As exportações brasileiras apresentaram um salto em dezembro, chegando a quase US$ 198 bilhões em 2010, volume um pouco superior ao recorde registrado em 2008, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A venda de produtos básicos foi a grande responsável pelo feito, especialmente café, soja e milho, além de carne de frango e bovina, minério de ferro e petróleo bruto. O superávit de quase US$ 4 bilhões na balança comercial na quarta semana de dezembro foi uma surpresa positiva, com o melhor resultado em um ano e meio. No acumulado desde janeiro, a uma semana do final do ano, a balança indicou um superávit de US$ 18,8 bilhões – ainda 22% a menos do que em 2009, por causa do crescimento do ritmo das importações. As exportações estão atrás na corrida. O aumento das importações foi 10% maior do que o das exportações: 42,3% contra 31,9% respectivamente. De qualquer modo, a meta fixada pelo governo – de US$ 195 bilhões em vendas no ano – foi cumprida. O desempenho do comércio exterior tem sido marcante. Nos últimos oito anos, as vendas de produtos nacionais para outros países triplicaram. No entanto, tendo em vista o tamanho da nossa economia, esperava-se mais da performance das exportações. Sobretudo devido ao crescimento vertiginoso das importações, em um cenário de real forte e dólar desvalorizado. Para 2011, as previsões do governo e de setores do mercado dão como certo um déficit na balança comercial, entre US$ 64 bilhões e US$ 80 bilhões. É o preço do desenvolvimento econômico, cujo enfrentamento será um dos principais desafios da gestão Dilma Rousseff. Medidas modernizadoras do parque industrial, incluindo a redução drástica do custo Brasil, são aguardadas para estimular a produção para exportação e o equilíbrio da balança comercial.
De acordo com a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), a indústria brasileira já respondeu por 20% do Produto Interno Bruto (PIB), e hoje responde por 15%. O consumo doméstico depende em mais de 20% dos produtos importados. Segundo a Fiesp, há no País duas empresas importadoras para cada empresa exportadora. Ratificando os resultados da balança comercial em dezembro, o presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp, Rubens Barbosa, disse em artigo recente para o jornal Estado de S. Paulo que mais da metade da pauta exportadora no Brasil é de produtos primários, não manufaturados. Para Barbosa, isso representa um risco para a indústria nacional, e cita a Argentina como exemplo a não ser seguido.
A competitividade dos produtos manufaturados brasileiros na praça global tem experimentado uma queda nas últimas décadas, ao mesmo tempo em que a importação de produtos baratos – em geral, chineses – avança a passos largos. Com um mercado consumidor em expansão, turbinado a juros altos, a compra de produtos de fora é uma tendência preocupante. Em economês, o que nos ronda é a acentuação da chamada desindustrialização. De janeiro a outubro de 2010, as importações foram 60% maiores do que no mesmo período de 2009.
Por outro lado, empresários e especialistas apontam a falta de investimentos de peso em logística como um dos fatores responsáveis pelo crescimento insatisfatório do Brasil exportador. A logística inadequada eleva os custos de distribuição e dificulta a chegada de produtos competitivos ao mercado. Há entraves adicionais. Sem uma reforma tributária que mereça de fato esse nome, a alta incidência de impostos continua a frustrar o pleno aproveitamento do potencial do País para exportação. Para agravar as perspectivas, a tecnologia nacional vive uma crise de inovação que responde por parques industriais defasados, sem receber incentivos para serem renovados.
Em um momento de redenção do nosso setor industrial, com o aporte de grandiosos investimentos e a saudação a empreendimentos que enchem a população de esperança, Pernambuco deve se preparar para participar ativamente do processo, fomentando a cultura exportadora imprescindível ao crescimento sustentado.
.
Nenhum comentário:
Postar um comentário