quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Bill Gates diz que ideologia ameaça combate à fome

Minha tese foi sobre Segurança Alimentar. Sou piloto, sou oficial da aeronáutica, deveria estar falando de aviões, superioridade aérea, aeroportos, enfim, coisas do gênero. Todavia precisava pesquisar algo que viesse a representar uma potencial ameaça futuro ao desenvolvimento e bem-estar no mundo.

Durante o governo Sarney tive experiência em pilotando helicópteros, transportar membros da polícia federal em busca de bois e grãos escondidos para que o valor aumentasse em venda no mercado negro. Como presenciei muitos tumultos em ruas e supermercados por causa de prateleiras vazias resolvi tentar ir à fundo neste tema. Surpreendi-me com a densidade e periculosidade da dificuldade de acesso ao alimento que existe no mundo. Concluí minha tese ao mesmo tempo em que a crise de alimentos chegava ao seu pico, ou seja, dois anos antes já antevia o problema. Era a crônica da morte anunciada.

A Monsanto, empresa americana, começou a pesquisar e desenvolver alimentos e fertilizantes geneticamente modificados fazendo uma prospecção no tempo. Hoje, como detém a patente é bombardeada, há mais de dez anos, por empresas européias, com o auxílio, é claro, da mídia mundial que pouco esclarece.

Então amigos, segue uma sugestão para reflexão antes que ONG’s busquem eventualmente, simpatia entre vocês para se tornarem inimigos íntimos de nosso desenvolvimento o que espero que não ocorra.

Assim, não há condições de se alimentar cerca de quatro bilhões de pessoas que, além de passarem fome, não todos os quatro bilhões, claro, mas os que começam a ter condições de ter carnes e nutrientes mais sofisticados à mesa de forma constante, sem sobressaltos.

Para isso precisa-se de fertilizantes para produção em larga escala pois não existe agricultura familiar no mundo, orgânica (como quer a moda) que consiga dar vazão a tanto consumo. Imaginem quantos Paulos Zulus e seus quintais precisar-se-ia para se alimentar, com três decentes refeições, quatro bilhões de pessoas a mais, ao longo de 356 dias. Assim, matematicamente se os ambientalistas parassem para pensar...

Quanto a nós, acho lamentável a perseguição ao avanço da fronteira agrícola na Amazônia. Tenho a coragem de dizer, pois além de conhecer de perto a Amazônia, fiz uma tese sobre falta de alimentos no mundo. Acho que consigo conversar, pelo menos, dez minutos sobre o assunto sem falar bobagens que é o rótulo quando se questiona a posição dos ambientalistas.

Bill Gates diz que ideologia ameaça combate à fome

http://noticias.uol.com.br/ultnot/reuters/2009/10/15/ult729u82226.jhtm

A luta para acabar com a fome está sendo afetada por ambientalistas que insistem que grãos geneticamente modificados não podem ser usados na África, afirmou nesta quinta-feira Bill Gates, bilionário fundador da Microsoft.

Gates afirmou que grãos geneticamente modificados, fertilizantes e produtos químicos são ferramentas importantes -- ainda que não as únicas ferramentas -- para ajudar as pequenas fazendas africanas a ampliarem sua produção.

"Este esforço global para ajudar pequenos fazendeiros é ameaçado por uma ideologia que ameaça dividir o movimento em dois", apontou Gates em seu primeiro discurso sobre agricultura feito no fórum World Food Prize.

"Algumas pessoas insistem numa visão ideal de ambiente", afirmou Gates. "Eles tentaram restringir a disseminação da biotecnologia na África sub-saariana sem considerar o quanto ela pode reduzir da pobreza, ou o que os próprios fazendeiros querem".

A Fundação Bill e Melinda Gates tem focado na ajuda aos pobres nos últimos anos, assim como em crescimento de pequenos fazendeiros e venda de mais grãos como uma forma de reduzir a fome e a pobreza.

A fundação, que se comprometeu com 1,4 bilhão de dólares para esforços com desenvolvimento agrícola, anunciou nesta quinta-feira nove doações novas num total de 120 milhões de dólares visando aumento nos lucros e especialização dos fazendeiros nos países em desenvolvimento.

