sexta-feira, 4 de junho de 2010

O apagão profissional e o futuro do país

Uma das formas de se evidenciar que o discurso é diferente do que se verifica na prática é um texto como este que, escrito por um profissional de mercado, expressa um problema estrutural que vem se avolumando. 

Ressalte-se, ainda, que a quantidade de meios de informação, de faculdades, de acesso a formação técnica, de acordo com o governo, vem se verificando nos últimos anos contudo, ao lado de desempenhos pífios de alunos dos níveis iniciais e dos contumazes baixos índices de aprovação em conselhos e ordens ao fim do terceiro grau de ensino denota que ainda teremos grandes dificuldades para avançarmos ao primeiro mundo. 

O bom do texto é que o autor aponta elementos importantes de análise e reflexão sob o ponto de vista de quem está inserido na realidade produtiva do país.






O apagão profissional e o futuro do país





CFO comenta sobre pesquisa recente da Fundação Dom Cabral que aponta a falta de profissionais qualificados para ocuparem vagas no Brasil







Falta gente qualificada para ocupar as vagas que, em virtude do forte crescimento econômico, começam a sobrar no País. A informação está presente em um estudo feito pela Fundação Dom Cabral com as 76 maiores companhias do Brasil, divulgado recentemente. De acordo com o levantamento, os setores mais afetados são os de construção civil, indústria naval, automobilístico, ferroviário, moveleiro, de transportes e serviços, siderúrgico e metalúrgico. Sessenta e sete por cento das empresas consultadas pelos pesquisadores disseram ser "muito difícil" contratar funcionários.
Por um lado, o Brasil ainda amarga um índice de 8 milhões de desempregados; de outro, sobram vagas. O que existe, portanto, é um descompasso entre "aquilo que sobra" - uma grande massa de pessoas sem qualificação e, não raro, analfabetas funcionais - e "aquilo que falta": gente bem preparada. E não se trata apenas de encontrar candidatos com o certificado de conclusão de um curso superior. Para o profissional moderno ter alguma chance de sucesso no competitivo cenário globalizado, ele deve se mostrar apto a lidar com os novos apelos do mercado, com as novas tecnologias e com a necessidade constante de rever métodos e conceitos.
A falta de mão de obra capaz de atender essa ampla gama de exigências pode sufocar os planos brasileiros de crescer mais de 5% ao ano. Ao lado da infraestrutura deficitária, do sistema tributário paquidérmico, da burocracia exagerada e da legislação trabalhista draconiana, o fenômeno que está sendo chamado de "apagão profissional" representa um gargalo importante. É muito mais caro para uma empresa se instalar num país onde, por pressuposto, ela terá de captar funcionários no exterior, bancando salários atraentes e benefícios que motivem uma pessoa qualificada a empreender uma mudança tão grande.
Vale lembrar que, ao contrário do que ocorria algumas décadas atrás, não são somente os profissionais em cargos de comando que devem dispor de atributos como visão estratégica e capacidade de gerenciamento. Hoje, as pirâmides organizacionais não são tão rígidas. A cúpula ficou pequena demais para processar o enorme volume de informações e a abrangência dos conhecimentos requeridos em um cenário cada vez mais complexo. Dessa forma, surgiram novas posições, paralelas às de gerência e direção, em geral ocupadas por técnicos e especialistas que traçam diretrizes e coordenam projetos específicos.
Dentro desse espírito florescem e se disseminam, com êxito, os conceitos de descentralização, autonomia, iniciativa, proatividade, senso crítico, criatividade e pensamento sistêmico. Incentivar a formação de pessoas com perfil adequado a essa gama de desafios deve ser, desde já, uma das prioridades brasileiras. Na verdade, estamos atrasados nessa jornada: o "apagão da mão-de-obra" vem sendo debatido, há tempos, por estudiosos, pesquisadores, políticos, empresários e executivos. Não fizemos quase nada a respeito, e agora urge correr do prejuízo.
Jorge Cunha (CFO (Chief Financial Officer) da BDO, quinta maior empresa do mundo em auditoria, tributos e advisory services).
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quinta-feira, 3 de junho de 2010

A Grécia é a ponta do iceberg

Nosso presidente vem defendendo um Estado forte e uma carga tributária elevada. Da mesma forma a CEPAL também assim define e expressa no documento que encerra o encontro multinacional. 


A questão está na insolvência que alguns países que não possuem a riqueza que nós temos que não tiveram de onde extrair meios, insumos e recursos minerais para colocar à venda no mercado internacional e atrair investimentos.


Convém, contudo, acompanhar que o Estado assistencialista é a maior causa da insolvência grega, só que este particular não vem sendo devidamente iluminado.






Em entrevista exclusiva a EXAME, o economista Nouriel Roubini descreve aquilo que considera o "castelo de cartas" das finanças globais




