Mesmo sentada em cima da maior reserva de lítio do planeta, a Bolívia não tem competência para crescer reduzindo, por igual, sua desigualdade.

É um tema maiúsculo que requer nossa atenção a atuação muito além do simples ato de votar.




Um dos aspectos mais dramáticos do relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) sobre o nível de desenvolvimento humano dos países da América Latina não é a confirmação de que, no que se refere à distribuição da renda, a região continua sendo a mais desigual do planeta - e, apesar das melhoras dos últimos anos, o Brasil, na comparação com os demais países, tem a terceira pior situação do mundo. O que torna a questão muito mais grave é o fato de que, nas últimas décadas, as várias ações colocadas em práticas pelos diferentes governos, sob diferentes regimes políticos, não conseguiram evitar que os problemas da desigualdade e da pobreza se repetissem de uma geração para a outra.

Impera na região uma espécie de lei social perversa, por meio da qual, como diz o documento do Pnud, "a desigualdade reproduz desigualdade, tanto por razões econômicas como de economia política, e gera um acesso desigual ao sistema de representação política e à possibilidade de se fazer ouvir". Os níveis de escolaridade ou de renda de uma geração estão correlacionados com os da geração anterior. É como se filho de pai pobre já nascesse condenado a viver na mesma situação de seus ascendentes.



É, reconhece na apresentação do relatório o subsecretário-geral da ONU e diretor regional do Pnud para a América Latina e Caribe, Heraldo Muñoz, "um círculo vicioso difícil de romper". Mas, otimista, Muñoz afirma em seguida que "sim, é possível reduzir a desigualdade na América Latina e no Caribe". Mostrar o caminho para isso é o objetivo central do estudo que tem o sugestivo título de Atuar sobre o futuro: romper a transmissão intergeracional da desigualdade.



Para examinar mais detidamente a questão das desigualdades de renda, educação e saúde na região, os pesquisadores desenvolveram um índice especial - o Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à Desigualdade, IDH-D, que não pode ser comparado ao IDH tradicionalmente divulgado pelo órgão (o de 2010 sairá em outubro), por causa da metodologia diferente. Depois de avaliar o grau de desigualdade nos países da região e comparar esses resultados com os dos demais países do mundo, utilizando a mesma metodologia, o relatório constatou que, dos 15 países em que é maior a distância entre ricos e pobres, 10 estão na América Latina e no Caribe.



Uma das conclusões do relatório é que, na região, a falta de acesso aos serviços básicos de infraestrutura, a baixa renda, além de uma estrutura fiscal ineficiente para reduzir as desigualdades e a falta de mobilidade educacional entre as gerações reproduzem o quadro da distribuição muito desigual de rendimentos entre as famílias.



Constata-se que, desde a metade do século passado, apesar das diferentes políticas adotadas pelos governos da região - com mais ou menos intervenção do Estado na economia, com mais ou menos liberdade para a ação empreendedora, com menor ou maior grau de abertura política -, a desigualdade tem sido "alta, persistente e se reproduz num contexto de baixa mobilidade social".



Ou, como diz em outro trecho o estudo do Pnud, "os altos níveis de desigualdade têm sido relativamente imunes às diferentes estratégias de desenvolvimento implementadas na região desde a década de 1950".
Se tudo o que se fez até agora foi, em grande medida, ineficiente e ineficaz, ainda há o que possa ser feito de novo para alcançar resultados melhores?



Ao apontar os fatores que emperram as políticas públicas destinadas a combater as desigualdades, o relatório indica meios para reduzir o problema. Entre os fatores estão a baixa qualidade da representação política, a debilidade das instituições, o acesso desigual aos que têm o poder de elaborar e definir políticas específicas, a corrupção e a captura do Estado por partidos ou grupos políticos.



Em resumo, é preciso colocar em marcha reformas que melhorem o sistema de representação política e deem ao Estado melhores condições de responder às demandas sociais e reorientar as políticas sociais.
Não é pouco o que precisa ser feito. Mas pode ser feito.


