sexta-feira, 28 de maio de 2010

O sol na peneira - Thomaz Wood Jr.

O Prof Wood Jr escolhe muito bem os temas essenciais de gestão e de uma maneira muito agradável convidando a uma profícua reflexão.




Thomaz Wood Jr.

Uma edição recente da revista Academyof Management Perspectives traz artigo de Jeffrey Pfeffer. O autor é um renomado pesquisador e professor da Universidade de Stanford. Nos últimos anos, ele consolidou sua reputação com artigos polêmicos sobre a irrelevância da pesquisa científica no campo da gestão e sobre o baixo benefício agregado pelos programas de MBA.

No presente artigo, Pfeffer orienta sua pena para uma crítica da abordagem empresarial ao tema da sustentabilidade. Tal tema, como bem sabem nossos ilustrados leitores, ganhou relevância nas últimas décadas, tendo sido incorporado à agenda das empresas. Naturalmente, a resposta corporativa é heterogênea: enquanto algumas empresas tomam a liderança, inserem o assunto em sua pauta estratégica e procuram rever seus negócios ou até mesmo criar novos negócios, outras apenas maquiam suas operações para se conformar à legislação e às pressões de organizações sociais e grupos de interesse.

Operar de forma sustentável significa conservar os recursos naturais e evitar desperdícios, de forma que a atividade econômica se sustente ao longo do tempo. Obviamente, isso significa contrapor pressões por resultados a curto prazo. Operar de forma sustentável significa também preservar a vida e o estilo de vida, inclusive valores culturais.

Com a ascensão do tema, criou-se nos últimos anos a expectativa de que as empresas poderiam reverter suas ações predatórias sobre o meio e também ajudar a resolver questões sociais e ambientais. Pressionadas para se tornar verdes, as empresas responderam da maneira mais simples possível: pintando suas fachadas em tons arbóreos. Significativamente, a sustentabilidade tornou-se um grande negócio para consultores, técnicos ambientais, relações públicas e assessores das mais diversas especialidades.

O argumento de Pfeffer é que o foco da sustentabilidade tem sido voltado a questões relacionadas ao ambiente físico, mas que as empresas afetam também o ambiente humano e social, gerando impactos sobre a saúde e a condição de vida, especialmente em seus funcionários. O autor ilustra seu ponto de vista com casos de grandes corporações que não poupam esforços para divulgar suas iniciativas ambientais, porém mantêm práticas miseráveis de gestão de pessoas, com salários baixos, benefícios restritos, longas jornadas e condições estressantes, insalubres ou perigosas de trabalho. Tais condições, conforme demonstram estudos compilados por Pfeffer, prejudicam a qualidade de vida, deterioram a saúde e reduzem a expectativa de vida.

Uma das corporações citadas no artigo é a British Petroleum, que não se cansa de promover suas iniciativas verdes, porém foi condenada a pagar uma multa de 87 milhões de dólares por uma explosão que matou 15 operários em uma refinaria no Texas. A multa puniu a companhia pela explosão e por não ter corrigido problemas de segurança, mesmo depois do desastre. A empresa é a mesma que vem agora ocupando o noticiário internacional em razão de uma nova catástrofe, a explosão seguida de vazamento de petróleo no Golfo do México.

Por que as companhias privilegiam a sustentabilidade ambiental em detrimento da sustentabilidade humana? Talvez porque ações sobre o ambiente físico sejam mais visíveis: icebergs derretendo, árvores derrubadas, ursos polares ameaçados e baleias encurraladas geram cenas espetaculares nas telas da tevê, porém, funcionários trabalhando 12 ou 14 horas por dia dificilmente viram notícia. No entanto, há outras explicações. A primeira delas é que muitas empresas são ainda arranjos semifeudais, ajuntamentos mal coordenados de pequenos castelos que trabalham isolados, com focos próprios. Assim, enquanto as áreas operacionais, com apoio de recursos humanos, mantêm com mão de ferro o controle sobre os custos de mão de obra, as áreas de relações institucionais e responsabilidade social têm verba própria para promover iniciativas de sustentabilidade, tingindo assim de verde a fachada da empresa.

Outra explicação é que as companhias reagem às pressões do meio, porém o fazem segundo seus próprios interesses. Se o meio pressiona por respeito ao meio ambiente e às comunidades, porém, se contenta com respostas de pouca substância e efeito pirotécnico, é assim que as empresas responderão.

Muitas organizações já perceberam que dar foco à sustentabilidade humana favorece os negócios: melhora o clima organizacional, reduz conflitos, aumenta o comprometimento e eleva a produtividade. Algumas delas falam muito mais do que fazem. Ainda assim são mais coerentes que seus pares, que tentam tapar o sol com a peneira, ao privilegiar ações de efeito em lugar de cuidar melhor de seus funcionários. 
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A tragédia mexicana

É fundamental que acompanhemos este lamentável desenrolar da desdídia social mexicana.

As maras e pandillas são guangues oficialmente consideradas como "novas ameaças" pela OEA. Eles são os braços da articulação e desdobramento e utilizam-se do tráfico de drogas, de armas e transito de imigrantes ilegais de forma sofisticadamente empresarial.

A capacidade de articulação deles é complexa e, acreditem ou não, internacional e regional, ou seja, estão presentes no sudeste dos EUA, toda a América Central, transmutam-se nas FARC´s e ELN na Colômbia e em regiões da Venezuela e, de acordo com alguns especialistas, têm intercâmbios com a nova gênese do Sendero Luminoso, grupo terrorista peruano da década de 70.

Tivemos notícias recentes de um de seus braços atuando no Paraguai onde, supreendentemente, tivemos presença do PCC.

A questão está que a gênese de suporte, existência e, até, aceitação, é a desigualdade social muito forte nos países e regiões citadas. Eles têm tecnologia e aparato para substituir o Estado onde este não está acessível ou, por eles, não é permitido.

Há, também, o tônus ideológico, notadamente em sua existência mexicana, pois foi um país de forte presença de partidos de esquerda com forte base ideológica e pouco prática sempre usando argumentos de ideais zapatistas de inclusão social, só que quando colocados nas gestões de cidades e regiões, como alcaides, pouco puderam promover de desenvolvimento acretido, até, que culpando, como sempre, "zelites" ou coisa que o valha e similar naquele país.