A popularidade do economista americano de origem turca Nouriel Roubini costuma oscilar na razão inversa da situação econômica mundial. Em momentos de euforia, o professor da Universidade de New York tende a ser visto como um chato de plantão, aquele cri-cri que busca problemas onde os outros veem soluções. Não à toa, ficou conhecido como Dr. Apocalipse. Mas, quando as crises previstas por ele se materializam, acontece o contrário. Sua fama atingiu o apogeu em 2008, durante o pânico causado pela quebra do banco americano Lehman Brothers. Roubini, que havia previsto o colapso, tornou-se uma espécie de economista popstar. Agora, em meio à crise que lançou o euro em incerteza, as palavras de Roubini, um velho crítico da união monetária europeia, voltam a ganhar peso. Para ele, a endividada Grécia é apenas a ponta do iceberg - e os problemas que abalam o país podem ser encontrados também em potências como Estados Unidos, Japão e Reino Unido. Segundo ele, as finanças governamentais são um castelo de cartas prestes a desabar. Uma boa notícia: o Dr. Apocalipse alimenta um cauteloso otimismo em relação à economia brasileira. Roubini viaja ao Brasil para participar da segunda edição do EXAME Fórum, no dia 31 de maio, com o tema "Brasil - A construção da quinta maior economia do mundo". Antes de embarcar, deu a seguinte entrevista a EXAME.
EXAME - No dia 10 de maio, as bolsas dispararam com o anúncio do plano de resgate europeu. Logo depois, o pessimismo voltou a toda. Qual é o problema com a Europa?
Nouriel Roubini - Dinheiro não é o bastante para resolver o problema europeu. Os países do sul da Europa estão endividados demais. A solução proposta no pacote é levá-los a um longo período de cortes draconianos e recessão. Isso só vai deixá-los ainda mais longe de atingir as metas de redução da dívida. A Grécia sairá dessa temporada recessiva com uma dívida ainda maior. Os problemas são muito sérios, e resolvê- los da maneira proposta pela União Europeia me parece ser uma missão impossível, além de politicamente inviável. Por isso os mercados reagiram mal: se nem 1 trilhão de dólares resolvem um problema, é sinal de que o imbróglio é realmente muito complicado.
EXAME - Mas havia uma saída melhor?
Nouriel Roubini - Países como a Grécia vão acabar tendo de reestruturar sua dívida ou mesmo deixar a zona do euro. Eles deveriam fazer isso logo, reconhecer que não há como pagá-la. Isso pode ser feito de maneira ordenada, como o Uruguai fez em 2003. Minha expectativa é que, em seis ou 12 meses, eles vão acabar percebendo que é impossível seguir no caminho atual. Os eleitores alemães também entenderão que não faz sentido gastar 140 bilhões de dólares para prevenir o que não é possível prevenir. Quanto mais organizado for esse processo, melhor. A Argentina empurrou o problema até que se viu forçada a dar o calote de maneira caótica em 2001, e foi um desastre. Minha sugestão é que se resolva isso logo para que o resultado seja mais à uruguaia, menos à argentina.

EXAME - O euro perdeu quase 15% de seu valor em relação ao dólar em 2010, e muitos preveem que as duas moedas caminham em direção à paridade. Ainda há esperança de que o euro venha a ser uma alternativa como moeda de reserva mundial?
Nouriel Roubini - A verdade é que o euro sai ferido dessa crise, que ainda nem acabou. Até os alemães estão nervosos com a moeda única. E a ideia de ter o euro como moeda de reserva mundial está em sério risco. Uma moeda de reserva não pode estar sujeita a riscos de liquidez ou de crédito como os vistos nas últimas semanas, com países- membros à beira do calote. O euro deixou de ser um porto seguro. Os investidores perceberam que, da maneira como a União Europeia está organizada hoje, o euro não tem condições de ser uma moeda de reserva.
EXAME - O senhor escreveu recentemente que a dinâmica da dívida mundial lembra o esquema Ponzi, do fraudador americano Bernard Madoff. Por quê?
Nouriel Roubini - Essa crise começou com um acúmulo de dívida no setor privado, uma bolha imobiliária em países como Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, e levou ao colapso do sistema financeiro. Governos dos países ricos socializaram os prejuízos resgatando bancos e empresas quebradas e, para amenizar a recessão, começaram a gastar dinheiro público. O resultado disso tudo foi a multiplicação de governos insolventes. Agora, países mais fortes e instituições como o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia estão repetindo o roteiro anterior e resgatando as nações com problemas. Mas a pergunta que fica é: quem vai resgatar a União Europeia e o FMI? Esse é um castelo de cartas.
EXAME - Quem olha os números do Orçamento americano percebe uma desconfortável semelhança com a Grécia. Na próxima década, estimase que os Estados Unidos terão um déficit de 9 trilhões de dólares, um recorde. A situação é sustentável?
Nouriel Roubini - A Grécia é apenas a ponta do iceberg. A situação americana não é sustentável e, pior, temos problemas semelhantes no Reino Unido, em outros países europeus e no Japão. Os países encrencados têm três opções. A primeira é dar um calote. A segunda é ligar suas gráficas e imprimir dinheiro, criando inflação. A terceira é cortar gastos, aumentar impostos e colocar a casa em ordem. O problema é que os políticos, notadamente os americanos, não parecem reconhecer o problema. Os democratas são contra cortes de gastos; os republicanos são contra qualquer aumento de impostos. E é preciso ir além, reformar a seguridade social e o Medicare (plano de saúde federal para idosos), por exemplo. Se não conseguirmos fazer isso, os Estados Unidos podem virar uma Grécia.

A TRAGÉDIA GREGA

Nivaldo Cordeiro


As mortes registradas nos distúrbios de ontem, na Grécia, são só o prelúdio do que nos espera nos próximos meses, talvez nos próximos anos. E não apenas naquele infeliz país, mas em todo Ocidente, onde a social-democracia prevaleceu. Estamos vendo seu projeto político desmoronar. Quem, minimamente letrado em ciência econômica, observou os acontecimentos sabia que a construção de uma sociedade de rentistas sem capital, munidos apenas de “direitos”e de “conquistas”, protegidos pela lei estatal injusta, iria se deparar com esse beco sem saída.
A social-democracia é a variante comunista que propõe manter formalmente o regime de propriedade privada, reconhecendo o fracasso do planejamento socialista, mas retirando os recursos de quem trabalha manipulando a via dos impostos e da inflação, emitindo moeda e alargando o endividamento público. Vemos que os limites da carga tributária foram batidos; agora estamos diante do esgotamento da via inflacionária. Na Grécia, como de resto em toda a Europa ocidental, assim como nos EUA, vemos que o setor financeiro está em vias de quebrar ou colocou limites claros aos tomadores de empréstimos. O limite é técnico, além do qual os próprios banqueiros poderão ir à bancarrota.
Na Grécia todas as vias foram esgotadas. Impostos elevados convivem com dívidas impagáveis e a impossibilidade de desvalorizar a moeda comum, o euro. Só restou a via do corte de gastos públicos, com demissões de funcionários e a abolição de “conquistas” para aqueles que permanecerem no serviço público. Pouco a pouco a imprensa internacional vai informando o quanto o Estado grego tem sido generoso com seus empregados e aposentados. A casa ruiu.
Ao ler a coluna de Clóvis Rossi, na Folha de São Paulo de hoje (O arrastão financeiro), não pude conter o meu espanto. Ele escreveu sobre a crise grega: “A ganância desenfreada tornou-se o combustível que move uma parte importante do setor financeiro. O que surpreende é o silêncio de governantes, acadêmicos e até dos bancos não corsários, igualmente vítimas”.   
O jornalista da Folha ignorou a causa única da crise grega, a irresponsabilidade fiscal, atribuindo a culpa aos banqueiros internacionais. Caro leitor, não caia nessa falsa explicação. O governo grego, assim como o de toda a zona do euro, dos EUA e mesmo do Brasil sofrem de um único mal: o populismo econômico. Ele quer distribuir benesses sem contrapartida, pagando rendimentos crescentes a legiões de desocupados, na forma de salários aos funcionários públicos, aos aposentados, aos recebedores de bolsas e aos rentistas de forma geral. Quando a massa parasita dependente do Tesouro é pequena não há desequilíbrio, mas quando se torna um fenômeno de multidão, legiões cada vez mais numerosas vivendo à custa de uma população que trabalha, cada vez mais escassa, o jogo termina por ilogicismo. O parasita não pode ser maior do que o hospedeiro.
O jogo da social-democracia acabou, e não apenas na Grécia. É chegada a hora dos ajustes dolorosos. Bem sabemos que há gerações de pessoas vivendo à custa dos que trabalham, recebendo ilegitimamente seu quinhão de impostos. A interrupção do ócio dourado será dolorida. Nada dura para sempre, nem mesmo a injustiça. Resta saber como a equação política será montada para a aplicação dos ajustes necessários. Haverá choro e ranger de dentes. Tempos de grandes perigos.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

