domingo, 6 de março de 2011

Colapsos do novo século

A visão do meu grande amigo, Prof Doutor Afonso Farias Jr.

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CORREIO BRAZILIENSE (DF) • OPINIÃO • 3/3/2011 • PASTA POLÍTICA

Afonso Farias Jr.

O homem viu o primeiro voo do avião, participou de duas grandes guerras mundiais, viu a Revolução Russa, passou por colapsos político-econômicos, assistiu à chegada do primeiro humano à Lua, derrubou o Muro de Berlim, aderiu à internet e conheceu a primeira clonagem biológica, a qual foi realizada em uma ovelha. Tudo isso aconteceu no século 20. Já no século 21, a força dos fatos impõe-se ao próprio evento. Iniciou-se o novo século com um ataque terrorista aos EUA. Em 2001, a Al Qaeda foi responsável por assassinar quase 3 mil pessoas... Todos inocentes, não estavam em combate. Parece que faltou integração na gestão dos órgãos de inteligência ianques e providências tempestivas e eficazes. 

Em 2004, um tsunami matou 220 mil pessoas na Indonésia, na Tailândia e em países vizinhos. Foi um evento natural devastador. Penalizou e paralisou o planeta. Como se precaver de um evento dessa magnitude? Sabe-se que há tecnologia para isso. Novamente, faltaram zelo e ação governamental naqueles governos. 
Em 2008, um forte terremoto abalou a China. Mais de 87 mil pessoas mortas/desaparecidas. Outra vez o mundo chocou-se, parou e moveu-se em solidariedade aos necessitados. Onde estava o governo chinês? Não foi o primeiro terremoto de alta magnitude naquele país. Em 1976, a cidade industrial de Tangshan (a 200km de Pequim) foi devastada por um de magnitude 7,8 na escala Richter. Segundo balanço oficial de Pequim, 242 mil pessoas morreram e 164 mil ficaram gravemente feridas. No entanto, especialistas ocidentais afirmavam ser 700 mil o número de vítimas. 

Ainda em 2008, foi eleito o primeiro presidente negro dos EUA. Barack Obama criou-se globalmente, é grande orador e incentivador da autoestima dos nativos daquele Estado. Assumiu o país em meio a uma crise econômica de grande intensidade, só comparada à crise de 1929. Muitos trabalhadores perderam dinheiro, emprego e mergulharam no colapso imposto pelos conglomerados gigantes (falidos) que comandavam a estabilidade de fluxos, processos e procedimentos imobiliários/financeiros dos EUA. 

Em 2010, foi eleita a primeira mulher para a Presidência da República do Brasil. A filha do búlgaro-brasileiro Pétar Rousseff, Dilma Rousseff, assumiu o Executivo em janeiro de 2011. Choveu muito em Brasília naquele dia… O que isso quer dizer? Alegria ou tristeza? Confusão e instabilidade política… Ou mais desenvolvimento e uma lupa para enxergar os cidadãos? Todas as alianças e alinhamentos políticos para eleger a presidente atual servem a quem? As elites do Brasil, as autoridades de plantão, os movimentos corporativistas dos políticos, para que servem, atuam em nome de quem e para quem? 

Logo em janeiro de 2011, a presidente enfrentou seu primeiro grande desafio. A tragédia nas serras do Rio de Janeiro. Mais de 1,5 mil mortos e desaparecidos. Descaso, destruição e desastre. Por onde andavam as autoridades responsáveis por zelar pelo bem-estar da população? Como estava estruturada a Defesa Civil nas cidades de Teresópolis, Petrópolis, Nova Friburgo? E o órgão de meio ambiente responsável pelas autorizações de assentamentos na área? As prefeituras nada sabiam sobre a potencialidade da tragédia? E as autoridades do estado ficaram surpresas com o evento catastrófico? 

O que há de diferente? Nada. Os governos mudam para consolidar as estruturas oligárquicas internacionais superiores (Eois) configuradas durante anos de poder. Mudam-se os líderes no poder local, regional, internacional, mas o comando do poder sistêmico permanece ativo e controlador dos governos, das empresas e das pessoas. 

Os pobres sofrerão mais ainda com o avançar do século. A classe média será oprimida. Os ricos poderão fazer mais fortunas. E o poder central — as Eois — governará pelo exercício da sua conectividade e capilaridade globais. Esse é um dos efeitos perversos da globalização. 

As tragédias supramencionadas ainda continuarão acontecendo. O descaso dos governos pelo socioambiental é imenso e as medidas tomadas são pirotécnicas, aleatórias e, muitas vezes, irresponsáveis. Ainda bem que o terrorismo tradicional ainda não apareceu em nosso país. Caso ele se instale por aqui, não se precisará ir para o inferno, condicionadores de ar serão implantados na grande sauna que se tornará o Brasil. Algum político bem votado — com certeza — proporá isso.
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Um comentário:

  1. De fato existe a tecnologia para, não evitar as catástrofes naturais e sim prevê-las. Nossos governantes foram omissos pela falta de iniciativa nas ações e criminosos quando desviaram verbas. No “acidente” na cidade do samba, não mediram esforços em liberar verba para garantir o desfile, mesmo sabendo que não houve fiscalização dos órgãos “competentes”. A tragédia na região serrana aos poucos vai sendo esquecida e, nada melhor que o carnaval para sepultar de vez o ocorrido. As “obras emergenciais” continuam e sempre que necessário novos contratos “emergenciais” ocorrerão.

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