Kindle



Este aparelho se propõe a substituir o livro por livros eletrônicos.
Estava morando em Washington quando a primeira versão foi lançada. Como era cliente assíduo da Amazon.com, recebi a oferta de comprá-lo a US$ 199.00. Bem barato.
Esperei, contudo, ver as pessoas nas ruas para ver se o aparelho pegava. Meus referenciais de pesquisa eram o metro, os cafés e aeroportos. O americano jovem tem a mania de querer aderir logo a uma moda, para dizer que está “fit in”, está por dentro, inserido na moda e no contexto..
Bem, não vi quase ninguém usando nos primeiros meses. Vi alguns quando viajei para Nova Iorque.
Após dois meses recebi a oferta, por ser cliente da Borders, de adquirir o Sony Reader. Também esperei muito até ver uma única pessoa no metrô a quem após puxar uma breve conversa bajulativa, pedi para ver o produto. Após uma breve relutância a moça me cedeu. Devolvi logo ante a cara de ansiedade que ela tinha.
Para testar a teoria dos consultores organizacionais de mudanças, aqueles que vêem mudanças a toda hora e em todo o lugar, perguntei a gerentes da Barnes and Nobles e Borders se eles sabiam de alguma estratégia de marketing para competir com o Kindle e Ereader. Dos dez que perguntei em estados diferentes durante minhas viagens eles disseram que o americano comum sente prazer em andar entre prateleiras de lojas e bibliotecas e ser visto com um livro na mão. Eles não acreditavam que os livros eletrônicos iriam competir com os impressos. Também perguntei em supermercados e farmácias, de grandes cadeias, sobre estratégias para substituir os bolsilivros (pockets books). Da mesma forma disseram-me que eles eram imbatíveis.
Pedi, então, para dar um voltinha, um teste drive, no Kindle de uma vizinha, que após tentativas frustradas de encontrar alguém (a propaganda dizia ser um fenômeno mundial de vendas) ela me orientou a fazer um download. Aí vi que não era para o Brasil, pois dependia de conexões de alta velocidade, o que o americano tem com fartura em quase todo e qualquer ponto do país além de se deixar registrado um creditcard para se pagar, de imediato, o livro para, então, se fazer o download. Como escolhera o Diplomacy, do Kissinger, um tarugo de quase mil páginas, até lá o livro demorou para baixar.
Ante a esta experiência achei que para servir no Brasil deveria me contentar do o Ereader da Sony, que tenho até hoje, pois ele permite se ler Word e PDF, o que faço com freqüência. Bem, aí, como tenho meus hábitos de leitura diria os inconvenientes de um livro eletrônico: Para mim, também, folhear um livro antes de ler é fundamental, parece que é um namoro, uma degustação. Também, durante a leitura, gosto de discutir com o autor e marcar trechos com comentários na lateral, com lápis e usar um marcador para consultas futuras. Também gosto de ler as notas de rodapé e de fim de página e, por vezes, marco o livro com três dedos, um para a página que leio, outro para as notas de fim de página e um terceiro, eventualmente, para se manter um gráfico, um mapa, tabelas ou fotos para se complementar o entendimento da leitura. Nada disso dá para fazer bem nem no Kindle ou no Ereader.
Como leio em torno de quinze livros por anos, além das revistas, gosto de empilhar as obras que li em uma estante por puro prazer de dizer para mim mesmo o quanto progredi culturalmente em um ano. Para isto, também, os ereaders não se prestam nem proporcionam este prazer.
Em um país que tirou o 47º lugar, entre 54 países pesquisados, inobstante a cara sorridente de nosso imortal Paulo Coelho, dizendo ser o último livro que o brasileiro comprará eu diria: Não vai colar. Se não conseguimos estimular a leitura de livros nem em bibliotecas ou sebos, achar que o brasileiro vai desembolsar mil pilas para ter um livro eletrônico é não contar com a nosso idiossincrasia nem com nossa peculiar infra-estrutura na hora de se elaborar uma estratégia.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

France Télécom: 24 suicídios

Amigos, este não é um fato isolado, ele faz parte de um contexto que se verifica desde antes da Copa de 1998 quando perdemos para a França.