JOSÉ SERRA ATACA AS FARC


JOSÉ SERRA ATACA AS FARC
30 de maio de 2010
Nivaldo Cordeiro

A notícia mais sensacional dos últimos dias foi o ataque frontal que o candidato José Serra fez ao presidente da Bolívia, EvoMorales, relativamente à facilitação da produção e do tráfico de drogas que seu governo patrocina para o Brasil. Serra certamente está de posse de maiores e mais detalhadas informações para trazer o tema para o centro do debate da campanha presidencial. Esse tema é um divisor de águas.
José Serra questiona não apenas a política externa de Lula; questiona também a leniência com que o PT, Lula e sua candidata tratam a questão das drogas. Objetivamente o PT é sócio das FARC no Foro de São Paulo e fez do Brasil um grande mercado para seus parceiros. A aliança com Hugo Chávez precisa também ser compreendida dentro desse arco de aliança mais amplo amparado pelo Foro de São Paulo.
Ao fazer a acusação direta o candidato José Serra pôs o dedo na ferida, demarcou seu campo político e se alinhou, de fato, com os interesses maiores do Brasil. Não há dúvida de que acertou ao dizer que as drogas, vindas da Bolívia, com a leniência do poder estabelecido nos dois lados da fronteira, estão destruindo a nossa juventude. Todas as classes sociais estão expostas aos seus efeitos devastadores. O crime organizado prospera e a violência explode onde as gangues estão agindo, ao custo de muito sofrimento e de muitas vidas frustradas.
O diagnóstico de Serra é certeiro e corajoso. No lugar dele eu mandaria reforçar a segurança pessoal, pois esses criminosos ligados ao tráfico internacional não têm limites. Basta ver o que fizeram na Colômbia, provocando a guerra civil, e no México, praticamente transformado em um narcoestado, uma terra sem lei. O Brasil, a prosseguir a leniência do governo federal, corre o risco de ambas as mazelas.
Serra contrariou grandes interesses econômicos, ideológicos e políticos com a sua fala. Assumiu uma postura de estadista. Foi à luta. Não será mais possível confundir ambas as candidaturas de Serra e Dilma, por mais que se aproximem no espectro ideológico. José Serra alinhou-se com os interesses maiores do Brasil e dos brasileiros. Finalmente alguém parece disposto a fazer o que precisa ser feito contra os bandidos das FARC e seus amigos.
Esse gesto também favorece uma aproximação com o governo dos EUA, que o PT e Lula deliberadamente afrontam. O Brasil precisa ser para os EUA o que é para eles a Inglaterra. Essa postura de afronta e de não cooperação tem custado perda de eficiência exportadora e a má vontade daquele país nos fóruns multilaterais. Parece que Serra está disposto a corrigir esse trágico engano. Certamente isso implicará no afastamento do governo delinqüente do Irã e mesmo da China.
Resta saber como conciliar isso com a proposta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com seu discurso favorável à descriminalização das drogas. Serra parece ter tomado o partido da razão, lutando para proteger a juventude. Fez a escolha certa. FHC precisa calar a boca sobre o assunto e deixar o candidato ir ao encontro das legítimas e vitais aspirações nacionais.
Penso que essa simples tomada de posição levou para seu lado parte ponderável do eleitorado órfão, que duvidava que algum candidato estivesse disposto a comprar a briga com as FARC e seus aliados tupiniquins. Serra fez isso. É um grande mérito. Será que teremos finalmente um estadista no Palácio do Planalto?

PS. Postei no Youtube um comentário sobre o mesmo assunto.
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Professores Despreparados... em SP e no Brasil

Minha grande amiga Ana é Professora, com P.
E chegaríamos, assim, a posição de quinta economia em 2015?
Bem, ela disse tudo.



E ENTÃO, SERÁ QUE NÃO É PRECISO REPENSAR O NÚMERO DE FACULDADES E CURSOS QUE ANUALMENTE ABREM? COM OS CURSOS RELACIONADOS AO MAGISTERIO SENDO OS DE MENSALIDADES MAIS BAIXAS, PARA PODEREM ATRAIR ALUNOS, E MESMO ASSIM, EXISTE CURSO FECHANDO POR FALTA DE INTERESSE NO MAGISTERIO? (OLHA SÓ O SALARIO?)


