11/11/2010
Condenar os Estados Unidos pela injeção de US$ 600 bilhões na economia é pretender atar a maior potência do planeta, que tenta se reerguer depois de enfrentar uma das maiores crises econômica e financeira da história, sem conseguir assegurar postos de trabalho suficientes para os cidadãos. Ainda que não seja menos verdadeira a afirmação de que a medida interna repercute negativamente sobre outras nações e acirra a guerra cambial, Washington exerce direito de defesa legítimo. Mais: bem-sucedida, a reação do Federal Reserve, o banco central norte-americano, pode, a médio prazo, render bons resultados para a comunidade internacional.
Nada disso, porém, torna menos urgente a necessidade de construção de uma governança global, calcada no multilateralismo, com poder de arbítrio e de enfrentamento de questões pontuais que desequilibram os mercados. Desde o tsunami que varreu o mundo em 2008, a partir do estouro da bolha imobiliária em Wall Street, essa é uma exigência imperativa da globalização. E essa é a tarefa sobre a qual deveriam, mas não vão, se debruçar as oito nações mais industrializadas e as 12 principais potências emergentes do mundo, que se reúnem hoje e amanhã na Cúpula do G-20 em Seul (Coreia do Sul). Uma vez mais, não se espera que os líderes cumpram seu papel.
O predomínio da lei da sobrevivência, em que cada um busca se proteger sem preocupações para além das próprias fronteiras, termina mal para todos. Prova-o o efeito estufa. Frustram-se inúmeras tentativas de contenção do aquecimento global, enquanto o degelo eleva o nível dos oceanos e altera o clima em todo o planeta, com consequências funestas do Polo Sul ao Polo Norte. Na economia não é diferente. A desvalorização artificial de moedas pelos países para inserção mais vantajosa dos produtos nacionais no mercado internacional provoca desequilíbrios que desarrumam os sistemas cambial, monetário e comercial.
Nota dissonante no concerto das nações, o unilateralismo dissimulado cobre de ceticismo a Cúpula do G-20. Não se espera que o marxismo chinês abandone o contraditório exacerbamento do mercantilismo com políticas de fortalecimento do yuan. Da mesma forma, os EUA não deixarão de adotar medidas de recuperação econômica para valorizar o dólar. Propõe-se saída global, com a definição de “parâmetros indicativos”, espécie de sistema sismológico para detectar terremotos cambiais, monetários e comerciais. A sugestão é válida, mas, no contexto, suscita mais dúvidas que certezas. A primeira é óbvia: a quem caberá o controle?
O G-20 reúne os emergentes com as grandes potências, mas não lhes dá poder para mudar regras. Tende, pois, a prevalecer em Seul a lei da selva, a política do protecionismo, com cada país entrando no jogo do mercado com normas próprias. A necessária governança global, que crie condições de equilíbrio para todos, carece de forum mais amplo e legítimo: as Nações Unidas. Desde que reformulada, a ONU, sim, seria o palco adequado para uma revisão dos acordos de Bretton Woods, em que as nações mais industrializadas vencedoras da Segunda Guerra definiram, em julho de 1944, as ainda vigentes regras comerciais e financeiras das relações mundiais, arcabouço superado pela globalização.
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Nada disso, porém, torna menos urgente a necessidade de construção de uma governança global, calcada no multilateralismo, com poder de arbítrio e de enfrentamento de questões pontuais que desequilibram os mercados. Desde o tsunami que varreu o mundo em 2008, a partir do estouro da bolha imobiliária em Wall Street, essa é uma exigência imperativa da globalização. E essa é a tarefa sobre a qual deveriam, mas não vão, se debruçar as oito nações mais industrializadas e as 12 principais potências emergentes do mundo, que se reúnem hoje e amanhã na Cúpula do G-20 em Seul (Coreia do Sul). Uma vez mais, não se espera que os líderes cumpram seu papel.
O predomínio da lei da sobrevivência, em que cada um busca se proteger sem preocupações para além das próprias fronteiras, termina mal para todos. Prova-o o efeito estufa. Frustram-se inúmeras tentativas de contenção do aquecimento global, enquanto o degelo eleva o nível dos oceanos e altera o clima em todo o planeta, com consequências funestas do Polo Sul ao Polo Norte. Na economia não é diferente. A desvalorização artificial de moedas pelos países para inserção mais vantajosa dos produtos nacionais no mercado internacional provoca desequilíbrios que desarrumam os sistemas cambial, monetário e comercial.
Nota dissonante no concerto das nações, o unilateralismo dissimulado cobre de ceticismo a Cúpula do G-20. Não se espera que o marxismo chinês abandone o contraditório exacerbamento do mercantilismo com políticas de fortalecimento do yuan. Da mesma forma, os EUA não deixarão de adotar medidas de recuperação econômica para valorizar o dólar. Propõe-se saída global, com a definição de “parâmetros indicativos”, espécie de sistema sismológico para detectar terremotos cambiais, monetários e comerciais. A sugestão é válida, mas, no contexto, suscita mais dúvidas que certezas. A primeira é óbvia: a quem caberá o controle?
O G-20 reúne os emergentes com as grandes potências, mas não lhes dá poder para mudar regras. Tende, pois, a prevalecer em Seul a lei da selva, a política do protecionismo, com cada país entrando no jogo do mercado com normas próprias. A necessária governança global, que crie condições de equilíbrio para todos, carece de forum mais amplo e legítimo: as Nações Unidas. Desde que reformulada, a ONU, sim, seria o palco adequado para uma revisão dos acordos de Bretton Woods, em que as nações mais industrializadas vencedoras da Segunda Guerra definiram, em julho de 1944, as ainda vigentes regras comerciais e financeiras das relações mundiais, arcabouço superado pela globalização.
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