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terça-feira, 27 de julho de 2010

Brasil-Irã: como fazer amigos e dar-se mal -ROBERTO ABDENUR

 Tive a honra de conversar, pessoalmente, com o Emb Abdenur no início de minha missão em Washington, a quem era, no da linha, subordinado. Ele tem uma invejável cultura. Impressionante é que conversar com ele vc se sente desesperado achando que ou ele vai encerrar o papo ou o relógio vai disparar. Acredito que horas a fio ele prenda a atenção de qualquer um com sua simplicidade e cultura. Posso dizer que poucas pessoas que conheci na vida, ao fim de uma conversa me senti com um pouco mais de conhecimento e não, meramente, informação.

Por suas posições que acompanhava, até ser substituído, ele pensava em Brasil como Estado e não, simplesmente, como país. Ele, já naquela época, discordava de algumas posições da diplomacia brasileira em relação aos EUA e vizinhos na A Latina. Claro está que ele leu e estudou muito em sua vida, e não podia deixar de ser assim, pois a facilidade com a qual discorria sobre clássicos da literatura mundial, sugere um alto grau de erudição.

O tema que ele ilumina em seu artigo é de fundamental importância para nosso futuro. Relembro que a atribuição constitucional do Senado Federal vem sendo, repetidamente, atropelada pelo Itamaraty, órgão executivo das vontades da sociedade traduzidas e exaradas pela Câmara Alta (Senado). E como disse o ex-Ministro Rubens Barbosa, com o Irã "atravessamos a rua para escorregar na poça d´água da calçada oposta..." e amigos, a queda será de bubum direto no chão, um yippon genuíno, sem direito a apoio ou desequilíbrio.

Assim, amigos, publico neste espaço a reportagem do intelectual que, por acaso, também foi embaixador, fazendo uma análise pertinente e madura sobre a postura ideológia, alinhada à doutrina do Foro de São Paulo, adotada pelo nosso governo. Em se mantendo tal alinhamento, só teremos a perder...e muito.



Brasil-Irã: como fazer amigos e dar-se mal

 ROBERTO ABDENUR -  Segunda-feira, Julho 26, 2010


Folha de S Paulo 


O governo brasileiro cometeu grave erro diplomático ao buscar excessiva aproximação com o Irã, sem ter em mente a complexidade da questão



Em artigo publicado nesta Folha em 21 de julho último, o embaixador do Irã em Brasília comentou os entendimentos entre seu país, Turquia e Brasil a propósito do programa nuclear iraniano ("Brasil respeitado pelas nações"). 

A iniciativa por ele mencionada suscita algumas considerações em termos das implicações, para os interesses do Brasil, de nosso envolvimento na questão. 


Abordo o tema com alguma vivência direta do assunto: como embaixador perante a AIEA, em Viena, e presidente naquela subsede das Nações Unidas, ao longo de 2003, do chamado "Grupo dos 77 e China" (que defende os interesses dos países em desenvolvimento no plano econômico), tocou-me atuar na questão quando, pela primeira vez, tornou-se público que o Irã, durante 18 anos seguidos, vinha conduzindo atividades nucleares de forma clandestina, sem delas dar conhecimento à AIEA, como exigem as obrigações assumidas perante aquela agência pelos países que aderem ao Tratado de Não Proliferação de armas nucleares. 


De lá para cá -passados, portanto, outros sete anos- múltiplas idas e vindas entre Teerã e a AIEA não lograram dirimir as desconfianças sobre as verdadeiras intenções do programa iraniano. Até o final de 2009 o secretariado da AIEA afirmava não ter indícios de desígnios malévolos, mas esclarecia não haver obtido das autoridades iranianas esclarecimentos capazes de afastar as suspeitas de intenções ocultas. 


Em fevereiro do ano em curso, novo relatório da AIEA elevou o tom: afirmou categoricamente, sim, haver fundadas razões para suspeitas de propósitos militares nas atividades nucleares iranianas. 


O governo brasileiro cometeu grave erro diplomático ao buscar, de modo arrojado e irrefletido, excessiva aproximação com o Irã, sem ter em mente a extrema complexidade e delicadeza da questão. 


