terça-feira, 21 de maio de 2013

Evolução lenta



 EDITORIAL 
GAZETA DO POVO - PR 

O desafio dos países que conseguiram eliminar a pobreza é justamente melhorar a vida em sociedade e as condições de urbanidade

Quando Adam Smith publicou, em 1776, o livro A Riqueza das Nações – a primeira obra no campo da teoria econômica moderna e que viria a fazer parte da galeria dos livros imortais – ganhou corpo a discussão sobre como uma nação pode obter crescimento econômico e melhoria do bem-estar social. Para Smith, o aumento do produto nacional somente seria possível com um ambiente jurídico-político favorável à liberdade econômica combinado com o progresso tecnológico.

Uma vez conhecida a possibilidade de aumentar a produção por habitante – necessária para superar a pobreza e promover melhorias das condições materiais de vida –, os pensadores passaram a discutir outros aspectos do desenvolvimento social, como a existência de vida comunitária sem violência e sem agressão aos direitos dos outros e com elevado nível de civilidade e respeito.

Mais uma vez os pensadores econômicos entraram no debate para dizer que havia uma feliz coincidência no fato de que a causa capaz de promover o crescimento econômico seria a mesma capaz de produzir a melhoria dos hábitos da vida em sociedade. E essa causa era a “educação”. Mas não qualquer educação, e sim aquela que fosse capaz de prover conhecimentos técnicos e científicos necessários ao exercício profissional e também a evolução moral do indivíduo.

Sendo a moral referente à conduta e ao comportamento do homem no âmbito da família e da sociedade, a educação deveria ser direcionada também a questões comportamentais, de forma que a comunidade pudesse, em seu conjunto, ter os melhores hábitos e a melhor conduta possível. A preocupação passou a ser em relação ao fato de que a simples melhoria do bem-estar material não seria suficiente para promover a felicidade humana, pois esta depende de comportamento social civilizado, respeitoso e cooperativo.

Algumas nações conseguiram progredir mais em matéria em produção econômica do que em termos de civilidade social. O desafio do futuro é, além de prosperidade material, alcançar queda da violência urbana, redução da poluição, melhoria do trânsito nas cidades, melhor limpeza e saneamento e a possibilidade de as pessoas circularem livremente pelas ruas, sem medo e sem ameaça.

Os Estados Unidos são um exemplo de país que conseguiu elevação da produção, aumento da renda por habitante, condições materiais invejáveis, cidades organizadas e limpas, mas que, em larga medida, não conseguiu criar o melhor ambiente de segurança pública e vida civilizada. O desafio dos países que atingiram elevada renda per capita e conseguiram eliminar a pobreza é justamente melhorar a vida em sociedade e as condições de urbanidade. Nesse sentido, países de pequena população estão levando vantagem. É o caso de Dinamarca, Noruega, Suíça e outros países que vivem em paz e segurança privada e pública. Essas nações atingiram um nível de bem-estar material e paz social que deve ser perseguido pelo resto do mundo.

O Brasil, infelizmente, não passou da primeira fase. Com uma renda per capita inferior a 11 mil dólares, a pobreza e o atraso ainda estão presentes para quase metade da população. Quem andar pelas cidades do país verá péssimas condições de moradia, falta de esgoto tratado, crianças sujas e doentes, poluição urbana, ruas sem asfalto, escolas caindo aos pedaços e postos de saúde em mau estado e sem médicos. O desafio do Brasil é o crescimento econômico. Enquanto o país não atingir, pelo menos, 25 mil dólares de renda por pessoa, a população continuará longe do bem-estar social para todos seus habitantes.

O país precisa evoluir em todos os planos, no individual, no familiar, no social e no político. A desmoralização das instituições, a descrença nos políticos e o elevado estado de ineficiência e corrupção no setor público são apenas o retrato do baixo nível de desenvolvimento econômico e social. A evolução está ocorrendo, porém, de forma lenta e a principal razão é o baixo nível educacional médio. Há mais de 200 anos já se sabia que sem melhorar a educação não se melhora o resto; mas, nisso, o Brasil perdeu tempo demais. É preciso recuperar pelo menos parte do tempo perdido.
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