Carlos Alexandre
Correio Braziliense
Esta semana a Sociedade Inter-Americana da Prensa (SIP) promove sua 67ª Assembleia Geral, a fim de debater o atual momento da imprensa, com particular enfoque para a América Latina. O encontro, em Lima, reúne representantes de diversos jornais do mundo, convidados para refletir e expor aspectos econômicos, políticos e sociais da mídia. As novas tecnologias para o acesso à informação, as imensas possibilidades de interação entre os veículos e seu público, são algumas das discussões relevantes, que certamente demandam análise a todo momento. Mas creio haver outros temas a merecer atenção especial, pois dizem respeito a toda a sociedade, não apenas a determinado setor econômico ou a um nicho de mercado. Na segunda década do século 21, é preciso aprofundar discussões fundamentais, como a liberdade da imprensa e o direito à informação, temas igualmente presentes na Assembleia da SIP.
Se é possível afirmar que a América Latina obtém avanços significativos na economia, não se pode dizer o mesmo em relação à atuação da mídia. O histórico autoritarismo na formação política e social do continente ainda impõe rigoroso controle da informação, que sequestra das nações o pleno acesso a temas de interesse público. Durante séculos, a crônica
periodística tem apontado os caminhos possíveis para os jornais: tornarem-se porta-vozes oficiais ou imprensa marginal. A maioria dos veículos, em maior ou menor grau, vê-se obrigada a manter posição intermediária, sustentada por tensa relação com o poder, em especial nas regiões em que se percebe uma fragilidade institucional.
Há situações preocupantes, como na Venezuela e no Equador, onde se observam o fechamento de rádios e tevês e a perseguição a empresários da comunicação. No México, a situação é crítica: jornalistas são assassinados pelos chefes do tráfico, que empregam a violência para vilipendiar a lei e silenciar a democracia. No Brasil, a presidente Dilma Rousseff tem exibido postura mais equilibrada na relação com a imprensa, ao contrário do antecessor, que via na crítica uma conspiração golpista para o seu projeto político.
Não há alternativa para o desenvolvimento da América Latina sem uma imprensa independente e ética. As notáveis mudanças econômicas devem contribuir paralelamente para a formação de uma sociedade mais madura, e a mídia responsável tem uma missão valorosa nesse processo. Cada vez mais, a informação é um bem comum. É, pois, um contrassenso limitá-la.
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