De toda sorte, em função de nossa idiossincrasia e por não termos tido revoluções ou guerras em nosso território que viessem a implantar a semente da desdídia, a exemplo do que ainda ocorre hoje nos Bálacans e no Oriente Médio, ainda estamos, de certa forma, imunes.  Contudo volto a ressaltar para não perdermos de vista a necessidade do Mercosul e as tendências políticas de nossos hermanos no colar sudoeste de nossa fronteira seca.

Se não tomarmos cuidado este será um perigoso  "efeito tequila" em termos de segurança pública e social.


O caderno especial México em guerra, publicado domingo neste jornal, retrata o desfalecimento das instituições de Estado dessa grande nação invadida pelos cartéis da droga. O país vive a sua mais grave crise desde a sangrenta Revolução de 1910  como relata o repórter Fausto Macedo. A contar de 2007, quando o então recém-empossado presidente Felipe Calderón decidiu militarizar o combate ao narcotráfico, com a mobilização de 50 mil soldados do Exército, as máfias da droga executaram perto de 23 mil pessoas. Quantos são os agentes públicos corrompidos pelos mafiosos não se sabe, mas também hão de se contar aos milhares.


As execuções, não raro de famílias inteiras e à luz do dia, assumem formas bestiais. O narcotráfico faz da violência mais do que uma afirmação de poder: como o terrorismo, destina-se a propagar o pânico e a desmoralizar a autoridade. Em nenhuma parte desse país, onde 11 dos 44 Estados já são dominados pelos narcos, isso é tão clamoroso como em Ciudad Juárez, de 1,3 milhão de habitantes, na fronteira com os Estados Unidos. Com 4,2 mil execuções apenas nos últimos 2 anos, ou 191 por 100 mil moradores, Juárez é considerada pela ONU a cidade mais violenta do mundo.


O governo insiste em que está no caminho certo e se gaba das apreensões de drogas, armas, valores e da captura de traficantes de alto coturno, como o líder de cartel "El Índio", por quem os Estados Unidos ofereciam recompensa de US$ 2 milhões. Mas nenhum observador imparcial dirá que o crime está acuado ou, muito menos, em declínio no México. "Apenas 1% dos bens do tráfico é confiscado", exemplifica o professor de direito Edgardo Buscaglia, um dos maiores conhecedores do assunto no país. Ele ressalta que o comércio de entorpecentes é uma entre 21 modalidades de negócios ilícitos das gangues.


Enquanto, segundo ele, o México se tornou um "paraíso patrimonial" para grupos criminosos das mais diversas procedências, há no país 982 "focos de ingovernabilidade" como os do Iraque, Afeganistão e Paquistão ? território subtraído ao controle da administração pública. Para os críticos, uma coisa e outra provam o fracasso da Iniciativa Mérida, o protocolo de segurança para o México e América Central, assinado em 2007 pelo então presidente americano, George W. Bush, com o pleno apoio do seu colega Felipe Calderón.


Pelo acordo, nos moldes do Plano Colômbia contra as Farc e a droga, os EUA deveriam investir US$ 1,4 bilhão em 3 anos para equipar e capacitar as forças mexicanas, e Calderón deveria lançar uma ofensiva sustentada contra o narcotráfico. Na realidade, o México não cumpriu ainda 77% das cláusulas do plano e os EUA só desembolsaram 21% daquele total. A questão de fundo, porém, é mais complexa do que a incapacidade do governo mexicano para tocar uma estratégia já de si polêmica ou do que a escassez de recursos liberados por Washington. Trata-se do papel dos EUA como "importador" e "exportador" dos dois produtos em que se assenta um negócio de US$ 24 bilhões por ano: drogas e armas.


Vêm do México de 60% a 90% da cocaína consumida no país, o maior mercado mundial de narcóticos. As cadeias americanas estão repletas de pequenos traficantes (em geral jovens negros), mas o uso da substância não é reprimido. "Precisamos nos concentrar no ponto da venda", diz o diretor do Instituto de Fronteira da Universidade de San Diego, David Shirk. Tão ou mais difícil será barrar o fluxo de armas made in USA para o mercado das tropas do crime no outro lado da fronteira.


Ao visitar o México logo depois da posse, o presidente Barack Obama prometeu empenhar-se na ratificação, pelo Congresso, da Convenção Interamericana contra a Fabricação e Tráfico de Armas de Fogo (Cifta). No México, esse comércio é proibido. Nas áreas de fronteira, ao norte, compra-se livremente o que se queira no gênero em qualquer supermercado. E, se depender do Senado americano, submisso ao multimilionário lobby da National Rifle Association, esse estado de coisas se perpetuará. O Cifta está na rabeira da fila dos projetos a serem examinados na Casa. Já dizia o presidente mexicano Porfírio Díaz, no século 19: "Pobre México. Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos."


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quinta-feira, 27 de maio de 2010

A pauta da modernização


Já comentei com os amigos acerca dos riscos ao nosso desenvolvimento e democracia representado pelos famosos "Conselhos", também já lhes falei sobre o loteamento político das agencias reguladoras e, hoje, sobre a questão da fortíssima presença sindical em nossa economia.

O texto aborda uma preocupação anterior, desde antes do gov FHC que retrata o absurdo de nossa carga tributária.
Tudo o que procurei evidenciar represanta amadorismo eivado de ideologia e patrimonialismo misturados em nossa leniente idiossincrasia. 

Estou insistindo nesse tema, como também o Mercosul, porque até o fim do ano estarão absolutamente alinhavados, tipo carne e unha.

Aos amigos que vierem a encarar um concurso, esclareço que nossa guerra fiscal nada mais é do que Estados, como ente federados, terem a liberdade de trabalhar suas tarifas e alguns tipos de impostos de forma a tornar suas economias mais competitivas. Assim, como exemplo clássico cito a Ford deixando de se intalar no governo petista de Olívio Dutra, do RSG e indo para o baiano de Antonio Carlos Magalhães. Outro exemplo que ajudou a enfraquecer a Varig foi o da Gol ter seus registros de assentamentos em logradouros de cidades no entorno de BHZ, mais baratos que as demais que se registravam em SP e RGS e a economia de escala que ela se aproveitou usando sua estrutura de transporte logístico terrestre também com assentamentos aspergidos em pequenas cidades.