As operações diplomáticas são em boa medida análogas a operações militares: não se adentra um cenário de conflito sem prévio exame de todas as condições do terreno e de seu entorno, sem cuidadosa avaliação dos riscos e custos e sem levar na devida conta os interesses e posicionamentos de outros atores envolvidos na trama. 


Foram ignoradas circunstâncias que saltavam aos olhos. Em primeiro lugar, a avaliação da AIEA, que é organização séria e confiável, não sujeita a manipulação por qualquer potência. De outra parte, deixou-se de ver que a questão nuclear iraniana não é contencioso somente entre Teerã e Washington. 


É problema que inquieta, e muito, a maior parte dos países árabes, os europeus em geral e até mesmo duas potências com imensos interesses concretos no Irã (ao contrário do Brasil, que não os tem): China, grande compradora de petróleo, investidora na prospecção de óleo e gás e exportadora de bens e serviços para o país; e Rússia, prestes a concluir a obra do primeiro reator nuclear para geração de energia elétrica no Irã -e que se responsabilizará totalmente pelo fornecimento do combustível a ser por ele usado. 


Ao fim e ao cabo, viu-se o Brasil, no seio do Conselho de Segurança das Nações Unidas (onde iniciamos, para o biênio 2010-2011, novo mandato como membro temporário), na incômoda posição de discordar de ampla e significativa maioria, ao votar contra nova rodada de sanções, apoiadas até mesmo por Pequim e Moscou. 


Esses passos em falso -a indevida, quase entusiástica identificação com o Irã, e o voto negativo- lesionam seriamente a imagem de equilíbrio, objetividade e imparcialidade que tradicionalmente fundamenta nosso pleito por lugar permanente no Conselho de Segurança, a instância decisória suprema em questões de ameaças à paz e à segurança internacionais. 


Triste paradoxo: estar hoje nossa própria diplomacia a minar as credenciais do país na perseguição de um de seus mais importantes desideratos em política exterior... 


ROBERTO ABDENUR, diplomata de carreira aposentado, foi embaixador do Brasil no Equador (1985-1988), na China (1989-1993) e nos EUA (2004-2006), entre outros países, além de secretário-geral do Itamaraty (1993-1994). É membro do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais).
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Polícia e política no Rio

 TARCÍSIO ANDRÉAS JANSEN - DELEGADO DE POLÍCIA, escreve:


Como Delegado de Polícia do Rio de Janeiro é meu dever moral e jurídico esclarecer ao povo carioca os motivos pelos quais enfrentamos este caos na Segurança Pública.

Em primeiro lugar, fique você sabendo que a nossa legislação permite  que qualquer pessoa, independentemente de sua qualificação profissional, assuma o cargo de Secretário de Segurança Pública.

Isto significa que as Polícias Militar e Civil estão sob a direção de pessoas que nem sempre têm qualquer conhecimento jurídico e  operacional para exercer sua função pública.

Isto significa também que o Governador eleito pelo povo indica o Comandante da Polícia Militar e o chefe de Polícia Civil, que podem ser demitidos a qualquer momento.

Estes por sua vez, indicam os comandantes de cada Batalhão e os Delegados Titulares de cada Delegacia, que por sua vez, são também afastados de seus cargos por qualquer motivo.

Digo, portanto, que a Polícia Civil é absolutamente política e serve  aos interesses políticos dos que foram eleitos pelo povo. Quando os afastamentos de Delegados são políticos e não motivados por sua competência jurídica e operacional, o resultado é a total falta de profissionalismo no exercício da função.

Este é o primeiro indício de como a nossa Lei trata a Polícia. Se a Polícia é política quem investiga os políticos?

Você sabia que o papel da Polícia Militar é exclusivamente o patrulhamento ostensivo das nossas ruas?

 E por isso é a Polícia que anda fardada e caracterizada e deve mostrar sua presença ostensiva, dando-nos a sensação de segurança.

Você sabia que o papel da Polícia Civil é investigar os crimes ocorridos, colhendo todos os elementos de autoria e materialidade e  que o destinatário desta investigação é o Promotor de Justiça que, por sua vez, os levará ao Juiz de Direito que os julgará, absolvendo ou condenando?