Naquela época havia depredação de prédios, carros incendiados e muito tumulto nas ruas. Os trabalhadores com dificuldades de acesso aos postos de trabalho uma vez que os cidadãos franceses nascidos fora da França tinham os mesmos direitos. Zinadine Zidane, cidadão francês nascido na Argélia era o ícone que poderia apaziguar os ânimos exaltados ao longo do país.

Outros países da Europa tiveram suas sociedades questionando os altos custos dos sistemas de saúde e de previdência.

A Inglaterra na época de Margareth Tatcher e Alemanha pós-reunificação também enfrentam problemas semelhantes principalmente para ajustarem-se às novas demandas da União Européia (UE). Ou seja, ter-se um Estado enxuto e eficiente.

A França vem apresentando dificuldades de se manter enxuta e eficiente, mais competitiva em relação aos demais países da UE. A privatização tornou-se uma solução inadiável ao mesmo tempo difícil de ser aceita pelos antigos padrões franceses.

No caso francês o suicídio entrou na equação, o fato é que culminou em uma concentração de pessoas em uma mesma e grande organização.

A sociedade francesa começava a perceber a dificuldade de se vivenciar em um mundo globalizado, onde os produtos podem ser adquiridos de forma mais eficiente e mais barata em outros países, notadamente os da UE, enquanto os dos franceses sempre foram mais caros em função do custo.

sobre direitos adquiridos e a força dos sindicatos.

O enxugamento e busca pela eficiência para se tornarem mais competitivos, infiro, deve ter sido a causa para o aperto geral dado por esta ex-estatal.

O percentual histórico denota que os franceses têm, historicamente, tal tendência a suicídio. As obras literárias de Emile Zolá, Balzac, Alexandre Dumas e Albert Camus também iluminam eventualmente, o suicídio entre algum dos personagens.

Enfim, há que se aguardar mais para se ter um melhor entendimento sobre tal fenômeno.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Homo Homini Lupus


Certa vez conversava em um intervalo de aulas com o antropólogo americano, Prof Gary Weaver, da American University por ele questionar a política intervencionista americana de George W Bush em um ambiente ainda de triste memória de 11 de setembro de 2001. Ele me retrucou: Este é o meu trabalho como professor. Se eu aceitar a unanimidade sem criticá-la não estarei fazendo meu trabalho. “I’m a professor for Christ sake!!”. Talvez ele estivesse se esquecendo de estar em um meio acadêmico e pensando estar diante de um coronel do pentágono, apesar de saber ser eu brasileiro. Contudo, sua resposta até hoje me faz pensar. Assim, gosto de enviar mensagens a meus amigos estimulando a reflexão.

Não diria, como o dramaturgo carioca Nelson Rodrigues atestando que toda a unanimidade é burra. Isso ficava bem pós-revolução cultural de 1968, principalmente ao se ter governos militares no poder. Mas para se estimular o debate e o crescimento, concordo que a unanimidade precisa ser questionada.

Assim, a premiação de Obama para o Nobel da Paz merece, ao menos, alguns minutos e a coragem que teve Arthur Xexéu de dizer se “surpreendente.” Estava em Washington, fazendo um mestrado quando Barack Obama, então um discretíssimo senador democrata entrou como quinto colocado, entre cinco, em uma disputa para indicação do partido democrata. Ele demorou a convencer. Mas como os democratas precisavam de alternativas outras para que, após o fiasco de Clinton, os republicanos não emplacassem um terceiro mandato consecutivo, uma mulher, um ex-operário, um ex-líder sindicalista, um industrial e um negro comporiam as opções para o povo americano. Sob forte trabalho de marketing ele começou, pelo fato de ser negro, e não de seu discretíssimo trabalho como senador, a ganhar espaço sua caminhada.

Um livro interessante, de fácil leitura, surgiu em tempo muito exíguo, denominado “The audacit of Hope”, a audácia da esperança. Confesso que ao ler o livro não achava que ele iria adiante, era muito ingênuo e sem propostas, na época do lançamento, substanciais ou pragmáticas. Era o mundo do dever ser, quase do lúdico e onírico. E sob o signo da esperança da mudança sobre um cenário percebido, e é bom que se ressalte o percebido, ele foi ganhando espaço. A partir daí grandes fortunas passaram a se surpreender com a crescente onda de doações voluntárias para a campanha do senador negro. Como se fala da terra do business, logo logo tais fortunas começaram a se espargir em pequenos doadores que consubstanciaram o fenomenal apoio financeiro para uma caríssima campanha americana.

