segunda-feira, 14 de março de 2011

Autoconfiança se constrói com ousadia


Jack com Suzy Welch
Exame.com.br

Sou jovem e não faz muito tempo que saí da escola. Tenho muitas ambições, idéias criativas e um desejo enorme de realizar uma porção de coisas em minha vida, mas algo me segura: o medo do fracasso. Como posso me tornar mais corajoso?
(Johannesburgo, África do Sul)

Na verdade, você não precisa exatamente de “coragem”. Você precisa de autoconfiança. Sem autoconfiança você não chegará a parte alguma. Mas isso parece que você já sabe.

Só você pode responder como e por que razão a autoconfiança lhe escapou até o momento. 

Talvez você não tenha nascido dotado de uma dose muito grande dela, já que parece haver de fato um componente genético embutido aí. De modo geral, porém, não há dúvida de que a autoconfiança é um traço que pode ser desenvolvido. Algumas pessoas a adquirem muito cedo, com o contato materno, quando ouvem pela primeira vez a novidade maravilhosa de que todo comentário inteligente que fazem pode qualificá-las para o Prêmio Nobel; ou ainda, que são mais altas, mais espertas e certamente têm melhor aparência do que qualquer outra criança do quarteirão. Outras recebem elogios pelas notas que as distinguem dos demais, ou então porque são boas nos esportes da escola, seja porque marcam gols ou porque são escolhidas para capitão do time.

Não há, porém, uma regra fixa que determine o momento em que a autoconfiança começa.

Conhecemos um empreendedor de 27 anos da Eslovênia que “adquiriu” autoconfiança observando a luta do pai para montar uma empresa de máquinas-operatrizes em 1991, literalmente poucos dias depois de o país ter se tornado independente da Iugoslávia. Esse jovem corajoso concluiu recentemente seu MBA nos Estados Unidos e está prestes a começar sua própria empresa de tecnologia global e não vê limite algum em seu futuro.

Conhecemos também um gerente de fundo mútuo de Nova York, muito bem-sucedido por sinal, que experimentou sua primeira grande dose de autoconfiança quando era adolescente e aprendeu a pilotar sozinho um pequeno bote. Ele passou o verão todo pescando enchovas e percas nas águas bravias de Cape Cod Bay.

“Depois disso”, ele nos disse, “entendi que podia fazer qualquer coisa”.

Será?

Claro que não. No decorrer de sua carreira, esse gerente teve diversos “fracassos”. Ele fundou uma empresa de comunicações no fim da faculdade, teve 100 funcionários e faturou 40 milhões de dólares, depois perdeu tudo em uma longa e dolorosa batalha judicial com um ex-sócio. Vários anos depois, tentou montar uma consultoria que sobreviveu apenas seis meses. Apesar do clima de temor provocado por esses incidentes, a profunda reserva de autoconfiança do empresário sempre saiu vitoriosa no final de cada episódio.

Você precisa começar a cultivar essa espécie de reserva, mesmo que seja do zero.

Como?

Não com planos grandiosos que tenham como propósito catapultá-lo para a fama e a fortuna eliminando de uma vez para sempre o temor do fracasso. Muita gente acredita que um único sucesso público de grandes proporções pode pôr fim de uma vez por todas ao seu problema de autoconfiança.

Isso só acontece no cinema.

Na vida real, é justamente a estratégia oposta que funciona. Podemos chamá-la de estratégia das “pequenas vitórias”. Em primeiro lugar, estabeleça uma meta realista, seja no trabalho ou em casa. Mantenha esse objetivo ao seu alcance e sob controle; não exceda suas expectativas da primeira vez.

Em seguida, atinja o objetivo proposto e desfrute do momento.

Depois, estabeleça um objetivo relativamente mais elevado, algo que seja um pouco mais ousado e suficientemente difícil para tirá-lo de sua zona de conforto. Atinja, então, esse novo objetivo proposto e sinta-se melhor ainda. Prossiga nessa escala até engrenar em uma marcha lenta e regular, construindo sua autoconfiança passo a passo. 

O resultado é garantido.

Quando Jack proferiu seu primeiro discurso, há mais de 40 anos, ele quase entrou em pânico: o texto era muito duro e ficou com aquele ar de ensaiado demais. Ele praticou antecipadamente diante do espelho durante semanas, num esforço para superar qualquer possível gagueira; depois, lia as folhas cuidadosamente datilografadas com a calma de um homem dentro de uma camisa de força. O discurso durou só 15 minutos, mas foram os minutos mais longos de sua vida.

Não há nada mais produtivo do que enfrentar um desafio aos poucos, crescendo e aprendendo a cada momento com as dificuldades. Depois de discursar durante décadas diante de todo tipo de auditório, Jack hoje não se abala nem um pouco quando se vê obrigado a responder perguntas perante milhares de pessoas sem nenhuma anotação em mãos. Na verdade, para ele é até divertido. 

Agora, não há dúvida de que, às vezes, você se perderá pelo caminho. Nem sempre os discursos de Jack eram necessariamente melhores do que os anteriores, e demorou muito até que ele se sentisse totalmente à vontade quando discursava. Quando sua pequena vitória tornar-se uma pequena derrota, não embarque em uma viagem de terror. Mergulhe fundo em suas reservas, entenda o que saiu errado, coloque outro alvo e comece de novo.

Esse processo nunca tem fim. Com o passar do tempo, seus objetivos continuarão a crescer cada vez mais. O fracasso, que não deixará de ocorrer de tempos em tempos, vai lhe parecer algo que se deve temer cada vez menos.

Você descobrirá paulatinamente que cada experiência malsucedida tem uma lição a ensinar — por isso, recomponha-se e prepare-se novamente com uma coragem ainda maior.
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