O Estado de S. Paulo
Há furacões se formando lá fora, mas aqui o céu continua azul, sem nuvens de tempestade. Não é que estejamos tão bem; eles, na União Europeia, é que vão de mal a pior. Deixaram acumular déficits e dívidas crescentes, fingindo não ver o que estava acontecendo, e agora culpam Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal por fazerem o que os deixaram fazer.
Sobrou para nós. Agora a União Europeia vai pagar a conta. Como? Pedindo ajuda ao FMI e injetando centenas de bilhões de euros na Grécia, na Irlanda, em Portugal e logo mais na Itália e na Espanha. Outra saída é diversificar o comércio exterior, exportando mais aos EUA e à China - que reagem - e a outros países. Quem? Nós e a Índia...
Vai funcionar? Está funcionando. A Comissão Europeia divulgou na terça-feira que, de janeiro a agosto, as exportações ao Brasil cresceram 54%! É mais que o dobro do aumento das vendas europeias ao mundo, de 22%. Para a China, cresceram 29% e para os EUA, 15%.
Ministério se defende. Nós nos defendemos com o Ministério do Desenvolvimento, isolado no governo, agindo como pode. O ministro Miguel Jorge informa que entre janeiro e setembro iniciou 24 investigações de defesa comercial, de um total de 96. Só ficamos atrás da Índia. "Isso expressa de maneira inequívoca que o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio cumpre seu dever de defender a indústria nacional da entrada de produtos estrangeiros em condições desleais de concorrência", afirma Miguel Jorge, refutando criticas à demora do ministério de agir. O ministro tem razão. Conta com o apoio desta coluna, que reconhece seu trabalho. As críticas que fizemos não dizem respeito à inação do ministério, mas ao seu isolamento, à falta de apoio da equipe econômica para estimular as exportações. O ministério pode quando muito fazer investigações de defesa comercial. Mas os resultados em curto e médio prazos são poucos.
Tanto é que agora o próprio ministério admite, em documento interno, que há, sim, um processo de "desindustrialização negativa" no País, representado pela perda relativa de dinamismo da indústria na geração de renda e emprego. Em 2004, a indústria representava 30,1% do PIB; no ano passado, 25,4%.
Eles vêm com tudo. A crise europeia não deve afetar o sistema financeiro brasileiro, mas levará a Europa a forçar o aumento de suas exportações ao Brasil. Eles não têm muito mais para onde ir. Exportaram US$ 155 bilhões aos EUA até setembro - apenas 15% a mais. Nos vendem ainda relativamente pouco - US$ 20,6 bilhões - mas, se é pouco para esses países, leia-se Alemanha, é muito para o Brasil. Muito porque eles exportam manufaturados, roubando mercado da indústria nacional.
É grave? Não seria se essa tendência não estivesse se acentuando e se a outra parte do mercado não estivesse sendo ocupada pela China e pelos EUA. A grande verdade apontada pelo documento interno do ministério é que está havendo uma "reprimarização" da pauta de exportações, com predomínio de produtos primários como soja, grãos e minério.
É grave sim, pois pode estar havendo não só um processo de "desindustrialização negativa" (sic), mas de "reprimarização" da pauta de exportações! O que é isso? Nossos competidores - China e Europa - estão nos importando produtos básicos e exportando produtos industriais fabricados com esses mesmos produtos!
É o caso da importação crescente de produtos siderúrgicos. Do aço, como revelam Raquel Landim, do Estado, e Marta Watanabe, do Valor, e do cobre e do alumínio também. Chegam aqui beneficiados pelo câmbio, mas não é este o fator decisivo. É a carga tributária, a legislação trabalhista, a infraestrutura que onera o transporte. São os portos e os juros.
Não se pode esperar que o real se desvalorize para agir, principalmente com a nova crise europeia. A saída é atacar as outras frentes, como aponta o Ministério do Desenvolvimento.
.
Sobrou para nós. Agora a União Europeia vai pagar a conta. Como? Pedindo ajuda ao FMI e injetando centenas de bilhões de euros na Grécia, na Irlanda, em Portugal e logo mais na Itália e na Espanha. Outra saída é diversificar o comércio exterior, exportando mais aos EUA e à China - que reagem - e a outros países. Quem? Nós e a Índia...
Vai funcionar? Está funcionando. A Comissão Europeia divulgou na terça-feira que, de janeiro a agosto, as exportações ao Brasil cresceram 54%! É mais que o dobro do aumento das vendas europeias ao mundo, de 22%. Para a China, cresceram 29% e para os EUA, 15%.
Ministério se defende. Nós nos defendemos com o Ministério do Desenvolvimento, isolado no governo, agindo como pode. O ministro Miguel Jorge informa que entre janeiro e setembro iniciou 24 investigações de defesa comercial, de um total de 96. Só ficamos atrás da Índia. "Isso expressa de maneira inequívoca que o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio cumpre seu dever de defender a indústria nacional da entrada de produtos estrangeiros em condições desleais de concorrência", afirma Miguel Jorge, refutando criticas à demora do ministério de agir. O ministro tem razão. Conta com o apoio desta coluna, que reconhece seu trabalho. As críticas que fizemos não dizem respeito à inação do ministério, mas ao seu isolamento, à falta de apoio da equipe econômica para estimular as exportações. O ministério pode quando muito fazer investigações de defesa comercial. Mas os resultados em curto e médio prazos são poucos.
Tanto é que agora o próprio ministério admite, em documento interno, que há, sim, um processo de "desindustrialização negativa" no País, representado pela perda relativa de dinamismo da indústria na geração de renda e emprego. Em 2004, a indústria representava 30,1% do PIB; no ano passado, 25,4%.
Eles vêm com tudo. A crise europeia não deve afetar o sistema financeiro brasileiro, mas levará a Europa a forçar o aumento de suas exportações ao Brasil. Eles não têm muito mais para onde ir. Exportaram US$ 155 bilhões aos EUA até setembro - apenas 15% a mais. Nos vendem ainda relativamente pouco - US$ 20,6 bilhões - mas, se é pouco para esses países, leia-se Alemanha, é muito para o Brasil. Muito porque eles exportam manufaturados, roubando mercado da indústria nacional.
É grave? Não seria se essa tendência não estivesse se acentuando e se a outra parte do mercado não estivesse sendo ocupada pela China e pelos EUA. A grande verdade apontada pelo documento interno do ministério é que está havendo uma "reprimarização" da pauta de exportações, com predomínio de produtos primários como soja, grãos e minério.
É grave sim, pois pode estar havendo não só um processo de "desindustrialização negativa" (sic), mas de "reprimarização" da pauta de exportações! O que é isso? Nossos competidores - China e Europa - estão nos importando produtos básicos e exportando produtos industriais fabricados com esses mesmos produtos!
É o caso da importação crescente de produtos siderúrgicos. Do aço, como revelam Raquel Landim, do Estado, e Marta Watanabe, do Valor, e do cobre e do alumínio também. Chegam aqui beneficiados pelo câmbio, mas não é este o fator decisivo. É a carga tributária, a legislação trabalhista, a infraestrutura que onera o transporte. São os portos e os juros.
Não se pode esperar que o real se desvalorize para agir, principalmente com a nova crise europeia. A saída é atacar as outras frentes, como aponta o Ministério do Desenvolvimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário