Larissa Leite Diego Abreu
Correio Braziliense
Em uma das maiores catástrofes naturais da história do estado, mais de 260 pessoas morrem em três cidades da região serrana
Transbordamento de rio, queda de barreira, deslizamento, desabamento e inundação. A combinação de parte ou de todas essas ações, resultado da forte chuva que desaba na região serrana do Rio de Janeiro desde terça-feira, provocou uma das maiores tragédias vividas pelo estado, com um total de 264 mortos apenas nas cidades Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis. Para se ter uma ideia da dimensão do caos, só em Teresópolis mais de 120 pessoas foram vítimas das águas — a maioria, moradores de locais de risco, independentemente da classe social. De acordo com a Defesa Civil, local bairros nobres também foram atingidos.
Nos três municípios, a tragédia substituiu a fotografia do cartão postal pelas imagens de corpos cobertos pelas ruas, imóveis destruídos, serviços públicos interrompidos e inúmeros objetos sendo arrastados por trombas d’água. A situação atual da região serrana remete, inevitavelmente, ao desastre ocorrido no estado no mesmo período do ano passado — em janeiro de 2010, cerca de 60 pessoas morreram e 900 ficaram desabrigadas em Angra dos Reis (leia memória na página 10), em função do desabamento de terra provocado pela chuva.
Entre a população, o clima era de pânico. Quem sobreviveu à tempestade correu para tentar salvar o que podia. Pequenos engarrafamentos foram registrados nas três cidades, como se os moradores fugissem de uma invasão. Quem perdeu a família não encontrava forças nem sequer para processar o tamanho da tragédia. A dona de casa Vanda Santos de Oliveira, 20 anos, lamentava o desaparecimento da mãe, enquanto acompanhava as buscas no bairro de Caeté, em Teresópolis. Ainda atordoada, foi informada de que o corpo de um de seus irmãos havia sido localizado. Vanda esteve na casa da mãe na noite de terça-feira, antes de a residência ser soterrada. “Minha mãe queria que eu ficasse. Falei para ela também sair, mas ela falou que ia apenas dormir um pouco”, contou, aos prantos. A estilista Daniela Connoly e mais sete pessoas da família Connoly morreram quando comemoravam o aniversário do pai dela, que também não sobreviveu (leia reportagem na página 10).
Durante todo o dia de ontem, a contagem do número de vítimas das chuvas na região serrana subia a cada instante. Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e prefeituras informavam balanços sobre as mortes, provocando a manifestação de diversas autoridades. Em Teresópolis, o prefeito Jorge Mário Sedlacek decretou estado de calamidade pública no município. O secretário estadual do Rio de Janeiro, Carlos Minc, sobrevoou o município e chegou a afirmar, após a verificação, que se tratava da “maior catástrofe da história de Teresópolis”. O vice-governador do estado, Luiz Fernando Pezão, também sobrevoou a área e classificou a situação local como “desesperadora”. “Nunca vi nada igual, nem mesmo nos deslizamentos em Angra dos Reis, no ano passado. Esse é o momento de ver o que pode ser feito para resolver a situação dessas pessoas, buscando, principalmente, desobstruir as estradas e garantir o acesso de serviços”, disse o vice-governador.
O governador Sérgio Cabral está de férias com a família e deve chegar ao Rio somente hoje. Ainda assim, ele conversou com a presidente Dilma Rousseff ontem para definir medidas emergenciais e solicitou, ao comandante da Marinha, almirante Júlio Moura Neto, aeronaves para o deslocamento de equipamentos e pessoal do Corpo de Bombeiros (leia reportagem na página 9).
O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, foi para o Rio de Janeiro na tarde de ontem, sob determinação do ministro da Casa Civil Antônio Palocci, e também prepara uma avaliação das consequências da chuvas no estado.
Em Teresópolis, a prefeitura designou dois abrigos, para receber desalojados, com capacidade para 1.200 pessoas. Em Nova Friburgo, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido e, em Petrópolis, além da chuva — 134 milímetros durante a madrugada de ontem —, a cidade sofre com a água que desce pela serra.
CARTÕES POSTAIS SOTERRADOS
» As fortes chuvas destruíram o principal complexo turístico de Nova Friburgo (RJ). O tradicional teleférico da cidade foi danificado e o hotel Recanto Itália, que é de propriedade do dono do complexo, ficou parcialmente soterrado. O empresário Rodolfo Acre disse que não lhe restará opção, a não ser demitir todos os 40 funcionários. Nova Friburgo contabilizava, até as 22h40 de ontem, 107 mortes, mas o número deve aumentar ainda mais.
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É triste, mas a história se repete, é uma evidência
ResponderExcluirVer mortes e desabamentos sem poder tomar providência
Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo embaixo de lama
O estado do Rio de Janeiro pede ajuda, implora, clama
No ano passado, a tragédia foi no réveillon, nas ilhas de Angra, belas
Igual: deslizamentos nas encostas, perdas e inúmeras sequelas
Mas parece que Cabral, o governador, não sabe ou se esqueceu
De férias na Europa? Como pode? Não agora! Entendeu?
É momento de usar o que sobrou e se tem em mãos
Já que, mais uma vez, faltaram políticas de prevenção
Defesa Civil precisa reforçar a ação e conscientização
Residências irregulares tem destino certo: desabarão
Com a tragédia anunciada, Dilma confirma sua chegada
O governador, já de volta, mostra o que restou das estradas
FGTS, muito bem, será liberado para quem precisar
E para aqueles que não tem mais onde morar
Do Governo Federal virá um bilhão para reparos
Para as famílias de 500 vítimas é difícil o amparo
A reconstrução terá apoio de todos, amigos e parentes
E se possível, senhor, uma estiagem de políticos negligentes
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