O RESULTADO É ESTE: FACULDADES COM UM CORPO DOCENTE  DE BAIXA QUALIDADE, DESPREPARADOS,  FORMANDO PROFISSIONAIS COM MENOS QUALIDADE AINDA E A MAIOR VERGONHA NÃO PASSAR NUM CONCURSO E TER QUE PASSAR POR UMA ESCOLA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES. (Fala sério)


ESSE É O NOSSO PAÍS PREOCUPADO COM A EDUCAÇÃO!
CULPO O MINISTERIO DA EDUCAÇÃO POR NÃO FISCALIZAR AS FACULDADES QUE SÃO ABERTAS TODOS OS ANOS, SEM INFRAESTRUTURA E SEM PROFISSIONAIS CAPACITADOS, DEDICADOS E COMPROMETIDOS.


SÓ IREMOS CONSEGUIR MELHORAR A QUALIDADE DA EDUCAÇÃO QUANDO AS FACULDADES E UNIVERSIDADES SE COMPROMETEREM  REALMENTE EM MINISTRAREM ENSINO DE EXCELENTE QUALIDADE.

Ana Lucia Zanetti

Por falta de docentes qualificados em disciplinas específicas, a rede pública de ensino básico de SP anunciou que continuará utilizando professores temporários em 2011. A informação revela as dificuldades que as autoridades educacionais têm enfrentado para melhorar a qualidade da Educação Fundamental e Média, através do aumento do número de professores selecionados em CONCURSO PÚBLICO, pelo critério de mérito.


Dos 181.000 docentes temporários que se submeteram ao exame de avaliação aplicado pela UNESP, em dezembro de 2009, 88.000 não alcançaram nota mínima para lecionar; ou seja, metade dos candidatos foi reprovada, pois não acertaram metade das 80 questões.

No último concurso para o MAGISTÉRIO PÚBLICO, os resultados foram tão decepcionantes quanto os da prova de avaliação. Dos 261.000 inscritos, 22,8% foram aprovados. Na disciplina de ARTES, 82% dos candidatos reprovados; em EDUCAÇÃO FÍSICA, 78,8% foram reprovados. Em LÍNGUA PORTUGUESA, a aprovação foi 18,1%; em BIOLOGIA, 20,4%; HISTÓRIA, 23,4%; GEOGRAFIA, 32,3%; QUÍMICA, 33,2%. São médias baixas que revelam a má qualidade dos cursos de licenciatura.

A taxa mais alta de aprovação foi INGLÊS, onde 43,6% dos candidatos obtiveram nota mínima de aprovação. As situações críticas ocorreram em MATEMÁTICA E FÍSICA. Em MATEMÁTICA, reprovados 89,3%; em FÍSICA,reprovação de 93%.

As autoridades educacionais estimavam que o nível de preparo dos candidatos ao magistério público seria baixo, assim, os aprovados passarão pela Escola de Formação de Professores e submeter-se-ão a novo exame; os aprovados lecionarão na rede escolar pública a partir de 2011.

Dependendo dos resultados, a Secretaria de Educação/SP poderá chamar um número maior de docentes temporários em 2011: um retrocesso na política de melhoria da qualidade do Ensino Público.

Reportagem completa em O Estado de S. Paulo - 27/05/2010

Somos mesmo Terceiro Mundo



Talvez não seja oportuno chamar hoje um país de terceiro mundo. Após a 2ª Grande Guerra com o advento da Guerra Fria, os países do mundo apressaram-se em assumir posições a fim de não sofrem conseqüências. Assim, os que se aliaram aos vencedores passaram a se chamar mundo capitalista e os que, por covardia e omissão calculada dos primeiros, viram-se sob o jugo da URSS amargaram o título de mundo comunista e todas as vicissitudes que advieram com os anos subseqüentes.


Havia, pelo menos em tese, os não alinhados, mas eram, em sua maioria, o que detinham certo patrimônio financeiro de ambos lados e que serviam de fiel de balança bem como o de remessas de recursos de toda ordem a fim de se proteger fortunas ou, mesmo, financiar ações de provocação e de deterrência de ambas fatias conceituais do planeta.


Os que não tinham nem eira nem beira ficaram com a pecha de terceiro mundo. Neles toda sorte de refugo ideológico e cultural passou a minar a identidade própria. Para os mais fortes e mais velhos, todos só poderiam ou deveriam crescer ao ritmo e sombra dos primeiros. Assim os EUA, falando-se do Hemisfério Ocidental, passou a cuidar da economia dos menores e a URSS aproveitou-se do levante de Sierra Maestra para fazer sua cabeça de ponte: Cuba.


Em 1989 acabou-se, por esgotamento econômico natural, o sonho comunista, contudo, nós os hermanos, herdeiros de uma falida revolução cultural, iniciada em Paris em 1968 e sustentada graças à nossa abulia intelectual coletiva, passamos a cultuar tudo o que não levava a canto nenhum. E nessa tentativa e erro estamos até hoje, com a ressalva de virarmos, de uma hora para outra, simpatizantes da gênese muçulmana personificada por ditadores, em nome de nossa democracia com tez morena.


Goste-se ou não este jornalista que já foi ministro de Estado falou verdades, apesar de serem suas impressões fortemente pragmáticas, são reais.

A questão que diferencia um estadista de um líder partidário alçado ao posto maior pelo voto, e repetido, é o da capacidade de ver os interesses da sociedade acima de uma nova doutrina como é a do Foro de São Paulo que faz com que, a título de exemplo - via Erário ou não, o frei Beto tenha sido um "embaixador informal" para articulação das campanhas de alguns dos líderes citados e o resultado prático, representado pelas respectivas sociedades, seja exatamente este: Nós não nutrimos empatia junto aos hermanos. Pode-se haver alinhamentos ideológicos fortuitos um uma boa quantidade de eventos ou joint ventures que venham a exemplificar o contrário do que falo, contudo, na base e na essência é isto. 

Venho alertando aos amigos para termos cuidado com nosso entorno sudoeste, já há algum tempo. Este artigo e outros eventos são "fatos portadores de futuro". Resta-nos saber se a mídia irá informar e alertar, adequadamente, o cidadão.