Então, por que nossos governadores compram viaturas caracterizadas  para a sua polícia investigativa? Então, por que mandam a Polícia Civil patrulhar as ruas e não investigar  crimes?

Parece piada de muito mau gosto, mas é a mais pura e cristalina realidade.

Você sabia que o Poder Judiciário e o Ministério Público são  independentes da Política e a Polícia Civil é absolutamente dependente?

Assim, a Polícia Civil é uma das bases que sustenta todo o nosso sistema criminal, juntamente com o Judiciário e o Ministério Público.

Se os Delegados de Polícia têm essa tamanha importância, por que são administrativamente subordinados à Secretaria de Segurança e a Governadores que são políticos?

Porque ter o comando administrativo da Polícia Civil de alguma forma  serve aos seus próprios objetivos políticos, que passam muito longe dos objetivos jurídicos e de Segurança Pública.

Assim, quero dizer que o controle da Polícia Civil está na mão da política, isto é, do Poder Executivo.

Tais políticos controlam um dos tripés do sistema criminal, o que gera prejuízos tremendos e muita impunidade. Não é preciso ser inteligente para saber que sem independência não se investiga livremente. É por  isso que os americanos criaram agências de investigação independentes para fomentar sua investigação criminal.

Em segundo lugar, fique você sabendo que os policiais civis e militares ganham um salário famélico.

Você arriscaria sua vida por um salário de fome?

Que tipo de qualidade e competência têm esses policiais?

Se a segurança pública é tão importante, por que não pagamos aos nossos policiais salários dignos, tais quais são os dos Agentes  Federais? Se o Governo não tem dinheiro para remunerar bem quem é importante para nós, para que teria dinheiro?

Em minha opinião, há três tipos de policiais: os que são absolutamente corrompidos; os que oscilam entre a honestidade e a corrupção e os que  são honestos.

Estes trabalham em no mínimo três "bicos" ou estudam para sair da polícia de cabeça erguida.

De qual dessas categorias você gostou mais?
Parece que com esses salários, nossos governantes, há tempos, fomentam  a existência das primeira e segunda categorias.

É isto o que você quer para sua cidade? - Mas é isso que nós temos! É a realidade mais pura e cristalina!
O que vejo hoje são procedimentos paliativos de segurança pública  destinados à mídia e com fins eleitoreiros, pois são elaborados por políticos. Mas então, o que fazer?

Devemos adotar uma política de segurança a longo prazo. A legislação deve conferir independência funcional e financeira à Polícia Civil com  seu chefe eleito por uma lista tríplice como é no Judiciário e no Ministério Público.

A Polícia Civil deve ser duramente fiscalizada pelo Ministério Público que deverá também formar uma forte Corregedoria.
 O salário dos policiais deverá ser imediatamente triplicado e organizado um sério plano de carreira.

Digo sempre que se a população soubesse qual a importância do salário para quem exerce a função policial, haveria greve geral para remunerar  melhor a polícia. Mas a quem interessa que o policial ali da esquina ganhe muito bem? -

Será que ele vai aceitar um "cafezinho" para não me multar ou para soltar meu filho surpreendido com drogas?
 Será que não é por isso também que não temos segurança?

Fiquem todos sabendo que se o policial receber um salário digno não mais haverá escalas de plantão e,conseqüentemente, não haverá espaço físico para que todos trabalhem todo dia, como deve ser.

Fiquem sabendo que a "indústria da segurança privada" se tornará pública, como deve ser.
Fiquem sabendo também que quem vai ao jornal defendendo legalização de emprego privado para policiais, não deseja segurança pública e sim,  segurança para quem pode pagar.

Desafio à comunidade social e jurídica a escrever sobre estes temas e procurar uma POLÍTICA DE SEGURANÇA realmente séria e não hipócrita, como é a que estamos assistindo Brasil afora.

AUTORIZO A PUBLICAÇÃO IRRESTRITA DESTE TEXTO.
Façam um favor ao Estado do Rio de Janeiro, enviem para todas as pessoas que conhecerem / Dr. TARCÍSIO ANDRÉAS JANSEN - DELEGADO DE POLÍCIA investigador (bobpinga@gmail.com )

GRUPO DELPOL-PC
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