Presidente do Conselho de Administração do Centro de Integração Empresa-Escola em São Paulo (Ciee/SP) e da Academia Paulista de Letras Jurídicas
Falta de segurança, má qualidade da educação e fragilidade institucional. Eis os três fatores que, há dois anos, mantêm o Brasil imobilizado na 45ª posição entre os 104 países que compõem ranking da prosperidade, elaborado pelo Legatum Institute, com base em dados coletados durante mais de quatro décadas. Trata-se de um indicador que mede a riqueza e o bem-estar de nações que, somadas, abrigam mais de 90% da população mundial. Para a composição da lista são considerados nove indicadores, chamados de subíndices. Apenas em um — liberdade individual — o Brasil integra o terço superior do ranking. Outros quatro (economia, empreendedorismo, capital social e saúde) empurram o país para a faixa dos medianos.
Mas a avaliação piora, e muito, nos quesitos segurança (76º lugar), educação (75º) e governança (60º). O relatório que acompanha o ranking registra que apenas dois em cada cinco brasileiros se sentem seguros nas ruas. Aponta “insatisfação com um sistema educacional percebido como baixo em qualidade e escasso em oferta”. E destaca que a percepção de governança permanece “medíocre”, com “baixa” confiança nas instituições democráticas e níveis de confiança da sociedade nos próprios cidadãos dos mais reduzidos entre os 104 países.
Os analistas partiram da premissa corretíssima de que bem-estar e satisfação dos povos não têm como parâmetro apenas gordas taxas de crescimento econômico. “Escolha e oportunidades são mais importantes para a felicidade do que ganhar dinheiro rapidamente”, sentencia o relatório. Exemplo citado? O grupo Bric. Brasil, Rússia, Índia e China vêm pontuando como indutores de expansão da economia mundial, mas não primam em outros indicadores. Detentora de significativos avanços em economia, empreendedorismo, governança e capital social, a China amarga graves deficiências em educação, saúde, segurança e liberdade pessoal. Após os atentados terroristas de 2008 em Mumbai, caiu o nível de liberdade na Índia, com aumento da intolerância para com os imigrantes. Na Rússia, a escalada do crime organizado e restrições às liberdades são os fatores negativos.
Saindo um pouco das nossas fronteiras, vale lançar um olhar sobre os vizinhos, até como subsídio para discussões sobre os rumos da diplomacia brasileira. No ranking da América do Sul, Uruguai (33º lugar), Chile (36º) e Argentina (38º) estão no topo do recorte regional, com seus habitantes afirmando desfrutar bons níveis de liberdade individual. Já a Venezuela (74º) fecha o bloco, na esteira da Bolívia (73º) e Equador (71º).
Comparações à parte, ficam evidente os graves gargalos que emperram o desenvolvimento nacional e alimentam outro indicador negativo, que acaba de ser divulgado pela ONU. Trata-se do IDH-D, uma versão do Índice de Desenvolvimento Humano que leva em conta as disparidades regionais dos países. Nele, o Brasil despenca 15 posições quando cotejado com o IDH tradicional, no qual ocupa o 73º lugar entre 169 países, considerando apenas educação, saúde e renda.
O salto de quatro posições no ranking tradicional, do ano passado para cá, confirma avanços já percebidos, louvados e aplaudidos — porém, insuficientes para assegurar as desejáveis taxas de crescimento econômico e de qualidade de vida dos brasileiros.
Aliás, não só desejáveis como possíveis, caso os governantes se dispusessem a enfrentar, com vontade política e competência técnica, os entraves ao desenvolvimento sustentável. A começar pela educação, que vem registrando nos últimos 15 anos melhoras quantitativas, mas ainda sofre de gravíssimas deficiências, comprováveis pelas lamentáveis avaliações de desempenho dos estudantes.
Ninguém de boa-fé se arriscaria a negar que a má qualidade da educação é fator limitante do desenvolvimento, como sentem agudamente as empresas que se veem obrigadas a importar profissionais, porque não encontram no mercado interno candidatos aptos a atender aos requisitos da moderna economia. O próprio Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), para bem cumprir a missão de inserir os jovens no mundo do fazer, sentiu-se obrigado a promover cursos gratuitos para melhor qualificar os estudantes que compõem seu banco de talentos e estão em busca de uma oportunidade de estágio.