Entendo que nosso país precisa de ter Estados mais fortes suportando os menos fortes e produtivos, pois nossa geografia, demografia, climatologia e péssimas condições de infra-estrutura de energia, saneamento e de transporte não lhes permitem produzir de forma competitiva. Contudo, há que se ter um limite. O país vem se arvorando notadamente em investimentos estrangeiros de risco. Balançou eles fogem e o efeito seria o de tirar os andaimes de Miguelangelo no momento em que ele estava deitado preenchendo pequenos detalhes de afresco no domo da Capela Sistina.



agenda apresentada pela indústria aos pré-candidatos à Presidência da República é muito mais que uma lista de reivindicações setoriais. Os empresários propõem reformas essenciais à competitividade, ao crescimento econômico, à modernização tecnológica e à criação de empregos, objetivos de interesse de todos os brasileiros. Se essas mudanças forem adotadas, será possível dobrar em 15 anos a renda per capita dos brasileiros, disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. Um volume de 230 páginas preparado por economistas da entidade contém as propostas para o próximo governo.
futuro presidente, segundo Monteiro Neto, deverá cuidar de problemas relativos à tributação, segurança jurídica, infraestrutura, educação, comércio exterior, inovação, meio ambiente e burocracia. A agenda é bem conhecida e engloba a realização de tarefas adiadas há muitos anos. Uma das mais importantes é a reforma do sistema de impostos e contribuições. A tributação foi apontada como principal barreira à expansão dos negócios por 65% das mil empresas consultadas em pesquisa da Fiesp. Juros altos e dificuldades de acesso ao crédito ficaram em segundo lugar na lista de obstáculos.
Não tem havido muita surpresa em pesquisas desse tipo. Sondagens conduzidas tanto por entidades da indústria como por outras instituições têm colocado a tributação no topo das preocupações do empresariado.
Não se trata apenas do peso dos impostos e contribuições, mas também da qualidade dos tributos. O empresário é tributado quando produz, quando investe em máquinas e equipamentos e quando exporta.
Ele tem de suportar os encargos mesmo quando se prevê a desoneração por meio de créditos fiscais, porque os créditos são retidos durante anos pelos governos da União e dos Estados. Os concorrentes estrangeiros são muito menos onerados por impostos e encargos trabalhistas e previdenciários, especialmente quando operam em economias emergentes.
A reação dos pré-candidatos, no encontro promovido pela CNI, ficou dentro das previsões. Todos prometeram trabalhar pela reforma tributária e por outras mudanças necessárias à elevação da competitividade. A ex-ministra Dilma Rousseff voltou a qualificar a mudança tributária como "a reforma das reformas", expressão já usada na semana anterior. O ex-governador José Serra falou a favor da reforma tributária e criticou de novo os juros altos e o câmbio valorizado. A senadora Marina Silva, em linguagem mais franca, também defendeu a revisão dos impostos, mas alertou os empresários para o risco das expectativas muito otimistas. Reformas podem ocorrer, mas em geral são diferentes daquelas prometidas pelos candidatos, advertiu.
última reforma tributária entrou em vigor em 1967, com a implantação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A Constituição de 1988 manteve as características essenciais do sistema e transformou o ICM em ICMS, com a inclusão de alguns serviços em sua base de incidência.
Eram impostos mais modernos e mais funcionais que os anteriores. Mas com o tempo o sistema foi desfigurado. A guerra fiscal distorceu as decisões de investimento. Os tributos acrescidos de várias contribuições passaram a pesar excessivamente sobre os investimentos e a atrapalhar as exportações. A tributação tornou-se incompatível com uma economia cada vez mais integrada globalmente.
Com a abertura da economia, as empresas mudaram e tomaram o caminho da competitividade. O setor público mudou muito menos, apesar das políticas de ajustes e de reformas adotadas com sucesso a partir dos anos 90. Os governos ainda gastam mal, desperdiçam recursos, investem muito menos que o necessário e resistem às pressões para a modernização tributária. A administração permanece marcada por velhos vícios políticos. A lista de reivindicações da indústria tem tudo a ver com essas deficiências. Não se pode pensar seriamente na reforma tributária, se não houver disposição para enfrentar todos esses problemas. São interligados e esse dado político é incontornável. 
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Comportamento social

Gostaria de apresentar algumas reflexões para os amigos e visitantes fortuitos.

Tenho o hábito de pesquisar índices de desenvolvimento, sejam econômicos, sociais, tecnológicos, logísticos etc etc. Com eles procuro montar um mosaico a fim de compará-lo com alguns fenômenos sociais de fato, que vemos tanto na mídia como no decorrer de nosso deslocamento diário para nossas atividades.

Assim, tenho observado que, nos últimos vinte e cinco anos, a quantidade de estabelecimentos de ensino aumentaram em todo o país  nos três graus de formação, básico, fundamental e superior. Da mesma forma, tem aumentado a quantidade de livros adquiridos pelos governos das três esferas para distribuição na rede pública. Como consequência, a quantidade de vagas para professores também aumentou neste interregno.
Nos últimos quinze anos a quantidade de recursos informacionais tem, também, aumentado. Inclusiva há estados onde se tem inclusão digital desde dez anos atrás (não é exclusividade desse governo).

Por outro lado, a quantidade de aparelhos eletrônicos nas residências, de acordo com o IBGE tem se portado: 95 % de lares com televisão, 98% com rádios, 160 milhões de linhas celulares (é bem verdade que não é para 160 milhões de habitantes), jornais aumentaram em volume (não sei se, necessariamente, em qualidade) e chegam a custar 30 centavos.

Enfim, uma miríade de meios que substaciam o processo de  informação, formação e de educação do cidadão para seu desenvolvimento. Os meios, dessa forma, existem e estão disponíveis.

Relembrando o uso indiscriminado do solo com aglomeração urbana e entupimento de vias gerando enchentes e deslizamentos de terra, como também a depredação do patrimônio e vias urbanas, buracos nas ruas, vias públicas de circulação com lixos, barracas e similares, enfim, uma assustadora quantidade de itens que encarecem, sobremaneira, a já excessivamente alta dívida pública...Qual é o nexo causal se não faltam meios para a sociedade de comportar de maneira adequada que nos permita fluir com estabilidade e segurança para o desenvolvimento pleno.