JOÃO MELLÃO NETO

Quase ninguém se encoraja a abordar esse tema, mas é preciso que seja dito: o papel que o Brasil vem exercendo na diplomacia internacional é visto pelos especialistas como tolo e ingênuo, além de macular a nossa autoimagem de país sério.
Aqui, na América do Sul, onde a nossa maior praga política, o populismo, renasce com força, não somos vistos como uma liderança, como deseja o governo. Quase todos os nossos vizinhos nos encaram como "o primo rico". Ou seja, aquele que tem sempre a obrigação de "pagar a conta".
O Chile - nosso atualmente único colega de subcontinente em condições de chegar ao Primeiro Mundo - nos ignora.
Já a Argentina - que foi realmente uma potência mundial até meados do século passado - vive nos chantageando para que o Mercosul não seja desmantelado. A todo momento o governo platense apresenta uma nova barreira comercial protecionista contra os produtos de exportação brasileiros, sob o enganoso pretexto de estar protegendo a sua economia nacional e seus interesses contra a "falta de simetria econômica" entre as duas nações. Ou seja, o mercado interno brasileiro está - e assim tem de permanecer - escancarado às investidas dos poucos produtos argentinos que têm preço competitivo. Já o mercado argentino está travado por barreiras contra o Brasil. "Muy hermanos" esses nossos vizinhos. Mas os problemas que eles nos criam se resumem a isso. O governo "peronista" de Christina Kirchner não precisa de uma "mãozinha" política do Brasil. Os argentinos são muito orgulhosos e não aceitam favores desse tipo provenientes dos brasileiros.
Com relação à Venezuela, é diferente. Hugo Chávez praticamente comprou a simpatia e a boa vontade dos argentinos. Para tanto se dispôs a assumir razoável parcela da dívida interna argentina. A Venezuela dispõe de recursos suficientes para tais atos de generosidade. Eles provêm do seu petróleo. Com tais divisas disponíveis, o "bolivarianismo" - o novo socialismo latino-americano - está sendo exportado para todo o continente. E, atualmente, os grandes líderes políticos da região são os venezuelanos, e não os brasileiros.
Seria natural que nós usufruíssemos tal condição. Afinal, o Brasil é o maior país do continente latino-americano - tanto em extensão territorial como em população e também em poder econômico. Mas a opção de nossos atuais governantes tem sido a de alimentar a nossa "consciência pesada" com relação aos nossos vizinhos. E eles bem sabem se aproveitar disso.
Evo Morales, na Bolívia, chegou ao poder com um discurso claramente antibrasileiro. Segundo ele, o Brasil, no passado, teria abusado da boa-fé boliviana para comprar o Acre "pelo preço de um cavalo". Como pouca gente, por aqui, conhece bem a História, a versão pegou. E serve, agora, para alimentar nos brasileiros um insuportável sentimento de culpa.
Obviamente, não foi bem assim. E o que estamos pagando à Bolívia como uma forma de compensação tardia tem um preço muito elevado. Compramos o gás natural que eles produzem. O problema é que a nossa produção interna de gás é mais do que suficiente para atender às demandas da economia. O gás proveniente da Bolívia está literalmente sobrando. Mas jamais nos ocorreu suspender o contrato. E os líderes bolivianos vão, para sempre, continuar falando mal da gente.
No Brasil, as nossas esquerdas sempre alimentaram o discurso antiamericano. Ninguém percebe, por aqui, que, para os nossos vizinhos, os grandes imperialistas não são os norte-americanos, mas sim os brasileiros.
O atual governo do Equador, que apregoa ser nacionalista, começou a sua gestão estatizando várias empresas brasileiras. Foi uma atitude que pegou bem por lá. Ainda mais porque os nossos dirigentes aceitaram isso sem reclamar.
Agora, no Paraguai, o ex-bispo "progressista" Fernando Lugo venceu as eleições presidenciais prometendo renegociar o contrato de Itaipu, mais do que decuplicando o preço que o Brasil paga pela sua energia. Ainda não aconteceu nada, mas as nossas autoridades já deram seguidas demonstrações de que a boa vontade brasileira com relação ao pleito é imensa.
O apoio incondicional que o nosso governo tem dado a Hugo Chávez contradiz, na prática, o compromisso brasileiro com a democracia e as suas instituições. O mesmo argumento vale para Cuba. O nosso governo, para tanto, faz vista grossa a todos os atentados aos direitos humanos que por lá ocorrem.
Resultado: não logramos ser líderes de nada, na América Latina. Passamos até por alguns ridículos, como o de Honduras.
O nosso presidente foi convencido a visitar um monte de nações insignificantes da África como forma de se projetar no mundo. Em vão.
A maior cartada do nosso governo foi a suposta intermediação na questão do Irã. Para isso demos guarida institucional ao ditador de lá, quando o resto do mundo evita fazê-lo. O homem é um vira-lata internacional. E o que conseguimos com isso? Nada, além do vexame que protagonizamos nos últimos dias.
Presidente, não seria hora de repensar nossa política externa?
Os seus assessores na área, nos últimos oito anos, têm lhe garantido que tais iniciativas tortuosas serviriam para que obtivéssemos uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Nunca estivemos tão longe disso. As nossas insólitas e erráticas investidas diplomáticas, ao contrário, criaram uma imagem do Brasil como um parceiro pouco confiável.
Presidente, ainda é tempo de botar esses incompetentes na rua!
JORNALISTA, DEPUTADO ESTADUAL, FOI DEPUTADO FEDERAL, SECRETÁRIO E MINISTRO DE ESTADO. E-MAIL: J.MELLAO@UOL.COM.BR 
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terça-feira, 1 de junho de 2010

A América Central merece ser reconhecida por negociar unida


Provavelmente o leitor não esteja familiarizado com a Costa Rica, ademais eles, bem como os demais da A. Central não figuram como destaque na mídia internacional.


A eleição dessa jovem senhora é uma tentativa de quebrar fortes paradigmas, sobretudo a da quase fraqueza crônica de todas as instituições públicas e políticas daqueles países em função de uma dicotomia entre desenvolver sob a regência dos EUA, uma vez que tudo o que produzem é produzido de forma mais barata e competitiva em outras partes do mundo, e uma nova visão de sociedade bolivariana capiteneada por Chavez. De toda forma aqueles países em função de suas naturais vicissitudes, não conseguem expressão mundial e os blocos econômicos e políticos não conseguem lograr êxito. 


