sábado, 14 de novembro de 2009

INCIVILIDADE E RAIVA

O texto abaixo tem uma discreta referência a um problema recorrente na França. País precussor do humanismo onde os cidadãos de países que lhes são território ou colônia ultra-mar detêm direitos semelhante aos que nascem no continente, enfrenta antigas e sérias dificuldades de inclusão econômica e social dos imigrantes.
Houve um fato peculiar durante a copa de 1998 quando, próximo à partida final o presidente francês Jacques Chirac declarou que a taça não sairia da França.
Uma sutil, contudo, eficaz maneira de apaziguar os latentes e exaltados ânimos dos imigrantes que, via de regra, causavam incêndios e tumultos nas periferias de grandes cidades.
Para quem se lembra do jogo, Zinadine Zidane, capitão do time francês mas nascido na Argélia, era o símbolo máximo do imigrante que tinha dado certo. Coincidência ou não ele marcou dois gols decisivos, sendo que um deles, para quem se lembra, ele subiu, sozinho, no meio da zaga brasileira e marcou o segundo gol de cabeça quase sem sair do chão.
Enfim, esta ilação é apenas para se divagar um pouco, contudo, o assunto em pauta é um fato portador de futuro. 
Aos amigos que gostam do tema de mudanças sociais e empresariais, sugiro passarem a se antenar com relação a imigração e envelhecimento da força de trabalho. Será um tema palpitante nos próximos anos.


Não se contava com os vândalos
http://veja.abril.com.br/111109/nao-contava-vandalos-p-112.shtml


O sistema de bicicletas públicas de Paris, inaugurado há dois anos como um exemplo para as cidades do futuro, sofre com depredações e roubos constantes.
Renata Moraes
Samuel Bollendorf/The New York Times


INCIVILIDADE E RAIVA
Bicicletas de aluguel destruídas em Paris: alvo da revolta dos habitantes dos subúrbios pobres


Quando as populações de várias cidades europeias aderiram com entusiasmo ao sistema de aluguel de bicicletas públicas, em meados dos anos 90, vislumbrou-se uma possibilidade real de abrandar o caos urbano causado pelo trânsito. A implantação do sistema em Paris, em 2007, tornou-se símbolo de seu sucesso. O Vélib (de vélo, bicicleta, e liberté, liberdade) colocou em circulação 20 600 bicicletas distribuídas por 1 450 pontos da capital francesa. Por apenas 1 euro, pode-se alugar uma delas e deixá-la em outro ponto da cidade num prazo de até 24 horas. De imediato houve redução do trânsito e uma melhora da qualidade do ar. Dois anos depois, o programa enfrenta um problema que põe em risco sua continuidade: 80% das bicicletas já foram depredadas ou roubadas. Em outras cidades, como Barcelona e Copenhague, a porcentagem de depredação e roubo não chega a 10% da frota das bicicletas de aluguel. O prejuízo não é pequeno. Cada bicicleta do Vélib, fabricada especialmente para o sistema e com estrutura reforçada, custa 3 500 dólares.


Exemplares da frota roubada do Vélib já foram encontrados à venda no mercado negro do Leste Europeu e do norte da África. Outros foram abandonados em estradas, muitas vezes depois de ter as rodas retiradas. "Um índice de vandalismo no sistema de aluguel de bicicletas superior a 10% da frota só se explica pela ocorrência de problemas sociais", disse a VEJA o consultor americano Paul DiMaio, especialista em políticas públicas de transporte. Para os franceses, a destruição e o roubo das bicicletas têm como protagonista a mesma parcela da população que, em 2005, promoveu uma onda de incêndios em carros, prédios, escolas e repartições públicas. São moradores dos subúrbios pobres, muitos deles imigrantes com dificuldades de adaptação, que se sentem marginalizados pela sociedade. As bicicletas que integram o Vélib se converteram em alvo de seu ressentimento. Como a maior parte dos 400 quilômetros de ciclovias disponíveis em Paris está na região central e glamourosa da cidade, as bicicletas são associadas ao estilo de vida que eles chamam de "burguês boêmio". "Chegou o momento de usar o transporte alternativo também como forma de inclusão social, ou o sistema pode ficar inviável", disse a VEJA o sociólogo francês Bruno Marzloff, especialista em mobilidade urbana. Enquanto isso não acontece, a empresa concessionária do Vélib conserta 1 500 bicicletas por dia.

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