O que nos falta, então?
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

O PODER NACIONAL

O PODER NACIONAL
José NOGUEIRA  Sobrinho. Ten Cel Esp Av Ref FAB.
Oficial de Segurança de Vôo, Oficial de Manutenção e Engenheiro de Vôo da Força Aérea.

I – CAMPOS DO PODER NACIONAL
O Poder Nacional estrutura-se em fundamentos (homem, terra e instituições), fatores (elementos que influem nos fundamentos do Poder) e expressões. As expressões do Poder Nacional de qualquer país minimamente organizado somam cinco campos distintos, vitais e interdependentes: o econômico, o político, o psicossocial, o militar e o de ciência e tecnologia.
“O campo econômico compreende o aumento e a distribuição da riqueza nacional; o campo político, a condução e a administração da coisa pública; o campo psicossocial, os aspectos psicológicos e sociais da nação;  o campo militar, a salvaguarda dos interesses, da riqueza e dos valores culturais do país” (dicionário Aurélio); e o de ciência e tecnologia (C&T), os “recursos humanos, recursos naturais e materiais e instituições de C&T” (Escola Superior de Guerra – ESG –, Manual Básico, vol I, Rio de Janeiro, 2005).  
As Forças Armadas subordinam-se ao Poder Político do campo político, administrador da coisa pública,  e atuam no Poder Militar do campo militar, com os Poderes Terrestre, Marítimo e Aéreo. Aos militares, portanto, interessam de perto o Poder Político (ao qual se subordinam) e o Poder Militar (onde atuam).

II – O PODER POLÍTICO
O Poder Político ou Poder Civil é a vontade nacional (grande estratégia ou estratégia nacional) traduzida e administrada harmônica e politicamente pelos poderes constituídos. O campo político, como condutor da coisa pública (res publica, república) vale-se do Poder Político para administrar os quatro campos do Poder Nacional.
Como as decisões sobre a guerra são políticas, o ministério da defesa (órgão político) é a ligação entre a grande estratégia (vontade nacional) e as forças armadas (órgãos técnicos). Cabe às forças armadas conduzir e fazer a guerra: conduzir, com a estratégia dos generais; e fazer, com a tática das armas, do coronel ao soldado.  Dispensa-se, pois, dos comandos políticos (presidente, ministro, congressistas) o domínio da técnica, mas não o conhecimento dos objetivos nacionais no campo militar.
As duas guerras da coalizão comandada pelos EUA contra o Iraque ilustram bem a atuação dos comandos civil e militar. Na primeira, o Poder Civil decidiu apenas expulsar do Kuwait o Exército iraquiano; na segunda, optou pela invasão e ocupação do Iraque e a deposição do ditador. Em ambas as oportunidades, as forças da coalizão seguiram à risca as decisões políticas (objetivos políticos), instrumentalizadas pelos generais (objetivos militares) e perseguidas pelas armas nos campos de batalha (missões). Roosevelt e Churchill foram os grandes comandantes civis dos Aliados na Segunda Grande Guerra. Em contraste, Hitler atropelava os generais assumindo o comando das batalhas, uma das causas determinantes da derrota alemã.

III – O PODER MILITAR
Esteio do campo militar, o Poder Militar, valendo-se da C&T aplicada às Armas, é a guarda e segurança dos bens materiais e imateriais dos cinco campos do Poder Nacional. Por isso, toda potência econômica é, também, potência militar. Expresso pelas forças armadas dos países, integra o conceito maior de “função defesa” de um sistema que, no caso brasileiro é o “sistema Brasil”.
Submetidas à política ditada pela vontade nacional, as forças armadas são o último recurso do país para fazer valer a continuidade dessa política (Clausewitz). Quando os demais recursos falham (diplomáticos, psicossociais, de propaganda, de pressões econômicas), as forças armadas não podem falhar.
A missão constitucional das Forças Armadas do Brasil (defesa das fronteiras, garantia da ordem interna e dos poderes constituídos) dirime dúvidas utilitaristas sobre o papel das Forças Armadas na vida da Nação. É ingenuidade ou má-fé pensar que o inimigo externo ou interno acabou e que, agora, bastam as milícias.
 Com ética e verdade, FORÇA AÉREA, BRASIL!
Recife – 2008 – Reproduza e divulgue – “ENSAIOS” – pág 5
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O 'subdesempenho satisfatório' do Brasil


Ex-secretário de Economia e Finanças quando era mais influente que o próprio chefe, o Min da Fazenda, no gov FHC (note-se que tais credenciais não aparecem no fim do texto - eu sei por tê-lo transportado algumas vezes de jatinho de BSB para Congonhas) este economista faz uma importante radiografia de nossa incapacidade de atingir a posição de quinta economia em poucos anos, conforme o atual presidente quer nos fazer crer. Note-se, inclusive, que para falar com propriedade sobre eventos de gestão da âmbito federal ter tal visão a partir de um posto de associação comercial de São Paulo não lhe permitiria tanto desembaraço.

A crucial questão de falta de investimentos em infra-estrutura, notadamente em energia e vias de circulação interestaduais ainda será uma enorme dificuldade que teremos que amargar por governos seguidos a fio.

Apesar das credencias que apontei, sugiro a leitura para, até, se ter uma base sobre a qual possa se assistir, com algum ganho, os enganosos programas eleitorais que, em breve, advirão.