Cumpre se ressaltar o estrondoso uso da Internet no aumento de sua visibilidade. Apesar disso, sua vitória não foi folgada, aliás, em número de delegados ele até perdeu, ele ganhou em função de peculiaridades do sistema eleitoral americano. Assim, os republicanos acabaram tendo troco semelhante quando Bush derrotou Al Gore. Como vivia lá percebi que nem todo cidadão americano concordava com o que ele falava. Aliás lá aprendi que militarizada é a sociedade em si e não Bush. Escreveu e não leu o vizinho denuncia, depedra-se o bem público e o contribuinte que se sente lesado aciona a polícia, simples assim. O que aprendi é que o cidadão americano não é paz e amor. É pragmático. Neste particular, aliás, logo logo Obama terá, como ganhador do Nobel, conviver com pressões internas em virtude de sua determinação de modificar o sistema de saúde.

Bem, o ganhador é eleito, procura se achar em um novo metier e em pouco mais de cem dias é tido como um excepcional estadista e promotor da paz e do diálogo internacional. Só isso? Deu tempo de virar um excelente político, pouco mais de um ano após sair do semi-ostracismo em seu próprio país? Bem, “I don’t buy that!!!” Como diria meu vizinho americano.

Existem em torno de 36 conflitos de monta variada no mundo hoje em dia. Há conflitos onde se mata mais do que na faixa de Gaza, só que por não se ter judeu no meio, não dá ibope. Nesses trinta e seis conflitos uma miríade de voluntários lutam pela promoção da paz. Não só colocam a mão na massa como o corpo, literalmente, na lama. As famílias e propriedades desses promotores da paz chegam a ser devastadas onde perto de um milhão de dólares ajudaria sobremaneira. Outra injustiça de se dar o prêmio ao americano é que os ganhadores e os concorrentes ganham visibilidade mundial e empresas e ONG’s passam, também em busca de visibilidade, a promover mais recursos. As famílias dos promotores mortos nos conflitos também mereciam ter o reconhecimento e o afago mundial por suas lutas que levam anos e não pouco mais de cem dias de visibilidade mundial.

Um problema que antevejo para o cidadão americano que viaja para as regiões de conflito é que terão daqui em diante, que se preocupar muito com suas seguranças, pois os fundamentalistas e radicais islâmicos mais dia menos dia falarão de sua discordância com relação a esta escolha, só que o argumento que eles usam via de regra inclui a laceração de alguém inocente, o que é um perigo para a paz alheia.

Participei de um seminário de Paz e de Conflitos mundiais e tive oportunidade de conversar com militares e diplomatas que atuaram em forças de paz. Percebi o quão perturbados ficam tais pessoas. Ao conversar em um intervalo de aula com um americano que tinha uma feia cicatriz eu lhe disse que o problema deles era o de querer agir com democracia e pensando em direitos humanos contra pessoas que não só não conhecem tais termos como também não fazem a menor força para vivenciá-los. É um enorme erro tentar solucionar conflitos internacionais sob a ótica humanista ocidental. Pelo menos é esta a conclusão que cheguei em meus estudos, apesar de ter plena noção de não ser nem um pouco politicamente correta, mas pelo menos me matem alerta.

O mundo não é cor de rosa, sequer as pessoas distintas em culturas podem se abraçar e correr lépidos e fagueiros em direção ao arco-íris. Usaria parte do depoimento de César diante dos senadores romanos ao prestar contas sobre suas campanhas militares na Europa e norte da África: “Homo Homini Lupus”. O homem é o lobo para seu semelhante.

Enfim, minha visão crítica, indo de encontro à unanimidade, é uma vã tentativa de homenagear os que muito fizeram pela paz, se envolvendo e perdendo propriedades, famílias e saúde para ajudar outrem e ficaram de fora desse importante prêmio.


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A síndrome do "Procurador"

Em poucos dias já li cerca de trinta mensagens sobre as olimpíadas no Rio em 2016. Foram de tipos diferentes: artigos, blogs, mensagens repassadas por amigos e links. Todos, sem exceção, trazem uma característica: A terceirização da responsabilidade.

