quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A desindustrialização não se explica só pelo câmbio

Este é um dos melhores textos explicativos acerca do atual impasse cambial que se mostra entre China e EUA e os reflexos em nossa economia.

Quanto mais se importa produtos semi-produzidos mais se penaliza nossas indústrias primárias e secundárias o que equivale a dizer que mais se dificulta a criação de postos de trabalho bem como origens de arrecadação. 

Ressalta-se que as políticas tributárias domésticas atuais sobrecarregam os bens e produtos e dificultam nossa competitividade externa ao mesmo tempo que enfraquecem nossa indústria.

Que entra apresenta novos países em dificuldades de recuperação ao mesmo tempo que sinaliza para menos recursos para investimentos em países emergentes como é o nosso caso. Como há um forte comprometimento com os programas assistenciais o que, notadamente, contribuiu definitivamente para a atual eleição nos leva a refletir acerca da manutenção dos atuais compromissos sociais e a nossa enorme carga tributária brasileira. Ou seja, se houver diminuição de aportes externos de investimentos e não houver aumento ou criação de novos encargos tributários (nova CPMF) o governo terá dificuldades em manter os programas e investir ao mesmo tempo o que levaria a uma redução de velocidade na consecução das obras do PAC.
É um tema maiúsculo que se mostra logo após a densa cortina de fumaça que foi o tempo eleitoral....Ah!! E vai doer no bolso!!

A desindustrialização não se explica só pelo câmbio
O Estado de S. Paulo - 17/11/2010

Finalmente, pelo menos o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDCE) está reconhecendo que existe um processo de desindustrialização no País, que pede uma ação mais afirmativa do governo para conter um processo que só se poderá ampliar sob o efeito da acumulação.
O MDCE constata o que chama de "reprimarização" (predominância de commodities nas exportações) enquanto se registra um déficit nas de produtos industriais. A indústria de transformação, que tinha superávit externo de US$ 31,9 bilhões em 2005, já em 2007 apresentou déficit de US$ 9,8 bilhões, e de US$ 30,5 bilhões no primeiro semestre deste ano.

Podia ser que o déficit se limitasse a setores "trabalho-intensivos", como os produtos têxteis e os móveis, dada a concorrência da China, mas chegou também aos automóveis, cujo superávit médio de US$ 9,1 bilhões, entre 2004 e 2007, passou para um déficit de US$ 3,1 bilhões, no ano passado, que deve ser muito maior neste ano.

A melhoria do poder aquisitivo da população pode ter permitido a compra de bens de maior tecnologia. Mas isso não explica o aumento da importação de produtos siderúrgicos de 70,1% nos nove primeiros meses deste ano, ante o mesmo período de 2009, embora as importações de material elétrico, eletrônico e de comunicações tenham crescido 51,8%. No segundo caso, pode-se falar de efeito renda, mas no primeiro caso isso não pesa. Temos as matérias-primas necessárias no Brasil e instalações siderúrgicas modernas. Não será apenas o efeito câmbio?

Na realidade, não se entende que produtos pesados possam ser importados da Europa por preços menores do que o nacional, levando em conta o custo do transporte e até a tendência de reduzir os preços diante da queda da demanda, observada nos países da União Europeia. A razão é que temos no Brasil um custo de produção maior, em razão da carga tributária, da legislação trabalhista e dos juros, sem falar da menor produtividade. Não podemos esperar que a valorização do real desapareça tão logo (parte dela é vinculada ao sucesso econômico) e seria um grave erro concentrar esforços apenas na correção do câmbio. As mudanças mais urgentes são de outra ordem.

É preciso, antes de tudo, reduzir a carga tributária, o que por sua vez tornará possível uma redução da taxa de juros, que tem sua origem no déficit público. E é preciso haver uma legislação que favoreça as exportações, além de uma política de estímulo à inovação para não dependermos tanto de tecnologia externa.
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