O 'subdesempenho satisfatório' do Brasil

15 de abril 
Roberto Macedo - O Estado de S.Paulo
Deparei-me com esse conceito ao ler, no jornal Valor de 19/3, interessante artigo de Betânia Tanure, conhecida consultora em Administração, professora da PUC-Minas e conselheira de grandes empresas nacionais.
Ela identifica o "subdesempenho satisfatório" como doença que internacionalmente ataca empresas e outras instituições, inclusive governos. Trata-se de patologia em que condutores de uma organização, muitas vezes tomados por ilusões quanto ao sucesso dela, não percebem problemas que a acometem, e que podem levá-la a um subdesempenho futuro. Ou, então, eles são percebidos, mas menosprezados. Betânia se concentra no impacto da doença em empresas, onde executivos freneticamente buscam resultados e se vangloriam deles, muitas vezes iludindo-se com números de balanços e outros indicadores de rentabilidade.
Também se refere à acomodação ao "subdesempenho satisfatório" do Brasil, este acometido por "profundos problemas", pelos quais as empresas costumam mostrar preocupação, mas sem se ocupar, "efetivamente, daqueles que não receberam a devida atenção". A propósito, no que Betânia identifica como "determinismo setorial", a diversificada situação dos negócios no Brasil às vezes faz com que o mau desempenho de um setor sirva para justificar resultados ruins, sem que a empresa atente para as próprias deficiências. Outras vezes, há uma situação inversa ao chamado "custo Brasil", o "ganho Brasil", em que o desempenho acima da média mundial, em particular relativamente a competidores em países europeus e norte-americanos, mais afetados pela crise, serve para enaltecer apenas "o papel, o ego dos executivos", que deixam de colocar esse ganho nas suas contas, sem se preocupar com um crescimento que vá além dele, especialmente via maior produtividade.
Interessado sobretudo nas questões que dizem respeito ao País e ao seu governo central, percebo que a análise de Betânia a elas também se aplica, pois são evidentes os sintomas de um "subdesempenho satisfatório" que acomete a Nação. Combinada com o menosprezo de seus graves problemas, a ilusão de sucesso baseada no conformismo com uma taxa anual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próxima de 5% e, na crise recente, em comparações com os países que se saíram pior ainda do que o Brasil, cuja economia teve crescimento quase nulo em 2009, contamina não apenas seus dirigentes, em particular o mor, mas se estende a grande parcela da população. Esta tanto por falta de percepção própria como drogada pela propaganda oficial e presidencial que a torna míope ou a ver miragens.
O "nunca antes neste país" é emblemático de uma visão que, além de raramente comprovada, se volta para o passado do Brasil ainda em construção e já carente de reformas. Mas o que realmente interessa é o seu futuro, e comparações com nações que foram e são bem-sucedidas.
Outra ilusão vem do tamanho do País, quando medido pela sua geografia ou pelo seu PIB. Este, dependendo da forma de medição e da taxa de câmbio, fica dentro ou perto dos dez maiores do mundo. Esse tamanho só é documento para algumas coisas, como a influência regional e internacional do Brasil e seu poder de ajudar países como o Haiti e vários africanos, diminutos e paupérrimos.
Mas, quanto aos brasileiros, na sua média eles estão no meio do caminho entre os povos mais pobres e os mais ricos, média essa que esconde um sério problema distributivo. Mais uma vez ele ficou claro, com a calamidade que recentemente mostrou também toda uma feiura da Cidade Maravilhosa e de sua vizinha Niterói, com destaque para a pobreza favelada sobre um lixão.
E não é só na Olimpíada da produção e da renda "per capita" e de sua distribuição que estamos muito atrasados. Estamos assim também no alcance populacional do sistema de ensino e muito mal no desempenho dos nossos estudantes. Na saúde, a dengue é emblemática de males que vêm na esteira da baixa prioridade conferida por políticos e pelos próprios cidadãos a obras e práticas de saneamento básico. E também muito mal em indicadores de desenvolvimento humano, competitividade econômica, qualidade da infraestrutura, ambiente de negócios e outros mais.
Um dos mais assustadores, pois reflete o descaso pela construção do futuro, é a baixíssima taxa de investimentos públicos, ou seja, a parcela da receita governamental que o governo nos seus vários níveis particularmente o federal, que conta com mais recursos deixa de gastar em despesas correntes, como pessoal e custeio, para investir em infraestrutura, escolas, hospitais, saneamento básico e outras necessidades cruciais. Dados que vi recentemente mostram o Brasil em penúltimo lugar numa lista de 135 países, com a ridícula taxa de apenas 1,69% do PIB no último ano da série disponível (2007), enquanto lá no topo da lista estão países que alcançam mais de 10%, e a China superando os 20%.
Assim, o Brasil cultiva, em larga medida dopado pelo oba-oba em torno do seu "subdesempenho satisfatório", um modelo de subdesenvolvimento em que o atendimento dessas necessidades cruciais é postergado pelo apego ao consumo imediato. Isso sem perceber que uma das lições básicas de Economia vem do seu próprio nome, ou seja, é preciso economizar ou poupar, pois essa é a chave da prosperidade e, mesmo que se recorra a empréstimos e financiamentos, eles devem ser primordialmente voltados para investimentos, e não para o consumo.
Betânia conclui que o dirigente excepcional é aquele que busca uma gestão "agridoce", indo contra o "fluxo natural: quando todos puxam para o doce, ele garante a existência do azedo; quando todos puxam para o azedo, ele novamente recorre ao agridoce".
estilo paz, amor e doces de alto conteúdo eleitoreiro esconde mesmo é a incompetência na construção do Brasil do futuro.
ECONOMISTA (UFMG, USP E HARVARD), É VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO.
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Sobre reformas

Li uma pitoresca exclamação nos jornais: "Dilma, farei a Reforma Tributária!".
Pode ter sido, até, uma interpretação da mídia, ou mesmo um famoso "balão de ensaio" também chamado de "factóide" (é mais chick, tem um quê de sofisticação carioca tudaver).

Enfim, li que uma dada candidata iria "fazer" a reforma tributária.
"For the record" para manter o quê de sofisticação carioca, a reforma tributária foi encaminhada ao Congresso ainda no governo Sarney e, claro está, que desde então não foi considerado prioridade por nossos representantes, mesmo sob o pesado percentual de 38% do PIB de dívida pública mesclado como carga tributária.

Esta atribuição é exclusiva do Legislativo, Congresso Nacional, a candidata, no máximo, pode mobilizar via base de apoio (com os indefectíveis incentivos orçamentários) a uma figurativa votação que, como sempre, cairá no vazio com o tempo e o cochilo da consciente sociedade (ou seria com o consciente cochilo...nunca sei ao certo!!).

Como o Estado não pode agir na economia como ente empresarial, resta-lhe, em grande soma, depender de impostos de toda sorte, nas três esferas da vida pública e econômica nacional: municipal, estadual e federal.