Esse exemplo deixa clara a importância da conjugação de esforços de toda a sociedade — preferencial, mas não necessariamente capitaneados pelos governos — para vencer o enorme desafio da educação. É essa postura, e não protestos contra indicadores internacionais, que fará o Brasil se aproximar de Finlândia, Noruega, Austrália e Nova Zelândia, que lideram tanto o ranking da prosperidade, quanto o do IDH.
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Mas a avaliação piora, e muito, nos quesitos segurança (76º lugar), educação (75º) e governança (60º). O relatório que acompanha o ranking registra que apenas dois em cada cinco brasileiros se sentem seguros nas ruas. Aponta “insatisfação com um sistema educacional percebido como baixo em qualidade e escasso em oferta”. E destaca que a percepção de governança permanece “medíocre”, com “baixa” confiança nas instituições democráticas e níveis de confiança da sociedade nos próprios cidadãos dos mais reduzidos entre os 104 países.
Os analistas partiram da premissa corretíssima de que bem-estar e satisfação dos povos não têm como parâmetro apenas gordas taxas de crescimento econômico. “Escolha e oportunidades são mais importantes para a felicidade do que ganhar dinheiro rapidamente”, sentencia o relatório. Exemplo citado? O grupo Bric. Brasil, Rússia, Índia e China vêm pontuando como indutores de expansão da economia mundial, mas não primam em outros indicadores. Detentora de significativos avanços em economia, empreendedorismo, governança e capital social, a China amarga graves deficiências em educação, saúde, segurança e liberdade pessoal. Após os atentados terroristas de 2008 em Mumbai, caiu o nível de liberdade na Índia, com aumento da intolerância para com os imigrantes. Na Rússia, a escalada do crime organizado e restrições às liberdades são os fatores negativos.
Saindo um pouco das nossas fronteiras, vale lançar um olhar sobre os vizinhos, até como subsídio para discussões sobre os rumos da diplomacia brasileira. No ranking da América do Sul, Uruguai (33º lugar), Chile (36º) e Argentina (38º) estão no topo do recorte regional, com seus habitantes afirmando desfrutar bons níveis de liberdade individual. Já a Venezuela (74º) fecha o bloco, na esteira da Bolívia (73º) e Equador (71º).
Comparações à parte, ficam evidente os graves gargalos que emperram o desenvolvimento nacional e alimentam outro indicador negativo, que acaba de ser divulgado pela ONU. Trata-se do IDH-D, uma versão do Índice de Desenvolvimento Humano que leva em conta as disparidades regionais dos países. Nele, o Brasil despenca 15 posições quando cotejado com o IDH tradicional, no qual ocupa o 73º lugar entre 169 países, considerando apenas educação, saúde e renda.
O salto de quatro posições no ranking tradicional, do ano passado para cá, confirma avanços já percebidos, louvados e aplaudidos — porém, insuficientes para assegurar as desejáveis taxas de crescimento econômico e de qualidade de vida dos brasileiros.
Aliás, não só desejáveis como possíveis, caso os governantes se dispusessem a enfrentar, com vontade política e competência técnica, os entraves ao desenvolvimento sustentável. A começar pela educação, que vem registrando nos últimos 15 anos melhoras quantitativas, mas ainda sofre de gravíssimas deficiências, comprováveis pelas lamentáveis avaliações de desempenho dos estudantes.
Ninguém de boa-fé se arriscaria a negar que a má qualidade da educação é fator limitante do desenvolvimento, como sentem agudamente as empresas que se veem obrigadas a importar profissionais, porque não encontram no mercado interno candidatos aptos a atender aos requisitos da moderna economia. O próprio Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), para bem cumprir a missão de inserir os jovens no mundo do fazer, sentiu-se obrigado a promover cursos gratuitos para melhor qualificar os estudantes que compõem seu banco de talentos e estão em busca de uma oportunidade de estágio.
Esse exemplo deixa clara a importância da conjugação de esforços de toda a sociedade — preferencial, mas não necessariamente capitaneados pelos governos — para vencer o enorme desafio da educação. É essa postura, e não protestos contra indicadores internacionais, que fará o Brasil se aproximar de Finlândia, Noruega, Austrália e Nova Zelândia, que lideram tanto o ranking da prosperidade, quanto o do IDH.
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