Em um entrevista reticente e um tanto evasiva, ela se refere ao protecionismo adstrito à rodada de negociação da OMC em Doha porque os países ricos e as empresas investidoras não querem ter o risco de investir em países cuja fraqueza institucional não garanta economia de escala e competitividade pois, hora para outra, poderá surgir um gato maestro e estatizar, como presidente, as empresas internacionais, ademais, por razão até da crise atual que não se evadiu da Europa, eles preferem gerar renda a partir dos produtos e postos de trabalho domésticos ao invés de importarem produtos gerando postos de trabalhos alhures.

Também sofrem, atualmente, a pressão econômica da China, notadamente em função de ser a majoritária de ações do Canal do Panamá que é a artéria econômica de toda a região. A influência chinesa também corre às sombras das aventuras ideológicas do Foro de São Paulo e do sonho do neobolivarianismo. Tipo assim, enquanto vocês gastam seu tempo implicando com o EUA eu vou ganhando meu mercado em todos os seus blocos regionais e os enfraquecendo ao mesmo tempo.

Essas ilações servem de intrólito, pois adentrar em detalhes no momento não seria profícuo pois os eventos que ocorrem naquela região são discretos e precisam de mais noticiário na mídia para se poder fazer alguns links e convidar o leitor a se aprofundar mais e conhecer mais. A propósito, nosso presidente, discretamente, usa do Erário para investir, em competição com os EUA, naquelas economias frágeis. Talvez os resultados da próxima reunião da CEPAL seja mais um palanque de projeção internacional de nosso presidente do que, propriamente, posicionamento, como estadistas, dos interesses da sociedade brasileira.

Ela também se refere a dois pontos de fundamental importância até para nós brasileiros: O primeiro é a dificuldade de se chegar a um acordo de mercado comum entre países das duas Américas, notadamente a comunidade andina que vem sendo esvaziada por Chavez e seu neobolivarianismo e pela enorme difuculdade de infra-estrutura que a região possui para integrar seus distritos, regiões e cercanias de grandes povoados por motivo da cordilheira dos Andes e enorme variação climática que lá possui o que dificulta, sobremaneira, a diversidade agropastoril, o que torna os eventuais produtos de exportação e manutenção de PIB muito mais caros que diversas regiões mundo afora. O mesmo comportamento se dá na comunidade econômica que liga os países da A. Central e os do Caribe, o CARICOM, onde os EUA representa mais de 40% dos ingressos, seja por remessas de emigrados, a partir do solo americano -há países como Honduras e El Salvador que tais remessas representam até 30% do PIB- como também por aquisição daquelas produções para manter a região controlada.

O outro ponto diz respeito à Segurança que ela renitiu em ser mais clara no "affair" de Zelaya cuja influência de Chavez, como também a da OEA e a brasileira balançaram, significativamente, o portfólio de ações de combate sério às novas ameaças, ou ameaças transnacionais, tais como tráfico de drogas, de armas, imigração ilegal, guagues de rua (maras e pandillas), desastres ambientais e outros de um grande elenco de problemas vividos por aqueles países.

Ademais, a breve e lacônica, quando não evasiva, entrevista, serve ao menos, para chamar a atenção a um tipo de grito quase mudo de uma nova personagem naquele pitoresco cenário do Hemisfério Ocidental.


Quanto a questão de estarem unidos em torno de uma mesma agenda, apesar de três países comemorarem a mesma data de fundação por tê-la por um mesmo libertador, aqueles países da América Central dificilmente conseguem lograr acordos em torno de pautas delicadas de comércio ou de combate a crimes organizados.

Não obstante, vale a pena acompanhá-la nos próximos anos. Ela será uma nova liderança.

"A América Central merece ser reconhecida por negociar unida", diz Laura Chinchilla, nova presidente da Costa Rica

O gabinete presidencial na sede do governo da Costa Rica mudou completamente. As abundantes fotos do ex-presidente Óscar Arias com inúmeras figuras internacionais deram lugar às fotos familiares de Laura Chinchilla (nascida em San José, em 1959) e a pinturas que ajudam a dar um tom feminino ao poder. A presidente assumiu o comando em 8 de maio, e na quarta-feira em Madri marcou um belo tento. Participou da assinatura do primeiro acordo de livre comércio que a UE assina com um bloco regional, neste caso o centro-americano.

El País: A América Central trabalha em uma só direção?

Laura Chinchilla: Conseguimos chegar ao final da negociação de um pacto com a UE, e isso nenhum outro bloco na América Latina conseguiu. A América Central merece um reconhecimento por chegar a esta etapa em uma negociação difícil, com discrepâncias em uma série de temas e com os desequilíbrios da região. Os andinos não o conseguiram.

El País: Haverá livre trânsito de pessoas na América Central?

Chinchilla: Todos aspiraríamos a que as fronteiras sejam eliminadas, mas os processos devem ser graduais. Aqui [na Costa Rica] fomos receptores de imigração e agora devemos ajudar os países para que não expulsem os seus [referindo-se à Nicarágua].

El País: A senhora considera excessiva a influência na América Central da disputa entre Hugo Chávez e Washington?

Chinchilla: O conflito em Honduras foi fortemente marcado por esse tema, com sequelas que ainda nos impedem de fechar o círculo. Eu, no entanto, confio em que além de simpatias com governos extrarregionais predominem os interesses internos.

El País: Haverá uma união política?

Chinchilla: Esse deve ser um processo gradual e natural... Por enquanto, a integração política está bastante distante.


El País: O que a senhora espera do governo de Barack Obama?

Chinchilla: A Costa Rica já não espera muito dos países desenvolvidos. Por ter conseguido ser um país de renda média, parece mais que nos penalizam com os fluxos de cooperação econômica. Na realidade, o único que esperamos dos EUA, assim como da UE, é que nos deem oportunidades para colocar nossos produtos. Queremos jogar com a mesa nivelada e esperaremos que sejam consequentes, que se encerre a rodada de Doha, que se revisem as políticas de subsídios que impedem um comércio justo. Além disso, devem se preocupar mais com a situação de segurança que, no meu critério, afetará fortemente a América Central nos próximos anos. Ainda somos uma região frágil no plano institucional.