Neste particular cabe ressaltar que, mal ou bem, o governo só redireciona os orçamentos (crédito - promessa; numerário - dinheiro em si, vivo, ainda que on line) se houver, via de regra, um fundo específico para depósito ou controle e, o fundamental, uma proposta e excecução orçamentária para tais gastos e aplicações (relembre-se que o fiel guardião do Erário e do patrimônio do brasileiro, o TCU, vem sendo bombardeado pelo presidente, vejam vcs, quem deveria ser o primeiro a resguardar -daí a necessidade de se ter pessoas intelectualmente preparadas para tal função). Ressalto que ressalvei o " via de regra" pois em "Pindorama" como chama o Prof Wood Jr, tudo é possível.


A enorme quantidade de garantias constitucionais e sua incapacidade de gerar renda pela via da produção de serviços e produtos fazem o mesmo Estado depender desse enorme patamar de arrecadação percentual de nosso PIB (38%).

Como temos Estados, ente federativos, com enormes dificuldades de participação no PIB por não produzirem bens e serviços de forma competitiva - e ainda ter que brigar com ambientalistas, índios e ONG´s para cumprir suas destinações constitucionais-, devemos, como unidade federativa, dividir o bolo, inclusive o que vier do pré-sal, caso contrário, jamais diminuiremos a desigualdade social, tampouco a violência urbana.

Bem, haverá inúmeras outras estultíces faladas com ar de circunspecção e seriedade. Convido meus amigos a se vacinarem, concito-os, inclusive, a procurarem outras marcas e não somente a minha, pois esta é incipiente em alguns aspectos, por ser eu um mero curioso.
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O Brasil, segundo o Le Monde


Mesmo sabendo que o jornal é da holding que quer nos empurrar os caças franceses, fiquei feliz com esta reportagem.

Se o nosso presidente deixasse de lado a ideologia e a doutrina do Foro de São Paulo e se afastasse de Chavez, Fidel e o atual Presidente do Irã estaríamos atraindo investimentos de melhor qualidade e em maior volume. Aliando-se a esta patotinha os investimentos que nos sobram são meramente expeculativos e não nos auxilia nos investimentos de Estado em longo prazo, servem, muito mal até, para se manter os, necessários diga-se de passagem, programas assistencialistas que, por sua natureza, são fátuos e efêmeros e não constituem investimentos perenes associados a desenvolvimento.





É Lula pra cá, Brasil pra lá! O mundo se agita com as declarações do presidente brasileiro e com as façanhas não somente futebolísticas de seus compatriotas.
Vimos Luiz Inácio Lula da Silva repreendendo a Alemanha por sua hesitação em salvar a Grécia, e oferecendo sua mediação no conflito entre Israel e Palestina.
Vimo-lo tentando, junto com os turcos, arrefecer a questão nuclear iraniana, e apoiar os argentinos em seu conflito contra os britânicos a respeito das Ilhas Malvinas e seu petróleo.
Mas “o homem mais popular do mundo”, segundo Barack Obama, não se apoia somente em seu carisma para falar em alto e bom som. Ele representa um Brasil em plena forma que, após uma depressão causada pela crise, segue de perto a China e a Índia em termos de crescimento.
A Petrobras, grupo petrolífero que é a empresa mais lucrativa da América Latina, a Vale, líder mundial do ferro, a Embraer, que poderá muito bem superar a Boeing e a Airbus em breve no setor de aviação, são apenas alguns dos orgulhos de uma economia industrial de primeira ordem.
No setor agrícola o crescimento é comparável, e valeu ao Brasil o título de “celeiro do mundo”. Soja, açúcar, etanol, café, frutas, algodão, frango, etc. fazem dele um concorrente temível para os produtores europeus.


Foi em 2008 que o Brasil se deu conta de suas capacidades econômicas. Até então, ele negociava com a Organização Mundial do Comércio, mas de maneira um tanto tímida. A crise que veio dos Estados Unidos e o colapso da produção industrial dos chamados países desenvolvidos o persuadiram de que era hora de partir para a ofensiva.
Agora é o Brasil, representado de forma brilhante por seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que mais pressiona por uma conclusão das negociações da Rodada Doha. Em comparação, os Estados Unidos parecem presos em um protecionismo de outros tempos.
Menos temido que a China ou a Índia, de populações na casa dos bilhões, mais respeitado que uma Rússia dependente de suas matérias-primas, o Brasil é o verdadeiro porta-voz dessas economias emergentes que puxam o crescimento mundial. Com o eixo econômico do mundo se deslocando para o Sul, ele pode com razão exigir que aqueles que estão substituindo os países do Norte sejam mais bem representados nas instâncias internacionais, a começar pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Sem esquecer o Conselho de Segurança da ONU, no qual o Brasil almeja uma cadeira de membro permanente.
Porque “o século 21 será o século dos países que não tiveram sua chance”, e por ele acreditar estar “na metade de [sua] carreira política”, Lula, 65, poderá se candidatar ao secretariado geral da ONU em 2012. Ele também deverá lutar para melhorar o G20, cuja influência ele considera “muito pequena”.
Continuaremos a ouvir falar do ex-metalúrgico, amigo das favelas e dos investidores. Continuaremos a ouvir falar de um Brasil no despontar de seus “trinta anos gloriosos”.
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terça-feira, 25 de maio de 2010

Sindicato vira negócio lucrativo e País registra uma nova entidade por dia

Tudo tudo em defesa do pobre e do empregado explorado e desassistido.


Nossa idiossincrasia latina, patrimonialista, não consegue viver sem uma entidade que represente alguém junto a um órgão superior.
No atual governo se intensificou a criação de três tipos de intermediários que, de certa forma, personificam o que o brasileiro não quer ser, não quer encarar e não quer viver como ente de uma coletividade onde sua participação individual venha a ter peso...se ele se der ao trabalho de ir, pessoalmente, à luta.

Assim, fruto de um desejo de resolver os problemas sem sujar as mãos ou suar a camisa, tivemos nos últimos sete anos a intensificação de quantidade de igrejas, ONG's e, conforme se vê abaixo, sindicatos.

