A incorporação do empresário Jorge Gerdau Johannpeter ao núcleo de gestão do governo da presidente Dilma Rousseff deve ser vista como um sinal de múltiplas facetas, todas elas positivas. O empresário, nacionalmente reconhecido por seu trabalho à frente do Movimento Brasil Competitivo (MBC), tem como uma de suas bandeiras a necessidade de imprimir qualidade tanto aos atos de gestão como aos serviços entregues aos cidadãos. Tem sido essa uma das mais insistentes de suas pregações como empresário e como cidadão. Uma parcela expressiva de governos estaduais de distintos matizes políticos – de Aécio Neves, em Minas, a Eduardo Campos, de Pernambuco – utilizou os serviços do MBC para enfrentar distorções em suas administrações e para corrigir equívocos funcionais que emperram o setor público e retiram qualidade e competitividade das ações dos governos.
A busca da qualidade na gestão pública é, no Brasil, uma necessidade que decorre tanto de uma realidade administrativa perdulária e ineficiente, de um lado, quanto, de outro, do fato de que para fornecer serviços de qualidade duvidosa o poder público tem à sua disposição uma estrutura de tributos que está entre as mais elevadas do mundo. Tem razão, por isso, a recém-indicada ministra Miriam Belchior, do Planejamento, ao afirmar que “é possível fazer mais com menos”. Tudo indica que o núcleo de gestão a ser comandado por Gerdau trabalhará, convenientemente, vinculado a esse ministério. A introdução de conceitos de qualidade no serviço público, especialmente nas áreas estratégicas, como saúde, educação e obras (em particular no Programa de Aceleração do Crescimento), responde a uma necessidade que não pode ser postergada.
Por isso, a presença de um homem com a respeitabilidade de Jorge Gerdau no governo, além de expurgar preconceitos, servirá para devolver ao país uma voz crítica, capaz de olhar as necessidades do país não a partir de visões preestabelecidas e ideologicamente viciadas, mas a partir da consideração objetiva da realidade e das possibilidades nacionais.
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