El País: Como fará para que a imagem de insegurança crescente não afete o turismo e os investimentos?

Chinchilla: O pior que um país pode fazer é ocultar um problema, porque o impacto acaba sendo muito mais grave. Se nos compararmos com a América Latina, sim, devemos continuar dizendo aos turistas e investidores que a Costa Rica continua entre os três mais seguros, mas também é preciso advertir que experimentamos um crescimento em criminalidade e violência e por isso é preciso informar para evitar situações de risco, sem exagerar.

El País: Que imagem a senhora quer transmitir para o mundo?

Chinchilla: Vou me preocupar para que mantenha a maior solidez possível na promoção da paz e dos direitos humanos, mas especialmente como um país ativo contra o aquecimento global. Essa foi uma decisão muito forte que tomei ao nomear o chanceler René Castro, especialista em meio ambiente. E a par disto quero projetar a imagem de um país dinâmico que quer se inserir no mercado competindo com os melhores padrões.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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Centroamérica y Caribe peligran convertirse en una narco-región

Amigos este tema ha sido estudiado por nosotros, en el CID, sabemos que su origen es la gran desigualdad de desarrollo social en las sociedades emergentes y con poca capacidad para la integración en el mercado mundial.


Eventos con México, Nicaragua, Honduras, Bolivia, Venezuela y Paraguay se ha ido consolidando durante varios años sin un movimiento constante de las sociedades.




Lamento que en su momento el señor Insulza ha dejado de provocar un cambio de alinear el asunto Bolivariana Zelaya de Honduras. Un importante movimiento podría haber comenzado ya.





Centroamérica y Caribe peligran convertirse en una narco-región


JOAQUÍN VILLALOBOS

La casi guerra civil desatada en la capital de Jamaica , con más de 70 muertos y una semana de combates, es una muestra del peligro que corre Centroamérica y el Caribe debido a la fuerza del narcotráfico en toda la región. Al igual que en Jamaica, donde ahora fracasa el operativo militar para capturar al poderoso capo Dudus, en Guatemala han fracasado grandes operaciones para capturar a los cabecillas del principal cartel guatemalteco, denominado los Lorenzana, cuando miles de pobladores han salido armados a defender a sus "benefactores", frustrando las operaciones montadas por la DEA.

En menos de una década, todos los países han visto crecer la violencia resultado de pandillas dedicadas al narcomenudeo y dispararse la corrupción en las instituciones de seguridad por la penetración del crimen organizado. La pacifica Trinidad pasó de siete homicidios por 100.000 habitantes a más de 30. Guatemala, Honduras y El Salvador viven una guerra olvidada que los ha convertido en la región más violenta del planeta. Si en México asusta ver decapitados, en Guatemala y El Salvador las maras juegan al fútbol con las cabezas de sus víctimas.
Centroamérica y el Caribe reúnen condiciones óptimas para convertirse en una narcorregión que podría incluir varios Estados fallidos, una violencia endémica brutal y emigraciones más masivas que las actuales. La región tiene muchos espacios con ausencia o debilidad del Estado. Esos espacios están ubicados en rutas geográficamente estratégicas para mover droga desde Colombia y Venezuela; son ideales para bodegas, laboratorios o bases logísticas, y están habitados por poca población pobre, fácilmente ganable por los delincuentes. Se ha formado en esos lugares un entramado de rutas múltiples que incluyen, entre otros, el Petén guatemalteco, la costa del Pacífico entre Nicaragua y El Salvador, la costa atlántica de Honduras y Nicaragua, las fronteras de Belice y Guatemala con México y la conexión por el Atlántico de toda Centroamérica con Jamaica, República Dominicana, Haití, Trinidad y todas las islas caribeñas, que, además, tienen mucho turismo y por lo tanto consumo de drogas.
Exportación a Europa y EE UU
La región combina la rentabilidad de ruta para exportar a gran escala a Europa y EE UU y de plaza para vender al menudeo en el camino. Esta combinación genera en el terreno una fatal mezcla delictiva; por un lado, crimen organizado movido por la codicia, y por otro, miseria organizada en pandillas juveniles urbanas dedicadas al narcomenudeo y las extorsiones. Aunque converjan, son dos fenómenos de distinta naturaleza, uno se come al Estado vía corrupción y el otro a la sociedad vía la violencia, la descomposición social y la degradación moral.
Los medios han puesto toda la atención sobre la violencia en México; sin embargo, el problema principal está en el Caribe y Centroamérica. Casi por razones aritméticas, México terminará poniendo en control la violencia, aunque tendrá que aceptar un saldo marginal de ésta. El poder dañino del comercio de drogas es directamente proporcional al tamaño de la economía de los países. Para Europa y Estados Unidos, las drogas son un problema marginal, porque la economía ilegal de la droga no puede competir con sus economías legales. La economía legal genera una correlación social, una disponibilidad de recursos del Estado y unos poderes fácticos formales que impiden o reducen fuerza al desarrollo de poderes fácticos criminales.
Sobre la economía de la droga hay desde buenas especulaciones hasta fantasías mediáticas que colocan a Pablo Escobar y el Chapo Guzmán entre los hombres más ricos del mundo, o que imaginan unos capos ilustrados invirtiendo para el futuro, cuando en realidad no viven más de 40 años. La evidencia muestra, por ello, que sus inversiones son en cash, en tiempo presente y limitadas a autos, joyas, mujeres y bienes raíces en sus localidades.
En el 2008 ingresaron a México 14.000 millones de dólares en cash, de los cuales 4.000 corresponden a turismo. Si suponemos que los 10.000 millones restantes corresponden a las drogas y los comparamos con el trillón de dólares del PIB de México, concluimos que para este la droga es marginal, aun sin restar el dinero que se va a Sudamérica. Sin duda para México es más marginal que para Colombia, pero menos que para EE UU. Esto implica que México no puede aplicar la tolerancia estadounidense, pero sí permite prever que saldrá más rápido y mejor que Colombia de la violencia. La eficacia de la estrategia es, en estos dos casos, un asunto de consensos políticos y aprendizaje, porque ambos Estados tienen con qué defenderse.
Pero cuando especulamos con los montos de la economía de la droga y su impacto sobre los micro-Estados del Caribe y Centroamérica, resulta obvio que estos no pueden resolver solos el problema y que la inseguridad los terminará volviendo inviables. En cualquiera de esos países, el narcodinero es suficiente para construir poderes fácticos que dominen territorios y población y coopten o sustituyan al Estado. Allí cualquier capo con unos cientos de millones puede comprar o poner de rodillas a policías, jueces, empresarios, periodistas, generales, y hasta presidentes.
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Preço a pagar