O que se vê com esta profusão são os gastos dos recursos públicos e poucos resultados positivos, mensurados na prática.

Aliado a recente intensificação de "conselhos" observa-se que o cidadão ficará a mercê de eternos representantes que, nem sempre, estão alinhados com as demandas ou vontades dos associados mas que, via legislação votada com a anuência omissiva da sociedade gera estes tipos de frutos.

De que forma conseguiríamos, assim, implantar a meritocracia e busca da excelência em todos os segmentos da economia? De que forma, por fim, atingiríamos a posição de quinta economia no mundo em menos de cinco anos?




Sindicato vira negócio lucrativo e País registra uma nova entidade por dia


Lu Aiko Otta e Leandro Colon, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo


O imposto sindical, um bolo tributário de quase R$ 2 bilhões formado por um dia de trabalho por ano de toda pessoa que tem carteira assinada, alimenta um território sem lei. Os 9.046 sindicatos que dividem esse dinheiro não são fiscalizados.
Resultado: abrir uma entidade sindical transformou-se em negócio lucrativo no País. Levantamento feito pela reportagem do Estado identificou sindicatos de todos os tipos: de fachada, dissidentes por causa de rachas internos e entidades atuando como empresas de terceirização de mão de obra.
Os dirigentes das centrais admitem que o imposto está por trás da proliferação sindical, o que transforma alguns sindicatos em verdadeiros cartórios. A reportagem constatou ainda que, só neste ano, o Ministério do Trabalho registrou um novo sindicato a cada dia, 126 no total, o que revela uma indústria debaixo da chamada liberdade sindical garantida pela Constituição.
A proliferação acirrou-se a partir de 2008, quando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu formalizar as centrais - a fatia do bolo que elas recebem é proporcional ao número de entidades filiadas. E tudo ficou mais fácil quando Lula decidiu que as centrais não precisam prestar contas do dinheiro que recebem.
"Parte dos sindicatos é constituída sem representatividade, só com o objetivo de arrecadar os recursos dos trabalhadores através das taxas existentes", admitiu o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos. "Está havendo desmembramento de sindicatos, muitos deles artificiais e piratas", concorda Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo. "É o banditismo sindical."
Meio de vida. Estima-se que metade dos sindicatos em operação no País tem como função apenas o recebimento de tributos. Dirigir uma entidade passou a ser meio de vida de algumas pessoas, como no caso de Djalma Domingos Santos.
Ele dirige um sindicato que faz intermediação de mão de obra para empresas do agronegócio. Os abusos são tão flagrantes que a entidade está sob investigação do Ministério Público do Trabalho. Santos também preside sindicatos de trabalhadores da movimentação de mercadorias em pelo menos cinco cidades.
"Não é impossível, mas é pouco provável", disse o secretário-adjunto de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, André Luis Grandizoli, ao ser questionado sobre como uma pessoa pode presidir tantos sindicatos ao mesmo tempo - e todos devidamente registrados. "Não temos como avaliar."
Ainda segundo Grandizoli, o governo evita qualquer ação que possa parecer interferência na atividade sindical: "Temos de observar a Constituição, que garante a liberdade sindical."
Debaixo desse guarda-chuva constitucional, a criação de sindicatos galopa. O Ministério do Trabalho requer apenas "um mínimo de democracia" no processo de abertura, como disse Grandizoli. É preciso realizar uma assembleia, convocada em jornal de grande circulação e no Diário Oficial, para pedir a formalização. A candidatura da entidade a um registro formal, que lhe dará acesso ao imposto sindical, é submetida a uma audiência pública por 30 dias.
A checagem da documentação do futuro sindicato é apenas formal. Nenhum fiscal verifica, por exemplo, se o endereço informado existe. As investigações sobre irregularidades com o dinheiro do imposto sindical são feitas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, informou Luiz Antônio de Medeiros, ex-secretário de Relações do Trabalho.
Veto. A frouxidão com que os sindicatos são acompanhados pelo governo não é recente. O banco de dados do Ministério do Trabalho sobre entidades sindicais só foi criado em 2005. Segundo Grandizoli, houve um período, no final da década de 1990, em que os sindicatos nem eram registrados no ministério, pois a legislação é vaga a esse respeito.
A Constituição diz que "a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical." Não está claro se o órgão competente para registro é o Ministério do Trabalho.
Essa mesma passagem da Constituição foi a base do veto que Lula impôs ao artigo 6º da Lei 11.648, que regulamentou as centrais sindicais. O texto previa a prestação de contas do dinheiro da contribuição sindical ao Tribunal de Contas da União (TCU). Mas o Planalto considerou o artigo inconstitucional, por representar uma interferência do Poder Público nas centrais. Posteriormente, o Congresso confirmou o veto.
Ao serem formalizadas, as centrais passaram a disputar uma fatia de até 10% da contribuição sindical. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, no ano passado elas receberam R$ 81 milhões. A maior fatia, de R$ 26,8 milhões, foi para a CUT.
As centrais sindicais tiveram papel fundamental no apoio a Lula durante o escândalo do mensalão. Prometeram tomar as ruas caso prosperasse a ameaça de impeachment do presidente. 
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Torquato e o Marketing Eleitoral







 O artigo abaixo demonstra bem como é o nosso processo de escolha. Se fôssemos avaliar com calma, é um emprego intenso se metodologias científicas consagradas que levam o cidadão ao engodo.
 
É um eterno suplício de Sísifo. Escolhe-se mal por se votar mal e, via de regra, tal voto sofre um processo de afogamento sob uma miríade de técnicas de marketing que, no fundo, só enganam e fazem com que o eleitor se sinta feliz, participativo, consciente e, poucos anos após, ingressa na horda de "enganados".

 
Do que li até agora não vi ninguém falando nada de substancial acerca da capacidade de "articulação" -pois já deveria estar claro que ninguém consegue governar um país como o nosso sozinho-  junto às demais instituições a fim de se permitir que nossos graves problemas de base sejam resolvidos.


Aliás, que eu me lembre, há mais de vinte anos se fala que  nosso problema é educação e que não é resolvido porque precisa-se de reformas "profundas". Depois do Sarney todos os presidentes e a expressiva maioria dos governadores e prefeitos são de esquerda. 