Em todas as mensagens os conteúdos trazem frases do tipo “a sociedade tem que estar atenta..”; “o Ministério Público tem que fiscalizar”; “a sociedade não pode cochilar” e por aí vai. Não encontrei em quase trinta distintas mensagens alguém falando: “Vou acompanhar de perto..”; “Vou escrever para o deputado/senador que elegi...”; “Vou ler atentamente o Diário Oficial da União, do Estado ou do Município do Rio de Janeiro..” etc.

É sempre alguém que tem que estar responsável para que a coisa pública funcione ou pelo menos não seja vítima de corrupção. É sempre o “outro”. O problema do Brasil está no “outro” que não faz o que deve. É o “outro” que comete os atos arbitrários ou anti-éticos ou se omite. Nossa capacidade de relativizar a responsabilidade e a ética é patológica, fica demonstrada em qualquer evento público que se avizinhe.

Da mesma forma na qual se vota e se esquece de acompanhar e cobrar responsabilidades dos políticos eleitos, os “politica e atenadamente corretos” acham que enviar mensagens ou postar blogs já é mais do que suficiente prova de que está engajado. Há bem mais o que se fazer, a começar por procurar entender a natureza e a origem dos recursos pois, principalmente, alguns artigos denotam desconhecer que nem todos os recursos sairão do Erário, há os que virão do COI e de investidores internacionais. Depois se procurar entender quais são os objetivos diretos e adjuntos das destinações orçamentárias específicas, pois por incrível que possa parecer, a gestão orçamentária no Brasil é extremamente rigorosa, haja visto o posicionamento do TCU em relação às obras do PAC.

Enfim, falta maturidade social para se lidar com eventos complexos dessa natureza. Enquanto estivermos acometidos da síndrome do “procurador” jamais atingiremos o patamar de sociedade amadurecida.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Uma imagem e muitas palavras





A imagem anexa simboliza um fato latente.

Ao longo da história da humanidade, os artistas, poetas e cartunistas sempre souberam traduzir em traços ou em poucas linhas uma percepção latente na sociedade.
O que vejo é apenas mais um fato dentre muitos outros onde estruturas e arcabouços legais cruzam-se com percepções de ética e cidadania.
há dois fatos distintos entre si retratados na imagem: O mérito do Rio ganhar a disputa e a possibilidade de locupletação de velhacos e aproveitadores.
Contudo há um enorme porém dentro deste contexto: Isto acontecerá queiramos ou não. Será por dois motivos. Nossa idiossincrasia e o próprio arcabouço legal que serve de entorno aos recursos a serem aplicados para se dar consecução à olimpíada.

Talvez tenhamos que relembrar o que aconteceu no início do primeiro mandato, quando o Min dos Transportes não conseguiu segurar uma série de irregularidades que faziam nossa malha rodoviária não ser eficiente em mais de 13% inobstante à enorme quantidade de recursos empregados.
O governo e a mídia escolheram o Exército Brasileiro, com sua engenharia militar, para ser o bode expiatório da vez, por quê? porque por incrível que pareça todas as "irregularidades" percebidas sob o foro da ética e cidadania estavam amparadas pela Lei 8666. A lei não acobertou, o fato é que todos os problemas que vimos anos depois dos recursos terem sido pagos às empreiteiras e demais construtoras, foram aplicados sob os critérios da lei de Licitações.

O mesmo acontecerá, muito provavelmente, com os recursos públicos a serem aplicados nos projetos que atenderão às olimpíadas e neste particular, penso eu que o presidente nada pode fazer, mesmo se fosse Jesus ou Madre Tereza de Calcutá, pois tudo estará rigorosamente dentro da Lei.
Observem os exemplos recentes das obras do PAC fazendo uma "epochée", uma breve suspensão de juízos acerca do envolvimento político e partidário no processo. O TCU apontou irregularidades que a mídia não esclareceu e que se elas forem corrigidas, à luz da Lei o TCU nada mais poderá fazer a não ser liberar sua continuação. E tem sido assim em todos os eventos nos últimos governos, de Sarney a Lula. Tudo dentro da Lei, por incrível que possa parecer.

