sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O impasse de SEUL

ESTADO DE MINAS
12/11/2010

O dia de hoje na capital coreana pode ser decisivo para os países emergentes

A presidente eleita, Dilma Rousseff, afirmou ontem em Seul, na Coreia do Sul, que a desvalorização do dólar causa um grave problema para o mundo inteiro. Ela participa da Cúpula do G-20 (que reúne as maiores economias mundiais), como convidada, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que condena o “cada um por si”, por meio de ações isoladas, que geram o protecionismo, como as que têm feito os Estados Unidos e a China, por acreditar que essas decisões podem causar desequilíbrio na economia mundial. Lula e as demais autoridades brasileiras foram para o país asiático defendendo um compromisso das nações do G-20 em favor de ações globais e não individuais para preservação do equilíbrio econômico mundial.

O Brasil chegou a Seul em posição singular em relação a uma das pautas da reunião do G-20, o acordo Basileia 3, que debate novas exigências de capitalização para os grandes bancos, visando ao aumento da estabilidade do sistema e à criação de um padrão internacional de liquidez. O sistema financeiro do país tem formas de garantia de qualidade do crédito superiores às dos países mais desenvolvidos, já que hoje a reserva brasileira, muito em virtude do alto índice do depósito compulsório, gira em torno de 11 pontos percentuais. Enquanto o acordo prevê, na sua forma global, que as instituições elevem seus índices de 2,5% para 8%. Caso o Banco Central (BC) opte por manter o índice atual, os bancos nacionais perderão competitividade, enquanto o custo do dinheiro se manterá mais elevado. Caso haja redução da taxa, os bancos nacionais agem no extremo oposto às demais corporações financeiras do planeta, que, em contrapartida, aumentarão as reservas internas. Mas o movimento, que parece ser vital para a retomada da economia global, não ocorreria com os estrangeiros, pois uma fatia maior de dinheiro ficará nas reservas. Contudo, depois da crise mundial, da qual o Brasil se safou sem maiores lesões, a redução desse tipo de lastro na economia representa um alerta.

Para o diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Brasil e oito países da América Latina e Caribe, Paulo Nogueira Batista Júnior, dificilmente se chegará agora a um acordo global sobre a “guerra cambial” na reunião do G-20, que termina hoje em Seul: “O Brasil deve concentrar seus esforços nas medidas que possa tomar no âmbito local, porque no global ainda vai demorar muito para se chegar a uma solução”. Certo é que a guerra cambial, como definiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está no centro das atenções da economia mundial. A reunião foi organizada para ser um espaço para debater ideias, para desenvolver discussões. Contudo, pelo discutido na capital coreana, as soluções para a questão, ao que parece, ficarão para depois, como ocorreu em junho, na cúpula anterior, em Toronto, no Canadá, da qual Lula não participou. No entanto, o presidente norte-americano, Barack Obama, garantiu ontem que o comunicado final da reunião incluirá mecanismos para promover um crescimento equilibrado e sustentável, em meio a duras negociações que até agora não resultaram em um acordo sobre o texto. Quem viver verá.

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