Já era tempo, diante dos sofríveis índices de educação deste governo, termos feito reformas profundas....o suficiente para sair no Japão, de tão profundas que poderiam ter sido. E até agora nada...o por quê, o artigo abaixo explica.




Os três faróis do voto

Gaudêncio Torquato - O Estado de S.Paulo

O que o eleitor leva mais em consideração na hora de votar: benefícios sociais e econômicos proporcionados por governos ou a trajetória de vida dos candidatos? Essa é a mais instigante questão no fórum de análises que se abre na presente quadra político-eleitoral. A interrogação acirra a polêmica que, a esta altura, se espraia por alas simpatizantes de candidatos, tendo como cerne os principais atores do pleito presidencial de outubro: José Serra, com densa experiência política e administrativa nas esferas federal, estadual e municipal; Dilma Rousseff, cuja identidade ganhou força na era Lula, mas sem nunca ter obtido um voto; e Marina Silva, com trajeto no Executivo e no Legislativo, encarnando a simbologia em defesa do meio ambiente. A última pesquisa Sensus traz uma pista para desvendar a dúvida, com as alternativas apresentadas aos eleitores: na hora de votar, 44% levarão em conta benefícios econômicos e sociais concedidos no governo Lula, enquanto 35% se deterão sobre o currículo dos candidatos.

A pequena diferença entre as porcentagens denota que os dois fatores serão fundamentais. A primeira leitura é a de que o eleitor tende a escolher ora degustando o menu econômico posto na mesa social, ora avaliando capacidades dos candidatos. Há, porém, uma teia que sugere bifurcações na tomada de decisão do eleitor. Os simpatizantes do fator econômico não votarão necessariamente na candidata situacionista, como se poderia aduzir, e parcela dos conjuntos que apontam como fator mais importante atributos do candidato poderá recusar o sufrágio no candidato oposicionista. Aliás, a pesquisa Sensus confirma a hipótese ao mostrar que 46% dos assistidos com o Bolsa-Família e o Primeiro Emprego (programas do governo) pretendem votar em Dilma e 33%, em Serra. As opções contidas na questão mexem com outros componentes do processo decisório, como condições do votante, geografia eleitoral, patronos e clima ambiental. Essas variáveis favorecem o voto à moda Frankenstein, mistura de uns com outros. Em muitos Estados, a esta altura, já se serve salada mista. Além disso, cada pleito tem seu caráter, uma identidade que o difere de outros. Não é razoável comparar o pleito deste ano com o de 2002. Naquele tempo, Fernando Henrique Cardoso tinha baixa avaliação. A cota de votos do Plano Real fora esgotada. Já as eleições deste ano, mesmo tirando Lula do cartaz, não afetam seu prestígio.
O prato econômico será o mais disputado na mesa eleitoral. Numa escala até 100, é razoável supor que lidere a medição com cerca de 40%. O empuxo gerado pela economia tem que ver com o instinto de sobrevivência do indivíduo. Para efeitos eleitorais, ele se apresenta na forma de vantagens econômicas e satisfações materiais, superação de dificuldades, ascensão de pessoas na escada social, conforto, harmonia doméstica e bem-estar geral. O voto que sai dessa equação recebe um selo de origem. É provável que habitantes do andar de baixo sejam mais generosos com perfis ligados aos benefícios econômicos, enquanto habitantes dos andares de cima, mais exigentes, podem puxar o voto do bolso para a cabeça. E esse voto consciente se expande pelos estratos médios das metrópoles e dos polos mais desenvolvidos. Distingue-se, portanto, a escolha racional da opção emotiva, sendo esta última comum no Nordeste. Aí, outro condicionante se soma à força do fator econômico: os senhores da política.
É bom lembrar que o voto, mesmo se afastando do grilhão dos caciques, ainda é influenciado por ele. Grandes bolsões eleitorais seguem o cabresto curto de chefões. Outro grupo frequenta a fila dos donos de fatias na administração pública, enquanto parcela ponderável, no pleito deste ano, seguirá o comando do mestre Lula. Essa parcela de votação colada ao mando é de aproximadamente 30% do eleitorado. Nessa área, o poder se reparte entre situação e oposição. E é nessa divisão que emerge a influência do maior senhor da política hoje, o cabo eleitoral Luiz Inácio. Desempenhará, seguramente, papel importante. Basta anotar a atual intenção de voto em Dilma, que vem por atração do ímã presidencial.
Definido o poderio exógeno, resta aos candidatos a força endógena, simbolizada por seu currículo. Na escala de pontuação, as qualidades individuais somam algo como 30%. Mas o acervo pessoal não terá força, quando considerado isoladamente, fora do contexto que o cerca. Daí por que os candidatos precisam inscrever seus relatos no livro de compromissos para o Brasil. Currículo espetacular precisa ser acompanhado de escopos interessantes. Da mesma forma, boas ideias só convencem quando a fonte é crível. Portanto, a química de resultados parte da relação intrínseca entre os elementos da composição. O que e como dizer uma proposta? Tecnicismo demais ou simplicidade de menos podem zerar o jogo. Arrumar uma semântica capaz de entrar na cachola do eleitor, sem se tornar demagogia, é um exercício que pode ser testado no intervalo que o País concederá aos candidatos por ocasião da Copa. Grande porção de ideias se perde. Pesquisas europeias mostram que apenas 7% do impacto do discurso depende do conteúdo, enquanto as comunicações não verbais são responsáveis por 93% da eficácia. Destas, 55% provêm de expressões faciais e 38%, de elementos paralinguísticos - voz, entonação, gestos e postura. Não por acaso, os candidatos começam a caprichar no aspecto visual.
Portanto, há desafios de monta a serem enfrentados pelos três principais atores. Dilma precisa demonstrar que, sem histórico eleitoral, tem competência para governar o Brasil. Serra deve convencer de que é o melhor para substituir Lula. Marina tem de sair da redoma ambiental e frequentar o fórum nacional de questões. A tentativa de cada um passará pelo túnel onde se encontram os três faróis que orientarão o voto: economia, patrocinadores e qualidades pessoais.
Da solução desta equação sairá o vencedor.
JORNALISTA, É PROFESSOR TITULAR DA USP E CONSULTOR POLÍTICO
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