quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pior que o Paraguai

ESTADO DE MINAS


Com energia barata e menos tributos, vizinho atrai empresas do Brasil

Está certo o Paraguai. Depois de muitas presepadas – que incluíram a construção da imagem do Brasil como imperialista e explorador dos mais fracos para conquistar o apoio interno e convencer os companheiros do governo Lula a conceder-lhe benesses nunca antes vistas na história dos dois países –, o vizinho vem tocando um inteligente projeto. Quer atrair empresas brasileiras, particularmente as intensivas em eletricidade, para se instalarem em seu território. Ou seja, o capeta é ruim apenas quando não está do lado de lá do Rio Paraguai. Uma missão do governo do ex-bispo católico Fernando Lugo esteve no Brasil semana passada e foi direto a uma reunião com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Com o cardápio de ofertas que colocaram na mesa, os paraguaios têm muitas chances de sucesso. Entre os atrativos, pelo menos dois deveriam merecer séria reflexão do Brasil.
O primeiro é a oferta de energia barata. Sócios na Usina Hidrelétrica de Itaipu, localizada no rio que lhes serve de fronteira, Brasil e Paraguai têm direitos iguais na energia gerada. Mas o Paraguai não consegue consumir além de 10% de sua cota e, por contrato firmado em 1973, ficou obrigado a dar exclusividade ao Brasil na venda do excedente. O Brasil teve de bancar sozinho o empreendimento, permitindo ao sócio pagar sua parte em 50 anos, o que é feito descontando parcelas da dívida (atualmente, o saldo é US$ 19 bilhões) no valor pago pela energia vendida por Itaipu. O Paraguai tentou renegociar esse acordo. Eleito democraticamente, o governo Lugo merece apoio, apesar das ofensas ao Brasil. Além disso, interessa a todos o fortalecimento do mais pobre dos parceiros no Mercosul. Foi por isso que, além de aumentar o valor da energia comprada de Itaipu, o Brasil aceitou ser o principal financiador de um projeto de US$ 400 milhões, que vai resolver velho problema do vizinho. Trata-se de uma linha de transmissão de Itaipu até as proximidades de Assunção, a capital paraguaia.
Essa linha, que estará pronta em 2013, vai viabilizar a oferta de energia barata ao consumo industrial e agrícola (irrigação). Esse é o primeiro ponto a favor do Paraguai que nos leva à reflexão: em médio prazo, nossa oferta de energia em grande escala e a preço capaz de manter a competitividade da economia está na dependência de grandes empreendimentos de geração que demoramos demais a iniciar e que, além disso, ainda são polêmicos quanto à eficiência econômica. O outro atrativo paraguaio é a sedutora diferença de carga tributária: 37% aqui, contra 12% lá. Somente no campo trabalhista, o custo de um empregado é 49% mais alto do lado de cá do rio. É claro que a economia brasileira não vai sofrer abalo algum se a investida paraguaia der certo. Mas estão aí dois furos aos quais será imprudente não darmos importância. Afinal, o Brasil pode ser gigante para o Paraguai, mas ainda é apenas um emergente ante os grandes competidores do mercado mundial. .
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