Talvez no meu afã de propor sempre um diálogo e reflexão alguém do meu grupo de proponha a esclarecer tecnicamente tais possibilidades a nós que pouco dominamos o assunto, contudo, pela experiência que tive no projeto de Reengenharia de Gestão Administrativa, no centro do Min da Defesa (eu fiz parte, como tenente-coronel, do grupo de trabalho subordinado diretamente ao Ministro), para atender ao clamor da mídia, tido como clamor social (bobagem pura) para se fazer uma profunda radiografia das competências de gestão das três Forças e lá, ao longo de mais de seis meses de trabalho, durante os brifins das empresas e órgãos envolvidos, tive o entendimento de que pouco havia de ilegal para se punir, olhando-se o rigor frio da lei. Isto pode parecer absurdo, mas não é assim que o foro jurídico trabalha, infelizmente.

Portanto, meus amigos, o problema esta na brecha que foi criada, ou talvez várias brechas, durante a promulgação da Lei 8666 que teve quase nenhuma participação popular e agora ela é válida e para mudá-la precisaria de uma maioria, em duas votações, nas duas Casas Legislativas, Câmara e Senado. Maioria amigos, em duas votações em cada Casa, já imaginaram o quão próximo do impossível é tal tarefa?
E, em meu ver, não adianta ser somente a lei a ser mudada, há que se ter antes, uma profunda reforma fiscal e tributária. Talvez isto comece a acontecer em 2083...quem sabe.

De sorte que fico extremamente feliz com a escolha do Rio.

domingo, 4 de outubro de 2009

Notas sobre Honduras 2

Ultimamente a mídia americana, representada por jornais mais conservadores, está pressionando, sutilmente, a administração Obama acerca do que está ocorrendo em Honduras.

Atribui-se tal reticência à postura que tomaram para dar um recado ao mundo de que não seriam mais xerifes do mundo, contudo, o que está ocorrendo na América Central diz respeito a um dos mais graves problemas que eles têm que é o tráfico de drogas.

Nada há de ideológico em tal situação. Dominar Honduras é essencial aos planos de Chavez e do neo-bolivarianismo que têm mostrado simpatias às FARC e narco-terroristas. Nos últimos meses de Zelaya no poder aumentou o movimento de aviões com carregamentos de drogas naquele país ao mesmo tempo que houve muitas atracações em portos clandestinos na costa hondurenha com material destinado ao mercado americano.

A região por ser montanhosa dificulta o acesso do Estado e as populações ficam à mercê do crime organizado com embocadura multinacional.

Estes fatos, estranhamente, não estão sendo comentados em nossa mídia nativa. Somente consigo ler algo ao acessar os jornais americanos e alguns europeus, especializados ou não em segurança e defesa.

5 perguntas para Gary Hamel - HSM Management

Dois pontos chamaram-me a atenção neste texto anexo em pdf: O primeiro é o que ele escreve para organizações americanas com sua peculiar idiossincrasia. O segundo ponto é que as empresas que ele se refere têm mais a ver com empresas de tecnologia e produtos assemelhados do que uma miríade de outras empresas onde, fundamentalmente, a hierarquia se dá até como forma de desenvolvimento, i.e. construção civil, naval, logística, energia etc etc. Somos latinos, distintos dos americanos e nossa sociedade, diferentemente da deles, habituou-se a greves e feriados. Eles têm melhores condições de implantar uma gestão onde padronização, hierarquia e especialização podem ser prescindíveis, nós não. Aliás, a propósito de sua referência a Deming, a frase dita por aquele gênio, após sua experiência na reconstrução do Japão pós-guerra de que as pessoas querem fazer trabalhos de alta qualidade e são impedidas pelas organizações e seus contextos não se verificam totalmente em nossa realidade. Há fortes restrições orçamentárias que requerem planejamentos antecipados que, ainda assim, sofrem modificações substanciais ao longo de um exercício financeiro.

http://br.hsmglobal.com/adjuntos/14/documentos/000/076/0000076451.pdf

Solidão intelectual

Duas mensagens tocaram-me nesta semana.

A primeira veio em um blog onde um rapaz questionava o fato de se ler pouco no país.

O segundo de uma professora, muito amiga, chamado Insensatez que enviei aos meus caros amigos.

