sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Novos líderes, velhos problemas -


 KENNETH MAXWELL
FOLHA DE SP


Neste sábado, Enrique Peña Nieto tomará posse como presidente do México. A ocasião marcará o retorno ao poder do Partido Revolucionário Institucional (PRI).

O partido conquistou a Presidência com apenas 38% dos votos e não terá maioria no Legislativo, mas a vitória de Peña Nieto representa uma notável recuperação.

O PRI controlou o México durante 71 anos e foi definido pelo romancista peruano Mario Vargas Llosa como "a ditadura perfeita".

Não surpreende que o recentemente reeleito presidente dos EUA, Barack Obama, tenha recebido o presidente eleito do México segunda-feira, na Casa Branca.

A vitória eleitoral de Obama foi muito auxiliada pelos eleitores hispânicos, que representam o grupo de mais rápido crescimento no eleitorado norte-americano, e o Partido Democrata pretende manter esse apoio.

Peña Nieto alega representar um novo partido. Descobrir se o PRI, de fato, se reformou é algo que só o tempo dirá. Contudo os problemas que os presidentes Obama e Peña Nieto precisam enfrentar são antigos e já se provaram intratáveis no passado. A imigração é apenas um deles. Muito mais grave é a guerra continuada contra os traficantes de drogas, para os quais os EUA continuam a ser o maior mercado.

O poder do crime organizado desconsidera fronteiras. Dadas as imensas quantias envolvidas, não surpreende que grandes bancos internacionais tenham se envolvido em lavagem de dinheiro.

Os EUA também continuam a ser a principal fonte para as armas utilizadas pelas quadrilhas de tráfico de drogas, um problema que os políticos norte-americanos hesitam em confrontar. É muito mais fácil, afinal, bancar guerras contra as drogas em terras alheias, à custa de vidas alheias.

E o problema tampouco se confina ao relacionamento entre o México e os EUA.

A convergência entre o tráfico de drogas, o contrabando e a guerrilha também afeta a América Central e a América do Sul.

Atinge a fronteira tríplice entre a Argentina, o Paraguai e o Brasil, a fronteira entre o Brasil e a Venezuela, a fronteira entre o México e a Guatemala, a fronteira entre a Colômbia e o Equador e, acima de tudo, a fronteira entre a Colômbia e a Venezuela, onde ocorreram cerca de 30 mil mortes nos dez últimos anos.

Organizações criminosas mexicanas e colombianas lutam pelo controle das lucrativas rotas clandestinas de comércio de drogas para a América do Norte, o Caribe, a África ocidental e a Europa.

Tradução de PAULO MIGLIACCI
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