Amigos estou insistindo em alguns temas que estão aparecendo de forma fortuita na mídia de maior alcance. Quando aparece em "lead" ele tem o tempero do economês. Tenho tido dificuldades até de ler os editoriais da Economist e do Wall Street Journal pois até lá o economês é pesado, com as habituais gírias "inteligentes" e altamente segregacionistas até para o leitor americano e britânico.

Valho-me, portanto, de alguns jornalistas brasileiros que utilizam equipes de jornalistas especializados para poder esmiuçar os problemas, desta vez, da UE e da recente crise da Grécia que, em função de similaridade com o nosso fabuloso mundo de funcionários públicos, colocou aquele país na bancarrota.

Gostaria de relembrar que a Alemanha depois do altamente socialista e populista Schoroeder, escolheram uma engenheira e financista como presidente que está debastando todos os perfis de benefícios constitucionais daquele país. Da mesma forma a França vem acompanhando, ainda que com mais timidez, os mesmos movimentos pois os cidadãos da ativa estão evitando o esgotamento econômico.

É um assunto a ser acompanhado por todos.






Preço a pagar



"O ponto que merece todos os olhares é simples: para ser grande, como a UE quer, é preciso pagar um preço alto, tão alto quanto o tamanho do sonho"




Ninguém duvida, já há muito tempo, que a União Europeia é provavelmente o maior projeto político da atual geração – ou que o euro, a moeda comum a dezesseis dos países que fazem parte dela, é o seu projeto econômico mais ambicioso. Nada parecido foi tentado antes, nem depois da formação do grupo, a partir de 1960. A ideia matriz de tudo isso, como vem sendo dito há cinquenta anos, é que a união faz a força; melhor ser forte como parte de um conjunto do que ser apenas mais ou menos por conta própria. No embalo desse princípio, construiu-se um bloco multinacional que hoje reúne 27 países, tem 500 milhões de habitantes e se tornou uma potência mundial indiscutível, com um PIB próximo aos 12 trilhões de euros. Em troca, abriu-se mão de passaportes nacionais, de muita soberania para os governos e até de uma moeda própria para a maioria dos países-membros – e, sobretudo, foi distribuído um convite permanente para que as ações individuais de um ou de alguns sócios criem problemas para todos. O temporal financeiro que a UE vem vivendo neste mês de maio, e que ela pretende superar fornecendo o equivalente a até 1 trilhão de dólares em créditos para socorrer a economia de membros aflitos, mostrou que será preciso bem mais que uma Grécia, onde a crise começou, ou mesmo uma Espanha, para quebrar a união e destruir a sua moeda comum. Mostrou definitivamente, também, que projetos dessa grandiosidade são assim mesmo: a partir de certo ponto, tornam-se difíceis de desmanchar, mas também dão um extraordinário trabalho para ficar de pé.
Os responsáveis pela UE devem saber disso. Mas, até cederem na convicção de que não se deve premiar a delinquência, como falaram em seus discursos em público, e resolverem se unir na ajuda aos principais devedores, como acabaram fazendo para evitar um primeiro calote de países que têm o euro como moeda nacional, gastaram bom tempo numa caça aos culpados tão neurastênica quanto improdutiva. Muito se lamentou a "falta de liderança" dentro da comunidade, algo que seria uma das principais razões do tumulto – numa sociedade com 27 governos, ninguém decide, nem é capaz de convencer os outros a decidir. Foram culpados, é óbvio, os "especuladores internacionais", embora não se tenha identificado de maneira satisfatória, desta vez, quem seriam eles. A certa altura, denunciaram-se com ira santa as agências de rating sediadas nos Estados Unidos, que dão notas a países e empresas segundo a capacidade que têm de pagar suas dívidas, dentro de critérios que permanecem um perfeito mistério. Ao rebaixarem subitamente a avaliação da Grécia, elas estariam, segundo seus acusadores, "causando a crise", pois espalham o pânico nos mercados e fecham as torneiras de empréstimos para quem já está em dificuldade – ou tornam muito mais caro o dinheiro que pode sair delas. Curiosamente, não se questionou por que as notas da Grécia estavam entre as melhores do mundo até as vésperas de se saber que sua contabilidade oficial era uma piada. O problema das agências era ficarem dizendo que um país à beira da bancarrota mantinha plena capacidade de pagar o que devia – e não a sua decisão de mudarem a nota, quando perceberam o desastre. Na confusão, falou-se em "controles públicos" sobre as empresas de rating e até numa "agência europeia" para fazer o trabalho de avaliação. Nada se disse, depois, sobre como seria possível fazer a primeira coisa, e qual o propósito da segunda. Só dar notas altas a países da Europa?
A maior parte da pancadaria, naturalmente, caiu em cima dos próprios gregos. Foram acusados de gastar demais, endividar-se, falsificar números, mentir para as autoridades centrais da UE e não fazer nenhum esforço que gerasse, dentro de casa, o dinheiro necessário para pagar suas despesas. Por que os gregos podem se aposentar aos 53 anos? Por que têm 14º salário? Por que os bem conectados não pagam imposto de renda? Por que não vendem umas ilhas para pagar o que devem? De novo, aí, é indignação depois da porta arrombada. Todo mundo sabia que a economia da Grécia não produzia riqueza suficiente para pagar isso tudo, e mais uma Olimpíada, um novo metrô em Atenas, um aeroporto de última geração. Mas, enquanto a casa não caiu, preferiu-se olhar para o outro lado.
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