Ambos, em essência, falam da mesma coisa. Bem, concordava antes, contudo hoje já penso um tanto diferente.

Quanto ao fato do rapaz clamando um país melhor por intermédio da leitura, no caso dele mensurado apenas em livrarias, eu respondi a comparação em leituras via on line e periódicos. Ainda sim permito-me uma pergunta, indo mais além: Ler para quê?

Com diz a blogueira cubana, ser alfabetizado em Cuba para ler apenas material permitido pelo governo não significa, de fato, alfabetização como alavanca para cultura.

Mas ler para quê?

Dou-me o direito de perguntar, pois somente este ano já li doze livros, além das revistas que assino, Veja, Exame e HSM Management. E daí?

Durante a faculdade de Adm no CEUB eu soube que assustava os demais colegas, bem mais novos. Praticamente tudo o de cultura geral e de sociedade que os professores comentavam eu dialogava. No MBA então ficava um tanto isolado, pois já tinha lido uma boa parte dos livros que os professores comentavam. Dos livros indicados pela nossa Universidade para coronéis no curso de política e estratégia eu já tinha lido a maioria como major. O único diferencial, de fato, senti no mestrado que fiz, pois o nível de conversa com professores e demais participantes dos seminários e simpósios era alto e como havia necessidade de se conhecer o país, para mim foi fácil. Pelo meu desempenho fui, até, escolhido para falar de Brasil para alunos da National Defense University, que queriam se especializar em Brasil. De fato, nestes dois anos nos EUA minhas leituras facilitaram, sobremaneira, minha vida e meu mestrado. Mas de volta ao país...

Enfim, hoje já duvido se somente a leitura ajuda o país a ser melhor. Por quê, por causa do nosso entorno.

Ler para se absorver e gerar mudança, significa dialogar. Não com o autor, mas com pessoas à volta. E aí entra o que penso? Para quê li doze livros? Fazer o quê com o material que apreendi culturalmente? Hoje permito-me olhar para trás e perguntar: Para quê que li tanto?

Quem à minha volta quer dialogar? Incrível!! quase ninguém. E olhe que evito ao máximo falar em política.

Bem, noite de sábado. Após encerrar, ontem, mais um livro e três relatórios da Ernest and Young sobre cenários futuros, fico meditando, só, somente só, quando recebo a Veja e dou cabo dela quase toda (pois atualmente vem um grande número de fofocas políticas e de reportagem com pouca densidade útil.) O que vou fazer com o material que li? Conversar com quem sobre ele?

E daí? Meus parentes e próximos não se interessam por muita coisa além da televisão, Pe Marcelo, ou outros assuntos mais palatáveis. Alguns amigos ficam quase que monossilábicos e preferem falar de coisas mais corriqueiras. O que fazer então?

Disseram-me na faculdade que a Internet seria o melhor e mais fundamental veículo para se ampliar a cultura e a informação da sociedade brasileira. Assim, envio msgs para amigos e pessoas que não conheço. Já tive respostas muito estimuladoras e agradecidas, o que me estimula a continuar. Mas e a questão do diálogo para crescer?

Um colega enviou no fim da msg: “Mande um email em resposta para saber se vc está vivo.” Tipo assim. Deve ter sido para um grupo, pois como disse outro amigo, eu entupo as caixas postais alheias com assuntos que, segundo alguns, até deletam sem ser por não interessar.

Engraçado que haverá, em breve, aqui no Recife, uma feira internacional de livros, padrão bienal, onde o forte será a auto-ajuda e a ficção. Pensei até em ir, mas vi que não vai valer a pena. Como nas bienais do Rio e São Paulo, quando vejo, em amostra aleatória ou nos relatórios os livros mais vendidos me pergunto como é que ler livros ajudaria o país a melhorar. Em nosso país, penso que se dá algo semelhante a Cuba, mas não como cerceamento de material para se ler além dos daquela revolução e regime, mas pelo overflow de auto-ajudas e ficção.

Por fim lembro de duas pessoas sábias: Minha irmã e o Prof Heck. A primeira me diz que estou fora de sintonia, quase um chato. O segundo diz que estou perdendo meu tempo lendo e querendo estimular o debate. Ultimamente olho para o computador, como ele demora a pegar um pouco pergunto-me se vale a pena entrar on line. Tem tanta coisa muito importante acontecendo ultimamente e vejo uma enorme lacuna de debates.

