terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quem é o palhaço?

Já sabemos, pelo TSE, que mais de 50% dos eleitores, em um universo de 135 milhões, é analfabeto funcional.

Não obstante, sabemos que 95% das residências, no país, possuem televisões e 98% rádios. Acesso à informação existe.

O cidadão brasileiro não é tapado, sabe fazer suas continhas domésticas, sabe gerenciar o pouco que tem e tem uma noção razoável do mundo imediato que o cerca. Contudo, as respostas abaixo nos deixam dúvidas quanto à sua capacidade de ser responsável com objetivos sociais mais amplos.

Por fim, quando critico que de nada adianta a propaganda do votar certo, das moscas nos ouvidos por quatro anos, encontro amparo na atual situação do palhaço tiririca que ao ser eleito arrastará consigo, até cassados e fugitivos do mensalão. Claro está que ninguém gostaria, ou melhor, quem tem algo ainda de consciência ética situacional...entretanto, é esta a realidade que o atual sistema eleitoral nos presenteia.

Enquanto ele não mudar, cumprindo o inalienável direito ao voto, "arma do cidadão" o eleitor estará reconduzindo aos parlamentos pessoas duvidosas ou de baixa qualidade.
Até quando este embuste irá nos perseguir?

Até quando a sociedade irá se mobilizar para exigir mudanças no processo e Lei Eleitoral?
Adianta reclamar depois?


Quem é o palhaço?
 
Francisco Everardo Oliveira Silva corre o risco de ser o deputado federal mais votado do Brasil em 3 de outubro. Não se espante se você não reconhece o nome, nem seus próprios eleitores reconheceriam. Oliveira Silva é conhecido apenas por seu apelido, Tiririca.

Ele aparece em primeiro lugar no conjunto de pesquisas do Ibope sobre a eleição para a Câmara dos Deputados em São Paulo. Como é o Estado com o maior eleitorado, não será surpresa se Oliveira Silva acabar sendo o campeão nacional de votos de 2010.

Se você não tem visto muita TV nas últimas décadas e passou incólume pela propaganda eleitoral até agora, Tiririca é ator e palhaço profissional. Tem 45 anos, lê e escreve, se auto-define como “abestado” e seu slogan é “pior que tá num fica, vote Tiririca”.

Não é uma piada. É um projeto político. Oliveira Silva é candidato pelo PR, em coligação que inclui o PT e o PC do B. Prova da seriedade do projeto é que, até o último dia 3, o partido havia investido R$ 594 mil, oficialmente, na campanha do palhaço. E não deve parar por aí.

Tiririca é o principal puxador de votos do PR, do PT e do PC do B em São Paulo. Se chegar a um milhão de sufrágios, seu excedente de votos elegerá mais quatro ou cinco deputados da coligação. O eleitor vota em Tiririca e pode eleger Valdemar Costa Neto (PR), Ricardo Berzoini (PT) ou o delegado Protógenes (PC do B).

O “projeto Tiririca” é um bom retrato do sistema de coligações que impera nas eleições parlamentares brasileiras -uma salada farta de siglas, conexões improváveis, legendas de aluguel, e uma pitada muito pequena de ideologia.

Das 27 legendas que disputam as eleições para a Câmara dos Deputados, apenas os quatro partidos de esquerda (PSTU, PCO, PSOL e PCB) são seletivos nas coligações: não se misturam na grande maioria das vezes. Melhor deixá-los em um prato à parte.

Entre as outras 23 legendas da salada, vale quase tudo. O PP, por exemplo, coligou-se 169 vezes a todos os outros 22 partidos, em 26 das 27 unidades da Federação. O PRB fez igual. Isso significa aliar-se ora ao PT, ora ao seu arquiinimigo PSDB, conforme a conveniência.
PP e PRB são os campeões das alianças, mas não são exceção. Das 23 legendas da salada coligada, só o PV fez menos de 100 conexões com outros partidos. Mas bateu na trave: 97. A salada é sortida. Tem de PT com DEM (uma vez) a comunista com democrata-cristão (seis vezes). Só não tem petista com tucano.

Se dividirmos a travessa em duas partes, numa ponta está o PT, na outra, o PSDB. O PMDB fica no meio. Perseguidos pelo poder, os peemedebistas aparecem como fortes aliados tanto de tucanos (6 vezes) quanto de petistas (11 vezes).

As conexões mais intensas do PT são com PC do B, PR, PRB, PSB, PDT e PMDB. E as do PSDB são com DEM, PPS, PSC, PMN, PR, PRB e PMDB. Mas as relações são abertas, não pressupõem exclusividade. Vez ou outra uma legenda dá uma escapadinha para o outro lado, sem culpa ou ressentimentos.

Os mais cínicos dirão que a política partidária brasileira continua a mesma. Mudam os nomes, mas não os sobrenomes. No seu “Deputados 2010”, o Ibope identificou uma penca de herdeiros do poder (apud Francisco Antonio Doria) entre os favoritos a se elegerem para a Câmara.

São rostos novos para nomes conhecidos. Como os de Ana Arraes (Pernambuco), Ratinho Jr. e Zeca Dirceu (ambos no Paraná), ACM Neto (Bahia), Rodrigo Maia e Leonardo Piciani (ambos no Rio de Janeiro).

Nomes fortes foi justamente o que faltou para o PT paulista. O partido precisou improvisar nova estratégia. Além de se coligar ao PR de Tiririca, ressuscitou a tática de pedir votos para a legenda do partido. Está dando certo: a sigla do PT está em segundo lugar em citações no ranking do Ibope.

A falta de nomes conhecidos está confundindo os paulistas. Instado pelo Ibope a dizer em quem votará para deputado federal, há quem responda “Serra”, “Fernando Henrique Cardoso”, “Marina Silva”, “Alckmin”, “Mercadante” ou até quem evoque “Mario Covas”.

De todos os Estados onde o Ibope faz seu ranking para a Câmara, São Paulo é onde menos eleitores são capazes de citar um candidato a deputado federal: apenas 12%. Em Pernambuco essa taxa já chegou a 19%, e no Distrito Federal, a 21%.

Não é de espantar, portanto, que Tiririca seja o mais lembrado entre os paulistas. Nem de que alguém tenha pensado em usar um palhaço como puxador de votos. Pensando bem, até faz sentido.
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3 comentários:

  1. É de tiriricar os cabelos, meu Deus que insensatez destes partidos políticos que vão buscar nestes embusteiro para rechear suas legendas. Mas eu creio que o povo já esta mais ávido nesta eleição. Pelo menos é o que eu creio. Minha preocupação é eleger Marina Silva ao 2º turno....rsrsrsrs

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  2. Repito o mesmo último comentário do autor: 'Pensando bem, até faz sentido'... Palhaços votando em seu representante da mesma classe.

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  3. "Cada povo tem o governo que merece" - Joseph de Maistre (1753 - 1821), filósofo francês.
    Se pensarmos bem foram de uma certa foram os políticos que criaram o atual sistema político. Eles, os políticos, foram eleitos por nós! E nós vamos continuar a elegê-los e eles continuaram a fazer tudo para a conveniência deles.
    Forte Abraço!

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