Enfim, dialogar com o papel e comigo mesmo está ficando sem graça.

Talvez o que esteja sentindo seja uma solidão intelectual. Não me acho intelectual, aliás, quanto mais leio mas sinto vontade de estudar outros assuntos e áreas do conhecimento humano. Apenas gostaria de exercitar meu intelecto e fugir da televisão que quase não ligo, aliás, pago sky somente para minhas filhas assistirem seus canais infantis. Quando me pego aguardando a hora de Hanna Montana, ICarly, Mister Maker ou Barney (minhas filhas tem nove e três anos), começo a ficar angustiado.

Minha filha mais velha olhou minha estante e perguntou: Pai, pra quê tanto livro? Hummm...responder o quê?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Como será o Brasil em 2030

Como será o Brasil em 2030

Estudo da Ernest and Young, consultoria internacional.

“- O Brasil será o 5o maior mercado consumidor do mundo
- A classe C passará de 13% para 23% das famílias
- Norte e Nordeste são as regiões que terão maior crescimento % de consumo
- As expor
tações de manufaturados crescerão a 1,8%/ano, chegando a US$ 183 bi.
-
O Brasil será o 7o maior mercado consumidor de energia
- O PIB brasileiro crescerá 150%, alcançando US$ 2,4 trilhões.
- Serão formadas cerca de 2,5 milhões de novas famílias por ano”

Essas e outras dezenas de previsões estão em um conjunto de 4 análises setoriais (competitividade industrial, energia, consumo e mercado habitacional), elaboradas e publicadas pela consultoria Ernst&Young.

O ano que o estudo tomou por base foi o de 2007, antes da crise econômica iniciada nos EUA o que desequilibrou a dinâmica econômica mundial, assim, nossa expansão depende, sobremaneira, da estabilidade dos países que exportamos.


Também neste ano não havia previsão do imbróglio do gás boliviano quando nosso presidente cedeu o que vem encarecendo a matriz energética das regiões sul e sudeste.

Tampouco Lugo era presidente a exigir a revisão do fornecimento de energia elétrica pela Itaipu Binacional. Novamente a energia elétrica fundamental para a consolidação do nosso PIB sofreu aumento.

Ainda neste particular, não havia a paralisação e potencial de atraso na construção das hidrelétricas do Rio Madeira que, certamente, atrasará o fornecimento pleno de energia hoje em déficit. O “apagão” que também influi em nosso PIB ainda não está afastado.

Não havia a intervenção de Chavez no Mercosul, em particular nos contratos de fornecimento de carne e de matéria prima da Argentina para os demais países do bloco, inclusive para nós sendo este mercado responsável por considerável parcela de nossa exportação também daquelas regiões.

O próprio estudo revela ser fundamental a capacidade de trânsito de bens e de serviços para se obter desenvolvimento econômico. E neste particular, o próprio Ministério dos Transportes já revelou que somente 13% de nossa malha rodoviária tem condições de atender um crescimento discreto do PIB.


Os problemas recentes na consecução das obras do PAC, irregularidades nas licitações e obras superfaturadas, de acordo com o TCU, deixam claro o quão complexo se é desenvolver infra-estrutura em um país de dimensões continentais.

Os países considerados na comparação feita pelo estudo não possuem uma Amazônia ou um pantanal que dificultam, sobremaneira, a integração de todos os segmentos sociais do país, sem falar na ação dos ambientalistas que dificultam a ampliação de nossa matriz energética.


O relatório também não considerou a peculiaridade de nossa pesada carga tributária (superior a 38% do PIB – muito devido ao modelo assistencialista e não sustentável) sequer o alto índice de economia informal que possibilita a progressão entre as camadas E para D e desta para C, com o detalhe de não haver arrecadação e muitas despesas públicas na presença de economia informal o que sobrecarrega quem cumpre com suas obrigações.

Enfim, após ler dois dos estudos da Ernest and Young (em um total de cinco - energia e potencial de consumo - fiquei com a impressão de que muito do que foi previsto dificilmente se verificará na razão e intensidade com a qual eles estão apregoando.

Pretendo dar seqüência ao estudo e postar alguns comentários.

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